Escritos Reunidos VOLUME VIII                                     ÍNDICE

Prefácio Levantamento Cronológico Nota Introdutória do Compilador

Setembro,

O que há em um Nome Aforismos A História de um Planeta O Último de um Bom Lama Anotações Literárias Publicações Teosóficas e Místicas Do Caderno de um Filósofo Impopular Fausses Conceptions Conceitos Errôneos [A Flor e o Fruto]

[Outubro, 1896]

Idealismo Moderno, Pior que Materialismo

Outubro,

Os Sinais dos Tempos Autoconhecimento Vontade e Desejo A Origem do Mal O Grande Paradoxo Desejo Purificado "Uma Aventura entre os Rosacruzes" — Resenha Publicações Teosóficas e Místicas Do Caderno de um Filósofo Impopular Notas Diversas

Novembro,

Tetragrammaton "Que Cada Um Prove a Sua Própria Obra" O Caráter Esotérico dos Evangelhos (continuado em dezembro de 1887 e fevereiro de 1888) Notas do Compilador A Ciência da Vida Pecado contra a Vida Notas de Rodapé a "Blood-Covenanting" "Budismo Esotérico" "A Verdadeira História dos Rosacruzes" — Resenha Do Caderno de um Filósofo Impopular [H. P. Blavatsky e o Motor Keely]

Dezembro,

"Lucifer" ao Arcebispo de Canterbury, Saudação! "Deus Fala por Lei e Ordem" Respostas a Perguntas Anotações Literárias Notas Diversas

[Setembro, 1894]

["Lucifer" e a Theosophical Publishing Company]

[Setembro, 1891]

A Natureza Substancial do Magnetismo

[Outubro, 1896]

Psicologia, a Ciência da Alma

Dezembro,

[Controvérsia entre H. P. Blavatsky e o Abade Roca] Esoterismo do Dogma Cristão (Abade Roca) Notes sur «L’Ésotérisme du Dogme Chrétien» de M. l’Abbé Roca (H.P.B.) Notas sobre o "Esoterismo do Dogma Cristão" do Abade Roca (tradução)

[Maio, Junho, Julho, 1900]

Helena Petrovna Blavatsky

APÊNDICE:     Nota sobre a Transliteração do Sânscrito ILUSTRAÇÕES:      H.P. Blavatsky por volta de      Miss Francesca Arundale      Ruínas do Templo da Sibila      Conde Lev Nikolayevich Tolstoy      John Worrell Keely      H.P. Blavatsky      Cenas de nascimento do Templo de Luxor      Mabel Collins      Dr. Franz Hartmann      Gerald Massey

Fac-símiles       Inscrição Sepulcral da Grécia Antiga       Inscrições de Mabel Collins em Luz no Caminho       Parte de uma carta do Mestre M. ao Dr. F. Hartmann                        Escritos Reunidos VOLUME VIII                           NOTA INTRODUTÓRIA DO COMPILADOR      Neste ponto da sequência cronológica dos escritos de H. P. B., começa o período de seus brilhantes e dinâmicos Editoriais, bem como de outros ensaios e artigos, nas páginas do recém-criado jornal mensal Lucifer.

A primeira edição desta revista é datada de 15 de setembro de 1887, e a página de rosto a descreve como: Uma Revista Teosófica, destinada a "trazer à luz as coisas ocultas das trevas", descrição plenamente justificada pelos muitos artigos notáveis que apareceram em suas páginas com o passar do tempo.      Lucifer começou a ser publicado apenas quatro meses depois que H. P. B. se estabeleceu em Londres, tendo vindo de Ostende, Bélgica, por insistência veemente de Bertram e Archibald Keightley e outros.

Por um curto período, a revista foi publicada por George Redway, na York Street, Covent Garden, mas no mesmo outono a Companhia Editora Teosófica foi organizada com um capital de 1.500, e assumiu a publicação de Lucifer e de tudo o mais que estava sendo lançado pelos incansáveis trabalhadores em Londres.

Desde a primeira edição, e até outubro de 1888, a responsabilidade editorial de Lucifer foi compartilhada por H. P. B. com Mabel Collins, que era o pseudônimo da Sra.

Kenningale Cook.

Considerando o importante papel que ela desempenhou no Movimento, considerou-se aconselhável incluir um esboço biográfico bastante abrangente de sua carreira no Índice Bio-Bibliográfico do presente Volume, ao qual o estudante é remetido.—Compilador.

Escritos Reunidos VOLUME VIII

PREFÁCIO AO VOLUME OITO

O material no presente Volume está em sequência cronológica direta com os escritos contidos no Volume VII, e inclui várias contribuições muito importantes e eruditas da pena de H. P. B.

Com este Volume, entramos em seu ciclo de escrita de Lucifer, que produziu alguns de seus Editoriais mais brilhantes e alguns de seus ensaios mais eruditos.

Também alcançamos nesta fase o início de sua famosa controvérsia com o Abade Roca.

Nenhum agradecimento especial é necessário em relação a este Volume, pois as mesmas pessoas ajudaram em sua produção como aquelas já totalmente mencionadas no Prefácio ao Volume VII.

Somos profundamente gratos pelo contínuo interesse que demonstraram por este empreendimento e pela ajuda voluntariosa que prestaram, cada um a seu modo, para a conclusão bem-sucedida do Manuscrito.

BORIS DE ZIRKOFF,                                                                              Compilador.

LOS ANGELES, CALIFÓRNIA, EUA. 11 de agosto de 1958.                    Escritos Reunidos VOLUME VIII                                      Setembro,

O QUE HÁ EM UM NOME?                            POR QUE A REVISTA SE CHAMA "LUCIFER".

[Lucifer, Vol.

I, No. 1, setembro de 1887, pp. 1-7]

O que há em um nome? Muitas vezes há mais nele do que o profano está preparado para compreender, ou o místico erudito para explicar.

É uma influência invisível, secreta, mas muito potente, que todo nome carrega consigo e "deixa por onde quer que passe". Carlyle pensava que "há muito, senão quase tudo, nos nomes". "Se eu pudesse desvendar a influência dos nomes, que são as mais importantes de todas as vestimentas, eu seria um segundo grande Trismegisto", escreve ele.

O nome ou título de uma revista iniciada com um objetivo definido é, portanto, de suma importância; pois é, de fato, o grão-semente invisível, que ou crescerá "até se tornar uma árvore que tudo sombreia", de cujos frutos dependerá a natureza dos resultados produzidos pelo referido objetivo, ou a árvore murchará e morrerá.

Estas considerações mostram que o nome da presente revista — bastante equívoco para os ouvidos cristãos ortodoxos — não se deve a uma seleção descuidada, mas surgiu em consequência de muita reflexão sobre sua adequação, e foi adotado como o melhor símbolo para expressar aquele objetivo e os resultados em vista.

Agora, o primeiro e mais importante, senão o único objetivo da revista, está expresso na passagem da 1ª Epístola aos Coríntios, em sua página de rosto.

É trazer luz às "coisas ocultas das trevas" (iv, 5); mostrar em seu verdadeiro aspecto e em seu significado real e original coisas e nomes, homens e seus feitos e costumes; é, finalmente, combater o preconceito, a hipocrisia e as falsidades em cada nação, em cada classe da Sociedade, como em cada departamento da vida.

A tarefa é laboriosa, mas não é nem impraticável nem inútil, ainda que como experimento.

Assim, para uma tentativa de tal natureza, nenhum título melhor poderia jamais ser encontrado do que o escolhido.

"Lucifer" é

BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

a pálida estrela da manhã, a precursora do pleno fulgor do sol do meio-dia — o "Eosphoros" dos gregos.

Ela brilha timidamente ao amanhecer para reunir forças e ofuscar o olho após o pôr do sol, como seu próprio irmão “Héspero” — a radiante estrela da tarde, ou o planeta Vênus.

Não existe símbolo mais adequado para o trabalho proposto — o de lançar um raio de verdade sobre tudo o que está oculto pela escuridão do preconceito, por equívocos sociais ou religiosos; especialmente por aquela rotina idiota da vida, que, uma vez que uma certa ação, uma coisa, um nome tenha sido marcado por invenções caluniosas, por mais injustas que sejam, faz com que pessoas respeitáveis, assim chamadas, se afastem estremecendo, recusando-se a sequer olhar para isso sob qualquer outro aspecto além daquele sancionado pela opinião pública.

Tal empreendimento, então, de forçar os fracos de coração a olhar a verdade diretamente nos olhos, é ajudado de forma mais eficaz por um título pertencente à categoria de nomes marcados.

Leitores de inclinação piedosa podem argumentar que “Lúcifer” é aceito por todas as igrejas como um dos muitos nomes do Diabo.

De acordo com a magnífica ficção de Milton, Lúcifer é Satanás, o anjo “rebelde”, o inimigo de Deus e do homem.

Se alguém analisar sua rebelião, no entanto, descobrirá que ela não é de natureza pior do que uma afirmação de livre-arbítrio e pensamento independente, como se Lúcifer tivesse nascido no século XIX.

Esse epíteto de “rebelde” é uma calúnia teológica, em pé de igualdade com aquela outra difamação de Deus pelos predestinarianos, que faz da divindade um demônio “Todo-Poderoso” pior do que o próprio Espírito “rebelde”; “um Diabo onipotente que deseja ser ‘elogiado’ como todo-misericordioso quando está exercendo a mais diabólica crueldade”, como disse James A. Cotter Morrison.

Tanto o Deus-demônio pré-ordenador e predestinador quanto seu agente subordinado são invenção humana; são dois dos dogmas teológicos mais moralmente repulsivos e horríveis que os pesadelos de monges que odeiam a luz já evoluíram de suas fantasias impuras.

Eles datam da era medieval, o período de obscurecimento mental, durante o qual a maioria dos preconceitos e superstições atuais foi forçosamente inoculada na mente humana, de modo a se tornar quase inerradicável em alguns casos, um dos quais é o preconceito atual agora em discussão.

Escritos Reunidos VOLUME VIII

O QUE HÁ EM UM NOME?

Tão profundamente enraizada, de fato, é essa prevenção e aversão ao nome de Lúcifer — que não significa nada pior do que "portador da luz" (do latim *lux*, *lucis*, "luz", e *ferre*, "trazer") — mesmo entre as classes educadas, que, ao adotá-lo para o título de sua revista, os editores têm pela frente a perspectiva de uma longa luta contra o preconceito público.

Tão absurdo e ridículo é esse preconceito, na verdade, que ninguém parece ter jamais se perguntado: como veio Satanás a ser chamado de portador da luz, a menos que os raios prateados da estrela da manhã possam, de alguma forma, sugerir o clarão das chamas infernais?

É simplesmente, como Henderson demonstrou, "uma dessas grosseiras perversões da sagrada escritura que tão amplamente prevalecem, e que devem ser atribuídas a uma propensão a buscar em determinada passagem mais do que ela realmente contém — uma disposição a ser influenciado pelo som em vez do sentido, e uma fé implícita na interpretação recebida" — o que não é exatamente uma das fraquezas de nossa era atual.

No entanto, o preconceito está lá, para vergonha de nosso século.

Isso não pode ser evitado.

Os dois editores se considerariam réprobos aos próprios olhos, traidores do próprio espírito da obra proposta, se cedessem e gritassem covardia diante do perigo.

Se alguém quer combater o preconceito e varrer as feias teias de aranha da superstição e do materialismo igualmente dos mais nobres ideais de nossos antepassados, é preciso preparar-se para a oposição.

"A coroa do reformador e inovador é uma coroa de espinhos", de fato.

Se alguém quer resgatar a Verdade em toda a sua casta nudez do poço quase sem fundo no qual foi lançada pelo fingimento e pela decência hipócrita, não se deve hesitar em descer à escura e escancarada boca

––––––––––       "Foi Gregório Magno quem primeiro aplicou esta passagem de Isaías, 'Como caíste dos céus, Lúcifer, filho da manhã', etc., a Satanás, e desde então a ousada metáfora do profeta, que se referia, afinal, apenas a um rei assírio inimigo dos israelitas, tem sido aplicada ao Diabo." ––––––––––

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

desse poço.

Não importa quão mal os morcegos cegos — os habitantes das trevas e os que odeiam a luz — possam tratar, em sua morada sombria, o intruso; a menos que alguém seja o primeiro a demonstrar o espírito e a coragem que prega aos outros, deve ser justamente considerado um hipócrita e um desertor de seus próprios princípios.

Mal havia sido acordado o título, quando as primeiras premonições do que nos aguardava, em matéria de oposição a ser enfrentada devido ao título escolhido, surgiram em nosso horizonte.

Um dos editores recebeu e registrou algumas objeções picantes.

As cenas que se seguem são esboços da natureza.

I

Um Romancista Conhecido.

Conte-me sobre sua nova revista.

A que classe vocês propõem apelar?     Editor.

A nenhuma classe em particular: pretendemos apelar ao público.

Romancista.

Alegro-me muito com isso.

Pois desta vez serei um do público, pois não entendo nada do seu assunto, e quero entender. Mas devem lembrar que, se o seu público deve compreendê-los, ele necessariamente terá de ser muito pequeno.

As pessoas falam sobre ocultismo hoje em dia como falam sobre muitas outras coisas, sem a menor ideia do que isso significa.

Somos tão ignorantes e — tão preconceituosos.

Editor.

Exatamente.

É isso que faz surgir a nova revista.

Propomos educá-los e arrancar a máscara de todo preconceito.

Romancista.

Isso é realmente uma boa notícia para mim, pois quero ser educado.

Como se chamará sua revista?     Editor.

Lúcifer.

Romancista.

O quê! Vocês vão nos educar no vício? Já sabemos o suficiente sobre isso.

Anjos caídos são abundantes.

Vocês podem encontrar popularidade, pois pombas manchadas estão na moda agora, enquanto os anjos de asas brancas são considerados um tédio, porque não são tão divertidos.

Mas duvido que consigam nos ensinar muito.

II

Um Homem do Mundo (em um tom de voz cuidadoso, pois a cena é um jantar). Ouvi dizer que vocês vão lançar uma revista, toda sobre ocultismo.

Sabe, estou muito contente.

Não digo nada sobre tais assuntos como regra, mas algumas coisas estranhas aconteceram na minha vida que não podem ser explicadas de maneira comum.

Espero que vocês se dediquem a explicações.

O QUE HÁ EM UM NOME?

Editor.

Certamente tentaremos.

Minha impressão é que, quando o ocultismo é em alguma medida apreendido, suas leis são aceitas por todos como a única explicação inteligível da vida.

Um H. M. Exatamente, quero saber tudo sobre isso, pois, pela minha honra, a vida é um mistério.

Há muitas outras pessoas tão curiosas quanto eu.

Esta é uma era afligida pela doença ianque de "querer saber". Conseguirei muitos assinantes para vocês.

Como se chama a revista?      Editor.

Lúcifer — e (avisado pela experiência anterior) não interprete mal o nome.

É típico do espírito divino que se sacrificou pela humanidade — foi obra de Milton que ele jamais tenha sido associado ao diabo.

Somos inimigos jurados dos preconceitos populares, e é bastante apropriado que ataquemos um preconceito como este — Lúcifer, você sabe, é a Estrela da Manhã — o Portador da Luz.

. . . . . .     A M. W. (interrompendo). Oh, eu sei tudo isso — pelo menos não sei, mas considero que você tem alguma boa razão para adotar tal título.

Mas seu primeiro objetivo é ter leitores; você quer que o público compre sua revista, suponho.

Isso está no programa, não está?     Editor.

Decididamente.

A M. W. Bem, ouça o conselho de um homem que conhece o caminho das pedras.

Não marque sua revista com a cor errada no início.

É bastante evidente, quando se para um instante para pensar em sua derivação e significado, que Lúcifer é uma palavra excelente.

Mas o público não para para pensar em derivações e significados; e a primeira impressão é a mais importante.

Ninguém comprará a revista se você a chamar de Lúcifer.

III

Uma Senhora da Moda Interessada em Ocultismo.

Quero ouvir mais sobre a nova revista, pois interessei muitas pessoas nela, mesmo com o pouco que você me contou. Mas acho difícil expressar seu propósito real.

O que é?      Editor.

Tentar dar um pouco de luz àqueles que a desejam.      A S. da M. Bem, essa é uma maneira simples de colocar, e será muito útil para mim. Como se chamará a revista?      Editor.

Lúcifer.

A S. da M. (Após uma pausa). Você não pode estar falando sério.      Editor.

Por que não?     A S. da M. As associações são tão terríveis! Qual pode ser o objetivo de chamá-la assim? Parece algum tipo de piada infeliz, feita contra ela por seus inimigos.

Editor.

Oh, mas Lúcifer, você sabe, significa Portador da Luz; é típico do Espírito Divino—

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

A S. da M. Não importa tudo isso — quero fazer o bem à sua revista e torná-la conhecida, e você não pode esperar que eu entre em explicações desse tipo toda vez que mencionar o título.

Impossível! A vida é curta demais e ocupada demais.

Além disso, isso produziria um efeito tão ruim; as pessoas me achariam pedante, e então eu não poderia falar de jeito nenhum, pois não suportaria que pensassem isso.

Não a chame de Lúcifer — por favor, não. Ninguém sabe o que a palavra representa; o que ela significa agora é o diabo, nada mais, nada menos.

Editor.

Mas isso é um grande equívoco, e um dos primeiros preconceitos que nos propomos a combater.

Lúcifer é o pálido e puro arauto da aurora—     Senhora (interrompendo). Pensei que você fosse fazer algo mais interessante e mais importante do que branquear personagens mitológicos.

Teremos todos de voltar à escola, ou reler o Dicionário Clássico do Dr. Smith.

E de que adianta quando está feito? Pensei que você fosse nos contar coisas sobre nossas próprias vidas e como melhorá-las.

Suponho que Milton escreveu sobre Lúcifer, não escreveu?—mas ninguém lê Milton hoje em dia.

Deixe-nos ter um título moderno com algum significado humano.

IV

Um Jornalista (pensativo, enquanto enrola seu cigarro). Sim, é uma boa ideia, esta sua revista.

Todos vamos rir dela, naturalmente; e vamos destruí-la nos jornais.

Mas todos vamos lê-la, porque secretamente todos anseiam pelo misterioso.

O que você vai chamá-la?      Editor.

Lúcifer.

Jornalista (acendendo um fósforo). Por que não O Foguete? Título igualmente bom e não tão pretensioso.

O "Romancista", o "Homem do Mundo", a "Senhora da Moda" e o "Jornalista" deveriam ser os primeiros a receber um pouco de instrução.

Um vislumbre do caráter real e primitivo de Lúcifer não lhes fará mal algum e pode, porventura, curá-los de um pouco de preconceito ridículo.

Deveriam estudar seu Homero e a Teogonia de Hesíodo se quisessem fazer justiça a Lúcifer, "Eosphoros e Hesperos", a bela estrela da Manhã e da Tarde.

Se há coisas mais úteis a fazer nesta vida do que "branquear personagens mitológicos", difamá-los e enegrecê-los é, no mínimo, igualmente inútil, e demonstra, além disso, uma estreiteza de espírito que não honra ninguém.

O QUE HÁ NUM NOME?

Objetar ao título de LÚCIFER, apenas porque suas "associações são tão terríveis", é perdoável—se é que pode ser perdoável em algum caso—apenas num missionário americano ignorante de alguma seita dissidente, naquele cuja preguiça natural e falta de educação o levaram a preferir arar as mentes de pagãos, tão ignorantes quanto ele mesmo, ao processo mais proveitoso, mas consideravelmente mais árduo, de arar os campos da fazenda de seu próprio pai.

No clero inglês, contudo, que recebe uma educação mais ou menos clássica, e que se supõe, portanto, familiarizado com os meandros da sofistaria e casuística teológica, esse tipo de oposição é absolutamente imperdoável.

Isso não apenas cheira a hipocrisia e engano, mas os coloca diretamente em um nível moral inferior àquele que chamam de anjo apóstata.

Ao se esforçarem para mostrar o Lúcifer teológico, caído pela ideia de que
                                   "Reinar vale a ambição, ainda que no Inferno;
                                    Melhor reinar no Inferno do que servir no Céu," eles estão virtualmente colocando em prática o suposto crime do qual gostariam de acusá-lo. Preferem reinar sobre o espírito das massas por meio de uma perniciosa e sombria MENTIRA, produtora de muitos males, a servir ao céu servindo à VERDADE.

Tais práticas são dignas apenas dos Jesuítas.

Mas sua sagrada escritura é a primeira a contradizer suas interpretações e a associação de Lúcifer, a Estrela da Manhã, com Satanás.

O capítulo xxii do Apocalipse, versículo 16, diz "Eu, Jesus . . . . . . . sou a raiz . . . . e a brilhante e estrela da manhã" (            , "que se levanta cedo"): daí Eosphoros, ou o Lúcifer latino.

O opróbrio atribuído a esse nome é de data tão recente, que a Igreja Romana se viu forçada a encobrir a calúnia teológica por trás de uma interpretação de dois gumes—como de costume.

Cristo, nos dizem, é a "Estrela da Manhã," o Lúcifer divino; e Satanás o usurpador do Verbum, o "Lúcifer infernal." "O grande Arcanjo Miguel,

––––––––––      [Em algumas versões, porém, a palavra usada é         .—Comp.]      o 2º Mémoire de de Mirville à Academia da França, Vol.

IV, citando o Cardeal Ventura.

[Esta ref.

não foi definitivamente identificada.—Comp.] –––––––––– o conquistador de Satanás, é idêntico no paganismo  a Mercúrio-Mitra, a quem, após defender o Sol [simbólico de Deus] dos ataques de Vênus-Lúcifer, foi dada a posse deste planeta, et datus est ei locus Luciferi."  E uma vez que o Arcanjo Miguel é o "Anjo da Face," e o "Vigário do Verbum," ele é agora considerado na Igreja Romana como o regente daquele planeta Vênus que "o demônio vencido havia usurpado!" Angelus faciei Dei sedem superbi humilis obtinuit, diz Cornelius à Lapide (em Vol.


VI, p. 229).      Isso dá a razão pela qual um dos primeiros Papas foi chamado Lúcifer, como Yonge e os registros eclesiásticos provam. Segue-se, portanto, que o título escolhido para nossa revista é ––––––––––       O qual o paganismo passou longos milênios, ao que parece, copiando antecipadamente os dogmas cristãos vindouros.

[H. P. B.]       [de Mirville, Des Esprits, etc., Vol.

IV, p. 161.] [Esta referência é provavelmente à edição das obras de Cornelius à Lapide feita por Élysée Pélagaud, ainda não localizada.

A frase latina é citada por de Mirville, op. cit., Vol.

IV, p. 163, nota de rodapé.—Comp.] [Esta é uma afirmação bastante intrigante.

Não é facilmente verificável a qual Yonge se refere aqui; muito provavelmente, no entanto, trata-se de Charles Duke Yonge (1812-1891), Professor de História e Literatura Inglesa no Queen’s College, Belfast, ainda que seus volumosos escritos se ocupem principalmente das línguas grega e latina.

Quanto aos "registros eclesiásticos", mencionados por H.P.B., os mais conhecidos entre eles, relativos à história do Papado, não fazem menção a nenhum Papa com esse nome.

A esse respeito, o estudante é remetido ao Liber Pontificalis, ou Gesta Pontificum Romanorum, que consiste nas vidas dos bispos de Roma desde a época de São Pedro até a morte de Nicolau I em 867, ao qual foram acrescentados suplementos em data posterior, dando continuidade à série.

O Liber, usado por Beda para sua Historia Ecclesiastica, foi impresso pela primeira vez em Mainz em 1602. A melhor edição é a do erudito francês, Monsenhor Louis Marie Olivier Duchesne (2 vols., Paris, 1886-1892). Nenhum Papa com o nome de Lúcifer ocorre na obra acima mencionada, ou em quaisquer outras fontes disponíveis.

É concebível, no entanto, que H. P. B. possa ter se referido a Lúcifer, bispo de Cagliari (por isso chamado Caralitanus), ardente defensor da causa de Atanásio, e que morreu em 371. Ele é popularmente considerado um santo na Sardenha.

Vários de seus escritos polêmicos ainda existem.

Nós o mencionamos por ser o único indivíduo chamado Lúcifer de quem existem registros tangíveis na história da Igreja.—Compilador.] ––––––––––

O QUE HÁ EM UM NOME?

tão associado a ideias divinas e piedosas quanto à suposta rebelião do herói do Paraíso Perdido de Milton.

Ao escolhê-lo, lançamos o primeiro raio de luz e verdade sobre um preconceito ridículo que não deveria ter lugar nesta nossa "era de fatos e descobertas". Trabalhamos pela verdadeira Religião e Ciência, no interesse do fato contra a ficção e o preconceito.

É nosso dever, assim como o da Ciência física—professadamente sua missão—lançar luz sobre fatos na Natureza até agora cercados pela escuridão da ignorância.

E uma vez que a ignorância é justamente considerada a principal promotora da superstição, esse trabalho é, portanto, um trabalho nobre e benéfico.

Mas as Ciências naturais são apenas um aspecto da CIÊNCIA e da VERDADE.

Ciências psicológicas e morais, ou teosofia, o conhecimento da verdade divina, onde quer que seja encontrado, são ainda mais importantes nos assuntos humanos, e a verdadeira Ciência não deveria limitar-se simplesmente ao aspecto físico da vida e da natureza.

A Ciência é um resumo de todo fato, uma compreensão de toda verdade dentro do escopo da pesquisa e inteligência humanas.

“A ciência profunda e exata de Shakespeare em filosofia mental” (Coleridge) tem-se mostrado mais benéfica ao verdadeiro filósofo no estudo do coração humano — portanto, na promoção da verdade — do que a ciência mais exata, mas certamente menos profunda, de qualquer membro da Instituição Real.

Pede-se, contudo, àqueles leitores que não se convencerem de que a Igreja não tinha o direito de lançar uma mancha sobre uma bela estrela, e que o fez apenas por mera necessidade de explicar um de seus numerosos empréstimos do Paganismo, com todas as suas concepções poéticas das verdades na Natureza, que leiam nosso artigo “A História de um Planeta”. Talvez, após sua leitura, vejam até que ponto Dupuis tinha razão ao afirmar que “todas as teologias têm sua origem na astronomia”. Para os orientalistas modernos, todo mito é solar.

Este é mais um preconceito, e uma precondenação a favor do materialismo e da ciência física.

Será um de nossos deveres combatê-lo, juntamente com grande parte do restante.

Obras Reunidas, VOLUME VIII                                      Setembro,

BLAVATSKY: OBRAS REUNIDAS

AFORISMOS                               [Lucifer, Vol.

I, No. 1, setembro de 1887, p. 7]

Ocultismo não é magia, embora a magia seja uma de suas ferramentas.

Ocultismo não é a aquisição de poderes, sejam psíquicos ou intelectuais, embora ambos sejam seus servos.

Tampouco é o ocultismo a busca da felicidade; como os homens entendem a palavra; pois o primeiro passo é o sacrifício, o segundo, a renúncia.

––––––––––

A vida é construída pelo sacrifício do indivíduo ao todo.

Cada célula no corpo vivo deve sacrificar-se à perfeição do todo; quando assim não é, a doença e a morte impõem a lição.

––––––––––

Ocultismo é a ciência da vida, a arte de viver.

Obras Reunidas, VOLUME VIII                                      Setembro,

A HISTÓRIA DE UM PLANETA                            [Lucifer, Vol.

I, No. 1, setembro de 1887, pp. 15-22]

Nenhuma estrela, entre as inúmeras miríades que cintilam sobre os campos siderais do céu noturno, brilha tão deslumbrantemente quanto o planeta Vênus—nem mesmo Sirius-Sothis, a estrela do cão, amada por Ísis.

Vênus é a rainha entre nossos planetas, a joia da coroa do nosso sistema solar.

Ela é a inspiradora do poeta, a guardiã e companheira do pastor solitário, a adorável estrela da manhã e da tarde.

Pois, “as estrelas ensinam tanto quanto brilham,” embora seus segredos ainda estejam não contados e não revelados para a maioria dos homens, incluindo os astrônomos.

Elas são “uma beleza e um mistério,” verdadeiramente.

Mas “onde há um mistério, geralmente se supõe que também deve haver mal,” diz Byron.

O mal, portanto, foi detectado por

A HISTÓRIA DE UM PLANETA

uma fantasia humana malignamente disposta, mesmo naqueles brilhantes olhos luminosos que espreitam nosso mundo perverso através do véu do éter.

Assim, passaram a existir estrelas e planetas caluniados, assim como homens e mulheres caluniados.

Muitas vezes, a reputação e a fortuna de um homem ou partido são sacrificadas em benefício de outro homem ou partido.

Como na terra abaixo, assim nos céus acima, e Vênus, o planeta irmão da nossa Terra, foi sacrificada à ambição do nosso pequeno globo para mostrar a este último o planeta “escolhido” do Senhor.

Ela se tornou o bode expiatório, o Azaziel da cúpula estrelada, pelos pecados da Terra, ou melhor, pelos de uma certa classe na família humana—o clero—que caluniou o brilhante orbe, a fim de provar o que sua ambição lhes sugeria como o melhor meio de alcançar o poder, e exercê-lo inabalavelmente sobre as massas supersticiosas e ignorantes.

Isso ocorreu durante a Idade Média.

E agora o pecado recai sobre a porta dos cristãos e seus inspiradores científicos, embora o erro tenha sido elevado com sucesso à posição elevada de um dogma religioso, como muitas outras ficções e invenções o foram.

De fato, todo o mundo sideral, planetas e seus regentes—os antigos deuses do paganismo poético—o sol, a lua, os elementos, e toda a hoste de mundos incalculáveis—aqueles, pelo menos, que por acaso eram conhecidos pelos Padres da Igreja—compartilharam do mesmo destino.

Todos foram caluniados, todos endemoninhados pelo desejo insaciável de provar que um pequeno sistema de teologia—construído sobre e a partir de antigos materiais pagãos—era o único certo e santo, e todos aqueles que o precederam ou seguiram, totalmente errados.

Sol e estrelas, o próprio ar, somos convidados a acreditar, tornaram-se puros e –––––––––– “Vênus é uma segunda Terra,” diz Reynaud, em *Terre et Ciel* (p. 74), “tanto que, se houvesse qualquer comunicação possível entre os dois planetas, seus habitantes poderiam tomar suas respectivas terras pelos dois hemisférios do mesmo mundo.

. . . Elas parecem no céu, como duas irmãs.

Semelhantes em conformação, esses dois mundos são também semelhantes no caráter que lhes é atribuído no Universo.”

[Citado em de Mirville, *Des Esprits*, etc., Vol. IV, p. 164.—Comp.] ––––––––––

BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

“redimidos” do pecado original e do elemento satânico do paganismo, somente após o ano I d.C. Escolásticos e escoliastas, cujo espírito “desdenhava a investigação laboriosa e a lenta indução,” haviam mostrado, para satisfação da infalível Igreja, todo o Kosmos no poder de Satanás—um pobre elogio a Deus—antes do ano da Natividade; e os cristãos tinham de acreditar ou ser condenados.

Nunca a sofisticação sutil e a casuística se mostraram tão claramente sob sua verdadeira luz, contudo, como nas questões do ex-satanismo e da posterior redenção de vários corpos celestes.

A pobre e bela Vênus saiu-se pior nessa guerra das chamadas provas divinas, em maior grau do que qualquer de seus colegas siderais.

Enquanto a história dos outros seis planetas, e sua gradual transformação de deuses greco-arianos em demônios semíticos, e finalmente em “atributos divinos dos sete olhos do Senhor,” é conhecida apenas pelos instruídos, a de Vênus-Lúcifer tornou-se uma história doméstica até entre os mais iletrados nos países católico-romanos.

Essa história será agora contada para o benefício daqueles que possam ter negligenciado sua mitologia astral.

Vênus, caracterizada por Pitágoras como o *sol alter*, um segundo Sol, devido à sua magnífica radiância—igualada por nenhuma outra—foi a primeira a atrair a atenção dos antigos teogonistas.

Antes de começar a ser chamada de Vênus, era conhecida na teogonia pré-hesiódica como Eosphoros (ou Phosphoros) e Hesperos, os filhos da aurora e do crepúsculo.

Além disso, em Hesíodo, o planeta é decomposto em dois seres divinos, dois irmãos—Eosphoros (o Lúcifer dos Latinos), a estrela da manhã, e Hesperos, a estrela da tarde.

Eles são filhos de Astraios e Eos, o céu estrelado e a aurora, como também de Céfalo e Eos (Teog., 378-82; Higino, Poeticôn Astronomicôn, II, xlii). Preller, citado por Decharme, mostra que Faetonte ––––––––––       [Caio Júlio Higino—também Higeno, Ygino e Igino—foi um célebre gramático, dito por Suetônio como natural da Espanha, e trazido a Roma após sua captura por César.

Ele foi um liberto de Augusto e por ele colocado à frente da Biblioteca Palatina.

Era íntimo de Ovídio e de outros homens de letras da época.

Há numerosas referências às suas várias obras em Plínio, Gélio, Macróbio e outros, evidenciando que era tido em grande respeito; a maioria de suas obras pereceu.

Temos, no entanto, duas peças em prosa, quase inteiras, que levam o nome de Higino, mas que, devido à sua linguagem inferior, podem ter sido compiladas por outra pessoa.

São elas: Fabularum liber, contendo lendas mitológicas e a genealogia das divindades; e Poeticôn Astronomicôn em quatro livros, tratando dos asterismos, da definição de termos astronômicos, das constelações e das lendas mitológicas a elas anexadas.

As melhores edições de ambas as obras são as dos Mythographi Latini de Muncker, Amsterdã, 1681, e nos Myth.

Lat., de van Staveren, Lugd.

Bat.

e Amst., 1742.—Compilador.] ––––––––––                                               A HISTÓRIA DE UM PLANETA

idêntico a Fósforo ou Lúcifer (Griechische Mythologie, I, 365). E, com base na autoridade de Hesíodo, ele também faz de Faetonte o filho destas duas últimas divindades—Céfalo e Eos.

Ora, Faetonte ou Fósforo, o "luminoso orbe matutino", é levado em sua tenra juventude por Afrodite (Vênus), que dele faz o guardião noturno de seu santuário (Teog., 986-991). Ele é a "bela estrela da manhã" (Vide Apocalipse de São João, xxii, 16), amada por sua luz radiante pela Deusa da Aurora, Aurora, que, ao eclipsar gradualmente a luz de seu amado, parecendo assim levar a estrela consigo, a faz reaparecer no horizonte vespertino, onde vigia os portões do céu.

De manhã cedo, Fósforo "surgindo das águas do Oceano, ergue no céu sua cabeça sagrada para anunciar a aproximação da luz divina." (Ilíada, XXIII, 226; Odisseia, XIII, 93-94; Virgílio, Eneida, VIII, 589; Decharme, Mythologie de la Grèce Antique, p. 247.) Ele segura uma tocha na mão e voa pelo espaço enquanto precede o carro de Aurora.

Ao anoitecer, ele se torna Héspero, "o mais esplêndido dos astros que brilham na abóbada celeste" (Ilíada, XXII, 317-18). Ele é o pai das Hespérides, guardiãs das maçãs de ouro juntamente com o Dragão; o belo gênio dos cachos dourados e fluentes, cantado e glorificado em todos os antigos epitalâmios (os cânticos nupciais dos primeiros cristãos, assim como dos gregos pagãos); ele que, ao cair da noite, conduz

––––––––––      [2 vols.

Leipzig: Weidman, 1854; na 2ª ed., de 1860-61, a passagem pode ser encontrada no Vol.

II, p. 335.—Compilador.] –––––––––– o cortejo nupcial e entrega a noiva nos braços do noivo.


(Decharme, op. cit., p. 248.)      Até aqui, parece não haver possível aproximação, nenhuma analogia a ser descoberta entre a personificação poética de uma estrela, um mito puramente astronômico, e o satanismo da teologia cristã.

É verdade que a estreita conexão entre o planeta como Héspero, a estrela da tarde, e o Jardim do Éden grego, com seu Dragão e as maçãs de ouro, pode, com um certo esforço de imaginação, sugerir algumas comparações dolorosas com o terceiro capítulo do Gênesis.

Mas isso é insuficiente para justificar a construção de um muro teológico de defesa contra o paganismo, feito de calúnias e deturpações.

Mas de todas as evemerizações gregas, Lúcifer-Eósforo é, talvez, a mais complicada.

O planeta tornou-se, com os latinos, Vênus, ou Afrodite-Anadiômena, a Deusa nascida da espuma, a "Divina Mãe", e una com a Astarte fenícia, ou o Astaroth judaico.

Todas eram chamadas "A Estrela da Manhã", e as Virgens do Mar, ou Mar (donde Maria), o Grande Abismo, títulos agora dados pela Igreja Romana à sua Virgem Maria.

Todas estavam conectadas com a lua e o crescente, com o Dragão e o planeta Vênus, assim como a mãe de Cristo foi feita conectada com todos esses atributos.

Se os marinheiros fenícios carregavam, fixada na proa de seus navios, a imagem da deusa Astarte (ou Afrodite, Vênus Erícina) e consideravam a estrela da tarde e da manhã como sua estrela-guia, "o olho de sua Deusa mãe", assim fazem os marinheiros católicos romanos até hoje.

Eles fixam uma Madona nas proas de suas embarcações, e a bendita Virgem Maria é chamada a "Virgem do Mar". A padroeira aceita dos marinheiros cristãos, sua estrela, "Stella Del Mar", etc., ela se ergue sobre o crescente lunar.

Como as antigas Deusas pagãs, ela é a "Rainha do Céu" e a "Estrela da Manhã", assim como elas o eram.

Se isso pode explicar alguma coisa, fica ao critério da sagacidade do leitor.

Enquanto isso, Lúcifer-Vênus nada tem a ver com as trevas, e tudo a ver com a luz.

Quando chamado de Lúcifer, é o "portador da luz", o primeiro raio radiante

A HISTÓRIA DE UM PLANETA

que destrói a escuridão letal da noite.

Quando denominado Vênus, o planeta-estrela torna-se o símbolo da aurora, a casta Aurora.

O Professor Max Müller conjectura acertadamente que Afrodite, nascida do mar, é uma personificação da Alvorada do Dia, e a mais adorável de todas as visões da Natureza (Lectures on the Science of Language), pois, antes de sua naturalização pelos gregos, Afrodite era a Natureza personificada, a vida e a luz do mundo pagão, como comprovado na bela invocação a Vênus por Lucrécio, citada por Decharme.

Ela é a Natureza divina em sua totalidade, Aditi-Prakriti antes de se tornar Lakshmi.

Ela é aquela Natureza diante de cuja face majestosa e bela, "os ventos fogem, o céu sereno derrama torrentes de luz, e as ondas do mar sorriem" (Lucrécio). Quando referida como a deusa síria Astarte, a Astaroth de Hierópolis, o planeta radiante era personificado como uma mulher majestosa, segurando em uma mão estendida uma tocha, e na outra, um cajado curvo em forma de cruz.

(Vide De Dea Syria, de Luciano, e De Natura Deorum, de Cícero, lib.

III, cap.

xxiii.) Finalmente, o planeta é representado astronomicamente como um globo suspenso sobre a cruz — um símbolo com o qual nenhum demônio gostaria de se associar — enquanto o planeta Terra é um globo com uma cruz sobre ele.

––––––––––       [II, pp. 408-09, na 6ª ed., Londres: Longmans, Green & Co. 1871.]       [Esta passagem é de De rerum natura, de Lucrécio, lib.

I, 6-9, cujo texto latino é o seguinte:                                          te, dea, te fugiunt venti, te nubila caeli                                          adventumque tuum, tibi suavis daedala tellus                                          summittit flores, tibi rident aequora ponti                                          placatumque nitet diffuso lumine caelum.]

Isto pode ser traduzido para o inglês aproximadamente como segue: "De ti, ó deusa, de ti fogem os ventos, as nuvens do céu de ti e de tua vinda; para ti a terra prodigiosa faz brotar flores suaves; para ti os vastos trechos do oceano riem, e o céu, tornado pacífico, derrama torrentes de luz."—Compilador.] [Este breve ensaio, atribuído a Luciano por alguns estudiosos, não contém tal descrição de Astarte, e a passagem de Cícero faz apenas uma mera menção a essa deusa.

Pode haver algum erro nas referências fornecidas.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

Mas, então, essas cruzes não são os símbolos do cristianismo, mas a crux ansata egípcia, o atributo de Ísis (que é Vênus, e Afrodite, a Natureza, também) ou o planeta; o fato de que a Terra tem a crux ansata invertida , tendo um grande significado oculto sobre o qual não há necessidade de entrar no presente.

Agora, o que diz a Igreja e como ela explica a "terrível associação"? A Igreja acredita no diabo, é claro, e não podia se dar ao luxo de perdê-lo.

"O Diabo é um dos principais pilares da Fé", confessa sem corar um advogado da Ecclesia Militans. Todos os gnósticos alexandrinos nos falam da queda dos Eons e de seu Pleroma, e todos atribuem essa queda ao desejo de conhecer,

escreve outro voluntário no mesmo exército, caluniando os gnósticos como de costume e identificando o desejo de conhecer ou o ocultismo, a magia, com o satanismo. E então, imediatamente, ele cita a Philosophie de l'Histoire de Schlegel para mostrar que os sete reitores (planetas) de Pymander, comissionados por Deus para conter o mundo fenomênico em seus sete círculos, perdidos de amor por sua própria beleza, chegaram a se admirar com tanta intensidade que, devido a essa orgulhosa autoadulação, finalmente caíram.

–––––––––– Assim diz Des Mousseaux, Mœurs et pratiques des démons, p. x—e ele é corroborado nisso pelo Cardeal de Ventura.

O Diabo, ele diz, "é um dos grandes personagens cuja vida está intimamente aliada à da Igreja; e sem ele . . . . a queda do homem não poderia ter ocorrido.

Se não fosse por ele [o Diabo], o Vencedor sobre a morte, o Salvador, o Redentor, o Crucificado seria apenas o mais ridículo dos supérfluos e a Cruz um verdadeiro insulto ao bom senso." E se assim for, então devemos ser gratos ao pobre Diabo.

 De Mirville.

"Sem Diabo, sem Cristo", exclama ele.

Esta é apenas outra versão de Narciso, a vítima grega de sua própria beleza.

[O trabalho de Schlegel é provavelmente alguma tradução francesa de sua *Philosophie der Geschichte*, Viena, 1829.—Compilador.] ––––––––––

A HISTÓRIA DE UM PLANETA

Tendo a perversidade assim encontrado seu caminho entre os anjos, a mais bela criatura de Deus "revoltou-se contra seu Criador". Essa criatura é, na fantasia teológica, Vênus-Lúcifer, ou melhor, o Espírito informador ou Regente daquele planeta.

Este ensinamento baseia-se na seguinte especulação.

Os três principais heróis da grande catástrofe sideral mencionada no Apocalipse são, segundo o testemunho dos Padres da Igreja—"o Verbo, Lúcifer seu usurpador [ver editorial] e o grande Arcanjo que o conquistou", e cujos "palácios" (as "casas", como as chama a astrologia) estão no Sol, em Vênus-Lúcifer e em Mercúrio.

Isto é bastante evidente, uma vez que as posições desses orbes no sistema solar correspondem, em sua ordem hierárquica, à dos "heróis" no capítulo xii do Apocalipse, "seus nomes e destinos" (?) estando intimamente ligados, no sistema teológico (exotérico), "a esses três grandes nomes metafísicos". (Memória de De Mirville à Academia da França, sobre os Espíritos batidores e os Demônios, Vol. IV, pp. 159-160.)     O resultado disso foi que a lenda teológica fez de Vênus-Lúcifer a esfera e o domínio do Arcanjo caído, ou Satã antes de sua apostasia.

Chamados a conciliar esta afirmação com o outro fato—de que a metáfora da "estrela da manhã" é aplicada tanto a Jesus quanto à sua mãe virgem, e de que o planeta Vênus-Lúcifer está, além disso, incluído entre as "estrelas" dos sete espíritos planetários adorados pelos católicos romanos sob novos nomes—os defensores dos dogmas e crenças latinos respondem da seguinte forma:     Lúcifer, o vizinho invejoso do Sol [Cristo], disse a si mesmo em seu grande orgulho: "Subirei tão alto quanto ele!" Ele foi frustrado em

––––––––––        O famoso templo dedicado aos Sete Anjos em Roma, construído por Michelangelo em 1561, ainda existe, agora chamado de "Igreja de Santa Maria dos Anjos". Nos antigos missais romanos impressos em 1563—dos quais um ou dois ainda podem ser vistos no Palazzo Barberini—pode-se encontrar o serviço religioso (ofício) dos sete anjos, e seus antigos e ocultos nomes.

Que os “anjos” são os Reitores pagãos, sob diferentes nomes—tendo os judeus substituído os nomes gregos e latinos—dos sete planetas é provado pelo que o Papa Pio V disse em sua Bula ao Clero Espanhol, permitindo e –––––––––– seu desígnio por Mercúrio, embora o brilho deste último [que é São Miguel] se perdesse tanto nos fogos ardentes do grande orbe Solar quanto o seu próprio, e embora, como Lúcifer, Mercúrio seja apenas o assessor e o guarda de honra do Sol. Guardas de “desonra” agora, antes, se os ensinamentos do cristianismo teológico fossem verdadeiros.


Mas aqui entra o pé fendido do jesuíta.

O ardente defensor da Demonolatria Católica Romana e do culto dos sete espíritos planetários, ao mesmo tempo, finge grande admiração pelas coincidências entre antigas lendas pagãs e cristãs, entre a fábula sobre Mercúrio e Vênus, e as verdades históricas contadas sobre São Miguel—o “anjo da face”—o duplo terrestre, ou ferouer de Cristo.

Ele os aponta dizendo: . . . . como Mercúrio, o arcanjo Miguel, é o amigo do Sol, seu ferouer, seu Mitra, talvez, pois Miguel é um gênio psicopompo, aquele que conduz as almas separadas às suas moradas designadas, e como Mitra, ele é o conhecido adversário dos demônios. Isto é demonstrado pelo livro dos Nabateus recentemente descoberto (por Chwolsohn), no qual o Mitra zoroastriano é chamado de “grande inimigo do planeta Vênus.” (de Mirville, op. cit., p. 160.) –––––––––– encorajando o culto dos ditos sete espíritos das estrelas.

“Não se pode exaltar demais estes sete reitores do mundo, figurados pelos sete planetas, pois é consolador para nosso século testemunhar pela graça de Deus o culto destas sete luzes ardentes, e destas sete estrelas reassumindo todo o seu esplendor na república cristã.” (De Mirville, Des Esprits, etc., 2ª Memória dirigida à Academia; capítulo “Les Sept Esprits et l’histoire de leur culte,” Vol. II, pp. 357-58.) De Mirville, op. cit., Vol. IV, p. 160. [de Mirville, op. cit., Vol. IV, p. 160.] Heródoto mostrando a identidade de Mitra e Vênus, a frase na Agricultura Nabateia é evidentemente mal compreendida.

[Isto se refere às pesquisas do Dr. Daniel Avraamovich Chwolsohn, o orientalista e semitólogo russo-judeu, que traduziu para o alemão três manuscritos árabes que existem na biblioteca da Universidade de Leyden.]

Eles são: O Livro da Agricultura Nabateia; O Livro dos Venenos; e O Livro dos Tenkelûschâ Babilônicos, com fragmentos de uma quarta obra intitulada, O Livro dos Mistérios do Sol e da Lua.

Foram traduzidos para o árabe por Ibn-Wa’hschijjah, um descendente dos antigos babilônios que decidiu resgatar do esquecimento aquelas obras antigas de seus antepassados.

––––––––––

A HISTÓRIA DE UM PLANETA

Há algo nisso.

Uma confissão franca, pela primeira vez, de perfeita identidade de personagens celestes e de empréstimo de toda fonte pagã.

É curioso, se descarado.

Enquanto nas mais antigas alegorias mazdeístas, Mitra conquista o planeta Vênus, na tradição cristã Miguel derrota Lúcifer, e ambos recebem, como despojos de guerra, o planeta da divindade vencida.

Mitra [diz Döllinger] possuía, em tempos antigos, a estrela de Mercúrio, situada entre o sol e a lua, mas recebeu o planeta do conquistado, e desde então sua vitória o identifica com Vênus.

Na tradição cristã, acrescenta o erudito Marquês, . . . . . São Miguel recebe no Céu o trono e o palácio do inimigo que venceu.

Além disso, como Mercúrio, durante o apogeu –––––––––– O Dr. Chwolsohn publicou suas pesquisas sob o título: Über die Überreste der Altbabylonischen Literatur in arabischen Übersetzungen (em Mémoires des savants étrangers.

Vol.

VIII.

São Petersburgo: Academia Imperial de Ciências, 1859; trad. russa no Russkiy Vestnik de 1859).      O autor de O Livro da Agricultura Nabateia é supostamente Qûtâmî, possivelmente em colaboração com outros.

Foi conservadoramente atribuído por vários estudiosos a um período anterior ao século VIII a.C., e é muito provavelmente baseado em tradições que datam de uma antiguidade remotíssima.

Sob o disfarce da agricultura, muitas crenças ocultas são explicadas, e vários segredos mágicos da natureza são sugeridos.     H. P. B. dedica várias páginas de A Doutrina Secreta (Vol.

II, 452-457) a vários aspectos da obra de Chwolsohn, e à natureza e conteúdo da Agricultura Nabateia.

Ela fala dela como sendo "nenhum apócrifo, mas a repetição dos preceitos da Doutrina Secreta sob a forma exotérica caldeia de símbolos nacionais, com o propósito de 'encobrir' os preceitos."

. . .” Ela afirma claramente que “as Doutrinas de Qû-tâmy, o Caldeu, são, em suma, a representação alegórica da religião das mais antigas nações da Quinta Raça.”—Compilador.] Paganisme et Judaïsme, Vol. II, p. 109. [H. P. B. cita esta passagem de de Mirville, Des Esprits, etc., Vol. IV, p. 160, onde a referência é dada a uma tradução francesa da obra original alemã de Döllinger, intitulada Heidenthum und Judenthum. Nesta última, o assunto de Mitra ocorre nas pp. 383-390 da Parte I, e a citação acima parece ser apenas uma paráfrase de várias declarações encontradas ali.—Compilador.] –––––––––– dias do paganismo, que tornavam sagrados a este deus [demoníaco] todos os promontórios da terra, o Arcanjo é o patrono dos mesmos em nossa religião. Isso significa, se é que significa alguma coisa, que agora, de qualquer forma, Lúcifer-Vênus é um planeta sagrado, e não um sinônimo de Satã, uma vez que São Miguel se tornou seu herdeiro legítimo.


As observações acima concluem com esta reflexão fria: É evidente que o paganismo utilizou [antecipadamente], e da maneira mais maravilhosa, todas as feições e características do príncipe da face do Senhor [Miguel], aplicando-as àquele Mercúrio, ao Hermes-Anúbis egípcio, e ao Hermes-Cristo dos gnósticos.

Cada um destes foi representado como o primeiro entre os conselheiros divinos, e o deus mais próximo do sol, quis ut Deus. O qual título, com todos os seus atributos, tornou-se o de Miguel.

Os bons Padres, os Mestres Maçons do templo do Cristianismo eclesiástico, souberam de fato utilizar o material pagão para seus novos dogmas.

O fato é que basta examinar certos cartuchos egípcios, apontados por Rosellini (Égypte, Vol. I, p. 283), para encontrar Mercúrio (o duplo de Sírius em nosso sistema solar) como Sothis, precedido pelas palavras “só” e “solis custode, o sostegno, dei dominanti . . . il forte, grande dei vigilanti,” “guardião do sol, sustentáculo dos domínios, e o mais forte de todos os vigilantes.” Todos esses títulos e atributos são agora os do Arcanjo Miguel, que os herdou dos demônios do paganismo.

Além disso, os viajantes em Roma podem testemunhar a presença maravilhosa, na estátua de Mitra, no Vaticano, dos mais conhecidos símbolos cristãos.

Os místicos se vangloriam disso. Eles encontram . . . . na cabeça de leão e nas asas de águia, aquelas do corajoso Serafim, o senhor do espaço [Miguel]; no seu caduceu, a lança, ––––––––––         [De Mirville, op. cit., Vol.

IV, pp. 160, 162, algo parafraseado.]         [de Mirville, op. cit., Vol.

IV, p. 160.]         [ibid., p. 162, onde a referência é evidentemente à obra de Ippolito Rosellini intitulada: I Monumenti dell’ Egitto e della Nubia, disegnate della spedizione scientifico-litteraria toscana in Egitto.

Pisa: Presso N. Capurro e.c., 1832-44. 9 vols.

8-vo. (Museu Britânico: 559.b.2.).—Compilador.] ––––––––––

A HISTÓRIA DE UM PLANETA

nas duas serpentes enroscadas ao redor do corpo, a luta dos princípios do bem e do mal, e especialmente nas duas chaves que o referido Mitra segura, como São Pedro, as chaves com as quais este Serafim-patrono deste último abre e fecha os portões do Céu, astra cludid et recludit.      Em suma, o supracitado mostra que o romance teológico de Lúcifer foi construído sobre os vários mitos e alegorias do mundo pagão, e que não é um dogma revelado, mas simplesmente um inventado para sustentar a superstição.

Sendo Mercúrio um dos assessores do Sol, ou os cinocéfalos dos egípcios e os cães de guarda do Sol, literalmente, o outro era Eósforo, o mais brilhante dos planetas, "qui mane oriebaris", o que surge cedo, ou o grego              . Era idêntico ao Amon-ra, o portador de luz do Egito, e chamado por todas as nações de "o segundo nascido da luz" (sendo o primeiro Mercúrio), o princípio dos seus (do Sol) caminhos de sabedoria, sendo o Arcanjo Miguel também referido como o principium viarum Domini.

Assim, uma personificação puramente astronômica, construída sobre um significado oculto que ninguém até agora pareceu decifrar fora da sabedoria oriental, tornou-se agora um dogma, parte integrante da revelação cristã.

Uma transferência desajeitada de personagens é incapaz de fazer pessoas pensantes aceitarem num mesmo grupo trinitário, o "Verbo" ou Jesus, Deus e Miguel (com a Virgem ocasionalmente para completá-lo) por um lado, e Mitra, Satã e Apolo-Abaddon por outro: tudo ao capricho e prazer dos escoliastas católicos romanos.

Se Mercúrio e Vênus (Lúcifer) são (astronomicamente, em sua revolução ao redor do Sol) os símbolos de Deus Pai, do Filho e de seu Vigário, Miguel, o "Conquistador do Dragão", na lenda cristã, por que deveriam eles, quando chamados de Apolo-Abaddon, o "Rei do Abismo", Lúcifer, Satã ou Vênus—tornar-se imediatamente demônios e diabos? Se nos dizem que o "conquistador", ou "Mercúrio-Sol", ou ainda São Miguel do Apocalipse, recebeu os despojos do anjo conquistado

––––––––––      De Mirville, op. cit., Vol.

IV, p. 162. –––––––––– anjo, a saber, seu planeta, por que deveria o opróbrio continuar ligado a uma constelação tão purificada? Lúcifer é agora o "Anjo da Face do Senhor", porque "essa face nele se reflete". Pensamos antes que, porque o Sol reflete seus raios em Mercúrio sete vezes mais do que em nossa Terra, e duas vezes mais em Lúcifer-Vênus: o símbolo cristão provando novamente sua origem astronômica.


Mas seja do ponto de vista astronômico, místico ou simbólico, Lúcifer é tão bom quanto qualquer outro planeta.

Avançar como prova de seu caráter demoníaco, e identidade com Satã, a configuração de Vênus, que dá ao crescente deste planeta a aparência de um chifre cortado, é um absurdo completo.

Mas conectar isso aos chifres do "Dragão Místico" no Apocalipse—"um dos quais foi quebrado"—como os dois demonologistas franceses, o Marquês de Mirville e o Cavaleiro des Mousseaux, campeões da Igreja militante, gostariam que seus leitores acreditassem na segunda metade de nosso presente século—é simplesmente um insulto ao público.

Além disso, o Diabo não tinha chifres antes do quarto século da era cristã.

É uma invenção puramente patrística, decorrente de seu desejo de conectar o deus Pã, e os Faunos e Sátiros pagãos, à sua lenda satânica.

Os demônios do paganismo eram tão sem chifres e sem cauda quanto o próprio Arcanjo Miguel, na imaginação de seus adoradores.

Os "chifres" eram, no simbolismo pagão, um emblema do poder divino e da criação, e da fertilidade na natureza.

Portanto, os chifres de carneiro de Amon, de Baco e de Moisés em medalhas antigas, e –––––––––– “Tanto nas teologias bíblicas quanto nas pagãs,” diz de Mirville, “o Sol tem seu deus, seu defensor e seu usurpador sacrílego, em outras palavras, seu Ormuzd, seu planeta Mercúrio [Mitra], e seu Lúcifer-Vênus [ou Ahriman], tirado de seu antigo senhor, e agora dado ao seu conquistador.” (op. cit., p. 164.) Portanto, Lúcifer-Vênus é bastante santo agora.

Em Apocalipse não há “chifre quebrado”, mas simplesmente se diz no capítulo xiii, 3, que João viu “uma de suas cabeças como ferida de morte”. João nada sabia em sua geração de um diabo “chifrudo”.

––––––––––

A HISTÓRIA DE UM PLANETA

os chifres de vaca de Ísis e Diana, etc., etc., e do próprio Senhor Deus dos Profetas de Israel.

Pois Habacuque dá a evidência de que este simbolismo era aceito pelo “povo escolhido” tanto quanto pelos gentios.

No capítulo iii, 3-4, aquele profeta fala do “Santo do Monte Parã”, do Senhor Deus que “veio de Temã”, e cujo “resplendor era como a luz”, e que tinha “chifres saindo de sua mão”. Quando se lê, além disso, o texto hebraico de Isaías, e se descobre que nenhum Lúcifer é mencionado no capítulo xiv, 12, mas simplesmente Hillel, “uma estrela brilhante”, dificilmente se pode deixar de admirar que pessoas educadas ainda sejam ignorantes o bastante no fim de nosso século para associar um planeta radiante — ou qualquer outra coisa na natureza, aliás — com o DIABO! H.P.B. ––––––––––

–––––––––– As palavras literais usadas, e sua tradução, são: “Aïk Naphalta Mi-Shamayim Hillel Ben-Shahar Nigdata La-Aretz Cholesch Al-Goüm,” ou, “Como caíste dos céus, Hillel, Filho da Manhã, como foste lançado por terra, tu que lançaste por terra as nações.” Aqui a palavra, traduzida como “Lúcifer”, é , Hillel, e seu significado é “brilhando intensa ou gloriosamente”. É também muito verdadeiro que, por um trocadilho ao qual as palavras hebraicas se prestam tão facilmente, o verbo hillel pode ser feito significar “uivar”, daí, por uma derivação fácil, hillel pode ser construído como “uivador”, ou um diabo, uma criatura, contudo, que raramente se ouve, se é que alguma vez, “uivando”. Em seu Léxico Hebraico e Inglês, Art.

, John Parkhurst diz: “A tradução siríaca desta passagem a traduz por *uivar*, e até mesmo Jerônimo, no local, observa que ela significa literalmente *uivar*.

. . . ‘Portanto,’ diz Michaelis, ‘traduzo: *Uiva, Filho da manhã*, i.e.; tu, estrela de primeira magnitude’.” Mas, nesse ritmo, Hillel, o grande sábio e reformador judeu, também poderia ser chamado de “uivador” e ligado ao diabo!            [Existem opiniões divergentes entre os estudiosos sobre o termo hebraico que ora é grafado *hillel*, ora *hlēl* e até mesmo *hailal*, conforme a interpretação dos pontos vocálicos.

A expressão hebraica em Isaías, xiv, 12, *hlēl bn shâƒar*, aparece na Septuaginta grega como                e na Vulgata latina como *Lucifer qui mane oriebaris*, transmitindo a ideia de “levantar-se cedo”, tanto em grego quanto em latim.

A expressão hebraica *bn shâhar* significa definitivamente “filho da aurora”. A Vulgata traduz pela palavra *Lucifer* o termo hebraico *bōqer*, “luz da aurora” (Jó, xi, 17), a expressão *mazzārôth*, “os Signos do Zodíaco” (Jó, xxxviii, 32), e até mesmo *shâhar*, “a aurora” (Salmo, cx, 3). Além de usar a palavra *Lucifer* em conexão com o Rei da Babilônia, na passagem acima mencionada de Isaías, o mesmo termo é usado pela Vulgata em conexão com o Sumo Sacerdote Simão, filho de Onias (Eclesiástico, 1, 6), e é aplicado à “glória do Céu” (Apocalipse, ii, 28), e até mesmo ao próprio Jesus Cristo (II Pedro, i, 19; Apocalipse, xxii, 16). No *Exultet* (liturgia do Sábado Santo), a Igreja usa o título de *Lucifer* em conexão com o seu Salvador e expressa a esperança de que este “Lúcifer da manhã” encontre a vela pascal arde brilhante, ele que não conhece declínio e que, retornando do Inferno, derrama sua luz brilhante sobre a humanidade.

*Hlēl* é derivado de *hâlal*, “brilhar” (árabe *halal*; assírio, *ellu*). A versão siríaca do Antigo Testamento e a versão de Áquila o derivam de *yâlal*, “lamentar”, e São Jerônimo concorda com essa derivação (*Comentário sobre Isaías*, v, 14, em Migne, *Patrologia Latina*, XXIV, 161), fazendo de Lúcifer o principal anjo caído que se supõe “lamentar” a perda de sua glória original, brilhante como a estrela da manhã.

Outros Padres da Igreja sustentam que Lúcifer não é o nome próprio do “diabo”, mas denota apenas o estado do qual ele caiu (Petávio, *De angelis*, III, iii; 4). Os estudiosos atuais concordam com H. P. B. que a suposta derivação de *yâlal*, “gemer”, “uivar ou lamentar”, é insustentável.

A passagem de Isaías, xiv, 12, discutida por H. P. B., é transliterada da seguinte forma pelos padrões atuais: Aik nafaltah mi-shamayim hailal ben-shâhar nig’datah la-ares holesh ’al-goyim.

A tradução deste versículo, segundo a Bíblia do Rei James, é, no entanto: "Como caíste tu, ó Lúcifer, filho da manhã! como foste cortado por terra, tu que enfraquecias as nações!" Alguns estudiosos traduzem "lançaste sortes sobre as nações", em vez de "enfraqueceste".—Compilador.] ––––––––––                   Escritos Reunidos VOLUME VIII                                     Setembro, 28                       BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

O ÚLTIMO DE UM BOM LAMA                             [Lucifer, Vol.

I, No. 1, Setembro de 1887, p. 51]

O que quer que se diga contra o budismo ímpio, sua influência, onde quer que penetre, é mais benéfica.

Encontra-se o Espírito do "Senhor Buda . . . mais piedoso, o Mestre do Nirvâna e da Lei", enobrecendo até mesmo a menos filosófica das seitas dissidentes de sua religião—o Lamaísmo dos Kalmucks nômades.

As Estepes do Cáspio testemunharam, há apenas alguns meses, a solene cremação e sepultamento de um santo mongol, cujas cinzas foram regadas por tantas lágrimas cristãs quanto lamaicas.

––––––––––

O ÚLTIMO DE UM BOM LAMA

O sumo sacerdote dos Kalmucks russos do Volga faleceu em 26 de dezembro de 1886, perto de Vetlyanka, outrora sede das mais terríveis epidemias. Os Gelungs haviam escolhido o dia da cerimônia de acordo com seus livros sagrados; a hora foi fixada astrologicamente, e ao meio-dia de 4 de janeiro de 1887, a imponente cerimônia teve lugar.

Mais de 80.000 pessoas, reunindo-se de todas as stanitzas cossacas vizinhas e ooloosses Kalmucks, formaram uma procissão que circundava o pilar da cremação.

O cadáver, tendo sido fixado em uma cadeira de ferro, usada em tais cerimônias, foi introduzido no pilar oco, sendo as chamas alimentadas com suprimentos de manteiga fresca.

Durante toda a queima, a multidão não cessou de chorar e lamentar, sendo os russos os mais veementes em suas expressões de dor, e com razão.

Por longos anos, o falecido Lama havia sido um pai bondoso para todos os pobres do país, fossem cristãos ou lamaístas.

Vilas inteiras de proletários haviam sido alimentadas, vestidas, e seus impostos per capita pagos de sua própria renda privada.

Sua propriedade em pastagens, gado e dízimos era muito grande, contudo o Lama estava sempre necessitado de dinheiro.

Com sua morte, os pobres infelizes, que mal conseguiam manter a alma em seus corpos, não têm outra perspectiva senão a fome.

Assim, as lágrimas dos cristãos foram tão abundantes, embora não tão altruístas, quanto as dos pobres pagãos.

Apenas no ano anterior, o bom Lama recebera 4.000 rublos de um oolooss (acampamento) calmuco e dera tudo para reconstruir uma aldeia russa incendiada, salvando assim centenas da morte por fome.

Nunca se soube que, durante sua longa vida, ele tivesse recusado qualquer homem, mulher ou criança necessitada, fosse pagão ou cristão, privando-se de todo conforto para ajudar seus semelhantes mais pobres.

Assim morreu o último dos Lamas da hierarquia sacerdotal enviado aos calmucos de Astrakhan, de além da "Cordilheira Nevada", há cerca de sessenta anos.

Uma história vergonhosa é contada

––––––––––       [Também conhecida como Stanitsa Vetlyaninskaya, no uezd de Enotayevsky, na província de Astrakhan, na margem direita do Volga.

Ficava no território dos cossacos de Astrakhan e foi estabelecida em 1764-1765.—Compilador ] –––––––––– de como um peregrino cristão viajante enganou o bom Lama.


O Lama confiara-lhe 30.000 rublos para serem depositados na cidade vizinha: mas o peregrino cristão desapareceu, e o dinheiro com ele.

––––––––––                    Escritos Reunidos VOLUME VIII                                      Setembro,

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS                            [Lucifer, Vol.

I, No. 1, Setembro, 1887, pp. 71-75]

Budismo na Cristandade, ou Jesus, o Essênio, de Arthur Lillie, etc.—Um volume estranho e bastante espesso, de caráter presumivelmente científico, por um orientalista amador.

Conteúdo:—Teorias familiares, construídas sobre dois nomes sagrados e consagrados pelo tempo, que o autor encerra entre grinaldas de fofocas modernas e difamações contra seus críticos, passados e presentes.

Um verdadeiro sarcófago literário que inuma os corpos decadentes de teorias muito antigas, embora ocasionalmente corretas, misturadas com especulações refutadas.

O volume—título e simbologia—está impregnado da atmosfera da poesia sagrada ligada aos nomes de Gautama, o Buda, e "Jesus, o Essênio". Encontrá-lo salpicado com as pesadas gotas de rancor pessoal é como contemplar uma mosca imunda caída no vinho da comunhão de um cálice.

Só se pode imaginar e perguntar a si mesmo: qual será o próximo passo na literatura? Será um novo "Livro Sagrado do Oriente", no qual se encontrará a evidência do Policial Endacott contra a Srta. Cass, acolhida e aceita como um fato histórico? Ou serão as línguas de fogo pentecostais examinadas à luz do mais recente lampião de querosene aperfeiçoado? Mas um cronista bem-informado ao nosso lado reporta que o autor de *Buddhism in Christendom*, ou *Jesus the Essene*, é um forte médium que se senta diariamente para desenvolvimento espiritual.

Isso explicaria o caráter maravilhosamente misto do conteúdo do volume referido. Deve ser assim, pois ele se lê exatamente como tal produção conjunta seria.

É uma mistura curiosa de inspiração "espiritual",

NOTAS LITERÁRIAS

passagens tomadas integralmente dos relatórios da Sociedade "de Pesquisa Espectral", como aquela corporação desencaminhada foi apelidada — uma vez com espírito — pela *Saturday Review*, e vários outros pequenos folhetos difamatórios além disso.

Os "guias espirituais" são proverbialmente vingativos e nem sempre sábios em sua geração.

Uma obra anterior do mesmo médium, há três ou quatro anos, tendo sido dolorosamente mutilada por um verdadeiro estudioso de sânscrito e budismo na Índia, o "Anjo Espiritual" agora investe contra seus críticos.

O Espírito errante tenta sair em fúria entre eles, sem sequer perceber, a pobre e boa alma, que apenas mancha e desfigura com o veneno corrosivo de seu rancor os dois nobres e sagrados caracteres que seu autor-médium se propõe a interpretar, antes mesmo de ter aprendido a compreendê-los.... Isso coloca *Lucifer* sob a desagradável necessidade de resenhar a obra pretensiosa em extensão em um de seus números futuros.

Como os mesmos erros e enganos ocorrem em *Buddhism in Christendom* como em *Buddha and Early Buddhism*, a revista deve fazer disso seu dever, se não inteiramente seu prazer, conferir o volume de 1883 com o de 1887. ––––––––––

Rumora-se que *A Catechism on Every-Day Life*, por um escritor teosófico, está pronto para a imprensa.

Esperemos que não contenha teologia especial ou dogmas, mas apenas sábios conselhos para a vida prática, em sua aplicação aos eventos ordinários na existência de todo teosofista.

Chegou o tempo em que o véu da ilusão deve ser totalmente puxado de lado, não meramente de forma brincalhona, como até agora se fez.

Pois se meros membros do corpo teosófico não têm nada a arriscar, exceto, talvez, um ocasional olhar amigável e risadas daqueles que, sem qualquer necessidade especial, como se acredita, poluem a imaculada brancura de suas respeitáveis saias sociais ao se juntarem a um movimento impopular, os verdadeiros teosofistas devem encarar a verdade e os fatos de frente.

Tornar-se um verdadeiro teosofista — isto é, alguém profundamente imbuído de sentimentos altruístas, com disposição para esquecer o eu e prontidão para ajudar o próximo a carregar o fardo da vida — é tornar-se instantaneamente transformado em alvo público.


É fazer de si mesmo uma coisa pronta para a pesada "Sra.

Grundy" sentar em cima: tornar-se objeto de ridículo, calúnia e difamação, que não param nem diante de uma ocasional acusação criminal.

Para alguns teosofistas, cada passo na verdadeira direção teosófica é um empreendimento de esperança perdida.

Apesar de tudo isso, as fileiras da sociedade "impopular" estão constante, ainda que lentamente, aumentando.

Pois o que realmente importam a calúnia e o ridículo? Quando tolos já foram caluniados, ou homens e mulheres ricos e influentes foram ostracizados, por mais negros e manchados que fossem em seus corações ou em suas vidas secretas? Quem já ouviu falar de um Reformador ou de um orador cujo curso de vida transcorreu tranquilo? Qual deles escapou de ser apedrejado com lama por seus inimigos? Gautama Buda, o grande Reformador hindu, foi acusado pelos brâmanes de ser um demônio, cuja forma foi assumida por Vishnu, para encorajar os homens a desprezarem os Vedas, negarem os deuses e assim efetuarem sua própria destruição.

"Não dizemos bem que tu és samaritano e tens demônio?" disseram os fariseus a Jesus.

"Ele engana o povo... Apedrejai-o até a morte!" "Aquele que supera ou subjuga a humanidade, Deve olhar de cima para o ódio dos que estão abaixo," diz o grande poeta inglês.

Este é ecoado em prosa pelo Rei dos poetas franceses.

Escreve Victor Hugo: Você tem seus inimigos; mas quem não os tem? Guizot tem inimigos, Thiers tem inimigos, Lamartine tem inimigos.

Não tenho eu mesmo lutado por vinte anos? Não tenho eu, por vinte anos, sido difamado, traído, vendido, dilacerado, vaiado, zombado, insultado, caluniado? Não foram meus livros parodiados e meus feitos deturpados? Eu também sou cercado e vigiado, eu também tenho armadilhas preparadas para mim, e até me fizeram cair nelas.

Mas o que é tudo isso para mim? Eu o desprezo. É uma das coisas mais difíceis e, no entanto, necessárias da vida aprender a desprezar.

O desdém protege e esmaga.

É uma couraça e uma clava.

Você tem inimigos? Ora, essa é a história de todo homem que realizou uma grande façanha, criou uma nova ideia.

É a nuvem que troveja ao redor de tudo o que brilha.

Não se preocupe com isso. Não dê a seus inimigos a satisfação de pensar que eles lhe causam qualquer sentimento; seja desdenhoso.

(Choses Vues.) ––––––––––        [Peregrinação de Childe Harold, Canto III, 45.—Compilador.]                                                       ANOTAÇÕES LITERÁRIAS

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O Mais Recente Romance da Ciência, resumido por um francês.

Se a Teoria Atomo-mecânica do Universo tem causado considerável embaraço aos nossos materialistas e levado algumas de suas tão amadas especulações científicas à ruína (ver Os Conceitos e Teorias da Física Moderna, de J. B. Stallo), o leigo não deve ser ingrato aos grandes homens por outros benefícios recebidos de suas mãos.

Através dos incansáveis trabalhos dos mais famosos biólogos e antropólogos da atualidade, o mistério que até então envolvia a origem do homem não existe mais.

Ele se dissipou no ar; graças à atividade da officina (oficina, em inglês correto), no cérebro de Haeckel, ou, como um Hilo-Idealista diria, na vesiculo-neurina de seus gânglios hemisféricos — a origem da humanidade deve ser buscada nessa região científica, e em nenhum outro lugar.

Lido religiosamente pelos "Animalistas" em sua tradução inglesa na Inglaterra Protestante e Monárquica, O Pedigree do Homem é agora recebido com gritos de alegria na França Republicana e Católica Romana.

Um resumo acaba de ser compilado por um sábio francês, que se regozija com o nome de Topinard.

O resumo sobre essa "questão das questões" (como o Sr. Huxley a chama), é na realidade mais interessante do que o próprio Pedigree do Homem.

É tão deliciosamente fantástico e original, que quase se chega a lamentar que nossos numerosos e brincalhões ancestrais ––––––––––       Dr. Lewins, o Hilo-Idealista, em seus apêndices a O Que É Religião? Uma Reivindicação do Livre-Pensamento, por C. N. [Constance Naden]: A Teoria Cerebral da Mente e da Matéria, o Credo da Física, Física e Filosofia.

W. Stewart e Co.       [O Pedigree do Homem; e Outros Ensaios . . . Traduzido do alemão por E. B. Aveling, 1883. Biblioteca Internacional de Ciências e Livre-Pensamento.

Vol.

6.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

os Jardins Zoológicos da Europa e da América parecem não demonstrar intenção alguma de organizar uma lista de subscrição entre si, para a ereção de um monumento duradouro ao grande Haeckel.

Assim, a ingratidão no homem deve certamente ser um fenômeno de atavismo; outro ponto sugestivo sendo assim conquistado em favor de uma prova adicional da descendência do homem a partir do babuíno pitecoide ingrato e sem coração, bem como sem cauda.

Diz o erudito Topinard:—     No início do que os geólogos chamam de período Laurentiano da Terra, e a união fortuita de certos elementos de carbono, oxigênio, hidrogênio e nitrogênio, sob condições que provavelmente só ocorreram naquela época, os primeiros coágulos albuminoides foram formados.

A partir deles, e por geração espontânea, as primeiras células ou massas de clivagem tiveram sua origem.

Essas células foram então subdivididas e multiplicadas, organizando-se na forma de órgãos, e após uma série de transformações, fixadas pelo Sr. Haeckel em nove, originaram certos vertebrados do gênero Amphioxus lanceolatus.

A divisão em sexos foi demarcada, a medula espinhal e a chorda dorsalis tornaram-se visíveis.

No décimo estágio, o cérebro e o crânio fizeram sua aparição, como na lampreia; no décimo primeiro, os membros e mandíbulas foram desenvolvidos . . . . . a terra estava então apenas no período Siluriano.

No décimo sexto, a adaptação à vida terrestre cessou.

No décimo sétimo, que corresponde à fase Jurássica da história do globo, a genealogia do homem é elevada ao canguru entre os marsupiais.

No décimo oitavo, ele se torna um lemuriano; o período Terciário começa.

No décimo nono, ele se torna um Catarrínio, isto é, um macaco com cauda, um Piteciano.

No vigésimo, ele se torna um antropoide, continuando assim durante todo o período Mioceno.

No vigésimo primeiro, ele se torna um homem-macaco, não possuindo linguagem, nem, em consequência, o cérebro correspondente.

Por fim, no vigésimo segundo, o homem surge . . . . em seus tipos inferiores. ––––––––––       Notai bem: quando um teosofista ou um ocultista fala de "geração espontânea," porque para ele não existe matéria inorgânica no Cosmos—ele é imediatamente tachado de ignorante.

Para provar a descendência do homem a partir do animal, contudo, até mesmo a geração espontânea a partir de matéria morta ou inorgânica torna-se um fato axiomático e científico.

[Não foi possível determinar de qual obra específica de Paul Topinard este trecho foi extraído.

"O Mais Recente Romance da Ciência" é aparentemente apenas um título descritivo usado por H.P.B., e não identifica de fato a obra citada.

Vide Bio-Bibl.

Índice, s.v. TOPINARD.—Compilador.] ––––––––––

NOTAS LITERÁRIAS

Feliz, homem privilegiado! Infeliz babuíno abandonado pela evolução! A ciência não nos revela o segredo de por que, enquanto o homem teve tempo de sobra para se tornar, digamos, um Platão, um Newton, um Napoleão, ou até mesmo um Haeckel, seu pobre ancestral tenha sido detido em seu crescimento e desenvolvimento.

Pois, pelo que se sabe, a traseira do cinocéfalo parece tão azul e tão insensível hoje quanto era durante o reinado de Psamético ou de Quéops; o macacus deve ter feito caretas tão feias a Plínio há dezoito séculos quanto faz agora a um darwinista.

Podem nos dizer que, no enorme período de tempo que deve ter decorrido desde o início da evolução, 2.000 ou mesmo 10.000 anos significam muito pouco.

Mas, então, não se vê nem mesmo o moneron em melhor situação após os milhões de anos que se passaram.

No entanto, entre o eremita gelatinoso e pensativo das profundezas salgadas e o homem, deve ter decorrido tempo suficiente para alguma transformação insignificante.

Essa criatura protoplasmática primordial, contudo, parece não sair-se melhor nas mãos da evolução, que quase a esqueceu. A esta altura, dever-se-ia supor que esse nosso ancestral do primeiro estágio tivesse alcançado, no mínimo, um desenvolvimento mais elevado; tivesse se tornado, por exemplo, o anfíbio "sozura" do "décimo quarto estágio", tão minuciosa e cientificamente descrito pelo Sr. Haeckel, e do qual de Quatrefages diz tão maliciosamente em A Espécie Humana (p. 108), que ele (o sozura) "é igualmente desconhecido da ciência." Mas vemos exatamente o contrário.

O pequenino de corpo tenro permaneceu apenas um moneron até esta mesma hora; tanto assim, que o Sr. Huxley, pescando-o das profundezas abissais do oceano, teve pena dele e lhe deu um pai.

Ele batizou nosso ancestral arcaico e o nomeou Bathybius Haeckelii.

. .... Mas todos esses são mistérios que, sem dúvida, serão facilmente explicados para a plena satisfação—da ciência, por –––––––––– [Nova York: D. Appleton & Co., 1879; 2ª ed., Londres: Paul & Co., 1881. Esta é a tradução inglesa da obra francesa, L'Espèce humaine, de Jean L. A. de Quatrefages de Bréau, 3ª ed., Paris: G. Baillière et Cie., 1877.—Compilador.] –––––––––– qualquer biólogo da capacidade cerebral de Haeckel.


Como todos sabem, nenhuma proeza acrobática, do topo de uma árvore a outro topo, do mais veloz dos chimpanzés, pode jamais se aproximar, quanto mais igualar, as rápidas evoluções da fantasia em sua "oficina" cerebral, sempre que Haeckel é chamado a explicar o inexplicável.

. . . Há uma ninharia, contudo, que parece superar até mesmo sua capacidade de sair de um dilema científico, e esta é o décimo oitavo estágio de sua genealogia em *A Genealogia do Homem*.

A evolução do homem a partir das Moneras, também chamadas *Bathybius Haeckelii*, até o homem com cauda e depois sem cauda, passa pelos marsupiais, o canguru, a sarigueia, etc.

Assim ele escreve: Décimo oitavo estágio.

*Prosimiae*, aparentadas ao Loris (*Stenops*) e aos Makis (*Lemur*), sem ossos marsupiais e cloaca, com placenta. Ora, pode ser talvez interessante para os profanos e os inocentes saber que não existem tais "prosimiae", com placenta, na natureza.

Que é, em suma, outra criação do famoso evolucionista alemão, e um filho de seu próprio cérebro.

Pois de Quatrefages apontou há vários anos que: . . . . as investigações anatômicas dos Srs. Alphonse Milne-Edwards e Grandidier . . . . colocam fora de qualquer dúvida que as prosimiae de Haeckel não têm decídua e têm uma placenta difusa.

Elas são indeciduadas.

Longe de qualquer possibilidade de serem os ancestrais dos macacos, segundo o princípio estabelecido pelo próprio Haeckel, elas não podem sequer ser consideradas as ancestrais dos mamíferos zonoplacentários, os carnívoros, por exemplo, e deveriam ser conectadas aos paquidermes, aos desdentados e aos cetáceos. Mas, como mostra esse grande sábio francês, "Haeckel, sem a menor hesitação, acrescenta suas prosimiae" aos outros grupos em *A Genealogia do Homem*, e "atribui a elas uma decídua e uma placenta discoidal". Deve o mundo dos inocentes crédulos demais aceitar novamente pela fé essas duas criaturas desconhecidas da Ciência ou do homem, apenas porque "a prova de sua existência surge da necessidade de um tipo intermediário"? Essa necessidade, porém, –––––––––– *A Genealogia do Homem e Outros Ensaios*, p. 77. *A Espécie Humana*, p. 110. *Op. cit.*, p. 109. ––––––––––

NOTAS LITERÁRIAS sendo apenas uma para o maior sucesso de seu inventor, Haeckel, esse Homero símio não deve nos guardar rancor, se não hesitamos em chamar sua "genealogia" do homem de um romance da Ciência do tipo mais selvagem.

Uma coisa é muito sugestiva nesta especulação.

A descoberta da ausência da placenta necessária nos chamados prosimiae já data de vários anos; Haeckel sabe disso, é claro.

O mesmo ocorre com o Sr. Ed. B. Aveling, D.Sc., seu tradutor.

Por que o erro é permitido permanecer sem correção, e até mesmo despercebido, na tradução inglesa de A Genealogia do Homem de 1883? Os “membros da Biblioteca Internacional de Ciência e Livre Pensamento” temem perder alguns dos admiradores de Haeckel se estes viessem a saber a verdade? No entanto, a Genealogia científica do Homem de Haeckel deveria despertar e estimular o espírito de iniciativa privada.

Que encantadora Féerie poderia ser feita disso no palco de um teatro! Um corps de ballet, composto de répteis antediluvianos e lagartos gigantes, gradualmente, e etapa por etapa, metamorfoseando-se em cangurus, lêmures, macacos sem cauda e babuínos antropoides, e finalmente em um coro de biólogos alemães! Tal Féerie deixaria The Black Crook e Alice no País das Maravilhas para trás.

Um gerente inteligente, atento aos seus interesses, faria fortuna se apenas seguisse o feliz pensamento.

Nota bene: A sugestão é protegida por direitos autorais.

––––––––––

O Livro da Vida, por Siddhartha (também) Vonisa; suas descobertas de “6215 a 6240, Anno Mundi.” Um cruzamento entre um oitavo e um duodécimo.

Este volume, vemos, é altamente apreciado pelo clero, por quem, neste dia sombrio de infidelidade, até mesmo pequenos favores parecem ser recebidos com gratidão.

O autor (nome profano desconhecido) insinua, quando não afirma claramente, que é uma reencarnação de Gautama Buda,

––––––––––      [Uma espetacular ópera leve, de Chas. M. Barra, música de T. Baller, produzida pela primeira vez em 1886, e frequentemente revivida.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

ou Siddhartha, como também de algumas outras personagens históricas não menos importantes.

A obra é uma hábil navegação entre os bancos de areia da ciência e da teologia.

O suficiente é dado em cuidadoso acordo com a primeira para fazer ignorar as concessões mais abundantes aos deuses da última—por exemplo, a cronologia bíblica.

A idade do mundo é permitida em 6240 anos desde Adão, “setecentos anos após as raças marrom e preta terem sido criadas” (p. 53, “Cronologia”); a data da incrustação da terra e do globo sendo deixada à imaginação do leitor.

Uma tabela cronológica dos principais eventos históricos do mundo é publicada nas páginas 53-56. Entre eles, o nascimento de Moisés é situado em 1572 a.C. Os Vedas são apresentados como compilados na Índia, e os poemas de Homero na Grécia, "cerca de 1200 a.C." Siddhartha ou Gautama estabeleceu o Budismo na Índia "de 808 a 726" a.C., nos é dito.

Por último, mas não menos importante, das épocas mundiais e sinais divinos do tempo, vem o evento para sempre memorável de 31 de março de 1885 — a saber, "O Livro da Vida, Vonisa, foi completamente escrito", e ele encerra a lista.

O leitor é notificado, além disso, na linha que começa com A.M. 6240, que o ano de 1884 E.C. (Era Cristã) é o "início da era messiânica e fim da era cristã", o que poderia explicar o aparecimento e a publicação no ano seguinte do volume original em análise.

O novo messias declara que "embora grande parte da obra consista em descobertas originais do autor, o leitor encontrará no Índice Analítico algumas centenas das muitas referências que poderiam ser dadas a autoridades eminentes que foram consultadas em sua preparação." Entre estas, parece, é preciso incluir alguns escritos teosóficos, pois está declarado em O Livro da Vida que—     (a.) "Sete grandes forças estiveram envolvidas nesses vastos movimentos da criação primitiva."     (b.) "Sete Eras da Terra."     (c.) "Vayomer Elohim" traduzido "de acordo com as leis da língua hebraica", significa "sete forças foram usadas como fatores tríplices", e     (d.) "Que os primeiros seres humanos foram espíritos encarnados" (pp. 26-27).

NOTAS LITERÁRIAS

As quatro declarações acima têm a aprovação da teosofia.

Se a frase que se segue, a saber, que "a obra da encarnação [dos espíritos] ocorreu de acordo com a lei", e é "a hipótese mais clara que a ciência tem a oferecer concernente à origem do homem", encontrará a mesma aprovação dos Srs.

Huxley, Haeckel e Fiske, da "Teoria Atomo-Mecânica", é muito duvidoso.

Nem é tão certo que o departamento etnológico no Bureau Anglo-Indiano de Estatísticas esteja bastante preparado para alterar seus retornos censitários de acordo com a declaração de Siddhartha, na página 29, de que—     "Um ramo da raça morena era o dravidiano, que ainda mantém seu lugar no Norte da Índia." [?!]     Um novo livro, intitulado Espírito Revelado, está quase pronto para a prensa.

É descrito como uma obra extraordinária.

Seu autor é Wm. C. Eldon Serjeant, F.T.S., escritor de artigos sobre a "Reforma Vindoura", "Faíscas do Mundo do Fogo", etc., etc.

A obra pretende "explicar a Natureza da Divindade, discutir Suas manifestações em todos os planos de existência, e mostrar a forma de Cristo, cuja segunda vinda é esperada pelos cristãos, e proclamar o advento do Messias, de acordo com a crença dos judeus." "Muitos assuntos, envolvendo questões de considerável obscuridade referentes à Divindade, às Escrituras, aos homens, aos animais e às coisas em geral, são tratados e explicados de forma abrangente, em conformidade com a Palavra do Espírito declarada em várias épocas através dos filhos dos homens."

––––––––––

Anais da Sociedade de Pesquisas Psíquicas: Esses relatórios, publicados ad libitum, sem data definida, não podem ser considerados periódicos.

Dependendo, para sua circulação, principalmente da consumação do que os eruditos editores oferecem como exposições bona fide psíquicas e espiritualistas — que o público aceita como anúncios muito gentis das pessoas assim atacadas — esta publicação ocupa uma posição inteiramente sui generis.

Os Anais oferecem ao público um manual muito útil, algo entre um texto e um guia, com instruções práticas em política diplomática no domínio do Psíquico, na forma de cartas científicas e informações privadas de detetive.


Os sensitivos discernem nos Anais (por impacto telepático) o espírito maquiavélico do aristocrático Bismarck, temperado com uma aura fortemente impregnada dos perfumes plebeus de honestos mouchards em serviço, mas talvez sejam, então, preconceituosos.

Por outro lado, ouviu-se dizer que alguns membros russos, de inclinação espiritualista, da S. P. R., afirmaram que os Anais lhes lembravam os da felizmente extinta Terceira Seção da Polícia de São Petersburgo.

Assim, os "guias" tutelares da erudita associação dos psiquistas britânicos podem, um dia, revelar-se, afinal, os espíritos desencarnados de gendarmes russos? Ocasionalmente, quando os campos de caça deste erudito corpo proporcionam uma perseguição especialmente bem-sucedida — atrás de quimeras — um Suplemento é acrescentado aos Anais, sendo a magnitude do volume adicionado inversamente proporcional à iluminação de seu conteúdo, que geralmente é oferecido como prêmio ao materialismo.

Portanto, os *Proceedings* podem ser melhor descritos como os registros flutuantes e ocasionais de uma sociedade empenhada em desmentir o próprio nome. Pois a pesquisa "Psíquica" é certamente um equívoco, além de ser uma ilusão e uma armadilha para os incautos.

Lúcifer sugeriria como título mais verdadeiro: "Sociedade para Pesquisa Hilo-Pseumática". Isso daria à S. P. R. o benefício de uma conexão aberta com o incomparável "Hilo-Idealismo" do Dr. Lewins — ao mesmo tempo que lhe permitiria navegar sob suas verdadeiras cores. Quer o conselho de Lúcifer seja aceito ou não, a profunda filosofia do fenômeno batizado de "telepatia" e impacto telepático só pode ser estudada cientificamente em nossa contemporânea espasmódica.

Este novo estrangeiro grego é a obra-prima dos Padres Psíquicos de

–––––––––– , "matéria em oposição à mente"; portanto, Idealismo-Material — uma contradição em termos exatamente paralela ao nome "Psíquico" e à própria obra "anti-psíquica" da Sociedade referida. *Pseusma* deveria substituir *Psyche*, pois ela busca fraudes e não a ação da alma.

PUBLICAÇÕES TEOSÓFICAS E MÍSTICAS

nosso século.

É sua prole "primeira" e "única", e é uma descoberta genuína no que diz respeito ao seu nome helênico.

Pois, despojado de sua denominação grega, torna-se como a América.

O gênio que descobriu o fenômeno é como Colombo, a quem os nórdicos, e até os chineses, haviam tomado a dianteira séculos antes.

Esse fenômeno só pode parecer novo quando assim disfarçado sob um nome solene e científico — por ser incompreensível para o profano médio.

Sua descrição simples em inglês — como transferência de pensamento ou sensação à distância — jamais poderia esperar ter o mesmo toque de erudição clássica. No entanto, os *Proceedings*, com os dois volumes gigantescos adicionais do "Leviatã" psíquico, chamado *Phantasms of the Living*, são fortemente recomendados aos inválidos.

São inestimáveis em casos de insônia obstinada, como o melhor soporífero conhecido.

Instruções: O leitor deve ter cuidado para não acender um fósforo em proximidade demasiada com as referidas obras.

"O ADVERSÁRIO."                    *Collected Writings* VOLUME VIII                                     Setembro,

PUBLICAÇÕES TEOSÓFICAS E MÍSTICAS                           [Lucifer, Vol.

I, No. 1, Setembro, 1887, pp. 77-79]

*The Theosophist*, uma revista de Filosofia Oriental, Arte, Literatura e Ocultismo.

Conduzida por H. P. Blavatsky e H. S. Olcott, Presidente Perpétuo da S.T., Vol.

VIII, Nºs.

e 95, julho e agosto de 1887. Madras, Índia.

Em Londres, George Redway, 15, York Street, Covent Garden.

Este periódico é o mais antigo dos periódicos da Sociedade Teosófica e possui uma característica própria: um número de colaboradores hindus, budistas e parses entre os mais eruditos da Índia Britânica.

Nenhum periódico é, portanto, mais confiável nas informações ocasionais nele contidas sobre os sagrados princípios e escrituras do Oriente, uma vez que são derivadas de primeira mão e provêm de estudiosos nativos, bem versados em seus respectivos cultos.


De tempos em tempos, O Teosofista tem corrigido respeitosamente erros de orientalistas ocidentais e continuará a realizar sua tarefa proposta, publicando artigos admiráveis.

Como exemplo marcante disso, as quatro "Conferências sobre o Bhagavad-Gîtâ", de um estudioso nativo, o Sr. T. Subba Row, podem ser citadas.

Iniciadas no número de fevereiro, concluem-se agora na edição de julho.

Nenhuma exposição melhor, mais competente ou mais completa sobre esse livro, o mais filosófico e o menos compreendido dos livros sagrados do Oriente, jamais foi dada em qualquer obra, passada ou presente.

Nos números de junho e julho, é publicada a "Ha-Khoshecah: uma Visão do Infinito", do Dr. Henry Pratt, um erudito cabalista na Inglaterra.

Alguns artigos muito interessantes sobre a "Mitologia Nórdica", do erudito estudioso sueco, Sr. C. H. A. Bjerregaard (da Biblioteca Astor, Nova York), também podem ser encontrados no último número.

O Teosofista é o periódico da Sociedade Teosófica por excelência; as atas e os registros do trabalho da Sociedade são publicados mensalmente em seus Suplementos.

Nenhum malfeitor da referida Sociedade, que se precipite à publicidade com denúncias e, ocasionalmente, ataques difamatórios contra esse corpo, deveria — se é um oponente justo e honesto, é claro — publicar qualquer coisa sem antes se familiarizar bem com o conteúdo do Teosofista e, especialmente, com os Suplementos anexos a esse periódico.

Este conselho é dado com toda a bondade aos nossos detratores — tanto aos eruditos quanto aos ignorantes — para seu benefício direto, embora em evidente desvantagem para a teosofia.

Pois, como tantos de nossos críticos têm feito recentemente papel de tolos em seus supostos desmascaramentos de nossas doutrinas, é vantagem para nossa Sociedade deixá-los prosseguir imperturbados e, assim, fazer a plateia rir do inimigo.

Dois exemplos gráficos podem ser citados.

Em "Buddhism in Christendom: or, Jesus the Essene", de um diletante indelicado em orientalismo, a doutrina septenária dos Ocultistas é

PUBLICAÇÕES TEOSÓFICAS E MÍSTICAS

desfigurada a ponto de ficar irreconhecível, e é recebida pela risada unânime e cordial daqueles que conhecem algo do assunto.

Seu infeliz autor evidentemente nunca abriu uma obra teosófica séria, a menos que, de fato, a doutrina esteja acima de sua capacidade de compreensão.

Como um contraste refrescante, encontra-se, em *Earth's Earliest Ages*, de G. H. Pember, um autor que estudou e compreendeu conscienciosamente as doutrinas fundamentais da Teosofia.

Assim, não obstante sua tentativa de conectá-la ao vindouro Anticristo e de mostrar seus numerosos escritores comprometidos com a obra de Satanás, "o Príncipe dos Poderes do Ar", o volume publicado pelo erudito e imparcial cavalheiro é uma verdadeira pérola na literatura antiteosófica.

A enunciação correta do conhecimento dos princípios que ele desaprova, como um cristão ortodoxo sincero, é notável; e sua linguagem, digna, cortês e inteiramente livre de qualquer personalidade, só pode suscitar uma resposta igualmente cortês daqueles que ele acusa.

Ele evidentemente leu e, o que é mais, compreendeu o que encontrou em *The Theosophist* e em outros volumes místicos.

Será, portanto, o prazer e o dever de *Lucifer*, que não guarda rancor pelo ataque pessoal, resenhar este volume interessante em sua edição de outubro, esperando ver uma nota tão gentil sobre *Earth's Earliest Ages* em *The Theosophist* de Madras.

––––––––––

––––––––––       Espiritualistas, místicos e orientalistas metafísicos não precisam sentir ciúmes, pois são feitos para compartilhar o mesmo destino e são elevados à mesma dignidade que os teosofistas.

Os escritores de *The Perfect Way*, Dra. Anna B. Kingsford e Edward Maitland, ficam de braços dados com o humilde escritor de *Isis Unveiled* diante do trono de Satanás.

O Sr. Edwin Arnold, de *The Light of Asia*, e o falecido Sr. E. V. Kenealy, de *The Book of God*, são vistos irradiando na mesma luz letal de enxofre e brimstone.

O Sr. C. C. Massey é mostrado atolado na Metafísica anticristã; nossa gentil Lady Caithness é apontada nas espirais da "Grande Besta" do romanismo, e acusada de "culto à deusa"; e até mesmo — ó Poderes da Percepção Mística! — o *Buddhist Monotheism* do Sr. Arthur Lillie é levado *au grand sérieux*!

O Caminho; “uma revista dedicada à Fraternidade da Humanidade, à Teosofia na América, e ao estudo da Ciência Oculta, Filosofia e Literatura Ariana.” Editada por William Q. Judge.

Preço: dez xelins por ano.

Nova York, E.U.A. Caixa Postal 2659, etc.

George Redway, 15, York Street, Covent Garden, Londres.

Uma revista mensal excelentíssima e teosófica, repleta de literatura filosófica de vários místicos e escritores conhecidos.

A melhor publicação do seu gênero nos Estados Unidos, e que sempre cumpre o que promete, oferecendo mais alimento para o pensamento do que muitos periódicos maiores.

Seu número de agosto é muito interessante e está plenamente à altura do seu padrão habitual.

Jasper Niemand continua suas excelentes reflexões em “Cartas sobre o Verdadeiro.” O Sr. E. D. Walker, em um artigo sobre “A Poesia da Reencarnação na Literatura Ocidental,” cita os versos de Wordsworth, Tennyson, Dean Alford, Addison, H. Vaughan, Browning, etc., como prova do fato de que esses poetas estavam tingidos, senão imbuídos, da filosofia da reencarnação.

B. N. Acle continua as “Notas sobre a Luz Astral,” de Eliphas Lévi.

Ele cita a enunciação surpreendente e lúgubre daquele ocultista epigramático, que diz que “aquele que morre sem perdoar seu inimigo, lança-se na Eternidade armado com um punhal, e se devota ao horror do assassinato eterno.” “O Simbolismo do Triângulo Equilátero,” da Srta. Lydia Bell, mostra quanta sabedoria pode ser extraída de um pequeno símbolo quando se sabe como procurá-la ali.

S. B. faz algumas observações muito pertinentes sobre a “Ficção Teosófica,” cujo crescimento é um dos sinais dos tempos.

“Um verdadeiro retrato da vida, seja real ou potencial, encontrado em uma obra de ficção, torna essa leitura uma das melhores fontes de aprendizado.” Graças à educação que o público está recebendo da literatura mais sólida da Teosofia, ele está se tornando mais crítico e já formou um “padrão de probabilidade” para fenômenos maravilhosos, que atua como um controle saudável sobre os escritores externos de ficção, que portanto não podem mais confiar inteiramente “em sua imaginação para

DE UM FILÓSOFO IMPOPULAR

seus atos, e em sua memória para suas fantasias.” Os leitores de romances agora preferem que seu sobrenatural não seja sobrenaturalmente antinatural, mesmo que tenham que tomá-lo em doses mínimas, disfarçado em sua bebida favorita de amor, assassinato e conversa fiada.

**“A Mais Alta Despreocupação”** (Nº 7 de “Pensamentos na Solidão”), por “Peregrino”, é repleta de reflexões profundas e belas.

Este escritor, assim como o “Místico Americano”, cujo artigo sobre a intrigante questão “Sou eu o Guardião do Meu Irmão?” vem em seguida, avançou consideravelmente no caminho do conhecimento, e os pensamentos de ambos têm um interesse especial para leitores contemplativos e dados ao autoexame.

“Místico Americano”, aliás, dá uma nova e notável guinada a uma frase demasiadas vezes mal compreendida.

“Não resistais ao mal”, ele cita e explica que a resistência feroz e pessoal ao mal que sobrevém a si mesmo é o que se quer dizer.

“Cristianismo—Teosofia”, do Sr. Wm. H. Kimbal, procura mostrar que o objetivo fundamental de ambos, a saber, a Fraternidade da Humanidade, é o mesmo, e que eles podem e devem unir suas forças.

Julius, em “Conversas à Mesa de Chá”, está tão incisivo, estranho e furtivamente sentimental como sempre.

––––––––––      [Wm. Scott Elliott.—Compilador.] ––––––––––

–––––––––––                    Escritos Reunidos VOLUME VIII                                     Setembro,

DO CADERNO DE NOTAS DE UM FILÓSOFO                            IMPOPULAR                             [Lucifer, Vol.

I, Nº 1, Setembro, 1887, p. 80]

O VALOR ESOTÉRICO DE CERTAS PALAVRAS E                                  ATOS NA VIDA SOCIAL.

Uma definição de Opinião Pública.

A reunião de alguns retrógrados positivamente eletrizados pelo fanatismo e pela força do hábito, que agem sobre a massa de tolos negativamente eletrizados pela indiferença.

A aceitação de visões pouco caridosas por “sugestão” mediante “impacto telepático” (seja lá o que isso signifique). A obra da psicologia inconsciente.


Pesar solidário.—A sua expressão na Sociedade, pela dor de alguém, é como uma solene procissão fúnebre, na qual a fileira de carruagens de luto é, deveras, longa, mas cujos veículos estão todos vazios.

Troca mútua de elogios.—Expressões de deleite e outras atuações na sociedade culta são as folhas de figueira dos civilizados Adões e Evas.

Estes “aventais” para ocultar a verdade são fabricados incessantemente nos Édens sociais, e o seu nome é—polidez.

Guardar o Sábado.—Lançar opróbrio público sobre Cristo, e exibir a própria superioridade sobre Ele, “maior que o templo” e que o Sábado, que defendeu o direito de seus discípulos a “quebrar” o Sábado, pois o Sábado foi feito para o homem, e não o homem para o Sábado (Mt., xii, e Mc., ii, 27, etc.).      Assistir ao Culto Divino.—Quebrar o mandamento expresso de Jesus.

Tornando-se “como os hipócritas”, que amam orar nas sinagogas e nos templos, “para serem vistos pelos homens”. (Mateus, vi, 5.) Prestar juramento sobre a Bíblia.—Uma lei cristã, concebida e adotada para perpetuar e cumprir o mandamento inequívoco do Fundador do Cristianismo: “Não jureis de modo algum; nem pelo céu... nem pela terra...” (Mateus, v, 34-35). Como se supõe que o céu e a terra foram criados somente por Deus, um livro escrito por homens recebeu assim a prerrogativa sobre aqueles.

Impopularidade.—Odeiamos apenas aqueles que invejamos ou tememos.

O ódio é uma homenagem oculta e forçada prestada à pessoa odiada; uma admissão tácita da superioridade do caráter impopular.

O verdadeiro valor da maledicência e da calúnia.

Uma prova do triunfo iminente da vítima escolhida.

A picada da mosca quando a criatura sente seu fim se aproximando.

ALGUMAS ILUSTRAÇÕES PERTINENTES DE SCHOPENHAUER.

Sócrates foi repetidamente difamado e espancado pelos opositores de sua filosofia, e foi igualmente instado por seus amigos a vingar sua honra nos tribunais de Atenas.

Chutado por um cidadão rude, na presença de seus seguidores, um deles expressou surpresa por ele não ressentir o insulto, ao que o Sábio respondeu: “Sentir-me-ei então ofendido e pedirei ao magistrado que me vingue, se também acontecer de eu ser chutado por um asno?” A outra observação sobre se um certo homem o havia insultado e chamado de nomes, ele respondeu calmamente: “Não; pois nenhum dos epítetos que ele usou pode possivelmente aplicar-se a mim.” (Das Geórgicas de Platão.) O famoso cínico Crates, tendo recebido do músico Nicodromus um golpe que fez seu rosto inchar, fixou calmamente uma placa em sua testa, inscrita com as duas palavras: “Nicodromus facit.” O flautista mal escapou com vida das mãos do povo, que via Crates como um deus doméstico.

Sêneca, em sua obra De Constantia Sapientis, trata muito elaboradamente dos insultos em palavras e ações, ou contumélia, e então declara que nenhum Sábio jamais dá a menor atenção a tais coisas.

“Bem, sim!” exclamará o leitor, “mas esses homens eram todos Sábios!” “E você, é então apenas um tolo? De acordo!”

Escritos Reunidos VOLUME VIII Setembro,

FALSAS CONCEPÇÕES                              RESPOSTA AO ARTIGO DE ALEPH «REVOLUÇÃO»,

Revista do Movimento Social 

[O Lotus, Paris, Vol.

I, No. 6, Setembro 1887, pp. 321-338]

A     França, por que não queres nos compreender!     Jornalistas Europeus e Americanos, por que não estudar a verdadeira Teosofia antes de criticá-la?     Porque a aristocracia científica é vã e se coloca sobre pernas de pau de sua própria fabricação; porque a filosofia moderna é materialista até a raiz dos cabelos; porque ambas, em seu orgulho, esquecem que para compreender e apreciar a evolução futura, é necessário conhecer a evolução no Passado, deve-se considerar como «desequilíbrio intelectual ou pura prestidigitação» tudo o que não compreendem essa aristocracia científica e essa filosofia materialista?

––––––––––       [Este ensaio da pena de H. P. B. foi também publicado em forma de panfleto sob o título: Fausses Conceptions, Réponse à divers critiques (Tours: Imp.

de E. Arrault, 1887, 8°, 20 pp. 2 fr.). Segundo o bibliógrafo Albert L. Caillet, “Aleph” era Charles Limousin, Editor do Jornal Acacia.

Este panfleto é muito difícil de obter, mas pode ser consultado nos acervos da Bibliothèque Nationale em Paris (8°R. Pièce 3782). O texto de H. P. B. é precedido ali pelo seguinte aviso:

«A fim de poder responder à maioria das críticas que às vezes nos dirigem, e que provêm      da ignorância escusável de nossos contraditores equivocados, ou das calúnias surdas de nossos      inimigos—antigos membros expulsos da Sociedade ou ministros da idolatria em ciência e em      religião—pensamos que é útil extrair à parte o seguinte artigo da Sra. Blavatsky, publicado no      número 6 do Lotus.

Supor-se-á simplesmente que ALEPH representa o público em geral, e a Sra.      Blavatsky (para o objetivo ao menos e a tendência geral) a Sociedade Teosófica ».                                                                                                    —Compilador.]       Ver a Revue du Mouvement social; nos.

10, 11, 12 (publicados em maio); à venda, 44, rue Beaunier, Paris; o fascículo, 3 fr. (F. K. G.) ––––––––––

FALSAS CONCEPÇÕES                                                  B     É precisamente em vista desses «pensadores que, no momento presente, experimentam um mal-estar indefinível» ao verem desmoronar toda verdade, que os «missionários do Himalaia» oferecem sua ciência e sua luz.

Luz bem fraca! mas cujo raio, procedente do Sol da Verdade, vale melhor, em todo caso, do que as luzes artificiais oferecidas por fisiologistas e patologistas, promovidos subitamente ao posto de psicólogos.

Pensa-se seriamente que baste paralisar certas regiões do cérebro e excitar outras, para aprofundar o mistério da origem e da essência da alma humana? Diante desses pensadores, os descontentes da vida, agitamos o «Lótus simbólico» para fazer brilhar um raio de esperança que seus olhos cansados já não sabem discernir das sombras chinesas gesticulantes, movidas pelos pseudossábios que dizem ao público: «Eis a Ciência»!     O artigo «Revolução» é uma falsa concepção da Teosofia — seja de Madras, de Londres, de Paris ou da América.

É uma lamentação alfabética e uma série de erros, de A até Y. Erros, digo, no que concerne à missão e aos ensinamentos teosóficos — admirável resumo da situação atual, quanto à Ciência, às aspirações das massas e às reflexões sobre o estado social.

Em suma, «Revolução» é um silogismo, cujas premissas são falsas, mas cuja conclusão lógica faz honra a «Aleph». Com efeito, seu único erro foi julgar a missão dos Teosofistas de Madras, segundo a caricatura feita pelos jornalistas de todos os países.

Ele aceitou esse retrato sob fé e tirou suas conclusões a partir disso.

É um procedimento antiteosófico: os Teosofistas não devem aceitar nada sob fé; eles abandonam essa maneira de agir às religiões antropomórficas e aos adoradores cegos da ciência materialista.


C     Os «missionários» do Lótus estão prontos a responder.

Há alguns que entraram nos laboratórios dos químicos e ajudaram estes últimos a produzir o fenômeno dos sons astrais.

Outros provaram a físicos que toda matéria é animada, quando se sabe despertar nela o princípio latente.

O químico célebre teve medo de notificar a seus colegas o fenômeno que ele mesmo havia produzido.

Os físicos nada compreenderam disso.

Intimados a explicar o que haviam visto, responderam: "A matéria tal como a conhecemos não pode agir assim.

Não acreditando no diabo, somos forçados a crer que é um truque.

Os teosofistas são hábeis malabaristas" DIXIT!

Assim seja! Os "missionários teosóficos" cantam agora:

"Não iremos mais ao bosque,                                      "Os louros foram cortados".     Os sábios se apropriaram de todos eles; recusam à velha ciência oculta o que lhe é devido.

Os Teosofistas ocultistas são melhores filhos; não disputam por sua parte e acrescentam de bom grado às coroas de louros que os sábios tecem para si todos os cardos que crescem ao longo do caminho.

Não vimos em nome de nenhuma religião.

O sobrenatural não existe na Natureza, Una, Absoluta e Infinita.

Nunca pretendemos que o milagre nos fosse fácil — sendo um milagre tão impossível quanto um fenômeno devido a combinações até então desconhecidas da ciência, é possível desde que possa ser produzido à vontade.

Dizemos mesmo que toda "manifestação de efeito físico" (vocabulário espírita) cuja natureza escape à perspicácia das ciências naturais é uma MALABARICE PSICOLÓGICA.

(Nota bene.

Não confundir essa malabarice com a prestidigitação de Robert Houdin, por favor.)

FALSAS CONCEPÇÕES

D     A verdade de nossas doutrinas repousa sobre sua filosofia e sobre fatos na natureza.

Acusar-nos de pretender que nossa ciência oculta supera a de Jesus ou de Buda é caluniar-nos.

E     O "ascetismo" não tem lugar entre os Teosofistas europeus.

É uma doença hereditária dos Hatha-Yogis, os protótipos indus dos cristãos que se flagelam, mortificam a carne, até se tornarem idiotas e conversarem, sem convertê-lo, com o diabo.

Os Teosofistas, mesmo na Índia, protestam contra o yogismo dos fakires.

Um asceta solitário é o símbolo do egoísmo mais covarde; um eremita que foge de seus irmãos em vez de ajudá-los a carregar o fardo da vida, a trabalhar para o próximo, a pôr a mão na roda social, é um poltrão que se esconde na hora da batalha e adormece embriagando-se de ópio.

O ascetismo, compreendido à maneira das religiões exotéricas, criou os loucos ignorantes que se lançam sob a carruagem de Jaggernath.

Se esses infelizes tivessem estudado a filosofia esotérica, saberiam que sob a letra morta dos dogmas ensinados pelos brâmanes — exploradores como todo sacerdote, herdeiro dos bens de sua vítima, enlouquecida de terror supersticioso — esconde-se um sentido profundamente filosófico; saberiam que seus corpos, que eles fazem triturar sob as rodas do carro de Jagan-Nâtha (Jaggernath em dialeto vulgar — significando o Senhor do Mundo ou a Anima mundi) são os símbolos das paixões grosseiras e materiais, que esse "carro" (a alma divina e espiritual) deve triturar.

E sabendo tudo isso, não aplicariam mais o ascetismo moral e espiritual pregado pelo esoterismo ao seu corpo — casca animal do deus que nele se encontra latente.

Os Teósofos das Índias trabalham para destruir o ascetismo exotérico ou a "divinização do sofrimento", verdadeiro satanismo da superstição.

De nosso "Gênesis", Aleph não conhece a primeira palavra.


F     Os anais pré-históricos, preservados pelos Mestres da Sabedoria, do outro lado do Himalaia, contêm o relato, não da "Criação", mas da Evolução periódica do Universo, sua explicação e sua razão de ser filosófica.

A ausência do telescópio moderno não prova nada: os antigos tinham algo melhor do que isso.

Aliás, basta ler o Tratado de Astronomia Indiana e Oriental de Bailly para encontrar ali as provas de que os antigos hindus sabiam tanto e ainda muito mais do que nossos astrônomos modernos.

O Esoterismo universal, conservado por algumas fraternidades cosmopolitas e cuja chave os brâmanes em geral há muito tempo perderam, dá uma gênese cósmica e humana, lógica e baseada nas ciências naturais, bem como numa pura filosofia transcendente.

O exoterismo judaico-cristão não dá senão uma alegoria baseada na mesma verdade esotérica, mas tão sobrecarregada sob a letra morta que nela já não se vê senão ficção.

Os judeus cabalistas a compreendem aproximadamente.

Os cristãos, tendo se apropriado do bem alheio, não podiam esperar ser esclarecidos sobre a verdade por aqueles que despojaram; preferiram acreditar na fábula e fizeram dela um dogma.

Eis por que a gênese dos antigos hindus pode ser cientificamente demonstrada, enquanto a Gênese Bíblica não o pode.

Não há paraíso "brâhmo-budista", nem brâhmo-budismo; os dois concordam tão pouco quanto o fogo e a água.

A base esotérica lhes é comum; mas enquanto os Brâmanes enterravam seu tesouro científico e mascaravam a bela estátua da Verdade com os ídolos hediondos do exoterismo, os Budistas—à

––––––––––      Todo mundo sabe que se descobriu numa pirâmide dos arredores do México, anterior à descoberta da América, um baixo-relevo representando um homem que observa os astros por meio de um longo tubo, bastante análogo aos nossos telescópios.

Não falamos aqui das observações astronômicas do Sûrya Siddhânta, que remontam matematicamente a 50.000 anos.

(N. da R.). ––––––––––

FALSAS CONCEPÇÕES

continuação de seu grande mestre Gautama, "a luz da Ásia"—empregavam séculos para recolocar a bela estátua em luz.

Se o campo do Budismo exotérico e oficial, das Igrejas do Norte e do Sul, do Tibete e do Ceilão, está novamente coberto de ervas parasitas, são justamente os teósofos que ajudam o grande sacerdote Sumangala a arrancá-las.

G      Nenhuma grande religião, nem a da Etiópia nem qualquer outra, precedeu a religião dos primeiros Védicos: o antigo "Boudhismo". Expliquemo-nos.

Assim que se fala de Boudhismo (com um só d) esotérico ao público europeu, tão ignorante em matéria de Orientalismo, toma-se-o pelo Budismo, ou a religião de Gautama Buda.

"Buda" é o título dos sábios e significa "iluminado"; Boudhismo tem por raiz a palavra "Boudha" (sabedoria, inteligência) personificada nos Purânas.

É o filho de Sôma (a lua no masculino ou Lunus) e de Târâ, a esposa infiel de Brihaspati (planeta de Júpiter), a personificação do culto cerimonial, do sacrifício e outras momices exotéricas.

Târâ é a alma que aspira à verdade, desvia-se com horror do dogma humano, pretensamente divino, e lança-se nos braços de Sôma, o deus do mistério, da natureza oculta, de onde nasce Boudha (o filho brilhante mas velado) a personificação da sabedoria secreta, do Esoterismo das ciências ocultas.

Esse Boudha é de milhares de anos anterior ao ano 600 (ou 300, segundo alguns orientalistas) antes da era cristã, época atribuída à vinda de Gautama Buda, o príncipe de Kapilavastou.

O Esoterismo Boudhista não tem, portanto, nada a ver com a religião Budista, nem o bom e respeitável Sumangala tem nada a ver com a teosofia nas Índias.

Ele se ocupa apenas de seus nove ou dez "ramos da Sociedade Teosófica" no Ceilão, os quais, com a ajuda dos missionários teosofistas, tornam-se, ano após ano, mais livres das superstições enxertadas no Budismo puro, durante o reinado dos reis tâmeis.

O santo ancião Sumangala trabalha apenas para restaurar à sua pureza primitiva, a religião pregada por seu grande mestre — religião que desdenha o brilho, os ídolos e tende a tornar-se novamente aquela filosofia cuja moral sublime eclipsa a de todas as outras crenças do mundo inteiro (Ver Barthélemy Saint-Hilaire, o professor Max Müller, etc., para o fato enunciado.)


H     A Teosofia e seus princípios, uma vez conhecidos, será demonstrado que nossa filosofia não é apenas "parente próxima da ciência moderna", mas sua ancestral, superando-a em muito em lógica; que sua "metafísica" é mais ampla, mais bela, mais poderosa do que qualquer outra emanada de um culto dogmático, pois é a metafísica da Natureza em sua casta nudez física, moral e espiritual, capaz sozinha de explicar o milagre aparente pelas leis naturais e psíquicas, de completar as noções puramente fisiológicas e patológicas da Ciência, e de matar para sempre os Deuses antropomórficos e os Demônios das religiões dualistas.

Ninguém, mais do que os Teosofistas, acredita firmemente na Unidade da Lei Eterna.

I     O Neo-Budismo da religião do Príncipe Siddhârtha Buda nunca será acolhido pela Europa-América, pela simples razão de que nunca se oferecerá ao Ocidente.

Quanto ao Neo-Budismo ou "Renovação da Sabedoria Antiga" dos Arianos Ante-Védicos, o atual período evolutivo dos povos do Ocidente terminará em um beco sem saída, se o rejeitarem.

Nem o verdadeiro cristianismo de Jesus, o grande socialista e Adepto, o homem divino de quem se fez um deus antropomórfico, nem as ciências (que, encontrando-se em seu período de transição, são, como diria Haeckel, protistas antes que ciências definitivas), nem as filosofias do dia que parecem jogar de cabra-cega umas com as outras, quebrando mutuamente o nariz, permitirão que o Ocidente alcance sua

FALSAS CONCEPÇÕES

plena floração se se virar as costas à antiga sabedoria dos séculos passados.

A felicidade não pode existir onde a Verdade está ausente.

Construído sobre a areia movediça das ficções e hipóteses humanas, o bem-estar não passa de um castelo de cartas, que desmorona ao primeiro sopro; ele não pode existir realmente, enquanto o Egoísmo reinar supremo nas sociedades civilizadas.

Enquanto o progresso intelectual se recusar a aceitar uma posição subordinada ao progresso moral, e o egoísmo não se apagar diante do Altruísmo pregado por Gautama e pelo verdadeiro Jesus histórico (o Jesus do santuário pagão, não o Cristo das Igrejas), a felicidade para todos os membros da humanidade permanecerá uma utopia.

Como os teosofistas são os únicos, até agora, a pregar esse altruísmo sublime (mesmo que dois terços da sociedade teosófica tenham falhado em seu dever), e que apenas alguns deles, no meio de uma multidão zombeteira e desconfiada, sacrificam corpo e alma, honras e bens, prontos a viver vaiados e incompreendidos, contanto que consigam semear a boa semente para uma colheita que nem mesmo lhes será dado ceifar, aqueles que se interessam pela sorte dos miseráveis deveriam ao menos abster-se de vituperá-los.

J e K     Não há senão um meio de melhorar a vida humana: é o amor ao próximo por ele mesmo, e não por nossa gratificação pessoal.

O maior teosofista — isto é, aquele que ama a verdade divina sob todas as suas formas — é aquele que trabalha para o pobre e com o pobre.

Há, pelo mundo, um homem conhecido de toda a Europa-América intelectual e que talvez nunca tenha ouvido pronunciar o nome da Sociedade Teosófica; quero falar do conde Liev N. Tolstói, o autor de Guerra e Paz.

Esse grande escritor é o verdadeiro modelo de todo aspirante à verdadeira teosofia.

Foi ele quem primeiro, na aristocracia europeia, resolveu este problema: "Que posso fazer para tornar feliz todo homem pobre que eu encontrar?" Eis o que ele diz:

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS     Penso que é dever de cada um trabalhar para qualquer um que precise de ajuda; trabalhar manualmente, notem bem, uma parte do dia.

É mais prático trabalhar com e para o pobre do que dar a ele uma parte do seu trabalho intelectual.

No primeiro caso, você não ajuda apenas aquele que precisa de ajuda, mas também dá o exemplo ao preguiçoso e ao mendigo; você lhes mostra que não considera o trabalho prosaico deles como abaixo de sua dignidade, e assim lhes incute o sentimento de respeito e estima por si mesmos, bem como a satisfação com sua sorte.

Se, por outro lado, você persiste em trabalhar unicamente em sua elevada região intelectual e dá ao pobre o produto de seu trabalho, como se dá esmola a um mendigo, você só conseguirá encorajar a preguiça dele e o sentimento de inferioridade.

Você estabelece assim uma diferença social de castas entre você mesmo e aquele que aceita sua esmola.

Você lhe tira a estima e a confiança em você e lhe sugere aspirações a se livrar das duras condições de sua existência, que transcorre nesse trabalho diário e físico, a se associar à sua vida, que lhe parece mais fácil que a dele, a vestir sua roupa, que lhe parece mais bonita que a dele, e a obter acesso à sua posição social, que ele considera superior à dele.

Não é assim, graças ao progresso científico e intelectual, que se pode esperar aliviar os pobres ou inculcar à humanidade a ideia de uma fraternidade verdadeira.

Na Índia, os "missionários" teosofistas trabalham para fazer desaparecer o espírito de casta e reunir todas as castas em sua fraternidade.

E já, coisa incrível e impossível até sua chegada ao país das Vacas Sagradas e dos Bois Divinos, viu-se sentar à mesma mesa brâmanes e párias, hindus e budistas, parses e maometanos.

Quando virmos, na França Republicana, um aristocrata, um financista, conviver com seu lavadeiro, ou uma dama da alta sociedade, orgulhosa de seus sentimentos democráticos, ajudar sua pobre camponesa a plantar seus repolhos, como faz a filha do conde Tolstói, como fazem os verdadeiros teosofistas europeus em Madras e em outros lugares — então diremos que há esperança para o pobre, na Europa.

"Aleph" confunde os sacerdotes do templo público com os Iniciados dos Santuários; estes últimos nunca acreditaram em um Deus antropomórfico.

A história que ele nos conta da evolução das ciências ocultas e do poder magnético é uma fantasia.

Sua descrição nos revela muita imaginação, mas muito pouco conhecimento.

dos procedimentos empregados para a aquisição dos poderes "ocultos". A Astrologia é a mãe da Astronomia, e a Alquimia, a da Química, assim como a alma plástica é a mãe do homem físico primitivo.

Mas a Astrologia e a Alquimia são igualmente a alma das duas ciências modernas.

E enquanto essa verdade não for reconhecida, a Astronomia e a Química continuarão a girar em um círculo vicioso e não produzirão nada além da materialidade.

Dizer que as ciências ocultas pretendem comandar arbitrariamente a natureza é como dizer que o sol comanda o astro do dia para iluminar.

As ciências ocultas são a própria natureza; o conhecimento íntimo de seus segredos não dá aos Iniciados o poder de comandá-la.

A verdade é que esse conhecimento ensina aos Adeptos a maneira de fornecer certas condições para a produção de fenômenos, sempre devidos a causas naturais, a combinações de forças análogas àquelas empregadas pelos cientistas.

A verdadeira diferença entre a ciência moderna e a ciência oculta está nisto: a primeira opõe a uma força natural uma força natural mais poderosa no plano físico; a segunda opõe a uma força física uma força espiritual ou psíquica, isto é, a alma dessa mesma força.

Aqueles que não creem na alma humana, nem no Espírito imortal, não podem admitir, a fortiori, em cada átomo de matéria, uma alma vital e potencial.

Essa alma, humana, animal, vegetal ou mineral, não é senão um raio emprestado pela alma universal a cada objeto manifestado, durante o ciclo ou período ativo do Kosmos.

Aqueles que rejeitam essa doutrina são, ou materialistas, ou beatos sectários que temem a palavra "Panteísmo" mais do que o diabo de seus sonhos mórbidos.

A ideia do "Grande Obra" associada à de Deus e do Diabo faria sorrir de piedade um chela de seis meses.

Os teosofistas não creem nem em um nem em outro.

Eles creem no grande TODO, no Sat, isto é, na existência absoluta e infinita, única e sem nenhuma outra igual — que não é um Ser, nem uma criatura antropomórfica — que é, e jamais pode deixar de ser.


Os teosofistas veem no sacerdote de qualquer religião um ser inútil quando não é pernicioso.

Eles pregam contra todas as religiões dogmáticas e infalíveis e não conhecem outra divindade, dispensadora de penas e recompensas, senão o Karma, divindade criada por suas próprias ações.

O único Deus que adoram é a VERDADE; o único diabo que reconhecem e contra o qual combatem com afinco é o Satanás do Egoísmo e das paixões humanas.

Seria curioso saber onde "Aleph" foi buscar seu conhecimento do ocultismo hindu.

Tenho a impressão de que foi nos romances brâmanes de Louis Jacolliot.

Ah, então ele não sabe que, nos dias de hoje, os brâmanes são tão ignorantes das ciências ocultas quanto os budistas do Ceilão! Das sete chaves esotéricas que abrem o gabinete do Barba Azul (o ocultismo), eles possuem apenas uma — a chave fisiológica ou o aspecto sexual (fálico) de seus símbolos.

Entre 150.000.000 de brâmanes, de todos os graus, não se encontrariam 150 iniciados na Índia, incluindo seus iogues e paramahansas.

"Aleph" nunca deixou que lhe dissessem que seus templos se tornaram cemitérios onde jazem os cadáveres de seus belos símbolos de outrora e onde reinam, supremas, a superstição e a exploração? Se fosse de outro modo, por que os teosofistas americanos teriam ido à Índia? Por que milhares de brâmanes teriam entrado na sociedade teosófica, ávidos por pertencer a um centro onde pudessem encontrar, de tempos em tempos, um verdadeiro Mahatma em carne e osso, vindo do outro lado da "grande montanha"? Ah, "Aleph" faria bem em estudar a doutrina secreta e aprender que a avó vermelha da Atlântida desaparecida (a Atala do Sûrya Siddhânta e de Asura Maya) tinha como bisavó Vâhi Sarasvati na ilha de Shambhala, quando a Ásia Central era apenas um vasto mar, onde hoje estão o Tibete e o deserto de Shamo ou de Gobi.

FALSAS CONCEPÇÕES

M      "Aleph" reconhece a necessidade de fazer segredo das ciências perigosas — a química, por exemplo — de não entregar à multidão, mesmo nos países civilizados, o mistério de certas combinações mortíferas.

Por que então ele se recusaria a ver um ato de sabedoria, exigido pela experiência do coração humano, na lei do silêncio imposta aos Adeptos, no que diz respeito às revelações ocultas?      Sou de opinião, no entanto, que são justamente as classes inteligentes e ricas que abusariam do poder oculto em seu benefício e proveito, muito mais do que as classes ignorantes e pobres.

A primeira lei da Ciência Sagrada é nunca usar o seu saber em proveito próprio, mas trabalhar com e para os outros.

Ora, quantos se encontrariam, na Europa-América, dispostos a se sacrificar pelo próximo? Um Adepto doente não tem o direito de gastar sua força magnética para diminuir seus sofrimentos pessoais, enquanto existir, a seu conhecimento, uma única criatura que sofra e cuja dor física ou mental ele possa aliviar, senão curar.

É a deificação do sofrimento do eu, em benefício da saúde e da felicidade do outro.

Um teosofo, se ambiciona o Adeptado, não deve se vingar.

Deve sofrer em silêncio, em vez de despertar no outro paixões más ou o desejo de se vingar por sua vez.

A não resistência ao mal, o perdão e a caridade são as primeiras regras do noviciado.

Aliás, ninguém é obrigado a se tornar teosofo e muito menos a se candidatar ao Adeptado e à iniciação oculta.

N     «Aleph» tem, mais uma vez, razão — na aparência; a atividade feroz da Europa-América seria uma companheira turbulenta para o quietismo asiático.

Contudo, somente a polaridade pode produzir o fenômeno vital, assim como produz, pela união das forças positivas e negativas, os fenômenos da gravitação.

Dois polos da mesma natureza se repelem mutuamente: exemplo, a entente cordiale, a doce fraternidade que reina entre as nações ocidentais.


Se a fusão dos contrários não se operar, se o inglês não chegar a chamar abertamente o hindu de irmão e a agir como se o fosse, as nações da Europa-América acabarão por se devorar mutuamente, um dia, deixando apenas os rabos no campo de batalha, como os gatos de Kilkenny.

O      «Aleph» fala com sabedoria, ao criticar o Bramanismo; apenas deveria saber que os Brâmanes, nos tempos Védicos, não conheciam nem castas, nem viúvas de Malabar.

Sua acusação, sob a rubrica N, prova-me absolutamente que ele leu Jacolliot e que julga a Índia segundo os 21 volumes desse escritor, contador de histórias mais prolífico e encantador do que correto.

O Bramanismo de que ele fala não existia no tempo dos Rishis, e foi perfeitamente demonstrado que os Brâmanes embelezaram sua lei de Manu no período pós-Mahabharático.

Durante a era Védica, as viúvas se casavam novamente muito tranquilamente e as castas só foram inventadas na era do kali-yuga, por razões tão ocultas quanto justas, do ponto de vista da prosperidade e da saúde das raças.

Mas para que serve tudo isso? O que temos nós, teósofos, a ver com o Brahmanismo, exceto para combatê-lo em seus abusos, desde nove anos que a Sociedade Teosófica está estabelecida nas Índias? Ragunath Rao, um Brâmane da mais alta casta, que presidiu durante três anos a Sociedade Teosófica de Madras, e que agora é primeiro ministro (Dewan) no Holkar, é o reformador mais obstinado da Índia.

Ele combate, como tantos outros teósofos, a lei do celibato das viúvas, apoiando-se nos textos de Manu e do Veda.

Ele já conseguiu várias centenas de jovens viúvas, condenadas ao celibato por terem perdido o marido na infância, e as casou novamente, apesar dos gritos e protestos dos Brâmanes ortodoxos.

Ele ri das castas, e as cento e poucas sociedades teosóficas das Índias ajudam-no nessa guerra sem trégua contra a superstição e a crueldade clericais.

É falso dizer que essas instituições foram estabelecidas durante o reinado do Esoterismo.

É a perda das chaves dos símbolos e das leis de Manu que produziu todos os erros, todos os abusos introduzidos no Brahmanismo.

Mas ainda que essas alegações fossem exatas, o que temos nós a ver com o Brahmanismo ortodoxo? Os horrores descritos por Devendro Das, "a viúva indiana" no Nineteenth Century, e citados contra os teósofos no mesmo número da Revue du Mouvement social, página 333 (Janeiro 1887), são perfeitamente verdadeiros.

Todavia, sendo Devendro Das teósofo desde 1879, dever-se-ia compreender, enfim, que os teósofos combatem o Brahmanismo das pagodes, como todas as superstições, todos os abusos, todas as injustiças.

Pois, já que resulta da maneira de agir dos teósofos budistas, servidores da Sabedoria e da Verdade, que eles não pertencem a nenhuma religião, a nenhuma seita, mas que combatem, ao contrário, os cultos exotéricos, os abusos que deles decorrem e que se esforçam, enfim, por serem úteis à humanidade, as reflexões de "Aleph" tornam-se injustas.

Ora, a presente explicação deveria bastar para restabelecer, enfim, a verdade sobre os "missionários" do Himalaia.

É justamente porque a ciência oculta e a filosofia esotérica têm "por função pivotal o serviço da humanidade", é porque seus ardentes servidores buscam despertar os povos europeus e asiáticos adormecidos sob a sombra mortal dos clericalismos, recordando-lhes as lições da antiga Sabedoria — é por esses motivos que os ditos servidores vêm se oferecer à Europa-América.

Aqueles que ainda desconfiassem são convidados a julgar a árvore da Teosofia pelos seus frutos; pois, ao julgá-la pelos frutos da árvore das religiões bramânicas, budistas e judaico-cristãs, cometem uma injustiça evidente e impedem os teósofos de se tornarem úteis ao seu próximo, principalmente aos deserdados do mundo.


Tendo falado do bom velho Sumangala em outra ocasião, não é necessário perder tempo em repudiar toda solidariedade com bonzos ou brâmanes.

Estes últimos — pelo menos aqueles que permaneceram ultra-ortodoxos e que combatem toda reforma benéfica — nos perseguem e nos odeiam tanto quanto o clero cristão e os missionários.

Nós quebramos seus ídolos; eles tentam quebrar nossas reputações e manchar nossa honra; os que agem dessa maneira são principalmente os servidores de Cristo, daquele que, em primeiro lugar, proibiu orar "ao Pai" nos templos, comparando os hipócritas aos fariseus que praticam atos de piedade em todas as encruzilhadas, semelhantes a sepulcros caiados por fora e cheios de podridão por dentro.

Contudo, os "bonzos", os sacerdotes budistas, é preciso confessar, são os únicos que verdadeiramente nos ajudaram em nossas reformas.

Jamais a voz de um sacerdote de Gautama se ergueu contra nós.

Sempre os budistas do Ceilão foram verdadeiros irmãos para os teósofos da Europa ou da América.

O que se passa no Tibete? Uma coisa notável, entre outras, que impressionou os raros missionários que vieram a esse país: na plena atividade das ruas, ao meio-dia, todos os mercadores lojistas, cuja mercadoria está exposta do lado de fora, vão para casa, deixando assim seus bens nas calçadas e quase em plena rua; os compradores que chegam veem o preço marcado dos objetos de que necessitam, levam esses objetos, depositando o valor no balcão, e, ao voltar, o mercador encontra o preço das mercadorias retiradas; o restante permanece intacto.

Eis, porém, algo que dificilmente se encontraria na Europa-América; e, no entanto, não passa do resultado dos mandamentos exotéricos de Gautama Buda — o qual foi apenas um sábio e jamais foi deificado.

Tampouco há, no Tibete, mendigos ou pessoas que morrem de fome; a embriaguez e o crime são desconhecidos, assim como a imoralidade — exceto entre os chineses, que não são "budistas" no verdadeiro sentido da palavra, assim como os mórmons não são cristãos.

Ah,

CONCEPÇÕES FALSAS

que o destino preserve, portanto, o pobre Tibete, com sua população ignorante e honesta, dos benefícios da civilização, e sobretudo dos missionários!

Q     Que ele o proteja ainda mais do "Deus Progresso", tal como se manifesta na Europa-América! Dizem-nos que o progresso é o melhorismo, "a evolução social que melhora incessantemente as condições físicas, intelectuais e morais do maior número". Onde, então, "Aleph" viu tudo isso? Encontrou-o em Londres, com seus quatro milhões de habitantes, dos quais um milhão só come a cada três dias — e ainda assim? É na América, onde o progresso exige a expulsão de centenas de milhares de operários chineses, que são mandados morrer de fome em outro lugar, a expulsão imediata de milhares de emigrantes irlandeses e outros pobres dos quais a Inglaterra tenta se livrar? Um progresso construído sobre a exploração do pobre e do operário não passa de outro carro de Jagannatha, com um nariz postiço a mais.

Ao progresso das classes instruídas e ricas, que deve passar por cima do corpo de milhares de pobres e ignorantes, tem-se o direito de preferir até uma morte suave sob a mancenilheira.

Os chineses da Califórnia não são nossos irmãos? Os irlandeses expulsos de suas cabanas e condenados a morrer de fome com seus filhos provam a existência do progresso social? Não, mil vezes não! Enquanto os povos, em vez de fraternizarem e se ajudarem mutuamente, reclamarem apenas o direito de salvaguardar seus interesses nacionais; enquanto o rico se recusar a compreender que, ao ajudar um pobre estrangeiro, ajuda seu irmão pobre no futuro e dá o bom exemplo a outros países; enquanto o sentimento de altruísmo internacional permanecer uma frase vã ao vento, o progresso não cumprirá outra função senão a de Carrasco dos pobres.

R    Compreendamo-nos, porém; falo do progresso da civilização no plano físico, o progresso que "Aleph" eleva às nuvens, fazendo-se seu bardo.


Faça entrar esse progresso material no caminho moral, e os "missionários" do Lótus e das Índias vos reconhecerão como seus mestres.

Mas vós nada fazeis disso.

Secastes ou trabalhastes para secar a única fonte de consolação para o pobre, a fé no seu Eu imortal, e nada lhe destes em troca.

As três quartas partes da humanidade são mais felizes em razão dos progressos da ciência e de sua aliança com a indústria, da qual vos regozijais? A invenção das máquinas fez bem aos trabalhadores manuais? Não! pois dela só resultou um mal a mais: a criação, entre os operários, de uma casta superior, semi-instruída e semi-inteligente, em detrimento das massas menos favorecidas, que se tornaram mais miseráveis.

Vós o admitis vós mesmos: "A produção excessiva das coisas e dos trabalhadores cria o congestionamento, a plétora, a penúria, a anemia, isto é, o desemprego e a miséria". Milhares de pobres crianças das fábricas, representando, para o futuro, longas gerações de aleijados, de raquíticos e de infelizes, são sacrificadas em holocausto ao vosso Progresso, Moloch insaciável e sempre faminto.

Sim, protestamos, dizemos que "hoje é pior do que outrora", e negamos os benefícios de um progresso que visa apenas ao bem-estar do rico.

A "Felicidade" de que falais não virá, enquanto o progresso moral dormitar inativo, paralisado que está pelo egoísmo feroz de todos, do rico como do pobre.

A Revolução de 1789 não resultou senão em uma coisa bem evidente: nessa falsa fraternidade que diz ao seu próximo: "Pensa como eu, ou te bato; sê meu irmão, ou te derrubo"!

––––––––––      Segundo nós, a Sra.

Blavatsky exagera evidentemente seu pensamento aqui.

Há muito tempo que ela deixou a França, que habitava numa época em que as coisas não eram brilhantes, e desde então, os jornais que a informam no estrangeiro não podem senão lhe dar uma triste ideia da França, pois fazem o possível para sujar nossa democracia.

(F. K. G.) ––––––––––

FALSAS CONCEPÇÕES

S      Os "missionários" teosofistas visam também a uma revolução social.

Mas é uma revolução toda moral; e quando ela for realizada, quando as massas deserdadas tiverem compreendido que a felicidade está em suas mãos, que a riqueza só dá preocupações, que feliz é aquele que trabalha para os outros, pois os outros trabalham para ele, quando os.

Os ricos sentirão que sua felicidade depende da de seus irmãos — seja qual for sua raça ou religião — então somente o mundo verá despontar a aurora da felicidade.

«Aleph» pergunta por que o mundo não seria eterno? Por que os astros da hierarquia que o compõem não se sucederiam como os membros das espécies que povoam nosso globo e os outros? A ideia da geração dos astros pelos astros, dos universos pelos universos, não é, em sua analogia, mais racional do que a de Moisés e mesmo a de Laplace? «Aleph» prega assim a pura Teosofia; ele é, portanto, teósofo e «missionário budista» sem o saber; nós o aclamamos e o recebemos de braços abertos.

A Doutrina Secreta, que será publicada em breve, demonstrará que no começo da última evolução periódica de nosso globo, como na dos astros, os processos de geração apresentaram variedades que mal se suspeitam nos laboratórios.

A cooperação do princípio masculino e do princípio feminino constituiu apenas um desses processos, inaugurado somente pelo homem físico.

A «finalidade» do Kosmos nunca foi aceita por nossa «nova religião», que não é de modo algum uma religião, mas uma filosofia.

Nem Brâmanes, nem Bonzos,

––––––––––      A Doutrina Secreta.

Esta obra, da qual se falou no No. 4 do Lotus, está em inglês; compreenderá cinco grossos volumes no formato de Ísis sem Véu e, por razões pecuniárias fáceis de compreender, provavelmente não aparecerá tão cedo em francês.

(F. K. G.) –––––––––– 66                        BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

em seu delírio exotérico mais acentuado, jamais aceitaram a finalidade do Kosmos.

Aleph não tem senão abrir o Vedanta, Manu, os Puranas, o Catecismo Budista, etc., para aí encontrar a afirmação da eternidade do Kosmos, o qual não é senão a manifestação periódica e objetiva da própria Eternidade absoluta, do princípio para sempre desconhecido que se chama Parabrahman, Adi-Buddha, «Sabedoria Eterna e Una».     É uma absurdidade maior do que falar de Deus cruel; é admitir mesmo que Deus, o grande Todo absoluto, possa jamais se imiscuir nos assuntos terrestres ou humanos.

O Infinito não pode se associar ao finito; o Incondicionado ignora o condicionado e o limitado.

A «Sabedoria-Inteligência» absoluta não pode agir no espaço restrito de um pequeno globo.

Ela é onipresente e latente no Kosmos infinito, assim como ela; e encontramos sua única manifestação verdadeiramente ativa na humanidade total, composta das centelhas extraviadas, limitadas em sua duração objetiva, eternas em sua essência, que caíram desse Fogo sem começo nem fim.

Portanto, o único Deus que devemos servir é a Humanidade, e nosso único culto é o amor ao próximo.

Ao fazer mal a esse próximo, ferimos e fazemos sofrer a Deus.

Quando negamos nossos deveres fraternos e recusamos considerar um pagão como nosso irmão, tanto quanto um europeu, negamos esse Deus.

Eis a nossa religião e os nossos dogmas.

Longe de não querer compreender a Europa, a Índia intelectual, senão a Índia bramânica de Jacolliot, dá-vos, ao contrário, razão. Essa Índia nunca se compraz em pregar o Deus infortúnio, nem o ascetismo tal como o compreende "Aleph". Isso é provado pela lei de Manu, que ordena o casamento ao Brâmane Grihasta, antes que ele se torne Brâmane asceta.

A maior desgraça para um Brâmane é não ter filho, e o casamento é obrigatório, exceto nos casos excepcionais em que a criança é destinada a se tornar

CONCEPÇÕES FALSAS

Brahmacharya, iogue celibatário, por causas ocultas que não podem ser enumeradas aqui.

O esoterismo nunca proibiu as funções sexuais e matrimoniais, criadas pela própria natureza.

O esoterismo trabalha na, com e para a natureza, e só condena a imoralidade, o abuso e o excesso.

Ora, de todos os animais, o homem é o mais animal em seus excessos; a fera tem suas estações de cio, o homem não as tem.

É provavelmente dos ascetas cristãos que "Aleph" quer falar; daqueles que se mergulham no ascetismo exotérico, com um rosário bento nas mãos e os dogmas da Igreja na cabeça.

O hindu só se torna asceta depois de ter estudado suficientemente as ciências ocultas para permitir que sua natureza espiritual subjugue sua natureza material.

"Aleph" confunde, com certeza, os ascetas das Índias com os médiuns espíritas da Europa-América.

Estes últimos, pobres sujeitos sensitivos e neuróticos, ignoram as leis esotéricas e são eles que acabam criando os íncubos e os súcubos — como o provam as esposas desencarnadas de certos médiuns, em pleno Paris.

A comparação do "Deus do passado" com o "Deus da ciência" não é nem justa nem feliz, pois os reinos desses dois Deuses pouco diferem.

O pobre é tão infeliz hoje quanto o era há mil anos, e até mais, pois a desproporção aumentou entre o rico e ele.

O Progresso só serviu para proporcionar ao rico gozos desconhecidos nos séculos bárbaros.

V     O Ocidente é livre para recusar a mão que o Oriente lhe estende.

Contudo, nem sempre a recusa, como o provam as numerosas sociedades teosóficas, brotando como cogumelos na Europa-América.

X    Jesus, citado por "Aleph", derruba todas as teorias deste último, quando diz que: "o seu reino não é deste mundo". Nosso benevolente crítico quereria fazer-nos admirar a ação dos Fariseus, ou propor o seu nobre exemplo à Europa-América? Seria trabalho perdido, pois os cristãos desses dois continentes há muito entregaram a teosofia ao braço secular dos pretorianos do jornalismo.


Estes últimos nos crucificam diariamente.

Até agora, tivemos como inimigos o clero, os missionários (que pregam a fraternidade e não trazem ao pagão senão o vício e a embriaguez), o exército da salvação, a aristocracia hipócrita e piedosa, todos os materialistas e até mesmo os espíritas, que deixaram de nos considerar seus "queridos irmãos". Somente os socialistas inteligentes nos compreenderam; voltar-se-ão eles também contra nós?     Enquanto isso, "Aleph" nos faz ouvir profundas verdades.

Sim, o Bramanismo exotérico deve cair, mas será substituído pelo Vedismo esotérico, acrescentando-lhe tudo o que a ciência progressista evoluiu de nobre e belo neste último século.

Mas essa revolução não se realizará pelos conquistadores; é pelo amor fraternal que se realizará a fusão das duas raças arianas, e somente quando o Inglês tiver deixado de considerar o Brâmane—cuja árvore genealógica conta três mil anos—como o representante de uma raça inferior.

Por seu lado, o Brâmane detesta o Inglês, cujo governo temporal é forçado a suportar.

Somente em toda a Índia, a Fraternidade dos Teosofistas vê o Inglês altivo sentar-se à mesma mesa que o Brâmane não menos arrogante, mas suavizado e humanizado pelo exemplo e pelas lições dos teosofistas, que servem os Mestres da Sabedoria antiga, os descendentes desses Rishis e Mahatmas que o Bramanismo ainda honra, mesmo depois de ter deixado de compreendê-los.

Portanto, resulta de tudo o que precede que não são os “sacerdócios da Índia” que tentam trazer o Ocidente de volta à antiga Sabedoria, mas sim alguns ocidentais da Europa-América que, conduzidos por seu carma à felicidade de conhecer certos Adeptos da fraternidade secreta do Himalaia, se esforçam, sob a inspiração desses Mestres, para trazer os sacerdócios da Índia de volta ao esoterismo primitivo e divino.

FALSAS CONCEPÇÕES

Eles obtiveram pleno sucesso nas Índias e na Ásia.

Somente a Europa-América ainda resiste, em sua incapacidade de compreender e apreciar toda a simplicidade de seu objetivo.

E, afinal, é apenas a maioria que se recusa a compreender, essa maioria que sempre mordeu a mão que se oferecia para ajudá-la.

Não desesperemos, portanto.

E quando chegar o tão desejado dia em que a fraternidade universal e intelectual for, senão proclamada de jure, ao menos aceita de facto, então finalmente as portas do santuário, fechadas por longos séculos aos brâmanes ortodoxos como ao europeu cético, se abrirão para os Irmãos de todos os países.

A “Ancestral” receberá seus filhos pródigos, e todos os seus tesouros intelectuais serão sua herança.

Mas para que esse momento chegue, o objetivo dos “missionários” da Índia deve ser compreendido e sua missão inteiramente apreciada.

Até agora, o público só viu sua imagem distorcida e desfigurada no espelho da publicidade.

O objeto perseguido por alguns teosofistas místicos tornou-se, segundo nossos críticos mal informados, o da Fraternidade inteira; e o quiproquó culminou, enfim, no artigo de “Aleph”, que nos prega nossas próprias doutrinas.

H. P. BLAVATSKY (M.S.T.)                       Collected Writings VOLUME VIII                                           Setembro, CONCEPÇÕES ERRÔNEAS                           RESPOSTA AO ARTIGO “REVOLUÇÃO”, POR ALEPH,


NA Revue du Mouvement Social 

[Le Lotus, Paris, Vol.

I, No. 6, Setembro, 1887, pp. 321-338]

[Tradução do texto original francês acima]

A

França, por que você nos interpreta mal?      Jornalistas europeus e americanos, por que vocês não estudam a Teosofia genuína antes de criticá-la?      Porque a aristocracia científica está cheia de vaidade e se pavoneia em pernas de pau de sua própria fabricação; porque a filosofia moderna é materialista até a raiz dos cabelos; porque ambas, em seu orgulho, esquecem que para compreender e apreciar a evolução do futuro é necessário

––––––––––       [Este ensaio da pena de H. P. B. foi também publicado em forma de panfleto sob o título: Fausses Conceptions, Réponse à diverses critiques (Tours: Imp.

de E. Arrault, 1887. 8°. 20 pp. 2 fr.). Segundo o bibliógrafo Albert L. Caillet, "Aleph" era Charles Limousin, Editor do Jornal Acacia.

Este panfleto é muito difícil de obter, mas pode ser consultado nos acervos da Bibliothèque Nationale em Paris (8°R. Pièce 3782). O texto de H. P. B. é precedido pela seguinte nota editorial:

"Para responder às diversas críticas que recebemos de tempos em tempos, e que se devem à ignorância, bastante escusável, de nossos críticos, e à calúnia secreta de nossos inimigos — antigos membros expulsos da Sociedade ou sacerdotes da idolatria tanto na ciência quanto na religião — julgamos útil publicar separadamente o seguinte ensaio de Madame Blavatsky, que apareceu no nº 6 de Le Lotus.

Poder-se-ia considerar ALEPH como representando o público em geral, e Madame Blavatsky como representando A Sociedade Teosófica, pelo menos no que diz respeito à tendência geral e ao objetivo." — Compilador.]      Nºs.

10, 11 e 12 (publicados em maio); 41 rue Beaunier, Paris; 3 francos por fascículo.

(F. K. Gaboriau). ––––––––––                                 H.P. BLAVATSKY SOBRE                         Reproduzido da obra do Dr. Franz Hartmann                         Unter den Adepten und Rosenkreuzern, p. de frente.

EQUÍVOCOS

conhecer a evolução do passado, dever-se-ia considerar tudo o que não é compreendido por esta aristocracia científica e esta filosofia materialista como "perturbação intelectual e mera prestidigitação"?

B

É precisamente por causa desses "pensadores que experimentam no tempo presente um mal-estar indefinível", ao observarem o desmoronamento de todas as verdades, que os "missionários dos Himalaias" oferecem seu conhecimento e sua luz.

Uma luz muito débil, mas cujos raios, provindo como provêm do Sol da Verdade, valem mais em todo caso do que as luzes artificiais oferecidas por fisiologistas e patologistas, subitamente elevados às fileiras dos psicólogos.

Pode-se seriamente acreditar que, para desvendar o mistério da origem e da essência da alma humana, basta paralisar certas regiões do cérebro e excitar certas outras? Para acender um raio de esperança que seus olhos cansados mal conseguem distinguir das caretas das Sombras Chinesas, manipuladas por pseudo-cientistas que dizem ao público: "Aqui está a Ciência!"—exibimos o "Lótus simbólico" diante desses pensadores, os descontentes da vida.

O artigo intitulado "Révolution" é uma concepção falsa da Teosofia—seja a de Madras, de Londres, de Paris ou da América.

É uma queixa alfabética e uma série de erros, do A maiúsculo ao Z maiúsculo. Erros, digo eu, concernentes às missões e aos ensinamentos teosóficos, mas um resumo admirável da situação atual, no que diz respeito à Ciência, às aspirações das massas e às observações sobre o estado dos assuntos sociais.

Em resumo, "Révolution" é um silogismo, cujas premissas são falsas, mas cuja conclusão lógica é um crédito para "Aleph." Verdadeiramente, sua única falha foi julgar a missão dos teosofistas de Madras pelas caricaturas dos jornalistas de todos os países.

Ele aceitou esse retrato por fé e dele extrai suas conclusões.

Este é um procedimento antiteosófico: os teosofistas não devem aceitar nada por fé; eles deixam essa maneira de agir para as religiões antropomórficas e para os adoradores cegos da ciência materialista.


C

Os "missionários" de Le Lotus estão prontos para responder.

Alguns deles entraram nos laboratórios dos químicos e ajudaram estes últimos a produzir o fenômeno dos sons astrais.

Outros provaram aos físicos que, quando se sabe como despertar o princípio latente, toda matéria é animada.

Um químico famoso teve medo de deixar seus colegas saberem do fenômeno que ele próprio havia produzido.

Os físicos não entenderam nada disso. Desafiados a explicar o que tinham visto, responderam: "A matéria, como a conhecemos, não pode agir dessa maneira.

Não acreditando no diabo, somos forçados a considerar isso um truque.

Os teosofistas são hábeis prestidigitadores." DIXIT! Assim seja! Os "missionários teosóficos" agora cantam:

"Já que os louros foram colhidos,                                 Não iremos mais ao bosque."

Os cientistas os guardaram todos para si; eles negam à antiga ciência oculta o que lhe é devido.

Os Teosofistas-Ocultistas são crianças bem-comportadas; não lutam por sua porção, mas alegremente acrescentam os cardos que crescem à beira do caminho às coroas de louros que os cientistas tecem para si mesmos.

Não fazemos reivindicações por nenhuma religião.

O sobrenatural não existe na Natureza, que é Una, Absoluta e Infinita.

Nunca pretendemos que um milagre fosse algo simples para nós — sendo um milagre tão impossível quanto um fenômeno, devido a combinações ainda desconhecidas pela ciência, torna-se possível assim que possa ser produzido à vontade.

Dizemos até que toda "manifestação com efeitos físicos" (vocabulário espírita), cuja natureza escapa à perspicácia das ciências naturais, é MALABARISMO PSICOLÓGICO.

(Nota bene.

Não confundam esse malabarismo com o de Robert Houdin, por favor.)

EQUÍVOCOS

D

A verdade de nossas doutrinas repousa em sua filosofia e nos fatos da natureza.

Acusar-nos de afirmar que nossa ciência oculta supera a de Jesus ou a de Buda é caluniar-nos.                                                 E

Os Teosofistas europeus têm muito pouco a ver com o "ascetismo". É uma doença hereditária dos Hatha-Yogis, protótipos hindus dos cristãos que se açoitam e mortificam a carne até se tornarem idiotas e conversarem com o Diabo sem convertê-lo.

Os Teosofistas, mesmo na Índia, protestam contra o Yogismo dos faquires.

Um asceta solitário é um símbolo do mais covarde egoísmo; um eremita que foge de seus irmãos em vez de ajudá-los a carregar o fardo da vida, a trabalhar pelos outros e a colocar os ombros na roda da vida social, é um covarde que se esconde quando a batalha está em curso e adormece embriagado por um opiáceo.

O ascetismo, como entendido pelas religiões exotéricas, produziu os tolos ignorantes que se lançam sob a carruagem de Jagannatha.

Se esses infelizes tivessem estudado a filosofia esotérica, saberiam que sob a letra morta do dogma ensinado pelos Brâmanas — exploradores, como todos os sacerdotes, herdeiros das posses de suas vítimas, que são levadas à loucura por terrores supersticiosos — está oculto um significado profundamente filosófico; saberiam que seus corpos, que esmagam sob as rodas da carruagem de Jagan-nâtha (Jagannatha no dialeto popular — significando Senhor do Mundo ou Anima mundi) são os símbolos das grosseiras paixões materiais que essa "carruagem" (a alma divina e espiritual) deve esmagar.

Sabendo disso, não aplicariam a seus corpos—a mera casca animal externa do deus que está latente em seu interior—o ascetismo moral e espiritual ensinado pelo esoterismo.

Os teosofistas da Índia labutam para destruir o ascetismo exotérico, ou a "deificação do sofrimento", verdadeiro satanismo da superstição.

Quanto ao nosso Gênesis, "Aleph" não conhece a primeira palavra.

BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

F

Os anais pré-históricos, preservados pelos Mestres de Sabedoria, do outro lado do Himalaia, contêm o relato não da "Criação", mas da evolução periódica do Universo, sua elucidação e sua razão de ser filosófica.

A ausência do telescópio moderno não prova nada. Os antigos tinham algo melhor do que isso.

Além disso, basta ler o Traité de l'astronomie indienne et orientale, de J. S. Bailly, para encontrar ali a prova de que os antigos hindus sabiam tanto quanto, e muito mais do que, nossos astrônomos modernos.

O Esoterismo Universal, preservado por certas fraternidades cosmopolitas, e cuja chave há muito foi perdida pelos brâmanes em geral, apresenta uma gênese cósmica e humana que é lógica e baseada nas ciências naturais, bem como em uma pura filosofia transcendental.

O exoterismo judaico-cristão oferece apenas uma alegoria baseada na mesma verdade esotérica, mas tão sufocada sob a letra morta que é tomada por mera ficção.

Os cabalistas judeus a compreendem até certo ponto.

Os cristãos, tendo se apropriado da posse alheia, não poderiam esperar ser esclarecidos sobre a verdade por aqueles a quem haviam despojado; preferiram acreditar na fábula e fazer dela um dogma.

É por isso que o Gênesis dos antigos hindus pode ser cientificamente demonstrado, enquanto o Gênesis bíblico não pode.

Não há paraíso "brâhmo-budista", nem existe um brâhmo-budismo; os dois se harmonizam entre si tanto quanto o fogo com a água.

A base esotérica é comum a ambos; mas enquanto os brâmanes enterraram seus tesouros científicos e disfarçaram a bela estátua da Verdade com os hediondos ídolos do exoterismo, os

––––––––––      É de conhecimento geral que, nas proximidades da Cidade do México, foi descoberto um baixo-relevo em uma pirâmide mais antiga que o descobrimento da América, que representa um homem olhando as estrelas através de um longo tubo, muito semelhante ao nosso telescópio.

Sem mencionar as observações astronômicas do Sûrya-Siddhânta, que podem ser matematicamente rastreadas até cerca de 50.000 anos atrás.—Editor do Le Lotus.

––––––––––

EQUÍVOCOS

Os budistas—seguindo os passos de seu grande mestre Gautama, a "luz da Ásia"—trabalharam por séculos para trazer a bela estátua novamente à luz.

Se o campo do Budismo exotérico e oficial das Igrejas do Norte e do Sul, as do Tibete e do Ceilão, está mais uma vez coberto de ervas parasitárias, são precisamente os teosofistas que estão ajudando o sumo sacerdote Sumangala a extirpá-las.

G

Nenhuma das grandes religiões, nem a etíope nem qualquer outra, precedeu a religião dos primeiros vedistas: o antigo "Budhismo". Expliquemos.

Quando se fala de Budhismo esotérico (com um d) ao público europeu—tão ignorante em assuntos orientais—ele é confundido com o Budismo, a religião de Gautama, o Buda.

"Buda" é um título dos sábios e significa o "iluminado"; Budhismo vem da palavra "Budha" (sabedoria, inteligência) personificada nos Purânas.

Ele é filho de Soma (a lua em seu aspecto masculino, ou Lunus) e Târâ, a esposa infiel de Brihaspati (o planeta Júpiter), a personificação do culto cerimonial, do sacrifício e de outras mumificações exotéricas.

Târâ é a alma que aspira à verdade, que se afasta com horror do dogma humano que pretende ser divino, e se lança nos braços de Soma, deus do mistério, da natureza oculta, de quem nasce Budha (o filho velado, mas brilhante), a personificação da sabedoria secreta, do Esoterismo das ciências ocultas.

Este Budha é milhares de anos mais antigo do que o ano 600 (ou 300, segundo certos orientalistas) antes da era cristã, data atribuída ao aparecimento de Gautama, o Buda, príncipe de Kapilavastu.

O esoterismo budhista não tem, portanto, nada a ver com a religião budista, e o bom e reverenciado Sumangala não tem nada a ver com a Teosofia na Índia.

Ele tem a seu cargo os nove ou dez "Ramos da Sociedade Teosófica" no Ceilão, que, com a ajuda de missionários teosóficos, tornam-se ano após ano cada vez mais livres das superstições enxertadas no Budismo puro durante o reinado dos reis tâmeis.

O santo e velho Sumangala trabalha apenas para trazer de volta à sua pureza original a religião pregada por seu grande mestre — religião que desdenha o brilho superficial e os ídolos e se esforça para se tornar novamente aquela filosofia cuja ética sublime eclipsa a de todas as outras crenças em todo o mundo.

(Ver Barthélemy Sain-Hilaire, Professor Max Müller, etc., sobre este assunto.)

H

Uma vez que a Teosofia e seus princípios sejam conhecidos, será demonstrado que nossa filosofia não é apenas uma "parente próxima da ciência moderna", mas sua precursora, embora a transcenda em muito em lógica; e que sua "metafísica" é mais vasta, mais bela e mais poderosa do que qualquer outra emanada de um culto dogmático.

É a metafísica da Natureza em sua casta nudez, tanto física, moral e espiritual, a única capaz de explicar o aparente milagre por meio de leis naturais e psíquicas, e de completar as meras noções fisiológicas e patológicas da Ciência, e de matar para sempre os Deuses antropomórficos e os Demônios das religiões dualistas.

Ninguém acredita mais firmemente na Unidade das leis eternas do que os Teosofistas.

I

O Neo-Budismo da religião do Príncipe Sidarta Buda nunca será aceito pela Europa-América pela simples razão de que nunca se imporá ao Ocidente.

Quanto ao Neo-Budismo ou o "Revival da Sabedoria Antiga" dos Árias pré-védicos, o período evolutivo atual dos povos ocidentais terminará em um beco sem saída, se o rejeitarem. Nem o verdadeiro Cristianismo de Jesus — o grande Socialista e Adepto, o homem divino que foi transformado em um deus antropomórfico — nem as ciências (que, estando em seu período de transição, são, como diria Haeckel, antes protistas do que ciências definidas), nem as filosofias de hoje que parecem brincar de cabra-cega, quebrando os narizes umas das outras,

EQUÍVOCOS

permitirão que o Ocidente atinja sua plena florescência se ele voltar as costas para a sabedoria antiga dos séculos passados.

A felicidade não pode existir onde a Verdade está ausente.

Erguida sobre as areias movediças da ficção e das hipóteses humanas, a felicidade é meramente um castelo de cartas que desmorona ao primeiro sopro; ela não pode existir na realidade enquanto o egoísmo reinar supremo nas sociedades civilizadas.

Enquanto o progresso intelectual se recusar a aceitar uma posição subordinada ao progresso ético, e o egoísmo não ceder lugar ao Altruísmo pregado por Gautama e pelo Jesus histórico real (o Jesus do santuário pagão, não o Cristo das Igrejas), a felicidade para todos os membros da humanidade permanecerá uma Utopia.

Considerando que os Teosofistas são os únicos atualmente a pregar esse altruísmo sublime (mesmo que dois terços da Sociedade Teosófica tenham falhado nesse dever), e alguns deles, sozinhos, em meio a uma multidão desafiadora e zombeteira, sacrificam-se em corpo e alma, honra e posses, prontos a viver incompreendidos e ridicularizados, se apenas conseguirem semear a boa semente de uma colheita que não será deles ceifar, aqueles que se interessam pelo destino das pessoas miseráveis deveriam ao menos abster-se de difamá-los.

J e K

Há apenas uma maneira de melhorar a vida humana, e é pelo amor ao próximo por si mesmo e não por gratificação pessoal.

O maior Teosofista — aquele que ama a verdade divina sob todas as suas formas — é o que trabalha para e com os pobres.

Há um homem conhecido por toda a Europa-América intelectual que possivelmente nunca ouviu o nome da Sociedade Teosófica; refiro-me ao Conde Leão N. Tolstói, autor de Guerra e Paz.

Este grande escritor é um modelo perfeito para todos os aspirantes à verdadeira Teosofia.

Ele é o primeiro na aristocracia europeia a ter resolvido este problema: "O que posso fazer para tornar feliz qualquer homem pobre que eu possa encontrar?" Isto é o que ele diz:

Penso que é dever de todos trabalhar para todos os que possam precisar de ajuda; trabalhar com as mãos, lembre-se, uma certa porção do seu dia.


É mais prático trabalhar com e para o homem pobre do que dar-lhe uma porção do seu trabalho intelectual.

No primeiro caso, você ajuda não apenas aquele que precisa ser ajudado, mas prega por meio do exemplo ao preguiçoso e ao mendigo; mostra-lhes que você não considera o trabalho prosaico deles como abaixo de sua dignidade, e assim incute nele o sentimento de respeito e estima por si mesmo e de satisfação com seu destino.

Se, no entanto, você persistir em trabalhar somente em sua própria e elevada região intelectual e der ao pobre o produto do seu trabalho, como quem dá esmola ao mendigo, você só conseguirá encorajar a preguiça dele e seu sentimento de inferioridade.

Ao fazer isso, você estabelece uma diferença de casta social entre você e aquele que aceita suas esmolas.

Você tira dele sua autoestima e sua confiança em você, e sugere a ele aspirações de se livrar das duras condições de sua existência, gasta em trabalho físico diário, de se associar à sua vida, que lhe parece mais fácil que a dele, de vestir suas roupas, que lhe parecem mais bonitas que as dele, e de obter acesso à sua posição social, que ele considera superior à dele.

Não é dessa maneira, devido ao progresso científico e intelectual, que podemos esperar ajudar os pobres, ou incutir na humanidade a ideia de uma verdadeira fraternidade.

Na Índia, os “missionários” teosóficos trabalham para a erradicação da ideia de casta e com o objetivo de unir todas as castas em sua fraternidade.

Já vimos — coisa incrível e impossível antes de sua chegada ao país das Vacas Sagradas e dos Deuses-Touro — Brâmane e Pária, Hindu e Budista, Parsi e Maometano, sentados à mesma mesa.

Quando vemos na França republicana aristocratas e financistas conviverem com seus lavadeiros, ou uma dama da sociedade, orgulhosa de seus sentimentos democráticos, ajudar a esposa de um pobre fazendeiro a plantar seu repolho, como é feito pela filha do Conde Tolstói e pelos verdadeiros Teosofistas europeus em Madras e em outros lugares — então podemos dizer que há esperança para os pobres na Europa.

“Aleph” confunde os sacerdotes do templo público com os Iniciados dos Santuários.

Estes últimos nunca acreditaram em um Deus antropomórfico.

A história que ele nos dá da evolução das ciências ocultas e do poder magnético é uma fantasia.

Sua descrição mostra muita imaginação, mas muito pouco conhecimento dos procedimentos empregados para a aquisição de poderes “ocultos”.

EQUÍVOCOS

A Astrologia é a mãe da Astronomia, e a Alquimia é a mãe da Química, assim como a alma plástica é a mãe do homem físico primitivo.

Astrologia e Alquimia são igualmente a alma das duas ciências modernas.

Enquanto essa verdade não for reconhecida, a Astronomia e a Química continuarão a correr em um círculo vicioso e não produzirão nada além de materialidade.

Dizer que as ciências ocultas pretendem comandar a natureza arbitrariamente equivale a dizer que o sol comanda a estrela do dia a brilhar.

As ciências ocultas são a própria natureza; o conhecimento íntimo de seus segredos não dá aos Iniciados o poder de comandá-las.

A verdade é que este conhecimento ensina aos Adeptos a maneira de fornecer certas condições para a produção de fenômenos, sempre devidos a causas naturais, e à combinação de forças análogas àquelas usadas pelos cientistas.

A diferença real entre a ciência moderna e a ciência oculta consiste nisto: a primeira opõe a uma força natural outra força natural mais poderosa no plano físico; a segunda opõe a uma força física uma força espiritual ou psíquica, em outras palavras, a alma dessa mesma força.

Aqueles que não creem na alma humana nem no espírito imortal não podem reconhecer, a fortiori, uma alma vital e potencial em cada átomo da matéria.

Essa alma, seja humana, animal, vegetal ou mineral, não é senão um raio emprestado pela Alma Universal a todo objeto manifestado durante o ciclo ativo ou período do Cosmos.

Aqueles que rejeitam essa doutrina são ou materialistas ou sectários fanáticos que temem a palavra "Panteísmo" mais do que o diabo de seus sonhos mórbidos.

L

A ideia da "Grande Obra" associada à ideia de Deus e do Diabo faria qualquer chela de seis meses sorrir com piedade.

Os teosofistas não creem nem num nem noutro.

Eles creem no Grande TUDO, em Sat, i.e., existência absoluta e infinita, única e sem nada que se lhe assemelhe, que não é um Ser nem uma criatura antropomórfica, que É, e nunca pode deixar de ser. Os teosofistas veem no sacerdote de qualquer religião um ser inútil, senão pernicioso.


Eles pregam contra toda religião dogmática e infalível e não reconhecem outra divindade, que dispensa sofrimento e recompensa, senão o Karma, um árbitro criado por suas próprias ações.

O único Deus que adoram é a VERDADE; o único diabo que reconhecem e contra o qual lutam com fúria incansável é o Satã do egoísmo e das paixões humanas.

Seria curioso saber onde "Aleph" foi buscar suas informações sobre o ocultismo hindu.

Tenho a ideia de que foi nos romances brâmanes de Louis Jacolliot.

Bem, ele evidentemente não sabe que atualmente os Brâmanas são tão ignorantes das ciências ocultas quanto os budistas do Ceilão! Das sete chaves esotéricas que abrem o armário do Barba Azul (o ocultismo), eles possuem apenas uma — a chave fisiológica ou o aspecto "fálico" sexual de seus símbolos.

Na Índia, entre os 150.000.000 de Brâmanas de todos os graus, não se encontrariam 150 iniciados, incluindo os Yogis e Paramahamsas.

“Aleph” nunca ouviu, ao que parece, que seus templos se tornaram cemitérios onde jazem os cadáveres de seus outrora belos símbolos e onde reinam supremos a superstição e a exploração.

Se fosse diferente, por que os teosofistas americanos teriam ido à Índia? Por que milhares de brâmanes teriam ingressado na Sociedade Teosófica, ansiosos por pertencer a um centro onde pudessem encontrar de tempos em tempos um verdadeiro Mahâtman de carne e osso do outro lado da “grande montanha”? “Aleph” faria bem em estudar A Doutrina Secreta e aprender que o ancestral vermelho da desaparecida Atlântida (o Atala do Sûrya-Siddhânta e de Asuramaya) tinha como predecessor ainda mais antigo o Vâhi Sarasvatî, na ilha de Śambhala, quando a Ásia Central era apenas um vasto mar onde hoje se encontram o Tibete e o deserto de Shamo ou Gobi.

M

“Aleph” reconhece a necessidade de manter secretas as ciências perigosas — a química, por exemplo — e de não divulgar à multidão, mesmo nos países civilizados, o mistério de

EQUÍVOCOS

certas combinações mortíferas.

Por que então ele se recusaria a ver na lei do silêncio imposta aos Adeptos, em conexão com as revelações ocultas, um ato de sabedoria, exigido pela experiência do coração humano? Suspeito, no entanto, que são precisamente as classes inteligentes e ricas que abusariam dos poderes ocultos em benefício e proveito próprios, muito mais do que as ignorantes e pobres.

A primeira lei da Ciência Sagrada é nunca usar o próprio conhecimento em interesse pessoal, mas trabalhar com e para os outros.

Mas quantas pessoas se poderia encontrar na Europa-América prontas a se sacrificarem por seus semelhantes? Um Adepto que está doente não tem o direito de usar sua força magnética para diminuir seu sofrimento pessoal enquanto houver, ao seu conhecimento, uma única criatura que sofra e cuja dor física ou mental ele possa aliviar, senão curar.

É, por assim dizer, a exaltação do sofrimento de si mesmo, em benefício da saúde e da felicidade dos outros.

Um Teosofista, se contempla o adeptado, não deve se vingar.

Deve sofrer em silêncio, em vez de despertar em outrem paixões malignas ou o desejo de se vingar por sua vez.

A não resistência ao mal, o perdão e a caridade são as primeiras regras do discipulado.

No entanto, não se espera que ninguém se torne teosofista e muito menos que se faça aceitar como candidato ao adeptado e à iniciação oculta.

N

“Aleph” está certo mais uma vez — na aparência; a atividade febril da Europa-América seria companhia turbulenta para o quietismo asiático.

No entanto, a polaridade sozinha pode produzir o fenômeno da vitalidade, assim como produz, através da união de forças positivas e negativas, o fenômeno da gravitação.

Dois polos semelhantes se repelem; como exemplo, veja a entente cordiale, a doce irmandade que reina entre as nações ocidentais.

Se a fusão dos contrários não se concretizar, se o inglês não reconhecer abertamente o hindû como seu irmão, e não agir em conformidade com isso, as nações da Europa-América acabarão um dia por devorar umas às outras, deixando no campo de batalha nada além de suas caudas, como fizeram os gatos de Kilkenny.


O

Ao criticar o bramanismo, “Aleph” está absolutamente certo, apenas deveria saber que os brâmanes, nos tempos védicos, não conheciam nem castas nem viúvas de Malabar.

Seu questionário sob a letra N prova-me conclusivamente que ele leu Jacolliot e que julga a Índia segundo os vinte e um volumes de um escritor mais prolífico e encantador do que preciso.

O bramanismo do qual ele fala não existia na era dos Rishîs, e foi definitivamente demonstrado que os brâmanes embelezaram suas leis de Manu no período pós-Mahâbhârata.

Durante a era védica, as viúvas se casavam novamente com toda tranquilidade, e as castas foram inventadas apenas no Kali-yuga, por razões tão ocultas quanto justas, do ponto de vista da prosperidade e da saúde das raças.

Mas de que serve isso? O que nós, teosofistas, temos a ver com o bramanismo, exceto combater seus abusos, já que a Sociedade Teosófica foi estabelecida na Índia há nove anos.

Ragunath Rao, um brâmane da mais alta casta, que presidiu por três anos a Sociedade Teosófica de Madras, e que atualmente é Primeiro-Ministro (Dewan) do Holkar, é o mais fervoroso reformador na Índia.

Ele está combatendo, como tantos outros teosofistas, a lei da viuvez, com base em textos de Manu e dos Vedas.

Ele já libertou várias centenas de jovens viúvas, destinadas ao celibato devido à perda de seus maridos na infância, e tornou possível seu novo casamento, apesar do alarido de protesto por parte dos brâmanes ortodoxos.

Ele ri das castas; e as mais de cem filiais teosóficas na Índia o ajudam nessa guerra total contra a superstição e a crueldade eclesiástica.

Escritos Reunidos VOLUME VIII

EQUÍVOCOS

É errado dizer que essas instituições foram estabelecidas durante o reinado do Esoterismo.

Foi a perda das chaves do simbolismo e das leis de Manu que produziu todos os erros e todos os abusos que se infiltraram no Bramanismo.

Mas, mesmo que essas alegações fossem corretas, o que temos em comum com o Bramanismo ortodoxo? Os horrores descritos por Devendro Das em "A Viúva Hindú", na *Nineteenth Century*, e citados contra os Teósofos na mesma edição da *Revue du Mouvement Social*, p. 333 (janeiro de 1887), são inteiramente verdadeiros.

No entanto, tendo Devendro Das sido Teósofo desde 1879, deveria ficar claro, por fim, que os Teósofos combatem o Bramanismo das pagodes, assim como combatem todas as superstições, todos os abusos e todas as injustiças.

P

Como parece, pelo comportamento dos Teósofos Budistas, servos da Sabedoria e da Verdade, que eles não pertencem a nenhuma religião, a nenhuma seita, e que, ao contrário, combatem todos os cultos exotéricos e os abusos que deles decorrem, e que se esforçam por ser úteis à humanidade, as reflexões de "Aleph" são injustas.

A presente explicação deveria ser suficiente para restabelecer finalmente a verdade a respeito dos "missionários" do Himálaya.

É precisamente porque a ciência oculta e a filosofia esotérica têm "como função pivotal o serviço à humanidade", porque seus ardentes defensores tentam despertar os povos europeus e asiáticos que dormem sob as sombras mortais do clericalismo, lembrando-lhes as lições da sabedoria antiga — é por causa desses motivos que esses servos se oferecem à Europa-América.

Aqueles que ainda duvidassem disso são convidados a julgar a árvore da Teosofia por seus frutos; pois, julgando-a pelos frutos da árvore das religiões bramânicas, budistas ou judaico-cristãs, cometem uma injustiça evidente e impedem os Teósofos de serem úteis aos seus semelhantes, especialmente aos deserdados do mundo.


Como já mencionamos o bom e velho Sumangala em outra ocasião, não há necessidade de perdermos tempo repudiando qualquer solidariedade com Bonzos ou Brâmanas.

Estes últimos — aqueles, ao menos, que permaneceram ultraortodoxos e que combatem toda reforma benevolente — perseguem-nos e odeiam-nos tanto quanto o fazem o clero cristão e os missionários.

Quebramos seus ídolos; eles se esforçam para destruir nossas reputações e manchar nossa honra; os que agem dessa maneira são especialmente os servos de Cristo, daquele que em primeiro lugar proibiu a oração ao "Pai" nos templos, comparando os hipócritas aos fariseus que realizam atos de devoção em todas as encruzilhadas, e que não passam de sepulcros caiados cheios de podridão.

No entanto, os "Bonzos", sacerdotes budistas, são, devemos confessar, os únicos que realmente nos ajudaram em nossas reformas! A voz de um sacerdote de Gautama nunca se levantou contra nós. Os budistas do Ceilão sempre foram verdadeiros irmãos para os teosofistas tanto da Europa quanto da América.

O que está acontecendo no Tibete? Os poucos missionários que conseguiram entrar naquela terra foram impressionados por um fato notável: no meio das atividades das ruas, ao meio-dia, todos os lojistas vão para casa, deixando todas as suas mercadorias expostas abertamente na calçada e quase na própria rua; os compradores que por acaso passam veem os preços marcados nos artigos de que precisam, então os pegam e deixam seu dinheiro no balcão.

Ao retornar, o comerciante encontra o pagamento pelas mercadorias que foram levadas; o restante permanece intacto.

Ora, isso é algo que dificilmente se encontraria na Europa-América.

Isso, no entanto, é apenas o resultado dos mandamentos exotéricos de Gautama, o Buda — que foi apenas um sábio e nunca foi deificado.

Também não há mendigos no Tibete, nem pessoas morrendo de fome.

A embriaguez e o crime são desconhecidos lá, assim como a imoralidade, exceto entre os chineses, que não são "budistas" no sentido real da palavra, assim como os mórmons não são cristãos.

Que o destino preserve o pobre Tibete, com sua população ignorante e honesta, da beneficência da civilização, e especialmente dos missionários.

EQUÍVOCOS

Q

Que o destino proteja o Tibete ainda mais do "deus Progresso", tal como se manifesta na Europa-América.

Dizem-nos que o progresso é o melhorismo, "a evolução social que melhora incessantemente as condições físicas, intelectuais e morais do maior número de pessoas". Onde "Aleph" conseguiu isso? Ele o encontrou em Londres, com seus quatro milhões de habitantes, dos quais um milhão come apenas a cada três dias, quando muito? Está na América, onde o progresso exige a expulsão de centenas de milhares de trabalhadores chineses, enviados para morrer de fome em outro lugar, e a expulsão imediata de milhares de imigrantes irlandeses e outros pobres dos quais a Inglaterra tenta se livrar? Um progresso construído sobre a exploração dos pobres e dos trabalhadores é apenas mais um carro de Jagannatha com um nariz falso.

Tem-se o direito de preferir até uma morte tranquila sob a árvore de mancenilha ao progresso das classes ricas e instruídas, alcançado sobre os corpos de milhares de pessoas pobres e ignorantes.

Os chineses da Califórnia, não são nossos irmãos? Os irlandeses expulsos de suas cabanas e condenados, com seus filhos, a morrer de fome, provam a existência do progresso social? Não, mil vezes não! Enquanto as pessoas, em vez de fraternizarem e ajudarem umas às outras, reivindicam apenas o direito de salvaguardar seus interesses nacionais, enquanto o homem rico se recusa a compreender que, ao ajudar um pobre estranho, ele ajuda seu pobre irmão no futuro e dá um bom exemplo para outros países; enquanto o sentimento de altruísmo internacional permanecer uma frase vazia no ar, o progresso não cumprirá outra função senão a de carrasco dos pobres.

R

Entendamo-nos.

Falo do progresso da civilização no plano físico, o progresso que "Aleph" exalta aos céus, representando o papel de seu bardo.

Que este progresso material entre na ética, e os "missionários" de Le Lotus e da Índia reconhecerão em vós seus mestres.


Mas vós não fazeis nada disso.

Exauristes ou contribuístes para secar a única fonte de consolação para os pobres, a fé em seu Ego imortal, e não lhes destes nada em troca.

Três quartos da humanidade são mais felizes devido ao progresso da ciência e sua aliança com a indústria, sobre o qual vocês parecem tão satisfeitos? A invenção das máquinas fez algum bem aos trabalhadores manuais? Não, pois resultou em mais um mal: a criação entre os trabalhadores de uma casta superior, semi-instruída e semi-inteligente, em detrimento das massas menos favorecidas, que se tornaram ainda mais miseráveis.

Vocês mesmos confessam: "A produção excessiva de coisas e trabalhadores... cria obstáculo, plethora, pobreza, deficiência, ou seja, ociosidade e miséria." Milhares de crianças pobres nas fábricas, representando para o futuro gerações inteiras de pessoas aleijadas, raquíticas e infelizes, são sacrificadas em um holocausto ao vosso progresso, um Moloque insaciável e eternamente faminto.

Sim, protestamos, dizemos que "hoje é pior que ontem", e negamos os benefícios de um progresso que visa apenas ao bem-estar dos ricos.

A "felicidade" de que falais não virá enquanto o progresso moral permanecer adormecido na inatividade, paralisado pelo egoísmo feroz de todos, tanto dos ricos quanto dos pobres.

A revolução de 1789 mostrou apenas um resultado bem evidente: aquela falsa fraternidade que diz ao seu semelhante: "Pensa como eu, ou te derrubo; sê meu irmão, ou te atropelo!"

Os "missionários" teosóficos visam também a uma revolução social.

Mas é uma revolução inteiramente ética.

Ela ocorrerá quando as massas deserdadas compreenderem que ––––––––––– Parece-nos que Madame Blavatsky está obviamente exagerando aqui.

Já faz muito tempo desde que ela deixou a França, onde viveu numa época em que as coisas não eram muito brilhantes; desde aqueles dias, os jornais que a informam no exterior podem lhe dar apenas uma triste ideia da França, pois fazem o possível para sujar a nossa democracia.

(F. K. Gaboriau.) ––––––––––

EQUÍVOCOS a felicidade está em suas próprias mãos, que a riqueza não traz senão preocupações, que é feliz quem trabalha para os outros, pois esses outros trabalham para ele, e quando os ricos perceberem que sua felicidade depende da de seus irmãos—seja qual for sua raça ou religião—então somente o mundo verá o amanhecer da felicidade.

"Aleph" pergunta por que o mundo não deveria ser eterno.

Por que as entidades da hierarquia que o compõem não deveriam suceder-se como os membros das espécies que povoam nosso globo e os outros.

Será que a ideia da formação de mundos por outros mundos, e de universos por outros universos, não é mais racional por analogia do que a de Moisés ou mesmo de Laplace? "Aleph" ensina assim a teosofia pura; ele é, portanto, um teosofista e um "missionário budista" sem o saber; nós o saudamos e o acolhemos de braços abertos.

A Doutrina Secreta, que será publicada em breve, mostrará que no início da última evolução periódica do nosso globo, bem como de seus seres, os processos de geração ofereciam variedades nem sequer suspeitadas nos laboratórios.

A cooperação dos princípios masculino e feminino, inaugurada somente pelo homem físico, constituía apenas um desses processos.

A "finitude" do Kosmos nunca foi aceita pela nossa "nova religião", que não é de modo algum uma religião, mas uma filosofia.

Nem os Brâmanas nem os Bonzes, em seu mais agudo delírio exotérico, aceitaram jamais a finitude do Kosmos.

"Aleph" não tem senão que abrir o Vedânta, Manu, os Purânas, o Catecismo Budista, etc., para encontrar ali uma declaração sobre a eternidade do Kosmos, que é apenas a manifestação periódica e objetiva da própria eternidade absoluta, do princípio para sempre ————— Esta obra, mencionada no nº 4 de Le Lotus, está em inglês; compreenderá cinco grossos volumes do tamanho de Ísis sem Véu e, por razões financeiras fáceis de entender, não aparecerá tão cedo em francês (F. K. Gaboriau.) –––––––––– princípio desconhecido chamado Parabrahman, Âdi-Buddha, a "Única e Eterna Sabedoria". Se há uma absurdidade ainda maior do que falar de um Deus cruel: é admitir que Deus, o Grande Todo Absoluto, pudesse alguma vez interferir nos assuntos terrestres ou humanos.


O infinito não pode associar-se ao finito; o incondicionado ignora o condicionado e o limitado.

A absoluta "Inteligência-Sabedoria" não pode agir no espaço restrito de um pequeno globo.

Ela é onipresente e latente no Kosmos, infinita como ele próprio.

Encontramos sua única manifestação verdadeiramente ativa na humanidade como um todo, composta como é de centelhas dispersas, finitas em sua duração objetiva, eternas em sua essência, emanadas daquele Lar sem começo nem fim.

Portanto, o único Deus que devemos servir é a Humanidade, e o nosso único culto deve ser o amor ao próximo.

Fazendo o mal a ele, ferimos a Deus e o fazemos sofrer.

Quando negamos nossos deveres fraternais e recusamos considerar um pagão, assim como um europeu, como nosso irmão, negamos a Deus.

Esta é a nossa religião e os nossos dogmas.

U

Longe de se mostrar indisposta a compreender a Europa, a Índia intelectual, se não a Índia brâmane de Jacolliot, a favorece. Esta Índia nunca condescendeu em pregar o Deus-infortúnio, nem o ascetismo como o entende "Aleph". Isso é comprovado pela lei de Manu, que impõe o casamento ao Brâhmana Grihastha, antes que ele se torne um Brâhmana asceta.

A maior desgraça para um Brâhmana é não ter um filho, e o casamento é obrigatório, salvo nos casos excepcionais em que a criança está destinada a tornar-se um Brahmachârin, um Yogi celibatário, por razões ocultas que não podem ser enumeradas aqui.

O Esoterismo nunca proscreeveu as funções sexuais ou matrimoniais criadas pela própria natureza.

O Esoterismo trabalha na, com e para a natureza, e condena apenas a imoralidade, o abuso e o excesso.

Além disso, de todos os animais, o homem é o mais animal em seus excessos; a besta tem suas estações, mas o homem não tem nenhuma.

EQUÍVOCOS

"Aleph" provavelmente fala dos ascetas cristãos, aqueles que se lançam no ascetismo exotérico, com um rosário bento nas mãos e os dogmas da igreja na cabeça.

O Hindû torna-se asceta somente após ter estudado suficientemente as ciências ocultas para permitir que sua natureza espiritual controle sua natureza material.

"Aleph" certamente confunde os ascetas da Índia com os médiuns espiritualistas da Europa-América.

Estes últimos, pobres sensitivos e neuróticos, ignoram as leis esotéricas, e são eles que acabam por criar íncubos e súcubos — como é comprovado pelas esposas desencarnadas de certos médiuns na própria Paris.

A comparação entre o "Deus do passado" e o "Deus da ciência" não é nem justa nem feliz, pois os reinados desses dois Deuses diferem muito pouco entre si.

O pobre é tão infeliz hoje quanto era há mil anos, e ainda mais, pois o abismo entre ele e o rico se ampliou.

O progresso serviu apenas para proporcionar aos ricos prazeres desconhecidos nos séculos de barbárie.

V

O Ocidente é livre para recusar a mão que o Oriente lhe estende.

Contudo, nem sempre a recusa, como evidencia as numerosas sociedades teosóficas que brotam como cogumelos na Europa-América.

X

Jesus, citado por “Aleph,” perturba todas as teorias deste último quando diz: “Meu reino não é deste mundo.” Quererá o nosso benevolente crítico que admiremos a ação dos Fariseus e que ofereçamos o seu nobre exemplo à Europa-América? Seria um esforço desperdiçado, pois os cristãos destes dois continentes há muito entregaram a Teosofia às mãos seculares dos pretorianos do jornalismo.

Estes últimos nos crucificam diariamente.

Até agora tivemos como inimigos o clero, os missionários (que pregam a fraternidade, mas trazem aos pagãos apenas vício e embriaguez), o Exército da Salvação, a aristocracia hipócrita e piedosa, todos os materialistas, e até mesmo os espiritualistas que deixaram de nos considerar como seus “queridos irmãos”. Somente os socialistas inteligentes nos compreenderam; voltar-se-ão também contra nós?

Enquanto isso, “Aleph” nos faz ouvir algumas verdades profundas.

Sim, o Brâmanismo exotérico deve cair, mas será substituído pelo Vedismo esotérico, ao qual será acrescentado tudo o que há de nobre e belo que a ciência progressista evoluiu neste último século.

Mas esta revolução não será realizada por conquistadores; é por meio do amor fraternal que se efetuará a fusão das duas raças árias, e somente quando o inglês tiver deixado de considerar o Brâhmana—cuja árvore genealógica abrange três mil anos—como o representante de uma raça inferior.

Por sua vez, o Brâhmana odeia o inglês, cujo domínio temporário é forçado a suportar.

A fraternidade dos teosofistas em toda a Índia são os únicos a ver o inglês arrogante sentar-se à mesma mesa com brâmanas igualmente arrogantes, suavizados e humanizados pelo exemplo e pelas lições dos teosofistas que servem aos Mestres da Sabedoria Antiga, os descendentes daqueles Rishis e Mahatmas que o Brâmanismo sempre reverenciou, embora tenha deixado de compreendê-los.

Segue-se, portanto, de tudo o que precede, que não é o “sacerdócio da Índia” que tenta trazer o Ocidente de volta à sabedoria antiga, mas sim alguns ocidentais da Europa-América que, conduzidos por seu Karma à felicidade de conhecer certos Adeptos da secreta Irmandade do Himalaia, tentam, sob a inspiração desses Mestres, conduzir o sacerdócio da Índia de volta ao esoterismo primitivo e divino.

Z

Nisso, eles obtiveram grande êxito na Índia e na Ásia.

A Europa-América ainda resiste sozinha, incapaz de compreender ou de apreciar a simplicidade de seu objetivo.

Afinal, é apenas a maioria que se recusa a compreender, essa maioria que sempre mordeu a mão que lhe oferecia ajuda.

Mas não nos desesperemos.

Quando o dia, tão ansiado, tiver chegado, quando a fraternidade universal e intelectual for aceita de fato, se não proclamada de jure, então finalmente os portais do santuário, fechados por muitas eras tanto para os brâmanes ortodoxos quanto para os europeus céticos, serão abertos para os Irmãos de todas as terras.

O “Grande Avô” acolherá seus filhos pródigos, e todos os seus tesouros intelectuais serão sua herança.

Mas para que esse tempo chegue, o objetivo dos “missionários” da Índia deve ser compreendido e sua missão completamente apreciada.

Até agora, o público viu apenas sua própria imagem distorcida e carrancuda no espelho da publicidade.

O objeto perseguido por alguns teosofistas místicos tornou-se, segundo nossos críticos mal aconselhados, o objeto de toda a Fraternidade; e o quid pro quo culminou finalmente no artigo de “Aleph” que nos prega nossas próprias doutrinas.                                                                    H. P. BLAVATSKY (F.T.S.).

––––––––––                        Escritos Reunidos VOLUME VIII                                             Setembro,

[A FLOR E O FRUTO]           [No primeiro número de Lucifer, 15 de setembro de 1887, imediatamente após o ensaio de H.P.B. sobre      “A História de um Planeta”, aparece a primeira parte de uma história oculta intitulada “A Flor e o Fruto”.      Seu subtítulo era a princípio “Um Conto de Amor e Magia”, mas foi alterado para “A Verdadeira História de um      Mago”, pois se descobriu que outro autor já havia usado o primeiro.

Esta notável história é da pena de Mabel Collins (Sra.

Kenningale Cook) e é assinada      simplesmente “M.C.” É introduzida com uma breve Nota da autora dizendo que:

“Esta estranha história veio até mim de um país distante e foi-me trazida de maneira      misteriosa; reivindico apenas ser a escriba e a editora.

Nessa qualidade, porém, sou eu quem responde      ao público e aos críticos.

Peço portanto, antecipadamente, um único favor ao leitor; que ele aceite (ao ler esta história) a teoria da reencarnação das almas como um          fato vivo.”


Estendendo-se por trinta e cinco capítulos, esta história apareceu em série ao longo do Primeiro e do Segundo Volumes de *Lucifer*, sendo concluída na edição de agosto de 1888. De acordo com o Prefácio, assinado por "M.C.;", que foi anexado a esta história quando foi republicada em forma de livro (Nova York: John W. Lovell Company, 1889, pp. 290), com um subtítulo que diz "Uma História Verdadeira de um Mago Negro", este conto oculto "mostra as lutas e os erros de alguém que foi um adepto da magia negra e que está se esforçando com grande força, mas muito cegamente, para alcançar a Irmandade Branca e aprender o bem em vez do mal." Fleta, a personagem principal da história, que em sua encarnação anterior havia tomado o poder egoisticamente em suas próprias mãos, tornou-se, em virtude desse poder, uma maga negra, um indivíduo que alcançou o conhecimento, mas o usa para fins egoístas.

Em sua encarnação presente, ela tenta atrair o companheiro de muitas de suas vidas passadas, a fim de trazê-lo diretamente sob a influência de Ivan, um membro da Irmandade Branca que está tentando ajudar Fleta a encontrar seu caminho em direção ao verdadeiro Caminho.

Como "M.C." diz: "Seu objetivo é iniciar o grande trabalho do ocultista de salvar outros, especialmente aqueles a quem ela anteriormente prejudicou.... Nós a vemos recaindo instintivamente em seus antigos ritos e usando seus antigos poderes. . ." Eventualmente, através de provações que sondam a alma e testes terríveis, ela conquista sua liberdade e encontra mais uma vez o nobre e altruísta Caminho.

É muito provável, no entanto, que isso não tivesse ocorrido, no que diz respeito à história, se H. P. B. não tivesse intervindo e dado outra direção à narrativa, pois Mabel Collins estava começando a enganar seriamente o leitor.

Nas palavras da própria H. P. B.:

". . . . Fleta, a Rainha DUGPA em 'A Flor e o Fruto,' . . . . teria sido apresentada como um modelo de todas as virtudes da Magia Branca, se eu não tivesse insistido que a heroína do 'Conto de Amor e Magia' fosse exposta e mostrada aos leitores de *Lucifer* em seu verdadeiro caráter, alguns dos quais estavam seriamente perplexos. . ."

Começando com o Capítulo XXX, em *Lucifer*, Vol.

II, julho de 1888, a autoria da história é indicada como Mabel Collins e——, –––––––––– Esta declaração ocorre em uma carta de H.P.B. a J. R. Bridge, escrita em resposta a um ataque a W. Q. Judge, em 1889. O original encontra-se nos Arquivos da antiga Sociedade Teosófica de Point Loma.

––––––––––

IDEALISMO MODERNO

que aparentemente marca a época em que a influência direta de H.P.B., e provavelmente sua caligrafia, desempenhou um papel decisivo na conclusão da história, que foi finalizada na edição de agosto do mesmo ano.

Seria, naturalmente, impossível determinar de maneira comum quanto das duas últimas partes desta história é de autoria da própria H. P. B., e, portanto, qualquer reimpressão delas na presente Série cronológica não é viável, especialmente porque não fariam sentido sem o texto completo de "A Flor e o Fruto". Limitaremos-nos, portanto, à sucinta declaração de fatos acima, deixando ao leitor que se familiarize, se assim o desejar, com a narrativa fascinante deste conto oculto.

—Compilador.] Obras Completas VOLUME VIII Outubro,

IDEALISMO MODERNO, PIOR QUE O MATERIALISMO [The Theosophist, Vol. XVIII, Nº 1, outubro de 1896, pp. 9-12]

[Na época em que este artigo foi publicado, foi introduzido pelo Editor com algumas palavras dizendo que "o seguinte artigo vigoroso, da pena de H. P. Blavatsky, chegou recentemente às minhas mãos e, como todos os seus escritos, recompensará a leitura". Nenhuma outra informação foi dada sobre a possível data em que foi escrito.

Evidências internas, no entanto, mostram que foi redigido na época em que considerável discussão ocorreu nas páginas de Lucifer sobre o assunto do Hilo-Idealismo. Isso foi no outono de 1887, logo após o lançamento de Lucifer.

Em suas "Anotações Literárias" publicadas na edição de setembro daquele periódico (Vol. I, pp. 71-75), H. P. B. faz uso de várias expressões do mesmo panfleto de "C. N." do qual se cita no presente artigo.

Portanto, é bastante seguro presumir que este último foi escrito aproximadamente na mesma época, o que nos dá razões sólidas para inseri-lo em seu lugar atual.—Compilador.] O que aqui se apresenta será, naturalmente, fruto do Mar Morto para o materialismo cego; contudo, pode revelar-se ainda mais desagradável para os defensores do Hilo-Idealismo — como hoje se denomina esse cruzamento moderno entre o mal compreendido Protágoras e Büchner.

A Teosofia não tem inimigo mais amargo do que o Hilo-Idealismo, o grande aliado do materialismo, nos dias de hoje.

Isso porque, embora repudiemos os sistemas de ambos, aceitamos a maioria dos fatos físicos da ciência, rejeitando apenas suas conclusões; enquanto reconhecemos boa parte das doutrinas Vedânticas no Idealismo europeu, mas nenhuma de sua lógica altamente filosófica e consistente.


As conclusões do Materialismo e do Idealismo, de fato, são tão esticadas que, em sua síntese final, quase se encontram em seu ateísmo e pessimismo.

A última palavra de ambos — o Alfa e o Ômega do Pensamento Moderno, seja traçada às potências da matéria bruta, seja ao niilismo da especulação idealista — é uma negativa lúgubre de qualquer existência futura possível no espírito.

Aparentemente, há um abismo entre os dois na realidade sóbria — uma plataforma na qual ambos se apertam as mãos.

O materialismo de hoje é apenas um pouco mais científico do que as falácias grosseiras de Büchner e Moleschott.

É a mesma Caveira, com seu ricto estereotipado sorrindo horrivelmente, mas agora coroada com uma grinalda de flores retóricas tecidas pela oratória incomparável do Sr. Tyndall.

Quanto ao Idealismo — de qualquer escola — tornou-se "uma dupla caricatura" de Kant e Schopenhauer.

O tipo de generalização de "rigor e vigor" é predominante; testemunhe a atitude dos Materialistas (ou Realistas) e Idealistas em relação ao que J. S. Mill denomina o "campo de batalha da metafísica" — a questão de um mundo externo.

O Materialista afirma que a matéria — ou o Universo externo — existe independentemente de uma mente perceptora; que o objeto, em suma, evoluiu o sujeito, o qual, por sua vez, espelha seu autor em sua consciência.

O Idealista (puro), ao contrário, dirá: "Não é assim; longe de a Mente ser o resultado de um processo evolutivo a partir da Matéria, esta última existe apenas na consciência."

Tudo o que sabemos, ou podemos saber, são estados de nossa própria consciência; os objetos só o são por e através de um Ego percipiente—suas sensações—e, como tais, são necessariamente fenomênicos; com a destruição da Mente, todo o edifício da aparente objetividade desmorona.” Em que aspecto é esse idealista mais “ideal” do que o Materialista? Um nega terminantemente qualquer coisa existente fora da matéria; o outro, que algo exista—nem matéria nem Espírito—que essas duas posições não

IDEALISMO MODERNO

esgotam as alternativas.

Embora seja claro que o Realista é incapaz de postular a existência independente do Mundo Externo, exceto projetando no espaço as visões de sua própria subjetividade, o Idealista (puro!) é confrontado com a afirmação da ciência de que o universo objetivo existiu por éons antes do primeiro alvorecer da consciência humana.

É desse dilema que poderíamos ser resgatados pelo compromisso entre os dois sistemas opostos, conhecido de várias formas como Realismo Transfigurado, Realismo Transcendental ou, melhor, Idealismo objetivo (em oposição ao puro)—se apenas esse Realismo transfigurado concebesse Objeto e Sujeito da maneira como os ocultistas Vedânticos o fazem. Segundo esse sistema, o mundo externo de nossa presente consciência é o produto conjunto de Objeto e Sujeito.

Embora inexistente por si só—diz-se, a criação da mente individual—a matéria é igualmente a manifestação sensível da objetividade de uma Substância desconhecida (desconhecida apenas para os profanos). A Mente traduz as impressões recebidas de fora—impressões que irradiam do mundo dos Noumena para um panorama de ideação puramente subjetiva.

O objeto tal como é dado na consciência é fenomênico, mas o estímulo primário vem de fora.

Sujeito e Objeto—como Noumena—são igualmente reais, mas o OBJETO-SENTIDO é uma criação subjetiva.

Tomemos, por exemplo, o caso do Sol.

Para o Realista, o glorioso orbe existe fora de, e independentemente da Mente, exatamente como aparece na consciência.

Para o Idealista, é a criação da Mente e perece com ela. Para o Idealista objetivo, com a Mente perece o Sol fenomênico, mas uma Substância desconhecida—afastada para além da possibilidade de concepção humana quanto à sua natureza—permanece.

Isso—exceto a “Substância Desconhecida”—o Ocultista negará.

Para ele, tanto o sujeito quanto o objeto, o Ego, o Sol, a Mente e o próprio Universo são—uma Mâyâ, uma imensa ilusão.

Mas, como tanto o Perceptor quanto o Objeto percebido pertencem ao mesmo plano de ilusão, eles são realidades mútuas e recíprocas enquanto durar a ilusão manvântara.

Em Realidade, e fora e além do Espaço e do Tempo, é tudo efeito e resultado da

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS Ignorância.

No entanto, retornando à conclusão de um dos maiores pensadores da atualidade — o Sr. Herbert Spencer, onde ele argumenta que "Se, então, o objeto percebido é o eu, o que é o sujeito que percebe?" — e conclui que tal processo só é concebível mediante "a aniquilação de ambos" (Primeiros Princípios, p. 66) — dizemos que, segundo os pontos de vista do Ocultista, ele está inteiramente errado.

O Sr. Herbert Spencer parece conhecer apenas um grau de subjetividade, e não tem ideia do ensinamento oculto (iogue), da existência de outros e mais elevados planos de consciência, visão ou percepção, além daqueles da Mente; da existência, em suma, do "Ego Transcendental" ou eu verdadeiro (Buddhi) — uma centelha da essência radiante do Espírito Universal.

Consequentemente, à pergunta do Sr. Spencer — "Se é o eu verdadeiro que pensa, que outro eu pode ser aquele que é pensado?" (ibid.) respondemos.

O Eu verdadeiro é, por si só, impessoal; a consciência pessoal ou cerebral sendo apenas um reflexo ilusório na existência encarnada.

A Psicologia Ocidental erra ao considerar esse ego pessoal como o único fator a ser considerado em suas pesquisas.

O argumento, portanto, quanto à inconcebibilidade de o Sujeito perceber a si mesmo — que, se limitarmos o sujeito à Mente (Manas), é absolutamente válido — desmorona no momento em que afirmamos, com Kant e seus expoentes modernos, a existência de um Eu Superior ou "sujeito transcendental". Pois, no ato de autoanálise, a Mente torna-se, por sua vez, um objeto para a consciência espiritual.

É o ofuscamento da Mente por Buddhi que resulta na realização última da existência — isto é, a autoconsciência em sua forma mais pura.

Mas deve-se, ao mesmo tempo, ter em mente que a plena realização do Eu espiritual é impossível para um encarnado da 4ª Ronda.

O ego espiritual não reflete estados variáveis de consciência; é independente de toda sensação (experiência); não pensa — ele CONHECE, por um processo intuitivo apenas vagamente concebível pelo homem comum.

"O sujeito que percebe" a Mente, como um

–––––––––– [p. 55 na 6ª edição, 1927.—Comp.] ––––––––––

IDEALISMO MODERNO

atributo de si mesmo, é este Ego Transcendental ou espiritual (Buddhi). Aquele que quiser saber mais, que estude o Vedanta e a Filosofia Yoga de Patañjali—esotericamente.

Que ele compreenda o verdadeiro significado destas sentenças: “O conhecedor do SER transcende a tristeza” (Chhândogya Upanishad, VII, i, 3); e ainda “aquele que conhece o Brahman Supremo, torna-se Brahman” (Mundaka Upanishad, III, ii, 9).      É o “agregado coletivo da Ignorância,” como diz o Vedântasâra, que levou a definições científicas por parte dos opositores; como uma, por exemplo, que encontramos entre as muitas pérolas espalhadas por *What is Religion* do Dr. Lewins. Pela beleza e clareza da linguagem, nós a recomendamos; e embora seu crítico (*An Examination and Popular Exposition of the Hylo-Idealistic Philosophy*, de Wm. Bell McTaggart) recomende igualmente ao leitor que lembre que “a filosofia do Dr. Lewins não está na superfície” (Prefácio), ainda assim pode-se ser desculpado por insistir em um exame minucioso de um sistema que visa suplantar toda filosofia, arcaica, antiga ou inexistente, pelo Hilo-Idealismo, que, afirma-se, é a união científica do Materialismo e do Idealismo—ou a do óleo e da água; como diz o revisor—“matéria, matéria, em toda parte,” e justamente acrescenta das hipóteses puramente Materialistas e Idealistas que “ambas as posições levam a grossas—senão impensáveis—absurdidades de pensamento” (p. 3). Mas o que diz o Dr. Lewins?

. . . por Hilo-Idealismo não quero dizer nada além de uma forma menos ambígua e autoexplicativa do termo “Psicologia” [termo que] . . . é o credo acreditado de todo conhecimento humano racional, em contraposição ao misticismo oculto e mórbido da ontologia ou metafísica . . . A Psicologia é assim relativa e fenomenal, a doutrina da vida . . . e do conhecimento humano, começando e terminando como antropomorfose e automorfose, o que é exatamente um com o Hilo-Idealismo, a teoria racional ou cerebral da mente e da matéria.

. . . Sem mais preâmbulos, deixe-me

––––––––––      [*What is Religion? A Vindication of Freethought*.

Por C. N. (Constance Naden); com Apêndices do Dr. R. Lewins.

Londres: Wm. Stewart & Co., 1883. 8-vo.—Compilador.]  [Londres: Wm. Stewart & Co., 1884. 8-vo.—Compilador.] –––––––––– afirmar que o teorema hilozoico da vida e do mundo pode ser formulado como a total e autoevidente impossibilidade, na natureza das coisas, de transcender ou escapar de qualquer maneira dos limites de nossa própria anatomia, nosso próprio Ego consciente [que assim se torna um com a anatomia!], o Não-Ego—ou, falsamente assim chamado, "universo externo"—sendo apenas a imagem objetiva ou projetiva de nossa própria egoidade, não a vera effigies, ou substância absoluta, de qualquer "coisa" externa ao eu . . . . entidades, ou não-entidades, abstratas ou concretas, desde a Divindade para baixo, são meramente imagens ideais ou fenomênicas . . . . a base física essencial, o protoplasma, ou officina da qual é O TECIDO VESÍCULO-NEURINO ou substância cinzenta dos gânglios hemisféricos . . . —a função, a saber, de um organismo somático, ele próprio fons et origo de todo conhecimento . . . . parece perfeitamente claro que, tal como agora espelhado no pensamento moderno, o objetivo não pode ter outra existência senão relativa.... Isto é apenas, em outras palavras, formular a solidarité do Ego e do Não-Ego, assim como a psicose é agora diagnosticada pela sintomatologia médico-psicológica, como NEUROSE VESICULAR EM ATIVIDADE . . . . .[!] Esta é a representação clara e vigorosa das últimas conclusões a que chegou o pensamento moderno.


H. P. BLAVATSKY.

––––––––––      [Apêndices do Dr. R. Lewins em What is Religion? de C. N., etc., pp. 35-36, 39, 40-41.—Compilador.] ––––––––––

––––––––––                    Obras Completas VOLUME VIII                                        Outubro,

OS SINAIS DOS TEMPOS                             [Lucifer, Vol.

I, No. 2, Outubro, 1887, pp. 83-89]

É intensamente interessante acompanhar, estação após estação, a rápida evolução e mudança do pensamento público na direção do místico.

A mente educada está, inegavelmente, tentando libertar-se dos pesados grilhões do materialismo.

A feia lagarta se contorce nas agonias da morte, sob os poderosos esforços da borboleta psíquica para escapar de sua prisão construída pela ciência, e cada dia traz algumas novas boas novas de um ou mais desses nascimentos mentais à luz.

Como o New York Path observa com propriedade em sua edição de setembro [p. 186], quando "tópicos teosóficos e afins"

OS SINAIS DOS TEMPOS

são “transformados em textos para romances”, e, podemos acrescentar, ensaios e brochuras científicas, “a implicação é que o interesse por eles se difundiu por todas as camadas sociais”. Esse tipo de literatura é “paradoxalmente a prova de que o Ocultismo ultrapassou a região do entretenimento descuidado e entrou na da investigação séria”. O leitor não tem senão que lançar um olhar retrospectivo às publicações dos últimos anos para descobrir que tópicos como Misticismo, Magia, Feitiçaria, Espiritualismo, Teosofia, Mesmerismo ou, como agora se chama, Hipnotismo, todas as várias ramificações, em suma, do lado oculto da natureza, estão se tornando predominantes em todos os tipos de literatura.

Eles visivelmente aumentam na proporção dos esforços feitos para desacreditar os movimentos em prol da verdade e estrangular a investigação — seja no campo da teosofia ou do espiritualismo — tentando manchar seus arautos, pioneiros e defensores mais proeminentes com alcatrão e penas.

A nota-chave para a literatura mística e teosófica foi o *Mr. Isaacs*, de F. Marion Crawford.

Foi seguido por seu *Zoroastro*.

Depois vieram *O Romance de Dois Mundos*, de Marie Corelli; *O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde*, de R. Louis Stevenson; *Um Ídolo Caído*, de F. Anstey; *As Minas do Rei Salomão* e a três vezes famosa *Ela*, de Henry Rider Haggard; *Afinidades* e *O Irmão da Sombra*, da Sra.

Campbell-Praed; *Casa de Lágrimas*, de Edmund Downey, e muitos outros menos notáveis.

E agora surge uma nova erupção em *Uma Filha dos Trópicos*, de Florence Marryat, e *As Estranhas Aventuras de Lucy Smith*, de F. C. Philips.

É desnecessário mencionar em detalhe a literatura produzida por teosofistas e ocultistas declarados, algumas de cujas obras são muito notáveis, enquanto outras são positivamente científicas, como *A Cabala Desvelada*, de S. L. MacGregor Mathers, e *Paracelso; Magia, Branca e Negra*, do Dr. F. Hartmann, etc.

Temos também de notar o fato de que a teosofia agora cruzou o Canal da Mancha e está abrindo caminho na literatura francesa.

*La France* publica um romance estranho de Ch. Chincholle, impregnado de teosofia, ocultismo e mesmerismo, e chamado “La Grande Prêtresse”, enquanto *La Revue politique et littéraire* (19 de fev. de 1887, et seq.) continha, sob a assinatura de Th. Bentzon, um romance chamado “Émancipée”, no qual doutrinas esotéricas e adeptos são mencionados em conjunto com os nomes de teosofistas bem conhecidos.


Um sinal dos tempos! A literatura — especialmente em países livres da censura governamental — é o coração e o pulso públicos.

Além do fato evidente de que, se não houvesse demanda, não haveria oferta, a literatura atual é produzida apenas para agradar e, portanto, é evidentemente o espelho que reflete fielmente o estado da mente pública.

É verdade que editores conservadores, e seus submissos correspondentes e repórteres, ainda continuam, ocasionalmente, a golpear na imprensa os belos rostos do espiritualismo místico e da teosofia, e alguns deles ainda são encontrados, de tempos em tempos, entregando-se a ataques pessoais brutais.

Mas não causam dano algum no conjunto, exceto talvez às suas próprias reputações editoriais, pois tais editores jamais poderão ser suspeitos de exuberância de cultura e bom gosto após certos ataques pessoais pouco cavalheirescos.

Fazem bem, ao contrário.

Pois, enquanto os teosofistas e espiritualistas assim atacados podem encarar a linguagem chula derramada sobre eles em um verdadeiro espírito socrático, e consolar-se com o conhecimento de que nenhum dos epítetos usados pode possivelmente aplicar-se a eles, por outro lado, excesso de abuso e vilipêndio geralmente acaba por despertar a simpatia pública pela vítima, entre os de reto juízo e os imparciais, ao menos.

Na Inglaterra, as pessoas parecem gostar de jogo limpo, no geral.

Não são ações de bárbaros, os feitos valentes daqueles que se deleitam em mutilar os mortos e os feridos, que podem encontrar simpatia do público por qualquer longo período de tempo.

Se — como sustentado por nossos inimigos leigos e repetido por alguns órgãos missionários ingênuos e demasiado otimistas — o Espiritualismo e a Teosofia estão "mortas como prego de porta" (sic, vide periódicos cristãos americanos) — sim, "mortas e enterradas", por que, nesse caso, bons pais cristãos, não deixais os mortos em paz até o "Dia do Juízo"? E se não estão, então, editores — tanto os profanos quanto os clericais — por que ainda temeis? Não vos mostreis tais covardes se tendes a verdade a vosso lado.

OS SINAIS DOS TEMPOS

Magna est veritas et prevalebit, e "o assassinato sempre vem à tona", como sempre veio, mais cedo ou mais tarde.

Abri vossas colunas para discussão livre e destemida, e fazei como os periódicos teosóficos sempre fizeram, e como Lúcifer agora se prepara para fazer. O "brilhante Filho da manhã" não teme a luz.

Ele a corteja e está preparado para publicar quaisquer contribuições hostis (redigidas, é claro, em linguagem decente), por mais divergentes que sejam de suas opiniões teosóficas. Está decidido a dar uma audiência justa em qualquer caso, a ambas as partes contendentes, e permitir que coisas e pensamentos sejam julgados por seus respectivos méritos.

Pois por que, ou o que se deveria temer quando o fato e a verdade são o único objetivo? *Du choc des opinions jaillit la vérité* foi dito por um filósofo francês.

Se a Teosofia e o Espiritualismo não são melhores do que "gigantescas fraudes e fogos-fátuos da época", por que cruzadas tão dispendiosas contra ambos? E se não são, por que deveriam os Agnósticos e buscadores da verdade em geral ajudar materialistas sectários e dogmáticos, tacanhos e intolerantes, a esconder nossa luz sob o alqueire por mera força bruta e autoridade usurpada? É fácil surpreender a boa-fé dos imparciais.

Ainda mais fácil é desacreditar aquilo que, por sua estranheza intrínseca, já é impopular e dificilmente poderia ser creditado em seus dias áureos.

"Não acolhemos nenhuma suposição com tanta avidez quanto aquela que se coaduna com e intensifica nossos próprios preconceitos", diz, em *Don Gesualdo*, um autor popular. Portanto, os fatos tornam-se frequentemente "fraudes" habilmente engendradas, e mentiras evidentes e gritantes são aceitas como verdades evangélicas ao primeiro sopro da *Calúnia* de Dom Basílio, por aqueles para cujos preconceitos endurecidos tal difamação é como orvalho celestial.

Mas, amados inimigos, "a luz de Lúcifer" pode, afinal, dissipar parte das trevas circundantes.

A voz poderosa e retumbante da denúncia, tão bem-vinda àqueles cujas pequenas maldades e ódios e estagnação mental, no domínio da respeitabilidade social a que ela se submete, pode ainda

––––––––––      [Este é um romance de Ouida (Louise de la Ramée), datado de 1886.—Compilador.] –––––––––– ser silenciada pela voz da verdade—"a voz mansa e suave"—cujo destino sempre foi pregar primeiro no deserto.


Aquela luz fria e artificial que ainda parece brilhar tão deslumbrantemente sobre as supostas iniquidades dos médiuns profissionais e os supostos pecados de comissão e omissão dos experimentalistas não profissionais, dos teosofistas livres e independentes, pode ainda ser extinta no auge de toda a sua glória.

Pois não é bem a lâmpada perpétua do filósofo alquimista.

Menos ainda é aquela “luz que nunca brilhou sobre terra ou mar”, aquele raio de intuição divina, a centelha que cintila latente nas percepções espirituais, jamais errantes, do homem e da mulher, e que agora está despertando—pois sua hora está próxima.

Mais alguns anos, e a lâmpada de Aladim, que evocou o gênio ministrante, o qual, fazendo três salamaleques ao público, passou a devorar médiuns e teosofistas, como um prestidigitador que engole espadas em uma feira de aldeia, se desarranjará.

Sua luz, sobre a qual os antiteosofistas até hoje cantam vitória, se ofuscará.

E então, talvez, descobrir-se-á que o que se reivindicava como um raio direto da fonte da verdade eterna não passava de uma vela de tostão, em cuja fumaça e fuligem enganosas as pessoas se hipnotizavam e viam tudo de cabeça para baixo.

Descobrir-se-á que os monstros hediondos de fraude e impostura não tinham existência fora dos cérebros turvos e atordoados dos Aladins em sua jornada de descoberta.

E que, finalmente, as boas pessoas que os ouviam estiveram o tempo todo vendo visões e ouvindo coisas sob sugestão mútua e inconsciente.

Esta é uma explicação científica, e não requer magos negros ou dugpas em ação; pois a “sugestão”, tal como agora praticada pelos feiticeiros da ciência, é—o dugpaship em si, pur sang.

Nenhum “adepto da mão esquerda” oriental pode causar mais dano com sua arte infernal do que um grave hipnotizador da Faculdade de Medicina, um discípulo de Charcot, ou de qualquer outra luz científica de primeira grandeza.

Em Paris, como em São Petersburgo, crimes foram cometidos sob “sugestão”. Divórcios ocorreram, e maridos quase mataram suas esposas e seus supostos

OS SINAIS DOS TEMPOS

correspondentes, devido a truques praticados em mulheres inocentes e respeitáveis, que assim tiveram seu bom nome e toda a sua vida futura arruinados para sempre.

Um filho, sob tal influência, arrombou a escrivaninha de um pai avarento, que o surpreendeu em flagrante e quase o baleou num acesso de raiva.

Uma das chaves do Ocultismo está nas mãos da ciência—fria, impiedosa, materialista e crassamente ignorante do outro lado verdadeiramente psíquico do fenômeno: portanto, impotente para traçar uma linha de demarcação entre os efeitos fisiológicos e puramente espirituais da doença inoculada, e incapaz de prevenir resultados e consequências futuras dos quais não tem conhecimento, e sobre os quais, portanto, não tem controle.

Encontramos em *Le Lotus* de setembro de 1887 o seguinte:

Um jornal francês, o *Paris*, de 12 de agosto, contém um longo e excelente artigo de G. Montorgueil, intitulado "As Ciências Malditas", do qual extraímos a seguinte passagem, pois, infelizmente, não podemos citá-lo por inteiro:—

"Há alguns meses, já, não me lembro em que caso, a questão da 'sugestão' foi levantada e levada em consideração pelos juízes.

Certamente veremos pessoas no banco dos réus acusadas de práticas ocultas ilícitas.

Mas como a acusação procederá? Que argumentos empregará? O crime por 'sugestão' é o ideal de um crime sem provas.

Em tal caso, as acusações mais graves nunca serão mais do que presunções, e presunções fugidias.

Sobre que frágil andaime de suspeitas se apoiará a acusação? Nenhum exame, exceto um moral, será possível.

Teremos de nos resignar a ouvir o Procurador-Geral dizer ao acusado: 'Acusado, parece de uma investigação feita em seu cérebro, etc.' Ah, os pobres jurados! São eles que merecem piedade.

Levando a sério sua tarefa, eles já têm a maior dificuldade em separar o verdadeiro do falso, mesmo em casos simples e diretos, cujos fatos são óbvios, todos os detalhes tangíveis e as responsabilidades claras.

E vamos pedir-lhes, sob sua alma e consciência, que decidam questões de magia negra! Em verdade, sua razão não resistirá durante a quinzena; sucumbirá antes disso e afundará na taumaturgia.

Avançamos rápido.

Os estranhos julgamentos por feitiçaria florescerão novamente; sonâmbulos que eram meramente grotescos aparecerão sob uma luz trágica; a borra de café, que até agora só arriscava o tribunal de polícia, ouvirá sua sentença no tribunal do júri.

O mau-olhado figurará entre as ofensas criminais.

Estes últimos anos do século XIX nos terão visto avançar de progresso em progresso, até alcançarmos finalmente esta enormidade judicial:

BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

um segundo Laubardemont processando outro Urbain Grandier." Jornais sérios, científicos e políticos estão repletos de discussões acaloradas sobre o assunto.

Um "Diário" de São Petersburgo tem um longo folhetim sobre a "Influência das Sugestões Hipnóticas sobre o Direito Penal". "Casos de hipnotismo com motivos criminais começaram recentemente a aumentar em uma proporção sempre crescente", diz aos seus leitores.

E não é o único jornal, nem é a Rússia o único país onde a mesma história é contada.

Dois fatos agora se tornaram patentes para a lei e a ciência: (I.) Que, nas percepções do sujeito hipnotizado, as representações visionárias evocadas pela “sugestão,” 

–––––––––– [A referência aqui é ao padre católico romano Urbain Grandier (1590-1634), que foi acusado de praticar bruxaria em Loudun (Vienne, França), em 1632. Suas supostas vítimas eram as freiras ursulinas de um convento local que estavam “afligidas por demônios” — uma explicação prevalecente na época para vários tipos de distúrbios psicomentais e tendências mediúnicas, que em vários períodos da história apareceram como epidemias em muitas partes do mundo.

Como Grandier havia feito muitos inimigos tanto por seu brilhantismo incomum como escritor e pregador, quanto por seu modo de vida um tanto descuidado, tornou-se fácil acusá-lo de ter enfeitiçado as jovens.

O primeiro julgamento realizado por ordens do Bispo de Poictiers não deu em nada, devido a muitas contradições nas evidências apresentadas.

Através dos esforços do Cardeal de Richelieu, no entanto, que parece ter tido uma antiga mágoa contra Grandier, outro julgamento foi ordenado, com Laubardemont encarregado.

Grandier recusou firmemente confessar os crimes que foi acusado de ter perpetrado.

Ele foi considerado culpado e queimado vivo em 18 de agosto de 1634. Este procedimento vergonhoso não pôs fim à epidemia das chamadas “possessões demoníacas”, pois multidões de outros homens e mulheres foram afetados por ela em várias partes do país.

Levou vários anos para desaparecer.—Compilador.] ––––––––––

OS SINAIS DOS TEMPOS

tornam-se realidades existentes atuais, e o sujeito sendo, por um momento, o executor automático da vontade do hipnotizador; e— (II.) Que a grande maioria das pessoas experimentadas está sujeita à sugestão hipnótica.

O campo para o jadoo-wala nato (mercadores de feitiçaria) é vasto, de fato! O Mal adquiriu um playground onde pode agora exercer seu domínio sobre muitas gerações de vítimas inconscientes.

Pois crimes inimagináveis no estado de vigília, e delitos da mais negra espécie, são agora convidados e encorajados pela nova "ciência maldita". Os verdadeiros perpetradores desses atos das trevas podem agora permanecer para sempre ocultos da vingança da justiça humana.

A mão que executa a sugestão criminosa é apenas a de um autômato irresponsável, cuja memória não preserva nenhum vestígio disso, e que, além disso, é uma testemunha que pode ser facilmente eliminada por suicídio compulsório — novamente sob "sugestão". Que melhores meios do que esses poderiam ser oferecidos aos demônios da luxúria e da vingança, àquelas Potestades das trevas — chamadas paixões humanas — sempre à espreita para transgredir o mandamento universal: "Não furtarás, nem matarás, nem cobiçarás a mulher do teu próximo"? Liébeault sugeriu a uma jovem que ela se envenenasse com ácido prússico, e ela engoliu a suposta droga sem um momento de hesitação; o Dr. J. Liégeois sugeriu a uma jovem que ela lhe devia 5.000 francos, e o sujeito imediatamente assinou um cheque no valor correspondente.

Bernheim sugeriu a outra jovem histérica uma visão longa e complicada a respeito de um caso criminal.

Dois dias depois, embora o hipnotizador não tivesse exercido qualquer nova pressão sobre ela nesse ínterim, ela repetiu distintamente toda a história sugerida a um advogado enviado a ela para esse fim.

Se seu testemunho tivesse sido seriamente aceito, teria levado o acusado à guilhotina.

Esses casos apresentam dois aspectos sombrios e terríveis.

Do ponto de vista moral, tais processos e sugestões deixam uma mancha indelével na pureza da natureza do sujeito.


Mesmo a mente inocente de uma criança de dez anos pode ser assim inoculada com o vício, cujo germe-veneno se desenvolverá em sua vida subsequente.

No aspecto judicial, é desnecessário entrar em grandes detalhes.

Basta dizer que é essa característica peculiar do estado hipnótico — a rendição absoluta da vontade e da autoconsciência ao hipnotizador — que possui tamanha importância, por sua relação com o crime, aos olhos das autoridades legais.

Pois se o hipnotizador tem o sujeito inteiramente à sua mercê, de modo que possa levá-lo a cometer qualquer crime, agindo, por assim dizer, invisivelmente dentro dele, então que não seriam os terríveis "erros judiciais" a esperar? Que admira, então, que a jurisprudência de um país após outro tenha se alarmado e esteja elaborando, um após outro, medidas para reprimir o exercício do hipnotismo! Na Dinamarca, acaba de ser proibido.

Cientistas têm experimentado com sensíveis com tanto sucesso que uma vítima hipnotizada foi vaiada e hostilizada pelas ruas a caminho de cometer um crime, que ela teria consumado inconscientemente, não tivesse a vítima sido previamente avisada pelo hipnotizador.

Em Bruxelas, um caso recente e triste é bem conhecido de todos.

Uma jovem de boa família foi seduzida enquanto em estado hipnótico por um homem que a havia submetido à sua influência numa reunião social.

Ela só percebeu sua condição alguns meses depois, quando seus parentes, que adivinharam o criminoso, forçaram seu sedutor a fazer a única reparação possível — a de casar-se com sua vítima.

A Academia Francesa acaba de debater a questão: até que ponto um sujeito hipnotizado, de mera vítima, pode tornar-se um instrumento regular do crime.

Naturalmente, nenhum jurista ou legislador pode permanecer indiferente a esta questão; e foi afirmado que os crimes cometidos sob sugestão são tão inéditos que alguns deles dificilmente podem ser enquadrados no âmbito da lei.

Daí a prudente proibição legal, recém-adotada na França, que determina que nenhuma pessoa, exceto aquelas legalmente habilitadas a exercer a profissão médica, poderá hipnotizar                                                   OS SINAIS DOS TEMPOS

qualquer outra pessoa.

Mesmo o médico que goza de tal direito legal só é permitido hipnotizar uma pessoa na presença de outro médico qualificado, e com a permissão por escrito do sujeito.

Sessões públicas de hipnotismo são proibidas, e estritamente confinadas a clínicas e laboratórios médicos.

Aqueles que violarem esta lei estão sujeitos a multa pesada e prisão.

Mas a nota fundamental foi dada, e muitos são os caminhos pelos quais esta arte negra pode ser usada — apesar das leis.

Que assim será usada, as paixões vis inerentes à natureza humana são garantia suficiente.

Muitos e estranhos serão os romances ainda encenados; pois a verdade é muitas vezes mais estranha que a ficção, e o que se pensa ser ficção é ainda mais frequentemente verdade.

Não admira, então, que a literatura oculta cresça a cada dia.

O ocultismo e a feitiçaria estão no ar, sem nenhum conhecimento filosófico verdadeiro para guiar os experimentadores e, assim, conter os resultados malignos.

"Obras de ficção" — assim são chamados os vários romances e novelas.

"Ficção" na disposição de seus personagens e nas aventuras de seus heróis e heroínas — concedido.

Não obstante, quanto aos fatos apresentados.

Estes não são ficções, mas verdadeiras pressentimentos do que jaz no seio do futuro, e muito do que já nasceu — senão corroborado por experimentos científicos.

Sinais dos tempos! Fim de um ciclo psíquico! O tempo para fenômenos com, ou através de médiuns, sejam profissionais ou não, passou. Era a estação inicial do florescimento, da era mencionada até mesmo na Bíblia; a árvore do Ocultismo prepara-se agora para a "frutificação", e o Espírito do Oculto está despertando no sangue das novas gerações.

Se os velhos apenas "sonham sonhos", os jovens já veem visões,

––––––––––       "E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões" (Joel, ii, 28).       É curioso notar que o Sr. R. Louis Stevenson, um dos mais poderosos de nossos escritores imaginativos, declarou recentemente a um repórter que tem o hábito de construir os enredos de seus contos em sonhos, e entre outros, o do Dr. Jekyll.

"Sonhei", continuou ele, "a história de 'Olalla' . . . e tenho no momento presente duas histórias não escritas que igualmente sonhei.... Mesmo quando profundamente adormecido, sei que sou eu quem está inventando.". . . Mas quem sabe se a ideia de "invenção" não é também "um sonho"! –––––––––– e — registram-nos em romances e obras de ficção.


Ai dos ignorantes e dos despreparados, e daqueles que escutam as sereias da ciência materialista! Pois, na verdade, na verdade, muitos serão os crimes inconscientes cometidos, e muitas serão as vítimas que sofrerão inocentemente a morte por enforcamento e decapitação às mãos de juízes justos e jurados demasiado inocentes, ambos igualmente ignorantes do poder diabólico da "SUGESTÃO". ––––––––––                    Obras Completas VOLUME VIII                                        Outubro,

CONHECIMENTO DE SI MESMO                               [Lucifer, Vol.

I, No. 2, Outubro, 1887, p. 89]

[Autoria um tanto incerta, mas presumivelmente de H. P. B.]

A primeira necessidade para obter o autoconhecimento é tornar-se profundamente consciente da ignorância; sentir com cada fibra do coração que se está incessantemente iludido a si mesmo.

O segundo requisito é a convicção ainda mais profunda de que tal conhecimento — tal conhecimento intuitivo e certo — pode ser obtido por meio do esforço.

O terceiro e mais importante é uma determinação indomável de obter e enfrentar esse conhecimento.

O autoconhecimento dessa espécie é inatingível pelo que os homens costumam chamar de "autoanálise". Não se alcança por raciocínio ou por qualquer processo cerebral; pois é o despertar para a consciência da natureza Divina do homem.

Obter esse conhecimento é uma realização maior do que comandar os elementos ou conhecer o futuro.

––––––––––                     Escritos Reunidos VOLUME VIII                                         Outubro,

VONTADE E DESEJO

VONTADE E DESEJO                                [Lucifer, Vol.

I, No. 2, Outubro, 1887, p. 96]

A vontade é a posse exclusiva do homem neste nosso plano de consciência.

Ela o separa do bruto, em quem apenas o desejo instintivo está ativo.

O desejo, em sua aplicação mais ampla, é a única força criativa no Universo.

Nesse sentido, é indistinguível da vontade; mas nós, homens, nunca conhecemos o desejo sob essa forma enquanto permanecemos apenas homens.

Portanto, Vontade e Desejo são aqui considerados como opostos.

Assim, a Vontade é a prole do Divino, o Deus no homem; o Desejo, a força motriz da vida animal.

A maioria dos homens vive em e pelo desejo, confundindo-o com a vontade.

Mas aquele que deseja alcançar deve separar a vontade do desejo e fazer de sua vontade o governante; pois o desejo é instável e sempre mutável, enquanto a vontade é firme e constante.

Tanto a vontade quanto o desejo são criadores absolutos, formando o próprio homem e seu ambiente.

Mas a vontade cria inteligentemente — o desejo, cega e inconscientemente.

O homem, portanto, faz a si mesmo à imagem de seus desejos, a menos que se crie à semelhança do Divino, por meio de sua vontade, a filha da luz.

Sua tarefa é dupla: despertar a vontade, fortalecê-la pelo uso e pela conquista, torná-la governante absoluta dentro de seu corpo; e, paralelamente a isso, purificar o desejo.

O conhecimento e a vontade são as ferramentas para a realização dessa purificação.

Escritos Reunidos VOLUME VIII                                               Outubro, 110                              BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

A ORIGEM DO MAL                                  [Lucifer, Vol.

I, No. 2, Outubro, 1887, pp. 109-119]

O problema da origem do mal só pode ser abordado filosoficamente se a fórmula indiana arcaica for tomada como base do argumento.

Somente a sabedoria antiga resolve a presença do demônio universal de maneira satisfatória. Ela atribui o nascimento do Cosmos e a evolução da vida à ruptura da UNIDADE primordial manifestada em pluralidade, ou à grande ilusão da forma.

Tendo a HOMOGENEIDADE se transformado em Heterogeneidade, os contrastes foram naturalmente criados: daí surgiu o que chamamos de MAL, que desde então reinou supremo neste "Vale de Lágrimas".     A filosofia ocidental materialista (tão mal nomeada) não deixou de se beneficiar dessa grande tese metafísica. Até mesmo a ciência física, com a Química à frente, voltou sua atenção recentemente para a primeira proposição e dirige seus esforços para provar, com dados irrefutáveis, a homogeneidade da matéria primordial.

Mas agora intervém o Pessimismo materialista, um ensinamento que não é nem filosofia nem ciência, mas apenas um dilúvio de palavras sem sentido.

O Pessimismo, em seu desenvolvimento mais recente, tendo deixado de ser panteísta e tendo se casado com o materialismo, prepara-se para tirar proveito da antiga fórmula indiana.

Mas o pessimista ateísta não se eleva mais alto do que o plasma homogêneo terrestre dos darwinistas.

Para ele, a ultima thule é a terra e a matéria, e ele vê, além da prima materia, apenas um vazio feio, um nada vazio.

Alguns dos pessimistas tentam poetizar sua ideia à maneira dos sepulcros caiados, ou dos cadáveres mexicanos, cujas faces e lábios horripilantes são espessamente cobertos de rouge.

A decadência da matéria perfura a máscara da vida aparente, não obstante todos os esforços em contrário.

O materialismo agora patrocina metáforas e imagens indianas.

Em uma nova obra sobre o assunto do Dr. Mainlander, Pessimismo e Progresso, aprende-se que o Panteísmo Indiano e o Pessimismo Alemão são idênticos; e que é a

A ORIGEM DO MAL

ruptura da matéria homogênea em material heterogêneo, a transição da uniformidade para a multiformidade, que resultou em um universo tão infeliz.

Diz o Pessimismo:—

Esta (transição) é precisamente o erro original, o pecado primordial, que toda a criação agora tem de expiar por meio de intenso sofrimento; é justamente esse pecado que, tendo lançado na existência tudo o que vive, mergulhou-o por isso nas profundezas abissais do mal e da miséria, das quais só há um meio possível de escapar, ou seja, pondo fim ao próprio ser.

Essa interpretação da fórmula oriental, atribuindo-lhe a primeira ideia de escapar da miséria da vida "pondo fim ao ser" — quer esse ser seja visto como aplicável a todo o Kosmos, quer apenas à vida individual — é um grave equívoco.

O panteísta oriental, cuja filosofia lhe ensina a distinguir entre Ser ou ESSE e existência condicionada, dificilmente se entregaria a uma ideia tão absurda quanto a postulação de tal alternativa.

Ele sabe que pode pôr fim apenas à forma, não ao ser — e somente neste plano de ilusão terrestre.

É verdade que ele sabe que, ao extinguir em si mesmo o Tanha (o desejo insatisfeito de existir, ou a "vontade de viver") — ele escapará gradualmente da maldição do renascimento e da existência condicionada.

Mas ele sabe também que não pode matar ou "pôr fim", nem mesmo à sua própria pequena vida, exceto como personalidade, o que, afinal, é apenas uma mudança de vestimenta.

E, crendo em apenas uma Realidade, que é o eterno Ser, a "CAUSA sem causa" da qual ele se exilou para um mundo de formas, ele considera as manifestações temporárias e progressivas dela no estado de Maya (mudança ou ilusão) como o maior mal, verdadeiramente; mas, ao mesmo tempo, como um processo na natureza, tão inevitável quanto as dores do nascimento.

É o único meio pelo qual ele pode passar das vidas limitadas e condicionadas de tristeza para a vida eterna, ou para aquele "Ser" absoluto, que é tão graficamente expresso na palavra sânscrita *sat*.

O "Pessimismo" do panteísta hindu ou budista é metafísico, abstruso e filosófico.

A ideia de que a matéria e suas manifestações proteanas são a fonte

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

e origem do mal e da tristeza universais é muito antiga, embora Gautama Buda tenha sido o primeiro a dar-lhe sua expressão definitiva.

Mas o grande Reformador Indiano certamente nunca pretendeu fazer dela uma alavanca para o pessimista moderno se agarrar, ou um cabide para o materialista pendurar seus dogmas distorcidos e perniciosos! O Sábio e Filósofo, que se sacrificou pela Humanidade vivendo por ela, a fim de salvá-la, ensinando aos homens a ver na existência sensorial da matéria apenas miséria, nunca teve em sua profunda mente filosófica qualquer ideia de oferecer um incentivo ao suicídio; seus esforços eram para libertar a humanidade de um apego demasiado forte à vida, que é a causa principal do Egoísmo — donde o criador de dor e sofrimento mútuos.

Em seu caso pessoal, Buda nos deixou um exemplo de fortaleza a seguir: em viver, não em fugir da vida.

Sua doutrina mostra o mal imanente, não na matéria, que é eterna, mas nas ilusões criadas por ela: através das mudanças e transformações da matéria gerando vida — porque essas mudanças são condicionadas e tal vida é efêmera.

Ao mesmo tempo, esses males são mostrados não apenas como inevitáveis, mas necessários.

Pois se quisermos discernir o bem do mal, a luz das trevas, e apreciar o primeiro, só podemos fazê-lo através dos contrastes entre os dois. Enquanto a filosofia de Buda aponta, em seu sentido literal, apenas para o lado sombrio das coisas neste plano ilusório; seu esoterismo, a alma oculta dela, afasta o véu e revela ao Arhat todas as glórias da VIDA ETERNA em toda a Homogeneidade da Consciência e do Ser.

Outro absurdo, sem dúvida, aos olhos da ciência materialista e até do Idealismo moderno, mas um fato para o Sábio e o Panteísta esotérico.

No entanto, a ideia fundamental de que o mal nasce e é gerado pelas complicações cada vez maiores do material homogêneo, que entra em forma e se diferencia cada vez mais à medida que essa forma se torna fisicamente mais perfeita, tem um lado esotérico que parece nunca ter ocorrido ao pessimista moderno.

Seu aspecto literal, contudo, tornou-se objeto de especulação para toda nação pensante antiga.

Mesmo na Índia, o

A ORIGEM DO MAL

pensamento primitivo, subjacente à fórmula já citada, foi desfigurado pelo sectarismo, e levou às observâncias ritualísticas, puramente dogmáticas, dos Hatha Yogis, em contraposição ao filosófico Raja Yoga védantico.

A especulação exotérica pagã e cristã, e mesmo o ascetismo monástico medieval, extraíram tudo o que puderam da ideia originalmente nobre, e a tornaram subserviente às suas visões sectárias de mentalidade estreita.

Suas falsas concepções da matéria levaram os cristãos, desde os primórdios, a identificar a mulher com o Mal e a matéria — não obstante a adoração prestada pela Igreja Católica Romana à Virgem.

Mas a mais recente aplicação da mal compreendida fórmula indiana pelos Pessimistas na Alemanha é bastante original, e bastante inesperada, como veremos.

Traçar qualquer analogia entre um ensinamento altamente metafísico e a teoria de Darwin da evolução física pareceria, em si mesma, uma tarefa bastante desesperadora.

Tanto mais que a teoria da seleção natural não prega qualquer extermínio concebível do ser, mas, ao contrário, um desenvolvimento contínuo e cada vez maior da vida.

Não obstante, a engenhosidade alemã conseguiu, por meio de paradoxos científicos e muito sofisma, dar-lhe uma aparência de verdade filosófica.

O próprio antigo princípio indiano não escapou à contestação por parte do pessimismo moderno.

O feliz descobridor da teoria de que a origem do mal data do Amoeba protoplasmático, que se dividiu para procriar, e assim perdeu sua imaculada homogeneidade, reivindicou a fórmula arcaica ariana em seu novo volume.

Ao exaltar sua filosofia e a profundidade das concepções antigas, ele declara que ela deveria ser vista "como a mais profunda verdade precogitada e roubada pelos sábios antigos do pensamento moderno"!! Assim, segue-se que o profundamente religioso Panteísmo do filósofo hindu e budista, e as ocasionais extravagâncias do materialista pessimista, são colocados no mesmo nível e identificados pelo "pensamento moderno". O abismo intransponível entre os dois é ignorado.

Pouco importa, ao que parece, que o Panteísta, não reconhecendo realidade no Kosmos manifestado, e o considerando como uma simples ilusão de seus sentidos, tenha de ver sua própria existência também como apenas um feixe de ilusões.


Quando, portanto, ele fala dos meios de escapar dos sofrimentos da vida objetiva, sua visão desses sofrimentos, e seu motivo para pôr fim à existência são inteiramente diferentes daqueles do materialista pessimista.

Para ele, a dor bem como a tristeza são ilusões, devidas ao apego a esta vida, e à ignorância.

Portanto, ele se esforça pela vida eterna e imutável, e pela consciência absoluta no estado de Nirvana; enquanto o pessimista europeu, tomando os "males" da vida como realidades, aspira, quando tem tempo para aspirar a algo além das ditas realidades mundanas, à aniquilação do "ser", como ele o expressa. Para o filósofo, há apenas uma vida real, a bem-aventurança nirvânica, que é um estado que difere em espécie, não apenas em grau, de qualquer um dos planos de consciência no universo manifestado.

O Pessimista chama "Nirvana" de superstição, e o explica como "cessação da vida", pois para ele a vida começa e termina na Terra.

O primeiro ignora em suas aspirações espirituais até mesmo a unidade homogênea integral, da qual o Pessimista alemão agora tanto se aproveita.

Ele conhece e acredita apenas na causa direta dessa unidade, eterna e sempre viva, porque é o ÚNICO não criado, ou melhor, não evolvido.

Portanto, todos os seus esforços são direcionados para a mais rápida reunião possível com, e retorno à sua condição pré-primordial, após sua peregrinação através desta ilusória série de vidas visionárias, com sua irreal fantasmagoria de percepções sensoriais.

Tal panteísmo pode ser qualificado como "pessimista" apenas por um crente em uma Providência pessoal; por alguém que contrasta sua negação da realidade de qualquer coisa "criada" — isto é, condicionada e limitada — com sua própria fé cega e não filosófica.

A mente oriental não se ocupa em extrair o mal de cada lei radical e manifestação da vida, nem em multiplicar cada quantidade fenomênica pelas unidades de males muitas vezes imaginários: o panteísta oriental simplesmente se submete ao inevitável, e tenta apagar de seu caminho na vida tantos "descidas

A ORIGEM DO MAL

ao renascimento" quanto puder, evitando a criação de novas causas kármicas.

O filósofo budista sabe que a duração da série de vidas de cada ser humano — a menos que ele alcance o Nirvana "artificialmente" ("toma o reino de Deus pela violência", em linguagem cabalística) — é dada, alegoricamente, nos quarenta e nove dias passados por Gautama, o Buda, sob a árvore Bodhi.

E o sábio hindu sabe, por sua vez, que tem de acender o primeiro e extinguir o quadragésimo nono fogo antes de alcançar sua libertação final.

Sabendo disso, tanto o sábio quanto o filósofo esperam pacientemente pela hora natural da libertação; enquanto seu infeliz copista, o Pessimista europeu, está sempre pronto a cometer, bem como a pregar, o suicídio.

Ignorante das inúmeras cabeças da hidra das existências, é incapaz de sentir o mesmo desprezo filosófico pela vida que sente pela morte e, assim, de seguir o sábio exemplo dado por seu irmão oriental.

Assim, o panteísmo filosófico é muito diferente do pessimismo moderno.

O primeiro baseia-se na compreensão correta dos mistérios do ser; o último é, na realidade, apenas mais um sistema de mal adicionado pela fantasia doentia à já grande soma dos males sociais reais.

Em verdade sóbria, não é filosofia, mas simplesmente uma calúnia sistemática da vida e do ser; as expressões biliosas de um dispéptico ou de um hipocondríaco incurável.

Nenhum paralelo pode jamais ser tentado entre os dois sistemas de pensamento.

As sementes do mal e da dor foram, de fato, o primeiro resultado e consequência da heterogeneidade do universo manifestado.

Ainda assim, são apenas uma ilusão produzida pela lei dos contrastes, que, como descrito, é uma lei fundamental da natureza.

Nem o bem nem o mal existiriam

––––––––––       Este é um tenet esotérico, e o leitor comum não entenderá muito dele. Mas o Teosofista que leu o Budismo Esotérico pode calcular o 7 por 7 dos quarenta e nove "dias" e os quarenta e nove "fogos", e entender que a alegoria se refere esotericamente às sete raças-raízes humanas consecutivas com suas sete subdivisões.

Cada mônada nasce na primeira e obtém libertação na última sétima raça.

Apenas um "Buda" é mostrado alcançando-a durante o curso de uma única vida.

––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

não fosse pela luz que mutuamente lançam um sobre o outro.

O ser, sob qualquer forma, tendo sido observado desde a criação do Mundo a oferecer esses contrastes, e o mal predominando no universo devido ao Egoísmo ou à egoidade, a rica metáfora oriental apontou para a existência como expiando o erro da natureza; e a alma humana (psique) foi, doravante, considerada como o bode expiatório e vítima da inconsciente SUPER-ALMA.

Mas não é ao Pessimismo, mas à Sabedoria, que isso deu origem.

Somente a ignorância é a mártir voluntária, mas o conhecimento é o mestre do Pessimismo natural.

Gradualmente, e pelo processo de hereditariedade ou atavismo, este último tornou-se inato no homem.

Está sempre presente em nós, por mais latente e silenciosa que seja sua voz no início.

Em meio às alegrias iniciais da existência, quando ainda estamos plenos das energias vitais da juventude, somos, no entanto, propensos, cada um de nós, ao primeiro espinho de dor, após um fracasso, ou ao súbito aparecimento de uma nuvem negra, a acusar a vida por isso; a sentir a vida como um fardo, e muitas vezes a amaldiçoar o nosso ser.

Isso mostra pessimismo em nosso sangue, mas ao mesmo tempo a presença dos frutos da ignorância.

À medida que a humanidade se multiplica, e com ela o sofrimento — que é o resultado natural de um número crescente de unidades que o geram — a tristeza e a dor se intensificam.

Vivemos numa atmosfera de melancolia e desespero, mas isso porque nossos olhos estão voltados para baixo e fixados na terra, com todas as suas manifestações físicas e grosseiramente materiais.

Se, em vez disso, o homem, prosseguindo em sua jornada de vida, olhasse — não para o céu, que é apenas uma figura de linguagem — mas para dentro de si mesmo e centrasse seu ponto de observação no homem interior, ele logo escaparia das voltas da grande serpente da ilusão.

Do berço ao túmulo, sua vida se tornaria então suportável e digna de ser vivida, mesmo em suas piores fases.

O pessimismo — essa suspeita crônica do mal oculto em toda parte — é, portanto, de natureza dupla e produz frutos de dois tipos.

É uma característica natural no homem físico e torna-se uma maldição apenas para os ignorantes.

É uma bênção para o espiritual; na medida em que faz este último entrar no caminho certo e o leva à descoberta de outra verdade igualmente fundamental; a saber, que tudo neste

A ORIGEM DO MAL mundo é apenas preparatório porque transitório.

É como uma fresta nas paredes escuras da prisão da vida terrena, através da qual irrompe um raio de luz do lar eterno, que, iluminando os sentidos internos, sussurra ao prisioneiro em sua casca de barro sobre a origem e o duplo mistério do nosso ser.

Ao mesmo tempo, é uma prova tácita da presença no homem daquilo que sabe, sem que lhe seja dito, a saber: — que há outra e melhor vida, uma vez que a maldição das vidas terrenas seja atravessada.

Esta explicação do problema e da origem do mal, sendo, como já foi dito, de caráter inteiramente metafísico, nada tem a ver com as leis físicas.

Pertencendo inteiramente à parte espiritual do homem, envolvê-lo superficialmente é, portanto, muito mais perigoso do que permanecer ignorante dele. Pois, como está na própria raiz da ética de Gautama Buddha, e como agora caiu nas mãos dos filisteus modernos do materialismo, confundir os dois sistemas de pensamento "pessimista" só pode levar ao suicídio mental, se não levar a algo pior.

A sabedoria oriental ensina que o espírito deve passar pela provação da encarnação e da vida, e ser batizado com a matéria antes de poder alcançar experiência e conhecimento.

Somente após isso ele recebe o batismo da alma, ou da autoconsciência, e pode retornar à sua condição original de deus, acrescida de experiência, culminando na onisciência.

Em outras palavras, ele só pode retornar ao estado original de homogeneidade da essência primordial através da adição do fruto do Karma, que sozinho é capaz de criar uma divindade consciente absoluta, distante apenas um grau do TODO absoluto.

Mesmo de acordo com a letra da Bíblia, o mal deve ter existido antes de Adão e Eva, que, portanto, são inocentes da calúnia do pecado original.

Pois, se não houvesse mal ou pecado antes deles, não poderia existir nem a Serpente tentadora nem uma Árvore do Conhecimento do bem e do mal no Éden.

As características dessa macieira são mostradas no versículo quando o casal provou do seu fruto: "Os olhos de ambos se abriram, e eles conheceram" muitas coisas além de saberem que estavam nus.


O excesso de conhecimento sobre as coisas da matéria é, portanto, corretamente mostrado como um mal.

Mas assim é, e é nosso dever examinar e combater a nova teoria perniciosa.

Até agora, o pessimismo permaneceu nas regiões da filosofia e da metafísica, e não demonstrava pretensões de invadir o domínio da ciência puramente física, como o darwinismo.

A teoria da evolução tornou-se quase universal agora, e não há escola (exceto as escolas dominicais e missionárias) onde ela não seja ensinada, com mais ou menos modificações do programa original.

Por outro lado, não há outro ensinamento mais abusado e aproveitado do que a evolução, especialmente pela aplicação de suas leis fundamentais à solução dos problemas mais complexos e abstratos da existência multifacetada do homem.

Ali, onde a psicologia e até mesmo a filosofia "temem pisar", a biologia materialista aplica sua marreta de analogias superficiais e conclusões preconcebidas.

Pior que tudo, ao afirmar que o homem é apenas um animal superior, mantém esse direito como inegavelmente pertencente ao domínio da ciência da evolução.

Paradoxos nesses "domínios" não chovem agora; eles despejam.

Como "o homem é a medida de todas as coisas", portanto o homem é medido e analisado pelo animal.

Um materialista alemão reivindica a evolução espiritual e psíquica como propriedade legítima da fisiologia e da biologia; somente os mistérios da embriologia e da zoologia, diz-se, seriam capazes de resolver os da consciência no homem e a origem de sua alma. Outro encontra justificativa para o suicídio no exemplo dos animais, que, quando cansados de viver, põem fim à existência pela inanição. Até então, o pessimismo, não obstante a abundância e o brilho de seus paradoxos, tinha um ponto fraco — a saber, a ausência de qualquer base real e evidente sobre a qual se apoiar.

Seus seguidores não tinham nenhum pensamento vivo e orientador que lhes servisse de farol e os ajudasse a evitar

––––––––––     Haeckel.

 Leo Bach.

––––––––––

A ORIGEM DO MAL

os bancos de areia da vida — reais e imaginários — tão profusamente semeados por eles mesmos sob a forma de denúncias contra a vida e o ser.

Tudo o que podiam fazer era contar com seus representantes, que ocupavam seu tempo de maneira muito engenhosa, senão proveitosa, prendendo os muitos e variados males da vida às proposições metafísicas de grandes pensadores alemães, como Schopenhauer e Hartmann, assim como meninos prendem caudas coloridas às pipas de seus mais velhos e se alegram ao vê-las lançadas ao ar.

Mas agora o programa será mudado.

Os pessimistas encontraram algo mais sólido e autoritativo, se menos filosófico, ao qual prender suas jeremiadas e lamentos, do que as pipas metafísicas de Schopenhauer.

O dia em que concordaram com as opiniões desse filósofo, que apontavam a VONTADE Universal como a perpetradora de todo o Mal do Mundo, passou para não mais voltar.

Nem ficarão mais satisfeitos com o vago "Inconsciente" de von Hartmann.

Eles têm buscado diligentemente um solo mais congenial e menos metafísico sobre o qual construir sua filosofia pessimista, e foram recompensados com sucesso, agora que a causa do Sofrimento Universal foi por eles descoberta nas leis fundamentais do desenvolvimento físico.

O Mal não será mais aliado ao Fantasma nebuloso e incerto chamado "VONTADE", mas a um fato real e óbvio: os pessimistas serão doravante rebocados pelos evolucionistas.

O argumento básico de seu representante foi dado na frase de abertura deste artigo.

O Universo e tudo o que nele existe surgiu em consequência da "fragmentação da UNIDADE em Pluralidade". Esta interpretação bastante obscura da fórmula indiana não é feita para se referir, como mostrei, na mente do Pessimista, à Unidade una, à abstração vedantina — Parabrahm: caso contrário, certamente não teria usado as palavras "fragmentação". Tampouco se ocupa muito com Mulaprakriti, ou o "Véu" de Parabrahm; nem mesmo com a matéria primordial manifestada pela primeira vez, exceto de forma inferencial, como decorre da exposição do Dr. Mainlander, mas principalmente com o protoplasma terrestre.

O espírito da divindade é inteiramente ignorado neste caso; evidentemente por causa da 120                        BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

necessidade de mostrar o todo como "o domínio legítimo da Ciência física". Em suma, a fórmula consagrada pelo tempo é reivindicada como tendo sua base e encontrando sua justificativa na teoria de que, a partir de "poucas, talvez uma, forma única da natureza mais simples" (Darwin), "todos os diferentes animais e plantas que vivem hoje, e todos os organismos que já viveram na Terra", desenvolveram-se gradualmente.

É este axioma da Ciência, nos dizem, que justifica e demonstra o princípio filosófico hindu.

O que é este axioma? Ora, é isto: a Ciência ensina que a série de transformações pelas quais a semente é levada a passar — a semente que cresce até se tornar uma árvore, ou se torna um óvulo, ou aquilo que se desenvolve em um animal — consiste em cada caso em nada mais do que a passagem da estrutura dessa semente, da forma homogênea para a heterogênea ou composta.

Esta é então a verdade científica que confronta a fórmula indiana com a dos Evolucionistas, identifica ambas, e assim exalta a sabedoria antiga ao reconhecê-la digna do pensamento materialista moderno.

Esta fórmula filosófica não é simplesmente corroborada pelo crescimento e desenvolvimento individual de espécies isoladas, explica nosso Pessimista; mas é demonstrada em geral como em detalhe.

Ela se mostra justificada na evolução e crescimento do Universo, bem como naqueles do nosso planeta.

Em suma, o nascimento, crescimento e desenvolvimento de todo o mundo orgânico em sua totalidade integral estão ali para demonstrar a sabedoria antiga.

Dos universais aos particulares, o mundo orgânico descobre-se sujeito à mesma lei de crescente elaboração, da transição da unidade para a pluralidade como "a fórmula fundamental da evolução da vida". Até mesmo o crescimento das nações, da vida social, das instituições públicas, o desenvolvimento das línguas, artes e ciências, tudo isso segue inevitável e fatalmente a lei abrangente de "a ruptura da unidade em pluralidade, e a passagem do homogêneo para a multiformidade". Mas, ao mesmo tempo em que segue a sabedoria indiana, nosso autor exagera essa lei fundamental à sua própria maneira e a distorce. Ele aplica essa lei até mesmo aos

A ORIGEM DO MAL

destinos históricos da humanidade.

Ele torna esses destinos subservientes a, e uma prova da, correção da concepção indiana.

Ele sustenta que a humanidade, como um todo integral, na proporção em que se desenvolve e progride em sua evolução, e se separa em suas partes, tornando-se cada uma um ramo distinto e independente da unidade—afasta-se cada vez mais de sua unidade original, saudável e harmoniosa.

As complicações do estabelecimento social, das relações sociais, assim como as da individualidade, todas levam ao enfraquecimento do poder vital, à relaxação da energia do sentimento e à destruição daquela unidade integral, sem a qual nenhuma harmonia interior é possível.

A ausência dessa harmonia gera uma discórdia interior que se torna a causa do maior sofrimento mental.

O mal tem suas raízes na própria natureza da evolução da vida e de suas complicações.

Cada um de seus passos adiante é, ao mesmo tempo, um passo dado em direção à dissolução de sua energia e leva à apatia passiva.

Tal é o resultado inevitável, ele diz, de toda complicação progressiva da vida; porque evolução ou desenvolvimento é uma transição do homogêneo para o heterogêneo, uma dispersão do todo em muitos, etc., etc.

Essa lei terrível é universal e se aplica a toda a criação, do infinitesimalmente pequeno até o homem, pois, como ele diz, é uma lei fundamental da natureza.

Ora, é justamente nessa visão unilateral da natureza física, que o autor alemão aceita sem um único pensamento quanto ao seu aspecto espiritual e psíquico, que sua escola está fadada ao certo fracasso.

Não se trata de saber se a referida lei da diferenciação e suas consequências fatais podem ou não se aplicar, em certos casos, ao crescimento e desenvolvimento das espécies animais, e mesmo do homem; mas simplesmente, uma vez que é a base e o principal sustentáculo de toda a nova teoria da escola pessimista, se ela é realmente uma lei universal e fundamental? Queremos saber se essa fórmula básica da evolução abrange todo o processo de desenvolvimento e crescimento em sua totalidade; e se, de fato, ela está dentro do domínio da ciência física ou não.

Se ela é "nada mais do que a transição do estado homogêneo para o heterogêneo", como diz Mainländer, então resta provar que o processo dado "produz essa complicada combinação de tecidos e órgãos que forma e completa o perfeito animal e a perfeita planta." Como já foi observado por alguns críticos do Pessimismo e do Progresso, o pessimista alemão não duvida disso por um só momento.


Sua suposta descoberta e ensino "repousam inteiramente sobre sua certeza de que o desenvolvimento e a lei fundamental do complicado processo de organização representam apenas uma coisa: a transformação da unidade em pluralidade." Daí a identificação do processo com a dissolução e a decadência, e o enfraquecimento de todas as forças e energias.

Mainländer teria razão em suas analogias se essa lei da diferenciação do homogêneo no heterogêneo realmente representasse a lei fundamental da evolução da vida.

Mas a ideia é bastante errônea — metafisicamente, bem como fisicamente.

A evolução não procede em linha reta; tampouco qualquer outro processo na natureza, mas viaja ciclicamente, como faz todo o resto.

As serpentes cíclicas engolem suas próprias caudas, como a Serpente da Eternidade.

E é nisto que a fórmula indiana, que é um ensinamento da Doutrina Secreta, é de fato corroborada pelas ciências naturais, e especialmente pela biologia.

Isto é o que lemos nas "Cartas Científicas" de um autor e crítico russo anônimo.

Na evolução dos indivíduos isolados, na evolução do mundo orgânico, na do Universo, como no crescimento e desenvolvimento do nosso planeta — em suma, onde quer que ocorram quaisquer dos processos de complexidade progressiva, ali encontramos, além da transição da unidade para a pluralidade, e da homogeneidade para a heterogeneidade, uma transformação inversa — a transição da pluralidade para a unidade, do heterogêneo para o homogêneo.

. . . A observação minuciosa do processo dado de complexidade progressiva mostrou que o que nele ocorre não é apenas a separação das partes, mas também a sua absorção mútua.

. . . . Enquanto uma porção das células se funde umas nas outras e se une num todo uniforme, formando fibras musculares, tecido muscular, outras são absorvidas nos tecidos ósseo e nervoso, etc., etc.

O mesmo ocorre na formação das plantas.

. . . .

Neste caso, a natureza material repete a lei que atua na evolução do psíquico e do espiritual: ambos

A ORIGEM DO MAL

descem, mas para reascender e fundir-se no ponto de partida.

A massa ou elemento formativo homogêneo, diferenciado em suas partes, é gradualmente transformado no heterogêneo; então, fundindo essas partes num todo harmonioso, recomeça um processo inverso, ou reinvolução, e retorna gradualmente ao seu estado primitivo ou primordial.

Tampouco o Pessimismo encontra melhor apoio no Materialismo puro, pois até agora este último tem sido tingido com um viés decididamente otimista.

Seus principais defensores, de fato, nunca hesitaram em zombar da adoração teológica da “glória de Deus e de todas as suas obras”. Büchner lança um insulto ao panteísta que vê em um mundo tão “louco e mau” a manifestação do Absoluto.

Mas, no geral, os materialistas admitem um equilíbrio do bem sobre o mal, talvez como um amortecedor contra qualquer tendência “supersticiosa” de olhar para fora e esperar por um melhor.

Por mais estreita que seja sua visão, e limitado que seja seu horizonte espiritual, eles ainda não veem motivo para desesperar do rumo das coisas em geral.

Os pessimistas panteístas, no entanto, nunca cessaram de insistir que um desespero do ser consciente é o único resultado legítimo da negação ateísta.

Essa opinião é, naturalmente, axiomática, ou deveria sê-lo. Se “nesta vida somente há esperança”, a tragédia da vida é absolutamente sem qualquer raison d’être, e uma perpetuação do drama é tão tola quanto fútil.

O fato de que as conclusões do pessimismo foram finalmente assimiladas por uma certa classe de escritores ateístas é uma característica marcante dos dias atuais, e outro sinal dos tempos.

Isso ilustra o truísmo de que o vazio criado pela negação científica moderna não pode e nunca poderá ser preenchido pelas frias perspectivas oferecidas como um consolo aos otimistas.

O “entusiasmo da Humanidade” comtiano é coisa bem pobre, com a aniquilação da Raça a sobrevir “à medida que os fogos solares se apagam lentamente” — se, de fato, eles se apagam — para satisfazer a ciência física no tempo calculado.

Se toda a presente dor e sofrimento, a feroz luta pela existência e todos os seus horrores concomitantes, nada significam a longo prazo, se o HOMEM é um mero efêmero, o brinquedo de forças cegas, por que auxiliar na perpetuação da farsa? A “incessante moagem da matéria, da força e da lei” apenas apressará os milhões humanos fervilhantes para o eterno esquecimento e, em última análise, não deixará traço ou memória do passado, quando as coisas retornarem à nebulosidade da névoa ígnea, de onde emergiram.


A vida terrestre não é um objetivo em si mesma.

Ela está encoberta de trevas e miséria.

Não parece estranho, então, que o negativista cego de alma prefira o pessimismo de Schopenhauer ao otimismo infundado de Strauss e seus seguidores, que, diante de seus ensinamentos, lembra os espíritos animais de um jumentinho, após uma boa refeição de cardos.

Uma coisa, contudo, é clara: a absoluta necessidade de alguma solução que abarque os fatos da existência sobre uma base otimista.

A Sociedade moderna está permeada de um cinismo crescente e minada pelo desgosto da vida.

Isso é o resultado de uma total ignorância das operações do Karma e da natureza da evolução da Alma.

É por uma lealdade equivocada aos dogmas de uma teoria mecânica e em grande parte espúria da Evolução que o Pessimismo ascendeu a tão indevida importância.

Uma vez apreendida a base da Grande Lei — e que filosofia pode fornecer melhores meios para tal apreensão e solução final do que a doutrina esotérica dos grandes Sábios indianos? — não resta nenhum locus standi possível para as recentes emendas ao sistema de pensamento schopenhaueriano ou para as sutilezas metafísicas, tecidas pelo “filósofo do Inconsciente”. A razoabilidade da Existência Consciente só pode ser provada pelo estudo da filosofia primeva — agora esotérica.

E ela diz: “não há nem morte nem vida, pois ambas são ilusões; o ser (ou ser-em-si) é a única realidade.” Esse paradoxo foi repetido milhares de eras depois por um dos maiores fisiologistas que já existiram.

“A vida é a morte”, disse Claude Bernard.

O organismo vive porque suas partes estão sempre morrendo.

A sobrevivência do mais apto certamente se baseia nessa verdade.

A vida do todo superior exige a morte do inferior, a morte das partes que dele dependem e a ele estão subservientes. E, assim como a vida é morte, a morte é vida, e todo o grande ciclo de vidas forma UMA ÚNICA EXISTÊNCIA — cujo pior dia é em nosso planeta.

O GRANDE PARADOXO

Aquele que SABE tirará o melhor proveito disso. Pois há uma aurora para cada ser, uma vez liberto da ilusão e da ignorância pelo Conhecimento; e ele por fim proclamará em verdade e plena Consciência a Mahamaya:
        “QUEBRADA ESTÁ TUA CASA, E A VIGA DO TELHADO FENDEU!
           A ILUSÃO A FORJOU!
         PASSO SEGURO DAQUI — PARA A LIBERTAÇÃO ALCANÇAR.”

H. P. B. ––––––––––      [Sir Edwin Arnold, The Light of Asia, fim do Livro VI.] ––––––––––

––––––––––                         Escritos Reunidos VOLUME VIII                                               Outubro,

O GRANDE PARADOXO                                  [Lucifer, Vol.

I, No. 2, Outubro, 1887, pp. 120-122]

[A autoria deste artigo é algo incerta.

Algumas de suas frases e expressões não       parecem ser do estilo de H. P. B., contudo a “atmosfera” é dela.

Bertram Keightley, intimamente associado       a ela no trabalho Editorial relacionado a Lucifer, afirma definitivamente em suas Reminiscências de H. P.       Blavatsky (Adyar: Theos.

Publ.

House, 1931) que, além de escrever seus próprios Editoriais, H. P. B. também       escreveu “muitos outros artigos sob mais de um nom de plume,” e o de “Faust,” anexado ao       final do presente artigo, pode ter sido um deles.—Compilador.]

O paradoxo pareceria ser a linguagem natural do ocultismo.

Mais ainda, pareceria penetrar profundamente no coração das coisas e, assim, ser inseparável de qualquer tentativa de pôr em palavras a verdade, a realidade que subjaz às aparências externas da vida.

E o paradoxo não é apenas em palavras, mas em ação, na própria conduta da vida.

Os paradoxos do ocultismo devem ser vividos, não apenas proferidos.

Aqui reside um grande perigo, pois é muito fácil perder-se na contemplação intelectual do caminho e, assim, esquecer que a estrada só pode ser conhecida trilhando-a.


Um paradoxo surpreendente encontra o estudante logo de início e o confronta em formas sempre novas e estranhas a cada curva do caminho.

Tal pessoa, porventura, buscou o caminho desejando um guia, uma regra de retidão para a conduta de sua vida.

Ele aprende que o alfa e o ômega, o princípio e o fim da vida é o altruísmo; e sente a verdade do ditado de que somente na profunda inconsciência do esquecimento de si mesmo a verdade e a realidade do ser podem se revelar ao seu coração anelante.

O estudante aprende que esta é a única lei do ocultismo, ao mesmo tempo a ciência e a arte de viver, o guia para a meta que deseja alcançar.

Ele se inflama de entusiasmo e adentra corajosamente a trilha da montanha.

Ele então descobre que seus mestres não incentivam seus arroubos ardentes de sentimento; seu anseio que tudo esquece pelo Infinito — no plano externo de sua vida e consciência reais.

Ao menos, se não abafam de fato seu entusiasmo, eles o colocam, como primeira e indispensável tarefa, a conquistar e controlar seu corpo.

O estudante descobre que, longe de ser encorajado a viver nos pensamentos elevados de seu cérebro e a imaginar que alcançou aquele éter onde está a verdadeira liberdade — ao esquecimento de seu corpo, de suas ações externas e de sua personalidade —, ele é posto diante de tarefas muito mais próximas da terra.

Toda a sua atenção e vigilância são exigidas no plano externo; ele nunca deve esquecer-se de si mesmo, nunca perder o domínio sobre seu corpo, sua mente, seu cérebro.

Ele deve até aprender a controlar a expressão de cada traço fisionômico, a conter a ação de cada músculo, a ser senhor de cada mínimo movimento involuntário.

A vida diária ao redor e dentro dele é apontada como objeto de seu estudo e observação.

Em vez de esquecer o que comumente se chama de pequenas ninharias, os pequenos esquecimentos, os lapsos acidentais de língua ou memória, ele é forçado a tornar-se cada dia mais consciente dessas falhas, até que por fim elas parecem envenenar o ar que respira e sufocá-lo, até que ele parece perder de vista e de contato o grande mundo de liberdade em direção ao qual luta, até que cada hora de cada dia parece cheia do amargo sabor do eu, e seu coração adoece de dor e da luta do desespero.

E a escuridão se torna ainda mais profunda pela voz interior

O GRANDE PARADOXO

nele, clamando incessantemente: "Esquece-te de ti mesmo.

Cuidado, para que não te tornes autoconcentrado — e a erva daninha gigante do egoísmo espiritual crie raízes firmes em teu coração; cuidado, cuidado, cuidado!" A voz agita seu coração até o fundo, pois ele sente que as palavras são verdadeiras.

Sua batalha diária e de cada hora está lhe ensinando que a autocentralidade é a raiz da miséria, a causa da dor, e sua alma está plena de anseio por ser livre.

Assim, o discípulo é dilacerado pela dúvida.

Ele confia em seus mestres, pois sabe que através deles fala a mesma voz que ouve no silêncio de seu próprio coração.

Mas agora eles proferem palavras contraditórias; uma, a voz interior, ordenando-lhe que se esqueça de si mesmo por completo no serviço à humanidade; a outra, a palavra falada daqueles de quem ele busca orientação em seu serviço, ordenando-lhe primeiro que conquiste seu corpo, seu eu exterior.

E ele sabe melhor a cada hora quão mal se sai nessa batalha contra a Hidra, e vê sete cabeças brotarem de novo no lugar de cada uma que ele decepou.

A princípio, ele oscila entre as duas, ora obedecendo a uma, ora à outra.

Mas logo aprende que isso é infrutífero.

Pois a sensação de liberdade e leveza, que vem a princípio quando ele deixa seu eu exterior sem vigilância, para que possa buscar o ar interior, logo perde sua intensidade, e algum choque súbito revela-lhe que ele escorregou e caiu no caminho ascendente.

Então, em desespero, ele se lança sobre a traiçoeira serpente do eu, e se esforça para sufocá-la até a morte; mas suas espirais sempre em movimento escapam de seu alcance, as insidiosas tentações de suas escamas brilhantes cegam sua visão, e novamente ele se envolve na turbulência da batalha, que ganha terreno sobre ele dia após dia, e que por fim parece preencher o mundo inteiro, e apagar tudo o mais de sua consciência.

Ele está face a face com um paradoxo esmagador, cuja solução deve ser vivida antes que possa ser verdadeiramente compreendida.

Em suas horas de meditação silenciosa, o estudante descobrirá que há um espaço de silêncio dentro dele onde pode encontrar refúgio dos pensamentos e desejos, da turbulência dos sentidos e das ilusões da mente.

Ao mergulhar sua consciência profundamente em seu coração, ele pode alcançar este lugar — a princípio apenas quando está sozinho em silêncio e escuridão.


Mas quando a necessidade do silêncio tiver crescido o suficiente, ele buscará encontrá-lo mesmo em meio à luta contra o eu, e o encontrará. Apenas não deve soltar seu eu exterior, ou seu corpo; deve aprender a se retirar para esta cidadela quando a batalha se torna feroz, mas fazê-lo sem perder de vista a batalha; sem permitir-se imaginar que, ao assim proceder, conquistou a vitória.

Essa vitória só é conquistada quando tudo é silêncio, tanto fora quanto dentro da cidadela interior.

Lutando assim, desde dentro desse silêncio, o estudante descobrirá que resolveu o primeiro grande paradoxo.

Mas o paradoxo ainda o segue.

Quando ele consegue, pela primeira vez, assim retirar-se para dentro de si, busca ali apenas refúgio da tempestade em seu coração.

E enquanto luta para controlar as rajadas de paixão e desejo, percebe mais plenamente quão poderosas forças ele jurou conquistar.

Ele ainda se sente, à parte do silêncio, mais próximo em afinidade com as forças da tempestade.

Como pode sua força diminuta lidar com esses tiranos da natureza animal? Esta questão é difícil de responder em palavras diretas; se, de fato, tal resposta pode ser dada.

Mas a analogia pode apontar o caminho onde a solução pode ser buscada.

Ao respirar, levamos uma certa quantidade de ar para os pulmões, e com esta podemos imitar em miniatura o poderoso vento do céu.

Podemos produzir uma débil aparência da natureza: uma tempestade em um copo d'água, uma ventania para soprar e até mesmo fazer naufragar um barco de papel.

E podemos dizer: "Eu faço isto; é o meu sopro." Mas não podemos soprar nosso hálito contra um furacão, muito menos reter os ventos alísios em nossos pulmões.

Contudo, os poderes do céu estão dentro de nós; a natureza das inteligências que guiam a força do mundo está mesclada com a nossa, e se pudéssemos perceber isto e esquecer nossos eus exteriores, os próprios ventos seriam nossos instrumentos.

Assim é na vida.

Enquanto um homem se apega ao seu eu exterior—sim, e até mesmo a qualquer uma das formas que assume quando este "envoltório mortal" é lançado de lado—tanto tempo ele está tentando soprar para longe um furacão com o hálito de seus pulmões.

DESEJO PURIFICADO

É inútil e vão tal esforço; pois os grandes ventos da vida devem, mais cedo ou mais tarde, varrê-lo.

Mas se ele muda sua altitude em si mesmo, se age na fé de que seu corpo, seus desejos, suas paixões, seu cérebro, não são ele mesmo, embora tenha encargo deles e seja responsável por eles; se tenta lidar com eles como partes da natureza, então pode esperar tornar-se uno com as grandes marés do ser, e alcançar o lugar pacífico do seguro esquecimento de si, por fim.

"FAUSTO."

–––––––––– Escritos Reunidos VOLUME VIII Outubro,

DESEJO PURIFICADO [Lucifer, Vol.

I, No. 2, Outubro, 1887, p. 133]

Quando o desejo é pelo puramente abstrato—quando perdeu todo traço ou matiz de "eu"—então tornou-se puro.

O primeiro passo para essa pureza é eliminar o desejo pelas coisas da matéria, uma vez que estas só podem ser desfrutadas pela personalidade separada.

O segundo é cessar de desejar para si mesmo até mesmo tais abstrações como poder, conhecimento, amor, felicidade ou fama; pois não passam de egoísmo, afinal de contas.

A própria vida ensina essas lições; pois todos esses objetos de desejo revelam-se frutos do Mar Morto no momento da conquista.

Isso aprendemos pela experiência.

A percepção intuitiva apreende a verdade positiva de que a satisfação só é alcançável no infinito; a vontade torna essa convicção um fato real de consciência, até que — por fim — todo desejo se centra no Eterno.

Escritos Reunidos, VOLUME VIII                                               Outubro, UMA AVENTURA ENTRE OS ROSACRUZES                                         POR UM ESTUDANTE DE OCULTISMO


[Lucifer, Vol.

I, Nº 2, Outubro de 1887, pp. 145-148]

Uma pequena história estranha e original, encantadoramente fantástica, mas repleta de sentimento poético e, o que é mais, de profundas verdades filosóficas e ocultas, para aqueles que conseguem perceber a base sobre a qual está construída.

Uma Écloga renovada de Virgílio em sua primeira parte, descritiva das paisagens alpinas do Tirol, onde o autor “sonhou” sua aventura, com “glaciares brilhantes cintilando como vastos espelhos à luz do sol nascente”, desfiladeiros profundos com riachos impetuosos dançando entre os penhascos, lagos azuis adormecidos entre os prados, e vales salpicados de margaridas repousando à sombra de antigas florestas de pinheiros.

Gradualmente, à medida que o herói da “Aventura” ascendia cada vez mais alto, ele começava a perder a noção do mundo do real, para passar inconscientemente para a terra dos sonhos despertos.

Nessas solidões, nada há que lembre a existência do homem, exceto ocasionalmente o tronco serrado de uma árvore, mostrando a influência destrutiva da atividade humana.

Em alguns troncos velhos, podres e ocos, a água da chuva se acumulou, cintilando ao sol como pequenos espelhos, tais como poderiam ser usados por ninfas das águas, e ao redor de suas bordas crescem cogumelos, que nossa imaginação transforma em cadeiras, mesas e baldaquinos para elfos e fadas.

. . . . . . . . . Nenhum som podia agora ser ouvido, exceto ocasionalmente a nota de um chapim e o grito de um falcão que se elevava em espiral longa e alongada bem alto no ar.

. . . . . . . .

Lançando-se sobre o musgo, ele começa a observar o brincar da água até que ela se torna “viva com formas”

––––––––––       Boston: Occult Publishing Co., 1887.       [Isto se refere ao Dr. Franz Hartmann (1838-1912), um notável médico, filósofo e místico alemão, que foi um dos trabalhadores mais produtivos nos primeiros dias do Movimento Teosófico, e amigo pessoal de H. P. B. Ele foi um grande estudioso de Paracelso e do ocultismo medieval em geral.

Ver para mais dados o Índice Bio-Bibliográfico, s.v. HARTMANN.—Compilador.] ––––––––––

ENTRE OS ROSACRUZES

das formas mais singulares", com seres supramundanos dançando no borrifo, "sacudindo suas cabeças ao sol e lançando chuvas de prata líquida de seus cabelos ondulantes". . .

Suas risadas soavam como as das Cataratas de Minnehaha, e das fendas das rochas espreitavam os rostos feios de gnomos e kobolds, observando sorrateiramente as fadas.

Então o sonhador se faz uma variedade de perguntas da natureza mais perplexa, exceto, talvez, para o materialista, que corta todo problema psicológico como Alexandre fendeu o nó górdio.

. . .     "Qual é a razão de imaginarmos tais coisas?" ele indaga.

Por que dotamos coisas "mortas" de consciência humana e de sensação? . . . . . . . . A nossa consciência é meramente um produto da atividade orgânica do nosso corpo físico, ou é uma função da vida universal . . . . . dentro do corpo? A nossa consciência pessoal depende, para sua existência, da existência do corpo físico, e morre com ele; ou existe uma consciência espiritual, pertencente a um eu superior, imortal e invisível do homem, temporariamente conectada ao organismo, mas que pode existir independentemente deste? Se tal é o caso, se o nosso organismo físico é meramente um instrumento através do qual a nossa consciência atua, então este instrumento não é o nosso eu real.

Se isto é verdade, então o nosso eu real está lá onde a nossa consciência existe, e pode existir independentemente desta.

. . . . . . Pode haver qualquer matéria morta no Universo? Não é mesmo uma pedra mantida unida pela "coesão" de suas partículas, e atraída à terra pela "gravitação"? Mas o que mais é esta "coesão" e "gravitação" senão energia, e o que é "energia" senão a alma, um princípio anterior chamado força, que produz uma manifestação externa chamada matéria? . . . . . . . . Todas as coisas possuem vida, todas as coisas possuem alma, e pode haver seres-alma . . . . . . . invisíveis aos nossos sentidos físicos, mas que podem ser percebidos pela nossa alma.

[p.19.]

O arquidruida do moderno Hilo-Idealismo, Dr. Lewins, não aparecendo para sacudir rudemente nosso filósofo de seus pensamentos não científicos, um anão aparece em seu lugar.

A criatura, no entanto, não adverte o sonhador, como aquele Idealista demasiado erudito o faria.

Ele não lhe diz que transcende “os limites da anatomia de seu Ego consciente,” já que “a psicose é agora diagnosticada pela sintomatologia médico-psicológica como vesículo-neurose em atividade,” e—como disse o corvo—“apenas isso, e nada mais.” Mas sendo um cretino, ele o convida rindo para seu “Mestre.” O herói o segue e descobre que foi levado a um “mosteiro teosófico,” em um vale oculto da mais esplêndida descrição.


Ali ele encontra, para sua surpresa, adeptos de ambos os sexos; pois, como aprende mais tarde:—

O que a inteligência tem a ver com o sexo do corpo? Onde os instintos sexuais terminam, aí termina a influência do sexo.

Enquanto isso, ele é levado à presença de um adepto masculino de aparência majestosa, que o recebe e informa que ele está entre “Os Irmãos da Cruz Dourada e Rosacruz.” Ele é convidado a permanecer com eles por algum tempo e ver como vivem.

Sua residência permanente com eles, no entanto, é objetada. As razões dadas para isso são as seguintes:—
Ainda há muitos dos elementos inferiores e animais aderindo à sua constituição.

. . . . . . Eles não poderiam resistir por muito tempo à influência destrutiva do ar puro e espiritual deste lugar; e, como você ainda não tem uma quantidade suficiente de elementos verdadeiramente espirituais em seu organismo para torná-lo firme e forte, você, permanecendo aqui, logo se tornaria fraco e definharia, como uma pessoa em consumo; você se tornaria miserável em vez de feliz, e morreria.

Então segue uma conversa filosófica sobre a VONTADE, na qual esta, no homem individual, diz-se que se torna mais forte se apenas usar o Poder-Vontade universal na Natureza, permanecendo ela mesma passiva na LEI.

Esta frase deve ser bem compreendida, para não levar o leitor ao erro de aceitar a passividade mediúnica pura como a melhor coisa para o desenvolvimento espiritual e oculto.

Um fenômeno é produzido em uma nuvem passageira, na qual vida aparente é infundida pela mão do Mestre, estendida em sua direção; isso é novamente explicado mostrando que a VIDA é universal e idêntica à VONTADE.

Outros fenômenos

–––––––––– O que é Religião? Uma Reivindicação do Livre Pensamento.

Por C. N., [Constance Naden], anotado por Robert Lewins, M. D. Ver seus Apêndices, p. 35 e seguintes.

––––––––––

ENTRE OS ROSACRUZES

coisas ainda mais maravilhosas se seguem; e todas são explicadas como sendo produzidas através de leis naturais, nas quais a ciência não acreditará.

Os pensamentos do estudante são lidos e respondidos como se sua mente fosse um livro aberto.

Um lindo jardim, repleto de plantas exóticas e luxuosas palmeiras, para o qual ele é levado, causando-lhe a impressão de algo não natural nos Alpes Tirolenses; além disso, tanto luxo parecendo-lhe discordar das visões ascéticas acabadas de expressar pelo adepto, ele é informado imediatamente, em resposta aos seus pensamentos não ditos, de que o jardim fora erguido para tornar sua visita agradável; e que era uma ilusão.

“Todas essas árvores e plantas . . . . não requerem jardineiros, . . . . . . não nos custam nada além de um esforço de nossa imaginação”—ele aprende.

“Certamente,” disse ele, “esta rosa não pode ser uma ilusão . . . . ou um efeito da minha imaginação?” “Não,” respondeu o adepto . . . . “mas é um produto da imaginação da Natureza, cujos processos podem ser guiados pela vontade do adepto.

O mundo inteiro . . . . nada mais é do que um mundo da imaginação da Mente Universal, que é o Criador das formas.

. . . . ” Para exemplificar o ensinamento, uma Árvore de Magnólia em plena floração, com sessenta pés de altura, situada à distância, é feita para parecer cada vez menos densa.

A folhagem verde esmaece para o cinza, torna-se “cada vez mais sombria e transparente,” até que “parecia ser meramente o fantasma de uma árvore, e finalmente desapareceu inteiramente de vista.”

Assim [continuou o adepto] você vê que aquela árvore estava na esfera da minha mente assim como estava na sua.

Todos nós vivemos dentro da esfera da mente uns dos outros.

. . . . . . . O Adepto cria suas próprias imagens; o mortal comum vive nos produtos da imaginação dos outros, ou da imaginação da natureza.

Vivemos no paraíso de nossa própria alma, mas as esferas de nossas almas não são estreitas.

Elas se expandiram muito além dos limites dos corpos visíveis, e continuarão a se expandir até se tornarem uma só com a alma universal.

. . .. . . . .

O poder da imaginação é ainda pouco conhecido pela humanidade, caso contrário eles tomariam mais cuidado com o que pensam.

Se um homem pensa um pensamento bom ou mau, esse pensamento faz surgir uma forma ou poder correspondente que pode assumir densidade e tornar-se vivo . . . . . . e viver muito depois do corpo físico de

BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

o homem que o criou morreu.

Ele acompanhará sua alma após a morte, porque as criações são atraídas ao seu criador.

[p. 83.]

Espalhadas aqui e ali, através deste pequeno volume, estão pérolas de sabedoria.

Pois aquilo que é apresentado em forma de diálogo e monólogo é o fruto colhido pelo autor durante uma longa pesquisa em antigos e esquecidos MSS. mofados.

dos Rosacruzes, ou alquimistas medievais, e nos infólios carcomidos de grandes adeptos não reconhecidos, porém de todas as épocas.

Assim, quando o autor aborda o assunto dos retiros ou comunidades teosóficas — um sonho acalentado por muitos teosofistas — ele é respondido pelo "Adepto" de que "o verdadeiro asceta é aquele que vive no mundo, cercado por suas tentações; aquele em cuja alma os elementos animais ainda estão ativos, ansiando pela gratificação de seus desejos e possuindo os meios para tal gratificação, mas que pelo poder superior de sua vontade conquista seu eu animal.

Tendo alcançado esse estado, ele pode retirar-se do mundo.

. . . Ele não espera recompensa futura no céu; pois o que poderia o céu lhe oferecer, exceto a felicidade que ele já possui? Ele não deseja outro bem, senão criar o bem para o mundo." . . . . Diz o Adepto.

Se pudésseis estabelecer mosteiros teosóficos, onde o desenvolvimento intelectual e espiritual caminhassem de mãos dadas, onde uma nova ciência pudesse ser ensinada, baseada em um verdadeiro conhecimento das leis fundamentais do universo, e onde ao mesmo tempo o homem fosse ensinado a obter domínio sobre si mesmo, conferiríeis o maior benefício possível ao mundo.

Tal convento ofereceria imensa vantagem para o avanço da pesquisa intelectual.

. . . . . . . Esses conventos tornar-se-iam centros de inteligência.

. .....

Então, lendo os pensamentos do estudante:

Vós vos enganais [acrescentou], não é a falta de dinheiro que nos impede de executar a ideia.

É a impossibilidade de encontrar o tipo adequado de pessoas para habitar o convento depois de estabelecido.

De fato, seríamos pobres Alquimistas se não pudéssemos produzir ouro em qualquer quantidade desejável . . . . . . mas o ouro é uma maldição para a humanidade, e não desejamos aumentar a maldição.

. . . . . . . . Distribuí ouro entre os homens, e apenas criareis anseio por mais; dai-lhes ouro, e os transformareis em demônios.

Não, não é ouro que necessitamos; são homens que anseiam por sabedoria.

Há milhares que desejam

ENTRE OS ROSACRUZES

conhecimento, mas poucos que desejam sabedoria.

. . . . Até mesmo muitos de seus pretensos Ocultistas . . . . . . . iniciaram suas investigações meramente para satisfazer a curiosidade ociosa, enquanto outros desejam espiar os segredos da natureza, para obter conhecimento que almejam empregar na consecução de fins egoístas.

Dai-nos homens ou mulheres que não desejem nada além da verdade, e cuidaremos de suas necessidades.

. . . . .     E então, após apresentar um quadro surpreendentemente verdadeiro da civilização moderna, e explicar o lado oculto de certas coisas relacionadas ao conhecimento, o Adepto conduziu o estudante ao seu laboratório, onde o deixou por alguns minutos a sós.

Então outro adepto, com aparência de monge, juntou-se a ele, e chamou sua atenção para alguns pós, por cujas fumigações os Elementais, ou "Espíritos da Natureza", poderiam ser feitos para aparecer.

Isso despertou a curiosidade do estudante.

Certo de sua invulnerabilidade em matéria de provas e tentações, ele suplicou que lhe fosse permitido ver essas criaturas.

. . .     De repente, a sala pareceu escurecer, e as paredes do laboratório desapareceram.

Ele sentiu que estava na água, leve como uma pluma, dançando sobre as ondas, com a lua cheia derramando torrentes de luz sobre o oceano, e a bela Ilha de Ceilão aparecendo ao longe.

O som melodioso de vozes femininas fez com que ele divisasse, perto de onde estava, três belos seres femininos.

A Rainha das Ondinas, a mais encantadora das três—pois essas eram os tão ansiados Elementais—seduz o incauto estudante ao seu palácio submarino.

Ele a segue e, esquecendo-se de conventos teosóficos, Adeptos e Ocultismo, sucumbe à tentação.

. . .

……………………………………………………………………………………………

Foi apenas um sonho? Assim pareceria.

Pois ele desperta no relvado musgoso onde se deitara para descansar pela manhã, e de onde seguira o anão.

Mas como se explica que ele encontre em sua botoeira o lírio exótico dado a ele pela dama adepto, e em seu bolso a peça de ouro transmutada em sua presença pelo "Mestre"? Ele corre para casa e encontra sobre a mesa de seu quarto de hotel uma obra prometida sobre "Os Símbolos Secretos dos Rosacruzes", e em sua folha de rosto algumas palavras a lápis.


Diziam assim:—     "Amigo, lamento . . . não posso convidá-lo a nos visitar novamente por enquanto.

Aquele que deseja permanecer no vale pacífico deve saber resistir a todas as atrações sensuais, até mesmo às da Rainha das Águas."

Estudai... trazei o círculo ao quadrado, mortificai os metais.... Quando tiverdes êxito, nos encontraremos novamente.... Estarei convosco quando precisardes de mim.” A obra termina com a citação da Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios, onde o homem arrebatado ao Paraíso (se no corpo ou fora do corpo... Deus o sabe) “ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar.” A “aventura” vale mais que a pena ser lida.

–––––––––– SRTA. FRANCESCA ARUNDALE          18- -                    Obras Reunidas VOLUME VIII                                       Outubro,

PUBLICAÇÕES TEOSÓFICAS E MÍSTICAS                           [Lucifer, Vol.

I, Nº 2, Outubro, 1887, pp. 156-157]

O Teosofista: uma revista de Filosofia Oriental, Arte, Literatura e Ocultismo, dirigida por H. P. Blavatsky e H. S. Olcott, Presidente Permanente da S. T. Vol.

VIII, 1887, Madras, Índia.

Em Londres, George Redway, 15, York Street, Covent Garden.

O número de setembro contém vários artigos de grande interesse.

Para os amantes do maravilhoso, como para os estudantes mais cientificamente inclinados das leis da psicofísica, o relato dado por Sreenath Chatterjee, de um lama que se auto-elevava e que permaneceu por alguns dias em sua casa, é ao mesmo tempo interessante e instrutivo.

É endossado pelo Coronel Olcott e por outra testemunha independente, e traz marcas evidentes de observação genuína e cuidadosa.

Por mais curiosas e maravilhosas que tais proezas sejam, contudo, pouco têm a ver com a Teosofia.

Para muitos leitores, artigos como o do Sr. Khandalavala, “O Bhagavad-Gita e os Princípios Microcósmicos”, serão muito mais atraentes.

As questões propostas neste artigo têm uma importância muito grande sobre uma

DE UM FILÓSOFO IMPOPULAR

questão que recentemente tem sido bastante discutida, e é de se esperar que suscite do Sr. Subba Row a explicação adicional de suas opiniões, tão necessária.

O Visconde de Figanière continua seus “Estudos Esotéricos” com alguns cálculos abstrusos, porém muito interessantes, sobre a composição dos elementos alquímicos durante vários ciclos.

Uma página de máximas morais do Mahabharata e um artigo ponderado sobre a “Cabala e o Microcosmo” contribuem para tornar este número repleto de matéria valiosa.

––––––––––                    Obras Reunidas VOLUME VIII                                       Outubro,

DO CADERNO DE NOTAS DE UM FILÓSOFO IMPOPULAR  
[Lucifer, Vol. I, No. 2, outubro de 1887, p. 160]

O VALOR ESOTÉRICO DE CERTAS PALAVRAS E AÇÕES NA VIDA SOCIAL.

**Mostrar Raiva.**—Nenhum homem ou mulher “culto” jamais mostrará raiva em sociedade.

Conter e reprimir todo sinal de aborrecimento demonstra boas maneiras, certamente, mas também considerável conquista em hipocrisia e dissimulação.

Há um lado oculto nessa regra de boa educação expresso em um provérbio oriental: “Não confie no rosto que nunca mostra sinais de raiva, nem no cão que nunca late.” Animais de sangue frio são os mais venenosos.

**Não resistência ao Mal.**—Vangloriar-se disso é convidar todos os malfeitores a se sentarem sobre você.

Praticá-lo abertamente é levar as pessoas à tentação de considerá-lo um covarde.

Não resistir ao mal que você nunca criou nem mereceu, evitá-lo você mesmo e ajudar outros silenciosamente a saírem do seu caminho é o único curso sábio aberto ao amante da sabedoria.

**“Ame o Teu Próximo.”**—Quando um pastor prega sobre esse assunto, sua piedosa congregação aceita isso como permissão tácita para caluniar e difamar seus amigos e conhecidos nos bancos vizinhos.

**Fraternidade Internacional.**—Quando um muçulmano e um cristão juram amizade mútua e se comprometem a ser irmãos, suas duas fórmulas diferem um pouco. O muçulmano diz: “Tua mãe será minha mãe, meu pai teu pai, minha irmã tua serva, e tu serás meu irmão.” Ao que o cristão responde: “Tua mãe e irmã serão minhas servas, tua esposa será minha esposa, e minha esposa será tua querida irmã”—Amém.

**Corajoso como um Leão.**—O maior elogio—na aparência—feito à coragem de alguém; uma comparação com uma fera selvagem de mau cheiro—na realidade.

O reconhecimento, também, da superioridade da bravura animal sobre a humana, considerada como virtude.

**Uma Ovelha.**—Um sujeito fraco e tolo, figurativamente, um epíteto insultuoso e desdenhoso entre leigos; mas bastante lisonjeiro entre clérigos, que o aplicam ao “povo de Deus” e aos membros de suas congregações, comparando-os a ovelhas sob a orientação do cordeiro.

**O Código de Honra.**—Na França—seduzir uma esposa e matar seu marido.

Lá, a honra ofendida só pode se sentir satisfeita com sangue; aqui, um ferimento infligido no bolso do ofensor é suficiente.

**O Duelo como Ponto de Honra.** — Sendo o duelo uma instituição da cristandade e da civilização, nem os antigos espartanos, nem tampouco os gregos ou romanos o conheceram, pois eram apenas pagãos incivilizados. — (Ver Schopenhauer.)

**Perdoar e Esquecer.** — "Devemos perdoar livremente, mas raramente esquecer", diz Colton.

"Não me vingarei, e isto devo ao meu inimigo; mas lembrar-me-ei, e isto devo a mim mesmo." Esta é a verdadeira sabedoria prática.

Ela se situa entre o feroz "Olho por olho, e dente por dente" da Lei Mosaica, e o mandamento de oferecer a face esquerda ao inimigo quando ele te feriu na direita.

Não é este último um encorajamento direto ao pecado?

**Sabedoria Prática.** — Na árvore do silêncio pende o fruto da paz.

O segredo que não contarias ao teu inimigo, não o contes ao teu amigo. — (Árabe.)

**NOTAS DIVERSAS**

**Vida Civilizada.** — Cheia, ruidosa e plena de poder vital, é a sociedade moderna aos olhos da matéria; mas não há deserto mais silencioso e quieto, vazio e lúgubre do que essa mesma sociedade aos olhos espirituais do Vidente.

Sua mão direita concede livre e prodigamente prazeres efêmeros, porém custosos, enquanto a esquerda agarra avidamente as sobras e muitas vezes inveja as necessidades da ostentação.

Toda a nossa vida social é o resultado e a consequência desse autocrata e déspota invisível, porém sempre presente, chamado Egoísmo e Egocentrismo.

A vontade mais forte torna-se impotente diante da voz e da autoridade do Eu.

-–––––––––                     Obras Completas VOLUME VIII                                          Outubro,

NOTAS DIVERSAS                                 [Lucifer, Vol.

I, No. 2, Outubro, 1887, p. 82]

[A seguinte breve nota foi anexada a um poema de Gerald Massey no qual ele fala de Lúcifer como a "Senhora da Luz".]

O leitor versado em simbologia e teogonia está, naturalmente, ciente de que todo deus e deusa dos panteões antigos é andrógino em sua genealogia.

Assim, o nosso Lúcifer, a "Estrela da Manhã", sendo idêntico a Vênus, é, portanto, o mesmo que a Istar caldeia, ou a Astoreth judaica, a quem os hebreus ofereciam bolos e pães, dirigindo-se a ela como a Senhora da Luz e a Rainha do Céu.

Ela é a "grande estrela", Absinto, que o misantrópico São João vê cair à terra no Apocalipse (Capítulo viii), assim como sua grande rival é Aima, a mãe fecunda, ou a terceira Sefirá Binah (IHVH ALHIM, ou a fêmea Jah-hovah), a "mulher grávida", no Capítulo xii do mesmo.

Escritos Reunidos VOLUME VIII                                              Novembro, TETRAGRAMMATON                           [The Theosophist, Vol.


IX, No. 98, Novembro, 1887, pp. 104-116]

Aconselharia a todos, em geral, que considerassem seriamente os fins verdadeiros e genuínos do conhecimento; que não o busquem nem por prazer ou contenda, nem por desprezo dos outros, nem por lucro, nem por fama, nem por honra e promoção, ou tais fins adulterados ou inferiores; mas pelo mérito e benefício da vida, para que possam regulá-lo e aperfeiçoá-lo na caridade.

—BACON.

No presente artigo, não levarei carvão a Newcastle.

Isso significa que não proponho ensinar aos eruditos brâmanes os mistérios de sua filosofia religiosa, mas tomarei como assunto algumas coisas da Cabala Universal.

A primeira—uma vez colocada em terreno polêmico—é um adversário incômodo de enfrentar.

A menos que alguém tenha, em vez de cabeça, uma enciclopédia repleta de citações, figuras, números e versículos espalhados por crores de páginas, tal polêmica será mais prejudicial do que útil.

Cada um dos debatedores se verá com o mesmo número de adeptos de suas opiniões que tinha antes, pois nenhum convencerá um único homem do partido oposto.

Repetindo com Sir T. Browne que "não invejo homem algum que saiba mais do que eu, mas compadeço-me daqueles que sabem menos", tratarei agora de questões com as quais estou plenamente familiarizado e em apoio às quais posso citar boas autoridades.

Tendo estudado a Cabala por quase quarenta anos, mais perto de quarenta do que de trinta, talvez me seja permitido considerar o Zohar como um terreno legítimo sobre o qual me firmar.

Isto, contudo, não será uma discussão, mas simplesmente algumas declarações de fatos.

Quatro nomes e ensinamentos da Cabala foram apresentados para opor-se à nossa doutrina septenária:—     I. Dizem-nos que o Tetragrammaton "está no caminho . . . de uma união final com o Logos." Porque sua mística "constituição, como representada pelo sagrado Tetragrama, não tem uma base septenária"

TETRAGRAMMATON

II. Que "é uma das mais antigas diretrizes da antiga Religião da Sabedoria que o macrocosmo deva ser interpretado segundo o plano revelado por Malkuth"     III.

Que (a) “Shekinah é um poder andrógino”; e (b) que ela “deve ser aceita como um guia para a interpretação da constituição do microcosmo.” IV. Que “Sua [de Shekinah] forma masculina é a figura do homem vista no misterioso trono na visão de Ezequiel.” Receio que nenhuma das afirmações acima esteja correta.

Sou compelido a dizer que cada uma e todas são inteiramente errôneas.

Minhas autoridades para assim dizer serão os três principais livros do Zohar — O Livro do Mistério Oculto e as duas Assembleias — a Maior e a Menor, como também a Kabbalah Denudata de Knorr von Rosenroth, o Sepher Yetzirah, com seus comentários, e o Aech Metzareph, contendo uma chave para o simbolismo cabalístico, e tudo suplementado com vários códices. Um axioma ecoado da mais remota antiguidade nos ensina que o primeiro passo para o conhecimento é saber e confessar que somos ignorantes.

Devo ter dado esse passo, pois percebo plenamente quão ignorante sou em muitas coisas e confesso quão pouco sei.

No entanto, o que sei, eu sei.

E talvez, se eu fosse mais sábio, devesse alegrar-me em saber tão pouco; porque se

“. . . . . a ignorância é a maldição de Deus,” –––––––––– Exatamente. Malkuth é a 10ª Sefira, mas como a “Noiva de Microprosopus” ou Tetragrama, que é hexâmero — Malkuth, ou o membro material, é o sétimo.

Ela é a quarta letra de IHVH, ou He, mas o Logos, ou filho, é apenas a letra V (Vau), como será demonstrado.

O Teosofista, Vol. VIII, agosto de 1887, pp. 700 e 705. Agora traduzido por S. Liddell MacGregor Mathers, F.T.S. Ver sua Kabbala Unveiled [Londres: George Redway, 1887]. [Vide pp. 269-71 e 402 no Vol. VII da presente Série, para informações pertinentes sobre o Zohar e sua bibliografia.—Compilador.] –––––––––– como Shakespeare o diz, demasiado de “Conhecimento, quando a sabedoria é fraca demais para guiá-lo, É como um cavalo obstinado, que derruba o cavaleiro. . .” Neste caso particular, contudo, não temo ser derrubado de meus estribos.


Atrevo-me até a dizer que é bem impossível, com o Zohar diante dos olhos e suas (justas) cento e setenta passagens de referências e várias centenas de comentários e glosas sobre o verdadeiro significado do Tetragrama somente.

Enquanto isso, como “nenhum homem sabe tudo”—errare humanum est—e como nenhum de nós, até onde sei, alcançou a gloriosa posição de um Buda onisciente ou de um Sankaracharya, é justo que comparemos notas e desvelemos aquilo que pode ser legitimamente desvelado.

Portanto, esforçar-me-ei por mostrar a verdadeira natureza do “Tetragrama” e provar que suas quatro letras são um mero glifo, uma máscara para ocultar metafisicamente sua conexão e relação com os mundos superno e inferior.

Não darei nada de minhas próprias especulações ou conhecimentos, que são minha propriedade pessoal, o fruto de meus estudos, e com os quais, portanto, o público nada tem a ver. Mostrarei apenas o que se diz ser o Tetragrama no Zohar, e conforme explicado ao escritor pessoalmente por um Rabino hebreu iniciado, na Palestina, e tornado bem claro a todo cabalista avançado.

I. O Tetragrama é chamado na Cabala por vários nomes.

É IHVH, o Microprosopo, em distinção a AHIH, o Macroprosopo.

É a FACE MENOR, um reflexo (manchado de matéria ou Malkuth, sua noiva, a mãe terra) da Face “Mais Vasta”, antes “Sem Limites”; portanto, ele é a antítese do Macroprosopo.

Mas quem, ou o que é o próprio Macroprosopo?

II. Não é “Ain-Soph”, o Não-Existente, ou Não-Ser, tampouco o é o Tetragrama; pois tanto AHIH quanto IHVH são glifos de existência e símbolos da vida terrestre-andrógina, bem como masculina e feminina.

–––––––––– [Henry VI, Pt. II, Act iv, Sc. 7, 1.78]. [Francis Quarles, Job Militant: with Meditations Divine and Morall, 1624. Section XI.—Compiler.] ––––––––––

TETRAGRAMMA

Ambos estão, portanto, misturados com Malkuth,—H-eva, “a mãe de tudo o que vive,” e não podem ser confundidos em nossas percepções espirituais com EHEIEH—o único Esse ABSOLUTO, ou “Ser-idade,” como alguns o chamam, embora os Rabinos tenham se esforçado para que o manto caísse sobre seu deus exotérico.

Eles são reflexos do Ain-Soph, o Parabrahman hebreu; pois Ain-Soph é negativo, e eles, vida real e positiva—portanto, Maya ou Ilusão.

Isso é provado claramente por sua presença dual na cruz—o mais antigo símbolo fálico, assim—

como mostrado em The Kabbalah Unveiled, Introd., p. 31.

–––––––––– Tão antigo e tão fálico, de fato, que deixando de lado a cruz ansada do Egito, os discos de terracota chamados fusaiole, encontrados por Schliemann em abundância sob as ruínas da antiga Troia, são quase todos nesses dois

formas e —a Suástica indiana e a Cruz, sendo esta última a Suástica ou “Martelo de Thor” menos seus quatro ângulos adicionais.

Desnecessário explicar que os orientalistas, incapazes de elevar-se acima do plano material, não deixam de ter razão, e que descobriram uma das chaves secretas (das religiões exotéricas, apenas, contudo) ao afirmarem que a origem da cruz é a arani e o pramantha, o bastão e o vaso perfurado para acender o fogo dos antigos brâmanes.

Prometeu, roubando o fogo sagrado da (pro)criação para dotar os homens, tem inegavelmente a origem de seu nome em Pramantha.

O deus Agni era fogo celestial, somente enquanto permanecia oculto em seu receptáculo.

Mal Matariśvan, o ser aéreo do Rig-Veda, o expulsou dele em benefício dos devoradores Bhrigus, e ele se tornou fogo terrestre, o da procriação, portanto fálico.

A palavra matha ou pramantha, somos informados, tem como prefixo pra, acrescentando a ideia de roubar ou furtar à força àquela contida na raiz matha do verbo mathami, ou manthnami, “produzir por fricção”. Daí Prometeu roubando o fogo celestial para degradá-lo (em um sentido) na terra.

Ele não apenas acende a centelha de vida no homem de barro, mas lhe ensina os mistérios da criação, que, de Kriyasakti, cai no ato egoísta da procriação [Vide supra—texto]. –––––––––– III.


Há dois “Tetragrammatons” na Cabala, ou, antes—ele é dual, e, quanto a isso, até mesmo triplo, quaternário e septenário.

Ele se torna nove e treze somente no final, quando “treze” ou UNIDADE destrói o septenário simbolizado pelos “Sete Inferiores”, os quais sete são “os sete reis de Edom” (quando se trata das raças), e os sete “Sephiroth inferiores” quando se referem aos princípios humanos. O primeiro Tetragrammaton é o eternamente oculto, o PAI—ele mesmo uma emanação da luz eterna, portanto não Ain-Soph.

Ele não é a Tetraktis de quatro letras, mas apenas o Quadrado, por assim dizer, numa superfície plana.

É a figura geométrica ideal formada de quatro linhas imaginárias, o símbolo abstrato de uma ideia abstrata, ou quatro linhas “matemáticas” encerrando um espaço “matemático”—que é “igual a nada encerrando nada”—como diz o Dr. Henry Pratt, falando do triângulo em seus Novos Aspectos da Vida e da Religião.

Um Fantasma velado com quatro sopros.

Isso basta quanto ao “Pai” Macroprosopus-TETRAGRAMMATON.

Considerando que IV. Microprosopus-Tetragrammaton—o “Filho” ou Logos—é o triângulo em um quadrado; o cubo setenário; ou, como o Sr. J. R. Skinner o mostra—o cubo de seis faces desdobrado torna-se a cruz de sete partes, quando o andrógino se separa em sexos opostos. Nas palavras de um comentário sobre a Doutrina Secreta— “O círculo emana uma luz que se torna, para nossa visão, quadrangular; esta se desdobra e torna-se sete.” Aqui o “círculo” é a primeira sephira, o “kether” ou coroa, o Risha Havurah, ou “cabeça branca”, e o “crânio superior”. [Não é ilimitado, mas temporário neste mundo fenomênico.] Ele emana as duas Sephiroth inferiores (Chokhmah e Binah, que são “Pai-Mãe”) e assim forma o triângulo, o primeiro ou superior –––––––––– Quatro em comprimento ou a linha vertical, e três horizontalmente.

Ver The Theosophist, Vol. VIII, abril de 1887. [H.P.B. refere-se ao seu próprio artigo sobre “Classificação dos Princípios”. Ver Vol. VII da presente série.—Compilador.] ––––––––––– TETRAGRAMMATON

tríade da Árvore Sephirothal. Este é o uno ou a mônada de Pitágoras. Mas emanou dos Sete Elohim, macho e fêmea, que são chamados de “Pai-Mãe Superior”. Estes são, eles mesmos, reflexos do Espírito Santo Feminino, do qual é dito no Sepher Yetzirah: “Uma é Ela, o Espírito dos Elohim da Vida.” Quão longe ainda do AIN-SOPH o TODO, estão esses números da Cabala judaica, pois são, na verdade, apenas números secretos e glifos.

Microprosopus vem em quarto lugar. Que qualquer um se volte para a Prancha IV da Kabbala Denudata (Trad. Inglês) desenhada pelo Sr. Mathers. Que ele lance um olhar sobre as “Formas Deíficas Simbólicas” colocadas em suas relações com os quatro mundos cabalísticos—e logo verá que “Tetragrammaton” ou Microprosopus, a “Face Menor”, vem como o quarto.

Para explicação mais clara, copio uma pequena porção da tabela. As quatro Letras         As Sephiroth                    Os quatro Mundos                                                   Macroprosopus                 Atziloth…Mundo Arquetípico

I. Yod               ... O Pai                            H. o superno                                      Briah.

Mundo Criativo             Letras do                                 He              ... A Mãe Superna        Tetragrammaton                            V. Vau               ... Microprosopus               Yetzirah.

Mundo Formativo

H. O inferior        A Noiva de                                Ele                 Tetragrammaton ou             Asiah.

Mundo Material                                                   Malkhuth

Segue-se, portanto, que embora Macroprosopus—ou Kether, a coroa dos números, pois é a cabeça branca, ou O, a –––––––––––      Ver The Kabbalah Unveiled, Introd., pp. 21-22.      Sephira significa um numeral; é um, e portanto singular, e os Sephiroth é uma palavra plural, ambos os quais transmitiram seus nomes aos nossos "cifras" e são apenas os números das hierarquias criativas dos Dhyan Chohans.

Quando os Elohim dizem "Façamos o homem", eles têm de trabalhar do primeiro ao último sétimo, cada um dotando o homem com sua própria característica ou princípio.

–––––––––––

BLAVATSKY: COLECTED WRITINGS

cifra, ainda está removido de Ain-Soph, sendo apenas seu reflexo ou luz universal—que não é o tetragrama.

É simplesmente ESPAÇO, o ilimitado e o insondável, o solo superno no qual estão ocultas as ideias ou formas arquetípicas de tudo; do qual cresce a RAIZ do Kosmos, a Árvore universal da Vida no mundo criativo.

O tronco dessa "árvore" são o "pai e a mãe, os 2º e 3º Sephiroth, ou Chokhmah e Binah," respectivamente, Jeová e "Jeová Elohim."       V. "O Pai-Mãe" pertencem ao mundo criativo, porque são eles que criam; i.e., são a matéria bissexual, a essência a partir da qual o "Filho" (o universo) é formado.

Este Filho é Microprosopus, ou TETRAGRAMMATON.

Por que é ele o símbolo de quatro letras? De onde vem a sacralidade desta Tetraktis? É o nome inefável, ou está de alguma forma conectado a esse nome impronunciável? Não hesito em responder negativamente.

É simplesmente um véu, um símbolo para melhor ocultar a constituição septenária do homem e sua origem, e os vários mistérios a ela conectados. Seu nome, o Tetragrama, é composto de quatro letras, mas qual é seu significado secreto e esotérico? Um Cabalista não hesitará em responder: "leia-o numericamente e compute as figuras e números, e sabereis."      Agora "Tetragrammaton" é Pai-Mãe e o "Filho" em um.

É Jeová, cujo nome é escrito IHVH, e cujas letras leem-se simbolicamente de acordo com ––––––––––       Os hebreus não tinham palavra para cifra ou zero, daí o simbolismo de uma cabeça ou círculo redondo.

 O estudante deve ter em mente que Jeová como nome é sempre masculino e feminino, ou andrógino.

É um composto de duas palavras—Jah e Hovah, ou "Jah eve". Jah sozinho é masculino e ativo: portanto, enquanto a segunda Sephira, Chokhmah, "Sabedoria", é masculina e representa Ab, "Pai", Binah, "Inteligência", é feminina, passiva, e representa Am, "Mãe", o grande abismo cujo nome é "Jeová". Mas o nome masculino é simbolizado por uma única letra—o Yod—cujo significado é inteiramente fálico.

–––––––––––

TETRAGRAMA

o método revelado na QUARTA iniciação, será lido de duas maneiras.

É composto de duas letras masculinas (IV) e dois caracteres femininos (dois H, he); ou o H "superior" e o "inferior". O primeiro é a "mãe superna" ou "o Jeová feminino, como Binah"; o outro é o "H inferior", ou a décima Sephira, Malkuth, o fundamento da matéria.

É impossível revelar em letra impressa a primeira leitura, quando é escrito AHIH, além de afirmar que exotericamente está conectado com o "Eu sou o que sou" e com Eheieh, "BE-IDADE absoluta ou SAT". Pode ser lido de doze maneiras diferentes, cada frase sendo simbolizada em um signo do Zodíaco.

Essas transposições são todas feitas para se referir ao mistério do ser ou da existência—como uma concepção abstrata.

Mas IHVH, o Tetragrama do mundo formativo, e o esposo da "Noiva", cujo reino é Asiah ou matéria, embora fácil de explicar, é ainda mais difícil de revelar em palavras, não por sua sacralidade, mas antes por sua indecência.

Remeto o leitor, para o simbolismo simples das quatro letras I, H, V, H, ao livro *Source of Measures* do Sr. J. R. Skinner, p. 10, onde esse simbolismo é dado.

Os hindus o veem diariamente em seus Lingas e Yonis.

É Jeová-Tzabaoth, o Elohim Septenário oculto no Santo dos Santos, o Argha, ou a Arca de Noé.

Portanto (ver Lâmina III em Kabb. Unv., pp. 28-29) ele é o sétimo Sephiroth entre o septenário "superior", assim como Malkuth é o sétimo dos Sephiroth "inferiores".

Microprosopo é a terceira letra V (Vau) e é chamado de tetragrama apenas porque é uma das quatro letras que abrangem todas as nove Sephiroth—mas não Sephira.

Ele é o ––––––––––       A Tradição diz que os últimos iniciados nos sete mistérios de Microprosopus e do Teth supremo (o número 9 e a letra t), o mistério das duas Aima (as duas mães, ou o primeiro e o segundo H da palavra IHVH) foram os três Rabinos Schimon, Abba e Eleazar que, nos Mistérios ou Sod, representavam Kether, Chokhmah e Binah (Ver Zohar, a Assembleia Santa Menor). Após sua morte, o conhecimento das cinco iniciações superiores foi perdido.

["Aima" é muito provavelmente uma grafia fonética.

Na verdade, a palavra hebraica para mãe é am ou imah; o plural sendo imoth.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS septenário secreto, que até agora foi oculto, e agora está completamente desvelado.

Nas tabelas que dão as relações das Sephiroth com os dez nomes divinos, os dez arcanjos, suas dez ordens, os planetas, etc., demônios e os dez arquidemônios—Netzach, a 7ª Sephiroth, cujo nome é exotericamente "firmeza e vitória", e esotericamente algo mais, é chamada pelo seu nome Divino Jehovah-Tzabaoth e corresponde a Haniel (vida física humana), os Elohim andróginos, com Vênus-Lúcifer e Baal, e finalmente com a letra Vau ou Microprosopus, o Logos.

Todos estes pertencem ao mundo formativo.

São todos septenários, todos associados à formação plástica e à MATÉRIA—sua "noiva". Esta última é a "mãe inferior" Aima, "a mulher grávida" do 12º capítulo do Apocalipse, perseguida pelo grande Dragão (da sabedoria). Quem é este Dragão? É ele o diabo Satanás, como fomos ensinados a crer pela Igreja? Certamente não.

Ele é o Dragão da Sabedoria Esotérica, que se opõe ao filho nascido da "mulher" (o universo), pois este filho é a sua humanidade, portanto ignorância e ilusão.

Mas Mikael e seus anjos, ou Jehovah-Tzabaoth (o "Exército") que se recusaram a criar como os sete filhos de Brahma, nascidos da mente, sem paixão, fizeram, porque aspiram a encarnar como homens para se tornarem superiores aos deuses—combatem o Dragão, conquistam-no, e o filho da matéria nasce.

O "Dragão" da sabedoria esotérica cai de fato de volta às trevas! ––––––––––  A chave que abre este mistério é a sétima chave, e se relaciona com a sétima trombeta do sétimo anjo, após cujo toque São João vê a mulher e a "Guerra no Céu" (Ver Apocalipse, xi, 15, e xii, 7, e tente compreender). Esta alegoria, "Guerra no Céu", tem outros seis significados; mas este é no plano mais material e explica o princípio septenário.

A “mulher” é coroada com 12 estrelas e tem o sol e a lua para vesti-la (duas vezes sete), sendo ela o universo; o Dragão tem sete cabeças, sete coroas e dez chifres — outro simbolismo oculto, e ele é um dos sete LOGOI.

Talvez aqueles que refletiram sobre o estranho comportamento de Narada possam compreender a analogia.

De fato, um Prajapati e um grande Rishi Védico, e ainda assim alguém que está sempre interferindo na procriação física dos homens, ele seduz duas vezes os milhares de filhos de Daksha a permanecerem celibatários e Yogis, por isso é amaldiçoado a encarnar, nascido de um ventre, e aqueles que sabem algo sobre números e ciclos compreenderão agora melhor o significado desta alegoria.

––––––––––                    Obras Completas VOLUME VIII

TETRAGRAMMATON

Portanto, embora eu não sinta a menor objeção a qualquer místico que deseje unir-se ao Logos chamado “Tetragrammaton” ou Microprosopo, eu pessoalmente prefiro uma união com Macroprosopo, por princípios gerais; pelo menos neste ciclo de encarnação.

Após o que, com a ajuda do “NÚMERO PERFEITO”, espero ver a luz superna reduzindo a cinzas não apenas meus “sete inferiores” (o Microprosopo), mas até a aparência dos treze na unidade, que “guerreiam com sete” (Livro da Conc.

Mist., Cap.

V, 27), e juntamente com eles o quadrado Macroprosópico.

A letra Yod no caminho da nona Sephira tendo um significado decididamente fálico, recuso a união com o Jeová inferior setenário e de sete letras, e prefiro fixar minha fé em “Ain-Soph” — puro e simples; caso contrário, por que deixar o seio da igreja Ortodoxa? Tão bem poderia juntar-me ao “Exército da Salvação” imediatamente, e cantar “Sangue, sangue”, o dia inteiro.

O “Logos” que reconhecemos não é o Tetragrammaton, mas a COROA, Kether, que nada tem a ver com o plano material nem com Macro, ou Microprosopo — mas que está conectado apenas com o mundo pro-arquetípico.

Como é dito,      “Por Gematria AHIH é igual a IHV sem o H . . . . . o símbolo de Malkuth . . .” a “Noiva” (p. 31). “Intimamente associado ao assunto das letras do Tetragrammaton está o dos quatro Kerubim [querubins] . . . Portanto, os kerubim representam os poderes das letras do Tetragrammaton no plano material . . . Os kerubim são as formas vivas das letras, simbolizadas no Zodíaco por Touro, Leão, Aquário e Escorpião . . .” (pp. e 34, Introd.)

para A Cabala Revelada). O que o simbolismo desses quatro animais representa, por sua vez, "no plano material", é novamente conhecido.

–––––––––– Taurus — seja chamado o Touro de Śiva, o Touro egípcio Ápis, o "Touro" zoroastriano morto por Ahriman — é sempre um símbolo da semente da vida, da força tanto gerativa quanto destrutiva, enquanto Escorpião é o símbolo do pecado (no sentido sexual), do mal e da morte espiritual, e Escorpião é o quarto número do Tetragrammaton — ou Malkuth.


" 'O mistério do homem terreno e mortal é segundo o mistério do Uno superno e imortal'. . . . . Na forma do corpo encontra-se o Tetragrammaton.

A cabeça é I [a letra Yod], os braços e ombros são como [o H] superno, o corpo é V, e as pernas são representadas pelo H [he] final." (Kab.

Unv., p. 34.)     Na "Escala do número Sete", o nome de Deus é representado com sete letras.

A escala é septenária; qualquer que seja a direção para a qual se olhe, desde o primeiro mundo original ou arquetípico até o sétimo ou temporal.

A "Árvore da Vida" tem sete ramos e sete frutos nela. No Livro do Mistério Oculto, BRASHITH, a palavra inicial em Gênesis, lê-se "Bera Shith, 'Ele criou os seis.' Destes dependem todas as coisas que estão abaixo" (cap.

I, 16), todas as coisas sendo sintetizadas por Malkuth — o Sétimo — Microprosopus.

Microprosopus é formado pelos seis Sephiroth, três masculinos e três femininos.

Os membros do Tetragrammaton são chamados os seis membros de Microprosopus, e 6 é o valor numérico de V (Vau), sua letra.

Quando eles (os membros) tocam a terra, tornam-se sete (Introd., p. 32, Kab.

Unv., e versículo 9 do Com.

xxii, no Livro dos Números).      O Livro inteiro do Mistério Oculto está repleto de tais sentenças.

"O Microprosopus é sêxtuplo.

. . . Como ele é formado de seis Sephiroth, que são chamados, com Malkuth, os sete inferiores.

Esses membros emanam das seis primeiras palavras (criativas) pronunciadas.

Seu sétimo princípio é representado pelo décimo Sephiroth . . . que é Eva no sistema exotérico, ou a mãe inferior.

. . ." Daí a sétima semana ser chamada o Milênio, o Sábado, e também o sétimo reino.

(Livro do Mist.

Oc., versículo 22.)

TETRAGRAMMATON

Os cabalistas sempre fizeram uma diferença não apenas entre AIN-SOPH, o inumerável e o Inconcebível, mas até mesmo entre Microprosopus e o Tetragrammaton inferior, o "Filho", e, portanto, o Logos.

Pois está escrito na Grande Assembleia Santa—(Cap. VII, 83) "E acerca disso os filhos de Israel quiseram inquirir em seus corações, como está escrito, Êxodo, xvii, 7: 'Está o Tetragrama no meio de nós, ou o Existente Negativo?' (Onde eles distinguiam) entre o Microprosopo, que é chamado Tetragrama, e entre o Macroprosopo, que é chamado AIN, Ain, o Existente Negativo?" (p. 121). Mas—o "yod do Ancião está oculto e escondido." (Introd., p. 35.) (Cap. XLV, 1152) "Aprendemos que houve dez (Rabis) [companheiros, as Sephiroth] que entraram no SOD [mistérios da criação] e que sete saíram." (Cap. XLV, 1158) "E quando o Rabi Schimeon revelou os Arcanos, não se encontraram presentes ali senão aqueles (companheiros)." (Cap. XLV, 1159) "E o Rabi Schimeon os chamou de os sete olhos do Tetragrama, como está escrito, Zac., iii, 9: 'Estes são os sete olhos do Tetragrama'." Na Bíblia, a última palavra é traduzida como "O Senhor", o que mostra claramente que os cristãos aceitaram para seu "Senhor Deus" uma quarta emanação sephirótica e a letra masculina "Vau". É este o "Logos" com o qual todo iniciado deve buscar união, como "o resultado último de seus trabalhos"? Então, ele bem poderia permanecer em seu corpo mortal septenário enquanto puder.

Com respeito aos outros "obstáculos", eles estão igualmente incorretamente declarados.

A "Figura do homem no Trono" em Ezequiel corresponde, no esoterismo, ao plano arquetípico, o mundo de Atziloth, não à Shekinah em Malkuth e Asiah, no plano material; como se tornará evidente para qualquer um que analise a visão cabalisticamente.

Pois, primeiramente, há quatro divisões claras do simbolismo da visão; a saber, a forma do homem, o trono sobre o qual ele está sentado, o firmamento acima das cabeças das criaturas viventes, e as próprias "criaturas viventes" com seus ophanim ou rodas.


Estes, por sua vez, correspondem claramente aos quatro mundos ou planos cabalísticos em si, i.e., Atziloth, o Arquetípico—a figura sombria do homem; Briah, o Criativo—o trono; Yetzirah, o Formativo, o firmamento; Asiah, o Material, as criaturas viventes.

Estes correspondem novamente às quatro letras do tetragrama assim: o ponto mais elevado do Yod em IHVH à "figura do homem", o H (He) ao trono, o V (Vau) ao firmamento, e o H final às criaturas.

(Veja a Lâmina IX de O Kabbalah Revelado.) A “figura do homem” não é a “forma masculina da Shekinah”. Shekinah não é um “poder andrógino”. Shekinah é assexuada ou feminina, se é que se pode dizer.

É luz primordial emanando do sempre-oculto Ain-Soph.

No mundo arquetípico é Sephira; no material e no formativo torna-se Shekinah, a vida latente e a luz deste mundo inferior de matéria—o “véu de Ain-Soph” e a “presença divina” no caminho de Malkuth, do material para os mundos superiores.

Ela é o Buddhi do corpo físico—a alma ou centelha que arde no vaso; e, depois que o vaso se quebra, funde-se no sétimo (segundo o cálculo teosófico) e no primeiro ou Macroprosopus, cabalisticamente, pois é o primeiro raio do oculto.

O plano revelado por Malkuth é dado no Livro do Mistério Oculto, o Siphra Dtzenioutha, Cap. V, 31-32, como segue: ––––––––––

Ver gravura do relato babilônico da criação (por George Smith. The Chaldean Account of Genesis, p. 85) da Árvore Sagrada, com figura em cada lado e serpente ao fundo.

Esta gravura é tirada de um cilindro babilônico antigo e representa a referida árvore com seus sete ramos.

Tampouco é Shekinah uma Sephiroth, pois ela procede da décima, Malkuth, e nela está latente, e é destruída com esta (Ver Cap. I, 22, Livro do Mist. Oculto). O erro provavelmente surgiu do nome divino de Shekinah ser Adonai e os querubins angélicos.

Mas nenhum cabalista divulgará em impresso a chave para isso.

––––––––––

TETRAGRAMMATON

“A Árvore que é mitigada (isto é, o Caminho do reino ou Shekinah, que é a árvore do conhecimento do bem e do mal, que em si mesma existe a partir dos julgamentos, mas é mitigada pelo noivo através do influxo das misericórdias) reside dentro (dentro das cascas; porque o reino tem seu domínio sobre todas as coisas, e seus pés descem até a morte). Em seus ramos (nos mundos inferiores) as aves se abrigam e constroem seus ninhos (as almas e os anjos têm seus lugares). Debaixo dela, aqueles animais que têm poder buscam a sombra (isto é, as cascas [Klipoth], ‘pois nela toda besta do bosque caminha.’ Sal., civ., 20). “Esta é a árvore que tem dois caminhos . . . para o mesmo fim (a saber, o bem e o mal, porque é a árvore do conhecimento do bem e do mal). E tem ao seu redor sete colunas (isto é, os sete palácios), e os quatro esplendores (isto é, os quatro animais) giram ao redor dela (em quatro rodas) em seus quatro lados (segundo a descrição quádrupla do carro de Yechesqiel [Ezequiel]).” Esta árvore tem sete ramos, em cada um dos quais há quatro folhas e três frutos.

Além disso, há uma analogia evidente entre o versículo acima no Siphr Dtzenioutha e os Capítulos i a iv do Apocalipse.

Pois as sete igrejas “da Ásia” são idênticas aos “sete palácios” em Asiah, ou o lugar setenário material.

As sete estrelas que estão na mão direita da “figura” no último capítulo não são essas sete igrejas, mas as sete chaves para elas; e a palavra de dois gumes (andrógina) que procede de sua boca é o Yod de IHVH.

Esta “figura” é o “Tetragrammaton” setenário, o V (Vau). –––––––––– Consultei nosso irmão Sr. S. Liddel MacGregor Mathers se algum cabalista justificava a ideia de que Shekinah era “um poder andrógino”. Ele disse que não— “é assexuada e é a presença divina.” (Ver sua Kabbalah Unveiled, página 55, nota entre os versículos 32 e 33.) Ou Vau, cujo número é seis e simbolismo—um gancho ou cajado; fálico.

––––––––––– Mas esta figura é uma coisa completamente diferente daquela que está no trono na visão de Ezequiel.


Pois a primeira (a figura no Capítulo I do Apocalipse) está nos planos de Yetzirah (o mundo da formação, habitat dos anjos que não quiseram criar), e a figura de Ezequiel está no plano de Atziloth, sendo descrita no 4º capítulo do Apocalipse como "aquele que estava assentado sobre o trono". Para sustentar as afirmações acima, recorri ao Sr. S. L. MacGregor Mathers (do qual poucos são mais eruditos cabalistas na Inglaterra, embora eu não concorde certamente com todas as suas opiniões.

Mas sobre esta questão estamos em quase total acordo). Nosso irmão gentilmente consentiu em dar uma opinião por escrito, e foi assim que ele distribuiu a Árvore SEPHIROTAL.

KETHER.

BINAH.

CHOKHMAH.

GEBURAH.

CHESED.

TIPHERETH.

HOD.

YESOD.

NETZACH.

MALKUTH.

Aqui, a figura sobre o trono na visão de Ezequiel refere-se a Kether; o trono a Chokhmah e Binah, o mundo de Briah, cujo nome alternativo é Korsia—o trono; o firmamento é Microprosopus, que consiste nas seis Sefirot—Chesed, Geburah, Tiphereth, Netzach, Hod e Yesod.

Agora, Yesod é o caminho de ingresso em Malkuth, ou o mundo material criado; e a Shekinah é a Presença em Malkuth, a Presença Rainha; pois Shekinah é feminina, e não andrógina.

E o selo do Macrocosmo, a estrela de seis pontas, o –––––––––– É certamente o selo do Macrocosmo, mas torna-se o do Microcosmo somente quando a estrela de cinco pontas está encerrada dentro dele, pois é esta última que é propriamente o signo de Macroprosopus.

É o Shatkona Chakra (a roda de Vishnu) e o Pañchakona (Pentagrama). Chamaríamos o primeiro de selo de Macroprosopus –––––––––––

TETRAGRAMMATON

é o emblema de Microprosopus, o Tetragrammaton—Vau de IHVH, que está dentro dos sete portadores de luz de Malkuth, que não são outros senão as próprias sete últimas Sefirot, ou as seis Sefirot que compõem Microprosopus, com Malkuth acrescentada como a sétima. Nada pode ser mais claro, creio eu.

Sejam quais forem as especulações e interpretações metafísicas e transcendentais, que, naturalmente, podem se satisfazer com a Tetraktis no plano do mundo Arquetípico, uma vez que desçamos ao mundo do Astral e do oculto fenomenal, não podemos ter menos de sete princípios sobre os quais nos basear. Estudei a Cabala sob dois Rabinos eruditos, um dos quais era iniciado, e não havia diferença entre os dois ensinamentos (o esotérico oriental e o ocidental) neste caso.

É claro que é bem sabido que qualquer pessoa dotada de mesmo uma dose moderada de engenhosidade pode, se estudou os três modos cabalísticos de interpretação — especialmente o Notarikon — fazer o que quiser com as palavras e letras hebraicas sem pontos.

Mas as explicações que dou não requerem Notarikon, mas simplesmente um conhecimento da sétima chave esotérica.

Com os pontos massoréticos pode-se —————— apenas quando o hexagrama está cercado por ou dentro de um círculo; não de outra forma.

Mas isso não afeta a questão.

A Kabbalah Denudata de Knorr von Rosenroth contém um bom número de erros, e outras versões — especialmente as traduções latinas, todas feitas por cristãos empenhados em extrair, nolens volens, um significado profético e cristão do Zohar — ainda mais.

O Siphra Dtzenioutha diz sobre Malkuth: "a Shekinah (ou a presença régia) que está abaixo (isto é, um caminho do reino, a saber, MLKVTh, Malkuth, a décima e última Sephira)." (Cap. I, 32) —————— 156 BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

transformar o astral Jeová-Tzabaoth, e até mesmo Jeová-Elohim no "Único vivo" e no Deus supremo, o "Deus dos deuses" — ao passo que ele é meramente um dos deuses formativos e geradores.

Um bom exemplo da desonestidade acima mencionada encontra-se na tradução do Sr. Mathers da Kabbalah Denudata de Knorr von Rosenroth.

Ele nos dá seis espécimes das diferentes leituras apenas da primeira palavra (B'rashith) em Gênesis.

Com as regras do Notarikon, a frase inicial "B'rashith Bara Elohim eth hashamayim v'eth h'arets", ou "No princípio Deus fez o céu e a terra", pode ser feita para significar o que se quiser; uma vez que a primeira e solitária palavra B'rashith é forçada a produzir seis ensinamentos dogmáticos da Igreja Latina.

Como demonstrado pelo mencionado cabalista, Salomão Meir Ben Moisés, convertido ao catolicismo romano em 1665, que adotou o nome de Próspero Rugere, conseguiu provar, com base estritamente notaricônica, que a referida primeira palavra (B’rashith) revelava seis significados cristãos, sendo o 1º deles: "O Filho, o Espírito, o Pai, Sua Trindade, Perfeita Unidade"; o 3º: "Vós adorareis Meu primogênito, Meu primeiro, cujo nome é Jesus"; o 5º: "Eu escolherei uma virgem digna de dar à luz Jesus, e vós a chamareis bendita" [Kab.

Unv., Introd., p. 81]. O sexto é dado na nota de rodapé abaixo.

Os outros dois são repetições.

A mesma notável elasticidade de interpretação se verifica nos textos esotéricos de outras nações.

Cada ––––––––––– No Notarikon, "cada letra de uma palavra é tomada como a inicial ou abreviatura de outra palavra, de modo que, a partir das letras de uma palavra, uma sentença possa ser formada." Assim, a partir das letras desta palavra B’rashith, eu também poderia facilmente formar uma sentença que diria: — "Cuidado! brigas logo se incubam na Teosofia"; e então oferecê-la como um aviso e revelação divinos, tomando como autoridade o "Livro de Deus". Esta leitura seria tão verdadeira, porém mais pertinente, que a 6ª versão de Próspero Rugere, pois ele fez de B’rashith — "Beaugoth Ratzephim Asattar Shegopi Yeshuah Thakelo", que, traduzido, lê-se: "Eu [Deus] Me esconderei no bolo [hóstia] (assado com) brasas, pois vós comereis Jesus, Meu corpo" [Kab.

Unv., Introd., p. 8] — e converteu, com isso, imediatamente, outro judeu ao catolicismo romano! ––––––––––

TETRAGRAMMATON

símbolo e glifo com sete chaves, segue-se que uma parte pode estar usando uma chave para qualquer assunto em disputa, e então acusar outro estudante, que usa outra chave, de interpretação deliberadamente errônea.

Tal, porém, não é minha política.

Em questões esotéricas, prefiro buscar a conciliação a discutir por erros cometidos, sejam reais ou imaginários; porque a CAUSA e o triunfo da verdade devem ser mais caros a um verdadeiro Ocultista e Teosofista do que pequenas vitórias sobre debatedores.

Nenhum ocultista, se é fiel aos seus princípios, pode divulgar o significado de todos os "Sete Mistérios da Sabedoria" — mesmo que ele próprio os conheça todos — o que seria, de fato, um prodígio.

Pois esses "Sete Mistérios", em sua totalidade, são conhecidos a fundo apenas pelos "MESTRES DE SABEDORIA"; e esses Mestres dificilmente se envolveriam em discussões polêmicas, seja em jornal ou periódico.

Qual é, então, a utilidade de perder tempo e energia provando que uma faceta do diamante brilha com mais luz e esplendor do que sua faceta irmã, em vez de unir todas as forças para atrair a atenção dos profanos para o fulgor da própria joia?

Nós, estudantes da ciência sagrada, deveríamos ajudar uns aos outros, encorajar a pesquisa e nos beneficiar do nosso conhecimento mútuo, em vez de criticá-lo improdutivamente para satisfazer o orgulho pessoal.

É assim que eu vejo a questão: pois, de outro modo, nossos inimigos, que começaram por nos chamar de charlatães apenas com base em seus preconceitos sectários e materialistas e em sua intolerância, terão razão em reiterar sua acusação, com base em nossas mútuas denúncias.

O materialismo ergue sua cabeça medonha mais alto do que nunca.

Knowledge, um dos periódicos científicos de Londres, nos dá uma amostra do que está reservado ao ocultista.

Ao resenhar a Kabbalah Unveiled, proclama em alto e bom som "as extraordinárias divagações intelectuais dos comentaristas hebreus sobre suas escrituras". Esmaga sob o peso de seu desprezo materialista a ideia, extraída de The Kabbalah, do Dr. Ginsburg — de que os mistérios do ser foram "ensinados primeiramente pelo próprio Deus a uma companhia selecionada de anjos, que formaram uma escola teosófica no Paraíso"! — e conclui com um tremendo ponto de admiração zombeteiro, entre parênteses (!). Isso, na página 259 da Knowledge [Nova Série, Vol.


X], 1º de setembro

de 1887. Na página 245, o Sr. Edward Clodd nos oferece, em vez dos ensinamentos dos "anjos teosóficos", os dos darwinistas da Escola Haeckeliana.

Tendo examinado "um vasto campo" no Kosmos, "cujos limites se dissolvem no ilimitado por todos os lados", esse campeão anti-cabalístico da ciência moderna encerra suas "divagações" com a seguinte enunciação estarrecedora: "Começamos com a nebulosa primitiva, terminamos com as mais altas formas de consciência; a história da criação é mostrada [!?] como o registro ininterrupto da evolução DO GÁS AO GÊNIO" [!!!]. Isso mostra como estamos diante dos homens da ciência moderna e quanto precisamos de todas as nossas forças para manter os materialistas à distância.

Mais uma palavra e termino.

Sou repetidamente solicitado a apresentar minha autoridade — livro, página e versículo — para a doutrina esotérica do "Septenário". Isso é como dizer a alguém no meio de um deserto: prove-me que a água está cheia de infusórios, quando não há microscópio disponível.

Melhor do que ninguém, aqueles que me fazem tal reivindicação sabem que, fora dos poucos lugares onde MSS. secretos são guardados por eras, nenhuma doutrina esotérica foi jamais escrita e claramente explicada; caso contrário, há muito teriam perdido o próprio nome.

Existe uma Cabala "não escrita", bem como uma escrita, mesmo no Ocidente.

Muitas coisas são explicadas oralmente, e sempre o foram.

No entanto, indícios e alusões a ela são numerosos e dispersos por todas as escrituras exotéricas, e a classificação depende, naturalmente, de –––––––––– [Dr. Christian David Ginsburg, The Kabbalah: Its Doctrines, Development, and Literature.

Uma dissertação lida perante a Sociedade Literária e Filosófica de Liverpool, em 9 de outubro de 1863. Londres: Longmans, Green, Reader and Dyer, 1865. Publicada como Apêndice aos Anais da Sociedade, nº XIX.

A citação é da página 2.—Compilador.] –––––––––––

"QUE CADA HOMEM PROVE A SUA PRÓPRIA OBRA"

a escola que a interpreta, e ainda mais sobre a intuição e a concepção pessoais.

A questão não é se há três, cinco ou sete cores nos raios do espectro, pois todos sabem que, de fato e por natureza, há apenas uma—o branco incolor.

E, embora a Ciência distinga muito claramente sete raios prismáticos tão nítidos quanto as sete notas na escala; ainda assim, já se ouviu falar de grandes homens da ciência que insistiam haver apenas quatro ou cinco, até que se descobriu que eram daltônicos.

H. P. BLAVATSKY.

Escritos Reunidos VOLUME VIII                                             Novembro,

"QUE CADA HOMEM PROVE A SUA PRÓPRIA OBRA"                                [Lucifer, Vol.

I, nº 3, novembro de 1887, pp. 161-169]

Tal é o título de uma carta recebida pelos Editores de Lucifer.

É de natureza tão séria que parece conveniente torná-la o assunto do editorial deste mês.

Considerando as verdades proferidas em suas poucas linhas, sua importância e a relação que tem com o tão obscurecido assunto da Teosofia, e seu agente ou veículo visível—a Sociedade de mesmo nome—a carta é certamente digna da mais ponderada resposta.

"Fiat justitia, ruat coelum!" Será feita justiça a ambos os lados na disputa, a saber, os Teosofistas e os membros da Sociedade Teosófica, por um lado, e os seguidores do Verbo Divino (ou Christos), e os assim chamados cristãos, por outro.

––––––––––       Nem todos os membros da Sociedade Teosófica são Teosofistas; tampouco os membros das chamadas Igrejas Cristãs são todos cristãos, de modo algum.

Verdadeiros Teosofistas, assim como verdadeiros cristãos, são muito, muito poucos; e há Teosofistas práticos no seio do Cristianismo, assim como há cristãos práticos na Sociedade Teosófica, fora de todo Cristianismo ritualístico.

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mateus, vii, 21.) “Não creiais em MIM, mas nas verdades que profiro.” (Aforismos de Buda.) –––––––––– Reproduzimos a carta:                                              Aos Editores de Lucifer.


Que grande oportunidade se abre agora neste país aos expoentes de uma religião nobre e avançada (se tal seja esta Teosofia) para provar sua força, retidão e veracidade ao mundo ocidental, lançando um raio penetrante e iluminador de sua luz declarada sobre os problemas práticos terrivelmente dilacerantes e perplexos de nossa era.

Certamente um dos deveres mais puros e menos incrustados de ego do homem é aliviar os sofrimentos de seu semelhante?

Pelo que leio e pelo que diariamente entro em contato imediato, dificilmente posso pensar que seria possível superestimar em contemplação a intensa privação e o sofrimento agonizante que — sim, diga-se — neste momento está sendo suportado por uma vasta proporção de nossos irmãos e irmãs, decorrendo em grande medida de não terem eles absolutamente os meios para obter as meras necessidades básicas da existência?

Certamente uma religião elevada e nascida do céu — uma religião que professa receber seu conhecimento avançado e sua Luz daqueles “mais eruditos na Ciência da Vida” — deveria ser capaz de nos dizer algo sobre como lidar com tal vida, em sua condição primitiva de submissão impotente às circunstâncias circundantes da — civilização!

Se um dos nossos principais deveres é o de exercer amor desinteressado para com a Irmandade, certamente “aqueles mais instruídos”, seja na carne, ou fora dela, podem e irão, se apelados por seus devotos, auxiliá-los a descobrir meios e modos para tal fim, e a organizar algum grande esquema fraternal para lidar corretamente com questões que são tão assombrosas em sua complexidade, e que devem e de fato pressionam com tão irresistível força sobre todos aqueles que são sinceros em seus esforços para cumprir a vontade de Cristo em uma Terra Cristã?

L. F. FF, 25 de outubro de 1887.

––––––––––       “Esta” Teosofia não é uma religião, mas antes a RELIGIÃO — se é que existe uma.

Até agora, preferimos chamá-la de filosofia; uma que, além disso, contém toda religião, pois é a essência e o fundamento de todas.

Regra III do Corpo Teosófico diz: “A Sociedade não representa nenhum credo religioso particular, é inteiramente não sectária, e inclui professantes de todas as fés.” –––––––––––

“QUE CADA HOMEM PROVE A SUA PRÓPRIA OBRA”

Esta carta honesta e sincera contém duas declarações; uma acusação implícita contra a “Teosofia” (isto é, a Sociedade desse nome), e uma admissão virtual de que o Cristianismo — ou, novamente, antes as suas religiões ritualísticas e dogmáticas — merece a mesma e até mais severa repreensão.

Pois se a “Teosofia”, representada por seus professantes, merece, na aparência externa, a reprovação de que até agora falhou em transferir a sabedoria divina da região do metafísico para a do trabalho prático, o “Cristianismo”, isto é, meramente os cristãos professantes, clérigos e leigos, jazem sob uma acusação semelhante, evidentemente.

A “Teosofia” certamente falhou em descobrir meios e modos infalíveis de levar todos os seus devotos a exercer “amor desinteressado” em sua Irmandade; ainda não foi capaz de aliviar o sofrimento da humanidade em geral; mas tampouco o Cristianismo o foi.

E nem mesmo o escritor da carta acima, nem qualquer outra pessoa, pode mostrar desculpa suficiente para os cristãos a esse respeito.

Assim, a admissão de que “aqueles que são sinceros em seus esforços para cumprir a vontade de Cristo em uma Terra Cristã” precisam da ajuda de “‘aqueles mais instruídos’, seja [adeptos pagãos] na carne, ou [espíritos?] fora dela,” é muito sugestiva, pois contém a defesa e a razão de ser da Sociedade Teosófica.

Embora tácita, uma vez que vem da pena de um cristão sincero, de alguém que anseia por aprender algum meio prático para aliviar os sofrimentos das multidões famintas — essa admissão torna-se a maior e mais completa justificativa para a existência da Fraternidade Teosófica; uma confissão plena da necessidade absoluta de tal corpo, independente e desimpedido de quaisquer dogmas acorrentadores, e aponta ao mesmo tempo o fracasso notório do Cristianismo em realizar os resultados desejados.

Verdadeiramente disse Coleridge que "boas obras podem existir sem princípios salvadores (?), portanto não podem conter em si mesmas os princípios da salvação; mas princípios salvadores nunca existiram, nem jamais poderão existir, sem boas obras." Os teosofistas admitem a definição e discordam dos cristãos apenas quanto à natureza desses "princípios salvadores". A Igreja (ou igrejas) sustenta que o único princípio salvador é a crença em Jesus, ou no Cristo carnalizado do dogma que mata a alma; a teosofia, antidogmática e antissectária, responde que não é assim. O único princípio salvador habita no próprio homem e nunca habitou fora de seu imortal eu divino; isto é, é o verdadeiro Cristo, assim como é o verdadeiro Buda, a luz interior divina que procede do eterno TODO desconhecido e não manifestado.


E essa luz só pode ser conhecida por suas obras — a fé nela tendo de permanecer sempre cega em todos, exceto no próprio homem que sente essa luz dentro de sua alma.

Portanto, a admissão tácita do autor da carta acima cobre outro ponto de grande importância.

O escritor parece ter sentido aquilo que muitos, entre os que se esforçam para ajudar os sofredores, sentiram e expressaram.

Os credos das igrejas falham em fornecer a luz intelectual e a verdadeira sabedoria necessárias para tornar a filantropia prática, levada a cabo pelos verdadeiros e sinceros seguidores de Cristo, uma realidade.

As pessoas "práticas" ou continuam "fazendo o bem" sem inteligência, e assim muitas vezes causam dano em vez disso; ou, aterrorizadas pelo problema terrível diante delas, e não encontrando em suas "igrejas" qualquer pista, ou esperança de solução, retiram-se do campo de batalha e deixam-se levar cegamente pela corrente em que por acaso nasceram.

Ultimamente tornou-se moda, tanto para amigos quanto para inimigos, censurar a Sociedade Teosófica por não fazer trabalho prático, mas perder-se nas nuvens da metafísica.

Metafísicos, nos dizem aqueles que gostam de repetir argumentos gastos, vêm aprendendo sua lição há alguns milhares de anos; e já é mais que tempo de começarem a fazer algum trabalho prático.

Concordamos; mas considerando que as igrejas cristãs contam com quase dezenove séculos de existência, e que a Sociedade e Fraternidade Teosófica é um corpo com pouco mais de doze anos; considerando ainda que as igrejas cristãs nadam em riquezas fabulosas e contam seus adeptos às centenas de milhões, ao passo que a Fraternidade Teosófica conta apenas alguns milhares de membros, e que não dispõe de fundo ou fundos, mas que

"QUE CADA HOMEM PROVE SUA PRÓPRIA OBRA"

por cento.

de seus membros são tão pobres e tão sem influência quanto a aristocracia da igreja cristã é rica e poderosa; levando tudo isso em consideração, haveria muito a dizer se os teosofistas quisessem apenas levar o assunto ao conhecimento público.

Enquanto isso, como os críticos mais amargos dos "líderes" da Sociedade Teosófica não são de modo algum apenas os de fora, mas há membros dessa sociedade que sempre encontram um pretexto para estar insatisfeitos, perguntamos: Podem obras de caridade que serão conhecidas entre os homens ser realizadas sem dinheiro? Certamente que não.

E, no entanto, apesar de tudo isso, nenhum de seus membros (europeus), exceto alguns poucos oficiais devotados encarregados das sociedades, fará trabalho prático; mas alguns deles, especialmente aqueles que nunca levantaram um dedo para aliviar o sofrimento e ajudar seus irmãos mais pobres de fora, são os que falam mais alto e são os mais amargos em suas denúncias da não espiritualidade e da inadequação dos "líderes da teosofia". Com isso, eles se colocam no círculo externo dos críticos, como aqueles espectadores no teatro que riem de um ator que representa Hamlet de forma aceitável, enquanto eles próprios não conseguiriam subir ao palco nem com uma carta numa bandeja.

Enquanto na Índia, teósofos comparativamente pobres abriram dispensários gratuitos para os enfermos, hospitais, escolas e tudo o que puderam imaginar, sem exigir retorno dos pobres, como fazem os missionários, nem o abandono da religião de seus antepassados, como pesado preço pelos favores recebidos, terão os teósofos ingleses, como regra, feito uma única coisa por essas multidões sofredoras, cujo clamor lastimoso ecoa por todos os Céus como um protesto contra o estado atual de coisas na Cristandade? Aproveitamos esta oportunidade para dizer, em resposta tanto a outros quanto ao nosso correspondente, que, até agora, as energias da Sociedade têm sido ocupadas principalmente em organizar, expandir e consolidar a própria Sociedade, trabalho que tem sobrecarregado seu tempo, energias e recursos a tal ponto que a deixou muito menos poderosa para a caridade prática do que desejaríamos.

Mas, mesmo assim, comparada com a influência e os fundos à disposição da Sociedade, sua obra de caridade prática, se menos amplamente conhecida, certamente suportará comparação favorável com a dos cristãos professos, com seus enormes recursos em dinheiro, trabalhadores e oportunidades de todos os tipos.


Não se deve esquecer que a caridade prática não é um dos objetivos declarados da Sociedade.

É óbvio, e não precisa de "declaração", que todo membro da Sociedade deve ser praticamente filantrópico se for um teósofo de fato; e nosso trabalho declarado é, na realidade, mais importante e mais eficaz do que o trabalho no plano cotidiano que produz frutos mais evidentes e imediatos, pois o efeito direto da apreciação da teosofia é tornar caridosos aqueles que antes não o eram.

A teosofia cria a caridade que, depois, e por sua própria vontade, se manifesta em obras.

A teosofia é corretamente — embora neste caso particular, seja antes ironicamente — denominada "uma religião elevada e nascida do Céu". Argumenta-se que, uma vez que ela professa "receber seu conhecimento avançado e Luz daqueles 'mais eruditos na Ciência da Vida'", estes deveriam e devem, "se apelados por seus devotos [os teósofos], auxiliá-los a descobrir meios e modos... em organizar algum grande esquema fraternal", etc.

O esquema foi planejado, e as regras e leis para guiar tal irmandade prática foram dadas por "aqueles mais versados na Ciência da [prática, cotidiana e altruísta] Vida", sim, verdadeiramente "mais versados" nela do que qualquer outros homens desde os dias de Gautama Buda e dos Essênios Gnósticos.

O "esquema" remonta ao ano em que a Sociedade Teosófica foi fundada.

Que qualquer um leia suas sábias e nobres leis, incorporadas até hoje nos Estatutos da Fraternidade, e julgue por si mesmo se, executado rigorosamente e aplicado à vida prática, o "esquema" não teria se mostrado o mais benéfico para a humanidade em geral, e especialmente para nossos irmãos mais pobres, das "multidões famintas". A Teosofia ensina o espírito de "não-separatividade", a evanescência e a ilusão dos credos e dogmas humanos, portanto, inculca amor universal e caridade para toda a humanidade "sem distinção de raça, cor, casta ou credo"; não é ela, portanto, a mais adequada para aliviar os sofrimentos da humanidade?

"QUE CADA HOMEM PROVE A SUA PRÓPRIA OBRA"

Nenhum verdadeiro teosofista recusaria admissão em um hospital, ou em qualquer estabelecimento de caridade, a qualquer homem, mulher ou criança, sob o pretexto de que ele não é teosofista, como um católico romano faria ao lidar com um protestante, e vice-versa.

Nenhum verdadeiro teosofista das regras originais deixaria de colocar em prática a parábola do "Bom Samaritano", ou ofereceria ajuda apenas para atrair os incautos que, espera, se tornarão um pervertido de seu deus e dos deuses de seus antepassados.

Nenhum caluniaria seu irmão, nenhum deixaria um homem necessitado sem ajuda, nenhum ofereceria belas palavras em vez de amor e caridade práticos.

É então culpa da Teosofia, mais do que é culpa dos ensinamentos de Cristo, se a maioria dos membros da Sociedade Teosófica, frequentemente mudando suas visões filosóficas e religiosas ao entrar em nosso Corpo, permaneceu praticamente a mesma de quando professava um cristianismo de fachada? Nossas leis e regras são as mesmas que nos foram dadas desde o início; são os membros em geral da Sociedade que permitiram que elas se tornassem virtualmente obsoletas.

Aqueles poucos que estão sempre prontos a sacrificar seu tempo e trabalho para ajudar os pobres, e que fazem, sem reconhecimento e sem gratidão, um bom trabalho onde quer que possam, são frequentemente pobres demais para colocar seus maiores esquemas de caridade em forma prática objetiva, por mais dispostos que estejam. “A falha que encontro na Sociedade Teosófica,” disse um dos mais eminentes cirurgiões de Londres a um dos editores, muito recentemente, “é que não consigo descobrir que qualquer um de seus membros realmente vive a vida de Cristo.” Esta pareceu uma acusação muito séria vinda de um homem que não está apenas na vanguarda de sua profissão, e é valorizado por sua natureza bondosa, por seus pacientes e pela sociedade, e é bem conhecido como um praticante silencioso de muitas boas ações.

A única resposta possível a ser dada era que a vida de Cristo é inegavelmente o ideal de todo aquele que é digno, em qualquer sentido, do nome de teosofista, e que, se ela não é vivida, é porque não há ninguém forte o suficiente para colocá-la em prática.

Apenas alguns dias depois, a mesma queixa foi expressa de forma mais vívida por uma célebre artista.


“Vocês, teosofistas, não fazem o bastante de bom para mim,” disse ela de forma incisiva.

E no caso dela também há o direito de falar, dado pelo fato de que ela leva duas vidas — uma existência de borboleta na sociedade, e outra séria, que faz pouco barulho, mas tem muito propósito.

Aqueles que consideram a vida como uma grande vocação, como os dois críticos do movimento teosófico que acabamos de citar, têm o direito de exigir de tal movimento mais do que meras palavras.

Eles próprios se esforçam muito silenciosamente para levar a “vida de Cristo,” e não conseguem entender um número de pessoas se unindo no esforço em direção a essa vida sem que resultados práticos sejam aparentes.

Outro crítico do mesmo caráter, que tem o melhor direito possível de criticar, sendo um filantropo totalmente prático e caridoso ao último grau, disse dos teosofistas que seu muito falar e escrever parece se resolver em mero luxo intelectual, sem produzir bem direto algum para o mundo.

O ponto de diferença entre os Teosofistas (quando usamos este termo, não nos referimos aos membros da Sociedade, mas às pessoas que realmente utilizam a organização como um método de aprender mais sobre a verdadeira religião-sabedoria, que existe como um fato vital e eterno por trás de todos esses esforços) e os filantropos práticos, religiosos ou seculares, é muito sério, e a resposta, de que provavelmente nenhum deles é ainda suficientemente forte para conduzir a "vida de Cristo", é apenas uma parte da verdade.

A situação pode ser exposta de forma bem clara, em poucas palavras.

O filantropo religioso ocupa uma posição própria, que de modo algum pode concernir ou afetar o Teosofista.

Ele não faz o bem meramente pelo prazer de fazer o bem, mas também como um meio para a sua própria salvação.

Este é o resultado do lado egoísta e pessoal da natureza humana, que tanto coloriu e afetou uma grande religião que seus devotos são pouco melhores do que os adoradores de ídolos que pedem à sua divindade de barro que lhes traga sorte nos negócios e o pagamento de dívidas.

O filantropo religioso que espera ganhar a salvação por meio de boas obras simplesmente, para citar um dito gasto, porém sempre fresco, trocou a mundanidade pela ultramundanidade.

"CADA UM PROVE A SUA PRÓPRIA OBRA"

O filantropo secular é, no fundo, um socialista, e nada mais; ele espera tornar os homens felizes e bons melhorando sua posição física.

Nenhum estudioso sério da natureza humana pode acreditar nessa teoria por um momento.

Não há dúvida de que ela é muito agradável, porque, se for aceita, há trabalho imediato e direto a ser empreendido.

"Os pobres sempre os tendes convosco." A causalidade que produziu a própria natureza humana produziu a pobreza, a miséria, a dor, a degradação, ao mesmo tempo em que produziu a riqueza, o conforto, a alegria e a glória.

Filantropos de toda a vida, que começaram o trabalho com uma jovial convicção juvenil de que é possível "fazer o bem", confessaram ao presente escritor, embora nunca relaxando o hábito da caridade, que, na realidade, a miséria não pode ser aliviada.

É um elemento vital na natureza humana, e é tão necessário para algumas vidas quanto o prazer é para outras.

É uma coisa estranha observar como filantropos práticos eventualmente, após longa e amarga experiência, chegam a uma conclusão que, para um ocultista, é desde o início uma hipótese de trabalho.

Isto é, que a miséria não é apenas suportável, mas agradável para muitos que a suportam. Uma nobre mulher, cuja vida foi dedicada ao resgate da classe mais baixa de moças infelizes, aquelas que parecem ser levadas ao vício pela necessidade, disse, há poucos dias, que com muitas dessas párias não é possível elevá-las a qualquer sorte aparentemente mais feliz.

E ela declarou distintamente (e pode falar com autoridade, tendo passado a vida literalmente entre elas, e as estudado a fundo), que isso não se deve tanto a qualquer amor ao vício, mas ao amor àquele próprio estado que as classes abastadas chamam de miséria.

Elas preferem a vida selvagem de uma criatura descalça, semivestida, sem teto à noite e sem comida durante o dia, a quaisquer confortos que lhes possam ser oferecidos.

Por confortos, não nos referimos ao asilo ou ao reformatório, mas aos confortos de um lar tranquilo; e podemos citar capítulo e versículo, por assim dizer, para mostrar que este é o caso, não apenas com os filhos de párias, dos quais se poderia supor uma hereditariedade selvagem, mas com os filhos de pessoas gentis, cultas e cristãs.


Nossas grandes cidades escondem em suas favelas milhares de seres cuja história formaria um enigma inexplicável, um quadro moral perfeitamente desconcertante, se pudesse ser escrita claramente, de modo a ser inteligível.

Mas eles são conhecidos apenas pelos dedicados trabalhadores entre as classes párias, para quem se tornam um triste e terrível quebra-cabeça, não a ser resolvido e, portanto, melhor não discutido.

Aqueles que não têm pista alguma sobre a ciência da vida são compelidos a descartar tais dificuldades dessa maneira; caso contrário, sucumbiriam, esmagados sob o pensamento delas.

A questão social, como é chamada, as grandes águas profundas da miséria, a apatia mortal daqueles que têm poder e posses — essas coisas dificilmente podem ser enfrentadas por uma alma generosa que não alcançou a grande ideia da evolução, e que não intuíu o maravilhoso mistério do desenvolvimento humano.

O Teosofista é colocado em uma posição diferente de qualquer uma dessas pessoas, porque ele ouviu falar do vasto escopo da vida com o qual todos os escritores e mestres místicos e ocultistas lidam, e foi trazido muito perto do grande mistério.

De fato, ninguém, ainda que se tenha inscrito como Membro da Sociedade, pode ser chamado, em qualquer sentido sério, de Teosofista, até que tenha começado a provar conscientemente, em sua própria pessoa, este mesmo mistério; que é, na verdade, uma lei inexorável, pela qual o homem se eleva, por graus, do estado de besta à glória de um Deus.

A rapidez com que isso se realiza é diferente para cada alma viva; e os miseráveis que abraçam o primitivo senhor de tarefas, a miséria, escolhem avançar lentamente por um curso de moinho de trituração que pode lhes conceder inúmeras vidas de sensação física — seja agradável ou dolorosa, bem-amada por ser tangível aos mais baixos sentidos.

O Teosofista que deseja entrar no ocultismo toma algumas das prerrogativas da Natureza em suas próprias mãos por esse mesmo desejo, e logo descobre que as experiências lhe chegam com rapidez redobrada.

Sua tarefa é então reconhecer que está sob uma lei de desenvolvimento — para ele — nova e mais rápida, e aproveitar as lições que lhe chegam.

Mas, ao reconhecer isso, ele também faz outra descoberta.

Ele vê que é preciso um homem muito sábio para fazer

“CADA UM PROVE A SUA PRÓPRIA OBRA”

boas obras sem perigo de causar dano incalculável.

Um adepto altamente desenvolvido na vida pode agarrar a urtiga e, por seus grandes poderes intuitivos, saber a quem aliviar da dor e a quem deixar na lama que é seu melhor mestre.

Os próprios pobres e miseráveis dirão a qualquer um que consiga conquistar sua confiança que erros desastrosos são cometidos por aqueles que vêm de uma classe diferente e se esforçam para ajudá-los.

A bondade e o tratamento gentil às vezes trazem à tona as piores qualidades de um homem ou mulher que levou uma vida razoavelmente apresentável quando mantido sob controle pela dor e pelo desespero.

Que o Mestre de Misericórdia nos perdoe por dizer tais palavras sobre quaisquer criaturas humanas, todas as quais são uma parte de nós mesmos, segundo a lei da fraternidade humana que nenhuma repúdia pode destruir.

Mas as palavras são verdadeiras.

Nenhum de nós conhece a escuridão que espreita nas profundezas de nossas próprias naturezas até que alguma experiência estranha e incomum desperte todo o ser para a ação. Assim também com esses outros que parecem mais miseráveis do que nós mesmos.

Assim que começa a compreender que amigo e mestre a dor pode ser, o Teosofista se vê estarrecido diante do misterioso problema da vida humana, e embora possa ansiar por fazer boas obras, igualmente receia fazê-las de forma errada até que ele próprio tenha adquirido maior poder e conhecimento.

A prática ignorante de boas obras pode ser vitalmente prejudicial, como todos, exceto aqueles que são cegos em seu amor pela benevolência, são obrigados a reconhecer.

Nesse sentido, a resposta dada quanto à falta de vidas semelhantes às de Cristo entre os teosofistas, de que provavelmente não há ninguém forte o suficiente para viver tal vida, é perfeitamente correta e cobre toda a questão.

Pois não é o espírito de autossacrifício, ou de devoção, ou de desejo de ajudar que falta, mas a força para adquirir conhecimento, poder e intuição, de modo que as ações realizadas sejam verdadeiramente dignas do espírito "Buda-Cristo".

Por isso é que os teosofistas não podem se apresentar como um corpo de filantropos, embora secretamente possam aventurar-se no caminho das boas obras.

Eles professam ser meramente um corpo de aprendizes, comprometidos a ajudar uns aos outros e a toda a restante humanidade, na medida em que neles reside, para uma melhor compreensão do mistério da vida, e para um melhor conhecimento da paz que está além dela. Mas, como é uma lei inexorável que o solo deve ser lavrado para que a colheita seja feita, assim os teosofistas são obrigados a trabalhar no mundo incessantemente, e muitas vezes, ao fazê-lo, cometem sérios erros, como fazem todos os trabalhadores que não são Redentores encarnados.


Seus esforços podem não se enquadrar no título de boas obras, e podem ser condenados como uma escola de faladores ociosos; no entanto, são um resultado e uma fruição deste momento particular do tempo, quando as ideias que sustentam são recebidas pela multidão com interesse; e portanto seu trabalho é bom, assim como a flor de lótus é boa quando se abre sob o sol do meio-dia.

Ninguém sabe mais aguda e definitivamente do que eles que as boas obras são necessárias; somente estas não podem ser corretamente realizadas sem conhecimento.

Esquemas para a Fraternidade Universal e a redenção da humanidade poderiam ser abundantemente divulgados pelos grandes adeptos da vida, e seriam meras palavras mortas enquanto os indivíduos permanecem ignorantes e incapazes de apreender o grande significado de seus mestres.

Aos teosofistas dizemos: cumpramos as regras que nos foram dadas para nossa sociedade antes de pedirmos quaisquer outros esquemas ou leis.

Ao público e aos nossos críticos dizemos: tentai compreender o valor das boas obras antes de exigi-las dos outros, ou de empreendê-las precipitadamente vós mesmos.

Contudo, é um fato absoluto que, sem as boas obras, o espírito de fraternidade morreria no mundo; e isso nunca pode acontecer. Portanto, é mais necessária a dupla atividade de aprender e fazer; temos de fazer o bem, e temos de fazê-lo corretamente, com conhecimento.

É sabido que a primeira regra da Sociedade é realizar o objetivo de formar o núcleo de uma fraternidade universal.

O funcionamento prático desta regra foi

"PROVE CADA UM A SUA PRÓPRIA OBRA"

explicado por aqueles que a estabeleceram, nos seguintes termos:—

"QUEM NÃO PRATICA O ALTRUÍSMO; QUEM NÃO ESTÁ PREPARADO PARA PARTILHAR O SEU ÚLTIMO BOCADO COM UM MAIS FRACO OU MAIS POBRE DO QUE SI MESMO; QUEM NEGLIGENCIA AJUDAR O SEU IRMÃO EM HUMANIDADE, DE QUALQUER RAÇA, NAÇÃO OU CREDO, SEMPRE E ONDE QUER QUE ENCONTRE SOFRIMENTO, E QUE FAZ OUVIDOS SURDOS AO CLAMOR DA MISÉRIA HUMANA; QUEM OUVE UMA PESSOA INOCENTE SER CALUNIADA, SEJA UM IRMÃO TEOSOFISTA OU NÃO, E NÃO ASSUME A SUA DEFESA COMO ASSUMIRIA A SUA PRÓPRIA — NÃO É TEOSOFISTA."

Escritos Reunidos VOLUME VIII Novembro, O CARÁTER ESOTÉRICO DOS EVANGELHOS [Os números sobrescritos que aparecem em vários lugares ao longo deste Ensaio referem-se às Notas do Compilador imediatamente a seguir, nas páginas 217-239.]


—I— [Lucifer, Vol. I, No. 3, Novembro, 1887, pp. 173-180]

". . . . . Dize-nos, quando serão estas coisas? E qual será o sinal da tua presença e da consumação do século?" — perguntaram os Discípulos ao MESTRE, no Monte das Oliveiras.

A resposta dada pelo "Homem de Dores", o Chrstos, em seu julgamento, mas também em seu caminho de triunfo, como Christos, ou Cristo, é profética e muito sugestiva.

É um aviso, na verdade.

A resposta deve ser citada por inteiro.

Jesus . . . disse-lhes:—

Vede que ninguém vos engane.

Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.

E ouvireis falar de guerras . . . . mas ainda não é o fim.

Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares.

Mas todas essas coisas são o princípio das dores... E muitos falsos profetas se levantarão e enganarão a muitos... então virá o fim... quando, pois, virdes a abominação da desolação, que foi dita por Daniel... Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo, ou ali, não acrediteis... Se, portanto, vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais; eis que ele está no

––––––––––       São Mateus, xxiv, 3 e seguintes.

As frases em itálico são aquelas que foram corrigidas no Novo Testamento após a recente revisão de 1881 da versão de 1611; versão essa repleta de erros, voluntários e involuntários.

A palavra "presença", em vez de "vinda", e "a consumação da era", agora em lugar de "o fim do mundo", alteraram, ultimamente, todo o significado, mesmo para os cristãos mais sinceros, se excetuarmos os adventistas.

Aquele que não refletir e não dominar a grande diferença entre o significado das duas palavras gregas—                e              permanecerá para sempre cego ao verdadeiro sentido esotérico dos Evangelhos; isto é, ao Espírito vivo sepultado na letra morta e estéril dos textos, o próprio fruto do Mar Morto do cristianismo de lábios.

––––––––––

O CARÁTER ESOTÉRICO DOS EVANGELHOS

interiores; não acrediteis neles.

Pois, assim como o relâmpago sai do oriente e se vê até ao ocidente, assim será a presença do Filho do Homem, etc., etc.

Duas coisas tornam-se evidentes a todos nas passagens acima, agora que sua falsa tradução foi corrigida no texto da revisão: (a) "a vinda de Cristo" significa a presença de CHRISTOS em um mundo regenerado, e de modo algum a vinda real em corpo de "Cristo" Jesus; (b) esse Cristo não deve ser procurado nem no deserto, nem "nas câmaras interiores", nem no santuário de qualquer templo ou igreja construída pelo homem; pois Cristo—o verdadeiro SALVADOR esotérico—não é um homem, mas o PRINCÍPIO DIVINO em todo ser humano.

Aquele que se esforça por ressuscitar o Espírito crucificado em si mesmo por suas próprias paixões terrestres, e sepultado nas profundezas do "sepulcro" de sua carne pecaminosa; aquele que tem a força para remover a pedra da matéria da porta de seu próprio santuário interior, esse tem o Cristo ressuscitado em si. O "Filho do Homem" não é filho da mulher escrava—a carne, mas verdadeiramente da mulher livre—o Espírito, o filho das próprias ações do homem, e o fruto de seu próprio trabalho espiritual.

Por outro lado, em nenhum momento desde a era cristã os sinais precursores descritos em Mateus se aplicaram de forma tão gráfica e contundente a qualquer época como se aplicam aos nossos próprios tempos.

Quando houve nação que se levantasse contra nação mais do que neste tempo? Quando foram as “fomes” — outro nome para o pauperismo desamparado e as multidões famintas do proletariado — mais cruéis, os terremotos mais frequentes, ou cobriram uma área tão extensa simultaneamente, como nos últimos anos? Milenaristas e Adventistas de

––––––––––      “Porque vós sois o templo [“santuário” no N.T. revisado] do Deus vivo.” (II Cor., vi, 16.)      O Espírito, ou o Espírito Santo, era feminino entre os judeus, como entre a maioria dos povos antigos, e assim era também entre os primeiros cristãos.

A Sofia dos gnósticos, e a terceira Sefirá Biná (o Jeová feminino dos cabalistas), são princípios femininos — “Espírito Divino”, ou Ruach.

“Achat Ruach Elohim Chayyim.” “Una é Ela, o Espírito dos Elohim da Vida”, é dito no Sepher Yetzirah.

[cap.

i, seç.

9.] –––––––––– fé robusta, podem continuar dizendo que “a vinda do Cristo (carnalizado)” está próxima, e preparar-se para “o fim do mundo”. Os teosofistas — pelo menos alguns deles — que compreendem o significado oculto dos Avatares, Messias, Sosioshes e Cristos universalmente esperados — sabem que não é um “fim do mundo”, mas “a consumação da era”, isto é, o encerramento de um ciclo, que agora se aproxima rapidamente. Se nossos leitores esqueceram as passagens finais do artigo “Os Sinais dos Tempos”, em Lucifer do último outubro, que as releiam, e verão claramente o significado deste ciclo particular.


Muitas e muitas vezes o aviso sobre os “falsos cristos” e profetas que desviarão as pessoas foi interpretado por cristãos caridosos, adoradores da letra morta de sua escritura, como aplicando-se a místicos em geral, e aos teosofistas mais especialmente.

A obra recente do Sr. Pember, Earth’s Earliest Ages, é uma prova disso. No entanto, parece muito evidente que as palavras no Evangelho de Mateus e em outros dificilmente podem aplicar-se aos teosofistas.

Pois estes nunca foram encontrados dizendo que Cristo está “aqui” ou “ali”, no deserto ou na cidade, e muito menos na “câmara interior” atrás do altar de qualquer igreja moderna.

Quer sejam pagãos ou cristãos por nascimento, recusam-se a materializar e assim degradar aquilo que é o mais puro e grandioso ideal—o símbolo dos símbolos—a saber, o imortal Espírito Divino no homem, quer seja chamado Hórus, Krishna, Buda ou Cristo.

Nenhum deles jamais disse: “Eu sou o Cristo”;

–––––––––––       Há vários ciclos notáveis que chegam ao fim no final deste século.

Primeiro, os 5.000 anos do ciclo da Kaliyuga; novamente o ciclo messiânico dos judeus samaritanos (também cabalísticos) do homem ligado a Peixes (Ichthys ou “Homem-Peixe” Dag). É um ciclo, histórico e não muito longo, mas muito oculto, com duração de cerca de 2.155 anos solares, mas tendo um verdadeiro significado apenas quando computado por meses lunares.

Ocorreu em 2410 e 255 a.C., ou quando o equinócio entrou no signo de Áries, e novamente no de Peixes.

Quando entrar, em poucos anos, no signo de Aquário, os psicólogos terão algum trabalho extra a fazer, e as idiossincrasias psíquicas da humanidade sofrerão uma grande mudança.

–––––––––– pois aqueles nascidos no Ocidente sentem-se, até agora, apenas cristãos, por mais que se esforcem para se tornarem Cristãos em Espírito.


É a esses, que em sua grande presunção e orgulho recusam-se a conquistar o direito de tal denominação por primeiro levarem a vida de Christos; àqueles que arrogantemente se proclamam cristãos (os glorificados, os ungidos) por única virtude do batismo quando tinham apenas alguns dias de idade—que as palavras de Jesus acima citadas se aplicam com maior força.

Pode a visão profética daquele que proferiu este notável aviso ser duvidada por alguém que vê os numerosos “falsos profetas” e pseudo-apóstolos (de Cristo), agora vagando pelo mundo? Estes dividiram a única Verdade divina em fragmentos, e quebraram, somente no campo dos protestantes, a rocha da Eterna Veracidade em trezentas e cinquenta e tantas peças, que agora representam a maior parte de suas seitas dissidentes.

Aceitando o número em números redondos como 350, e admitindo, por hipótese, que pelo menos uma destas possa ter a verdade aproximada, ainda assim 349 devem ser necessariamente falsas. Cada uma afirma ter Cristo exclusivamente em sua “câmara interior”, e o nega a todos os outros, enquanto, na verdade, a grande maioria de seus respectivos seguidores diariamente põe Cristo à morte na árvore cruciforme da matéria—a “árvore da infâmia” dos antigos romanos—de fato!

–––––––––– O mais antigo autor cristão, Justino Mártir, chama, em sua Primeira Apologia, seus correligionários de Chrstãos — não Cristãos.

“Clemente Alexandrino, no segundo século, fundamenta um argumento sério nesta paronímia de que (livro III, cap. xvii, p. 53, e arredores — Sal. 55, D), todos os que creem em Chrst (isto é, num homem bom) são, e são chamados, Chrstãos, isto é, homens bons” (Stromata, livro II, cap. iv, citado em Anacalypsis de Higgins, I, 568). E Lactâncio (Instituições Divinas, livro IV, cap. vii) diz que é somente por ignorância que as pessoas se chamam Cristãs, em vez de Chrstãs: “Sed exponenda huius nominis ratio est propter ignorantium errorem qui eum immutata littera Chrestum solent dicere.” Somente na Inglaterra, há mais de 239 seitas diversas.

(Veja o Almanaque Whitaker.) Em 1883, havia apenas denominações, e agora elas aumentam constantemente a cada ano, tendo surgido 53 seitas adicionais em apenas quatro anos! –––––––––– 176 BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

A adoração da letra morta na Bíblia é apenas mais uma forma de idolatria, nada melhor.

Um dogma fundamental de fé não pode existir sob uma forma bifronte de Jano.

A “justificação” por Cristo não pode ser alcançada à escolha e ao capricho de cada um, seja pela “fé” ou pelas “obras”, e Tiago (ii, 25), portanto, contradizendo Paulo (Heb., xi, 31), e vice-versa, um deles deve estar errado.

Logo, a Bíblia não é a “Palavra de Deus”, mas contém, na melhor das hipóteses, as palavras de homens falíveis e de mestres imperfeitos.

Contudo, lida esotericamente, ela contém, se não toda a verdade, ainda assim, “nada além da verdade”, sob qualquer que seja o véu alegórico.

Apenas: Quot homines tot sententiae.

O “princípio de Cristo”, o Espírito da Verdade despertado e glorificado, sendo universal e eterno, o verdadeiro Christos não pode ser monopolizado por qualquer pessoa, mesmo que essa pessoa tenha escolhido arrogar a si o título de “Vigário de Cristo”, ou de “Chefe” desta ou daquela religião de Estado.

Os espíritos de “Chrst” e “Christ” não podem ser confinados a qualquer credo ou seita, somente porque essa seita escolhe exaltar-se acima das cabeças de todas as outras religiões ou seitas.

O nome tem sido usado de maneira tão intolerante e dogmática, especialmente em nossos dias, que o Cristianismo é agora a religião da arrogância por excelência, um trampolim para a ambição, uma sinecura para a riqueza, a farsa e o poder; uma tela conveniente para a hipocrisia.

O nobre epíteto de outrora, aquele que fez Justino Mártir dizer que "pelo próprio nome, que nos é imputado como crime, somos os mais excelentes", é

––––––––––      É apenas justo para com São Paulo observar que essa contradição certamente se deve à adulteração posterior de suas Epístolas.

Paulo era ele próprio um gnóstico, ou seja, um "Filho da Sabedoria", e um Iniciado nos verdadeiros mistérios do Christos, embora possa ter trovejado (ou tenha sido feito parecer que o fazia) contra algumas seitas gnósticas, das quais, em seus dias, havia muitas.

Mas o seu Christos não era Jesus de Nazaré, nem qualquer homem vivo, como demonstrado tão habilmente na conferência do Sr. Gerald Massey, "Paulo, o Oponente Gnóstico de Pedro". Ele era um Iniciado, um verdadeiro "Mestre Construtor" ou adepto, como descrito em Ísis sem Véu, Vol.

II, pp. 90-91.      ". . . .                                . . ." (Primeira Apologia, iv). –––––––––– agora degradado.


O missionário orgulha-se da chamada conversão de um pagão, que faz do cristianismo sempre uma profissão, mas raramente uma religião, uma fonte de renda do fundo missionário, e um pretexto, uma vez que o sangue de Jesus já os lavou a todos por antecipação, para todo crime mesquinho, da embriaguez e da mentira até o roubo.

Esse mesmo missionário, no entanto, não hesitaria em condenar publicamente o maior santo à perdição eterna e aos fogos do inferno se esse homem santo apenas tivesse negligenciado passar pela infrutífera e sem sentido forma de batismo pela água, com acompanhamento de orações labiais e ritualismo vão.

Dizemos "oração labial" e "ritualismo vão" conscientemente.

Poucos cristãos entre os leigos sequer conhecem o verdadeiro significado da palavra Cristo; e aqueles do clero que por acaso o conhecem (pois são criados na ideia de que estudar tais assuntos é pecaminoso) mantêm a informação em segredo de seus paroquianos.

Eles exigem fé cega e implícita, e proíbem a investigação como o único pecado imperdoável, embora nada daquilo que conduz ao conhecimento da verdade possa ser outra coisa senão santo.

Pois o que é a “Sabedoria Divina”, ou Gnose, senão a realidade essencial por trás das aparências evanescentes dos objetos na natureza — a própria alma do LOGOS manifestado? Por que haveriam os homens que se esforçam por alcançar a união com o único Deus eterno e absoluto de estremecer diante da ideia de perscrutar seus mistérios — por mais terríveis que sejam? Por que, acima de tudo, haveriam eles de usar nomes e palavras cujo próprio significado é para eles um mistério selado — um mero som? Será porque uma Instituição inescrupulosa e ávida de poder, chamada Igreja, gritou “lobo” a cada tentativa desse tipo e, denunciando-a como “blasfema”, sempre procurou matar o espírito de investigação? Mas a Teosofia, a “Sabedoria Divina”, nunca deu ouvidos a esse grito e tem a coragem de suas opiniões.

O mundo dos céticos e fanáticos pode chamá-la — uns, de um vazio “ismo”; outros, de “satanismo”: jamais poderão esmagá-la. Os teosofistas têm sido chamados de ateus, inimigos do cristianismo, adversários de Deus e dos deuses.

Eles não são nada disso.

Portanto, concordaram neste dia em publicar uma declaração clara de suas ideias e uma profissão de sua fé — no que diz respeito ao monoteísmo e ao cristianismo, ao menos — e colocá-la diante do leitor imparcial para que este julgue a eles e a seus detratores com base nos méritos de suas respectivas crenças.


Nenhuma mente amante da verdade se oporia a um tratamento tão honesto e sincero, nem se deixaria ofuscar por qualquer quantidade de nova luz lançada sobre o assunto, por mais surpreendida que ficasse de outra forma.

Ao contrário, tais mentes agradecerão a Lúcifer, talvez, enquanto aqueles de quem foi dito “qui vult decipi decipiatur” — que sejam enganados por todos os meios! Os editores desta revista propõem-se a publicar uma série de ensaios sobre o significado oculto ou esoterismo do “Novo Testamento”.4 Assim como nenhuma outra escritura das grandes religiões do mundo, a Bíblia não pode ser excluída dessa classe de escritos alegóricos e simbólicos que têm sido, desde as eras pré-históricas, o receptáculo dos ensinamentos secretos dos Mistérios da Iniciação, sob uma forma mais ou menos velada.

Os escritores primitivos dos Logia (hoje os Evangelhos) certamente conheciam a verdade, e toda a verdade; mas seus sucessores tinham, com toda a certeza, apenas dogma e forma, que conduzem ao poder hierárquico no coração, em vez do espírito dos assim chamados ensinamentos do Cristo.

Daí a perversão gradual.

Como Higgins verdadeiramente disse, na Cristologia de São Paulo e Justino Mártir, temos a religião esotérica do Vaticano, um Gnosticismo refinado para os cardeais, um mais grosseiro para o povo.

É este último, apenas ainda mais materializado e desfigurado, que chegou até nós em nossa era.

A ideia de escrever esta série nos foi sugerida por uma certa carta publicada em nossa edição de outubro, sob o título de "Os Ensinamentos Atribuídos a Jesus São Contraditórios?" No entanto, esta não é uma tentativa de contradizer ou enfraquecer, em qualquer instância, aquilo que é dito pelo Sr. Gerald Massey em sua crítica.

As contradições apontadas pelo erudito conferencista e autor são por demais evidentes para serem explicadas por qualquer "Pregador" ou defensor da Bíblia; pois o que ele disse—apenas em linguagem mais concisa e vigorosa—é o que foi dito sobre o descendente de José Pandira (ou Pânthera) em Ísis sem Véu (Vol. II, p. 201), do talmúdico Sepher Toldoth Jeshu.


Sua crença com relação ao caráter espúrio da Bíblia e do Novo Testamento, como agora editados, é, portanto, também a crença do presente escritor.

Em vista da recente revisão da Bíblia, e seus muitos milhares de erros, traduções equivocadas e interpolações (algumas confessadas, e outras omitidas), seria impróprio para um oponente censurar alguém por se recusar a acreditar nos textos autorizados.

Mas os editores objetariam a uma frase curta na crítica em questão.

O Sr. Gerald Massey escreve:

Qual é a utilidade de fazer seu "juramento sobre a Bíblia" de que esta coisa é verdadeira, se o Livro sobre o qual você jura é um arsenal de falsidades já explodidas, ou prestes a explodir?

Certamente não é um simbologista do poder e erudição do Sr. G. Massey que chamaria o Livro dos Mortos, ou os Vedas, ou qualquer outra Escritura antiga, de "um arsenal de falsidades." Por que não considerar da mesma forma que todos os outros, o Antigo, e, em medida ainda maior, o Novo Testamento? Todos estes são "arsenais de falsidades", se aceitos nas interpretações exotéricas de letra morta de seus antigos,

––––––––––       A extraordinária quantidade de informação reunida por esse hábil egiptólogo mostra que ele dominou completamente o segredo da produção do Novo Testamento.

O Sr. Massey conhece a diferença entre o Christos espiritual, divino e puramente metafísico, e o "manequim" inventado do Jesus carnalizado.

Ele sabe também que o cânon cristão, especialmente os Evangelhos, Atos e Epístolas, é composto de fragmentos da sabedoria gnóstica, cuja base é pré-cristã e construída sobre os MISTÉRIOS da Iniciação.

É o modo de apresentação teológica e as passagens interpoladas—como em Marcos, xvi, do versículo 9 até o fim—que fazem dos Evangelhos uma "revista de falsidades (perversas)" e lançam uma mancha sobre o CRISTOS.

Mas o Ocultista que discerne entre as duas correntes (a gnóstica verdadeira e a pseudo-cristã) sabe que as passagens livres de adulteração teológica pertencem à sabedoria arcaica, e o mesmo sabe o Sr. Gerald Massey, embora suas opiniões difiram das nossas.

––––––––––                       Collected Writings VOLUME VIII November, e especialmente seus glosadores teológicos modernos.


Cada um desses registros serviu, por sua vez, como meio de assegurar poder e de apoiar a política ambiciosa de um sacerdócio inescrupuloso.

Todos promoveram a superstição, todos fizeram de seus deuses Moloches e demônios sanguinários e eternamente condenadores, assim como todos fizeram as nações servirem a estes mais do que ao Deus da Verdade.

Mas enquanto dogmas astuciosamente concebidos e interpretações intencionalmente errôneas por parte dos escoliastas estão além de qualquer dúvida, "falsidades já desmascaradas", os próprios textos são minas de verdades universais.

Mas para o mundo dos profanos e pecadores, de qualquer modo—eles foram e ainda são como os caracteres misteriosos traçados pelos "dedos de uma mão humana" na parede do Palácio de Belsazar: precisam de Daniel para lê-los e compreendê-los.

No entanto, a VERDADE não se permitiu permanecer sem testemunhas.

Há, além de grandes Iniciados na simbologia das escrituras, vários estudiosos silenciosos dos mistérios do esoterismo arcaico, de eruditos proficientes em hebraico e outras línguas mortas, que dedicaram suas vidas a decifrar os discursos da Esfinge das religiões mundiais.

E esses estudiosos, embora nenhum deles tenha ainda dominado todas as "sete chaves" que abrem o grande problema, descobriram o suficiente para poder dizer: Havia uma linguagem universal de mistério, na qual todas as Escrituras Mundiais foram escritas, dos Vedas ao Apocalipse, do Livro dos Mortos aos Atos.

Uma das chaves, pelo menos, a chave numérica e geométrica do Discurso do Mistério, está agora resgatada; uma língua antiga, verdadeiramente, que até este tempo permaneceu oculta, mas cujas evidências existem abundantemente, como pode ser comprovado por demonstrações matemáticas inegáveis.

Se, de fato, a Bíblia é imposta à aceitação do mundo em seu

––––––––––       “A chave para a recuperação da língua, até onde os esforços do escritor têm concernido, foi encontrada no uso, por estranho que pareça, da razão integral descoberta em números do diâmetro para a circunferência de um círculo,” por um geômetra.

“Esta razão é 6561 para o diâmetro e 20612 para a circunferência.” (MSS. Cabalísticos.) 6 Em um dos futuros números de Lucifer, mais detalhes serão dados, com a permissão do

descobridor.—Ed. –––––––––– sentido literal, diante das descobertas modernas dos orientalistas e dos esforços de estudantes independentes e cabalistas, é fácil profetizar que mesmo as novas gerações atuais da Europa e da América o repudiarão, como todos os materialistas e lógicos o fizeram.


Pois, quanto mais se estudam os textos religiosos antigos, mais se descobre que a base do Novo Testamento é a mesma base dos Vedas, da teogonia egípcia e das alegorias mazdeanas.

As expiações pelo sangue—pactos de sangue e transferências de sangue dos deuses para os homens, e pelos homens, como sacrifícios aos deuses—são a primeira nota-chave tocada em toda cosmogonia e teogonia; alma, vida e sangue eram palavras sinônimas em todas as línguas, preeminentemente entre os judeus; e que dar sangue era dar vida.

Muitas lendas entre nações (geograficamente) alienígenas atribuem alma e consciência à humanidade recém-criada ao sangue dos deuses criadores. Beroso registra uma lenda caldeia que atribui a criação de uma nova raça de humanidade à mistura de poeira com o sangue que fluiu da cabeça decepada do deus Belus.

“Por esta razão é que os homens são racionais e participam do conhecimento divino,” explica Beroso. E Lenormant mostrou (The Beginnings of History, etc., p. 52, nota de rodapé) que “os órficos . . . diziam que a parte imaterial do homem, sua alma [sua vida], brotava do sangue de Dionísio Zagreu, que os Titãs haviam despedaçado.

. . .” O sangue “revivifica os mortos”—isto é, interpretado metafisicamente, dá vida consciente e uma alma ao homem de matéria ou barro—tal como o materialista moderno é agora.

O significado místico da injunção: “Em verdade, em verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos” [João, vi, 53], jamais poderá ser compreendido ou apreciado em seu verdadeiro valor oculto, exceto por aqueles que

––––––––––      Cory’s Ancient Fragments, p. 59. Assim também Sanconíaton e Hesíodo, que ambos atribuem a vivificação da humanidade ao sangue derramado dos Deuses.

Mas sangue e alma são um só (nephesh), e o sangue dos deuses significa aqui a alma informante.

–––––––––– possuem algumas das sete chaves e, no entanto, pouco se importam com São Pedro.


Essas palavras, quer ditas por Jesus de Nazaré, quer por Jeshua Ben-Panthera, são palavras de um INICIADO.

Elas devem ser interpretadas com o auxílio de três chaves — uma abrindo a porta psíquica, a segunda a da fisiologia, e a terceira aquela que desvenda o mistério do ser terrestre, ao revelar a inseparável fusão da teogonia com a antropologia.

É por revelar algumas dessas verdades, com o único propósito de salvar a humanidade intelectual das insanidades do materialismo e do pessimismo, que os místicos têm sido frequentemente denunciados como servidores do Anticristo, mesmo por aqueles cristãos que são homens dos mais dignos, sinceramente piedosos e respeitáveis.

A primeira chave que se deve usar para desvendar os segredos obscuros envolvidos no nome místico de Cristo é a chave que abriu a porta aos antigos mistérios dos arianos primitivos, sabeus e egípcios.

A Gnose, suplantada pelo esquema cristão, era universal.

Era o eco da primordial religião da sabedoria que outrora fora o legado de toda a humanidade; e, portanto, pode-se verdadeiramente dizer que, em sua ––––––––––       A existência dessas sete chaves é virtualmente admitida, devido à profunda pesquisa na erudição egiptológica, pelo Sr. G. Massey novamente.

Ao se opor aos ensinamentos do Budismo Esotérico — infelizmente por ele mal compreendido em quase todos os aspectos — em sua Conferência sobre “As Sete Almas do Homem e sua Culminação em Cristo”, ele escreve (p. 21):—

“. . . este sistema de pensamento, este modo de representação, este setenário de poderes, em vários aspectos, havia sido estabelecido no Egito há pelo menos sete mil anos, como aprendemos de certas alusões a Atum [o deus ‘em quem a paternidade foi individualizada como o gerador de uma alma eterna,’ o sétimo princípio dos Teosofistas] encontradas nas inscrições recentemente descobertas em Sacará.”

Digo em vários aspectos porque a Gnose dos Mistérios era, no mínimo, sétupla em sua natureza—era Elemental, Biológica, Elementar (humana), Estelar, Lunar, Solar e Espiritual—e nada menos que a compreensão de todo o sistema pode nos habilitar a discernir as várias partes, distinguir uma da outra e determinar o quê e o qual, enquanto tentamos seguir o Sete simbólico através de suas várias fases de caráter.” aspecto metafísico, o Espírito de Cristo (o logos divino) esteve presente na humanidade desde o seu início. O autor das Homílias Clementinas tem razão; o mistério de Christos—agora supostamente ensinado por Jesus de Nazaré—“era idêntico” àquele que desde o princípio fora comunicado “aos que eram dignos”, como citado em outra palestra. Podemos aprender com o Evangelho segundo Lucas que os “dignos” eram aqueles que haviam sido iniciados nos mistérios da Gnose e que eram “considerados dignos” de alcançar aquela “ressurreição dos mortos” nesta vida . . . . “aqueles que sabiam que não poderiam mais morrer, sendo iguais aos anjos como filhos de Deus e filhos da Ressurreição.” Em outras palavras, eram os grandes adeptos de qualquer religião; e as palavras se aplicam a todos aqueles que, sem serem Iniciados, se esforçam e conseguem, através de esforços pessoais, viver a vida e alcançar a iluminação espiritual naturalmente resultante ao fundir sua personalidade—o “Filho”—com o “Pai”, seu Espírito divino individual, o Deus dentro deles.


Esta “ressurreição” nunca pode ser monopolizada pelos cristãos, mas é o direito de nascimento espiritual de todo ser humano dotado de alma e espírito, qualquer que seja sua religião. Tal indivíduo é um homem-Cristo.

Por outro lado, aqueles que escolhem ignorar o Cristo (princípio) dentro de si mesmos devem morrer como pagãos não regenerados—apesar do batismo, sacramentos, orações de lábios e crença em dogmas.

Para acompanhar esta explicação, o leitor deve ter em mente o significado arcaico real da paronomásia envolvida nos dois termos Chrestos e Christos.

O primeiro certamente significa mais do que meramente “um bom”, um “homem excelente”, enquanto o último nunca foi aplicado a qualquer homem vivo, mas a todo Iniciado no momento de seu segundo nascimento e ressurreição. Aquele que encontra Christos

––––––––––       “Cristianismo Gnóstico e Histórico.”       “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (João, iii, 5). Aqui se refere ao nascimento do alto, o nascimento espiritual, alcançado na suprema e última iniciação.

––––––––– 184                             BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

dentro de si mesmo e reconhece este último como seu único “caminho”, torna-se um seguidor e um Apóstolo de Cristo, embora possa nunca ter sido batizado, nem mesmo ter encontrado um “cristão”, muito menos se autodenominar um.

H. P. B.

–––––––––––

––II––                                [Lucifer, Vol.

I, No. 4, Dezembro, 1887, pp. 299-310]

A palavra Chrstos existia séculos antes de se ouvir falar de Cristianismo. Encontra-se usada, desde o século V a.C., por Heródoto, por Ésquilo e outros escritores clássicos gregos, com seu significado aplicado tanto a coisas quanto a pessoas.

Assim, em Ésquilo (Choëphoroe, 901) lemos sobre (pythochresta), os “oráculos entregues por um Deus Pítico” (Léx. Grego-Inglês) através de uma pitonisa; 12 e Pythochrstos é o nominativo singular de um adjetivo derivado de chraô,         (Eurípides, Ion, 1218).13 Os significados posteriores, cunhados livremente a partir dessa aplicação primitiva, são numerosos e variados.

Os clássicos pagãos expressavam mais de uma ideia com o verbo            , “consultar um oráculo”; pois também significa “fadado”, condenado por um oráculo, no sentido de uma vítima sacrificial ao seu decreto, ou—“à PALAVRA”; pois chrstrion não é apenas “a sede de um oráculo”, mas também “uma oferenda ao, ou para, o oráculo.” Chrsts,          , é aquele que expõe ou explica oráculos, “um profeta, um adivinho”; e chrstrios,                é aquele

–––––––––––      A palavra          é explicada por Heródoto (7. 11. 7) 14 como aquilo que um oráculo declara, e          é dado por Plutarco (Vidas: Nícias, xiv, b) como “fado”, “necessidade”. Ver Heród., VII, 215; V, 109; e Sófocles, Filoctetes, 437.      Ver Liddell e Scott, Léxico Grego-Inglês.

–––––––––– que pertence a, ou está a serviço de, um oráculo, um deus, ou um “Mestre”; apesar dos esforços do Cônego Farrar. Tudo isso é evidência de que os termos Cristo e Cristãos, originalmente grafados Chrst e Chrstians,             , eram


––––––––––      Daí, de um Guru, “um mestre”, e chela, um “discípulo”, em suas relações mútuas.

Em sua obra recente, *Os Primeiros Dias do Cristianismo*, o Cônego Farrar observa:—“Salmo xxxiv, 8, , ‘doce’ (Aug. *dulcis*, Vulg. *suavis*). Cf. Lucas, v, 39; vi, 35. Alguns supuseram um agradável jogo de palavras, fundado no itacismo, entre *chrestos* (doce) e *Christos* (Cristo) . . .” (Vol. I, p. 158, nota de rodapé). Mas não há nada a supor, pois começou por um “jogo de palavras”, de fato.

O nome *Christus* não foi “distorcido em *Chrestos*”, como o erudito autor faria seus leitores acreditarem (I, p. 19), mas foi o adjetivo e substantivo *Chrestos* que se tornou distorcido em *Christus*, e aplicado a Jesus.

Em uma nota de rodapé sobre a palavra “Chrestian”, que ocorre na Primeira Epístola de Pedro (iv, 16), na qual, nos MSS. revisados posteriores, a palavra foi mudada para *Christian*, o Cônego Farrar observa novamente, “. . . talvez devêssemos ler a distorção ignorante e pagã, *Chrestian* . . .” (I, p. 171, nota de rodapé). Decididamente, devemos; pois o eloquente escritor deveria lembrar-se da ordem de seu Mestre de dar a César o que é de César. Não obstante sua antipatia; o Sr. Farrar é obrigado a admitir que o nome *Christian* foi primeiro INVENTADO, pelos antioquianos zombeteiros e escarnecedores, já em 44 d.C., mas não entrou em uso geral antes da perseguição de Nero.

“Tácito (*Ann.*, xv, 44),” ele diz, “usa a palavra ‘Christianos’ com algo de uma desculpa. É bem sabido que no N. T. ela ocorre apenas três vezes, e sempre envolve um sentido hostil (Atos, xi, 26; xxvi, 28), como faz em iv, 16” (Vol. I, p. 147, nota de rodapé). Não foi apenas Cláudio que olhou com alarme e suspeita para os cristãos, assim apelidados em derrisão por carnalizarem um princípio ou atributo subjetivo, mas todas as nações pagãs.

Pois Tácito, falando daqueles que as massas chamavam de “cristãos”, descreve-os como um conjunto de homens detestados por suas enormidades e crimes. Não admira, pois a história se repete. Não há dúvida de que há milhares de homens e mulheres nobres, sinceros e virtuosos, nascidos cristãos, agora. Mas basta olharmos para a viciosidade dos convertidos cristãos “pagãos”; para a moralidade daqueles prosélitos na Índia, que os próprios missionários recusam tomar a seu serviço, para traçarmos um paralelo entre os convertidos de 1.800 anos atrás e os pagãos modernos “tocados pela graça.”

Justino Mártir, Tertuliano, Lactâncio, Clemente de Alexandria e outros grafaram dessa maneira.

–––––––––– emprestado diretamente da terminologia dos Templos dos Pagãos, e significava a mesma coisa.


O Deus dos judeus foi agora substituído pelo Oráculo e pelos outros deuses; a designação genérica "Chrstos" tornou-se um substantivo aplicado a uma personagem especial, e novos termos como Chrstianoi e Chrstodoulos, "um seguidor ou servo de Chrstos" — foram cunhados a partir do antigo material.

Isso é demonstrado por Filo Judeu, um monoteísta, certamente, que já usava o mesmo termo para propósitos monoteístas.

Pois ele fala de (theochrstos), "declarado por Deus", ou aquele que é declarado por deus, e de (logia theochrsta), "ditos entregues por Deus" — o que prova que ele escreveu numa época (entre o primeiro século a.C. e o primeiro d.C.) em que nem cristãos nem chrstianos eram ainda conhecidos por esses nomes, mas ainda se chamavam nazarenos.

A diferença notável entre as duas palavras, , "consultar ou obter resposta de um deus ou oráculo" ( sendo a forma jônica anterior dela), e (chrio), "esfregar, ungir" (da qual vem o nome Christos), não impediu a adoção e cunhagem eclesiástica, a partir da expressão de Filo , daquele outro termo , "ungido por Deus". Assim, a substituição silenciosa da letra por , para fins dogmáticos, foi alcançada da maneira mais fácil, como agora vemos.

O significado secular de Chrstos percorre toda a literatura grega clássica pari passu com aquele dado a ele nos mistérios.

Demóstenes, ao dizer (De corona, [330]), quer dizer com isso simplesmente "seu bom sujeito"; Platão (em Fedro, 264 C) tem — "você é um excelente sujeito por pensar.

. . . . " 16 Mas na fraseologia esotérica dos templos "chrstos", um

–––––––––– Vide Liddell and Scott’s Greek-English Lexicon.

Chrstos é realmente alguém que é continuamente advertido, aconselhado, guiado, seja por oráculo ou profeta.

O Sr. G. Massey não está correto ao dizer que ". . . . . A forma gnóstica do nome Chrst, ou Chrstos, denota o Deus Bom, não um original humano," pois denota o último, ou seja, um homem bom e santo; mas ele está bastante certo ao acrescentar que Chrstianus significa "doçura, bondade, ou benignidade; uma versão inicial do 'Doçura e Luz' de Matthew Arnold". "Os Chrstoi, como os –––––––––– Palavra que, como o particípio Chrstheis, é formada sob a mesma regra e transmite o mesmo sentido—do verbo ("consultar um deus")—corresponde ao que chamaríamos de adepto, também um chela superior, um discípulo.


É nesse sentido que é usado por Eurípides (Íon, 1320) 18 e por Ésquilo (I C).19 Essa qualificação era aplicada àqueles a quem o deus, oráculo ou qualquer superior havia proclamado isto, aquilo ou qualquer outra coisa.

Um exemplo pode ser dado neste caso.

As palavras usadas por Píndaro (Odes: Pítia, IV, 6) 20 significam “o oráculo o proclamou colonizador”. Neste caso, o gênio da língua grega permite que o homem assim proclamado seja chamado (Chrstos). Portanto, esse termo era aplicado a todo Discípulo reconhecido por um Mestre, bem como a todo homem bom.

Agora, a língua grega oferece etimologias estranhas.

A teologia cristã escolheu e decretou que o nome Christos deveria ser considerado derivado de , (Chrisô), “ungido com unguentos perfumados ou óleo”. Mas esta palavra tem vários significados.

É usada por Homero, certamente, aplicada à fricção com óleo do corpo após o banho (Ilíada, XXIII, 186; também na Odisseia, IV, 252) 21, como fazem outros escritores antigos. No entanto, a palavra (Christs) significa antes um caiador, enquanto a palavra Chrsts ( ) significa sacerdote e profeta, um termo muito mais aplicável a Jesus do que o de “Ungido”, pois, como Nork mostra com base na autoridade dos Evangelhos, ele nunca foi ungido, nem como rei nem como sacerdote.

Em suma, há um profundo mistério subjacente a todo esse esquema, que, como sustento, apenas um conhecimento completo do Pagão

––––––––––

Boas pessoas, eram pré-existentes. Numerosas inscrições gregas mostram que o falecido, o herói, o santo—isto é, o ‘Bom’—era denominado Chrstos, ou o Cristo, e desse significado do ‘Bom’ é que Justino, o apologista primordial, deriva o nome cristão. Isso o identifica com a fonte gnóstica e com o ‘Deus Bom’ que se revelou segundo Marcião—isto é, o Un-Nefer ou Bom-abridor da teologia egípcia.”—(Agnostic Annual.) ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS mistérios é capaz de desvelar. Não é o que os primeiros Padres, que tinham um objetivo a alcançar, possam afirmar ou negar, o ponto importante, mas sim qual é agora a evidência para o significado real dado aos dois termos Chrstos e Christos pelos antigos nas eras pré-cristãs.

Pois estes últimos não tinham objetivo a alcançar, portanto nada a ocultar ou desfigurar, e sua evidência é naturalmente a mais confiável dos dois.

Essa evidência pode ser obtida primeiro estudando o significado dado a essas palavras pelos clássicos, e depois buscando sua correta significação no simbolismo místico.

Agora, Chrstos, como já foi dito, é um termo aplicado em vários sentidos.

Qualifica tanto a Divindade quanto o Homem.

É usado no primeiro sentido nos Evangelhos, como em Lucas (vi, 35), onde significa “bondoso;” e “misericordioso,” , [e] em I Pedro (ii, 3), onde se diz, “Bondoso é o Senhor,” . Por outro lado, é explicado por Clemens Alexandrinus como simplesmente significando um homem bom: “Todos os que creem em Chrst (um homem bom) são e são chamados Cristãos, isto é, homens bons” (Strom., lib. II, cap. iv).23 A reticência de Clemens, cujo cristianismo, como King observa com razão em seu The Gnostics and Their Remains, não passava de um enxerto no tronco congenial de seu platonismo original, é bastante natural.

Ele era um Iniciado, um novo platônico, antes de se tornar cristão, fato que, por mais que ele possa

––––––––––

 Novamente devo trazer à tona o que o Sr. G. Massey diz (a quem cito repetidamente porque ele estudou este assunto tão minuciosa e conscienciosamente).

“Minha tese, ou melhor, explicação,” diz ele, “é que o autor do nome cristão é o Cristo-Múmia do Egito, chamado Karest, que era um tipo do espírito imortal no homem, o Cristo interior (como Paulo o tem), a prole divina encarnada, o Logos, a Palavra da Verdade, o Makheru do Egito.

Não se originou como um mero tipo! A múmia preservada era o corpo morto de qualquer um que fosse Karest, ou mumificado, para ser guardado pelos vivos; e, através de repetição constante, isso se tornou um tipo da ressurreição dos (não dos!) mortos.” 22 Veja a explicação disso mais adiante. –––––––––– tenha se afastado de suas visões anteriores, não poderia exonerá-lo de seu compromisso de sigilo.


E como teosofista e gnóstico, alguém que sabia, Clemens deve ter sabido que Christos era “o CAMINHO,” enquanto Chrstos era o viajante solitário que jornadeava para alcançar a meta final através desse “Caminho,” cuja meta era Christos, o Espírito glorificado da “VERDADE,” cuja reunião faz a alma (o Filho) UMA com o Espírito (o Pai).

Que Paulo o sabia, é certo, pois suas próprias expressões o provam. Pois o que significam as palavras , ou, como nas traduções autorizadas, "de quem estou de novo em trabalho de parto até que Cristo seja formado em vós", senão o que damos em sua interpretação esotérica, ou seja, "até que encontreis o Christos dentro de vós mesmos como vosso único 'caminho'." (ver Gálatas, iv, 19). Assim, Jesus, seja de Nazaré ou de Lüd, foi um Chrstos, tão inegavelmente quanto nunca teve direito ao título de Christos durante sua vida e antes de sua última provação.

Pode ter sido como Higgins pensa, que conjectura que "o primeiro nome de Jesus pode ter sido , o segundo , e o terceiro . A palavra foi usada antes que o H [eta maiúsculo] estivesse em uso na língua." 25 Mas o Rev. R. Taylor (em sua resposta a Pye Smith, p. 113) é citado dizendo "O epíteto elogioso CHRÊST . . . . . não significava nada mais do que um homem bom."

–––––––––– Ou Lydda.

Referência é feita aqui à tradição rabínica na Gemara babilônica, chamada Sepher Toldoth Jeshu, sobre Jesus ser filho de um certo Pandira, e ter vivido um século antes da era chamada cristã, ou seja, durante o reinado do rei judeu Alexandre Janeu e sua esposa Salomé, que reinaram de 106 a 79 a.C. Acusado pelos judeus de ter aprendido a arte mágica no Egito, e de ter roubado do Santo dos Santos o Nome Incomunicável, Jehoshua (Jesus) foi condenado à morte pelo Sinédrio em Lüd. Ele foi apedrejado e depois crucificado em uma árvore, na véspera da Páscoa.

A narrativa é atribuída aos autores talmúdicos de Sotah e Sanhedrin, p. 19, Livro de Jechiel.

Ver Isis Unveiled, II, 201; Arnobius [Adv. Gentes, I, 43]; 24 Éliphas Lévi's La Science des Esprits [pp. 23-40], e "The Historical Jesus and Mythical Christ," uma palestra de G. Massey.

–––––––––– Collected Writings VOLUME VIII Novembro, Aqui novamente vários escritores antigos podem ser trazidos para testemunhar que Christos (ou Chreistos, antes) era, juntamente com ==Hrstos, um adjetivo aplicado aos gentios antes da era cristã.


Em Philopatris, 17, é dito: , ou seja, "Se chrstos acontecer de estar mesmo entre os gentios," etc.

Tertuliano denuncia, no 3º capítulo de seu Apologético, a palavra “Christianus” como derivada por “interpretação astuciosa”; Dr. John Jones, por outro lado, divulgando a informação, corroborada por boas fontes, de que Hrstos (            ) “era o nome usual dado [a Cristo] pelos gnósticos, e até mesmo pelos incrédulos,” assegura-nos que o nome real deveria ser             ou Christos—repetindo assim e apoiando a original “pia fraude” dos primeiros Padres, uma fraude que levou à carnalização de todo o sistema cristão. Mas proponho mostrar tanto do significado real de todos esses termos quanto esteja ao alcance de minhas humildes capacidades e conhecimento.

Christos, ou a “condição de Cristo,” foi sempre o sinônimo da “condição mahátmica,” i.e., a união do homem com o princípio divino nele.

Como Paulo diz (Efés., iii, 17):

––––––––––        “Christianus vero, quantum interpretatio est, de unctione deducitur.

Sed et cum perperam Chrestianus pronunciatur a vobis (nam nec nominis certa est noticia penes vos), de suavitate vel benignitate compositum est.” 28 O Cônego Farrar faz um grande esforço para mostrar tais lapsus calami por vários Padres como resultados de repulsa e medo.

“. . . . . Não pode haver muita dúvida,” diz ele (em The Early Days of Christianity, Vol.

I, p. 60), “. . . que o nome ‘cristão’ . . . . . . era um apelido devido ao engenho dos antioquenos . . . . . É claro que os escritores sagrados evitavam o nome [cristãos], porque era empregado por seus inimigos . . . . . . . (Tac.

Ann., xv, 44). Ele só se tornou familiar quando as virtudes dos cristãos lançaram lustre sobre ele . . . .” Esta é uma desculpa muito manca, e uma pobre explicação para dar a um pensador tão eminente como o Cônego Farrar.

Quanto às “virtudes dos cristãos” jamais terem lançado lustre sobre o nome, esperemos que o escritor não tivesse em mente nem o Bispo Cirilo de Alexandria, nem Eusébio, nem o Imperador Constantino, de fama assassina, nem tampouco os Papas Bórgia e a Santa Inquisição.

 Citado por G. Higgins (Ver Vol.

I, p. 570). –––––––––– “                                                                                          ” “Para que encontreis Christos em vosso homem interior através do conhecimento,” não da fé, como traduzido; pois Pistis é “conhecimento,” como será mostrado adiante.      Há ainda outra prova, e muito mais ponderosa, de que o nome Christos é pré-cristão.


A evidência disso é encontrada na profecia da Sibila Eritreia.

Lemos nela                                                               .31 Lido esotericamente, essa sequência de substantivos desconexos e sem sentido, que não tem significado para o profano, contém uma profecia real—apenas não se referindo a Jesus—e um versículo do catecismo místico do Iniciado.

A profecia refere-se à descida à Terra do Espírito da Verdade (Christos), após cujo advento—que mais uma vez nada tem a ver com Jesus—terá início a Era Dourada; o versículo refere-se à necessidade, antes de alcançar essa condição abençoada de teofania e teopneustia interior (ou subjetiva), de passar pela crucificação da carne ou da matéria.

Lido exotericamente, as palavras "Isous Chreistos theou huios sôtr stauros", que significam literalmente "Iesus, Christos, Filho de Deus, Salvador, Cruz", são excelentes suportes para pendurar uma profecia cristã, mas são pagãs, não cristãs.

Se for solicitado a explicar os nomes IÊSOUS CHREISTOS, a resposta é: estude a mitologia, as chamadas "ficções" dos antigos, e ela lhe dará a chave.

Reflita sobre Apolo, o deus solar, e o "Curador", e a alegoria sobre seu filho Janus (ou Ion), seu sacerdote em Delfos, por meio de quem somente as orações poderiam alcançar os deuses imortais, e seu outro filho Asclépio, chamado o Sotr, ou Salvador.

Aqui está um folheto da história esotérica escrito em fraseologia simbólica pelos antigos poetas gregos.

A cidade de Chrisa (agora grafada Crisa), foi construída em memória de Kreousa (ou Creüsa), filha do Rei

––––––––––      Nos dias de Homero, encontramos esta cidade, outrora celebrada por seus mistérios, a principal sede da Iniciação, e o nome de Chrestos usado como título durante os mistérios.

É mencionada na Ilíada, II, 520, como "Krisa" (       ). O Dr. Clarke suspeitou de suas ruínas sob o –––––––––– Erechtheus e mãe de Janus (ou Ion) por Apolo, em memória do perigo do qual Janus escapou. Aprendemos que Janus, abandonado por sua mãe em uma gruta "para esconder a vergonha da virgem que deu à luz um filho", foi encontrado por Hermes, que levou o infante a Delfos, nutriu-o no santuário e oráculo de seu pai, onde, sob o nome de Chrsis (       ), Janus tornou-se primeiro um Chrsts (um sacerdote, adivinho ou Iniciado), e depois quase um Chrstrion, "uma vítima sacrificial", pronto para ser envenenado por sua própria mãe, que não o conhecia, e que, em seu ciúme, confundiu-o, pela vaga intimação do oráculo, com um filho de seu marido.


Ele a perseguiu até o próprio altar com a intenção de matá-la — quando ela foi salva pela pitonisa, que revelou a ambos o segredo de seu parentesco.

Em memória deste escape por pouco, Creüsa, a mãe, construiu a cidade de Chrisa, ou Krisa.

Tal é a alegoria, e simboliza simplesmente as provações da Iniciação –––––––––– atual local de Krestona, uma pequena cidade, ou vila, na Fócida, perto da Baía Crisséia.

(Veja E. D. Clarke, Travels in various Countries of Europe, Asia and Africa. 4ª ed. Vol. VII, cap. vi, "Lebadéa to Delphi", p. 239.)

A raiz de         (Chretos) e            (Chrstos) é uma e a mesma:        que significa "consultar o oráculo", em um sentido, mas em outro "consagrado", separado, pertencente a algum templo, ou oráculo, ou devotado a serviços oraculares.

Por outro lado, a palavra                significa "obrigação", um "vínculo, dever", ou alguém que está sob a obrigação de penhores, ou votos tomados.

O adjetivo          também era usado como adjetivo antes de nomes próprios como um elogio, como no Teeteto de Platão, 166 A, "                                         "32 (aqui Sócrates é o Chrstos); e também como um sobrenome, como mostrado por Plutarco (Vitae: Fócion, cap. x, sec. 2), que se admira como um sujeito tão rude e obtuso como Fócion poderia ser apelidado de Chrstos.

Há características estranhas, bastante sugestivas, para um Ocultista, no mito (se é um) de Janus.

Alguns fazem dele a personificação do Kosmos, outros, de Coelus (céu), daí ele é "de duas faces" por causa de seus dois caracteres de espírito e matéria; e ele não é apenas "Janus Bifrons" (de duas faces), mas também Quadrifrons—o quadrado perfeito, o emblema da Divindade Cabalística.

Seus templos foram construídos com –––––––––– Encontrando então que Janus, o Deus solar, e filho de Apolo, o Sol, significa o “Iniciador” e o “Abridor do Portal da Luz,” ou sabedoria secreta dos mistérios; que ele nasce de Krisa (esotericamente Chris), e que ele era um Chrstos através de quem falava o Deus; que ele era finalmente Ion, o pai dos Jônios, e, alguns dizem, um aspecto de Asclépio, outro filho de Apolo, é fácil agarrar o fio de Ariadne neste labirinto de alegorias.


Não é o lugar aqui para provar questões secundárias em mitologia, contudo.

Basta mostrar a conexão entre os personagens míticos da antiguidade remota e as fábulas posteriores que marcaram o início de nossa era de civilização.

Asclépio (Esculápio) era o divino médico, o “Curador,” o “Salvador,” — como era chamado, um título também dado a Janus de Delfos; e IASO, a filha de Asclépio, era a deusa da cura, sob cujo patrocínio estavam todos os candidatos à iniciação no templo de seu pai, os noviços ou chrstoi, chamados “os filhos de Iaso.” (Vide para o nome, Plutus, 701, de Aristófanes.)

––––––––––

quatro lados iguais, com uma porta e três janelas em cada lado.

Os mitologistas o explicam como um emblema das quatro estações do ano, e três meses em cada estação, e em todos os doze meses do ano.

Durante os mistérios da Iniciação, contudo, ele se tornava o Sol do Dia e o Sol da Noite.

Por isso ele é frequentemente representado com o número 300 em uma mão, e na outra 65, ou o número de dias do ano solar.

Agora Chanoch (Kanoch e Enoque na Bíblia) é, como pode ser demonstrado pela autoridade cabalística, seja filho de Caim, filho de Sete, ou o filho de Matusalém, uma e a mesma personagem.

Como Chanoch (segundo Fuerst), “ele é o Iniciador, Instrutor — do círculo astronômico e do ano solar,” como filho de Matusalém, que se diz ter vivido 365 anos e ter sido levado ao céu vivo, como o representante do Sol (ou deus). (Vide Livro de Enoque.) Este patriarca tem muitas características em comum com Janus que, exotericamente, é Ion, mas IAO cabalisticamente, ou Jeová, o “Senhor Deus da Geração,” o misterioso Yodh, ou UM (um número fálico). Pois Janus ou Ion é também Consivium, a conserendo,34 porque ele presidia sobre a geração.

Ele é mostrado dando hospitalidade a Saturno (Chronos, tempo), e é o Iniciador do ano, ou do tempo dividido em 365.

–––––––––– Agora, se nos lembramos, primeiramente, que os nomes de IESUS em suas diferentes formas, tais como Iasius, Iasion, Jason e Iasus, eram muito comuns na Grécia antiga, especialmente entre os descendentes de Jasius (os Jasidas), como também o número dos “filhos de Iaso,” os Mystoï e futuros Epoptai (Iniciados), por que não deveriam as palavras enigmáticas do Livro Sibilino ser lidas à sua luz legítima, uma que nada tinha a ver com uma profecia cristã? A doutrina secreta ensina que as duas primeiras palavras                            significam simplesmente “filho de Iaso, um Chrstos,” ou servo do Deus oracular.


De fato,                  está no dialeto jônico              , e a expressão           (Isous)—em sua forma arcaica,              — simplesmente significa “o filho de Iaso ou Isô,” o “curador,” i.e.,                    . Nenhuma objeção, certamente, pode ser feita a tal tradução, ou ao nome ser escrito Isô em vez de Iaso, uma vez que a primeira forma é ática, portanto incorreta, pois o nome é jônico.

“Isô” do qual “ho Isous” (filho de Isô)—isto é, um genitivo, não um nominativo—é jônico e não pode ser outra coisa, se a idade do Livro Sibilino for levada em consideração.

Nem poderia a Sibila de Eritreia tê-lo soletrado originalmente de outra forma, pois Eritreia, sua própria residência, era uma cidade na Jônia (de Ion ou Janus) em frente a Quios; e que o jônico precedeu a forma ática.

Deixando de lado, neste caso, a significação mística da agora famosa sentença sibilina, e dando apenas sua interpretação literal, com base em tudo o que foi dito, as até então misteriosas palavras ficariam: “Filho de IASÔ, CHRÊSTOS (o sacerdote ou servo) (do) FILHO do DEUS (Apolo) o SALVADOR da CRUZ”—(da carne ou matéria). Verdadeiramente, o Cristianismo nunca pode esperar

––––––––––       Stauros tornou-se a cruz, o instrumento de crucificação, muito mais tarde, quando começou a ser representado como um símbolo cristão e com a letra grega T, o Tau (Luciano, Judicium Vocalium).35 Seu significado primitivo era fálico, um símbolo dos elementos masculino e feminino; a grande serpente da tentação, o corpo que tinha de ser morto ou subjugado pelo dragão da sabedoria, o solar Chnouphis de sete vogais ou Espírito de Christos dos Gnósticos, ou, ainda, Apolo matando Python.

––––––––––                                 RUÍNAS DO TEMPLO DA SIBILA                                        Tivoli (antiga Tibur), Itália.


para ser compreendido até que todo traço de dogmatismo seja varrido dele, e a letra morta seja sacrificada ao eterno Espírito da Verdade, que é Hórus, que é Crishna, que é Buda, tanto quanto é o Christos gnóstico e o verdadeiro Cristo de Paulo.

Nas Viagens do Dr. E. D. Clarke, o autor descreve um monumento pagão por ele encontrado.

. . . . . dentro do santuário, atrás do altar, vimos os fragmentos de um Béma de mármore, ou Cátedra; no verso do qual encontramos a seguinte inscrição, exatamente como aqui está escrita, sem que nenhuma parte dela tivesse sido danificada ou obliterada; oferecendo, talvez, o único caso conhecido de uma inscrição sepulcral sobre um monumento dessa notável forma:

Essa inscrição dizia assim: ; ou, "Chrstos, o primeiro, um tessalônio de Larissa, Pelasgiota, 18 anos, Hro," Chrstos o primeiro (protou), por quê?36 Lida literalmente, a inscrição tem pouco sentido; interpretada esotericamente, é plena de significado.

Como o Dr. Clarke mostra, a palavra Chrstos é encontrada nos epitáfios de quase todos os antigos larissianos; mas é sempre precedida por um nome próprio.

Se o adjetivo Chrstos estivesse após um nome, significaria apenas "um bom homem," um elogio póstumo ao defunto, o mesmo sendo frequentemente encontrado em nossos modernos epitáfios tumulares.

Mas a palavra Chrstos, estando sozinha, e a outra palavra, "protou," seguindo-a, confere-lhe um significado bem diferente, especialmente quando o falecido é especificado como um "hro." Para a mente de um Ocultista, o defunto era um neófito, que havia morrido em seu 18º ano de neofitismo, e estava na primeira ou mais alta classe de discipulado, tendo passado por suas provações preliminares ––––––––––       Ainda hoje na Índia, o candidato perde seu nome e, como também na Maçonaria, sua idade (monges e monjas também mudam seus nomes cristãos ao tomar a ordem ou o véu), e começa a contar seus anos a partir do dia em que é aceito como chela e entra no ciclo de iniciações.

Assim, Saul era "uma criança de um ano," quando começou a reinar, embora fosse um adulto crescido.

Ver I Samuel, xiii, 1, e os pergaminhos hebraicos, sobre sua iniciação por Samuel.

–––––––––– provações como um "hro"; mas havia morrido antes do último mistério, que o teria tornado um "Christos," um ungido, uno com o espírito de Christos ou da Verdade dentro dele.


Ele não havia alcançado o fim do "Caminho," embora tivesse heroicamente conquistado os horrores das provações teúrgicas preliminares.

Temos plena justificativa para ler dessa maneira, após conhecermos o local onde o Dr. Clarke descobriu a tabuleta, que era, como observa Godfrey Higgins, ali, "onde eu esperaria encontrá-la; em Delfos, no templo do Deus chamado IE", que, com os cristãos, tornou-se Jah, ou Jeová, um com Cristo Jesus.

Foi ao pé do Parnaso, num ginásio, "adjacente à fonte Castália, que fluía pelas ruínas de CRISSA, provavelmente a cidade chamada Crestona, até a baía Criseia."37 E ainda: "Na primeira parte de seu curso a partir da fonte [Castália], ele [o rio] separa os restos do GINÁSIO, onde hoje se ergue o Mosteiro de Panaja, da vila de Castri, como provavelmente separava da antiga cidade de Delfos.

. . ."38 — a sede do grande oráculo de Apolo, da cidade de Krisa (ou Kreousa), o grande centro de iniciações e dos Chrstoi dos decretos dos oráculos, onde os candidatos à última prova eram ungidos com óleos sagrados antes de serem mergulhados em seu último transe de quarenta e nove horas de duração (como até hoje no Oriente), do qual surgiam como adeptos glorificados ou Christoi.

. . . . . nas Reconhecimentos Clementinos é anunciado que o pai ungiu seu filho com "óleo que foi tirado da madeira da Árvore da Vida, e dessa unção ele é chamado o Cristo"; daí o nome cristão.

Isso é novamente egípcio.

Hórus era o filho ungido do pai.

O modo de ungi-lo a partir da Árvore da Vida, retratado nos monumentos, é de fato muito primitivo; e o Hórus do Egito foi continuado no Cristo gnóstico, que é reproduzido nas pedras gnósticas como o elo intermediário entre o

––––––––––      Demóstenes, De Corona, 259[313], declara que os candidatos à iniciação nos mistérios gregos eram ungidos com óleo.

Assim o são agora na Índia, mesmo na iniciação nos mistérios dos iogues — sendo usados vários unguentos ou pomadas.

––––––––––

O CARÁTER ESOTÉRICO DOS EVANGELHOS Karest e o Cristo, também como o Hórus de ambos os sexos.

("O Nome e a Natureza do Cristo." — GERALD MASSEY.)

O Sr. G. Massey conecta o Christos ou Cristo grego com o Karest egípcio, o "tipo múmia da imortalidade", e o prova muito minuciosamente.

Ele começa dizendo que em egípcio a "Palavra da Verdade" é Ma-Kheru, e que é o título de Hórus.

Assim, como ele mostra, Hórus precedeu Cristo como o Mensageiro da Palavra da Verdade, o Logos ou o manifestador da natureza divina na humanidade.

No mesmo artigo, ele escreve o seguinte:

A Gnose tinha três fases — astronômica, espiritual e doutrinal, e todas as três podem ser identificadas com o Cristo do Egito.

Na fase astronômica, a constelação de Órion é chamada de Sahu, ou múmia.

A alma de Hórus era representada como ressuscitando dos mortos e ascendendo ao céu nas estrelas de Órion.

A imagem-múmia era a preservada, a salva, portanto um retrato do Salvador, como um tipo de imortalidade.

Esta era a figura de um homem morto, que, como Plutarco e Heródoto nos contam, era carregada em volta num banquete egípcio quando os convidados eram convidados a olhá-la e a comer, beber e serem felizes, porque, quando morressem, tornar-se-iam o que a imagem simbolizava — isto é, também seriam imortais! Este tipo de imortalidade era chamado de Karest, ou Karust, e era o Cristo egípcio.

Kares significa embalsamar, ungir, fazer a Múmia como um tipo do eterno; e, quando feita, era chamada de Karest; de modo que isto não é meramente uma questão de nome por nome, o Karest pelo Cristo.

Somos capazes de ir além de uma palavra grega que significa o ungido, ou besuntado; podemos aqui identificar um determinativo no domínio das coisas.

Esta imagem do Karest era envolvida numa trama sem costura, a vestimenta própria do Cristo! Não importa qual fosse o comprimento da faixa, e alguns dos envoltórios de múmias foram desenrolados com 1.000 jardas de comprimento, a trama era do início ao fim sem costura.

. . . . . . Agora, este manto sem costura do Karest egípcio é um tipo muito revelador do Cristo místico, que se torna histórico nos Evangelhos como o portador de uma túnica ou chiton, feita sem costura, que nem o grego nem o hebraico explicam plenamente, mas que é explicada pelo Ketu egípcio para a trama, e pelo manto ou envoltório sem costura que era feito para uso eterno e usado pelo Cristo-Múmia, a imagem da imortalidade nos túmulos do Egito.

. . . . .


. . . . Além disso, Jesus é morto de acordo com as instruções dadas para fazer o Karest.

Nenhum osso deve ser quebrado.

O verdadeiro Karest deve ser perfeito em cada membro.

"Este é aquele que sai são; a quem os homens não conhecem é o seu nome."

Nos Evangelhos, Jesus ressuscita com todos os membros íntegros, como o Karest perfeitamente preservado, para demonstrar a ressurreição física da múmia.

Mas, no original egípcio, a múmia se transforma.

O falecido diz: "Eu sou espiritualizado.

Eu me torno uma alma.

Eu me elevo como um Deus." Essa transformação na imagem espiritual, o Ka, foi omitida no Evangelho e, como resultado, o Cristo cristão não é nem físico nem espiritual; os tipos gnósticos tendo sido continuados sem a Gnose.

[pp. 9-10.]

. . . . Essa grafia do nome como Chrest ou Chrést em latim é sumamente importante, porque me permite provar a identidade com o Karest ou Karust egípcio, o nome do Cristo como a múmia embalsamada, que era a imagem da ressurreição nos túmulos egípcios, o tipo da imortalidade, a semelhança de Hórus, que ressuscitou e abriu o caminho para fora do sepulcro para aqueles que eram seus discípulos ou seguidores.

Além disso, esse tipo do Karest ou Múmia-Cristo é reproduzido nas Catacumbas de Roma.

Nenhuma representação da suposta ressurreição histórica de Jesus foi encontrada em qualquer um dos monumentos cristãos primitivos.

Mas, em vez do fato ausente, encontramos a cena de Lázaro sendo ressuscitado dos mortos.

Isso é representado repetidamente como a ressurreição típica onde não há uma real! A cena não está exatamente de acordo com o levantar-se do túmulo no Evangelho.

É puramente egípcia, e Lázaro é uma múmia egípcia! Assim, Lázaro, em cada representação, é o tipo-múmia da ressurreição; Lázaro é o Karest, que era o Cristo egípcio, e que é reproduzido pela arte gnóstica nas Catacumbas de Roma como uma forma do Cristo gnóstico, que não era e não poderia tornar-se um personagem histórico.

Além disso, como a coisa é egípcia, é provável que o nome seja derivado do egípcio.

Se assim for, Laz (igual a Ras) significa ser elevado, enquanto aru é o nome da múmia.

Com o s terminal grego, isso se torna Lázaro.

No curso da humanização do mito, a representação típica da ressurreição encontrada nos túmulos de Roma e do Egito tornar-se-ia a história de Lázaro sendo ressuscitado dos mortos.

Esse tipo Karest do Cristo nas Catacumbas não se limita a Lázaro.

[pp. 12-13.]

Por meio do tipo Karest, o Cristo e os cristãos podem ambos ser rastreados nos antigos túmulos do Egito.

A múmia foi feita à semelhança do Cristo.

Era o Cristo por nome, idêntico aos Chrestoi das Inscrições Gregas.

Assim, os mortos honrados, que ressuscitaram como seguidores de Hórus-Makheru, a Palavra da Verdade, são encontrados como os cristãos, nos monumentos egípcios.

Ma-Kheru é o termo que é sempre aplicado aos fiéis que ganham a coroa da vida e a usam no festival que é designado “Vem tu a mim” — um convite de Hórus, o Justificador, àqueles que são os “Abençoados de seu pai, Osíris” — eles que, tendo feito da Palavra da Verdade a lei de suas vidas, eram os Justificados = , os cristãos, na terra.

[p. 12.]

Numa representação do quinto século da Madona e do menino do cemitério de São Valentino, o recém-nascido deitado numa caixa ou berço é também o Karest, ou tipo-múmia, identificado ainda como o divino infante do mito solar pelo disco do sol e a cruz do equinócio atrás da cabeça do infante.

Assim, o menino-Cristo da fé histórica nasce, e visivelmente começa na imagem Karest do Cristo morto, que era o tipo-múmia da ressurreição no Egito por milhares de anos antes da era cristã.

Isso duplica a prova de que o Cristo das Catacumbas Cristãs era uma sobrevivência do Karest do Egito.

Além disso, como Didron mostra, havia um retrato do Cristo que tinha seu corpo pintado de vermelho! Era uma tradição popular que o Cristo tinha uma compleição vermelha.

Isso também pode ser explicado como uma sobrevivência do Cristo-Múmia.

Era um modo aborígene de tornar as coisas tapu colorindo-as de vermelho.

O cadáver morto era revestido com ocre vermelho — um modo muito primitivo de fazer a múmia, ou o ungido.

Assim, o deus Ptah diz a Ramsés II que ele “reformou sua carne em vermelhão”. Além disso, os Iniciados nos mistérios gregos eram untados ou ungidos com argila (Demóstenes, De corona, 313). Essa unção com ocre vermelho é chamada Kura pelos maoris, que igualmente faziam o Karest ou Cristo.

Vemos a imagem da múmia continuada em outra linha de descendência quando aprendemos que, entre outras heresias perniciosas e pecados mortais dos quais os Cavaleiros Templários foram acusados, estava o costume ímpio de adorar uma Múmia que tinha olhos vermelhos.

Seu Ídolo, chamado Baphomet, também se pensa ter sido uma múmia.

. . . . . . . . A Múmia era a mais antiga imagem humana do Cristo.

Não duvido que os antigos festivais romanos chamados Charistia estivessem, em sua origem, conectados ao Karest e à Eucaristia como uma celebração em honra aos manes de seus parentes e amigos falecidos, por cuja causa eles se reconciliam no encontro amistoso uma vez por ano.

É aqui, então, que temos de buscar a conexão essencial entre o Cristo egípcio, os cristãos e as Catacumbas romanas.

––––––––––      Porque ele é, cabalisticamente, o novo Adão, o "homem celestial", e Adão foi feito de terra vermelha.

[Nota de rodapé de H. P. B.] ––––––––– Esses Mistérios cristãos, ignorantemente explicados como inexplicáveis, podem ser explicados pelo Gnosticismo e pela Mitologia, mas de nenhuma outra maneira.


Não é que sejam insolúveis pela razão humana, como pretendem seus expositores incompetentes, por mais bem pagos que sejam, nos dias de hoje.

Isso é apenas a desculpa pueril dos não qualificados para sua própria ignorância desamparada — eles que nunca estiveram de posse da gnose ou ciência dos Mistérios, pela qual somente essas coisas podem ser explicadas de acordo com sua gênese natural.

Somente no Egito podemos ler a questão pela raiz, ou identificar a origem do Cristo por natureza e por nome, para descobrir, por fim, que o Cristo era o tipo-Múmia, e que nossa Cristologia é mitologia mumificada.

[pp. 13-14.] (Agnostic Annual.)

O acima é uma explicação baseada em evidências puramente científicas, mas, talvez, um pouco materialista demais, justamente por causa dessa ciência, não obstante o autor ser um conhecido espiritualista.

O Ocultismo puro e simples encontra os mesmos elementos místicos no cristianismo como em outras fés, embora rejeite com igual ênfase seu caráter dogmático e histórico.

É um fato que, nos termos (Ver Atos, v, 42; ix, 34; I Cor., iii, 11, etc.), o artigo que designa "Christos" prova tratar-se simplesmente de um sobrenome, como o de Fócion, que é referido como (Plutarco, Vitae).41 Ainda assim, a personagem (Jesus) assim designada — quando quer que tenha vivido — foi um grande Iniciado e um "Filho de Deus". Pois, dizemos novamente, o sobrenome Christos baseia-se em, e a história da Crucificação deriva de, eventos que o precederam. Em toda parte, na Índia como no Egito, na Caldeia como na Grécia, todas essas lendas foram construídas sobre um único e mesmo tipo primitivo; o sacrifício voluntário dos logoi — os raios do único LOGOS, a emanação direta manifestada do Uno eternamente oculto e Desconhecido — cujos raios encarnaram na humanidade.

Eles consentiram em cair na matéria e, por isso, são chamados os "Caídos". Este é um daqueles grandes mistérios que dificilmente podem ser tocados em um artigo de revista, mas serão abordados em uma obra separada minha, A Doutrina Secreta, de forma bem completa.

Tendo dito isso, alguns fatos adicionais podem ser acrescentados à etimologia dos dois termos.

sendo o adjetivo verbal em grego de , "ser esfregado",

O CARÁTER ESOTÉRICO DOS EVANGELHOS como unguento ou pomada, e a palavra sendo finalmente trazida a significar "o Ungido", na teologia cristã; e Kri, em sânscrito, a primeira sílaba no nome de Krishna, significando "derramar, ou esfregar, cobrir com", entre muitas outras coisas, isso pode levar alguém facilmente a fazer de Krishna "o ungido". Filólogos cristãos tentam limitar o significado do nome de Krishna à sua derivação de Krish, "negro"; mas se a analogia e a comparação das raízes sânscritas e gregas contidas nos nomes de Chrstos, Christos e Chrishna forem analisadas mais cuidadosamente, descobrir-se-á que todas são da mesma origem.

Em "Inscrições Cristãs de Böckh, totalizando 1.287, não há um único exemplo de data anterior ao terceiro século em que o nome não seja escrito Chrst ou Chreist.

["O Nome e a Natureza do Cristo," por G. Massey, The Agnostic Annual.]

No entanto, nenhum desses nomes pode ser decifrado, como alguns orientalistas imaginam, apenas com a ajuda da astronomia e do conhecimento dos signos zodiacais em conjunção com símbolos fálicos.

Porque, enquanto os símbolos sidéreos dos caracteres ou personificações místicas nos Purânas ou na Bíblia cumprem funções astronômicas, seus antítipos espirituais regem invisivelmente, porém de forma muito eficaz, o mundo.

Eles existem como abstrações no plano superior, como manifestados

––––––––––      Daí a memorização da doutrina durante os MISTÉRIOS.

A mônada pura, o “deus” que se encarna e se torna Chrstos, ou homem, em sua provação de vida, uma série dessas provações o conduzia à crucificação da carne e, finalmente, à condição de Christos.

Segundo a melhor autoridade, a derivação do grego Christos é demonstrada a partir da raiz sânscrita ghrish, “esfregar”; assim: gharsh-â-mi-to, “esfregar”, e ghrish-˜a-s, “esfolado, dolorido”. Além disso, Krish, que significa em um sentido arar e fazer sulcos, significa também causar dor, “torturar, atormentar”, e ghrish-˜a-s, “esfregar” — todos esses termos relacionados às condições de Chrstos e Christos.

É preciso morrer em Chrstos, isto é, matar a própria personalidade e suas paixões, apagar toda ideia de separatividade do próprio “Pai”, o Espírito Divino no homem; tornar-se uno com a Vida e Luz eternas e absolutas (SAT) antes de se poder alcançar o glorioso estado de Christos, o homem regenerado, o homem em liberdade espiritual.

–––––––––– ideias no astral, e tornam-se poderes masculinos, femininos e andróginos neste nosso plano inferior.


Escorpião, como Chrstos-Meshiac, e Leão, como Christos-Messias, antecederam em muito a era cristã nas provações e triunfos da Iniciação durante os Mistérios, representando Escorpião o símbolo desta última, e Leão o triunfo glorificado do “sol” da verdade.

A filosofia mística da alegoria é bem compreendida pelo autor de A Medida das Origens, que escreve:

. . . . . Um [Chrstos], como aquele que se faz descer à cova [de Escorpião, ou encarnação no ventre], para a salvação do mundo; este era o sol despojado de seus raios dourados e coroado com raios enegrecidos (simbolizando essa perda), como os espinhos: O outro era o Messias triunfante, elevado ao cume do arco do céu, personificado como o Leão da tribo de Judá.

Em ambos os casos ele tinha a cruz; uma vez na humilhação (ou o filho da cópula), e uma vez segurando-a sob seu controle, como a lei da criação, sendo Ele Jeová.

. . .

no esquema dos autores do cristianismo dogmático.

Pois, como o mesmo autor mostra adiante, João, Jesus e até mesmo Apolônio de Tiana “foram apenas epitomizadores do

––––––––––       Os Orientalistas e Teólogos são convidados a ler e estudar a alegoria de Vi wakarman, o "Omnificente", o Deus Védico, o arquiteto do mundo, que se sacrificou a si mesmo ou ao mundo, após ter oferecido todos os mundos, que são ele mesmo, em um "Sarva Medha" (sacrifício geral) — e a refletir sobre ela. Na alegoria Purânica, sua filha Yoga-siddha, "Consciência espiritual", esposa de Surya, o Sol, queixa-se a ele do excessivo esplendor de seu marido; e Vi wakarman, em seu caráter de Takshaka, "cortador de madeira e carpinteiro", colocando o Sol em seu torno, corta uma parte de seu brilho.

Surya aparece, depois disso, coroado com espinhos escuros em vez de raios, e torna-se Vikarttana ("tosquiado de seus raios"). Todos esses nomes são termos que eram usados pelos candidatos ao passarem pelas provas da Iniciação.

O Hierofante-Iniciador personificava Vi wakarman, o pai, e o artífice geral dos deuses (os adeptos na terra), e o candidato — Surya, o Sol, que tinha de matar todas as suas paixões ardentes e usar a coroa de espinhos enquanto crucificava seu corpo antes de poder erguer-se e renascer em uma nova vida como o glorificado "Luz do Mundo" — Christos.

Nenhum orientalista parece ter jamais percebido a sugestiva analogia, quanto mais aplicá-la! ––––––––––                        Collected Writings VOLUME VIII                                             Novembro, história do mesmo sol, sob diferenças de aspecto ou condição." 44 A explicação, diz ele,


é simples o bastante, quando se considera que os nomes Jesus, Hebraico: , e Apolônio, ou Apolo, são igualmente nomes do sol nos céus; e necessariamente a história de um, quanto às suas viagens através dos signos, com as personificações de seus sofrimentos, triunfos e milagres, não poderia ser senão a história do outro, onde havia um método comum e amplamente difundido de descrever tais viagens por personificação.

O fato de a Igreja Secular ter sido fundada por Constantino, e de ter feito parte de seu decreto “que o venerável dia do Sol fosse o dia separado para a adoração de Jesus Cristo como Dia do Sol,” mostra que eles sabiam bem, naquela “Igreja Secular,” que a alegoria repousava “sobre uma base astronômica,” como afirma o autor.46 Contudo, novamente, a circunstância de que tanto os Purânas quanto a Bíblia estão repletos de alegorias solares e astronômicas não milita contra aquele outro fato de que todas essas escrituras, além dessas duas, são livros fechados para os eruditos “com autoridade.” (!) Tampouco afeta aquela outra verdade, de que todos esses sistemas não são obra do homem mortal, nem são invenção sua em sua origem e base.

Assim, “Christos,” sob qualquer nome, significa mais do que Karest, uma múmia, ou mesmo o “ungido” e o eleito da teologia.

Ambos os últimos se aplicam a Chrstos, o homem de dor e tribulação, em suas condições físicas, mentais e psíquicas, e ambos se relacionam à condição do hebraico Meshiach (de onde Messias), como a palavra é

––––––––––

 O autor de A Fonte das Medidas pensa que isso “serve para explicar por que tem sido que a Vida de Apolônio de Tiana, por Filóstrato, tem sido tão persistentemente mantida afastada da tradução e da leitura popular.

Aqueles que a estudaram no original foram forçados ao comentário de que ou a Vida de Apolônio foi tirada do Novo Testamento, ou que as narrativas do Novo Testamento foram tiradas da Vida de Apolônio, por causa da manifesta semelhança dos meios de construção das narrativas” (p. 260). ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS etimologizada por Fuerst, e o autor de A Fonte das Medidas, p. 255. Christos é a coroa de glória do sofredor Chrstos dos mistérios, assim como do candidato à UNIÃO final, de qualquer raça e credo.

Para o verdadeiro seguidor do ESPÍRITO DA VERDADE, pouco importa, portanto, se Jesus, como homem e Chrstos, viveu durante a era chamada cristã, ou antes, ou nunca viveu de todo.

Os Adeptos, que viveram e morreram pela humanidade, existiram em muitas e em todas as épocas, e muitos foram os homens bons e santos na antiguidade que carregaram o sobrenome ou título de Chrstos antes de Jesus de Nazaré, ou melhor, Jesus (ou Jehoshua) Ben Pandira nascer. Portanto, pode-se ser permitido concluir, com boa razão,

––––––––––        “A palavra      : shiach, em hebraico, é a mesma palavra que um verbo, significando descer à cova.

Como substantivo, também significa cova, lugar de espinhos; também, a palavra queixosa.

O particípio hifil desta palavra é (  : /, ou Meshiach, ou o grego Messias, ou Cristo, e significa ‘aquele que faz descer à cova’” 47 (ou inferno, no dogmatismo). Na filosofia esotérica, essa descida à cova tem o significado mais misterioso.

Diz-se que o Espírito “Christos”, ou antes o “Logos” (leia-se Logoi), “desce à cova” quando encarna na carne, nasce como homem.

Depois de terem roubado dos Elohim (ou deuses) o seu segredo, o “fogo da vida” procriador, os Anjos da Luz são mostrados lançados na cova ou abismo da matéria, chamado Inferno, ou o abismo sem fundo, pelos bondosos teólogos.

Isto, em Cosmogonia e Antropologia.

Durante os Mistérios, porém, é o Chrstos, neófito (como homem), etc., que tinha de descer às criptas da Iniciação e das provações; e, finalmente, durante as horas em que o novo Iniciado tem os últimos e finais mistérios revelados a ele. Hades, Scheol, ou Patala, são todos um.

O mesmo ocorre no Oriente agora, como ocorreu há 2.000 anos no Ocidente, durante os MISTÉRIOS.

 Vários clássicos testemunham este fato.

Luciano (Iupp.

Conf., 16) diz                     , e                                    , apelidado)                                                           . Em Fedro, 266 E, está escrito: “você quer dizer Teodoro, o Chrstos.”                                    . . Plutarco mostra o mesmo; e           ––Chrstos, é o nome próprio (ver a palavra em Thesaur.

Steph.)49 de um orador e discípulo de Herodes Ático.

–––––––––– que Jesus, ou Jehoshua, foi como Sócrates, como Fócion, como Teodoro, e tantos outros apelidados Chrstos, i.e., o “bom e excelente”, o gentil e santo Iniciado, que mostrou o “caminho” para a condição de Christos, e assim tornou-se ele próprio “o Caminho” nos corações de seus entusiásticos admiradores.


Os cristãos, como todos os “adoradores de Heróis”, tentaram lançar para segundo plano todos os outros Chrstoi, que lhes apareceram como rivais do seu Deus-Homem.

Mas se a voz dos MISTÉRIOS se calou por muitas eras no Ocidente, se Eleusis, Mênfis, Ântio, Delfos e Crsa há muito se tornaram os túmulos de uma Ciência outrora tão colossal no Ocidente quanto ainda o é no Oriente, há agora sucessores sendo preparados para eles.

Estamos em 1887 e o século XIX está próximo de sua morte.

O século XX reserva estranhos desenvolvimentos para a humanidade, e pode até ser o último de seu nome                                                                                              H.P.B.

––––––––––

––III––

[Lucifer, Vol.

I, No. 6, Fevereiro, 1888, pp. 490-496]

Ninguém pode ser considerado cristão a menos que professe ou se suponha professar crença em Jesus, pelo batismo, e na salvação, "através do sangue de Cristo." Para ser considerado um bom cristão, é preciso, como conditio sine qua non, demonstrar fé nos dogmas expostos pela Igreja e professá-los; após o que, um homem está livre para levar uma vida privada e pública segundo princípios diametralmente opostos àqueles expressos no Sermão da Montanha.

O ponto principal e aquilo que dele se exige é que ele tenha – ou finja ter – uma fé cega e veneração pelos ensinamentos eclesiásticos de sua Igreja particular.

"A fé é a chave da Cristandade," diz Chaucer, e a penalidade por carecer dela está tão claramente declarada quanto as palavras podem expressar, no Evangelho de São Marcos, Capítulo xvi, versículo 16: "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." Pouco importa à Igreja que a mais cuidadosa busca por essas palavras nos textos mais antigos durante os últimos séculos tenha permanecido infrutífera; ou que a recente revisão da Bíblia tenha levado a uma convicção unânime nos estudiosos amantes da verdade e buscadores da verdade empregados nessa tarefa, de que nenhuma sentença tão anticristã fosse encontrada, exceto em alguns dos textos fraudulentos mais recentes.


O bom povo cristão assimilou as palavras consoladoras, e elas se tornaram a própria medula e o âmago de suas almas caridosas.

Retirar a esperança da danação eterna, para todos os outros exceto eles mesmos, desses vasos escolhidos do Deus de Israel, era como lhes tirar a própria vida.

Os revisores amantes da verdade e tementes a Deus se assustaram; deixaram a passagem forjada (uma interpolação de onze versículos, do 9º ao 20º), e satisfizeram suas consciências com uma nota de rodapé de caráter bastante equívoco, que honraria a obra e faria jus às faculdades diplomáticas dos jesuítas mais astutos.

Ela informa ao "crente" que:––

Os dois mais antigos manuscritos gregos, e algumas outras autoridades omitem do vers.

até o fim.

Algumas outras autoridades têm um final diferente para o Evangelho

––e não explica mais nada.

Mas os dois "mais antigos MSS. gregos" omitem os versículos *nolens volens*, pois estes nunca existiram.

E os eruditos e amantes da verdade revisores sabem disso melhor do que qualquer um de nós; contudo, a perversa falsidade é impressa na própria sede da Divindade Protestante, e é permitido que continue, fulgurando diante dos rostos das futuras gerações de estudantes de teologia e, portanto, nos de seus futuros paroquianos.

Nem uns nem outros podem ser, nem são, enganados por ela, contudo ambos fingem acreditar na autenticidade das cruéis palavras dignas de um –––––––––– Vide "O Evangelho segundo São Marcos," na edição revisada impressa para as Universidades de Oxford e Cambridge, 1881. –––––––––– Satanás teológico.


E este Satanás-Moloque é o seu próprio Deus de infinita misericórdia e justiça no Céu, e o símbolo encarnado de amor e caridade na Terra––fundidos em um só! Verdadeiramente misteriosos são os vossos caminhos paradoxais, ó––Igrejas de Cristo! Não tenho intenção de repetir aqui argumentos gastos e exposições lógicas de todo o esquema teológico; pois tudo isso já foi feito, repetidas vezes, e de maneira excelente, pelos mais capazes "Infiéis" da Inglaterra e da América.

Mas posso brevemente repetir uma profecia que é um resultado evidente do estado atual das mentes dos homens na Cristandade.

A crença na Bíblia literalmente, e num Cristo carnalizado, não durará mais um quarto de século.

As Igrejas terão de se desfazer de seus dogmas acalentados, ou o século XX testemunhará a queda e a ruína de toda a Cristandade, e com ela, a crença até mesmo num Christos, como Espírito puro.

O próprio nome tornou-se agora odioso, e o Cristianismo teológico deve morrer, para nunca mais ressuscitar em sua forma atual.

Isto, em si, seria a solução mais feliz de todas, se não houvesse perigo da reação natural que certamente se seguirá: o materialismo grosseiro será a consequência e o resultado de séculos de fé cega, a menos que a perda dos velhos ideais seja substituída por outros ideais, inatacáveis, por serem universais, e construídos sobre a rocha das verdades eternas em vez das areias movediças da fantasia humana.

A imaterialidade pura deve substituir, no fim, o terrível antropomorfismo desses ideais nas concepções de nossos dogmáticos modernos.

Caso contrário, por que os dogmas cristãos––o contraponto perfeito daqueles pertencentes a outras religiões exotéricas e pagãs––reivindicariam qualquer superioridade? Os corpos de todos eles foram construídos sobre os mesmos símbolos astronômicos e fisiológicos (ou fálicos).

Astrologicamente, todo dogma religioso em todo o mundo pode ser rastreado e localizado nos signos zodiacais e no Sol.

E enquanto a ciência do simbolismo comparado ou qualquer teologia tiver apenas duas chaves para abrir os mistérios dos dogmas religiosos––e essas duas apenas parcialmente dominadas––como pode ser traçada uma linha de demarcação, ou feita qualquer diferença entre as religiões de, digamos, Chrishna e Cristo.


entre a salvação pelo sangue do "primogênito macho primordial" de uma fé, e a do "filho unigênito" da outra religião, muito mais jovem? Estudem os Vedas: leiam mesmo os escritos superficiais, frequentemente desfigurados, de nossos grandes orientalistas, e reflitam sobre o que terão aprendido.

Vejam brâmanes, hierofantes egípcios e magos caldeus ensinando vários milhares de anos antes de nossa era que os próprios deuses haviam sido apenas mortais (em nascimentos anteriores) até que conquistaram sua imortalidade ao oferecerem seu sangue ao seu Deus Supremo ou chefe.

O Livro dos Mortos ensina que o homem mortal "tornou-se um com os deuses através de um intercâmbio de vida comum no sangue comum dos dois." Os mortais deram o sangue de seus filhos primogênitos em sacrifício aos Deuses.

Em seu *Hinduism*, p. 36, o Professor Monier Williams, traduzindo do *Taittiriya Brâhmana*, escreve:––”Por meio do sacrifício os deuses obtiveram o céu.” E no *Tandya Brâhmana*:––”O senhor das criaturas (*prajâ-pati*) ofereceu a si mesmo em sacrifício aos deuses.” . . . E novamente no *Satapatha Brâhmana*:––”Aquele que, conhecendo isto, sacrifica com o *Purusha-medha*, ou o sacrifício do macho primordial, torna-se tudo.” Sempre que ouço os ritos védicos serem discutidos e chamados de “sacrifícios humanos repugnantes” e canibalismo (*sic*), sinto-me sempre inclinado a perguntar: onde está a diferença? No entanto, há uma, de fato; pois enquanto os cristãos são compelidos a aceitar o drama alegórico (embora, quando compreendido, altamente filosófico) da Crucificação do Novo Testamento, assim como o de Abraão e Isaque literalmente, o Bramanismo––suas escolas filosóficas, pelo menos––ensina a seus adeptos que seu sacrifício (pagão) do “macho primordial” é um símbolo puramente alegórico e filosófico.

Lidos em seu sentido literal, os quatro evangelhos são simplesmente versões ligeiramente alteradas do que a

––––––––––        Ver “A Filha do Soldado,” neste número, pelo Rev.

T. G. Headley, e notai o protesto desesperado deste verdadeiro cristão contra a aceitação literal dos “sacrifícios de sangue,” “Expiação pelo sangue,” etc., na Igreja da Inglaterra.

A reação começa: outro sinal do tempo.

–––––––––– Igreja proclama como plágio satânico (por antecipação) dos dogmas cristãos nas religiões pagãs.


O Materialismo tem todo o direito de encontrar em todas elas a mesma adoração sensual e os mesmos “mitos solares” como em qualquer outro lugar.

Analisado e criticado superficialmente e em sua face literal, o Professor Joy (*Man before Metals*, pp. 189-190), encontrando na *Swastika*, na *crux ansata* e na cruz pura e simples, meros símbolos sexuais––é justificado em falar como fala. Visto que

O pai do fogo sagrado [na Índia] tinha o nome de *Twashtri*, isto é, o divino carpinteiro que fez a *Swastika* e o *Pramanthâ*, cuja fricção produziu o divino filho *Agni* (em latim *Ignis*); que sua mãe era chamada *Maya*; ele mesmo, denominado *Akta* (ungido,              ) depois que os sacerdotes derramaram sobre sua cabeça o *soma* espirituoso e sobre seu corpo manteiga purificada pelo sacrifício.

. . . vendo tudo isto, ele tem todo o direito de observar que:

. . . . . . a estreita semelhança que existe entre certas cerimônias do culto de Agni e certos ritos da religião católica pode ser explicada por sua origem comum, pelo menos até certo ponto.

Agni na condição de Akta (ungido) é sugestivo de Cristo; Maya, Maria, sua mãe; Twashtri, São José, o carpinteiro da Bíblia.

O professor da Faculdade de Ciências de Toulouse explicou algo ao chamar a atenção para aquilo que qualquer um pode ver? Claro que não.

Mas, se em sua ignorância do significado esotérico da alegoria ele nada acrescentou ao conhecimento humano, por outro lado ele destruiu a fé em muitos de seus alunos tanto na "origem divina" do Cristianismo quanto em sua Igreja, e ajudou a aumentar o número de Materialistas.

Pois certamente, nenhum homem, uma vez que se dedica a tais estudos comparativos, pode considerar a religião do Ocidente sob outra luz que não a de uma cópia pálida e enfraquecida de filosofias mais antigas e nobres.

A origem de todas as religiões––incluindo o judaico-cristianismo––deve ser encontrada em algumas verdades primevas, nenhuma das quais pode ser explicada separadamente das demais, pois cada uma é um complemento das outras em algum detalhe particular.

E todas são, mais ou menos, raios fragmentados do mesmo Sol da verdade, e seus começos devem ser buscados nos registros arcaicos da Religião da Sabedoria.

Sem a luz desta última, os maiores eruditos podem ver apenas os esqueletos da mesma cobertos com máscaras de fantasia, e baseados principalmente em signos zodiacais personificados.


Uma espessa película de alegoria e véus, as "ditas obscuras" da ficção e da parábola, cobre assim os textos esotéricos originais dos quais o Novo Testamento––como agora conhecido––foi compilado.

De onde, então, os Evangelhos, a vida de Jesus de Nazaré? Não foi repetidamente afirmado que nenhum cérebro humano e mortal poderia ter inventado a vida do Reformador judeu, seguida pelo terrível drama no Calvário? Dizemos, com base na autoridade da Escola esotérica oriental, que tudo isso veio dos Gnósticos, no que diz respeito ao nome Christos e às alegorias astronômico-místicas, e dos escritos dos antigos Tanaïm no que concerne à conexão cabalística de Jesus ou Josué com as personificações bíblicas.

Uma destas é o nome esotérico místico de Jeová––não o atual Deus fantasioso dos judeus profanos, ignorantes de seus próprios mistérios, o Deus aceito pelos cristãos ainda mais ignorantes––mas o Jeová composto da Iniciação pagã.

Isto é comprovado muito claramente pelos glifos ou combinações místicas de vários signos que sobreviveram até hoje nos hieróglifos católicos romanos.

Os Registros Gnósticos continham o epítome das principais cenas encenadas durante os mistérios da Iniciação, desde a memória do homem; embora mesmo isso fosse divulgado invariavelmente sob a roupagem de semi-alegoria, sempre que confiado a pergaminho ou papel.

Mas os antigos Tanaïm, os Iniciados de quem a sabedoria da Cabala (tradição oral) foi obtida pelos talmudistas posteriores, possuíam os segredos da linguagem do mistério, e é nessa linguagem que os Evangelhos foram escritos. Somente aquele que dominou a cifra esotérica da antiguidade––o significado secreto dos numerais, propriedade comum em certa época de todas as nações––tem a prova completa do gênio

––––––––––      Assim, enquanto os três Sinóticos exibem uma combinação das simbologias pagã-grega e judaica, o Apocalipse é escrito na linguagem do mistério dos Tanaïm––a relíquia da sabedoria egípcia e caldeia––e o Evangelho de São João é puramente gnóstico.

–––––––––– que foi exibido na combinação das alegorias e nomes puramente egípcio-judaicos do Antigo Testamento, e aqueles dos gnósticos pagão-gregos, os mais refinados de todos os místicos daquela época.


O Bispo Newton prova isso ele mesmo, inocentemente, ao mostrar que "São Barnabé, companheiro de São Paulo, em sua epístola (cap. ix) descobre . . . . os nomes de Jesus crucificado no número 318", ou seja, Barnabé o encontra no místico grego I H T––sendo o tau o glifo da cruz.

Sobre isso, um cabalista, autor de um manuscrito inédito sobre a Chave de Formação da Linguagem do Mistério, observa:

Mas isso é apenas um jogo com as letras hebraicas Jod, Cheth e Shin, de onde o I H S como monograma de Cristo chega até nossos dias, e isso é lido como: ou 381, sendo a soma da letra ou o número de Abraão e seu Satã, e de Josué e seu Amaleque.

Verdade é também o número de Jacó e seu antagonista, como se poderia mostrar.

Godfrey Higgins dá a autoridade para o número 608. É o número do nome de Melquisedeque, pois o valor do último é 304, e Melquisedeque era o sacerdote do Deus Altíssimo, sem começo nem fim de dias.

A solução e o segredo de Melquisedeque são encontrados no fato de que.

Foi dito nos antigos Panteões que os dois planetas que existiram desde a eternidade [eternidade eônica] e eram eternos eram o sol e a lua, ou Osíris e Ísis; daí este termo de sem começo nem fim de dias.

multiplicado por dois é 608. Assim também os números estão na palavra Set, que era um tipo do ano.

Há uma série de autoridades para o número 888 como aplicado ao nome de Jesus Cristo e, como foi dito, isso está em antagonismo com o 666 do Anticristo.

. . . . O valor estável no nome de Josué era o número 365, a indicação do ano solar, enquanto Jeová se comprazia em ser a indicação do ano lunar––e Jesus Cristo era tanto Josué quanto Jeová no Panteão Cristão.

. . .

Isto é apenas uma ilustração do nosso ponto para provar que a aplicação cristã do nome composto Jesus-Cristo é toda baseada no misticismo gnóstico e oriental.

Era apenas justo e natural que Cronistas como os gnósticos iniciados, comprometidos com o sigilo, velassem ou disfarçassem o significado final de seus mais antigos e sagrados ensinamentos.

O direito dos Pais da Igreja de cobrir tudo com um epitema de fantasia eumerizada é bastante

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS mais duvidoso. O Escriba e Cronista gnóstico não enganava ninguém.

Todo Iniciado na gnose arcaica––seja do período pré-cristão ou pós-cristão––conhecia bem o valor de cada palavra da "linguagem de mistério". Pois esses gnósticos––os inspiradores do cristianismo primitivo––eram "os mais polidos, os mais eruditos e os mais ricos do nome cristão", como diz Gibbon.52 Nem eles, nem seus seguidores mais humildes, corriam o risco de aceitar a letra morta de seus próprios textos.

Mas era diferente com as vítimas dos fabricantes do que hoje se chama cristianismo ortodoxo e histórico.

Seus sucessores foram todos levados a cair nos erros dos "gálatas insensatos" repreendidos por Paulo, que, como ele lhes diz (Gálatas, iii, 1-5), tendo começado (por crer) no Espírito (de Cristo), "acabaram crendo na carne",––isto é, num Cristo corpóreo.

Pois tal é o verdadeiro significado da sentença grega, "                                                      "53 Que Paulo era um gnóstico, um fundador de uma nova seita de gnose que reconhecia, como todas as outras seitas gnósticas, um "Cristo-Espírito", embora se opusesse aos seus adversários, as seitas rivais, é suficientemente claro para todos, exceto para dogmáticos e teólogos.

Nem é menos claro que os ensinamentos primitivos de Jesus, quando quer que ele tenha vivido, só poderiam ser descobertos nos ensinamentos gnósticos; contra essa descoberta, os falsificadores que rebaixaram o Espírito à matéria, degradando assim a nobre filosofia

––––––––––       “A pretensão do Cristianismo de possuir Autoridade Divina repousa na crença ignorante de que o Cristo Místico poderia e se tornou uma pessoa, ao passo que a Gnose prova que o Cristo Corpóreo é apenas uma apresentação falsificada do Homem Trans-Corpóreo; consequentemente, a retratação histórica é, e sempre será, um modo fatal de falsificar e desacreditar a Realidade Espiritual.” (G. Massey, “Gnostic and History Christianity.”)

 Esta frase analisada significa “Vós, que no princípio olhastes para o Cristo-Espírito, acabareis agora por crer num Cristo de carne,” ou não significa nada.

O verbo                  não tem o significado de “tornar-se perfeito,” mas de “acabar por,” tornar-se. A luta vitalícia de Paulo com Pedro e outros, e o que ele mesmo conta de sua visão de um Cristo espiritual e não de Jesus de Nazaré, como nos Atos––são tantas provas disso.

–––––––––– da primitiva Religião da Sabedoria, tomaram amplas precauções desde o início.


As obras de Basilides apenas––”o filósofo devotado à contemplação das coisas Divinas,” como Clemente o descreve––os 24 volumes de suas Interpretações sobre os Evangelhos––foram todos queimados por ordem da Igreja, Eusébio nos conta (Hist. Ecles., Livro IV, cap. 7).     Como essas Interpretações foram escritas numa época em que os Evangelhos que temos agora ainda não existiam, eis uma boa prova de que o Evangelho, cujas doutrinas foram entregues a Basilides pelo Apóstolo Mateus, e a Glaucias, o discípulo de Pedro (Clemente Alexandrino, Strom., VII, cap. xvii), 56 deve ter diferido amplamente do atual Novo Testamento.

Nem podem essas doutrinas ser julgadas pelos relatos distorcidos que Tertuliano deixou à posteridade.

Contudo, mesmo o pouco que esse fanático partidário fornece mostra as principais doutrinas gnósticas como idênticas, sob sua própria terminologia e personificações peculiares, às da Doutrina Secreta do Oriente.

Pois,

. . . . . . Discutindo Basílides, o “piedoso, divino, filósofo teosófico,” como Clemente de Alexandria o considerava, Tertuliano exclama: “Depois disso, Basílides, o herege, soltou-se. Ele afirmou que há um Deus Supremo, por nome Abraxas, por quem a Mente [Mahat] foi criada, a qual os gregos chamaram de Nous.

Dela emanou o Verbo; do Verbo, a Providência; da Providência, a Virtude e a Sabedoria; destas duas, novamente, foram feitas Virtudes, Principados e Potestades; daí, infinitas produções e emissões de anjos.

Entre os anjos mais inferiores, de fato, e aqueles que fizeram este mundo,

––––––––––        Ver Supernatural Religion, Vol.

II, cap.

“Basílides.”

 Foi perguntado em Ísis sem Véu: “não eram também as visões do bispo frígio Montano, consideradas uma HERESIA pela Igreja de Roma? É bastante extraordinário ver com que facilidade essa Igreja encoraja o abuso de um herege, Tertuliano, contra outro herege, Basílides, quando o abuso acontece de favorecer seu próprio objetivo.” [Ísis sem Véu, II, 189, nota de rodapé.]

 “Não fala o próprio Paulo de ‘Principados e Potestades nos lugares celestiais’ (Efésios, iii, 10; i, 21), e não confessa que há muitos deuses e muitos Senhores (Kurioi)? E anjos, potestades (Dunameis), e Principados? (Ver I Coríntios, viii, 5; e Epístola aos Romanos, viii, 38)” [Ísis sem Véu, II, 189, nota de rodapé.] –––––––––– ele coloca por último o deus dos judeus, a quem nega ser o próprio Deus, afirmando que ele é apenas um dos anjos.” (Ísis sem Véu, Vol.


II, p. 189.)

Outra prova da alegação de que o Evangelho de Mateus nos textos gregos usuais não é o evangelho original escrito em hebraico é dada por uma autoridade nada menos que São Jerônimo (ou Hierônimo). A suspeita de uma evemerização consciente e gradual do princípio do Cristo desde o início transforma-se em convicção, uma vez que se toma conhecimento de uma certa confissão contida no Livro II do Comentário.

a Mateus por Hierônimo.

Pois encontramos nele as provas de uma deliberada substituição de todo o evangelho, tendo o atual no Cânon sido evidentemente reescrito por este Padre da Igreja por demais zeloso. Ele diz que foi enviado, perto do fim do século IV, por "suas Felicidades", os Bispos Cromácio e Heliodoro, a Cesareia, com a missão de comparar o texto grego (o único que jamais tiveram) com a versão original hebraica preservada pelos nazarenos em sua biblioteca, e de traduzi-lo. Ele o traduziu, mas sob protesto; pois, como ele diz, o Evangelho "exibia matéria não para edificação, mas para destruição". A "destruição" de quê? Do dogma

––––––––––        Tertuliano, *Liber de praescriptione haereticorum*.57 É inegavelmente devido apenas a um argumento notavelmente casuístico, de prestidigitação, que Jeová, que na Cabala é simplesmente uma Sephiroth, o terceiro poder do lado esquerdo entre as Emanações (Binah), foi elevado à dignidade do único Deus absoluto.

Mesmo na Bíblia ele é apenas um dos Elohim (Ver Gênesis, iii, 22, "O Senhor Deus" não fazendo diferença entre si mesmo e os outros).       Isto é história.

Até onde foi essa reescrita e adulteração dos fragmentos gnósticos primitivos que agora se tornaram o Novo Testamento, pode-se inferir lendo *Religião Sobrenatural*, que passou por mais de vinte e três edições, se não me engano.

A multidão de autoridades apresentadas pelo autor é simplesmente apavorante.

A lista dos críticos bíblicos ingleses e alemães parece interminável.

 Os principais detalhes são dados em *Ísis sem Véu*, Vol.

II, pp. 180-83. Verdadeiramente, a fé na infalibilidade da Igreja deve ser cega como pedra — ou não teria deixado de ser morta e — morrer.


que Jesus de Nazaré e o Cristo são um — evidentemente; portanto, para a "destruição" da religião recém-planejada. Nesta mesma carta, o Santo (que aconselhava seus convertidos a matar seus pais, pisar no seio que os alimentou, caminhando sobre os corpos de suas mães, se os pais se colocassem como obstáculo entre seus filhos e Cristo) — admite que Mateus não desejava que seu evangelho fosse escrito abertamente, portanto, que o manuscrito era um segredo.

Mas, embora admita também que esse evangelho "foi escrito em caracteres hebraicos e pela mão do próprio" (Mateus), em outro lugar ele se contradiz e assegura à posteridade que, como foi adulterado e reescrito por um discípulo de Maniqueu, chamado Seleuco... "os ouvidos da Igreja recusaram-se propriamente a ouvi-lo". Não admira que o próprio significado dos termos Chrstos e Christos, e a influência de ambos sobre "Jesus de Nazaré", um nome cunhado a partir de Josué, o Nazireu, tenha agora se tornado letra morta para todos, exceto para os ocultistas não cristãos.

Pois mesmo os cabalistas não têm agora dados originais em que se apoiar.

O Zohar e a Cabala foram remodelados por mãos cristãs a ponto de ficarem irreconhecíveis; e não fosse por uma cópia do Livro Caldeu dos Números, não restaria nada além de relatos deturpados.

Que nossos Irmãos, os chamados cabalistas cristãos da Inglaterra e da França, muitos dos quais são teosofistas, não protestem com demasiada veemência; pois isto é história (Ver Munk). É tão tolo sustentar, como alguns orientalistas alemães e críticos modernos ainda o fazem, que a Cabala nunca existiu antes dos dias do judeu espanhol Moisés de Leão, acusado de ter forjado esse pseudógrafo no século XIII, quanto afirmar que qualquer uma das obras cabalísticas agora em nossa posse é tão original quanto eram quando o Rabi Shimon Ben Yochai entregou a "tradição" a seu filho e seguidores.

Nem um único

––––––––––      Ver Hieronymus, De viris inlustribus liber, cap.

3; H. Olshausen, Nachweis der Echtheit der sämmtlichen Schriften des Neuen Testaments, p. 35.59 O texto grego do Evangelho de Mateus é o único usado ou já possuído pela Igreja.

–––––––––– 216                                  BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

desses livros é imaculado, nenhum escapou da mutilação por mãos cristãs.

Munk, um dos críticos mais eruditos e capazes de sua época sobre esse assunto, prova isso, ao mesmo tempo em que protesta, como nós, contra a suposição de que seja uma falsificação pós-cristã, pois ele diz:

Parece-nos evidente... que o compilador fez uso de documentos antigos, e entre estes, de certos Midraschim ou coleções de tradições e exposições bíblicas, que não possuímos agora.

Depois do que, citando Tholuck (l.c., pp. 24 e 31),62 ele acrescenta:

Hây Gaôn, que faleceu em 1038, é, até onde sabemos, o primeiro autor que desenvolveu a teoria das sefirot, e deu-lhes os nomes que encontramos novamente entre os cabalistas (cf. Jellinek, Moses ben Schem-tob de Leon, etc., p. 13, nota 5); 63 este doutor, que mantinha frequente intercâmbio com os sábios cristãos sírios e caldeus, foi habilitado por estes últimos a adquirir conhecimento de alguns dos escritos gnósticos.

Quais "escritos gnósticos" e doutrinas esotéricas passaram, parte integrante, para as obras cabalísticas, com muitas interpolações mais modernas que agora encontramos no Zohar, como Munk bem demonstra.

Que a Cabala é agora cristã, não judaica.

Assim, entre várias gerações dos mais ativos Padres da Igreja, sempre trabalhando na destruição de documentos antigos e na preparação de novas passagens para serem interpoladas naqueles que porventura sobreviviam, resta dos Gnósticos — a legítima descendência da Religião da Sabedoria Arcaica — apenas alguns fragmentos irreconhecíveis.

Mas uma partícula de ouro genuíno brilhará para sempre; e, por mais deturpados que sejam os relatos deixados por Tertuliano e Epifânio sobre as Doutrinas dos "Hereges", um ocultista ainda pode encontrar neles traços daquelas verdades primevas que outrora foram universalmente transmitidas durante os mistérios da Iniciação.

Entre outras obras com alegorias das mais sugestivas, temos ainda os chamados Evangelhos Apócrifos, e o mais recentemente descoberto como o mais precioso relicário da literatura gnóstica, um fragmento denominado Pistis-Sophia, "Conhecimento-Sabedoria". No meu próximo artigo sobre o caráter esotérico dos Evangelhos, espero poder demonstrar que aqueles que traduzem Pistis por "Fé" estão totalmente equivocados.


A palavra "fé" como graça ou algo em que se deve crer mediante fé irracional ou cega, é uma palavra que data apenas do Cristianismo.

Nem Paulo jamais usou este termo nesse sentido em suas Epístolas; e Paulo era inegavelmente — um INICIADO.

H. P. B.                                          (Continua)                           Obras Completas VOLUME VIII                                              Novembro,

NOTAS DO COMPILADOR                              [Estas notas correspondem aos respectivos números sobrescritos                                no texto de "O Caráter Esotérico dos Evangelhos".]

Isto se refere ao Editorial de H. P. B. em Lucifer, Vol.

I, outubro, 1887, pp. 83-89, que é publicado em sua sequência cronológica na presente série de volumes.

Isto se refere ao *Anacalypsis* de G. Higgins, I, 568, onde ele cita o Rev.

Robert Taylor (1784-1844). O título completo da obra de Taylor é: *Syntagma of the evidences of the Christian religion: Being a vindication of the Manifesto of the Christian evidence society, against the assaults of the Christian instruction society, through their deputy, J. P. S., commonly reported to be Dr. John Pye Smith* . . . . Londres: Impresso para o autor, 1828. Reimpresso por W. Dugdale [sem data]. É um pequeno livro de cerca de 128 páginas.

A passagem inteira, como citada por Higgins, é: “O epíteto elogioso CHRÊST (do qual, pelo que se chama iotacismo, ou mudança do E longo em I, um termo de respeito cresceu para um de adoração), significava nada mais do que um homem bom.

Clemente Alexandrino, no segundo século, encontrou um argumento sério nesta paranomásia, que (Lib.

III, Cap.

XVII, p. 53, et circa—Psal.

55, D) todos os que creem em Chrest (isto é, em um homem bom) tanto são, como são chamados, Chrestianos, isto é, homens bons.” (*Stromata*, Lib.

II.) A palavra “cristão” ocorre três vezes no Novo Testamento, a saber, em Atos, xi, 26; xxvi, 28; e 1 Pedro, iv, 16. Sua grafia difere,

–––––––––– [Tanto quanto se pôde verificar, este ensaio nunca foi concluído.—Compilador.] –––––––––– no entanto, nos três MSS. mais antigos.


conhecidos, como aparece na tabela seguinte: “Texto recebido” Códex (moderno) Alexandrino Vaticano

Em *The First Apology of Justin Martyr* de John Kaye (Edimburgo: John Grant, 1912), a tradução desta passagem é assim: “. . . . e quanto ao nosso nome, que equivale a um crime contra um cristão, se formos julgados por esse artigo, certamente seremos absolvidos como homens muito bons.” Godfrey Higgins, em seu *Anacalypsis*, I, 569, escreve em conexão com isto: “Sobre esta passagem, Thirlby tem a seguinte nota: , alusio est ad vulgatam eo tempore consuetudinem, quâ Christus ignorata nominis ratione nominabitur Chrestus (Sylburgius). Aqui está outra prova decisiva de que no tempo de Justino os cristãos eram comumente chamados Chrestianos.”

Na página seguinte, Justino chama os cristãos de , e acrescenta: —“Odiar o que é bom, chreston, não é justo.” Sobre isso, Thirlby, em uma nota, diz: legendum haud immerito conjectavit Sylburgius, ex mente scilicet seu potius voce adversariorum (Grabe). E é certo que Sylburgius conjecturou com muita verdade.

Pois não se pode duvidar que o de Justino é uma corrupção, e uma corrupção muito absurda.

Se ele foi corrompido em um lugar, pode sê-lo em outros.” 4 Três partes deste Ensaio sobre “O Caráter Esotérico dos Evangelhos” foram publicadas em Lucifer, e a Série permaneceu inacabada.

No entanto, o assunto do significado esotérico da narrativa evangélica, o significado oculto de seu simbolismo e a historicidade de Jesus foram discutidos por H. P. B. em vários outros ensaios, artigos e notas de rodapé importantes, anexados a contribuições de outros escritores.

Menção especial deve ser feita à sua longa controvérsia com o Abade Roca, publicada nas páginas de Le Lotus (Vol. II, dezembro de 1887; Vol. III, abril e junho de 1888); seu poderoso artigo sobre “A Origem dos Evangelhos e o Bispo de Bombaim”, que apareceu em The Theosophist (Vol. IV, outubro de 1882, pp. 6-9); seu artigo intitulado “Uma Palavra com os Teosofistas” (ibid., Vol. IV, março de 1883, pp. 143-45); suas valiosas notas editoriais a um artigo sobre “A Crucificação do Homem”, publicado em Lucifer (Vol. II, maio de 1888, pp. 243-50), incorporando uma análise do “Grito na Cruz”; suas muitas passagens sobre assuntos semelhantes ao longo dos volumes de A Doutrina Secreta e Ísis sem Véu; e as várias Seções dedicadas quase exclusivamente a esses temas no volume intitulado “A Doutrina Secreta, Vol. III”, publicado em 1897. 5 Isto se refere à muito hábil carta de Gerald Massey (Lucifer, Vol. I, No. 2, outubro de 1887, pp. 135-138), na qual ele responde a uma objeção do Dr. G. Wyld, que se surpreende ao ouvir alguém dizer que os ensinamentos atribuídos a Jesus são contraditórios.


O Sr. Massey aponta um grande número de contradições diretas e implícitas no texto dos Evangelhos aceitos, como João, X, 30 e João, XIV, 28 (também Mat., XXIV, 36), João, V, 22, 30 e João, VIII, 15, bem como João, XII, 47; João, VIII, 14, 18 e João, V, 31; João, V, e João, XV, 27; Mat., V, 16 e Mat., VI, 1; Mat., V, 39, bem como Mat., XXVI, 52, contraditos por Lucas, XXII, 36 e Mat., X, 34; Lucas, XII, 4 e João, VII, 1. O Sr. Massey expressa sua disposição "de encontrar qualquer defensor da fé competente e bem informado, na tribuna ou na imprensa". Ele diz: "Preferiria que fosse um bispo que também fosse egiptólogo.

Mas a mendigos não é permitido escolher.

Estou preparado, a qualquer momento, para demonstrar a origem inteiramente mítica e mística do Cristo, e os começos não espirituais, não históricos, do vasto complexo chamado Cristianismo." A isso são anexadas duas Notas Editoriais separadas, presumivelmente de H. P. B. A primeira declara:

"Qualquer 'Bispo Egiptólogo', ou mesmo Assiriólogo, dos quais ouvimos dizer que não são poucos na Inglaterra, é cordialmente convidado a defender sua posição nas páginas de Lucifer. O 'Filho da Manhã' é o Portador da Luz, e acolhe a luz de todos os quadrantes do globo." A segunda Nota declara:

"Como Lucifer não pode concordar com a visão exclusivamente exotérica, tomada pelo Sr. Massey, desta escritura alegórica, embora não menos filosófica, o próximo número conterá um artigo tratando do significado esotérico do Novo Testamento." 6 Este Manuscrito Cabalístico pode ser encontrado nos Arquivos de Adyar.

É aparentemente uma continuação, nomeadamente a Parte III, da obra conhecida como A Chave para o Mistério Hebraico-Egípcio na Fonte das Medidas, de J. Ralston Skinner, que foi originalmente publicada em Cincinnati em 1875. Neste Manuscrito, após o título: "Seção I — Introdução — Dando uma Chave de formação de uma língua antiga," a frase inicial é a seguinte:

"Após a acumulação de muito material para esse fim, parte do qual compôs o sistema de medidas exposto nas Partes I e II desta obra, da qual esta é a Parte III, o escritor está bastante certo de que existia uma língua antiga que, modernamente e até este momento, parece ter sido perdida . . ." H. P. B. citou este Manuscrito em A Doutrina Secreta (Vol.


I, pp. 308-09) e em outros lugares, com considerável aprovação.

Perto do final do manuscrito,

o autor escreveu: “Encerro esta seção final de minha obra na segunda-feira, dia 18 de fevereiro de 1884, no recuo das águas do Ohio, ao meio-dia.

“Eu, Ralston Skinner, jan. 10, 1887, enviarei este manuscrito original

à Madame Blavatsky, Ostende.” Como pareceria pelo pequeno livro do Dr. Jirah Dewey Buck, intitulado *Modern World Movements* (Indo-American Book Co., Chicago, 1913), pp. 39-41, o Dr. Buck enviou este manuscrito

a H. P. B., e ela lhe escreveu dizendo que havia Sete Chaves para a Cabala, das quais Skinner havia descoberto “duas e meia.” O manuscrito

está encadernado em tecido grosso, com lombada de couro trabalhado, sem título ou nome de autor.

Na capa frontal, em letras douradas, está o nome de H. P. Blavatsky e, abaixo dele, as letras maiúsculas P. S., cujo significado é incerto.

Dentro, na folha de guarda, H. P. B. escreveu seu nome: “H. P. Blavatsky, Ostende, 1887,” e na mesma página há um carimbo: “H. P. B. 17 Lansdowne Rd., London W.” O interior do livro consiste em 358 páginas, cerca de 5¾ X 9½, escritas apenas em um lado, em papel levemente pautado, cerca de dez palavras por linha e umas 23 ou 24 linhas por página, mas com numerosas intercalações de arranjos numéricos e diagramas numéricos.

Ainda restam no livro mais de uma dúzia de tiras de papel, algumas delas pedaços rasgados com a caligrafia de H. P. B., para marcar certas páginas.

Ela também escreveu em algumas das páginas em branco opostas ao texto e, ocasionalmente, até corrigiu o texto ou inseriu palavras, frases ou sentenças entre as linhas.

O livro está em duas Seções, sendo a primeira de 53 páginas uma Introdução.

A Segunda Seção é composta de 18 subseções menores, começando com os valores numéricos de várias letras hebraicas e relacionando-os ao ano lunar, ao homem, a Jeová, etc., etc.

Alguns dos títulos são: “Como a mulher foi tirada do homem”; “A aliança de Jeová”; “A razão de Parker e a polegada britânica”; “O Jardim do Éden”; “O Dilúvio”; “As Medidas da Grande Pirâmide,” etc.

À parte de algumas breves passagens usadas por H. P. B. em seus escritos, o texto deste manuscrito

nunca foi publicado até agora.

O Dr. Buck, na obra mencionada acima, também fala de uma longa carta de quarenta páginas que H. P. B. escreveu a Skinner em resposta às suas muitas perguntas sobre a Cabala e a matemática oculta.

Não se sabe o que aconteceu com aquela carta, embora ela ainda possa existir entre os papéis de Skinner, se tais tiverem sido preservados.

Ele era ligado à Loja Maçônica McMillan, nº 141, nos EUA.

O CARÁTER ESOTÉRICO DOS EVANGELHOS      Em vez de fazer isso, H. P. B. aparentemente incorporou o que pretendia dizer no texto de A Doutrina Secreta, onde este assunto é tratado extensamente, no Vol.

I, pp. 313 e seguintes.

Esta citação é da tradução inglesa de Mary Lockwood da obra original francesa de François Lenormant intitulada: Les origines de l’histoire d’après la Bible et les traditions des peuples orientaux.

vols.

Paris, 1880-84, in-8º.      9 Esta e outras Conferências de Gerald Massey estão encadernadas em um volume disponível no Museu Britânico (Cota 4018.i.12, 1-9). As palavras entre colchetes, e o itálico de várias partes da presente citação, são de H. P. B.

As conferências de Massey foram todas impressas privadamente, e a maioria delas traz o selo: Villa Bordighiera, New Southgate, Londres, N.; são muito difíceis de obter em suas edições originais, como panfletos separados.

Vide Bio-Bibliogr., Índice, s.v. MASSEY, para um relato abrangente de sua vida, e uma lista de suas obras e conferências.

A literatura Clementina ou Pseudo-Clementina é um nome geralmente dado a certos escritos que, em algum momento, foram atribuídos ao Papa Clemente I (88-97 d.C.), também conhecido como Clemens Romanus, e que se supõe ter sido o primeiro dos Padres Apostólicos.

Ele era considerado um discípulo de São Pedro.

Essa autoria é muito questionada.

Entre esses escritos, os principais são: 1. A chamada Segunda Epístola de Clemente aos Coríntios.

2. Duas Epístolas sobre a Virgindade.

3. As Homilias e Reconhecimentos, com as quais pode ser classificada a Epístola de Clemente a Tiago.

4. As Constituições Apostólicas.

5. Cinco Epístolas que fazem parte dos Decretais forjados.

A literatura Clementina lança luz sobre uma fase muito obscura do desenvolvimento cristão, a do judeo-cristianismo.

Especial destaque foi dado às Homilias e Reconhecimentos pela Escola de Tübingen, que as considerava de importância primordial para a história do primeiro estágio do cristianismo.

O original grego dessas duas Escrituras foi perdido, mas pode ser situado por conjectura em algum lugar por volta do início do século III.

Temos apenas uma tradução latina de Rufino de Aquileia (n. ca. 345 d.C.—m. 410 d.C.), um personagem bastante pouco confiável no que diz respeito à erudição.

Geralmente admite-se que essas obras emanaram do partido ebionita da Igreja primitiva, outrora a forma mais pura do cristianismo primitivo.

Muito provavelmente baseiam-se em escritos petrinos mais antigos, como a Pregação de Pedro ( ) e as Viagens de Pedro ( ). O caráter judaizante e ebionita dos originais perdidos pode ser inferido das versões ortodoxas existentes dos séculos III e IV.

As Homilias pretendem conter cartas de Pedro e Clemente a Tiago de Jerusalém e cerca de vinte sermões pregados por Pedro enquanto Clemente viajava com ele.

Os Reconhecimentos utilizam material semelhante em outro cenário.

Contêm discussões entre Pedro e Simão, o Mago — que pode ter sido o próprio São Paulo — sobre a identidade das verdadeiras religiões mosaica e cristã.

Mostram uma animosidade muito decidida contra Paulo, denunciado como impostor.

Esta Conferência de Gerald Massey também está contida no volume encadernado de Conferências mencionado na Nota supra.

Versículos 900-902 das Coéforas de Ésquilo ( ), ou "As Portadoras de Libações":

"Que será, pois, doravante dos oráculos de Lóxias, proclamados em Pito, e do nosso pacto jurado? Considera todos os homens teus inimigos antes que os deuses."     13 Versículos 1217-1219 do Íon de Eurípides ( ):

"Direto dos temores com toda a companhia          Correu o príncipe de Apolo, e apresentou sua acusação          Diante do sagrado tribunal de Pito assim:"

(O Íon de Eurípides, com tradução em verso inglês e introdução e notas, por A. W. Varrell.

Cambridge: University Press, 1890.)     14 Esta referência pode ser um erro tipográfico.

Há uma série de passagens na História de Heródoto onde esta palavra ocorre, sendo uma delas em VII, 17, onde encontramos no sentido de "aquilo que deve suceder ou acontecer"; , o particípio feminino de , "declarar, entregar um oráculo, dar uma resposta oracular," é encontrado em VII, 111; a forma masculina disto seria . Não está muito claro qual passagem específica H. P. B. pretendia.     15 A redação real em Filoctetes de Sófocles ( ), 437, é:

........

e a tradução inglesa da passagem (por F. Storr, Loeb Classical Library) é: “Morto como os demais, pois isto é verdade: A guerra nunca mata um homem mau por escolha, Mas ainda o bom.” 16 Harold North Fowler (Loeb Class. Lib.) traduz assim a passagem onde estas palavras ocorrem: “Você me lisonjeia ao pensar que posso discernir seus motivos com tanta precisão.” 17 Estas duas passagens são extraídas do ensaio de Gerald Massey intitulado “O Nome e a Natureza do Cristo”, publicado no Anuário Agnóstico de 1888, uma edição que se tornou muito rara e que pode ser consultada apenas na Biblioteca Central de Manchester, Inglaterra.


As passagens são ambas da página 11. 18 O versículo 1320 do Íon de Eurípides contém uma exclamação da Pitonisa: geralmente traduzida como: “Pára, ó meu filho! Do trono profético. . . . . . . . . . .” 19 Esta referência é muito provavelmente um erro de impressão.

É impossível dizer qual obra de Ésquilo é aqui mencionada.

De acordo com o Léxico de L. Dindorf, há apenas uma ocorrência em Ésquilo onde a palavra é usada, nomeadamente em Persas, linha 228 (224 em Dindorf), onde o significado de “próspero” lhe é atribuído. 20 O texto grego original dos versículos 5 e 6 (ou 10, segundo outra numeração) na Parte IV da Ode Pítica de Píndaro é o seguinte:

geralmente traduzido no sentido de que a sacerdotisa de Zeus, “na presença de Apolo, declarou que Bato, o colonizador da fértil Líbia. . . . . .” 21 A passagem na Ilíada, XXIII, 186 é: ..... ,... . . . . . e com óleo a ungiu, doce como rosa, ambrosial. . . . . As palavras referidas na Odisseia, IV, 252, são: ..... , . . . . . ungiu-o com óleo

A mesma ideia é encontrada na Odisseia, IV, 49, onde a forma da palavra ocorre.

De G. Massey, “O Nome e a Natureza do Cristo,” no Anuário Agnóstico de 1888, p. 11.

Por alguma razão, possivelmente devido à interpretação dogmática de textos anteriores, a distinção apontada por H. P. B. está parcialmente perdida nas edições atuais.

Consultando Migne, Patrol. Curs. Compl., Series Graeca, Vol.

VIII, 1891, onde ambos os textos grego e latino aparecem em colunas paralelas, e a tradução inglesa em *The Ante-Nicean Fathers* (Nova York: Scribner’s Sons, 1913), encontramos o seguinte: “Jam qui in Christum [texto grego] crediderunt, chresti [texto grego], id est, probi, et sunt, et dicuntur: sicut ii, qui sunt revera regales, regi curae sunt.” “Aqueles que creram em Cristo são e são chamados Chrestoi (bons), assim como aqueles que são cuidados pelo verdadeiro rei são reais.” 24 As passagens do Talmude às quais se faz alusão encontram-se nos tratados conhecidos como Sotah (cap. ix, 47a) e Sanhedrin (cap. xi, 107b). Toda a evidência existente sobre este assunto controverso foi plenamente discutida por G. R. S. Mead em sua valiosa obra, *Did Jesus Live 100 B.C.?* (Londres e Benares: Theos. Publ. Society, 1903). Éliphas Lévi, escrevendo em *La Science des Esprits* (ed. de 1909, Paris, Félix Alcan, p. 37), fala de um livro que ele chama de *Disputa do Rabino Jechiel*. Esta é a *Disputacio R. Jechielis cum quodam Nicolao*, que é o segundo volume de uma obra de Johann Christoph Wagenseil (1633-1708) intitulada: *Tela ignea Satanae* (Altdorfi Noricorum, 1681. 4to.). É uma obra muito rara que pode ser consultada no Museu Britânico. A mesma obra contém também o texto hebraico do *Sepher Toldoth Jeshu* (ver Bibliogr. de Obras Orientais, para mais dados). Jehiel Ben Joseph de Paris, tosafista e controversista, nasceu em Meaux no final do século XII. Seu nome francês era Sir Vives. Na literatura rabínica, ele é designado de várias maneiras como Jehiel de Paris, Jehiel o Santo, Jehiel o Piedoso e Jehiel o Ancião. Ele foi um dos mais distintos discípulos de Judah Sir Leon, a quem sucedeu em 1224 como chefe da Escola Talmudística de Paris. Esta Escola foi frequentada sob sua direção por mais de 300 discípulos, entre os quais estavam rabinos bem conhecidos do século XIII. Jehiel era tido em grande estima até mesmo por não-judeus, e foi favoravelmente recebido na corte. Ele foi forçado a muitas controvérsias com cristãos, sendo a principal disputa aquela que teve de sustentar, juntamente com vários outros rabinos, em 25-27 de junho de 1240, na presença de São Luís e da corte, contra o apóstata judeu Nicolau Donin. Este último denunciou o Talmude como contendo blasfêmias contra o cristianismo.


Apesar da grande coragem e dignidade de Jehiel, essa disputa resultou na condenação do Talmude, após o que a situação dos judeus na França piorou, e Jehiel foi forçado a partir com seu filho para a Palestina, onde morreu em 1286. Ele foi o autor de várias tosafot sobre diversos tratados talmúdicos.

A passagem de Arnóbio, *Adversus Gentes*, I, 43, diz o seguinte (ver *The Ante-Nicene Fathers*, Vol. VI, p. 425): “Meu oponente talvez me confrontará com muitas outras acusações caluniosas e pueris que são comumente apresentadas. Jesus era um mago [magus]; Ele realizou todas essas coisas por artes secretas. Dos santuários dos egípcios Ele roubou os nomes dos anjos de poder e o sistema religioso de um país remoto. . . .” 25 Falando do célebre acróstico que incorpora a declaração da Sibila Eritreia, Godfrey Higgins escreve o seguinte (*Anacalypsis*, I, 568): “. . . Não se negará que este está entre os mais antigos registros sobre Jesus Cristo, seja uma falsificação ou não, e é muito importante, pois prova a todo estudioso de grego que o nome de Cristo não vem necessariamente da palavra grega *ungir*, mas pode vir da palavra *benignus, mistis*; pois aqui está escrito da maneira que era comum nos tempos mais antigos, mas que nos tempos posteriores caiu em desuso, quando o se transformou no –– como em , que se tornou . Assim, tornou-se . O constantemente se transformava no 4, mas creio que raramente ou nunca o 4 se transformou no . Digo isto com hesitação, não professando ser suficientemente erudito na língua grega para dar uma opinião decidida sobre um ponto tão sutil, ou para afirmar que em todos os escritores gregos a mudança nunca ocorre.”


No entanto, nenhum estudioso grego negará que possa ter mudado tão prontamente de para como para o 4, e que qualquer palavra que fosse escrita nos tempos antigos com o , como , possa ter mudado, como ele, para . “O primeiro nome de Jesus pode ter sido , o segundo , e o terceiro . A palavra era usada antes de o H estar em uso na língua.” Deve-se notar que Higgins grafia as palavras Chreistos e Chrstos, bem como Christos, com a letra arcaica sigmatau no meio dessas palavras, representando o som st. Ele tem o seguinte a dizer sobre o assunto dessa letra e suas mudanças posteriores (op. cit., I, 580-81): “Se recorrermos a Scapula, descobriremos que e têm precisamente a mesma significação e são termos conversíveis.

Em suma, é evidente que são usados indistintamente um pelo outro.

Não se deve supor que nos tempos muito remotos, talvez antes da invenção das letras, quando os nomes dos lugares primeiro surgiram, a mesma rigorosidade na pronúncia, ou no início, após a invenção das letras, a mesma rigorosidade na escrita deles, tivesse lugar, como foi observada pelos gregos quando se tornaram, em relação à sua língua, o povo mais melindroso do mundo.

Foi demonstrado que o Tau nas línguas antigas era constantemente escrito por uma cruz.

Por razões que aparecerão adiante, creio que a raiz do tem sido . Era prática constante dos gregos suavizar os sons ásperos de sua língua.

Assim, Pelasgos tornou-se Pelagos, Casmillos Camillos, Nesta Nessa, Cristos Crissos; onde uma consoante forte vem depois do , ela é frequentemente omitida.

tornou-se ignotus, a ilha de , o país de Crestonia tinha sua capital Crisa e seu porto Crysos.

. . . .

–––––––––– Veja a História do Alfabeto Grego de Payne Knight, p. 105. ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

“. . . . . . Com os caldeus, o Sigma e o Tau eram conversíveis, como em Tur e Sur, e na Assíria chamada Aturia, como observou Dion Cássio.

Suspeito que foi do uso indistinto dessas duas letras que por fim surgiu o sigmatau.

O S não estava apenas no caldaico e no siríaco, mas também no grego, tão frequentemente mudado para T, que Luciano compôs um diálogo sobre isso. Na língua latina, em manuscritos antigos, o c e o t são frequentemente escritos indistintamente; como, por exemplo, initiale com um c. Disso, penso, veio o c” francês, que em figura não é nada além do sigmatau dos gregos.

Mas embora eu tenha encontrado uma afirmação de que o sigma e o sigmatau eram usados indistintamente pelos primeiros gregos, acredito antes que a mudança foi de [sigma] para [tau], e [algo], conforme a prática de suavizar. O sigma tem algo muito particular, não é mudo, líquido nem aspirado; portanto, foi chamado de solitarium.

Ele participa algo do som do Theta.

. . . . . Isso, penso, explica em parte o uso indistinto do Sigma e do Tau, e a origem do Sigmatau.” 26 Ver Nota do Compilador nº 2.

Esta passagem é da obra de Luciano intitulada [título grego], “O Amante de seu País, ou o Estudante.” Ocorre na seção 17. Esta obra é considerada espúria por alguns estudiosos e não é encontrada em certas edições dos escritos de Luciano.

Está, no entanto, incluída na edição de C. Iacobitz, Vol. III, p. 419. Nesta passagem, um certo Triephon responde à questão de saber se os assuntos dos cristãos eram registrados no céu, dizendo: “Todas as nações estão lá registradas, pois Chrstos existe mesmo entre os gentios.” 28 Esta passagem é traduzida da seguinte forma por T. R. Glover (Loeb Class. Library): “‘Cristão’, no que diz respeito à tradução, deriva de ‘unção’. Sim, e quando é pronunciado erroneamente por vocês como ‘Chrestian’ (pois vocês não têm nem mesmo conhecimento certo do mero nome), é formado de ‘doçura’ ou ‘bondade’.” 29 Higgins refere-se ao crítico unitarista, John Jones, LL.D. (1766?-1827), que escreveu sob o pseudônimo de Ben David uma obra intitulada: A Reply to . . . “A New Trial of the Witnesses,” etc., e. . . . “Not Paul but Jesus,” etc., 1824. 8-vo. Ver Bio-Bibliogr. Index, s. v. JONES.

A versão autorizada tem: “O Cristo possa habitar em vossos corações pela fé; para que vós, estando enraizados e fundamentados em amor. . . .” 31 Todo o assunto concernente às Sibilas da antiguidade está envolto em considerável mistério. Elas eram supostas serem mulheres inspiradas por influências de regiões superiores, que eram consultadas por seus pronunciamentos proféticos e floresceram em diferentes partes do mundo antigo.


É provável que elas variassem do estágio mediúnico e sensitivo ao de verdadeira vidência.

Segundo Varrão, eram dez em número, sendo uma delas a Eritreia, a quem Apolodoro de Eritreia reivindicava como natural daquela cidade, embora alguns a considerassem de origem babilônica.

Diz-se que ela predisse aos gregos, quando navegavam para Troia, que aquela cidade estava destinada a perecer.

A Sibila mais célebre era a Cumana, na Itália, mencionada por Névio e outros escritores latinos, especialmente Virgílio.

Foi esta a Sibila que acompanhou Eneias às regiões inferiores (Ovídio, Metam., XIV, et seq.; Sérvio, In Verg.

comm., vi, 321). Segundo uma conhecida lenda romana, uma das Sibilas veio ao palácio de Tarquínio II e ofereceu-lhe nove livros que declarou conter as profecias inspiradas da Sibila de Cumas.

Por esses tesouros, pediu o que o monarca considerou um preço extravagante.

Ele recusou comprar os livros e despediu a mulher com zombaria.

A Sibila afastou-se e queimou três dos volumes na presença do rei.

Ofereceu então os seis restantes pelo mesmo preço anteriormente pedido pelo conjunto, e quando Tarquínio novamente recusou e riu dela, ela queimou mais três e ofereceu os três restantes pelo mesmo preço de antes.

Esse comportamento estranho produziu grande impressão no monarca.

Aquela a quem ele ridicularizara como louca, agora ele considerava inspirada.

Ele então comprou o que restava dos tesouros proféticos, e a Sibila desapareceu e nunca mais foi vista.

Esses livros dos chamados versos sibilinos foram preservados com grande cuidado, sendo nomeado um colégio de sacerdotes para ter sua custódia, e eram consultados com a maior solenidade quando o Estado parecia estar em perigo, para que a vontade dos deuses pudesse ser conhecida e o perigo afastado.

Quando o Capitólio foi incendiado durante os distúrbios de Sila, em 83 a.C., os livros sibilinos ali depositados foram destruídos.

Para reparar essa perda, comissários foram enviados a diferentes partes da Grécia para coletar tudo o que pudesse ser encontrado dos escritos inspirados das Sibilas, a fim de fazer uma nova coleção.

Quanto ao destino final dessa segunda coleção, prevalece grande incerteza.

Parece, no entanto, segundo as melhores autoridades, que o imperador Honório emitiu uma ordem, em 399 d.C., para destruí-lo, em cumprimento da qual Estilicão queimou todos esses escritos proféticos e demoliu o templo de Apolo onde estavam depositados.

Deve-se compreender claramente que os oito livros de versos sibilinos existentes hoje não têm relação definida com essas coleções romanas primitivas.

São oráculos, em sua maior parte, de origem judaico-cristã.

Devido à grande voga que desfrutaram os oráculos da antiguidade, e devido à influência que tiveram na formação das visões religiosas do período, os judeus helenísticos em Alexandria, durante o segundo século a.C., compuseram versos moldados em forma semelhante e os atribuíram às Sibilas; foram circulados entre os pagãos como um meio de difundir o judaísmo.

Esse costume continuou até os tempos cristãos e foi adotado por alguns cristãos, de modo que, nos séculos II e III d.C., surgiu uma nova classe de oráculos emanados de fontes cristãs.

Alguns deles eram adaptações de fontes judaicas anteriores, e outros foram inteiramente escritos por cristãos.

É muito provável que essas coleções alexandrinas e posteriores contivessem em seu texto alguns fragmentos dos oráculos anteriores, puramente pagãos, e aquele atribuído à Sibila Eritreia, comentado por H. P. B., é aparentemente um deles.

Encontra-se em forma acróstica nas letras iniciais dos versículos 217-250 do Livro VIII da coleção existente de Oráculos Sibilinos.

O assunto das Sibilas e seus ditados requer estudo sério e elucidação por parte dos estudantes da Filosofia Esotérica, pois lança uma torrente de luz sobre os poderes latentes do homem e os mistérios de sua consciência psíquica e noética.

Um dos relatos mais completos que temos das Sibilas da antiguidade é o encontrado nos escritos de Firmiano Lactâncio (*Instituições Divinas*, Livro I, cap. vi; J. P. Migne, *Patr. C. Compl.*, Ser. Latina, Vol. VI, 140-47). Este Padre latino floresceu por volta do final do século III d.C.; ele se refere a Varrão como sua autoridade.

A Sibila e seus oráculos são o assunto de todo o cap. xxxvii de um tratado intitulado *Discurso Exortatório aos Gregos*, geralmente atribuído a Justino Mártir e publicado em seus escritos (Migne, *Part. C. Compl.*, Ser. Graeco-Latina, Vol.

VI, 309 e seguintes; M. S. Terry, The Sibylline Oracles, tem uma tradução do texto grego de Migne), embora sua autoria real seja incerta.

Agostinho (De civitate dei, Livro XVIII, cap. xxiii) cita as primeiras 27 linhas do acróstico acima mencionado, em uma tradução latina que visa manter a forma acróstica do grego.

Existe uma tradução inglesa da versão latina de Agostinho por Marcus Dods em Select Library of the Nicene and Post-Nicene Fathers (citada também por Terry), onde Dods visa manter em inglês a forma acróstica.

Os versos acrósticos são citados integralmente por Eusébio em seu relato da Oração de Constantino à Assembleia dos Santos, xviii (Migne, Patr. C. Compl., Ser. Graeco-Latina, XX, col. 1288-89).

Para o benefício do estudante sério, listamos abaixo certas obras e ensaios que fornecem muitas informações sobre o assunto das Sibilas, seus oráculos e a adivinhação em geral:

G. R. S. Mead, “The Sibyl and her Oracles,” The Theosophical Review, Vol. XXII, julho e agosto de 1898; e “The Sibyllists and the Sibyllines,” ibid., Vol. XXIII, setembro, outubro e novembro de 1898. Inclui considerável informação bibliográfica.

O CARÁTER ESOTÉRICO DOS EVANGELHOS     Milton S. Terry, The Sibylline Oracles translated from the Greek into English blank Verse, Nova York, 1890. Bibliografia muito completa.

Nova ed., revisada segundo o texto de Rzach. Nova York: Eaton and Mains; Cincinnati: Curts and Jennings, 1899.       C. Alexandre, Oracula Sibyllina, Paris, 1841 e 1853. Também uma ed. posterior de 1869. Texto grego.

A. Bouché-Leclercq, Histoire de la divination dans l’antiquité. Paris: E. Leroux, 1879-82. 4 vols. 8-vo. Bibliografia exaustiva. Obra coroada pela Academia Francesa.

Fernand Cabrol e Henri Leclercq, Dictionnaire d’archéologie chrétienne et de liturgie. Paris: Librairie Letouzey et Ané, 1903-54. Quinze tomos em 30 vols. 8-vo. Veja o longo e valioso artigo sobre Oráculos.

Charles Daremberg e Edmond Saglio, Dictionnaire des antiquités grecques et romaines. Paris: Librarie Hachette, 1877-1919, etc. Cinco tomos em 10 vols. Veja o artigo sobre Sibyllae, Sibyllini libri.

Geralmente traduzido como “. . . . nosso estimável Sócrates. . . .” (Cf. Loeb Class. Library).

Na mesma “Vida de Fócion”, cap. xix, Plutarco fala do fato de que “a reputação [de sua segunda esposa] não era menor que a de Fócion por probidade”, sendo a última palavra o equivalente do grego chrstotti.

“Aquele que semeia ou planta,” segundo Macrobius, Saturnalia, I, 9; I, 15. *Conserentes dii*, que presidem sobre a geração.

Esta referência é à obra de Luciano, às vezes chamada *Julgamento no Tribunal das Vogais*, cujo último parágrafo diz o seguinte, conforme a tradução inglesa de H. W. e F. G. Fowler (*The Works of Lucian of Samosata*. Oxford: Clarendon Press, 1905 e 1939): “. . . os homens choram . . . e amaldiçoam Cadmo . . . por introduzir o Tau na família das letras; dizem que foi o seu corpo que os tiranos tomaram por modelo, a sua forma que imitaram, quando ergueram os postes nos quais os homens são crucificados. EJ"LD`l é o nome do vil instrumento, e ele deriva o seu vil nome dele. Agora, com todos esses crimes sobre ele, não merece ele a morte, ou melhor, muitas mortes? Quanto a mim, não conheço nenhuma suficientemente má, exceto a fornecida pela sua própria forma — aquela forma que ele deu à forca chamada FJ"LD`l, que dele recebeu o nome.” 36 Esta importante passagem é de E. D. Clarke, LL.D., *Travels in various Countries of Europe, Asia and Africa*. 4ª edição. Londres: Impresso para T. Cadell e W. Davies na Strand, por R. Watts, Crown Court, Temple Bar, 1816-24. 11 volumes. Ela ocorre em uma descrição de Delfos, no Vol. VII, cap. vi, “Lebadéa a Delfos,” pp. 239-40. Citamos a maior parte dela: “Os restos do Ginásio estão principalmente atrás do mosteiro. Dentro do mosteiro encontramos os capitéis de pilares, frisos quebrados e triglifos. . . . . E dentro do santuário, atrás do altar, vimos os fragmentos de um Béma, ou Cátedra, de mármore; na parte posterior do qual encontramos a seguinte inscrição, exatamente como aqui está escrita, sem que nenhuma parte dela tenha sido danificada ou obliterada; oferecendo, talvez, o único exemplo conhecido de uma inscrição sepulcral em um monumento desta notável forma: É em honra de um jovem de Larissa, na Tessália, que morreu aos dezoito anos de idade.”


Quanto às palavras                   e      , pode-se observar que todos os epitáfios dos lariçenses, que Spon     preservou, contêm essas palavras. Havia muitas cidades com o nome de Larissa; consequentemente, a     cidade da qual o jovem aqui comemorado era natural tem a distinção de                     . É     mencionada por Estrabão, em sua descrição da Tessália: "tinha o nome de Larissa Pelasgia, embora     sua situação fosse fora da Pelasgiotis."     Transliterada, a inscrição diz: Chrstos protou Thessalos Lareisaios Pelasgiôts etôn.

I Hrôs.

Sem desejo de levantar a questão quanto à precisão da interpretação de H.P.B. desta inscrição, no que diz respeito ao seu significado oculto, é aconselhável, no entanto, apontar que a forma gramatical "protou" não significa "o primeiro", que seria "protos"; na verdade, significa "do primeiro". No entanto, é a opinião ponderada de um estudioso de grego que, neste caso particular, a palavra poderia bem significar "filho de Protos". Na versão em inglês dada por H. P. B., ". . . de Larissa, Pelasgiota . . ." deveria na verdade ser ". . . de Larissa-Pelasgia . . ."      37 Higgins, Anacalypsis, I, 582.

––––––––––      Ver Spon, Miscell.

Antiq., 331.      Estrabão, Geogr., livro

IX, p. 630. Ed. Oxon.

–––––––––– Dr. E. D. Clarke, Travels, etc., Vol.


VII, pp. 237-38. Há alguma incerteza na pontuação e construção da frase de H. P. B. que segue imediatamente esta citação; deixamo-la inalterada.

Agnostic Annual de 1888, p. 12.      40 Estas extensas citações são todas do ensaio de Gerald Massey sobre "O Nome e a Natureza do Cristo", no Agnostic Annual de 1888, pp. 9-14. Ver Nota do Compilador nº 17.      41 "Vida de Fócion", cap. x, seç.

2. Cf. Nota do Compilador nº 33.      42 Esta passagem é do ensaio de Gerald Massey sobre "O Nome e a Natureza do Cristo", Agnostic Annual de 1888, p. 12. Ver Nota do Compilador nº 17.      A referência nesta passagem é ao Corpus Inscriptionum Graecarum de Augustus Böckh, em 4 volumes.

Berlim: Kaiserliche Akademie der Wissenschaften.

Fol., 1828-77. No 4º volume desta série estão listadas as 1.287 inscrições intituladas "Inscriptiones Christianae", numeradas de 8606 a 9893. Essas inscrições são do Egito, Núbia, Síria, Grécia, Ilíria, Sicília, Sardenha, Itália, Ásia Menor, Gália, Germânia, etc.

H. P. B. cita de J. Ralston Skinner, *Key to the Hebrew-Egyptian Mystery in the Source of Measures*, p. 256. Cincinnati: R. Clarke & Co., 1875, 324 pp.; 2ª ed., Philadelphia: David McKay Company [1931]. 44 Op. cit., p. 259. 45 Op. cit., p. 260. 46 Op. cit., p. 260. 47 Op. cit., p. 255. 48 A primeira expressão provém da obra de Luciano intitulada *Zeus eleghomenos* (em latim, *Iuppiter Confutatus*), *Zeus Interrogado*, um diálogo entre Zeus e um cínico.

A segunda expressão não foi positivamente identificada.

Esta referência corresponde ao *Thesaurus Graecae linguae* (                                  )      ), de Henricus Stephanus.

vols.

Genebra, 1572, fol.

(British Museum: 680.g.1-4). Esta notável obra erudita foi republicada em Londres, 1816-26, fol.

(Editada por A. J. Valpy), e também em Paris, onde foi emitida por A. Firmin Didot, 1831-65, em oito volumes.

Stephanus era o pseudônimo de Henri Estienne (1528-98, 2º do nome), um prolífico estudioso clássico francês que pertencia a uma família de eruditos e impressores que produziu um grande número de obras escolásticas sobre a antiguidade clássica.

H. P. B. anexou várias notas de rodapé ao artigo do Rev.

Headley; elas serão encontradas em sua sequência cronológica, em fevereiro de 1888, na presente série.

Vide Nota do Compilador nº 6. As palavras entre colchetes que ocorrem nesta passagem são de H. P. B.


A História do Declínio e Queda do Império Romano, Capítulo XV.

A tradução aceita de Gálatas, iii, 3, é a seguinte: "Sois vós tão insensatos? Tendo começado pelo Espírito, agora vos aperfeiçoais pela carne?" 54 Na tradução inglesa da *História Eclesiástica* de Eusébio, feita a partir do original grego pelo Rev.

C. F. Crusé (Londres: George Bell & Sons, 1908), a passagem referida é a seguinte: ". . . . a melhor refutação de Basilides que chegou até nós é a de Agripa Castor, um dos mais distintos escritores da época.

. . . Ele diz que ele [Basilides] compôs 24 livros sobre os Evangelhos.

. ." (pp. 121-22). Este assunto é tratado a fundo na obra de Cassels.

Vide nota 55 abaixo.

Publicado originalmente anonimamente por Walter Richard Cassels (1826-1907). 2 vols.

Londres, 1874. Seu subtítulo era: *Uma Investigação sobre a Realidade da Revelação Divina*.

Em 1875, seis edições haviam aparecido.

Em 1877, um 3º volume foi adicionado pelo autor.

5ª ed., Londres: Longmans, Green & Co.; Boston: Roberts Bros., 1875-77. 3 vols.

Edições populares em um volume apareceram em 1902 e 1905. A referência é ao Vol. II, Parte II, capítulo vi, "Basilides—Valentinus". 56 Esta referência, na realidade, não é tão definitiva quanto H. P. B. parece sugerir. A passagem meramente menciona um certo Glaucias, que se alega ter sido o intérprete ( ) de São Pedro, e que era reivindicado como instrutor de Basilides. Em J. P. Migne, Patrologiae Cursus Completus, Series Latina, Paris, 1879, esta passagem encontra-se no Capítulo XLVI, B, de De praescriptionibus adversus haereticos (A Prescrição contra os Hereges), onde, de acordo com um manuscrito mais antigo, também é paginada como [62]. Ocorre em uma breve seção introduzida com o subtítulo: CONTRA HAERETICOS EXPLICIT, como um acréscimo à obra principal. Nos Ante-Nicene Fathers (Vol. III, pp. 649-50, Buffalo, 1885), esta passagem aparece na tradução inglesa do Rev. S. Thelwall. Toda a seção à qual pertence é publicada separadamente de De praescriptionibus, sob o título: Contra Todas as Heresias (Adversus Omnes Haereses), como um fragmento considerado por muitos estudiosos como espúrio. Oehler atribui este fragmento a Victorinus Petavionensis, ou seja, Victorino, Bispo de Pettaw, no rio Drave, na Estíria austríaca, que sofreu o martírio na perseguição de Diocleciano, provavelmente por volta de 303 d.C. São Jerônimo faz o mesmo. A tradução de H. P. B. é um tanto abreviada e apresenta pequenas diferenças em relação ao original. O texto latino de Migne é o seguinte: "Postea Basilides haereticus erupit: hic esse dicit summum Deum nomine Abraxan, ex quo mentem creatam, quam Graece NOYN appellat. Inde Verbum. Ex illo providentiam ex providentia virtutem et sapientiam: ex ipsis inde principatus, et potestates, et angelos factos, deinde infinitas angelorum editiones et probolas: ab istis angelis trecentos sexaginta quinque coelos institutos, et mundum in honore Abraxae, cujus nomen hunc in se habebat numerum computatum. In ultimis quidem angelis, et qui nunc fecerunt mundum, novissimum ponit Judaeorum Deum, id est Deum legis et prophetarum; quem Deum negat, sed angelum dicit."


A tradução de S. Thelwall é a seguinte:

"Depois irrompeu o herege Basilides."

Ele afirma que há uma Divindade suprema, de nome Abraxas, por quem foi criada a Mente, que em grego ele chama de Nous, de onde surgiu o Verbo; que d'Ele emanaram a Providência, a Virtude [ou Poder] e a Sabedoria; que destas, subsequentemente, foram feitas as Principalidades, os Poderes [Potestades] e os Anjos; que se seguiram infinitas emissões e processões de anjos; que por esses anjos foram formados os céus e o mundo [mundum], em honra de Abraxas, cujo nome, se calculado, contém em si esse número.

Ora, entre os últimos dos anjos, aqueles que fizeram este mundo, ele coloca o Deus dos judeus como o último, isto é, o Deus da Lei e dos Profetas, a quem ele nega ser um Deus, mas afirma ser um anjo. "     58 Ref.

é principalmente ao Vol.

II, pp. 423-28, 434, 471-73.

Em Ísis sem Véu, II, 182, nota de rodapé, H. P. B. cita a passagem na página 35 da obra de Hermann Olshausen, em sua versão inglesa, assim:         "É notável que, enquanto todos os pais da Igreja dizem que Mateus escreveu em hebraico, todos eles usam o texto grego como a genuína escrita apostólica, sem mencionar que relação o Mateus hebraico tem com o nosso grego! Ele tinha muitas adições peculiares que faltam em nosso evangelho."     A obra de Olshausen foi traduzida para o inglês pelo Dr. Fosdick, sob o título: Prova da genuinidade dos escritos do Novo Testamento.

Andover (EUA), 1838. 12-vo (Museu Britânico.

1216.b.1.).     No entanto, ao consultar o texto alemão original de Nachweis der Echtheit, etc., a última frase da citação, como dada acima, não pôde ser localizada.

O texto original das duas primeiras frases é o seguinte:         "Sonderbar ist nur der Umstand, dass, während alle Kirchenväter erzählen, Matthäus habe     herbräisch geschrieben, sie doch insgesammt den griechischen Text brauchen als echte apostolische     Schrift, ohne zu bemerken, wie sich der hebräische Matthäus zu unserm griechischen verhalte.

Denn     dass die altern Kirchenlehrer das Evangelium des Matthäus nicht etwa in einer andern Form hatten, als     wir es jetzt besitzen, ist ganz ausgemacht."

Neste ponto, no local original de publicação, em Lucifer, faz-se referência entre parênteses ao Comentário de São Jerônimo.

a Mateus, 234                                     BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

Livro II, cap.

xii, 13; a partir do meio deste parágrafo, facilmente se imaginaria que H. P. B. está extraindo esses fatos deste Comentário específico, especialmente porque é mencionado no próprio texto.

No entanto, se o estudante consultar *Isis Unveiled*, II, 182, encontrará os mesmos fatos mencionados, e excertos citados atribuídos a “St. Jerome, V, 445”. Esta última referência tem se mostrado um obstáculo intransponível para vários estudantes eruditos, que não conseguiram encontrá-la nos escritos de São Jerônimo, apesar de repetidos esforços ao longo de anos.

Na época em que um grande número de citações presentes em *Isis Unveiled* estava sendo verificado quanto à precisão, esta teve de ser abandonada por falta de dados adequados sobre sua fonte.

Como resultado de uma busca mais recente, a fonte real dessas citações, ou melhor, série de excertos, foi localizada.

Em conexão com isso, devemos um voto de gratidão a Foster M. Palmer, Assistente de Referência Encarregado da Seção de Referência, na Biblioteca da Universidade de Harvard, Cambridge, Mass., cujo interesse e prestatividade foram de grande valor no curso do trabalho editorial decorrente da publicação da presente série de volumes.

A passagem usada por H. P. B. foi localizada na edição de Johannes Martianay das Obras de São Jerônimo, publicada em cinco volumes em Paris por Ludovicus Roulland, 1693-1706. A data do Vol. V é 1706, e na coluna 445 encontra-se a passagem em discussão, em seu latim original.

No entanto, toda esta seção é composta de material falsamente atribuído a São Jerônimo, e tem o título: “Sancto Hieronymo Stridonensi falso adscriptorum opusculorum tripartita series.” Nossa peça específica está na terceira série, descrita como: “In tertia similiter quae suos Auctores ipsa prae se ferunt; sed quae parum docta habentur.” O texto latino é o seguinte:

HIERONYMUS CHROMATIO & HELIODORO EPISCOPIS

“Dominis sanctis & beatissimis, Chromatio & Heliodoro Episcopis, Hieronymus exiggus Christi servus in Domino salutem.

Qui terram auri consciam fodit, non illico arripit quicquid fossa profuderit lacerata, sed priusquam fulgens pondus vibrantis jactus ferri suspendat, interim vertendis suspendendisque cespitibus immoratur, & specialiter qui nundum lucris augetur.

Arduum opus injungitur, cum hoc fuerit Matthaeus Apostolus & Evangelista voluit in aperto conscribi.”

Pois se este segredo não fosse do Evangelho, certamente ele o teria acrescentado ao que publicou; mas fez este livrinho selado com letras hebraicas, o qual publicou de tal modo que o livro, escrito de próprio punho em letras hebraicas, é tido por homens religiosíssimos, que o receberam de seus antepassados através da sucessão dos tempos.

Mas este mesmo livro nunca o entregaram a ninguém para ser traduzido; narraram o seu texto de uma e outra maneira.


“Mas aconteceu que um discípulo de Maniqueu, de nome Seleuco, que também escreveu os Atos dos Apóstolos com discurso falso, publicou este livro, que forneceu matéria não para edificação, mas para destruição; e que tal livro fosse reprovado num sínodo ao qual, com razão, os ouvidos da Igreja não se abririam.

Cessem agora as mordidas dos que ladram; não acrescentamos este livrinho às Escrituras canônicas; mas, para desmascarar a falácia da heresia, traduzimos os escritos do Apóstolo e dos Evangelistas; em cuja obra não obedecemos tanto aos piedosos Bispos que o ordenam, quanto nos opomos aos ímpios hereges.

É, portanto, o amor de Cristo a quem satisfazemos, crendo que nos ajudam com suas orações aqueles que, por nossa obediência, puderam chegar à santa infância de nosso Salvador.”

No juízo ponderado do Professor Mason Hammond, Professor Emérito de Língua e Literatura Latina na Universidade Harvard, Cambridge, Mass., a quem o texto acima foi submetido, o latim dele era bastante confuso e não apresentava sentido claro.

Ele e o Professor La Piana, versados no campo da História da Igreja, chamaram nossa atenção para uma obra mais recente em francês intitulada *Les Évangiles Apocryphes*, publicada em *Textes et Documents pour l’étude historique du Christianisme*, emitida sob a supervisão de Hippolyte Hemmer e Paul Lejay (Paris: Picard, 1911-14. 2 vols.). No Vol.

I desta obra encontram-se vários evangelhos apócrifos editados por Charles Michel, dos quais o segundo é o “Pseudo-Mateus.” Este é precedido por duas cartas; a primeira dos Bispos Cromácio e Heliodoro a Jerônimo, e a segunda, a resposta deste a eles.

Esta segunda carta, na qual estamos interessados, encontra-se nas páginas 56-58, juntamente com uma tradução para o francês.

O Evangelho de Pseudo-Mateus é discutido no Prefácio, pp. xix-xxii, onde Michel o data, com base nessas cartas, como não anterior ao final do século IV d.C. e provavelmente no século VI. Ele considera as cartas como "evidentemente apócrifas", escritas em um período "quando o nome de São Jerônimo tinha uma autoridade muito grande". Agora, o texto fornecido por Michel difere consideravelmente do citado acima, o que pode ser devido a antigos erros de transcrição ou a melhorias posteriores.

O que é importante é que o texto de Michel faz muito mais sentido.

Nós o anexamos abaixo: "Aos santos e beatíssimos senhores, Cromácio e Heliodoro, Bispos, Jerônimo, humilde servo de Cristo, saudações no Senhor.

Aquele que cava a terra ciente do ouro não agarra imediatamente tudo o que a fossa revolvida derrama, mas antes de suspender o peso fulgurante que o vibrante golpe do ferro revela, entretanto demora-se em revirar e inclinar os torrões, e é alimentado pela esperança aquele que ainda não é enriquecido pelos lucros.

Uma obra árdua é imposta, quando isto foi ordenado a mim por vossa beatitude, o que nem o próprio santo Mateus, Apóstolo e Evangelista, quis escrever abertamente.

Pois se não fosse mais secreto, certamente o teria acrescentado ao próprio Evangelho que publicou; mas fez este livrinho selado com letras hebraicas, o qual não publicou de tal modo que hoje, escrito pela própria mão em letras hebraicas, é tido por homens muito religiosos, que o receberam de seus antepassados através da sucessão dos tempos.

Este mesmo livro, porém, nunca o entregaram para ser traduzido por alguém; mas transmitiram o seu texto de uma maneira e de outra.

"Assim aconteceu que, por um discípulo de Maniqueu chamado Seleuco, que também escreveu os feitos dos Apóstolos com discurso falso, este livro foi publicado, não para edificação, mas para matéria de destruição, e que tal fosse aprovado em um sínodo, ao qual merecidamente os ouvidos da Igreja não se abririam.

Cessem agora as mordidas dos que ladram; pois não acrescentamos este livrinho às escrituras canônicas; mas, para desmascarar a falácia da heresia, traduzimos os escritos do Apóstolo e Evangelista.

Nesta obra, obedecemos tanto aos piedosos Bispos que ordenam, quanto enfrentamos os ímpios hereges."

Amor ergo Christi est cui satisfacimus, credentes quod nos suis orationibus adjuvent qui ad salvatoris nostri sanctam infantiam per nostram potuerint obedientiam pervenire.” Traduzido para o inglês, o texto latino acima é o seguinte: “. . . . . Uma tarefa árdua foi imposta por vossas beatitudes a mim, a saber, o que São Mateus, Apóstolo e Evangelista, não quis escrever abertamente. Pois se não tivesse sido bastante secreto, ele o teria acrescentado ao Evangelho que entregou como seu; mas ele escreveu este livro selado em caracteres hebraicos; e não providenciou até agora sua publicação, de tal maneira que este livro, escrito em escrita hebraica e por sua própria mão, é hoje possuído pelos homens mais religiosos, que, na sucessão do tempo, o receberam daqueles que os precederam.

Embora nunca tenham dado este livro a alguém para ser transcrito, transmitiram seu texto uns de uma maneira e outros de outra.

“E assim aconteceu que este livro, publicado por um discípulo de Maniqueu, chamado Seleuco, que também escreveu em discurso falso os Atos dos Apóstolos, continha matéria não para edificação, mas para destruição; e que, sendo tal, foi aprovado em um sínodo ao qual os ouvidos da Igreja propriamente se recusaram a escutar . . .” Quanto ao Comentário a Mateus, Livro II, cap.

xii, 13, a única sentença nele que se relaciona com o presente assunto é a seguinte: “. . . . No Evangelho, do qual usam os Nazarenos e os Ebionitas (que recentemente traduzimos do hebraico para o grego, e que é chamado por muitos de Mateus autêntico), aquele homem que tem a mão seca é descrito como pedreiro . . .”

–––––––––– Vide Hieronimi, Commentarius in Evangelium secundum Matthaeum.

J. P. Migne, Patrologiae Cursus Completus.

Series Latina.

Tomus XXVI.

Col.

80-81. Paris: Garnier frères, 1884. –––––––––– que, traduzido para o inglês, lê-se:


“. . . . No Evangelho que era usado pelos Nazarenos e pelos Ebionitas (que recentemente traduzimos de um sermão hebraico para o grego, e que por muitos foi declarado ser o Mateus autêntico), o mesmo homem que tinha a mão seca era um pedreiro.

. . . . .”

Quanto à referência de nota de rodapé de H. P. B. ao De viris inlustribus liber de São Jerônimo, cap.

3, é claro que é totalmente pertinente ao assunto geral, mas parece estar anexada em um lugar errado no texto, resultando em alguma confusão, possivelmente devido à revisão defeituosa de seus manuscritos.

O parágrafo referido no capítulo 3 da obra de São Jerônimo é o seguinte:

“Mattheus, qui est Levi, ex publicano apostolus, primus in Iudaea propter eos qui ex circumcisione crediderant, Evangelium Christi Hebraeicis litteris verbisque composuit: quod quis postea in Graecum transtulerit, non satis certum est. Porro ipsum Hebraeicum hebetur usque hodie in Caesariensi bibliotheca, quam Pamphilus martyr studiosissime confecit. Mihi quoque a Nazaraeis, qui in Beroea urbe Syriae hoc volumine utuntur, describendi facultas fuit. In quo animadvertendum, quod ubicumque Evangelista, sive ex persona sua, sive ex persona Domini Salvatoris, veteris Scripturae testimoniis abutetur, non sequatur Septuaginta translatorum auctoritatem, sed Hebraicam, e quibus illa duo sunt: ‘ex Aegypti vocavi Filium,’ et: ‘quoniam Nazaraeus vocabitur’.”

que, traduzido para o inglês, diz:

“Mateus, que era chamado Levi, e que de publicano se tornou Apóstolo, foi o primeiro na Judeia a escrever um Evangelho de Cristo, em língua e letras hebraicas, por causa daqueles entre os circuncisos que haviam crido. Não é suficientemente certo quem depois o traduziu para o grego. O original hebraico podia ser encontrado até hoje na biblioteca diligentemente reunida em Cesareia pelo Mártir Pânfilo. Foi possível até para mim ter acesso a este volume, que os nazarenos usavam em Bereia, uma cidade da Síria. Deve-se notar que onde quer que o Evangelista traga o testemunho do Antigo Testamento, seja ele mesmo ou segundo o homem Salvador, ele não segue a versão da Septuaginta, mas cita diretamente do hebraico. Daí vêm as duas passagens seguintes: ‘Do Egito chamei o Filho,’ e ‘por esta razão foi ele chamado o Nazareno’.”

–––––––––– Vide J. P. Migne, P. C. C., Series Latina, Tomus XXIII, Col. 613. Paris, 1883. ––––––––––

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS Todo este assunto também é abordado por H. P. B. em seu poderoso artigo intitulado: “A Origem dos Evangelhos e o Bispo de Bombaim,” (The Theosophist, Vol. IV, outubro de 1882, pp. 6-9), que será encontrado em sua ordem cronológica correta na presente série. Algumas passagens adicionais dos Padres são trazidas à discussão.

Esta citação é uma tradução inglesa do texto original em francês de Salomon Munk (1803-67), em sua obra *Mélanges de Philosophie Juive et Arabe* (Paris: A. Franck, 1859), p. 976, que é a seguinte: “ . . . . . . . Il nous paraît évident, au contraire, que le compilateur s’est servi de documents anciens, et entre autres de certains Midraschîm, ou recueils de traditions et d’expositions bibliques, que nous ne possédons plus aujourd’hui. . . .” 62 Esta é uma referência bastante enganosa, visto que H. P. B. não cita nenhuma obra de Augustus Tholuck (1799-1877) em seu texto acima.

Ao consultar novamente os *Mélanges* de S. Munk, etc., verificamos que na mesma página 276 ele continua da seguinte maneira:

“. . . Nous croyons aussi qu’on peut reconnaître dans les sephirôth des analogies frappantes avec les doctrines de certains gnostiques, notamment de Basilide et de Valentinien.”

Neste ponto, Munk acrescenta a seguinte nota de rodapé:

“Cf. Tholuck, l.c., pag. et 31.—Hâya Gaôn, mort en 1038, est à notre connaissance le premier auteur qui développe la théorie des sephirôth, et il leur donne des noms que nous retrouvons plus tard chez les kabbalistes (cf. Jellinek, Moses ben Schem-Tob de Leon, pag. 13, note 5); ce docteur, qui avait de fréquents rapports avec des savants chrétiens syriens ou chaldéens, a pu par ces derniers avoir connaissance de quelques écrits gnostiques.”

É esta passagem de Tholuck que H. P. B. cita em sua tradução inglesa.

Ao consultar páginas anteriores dos *Mélanges* de S. Munk, parece que o l.c. (*loco citato*) refere-se à obra de Tholuck *Commentatio de vi quam graeca philosophia in theologiam tum Muhammedanorum tum Judaeorum exercuerit*, pp. 24 e 31. 63 Adolf Jellinek (às vezes grafado Gellinek) (1821-1893), *Moses ben Schem-tob de Leon und sein Verhältniss zum Sohar*. *Eine historischkritische Untersuchung über die Entstehung des Sohar*. Leipzig, 1851. 8-vo (British Museum: 4033. dd. 8.). 64 Em 1890, George R. S. Mead (1863-1933), teosofista, erudito clássico e estreito colaborador de H. P. B. na sede de Londres, traduziu para o inglês a versão latina de M. G. Schwartze da *Pistis-Sophia*, feita a partir dos manuscritos coptas originais no British Museum (MS. Add. 5114). Ele publicou as páginas 1-252, com comentários e notas, em *Lucifer*, Vols. VI, VII e VIII, entre abril de 1890 e maio de 1891. H. P. B. acrescentou um número considerável de seus próprios Comentários e Notas, que infelizmente não são assinados.


Em 1896, G. R. S. Mead, após retraduzir toda a obra novamente e conferi-la com a tradução francesa de É. Amélineau (Paris, 1895), publicou-a em formato de livro (Londres: The Theosophical Publishing Society), com uma valiosa Introdução.

Esta não inclui quaisquer Comentários ou Notas de qualquer espécie.

Parece que ele pretendia publicar um volume separado de Comentários, mas tal volume nunca apareceu, nem quaisquer manuscritos

sobre este assunto foram encontrados entre seus papéis por seu executor, John M. Watkins.

Os Comentários e Notas de H.P.B., que originalmente apareceram em *Lucifer*, serão encontrados no Volume XIII da presente Série, com tanto do texto de *Pistis-Sophia* quanto pareça necessário para a compreensão do texto de H.P.B.

No mesmo lugar, serão encontrados dados sucintos sobre a literatura existente concernente a esta obra, e outras informações pertinentes.

A intenção de H.P.B. de escrever outra parcela de sua série sobre "O Caráter Esotérico dos Evangelhos", com explicações referentes a *Pistis-Sophia*, parece nunca ter sido levada a cabo.

*Collected Writings* VOLUME VIII                                      Novembro,

BLAVATSKY: *COLLECTED WRITINGS*

A CIÊNCIA DA VIDA                           [*Lucifer*, Vol.

I, No. 3, Novembro 1887, pp. 203-211]

O que é a Vida? Centenas das mentes mais filosóficas, dezenas de eruditos e bem-habilitados médicos, têm feito a si mesmos esta pergunta, mas com pouco resultado.

O véu lançado sobre o Cosmos primordial e os misteriosos começos da vida sobre ele, nunca foi retirado para a satisfação da ciência séria e honesta.

Quanto mais os homens do saber oficial tentam penetrar através de suas dobras escuras, mais intensa se torna essa escuridão, e menos eles veem, pois são como o caçador de tesouros, que atravessou os vastos mares para procurar aquilo que jazia enterrado em seu próprio jardim.

O que é então esta Ciência? É a biologia, ou o estudo da vida em seu aspecto geral? Não. É a fisiologia, ou a ciência da função orgânica? Tampouco; pois a primeira deixa o problema tão enigmático quanto a Esfinge, como sempre; e a última é a ciência da morte muito mais do que a da vida.

A fisiologia é baseada no estudo das diferentes funções orgânicas e dos órgãos necessários às manifestações da vida, mas aquilo que a ciência chama de matéria viva é, na verdade real, matéria morta.

Cada molécula dos órgãos vivos contém em si o germe da morte e começa a morrer tão logo nasce, para que sua molécula sucessora viva apenas para morrer por sua vez.

Um órgão, parte natural de todo ser vivo, é apenas o meio para alguma função especial na vida, e é uma combinação de tais moléculas.

O órgão vital, o todo, coloca a máscara da vida e assim oculta a constante decadência e morte de suas partes.

Assim, nem a biologia nem a fisiologia são a ciência, nem mesmo ramos da Ciência da Vida, mas apenas a ciência das aparências da vida.

Enquanto a verdadeira filosofia permanece, como Édipo, diante da Esfinge da vida, mal ousando proferir o paradoxo contido na resposta ao enigma proposto, a ciência materialista, tão arrogante como sempre, sem duvidar de sua própria sabedoria por um momento, biologiza a si mesma e a muitos outros na crença de que resolveu o terrível problema da existência.

Na

CIÊNCIA DA VIDA

verdade, porém, terá ela sequer se aproximado de seu limiar? Certamente não é tentando enganar a si mesma e aos incautos ao dizer que a vida é apenas o resultado da complexidade molecular que ela pode esperar promover a verdade.

É a força vital, de fato, apenas um "fantasma", como a chama Du Bois-Reymond? Pois sua zombaria de que a "vida", como algo independente, é apenas o asilo da ignorância daqueles que buscam refúgio em abstrações, quando a explicação direta é impossível, aplica-se com muito mais força e justiça àqueles materialistas que cegariam as pessoas para a realidade dos fatos, substituindo-a por palavras bombásticas e de pronúncia difícil.

Alguma das cinco divisões das funções da vida, tão pretensiosamente nomeadas — Arqueobiose, Biocrose, Biodiérese, Biocenose e Bioparódose — já ajudou um Huxley ou um Haeckel a sondar mais plenamente o mistério das gerações da mais humilde formiga — quanto mais do homem? Certamente não.

Pois a vida, e tudo o que a ela pertence, pertence ao domínio legítimo do metafísico e do psicólogo, e a ciência física não tem direito sobre ela. "O que foi, isso é o que será; e o que foi já tem nome — e sabe-se que é o HOMEM" — é a resposta ao enigma da Esfinge.

Mas "homem", aqui, não se refere ao homem físico — não em seu significado esotérico, de qualquer forma.

Bisturis e microscópios podem resolver o mistério das partes materiais da casca do homem: nunca poderão abrir uma janela em sua alma para revelar a menor vista de qualquer um dos horizontes mais amplos do ser.

São apenas aqueles pensadores que, seguindo a injunção délfica, conheceram a vida em seu eu interior, aqueles que a estudaram profundamente em si mesmos, antes de tentarem traçar e analisar seu reflexo em seus invólucros exteriores, os únicos que são recompensados com alguma medida de sucesso.

Como os filósofos do fogo da Idade Média, eles saltaram sobre as aparências da luz e do fogo no mundo dos efeitos, e concentraram toda a sua atenção nas agências arcanas produtoras.

Daí, traçando

––––––––––        Ou Originação-da-Vida, Fusão-da-Vida, Divisão-da-Vida, Renovação-da-Vida e Transmissão-da-Vida.

–––––––––– estas até a única causa abstrata, eles tentaram sondar o MISTÉRIO, cada um até onde suas capacidades intelectuais o permitiam.


Assim, eles verificaram que (1) o mecanismo aparentemente vivo chamado homem físico é apenas o combustível, a matéria, da qual a vida se alimenta, a fim de manifestar-se; e (2) que, por meio disso, o homem interior recebe como seu salário e recompensa a possibilidade de acumular experiências adicionais das ilusões terrestres chamadas vidas.

Um de tais filósofos é agora, inegavelmente, o grande romancista e reformador russo, o Conde Leo N. Tolstoi.

Quão próximas estão suas visões dos ensinamentos esotéricos e filosóficos da Teosofia superior, será constatado na leitura de alguns fragmentos de uma conferência proferida por ele em MOSCOU, perante a Sociedade Psicológica local.

Discutindo o problema da vida, o Conde pede a seu auditório que admita, por amor ao argumento, uma impossibilidade.

Diz o conferencista:—      Concedamos por um momento que tudo aquilo que a ciência moderna anseia aprender sobre a vida, ela aprendeu e agora sabe; que o problema se tornou claro como o dia; que está claro como a matéria orgânica, por simples adaptação, veio a originar-se do material inorgânico; que está claro como as forças naturais podem ser transformadas em sentimentos, vontade, pensamento, e que, finalmente, tudo isso é conhecido, não apenas pelo estudante da cidade, mas também por todo escolar de aldeia.

Sei, então, que tais e tais pensamentos e sentimentos se originam de tais e tais movimentos.

Bem, e então? Posso eu, ou não posso, produzir e guiar tais movimentos, a fim de excitar em meu cérebro pensamentos correspondentes? A questão — quais são os pensamentos e sentimentos que devo gerar em mim mesmo e nos outros — permanece ainda, não apenas não resolvida, mas até mesmo intocada.

No entanto, é precisamente esta questão que é a questão fundamental da ideia central da vida.

A ciência escolheu como seu objeto algumas manifestações que acompanham a vida; e, confundindo a parte com o todo, chamou a essas manifestações o total integral da vida.

. . .

––––––––––           "Confundir" é um termo errôneo de se usar.

Os homens da ciência sabem muito bem que o que ensinam sobre a vida é uma ficção materialista, contraditada a cada passo pela lógica e pelos fatos.

Nesta questão particular, a ciência é abusada e feita para servir a hobbies pessoais e a uma política determinada de esmagar na humanidade toda aspiração e pensamento espiritual.

"Fingir confundir" seria mais correto.—H. P. B. ––––––––––

CONDE LEV NIKOLAYEVICH TOLSTÓI                                                    1828-                                         (De uma Fotografia tirada em 1896)

A CIÊNCIA DA VIDA

A questão inseparável da ideia de vida não é de onde vem a vida, mas como se deve viver essa vida: e é somente começando por esta questão que se pode esperar aproximar-se de alguma solução no problema da existência.

A resposta à pergunta "Como devemos viver?" parece tão simples ao homem que ele julga que quase não vale a pena tocá-la.

. . . . Deve-se viver da melhor maneira que se puder — isso é tudo.

Isso parece, à primeira vista, muito simples e bem conhecido de todos, mas não é nem tão simples nem tão bem conhecido quanto se possa imaginar.

. . .         A ideia de vida aparece ao homem, no início, como um assunto dos mais simples e evidentes.

Em primeiro lugar, parece-lhe que a vida está em si mesmo, em seu próprio corpo.

No entanto, assim que se começa a busca por essa vida, em qualquer ponto determinado do referido corpo, depara-se com dificuldades.

A vida não está no cabelo, nem nas unhas; tampouco está no pé ou no braço, que podem ambos ser amputados; não está no sangue, não está no coração, e não está no cérebro.

Está em toda parte e não está em lugar nenhum.

Chega-se a isto: a vida não pode ser encontrada em nenhuma de suas moradas.

Então o homem começa a procurar a vida no Tempo; e isso também parece, a princípio, uma questão muito fácil.

. . . No entanto, novamente, assim que ele inicia sua perseguição, percebe que também aqui o assunto é mais complicado do que pensara.

Agora, eu vivi cinquenta e oito anos, assim diz meu registro eclesiástico de batismo.

Mas sei que, desses cinquenta e oito anos, dormi mais de vinte.

Como então? Vivi todos esses anos, ou não vivi? Deduza os meses de minha gestação e aqueles que passei nos braços de minha ama, e chamaremos isso também de vida? Novamente, dos trinta e oito anos restantes, sei que boa metade desse tempo dormi enquanto me movia; e assim, não poderia dizer neste caso se vivi durante esse tempo ou não.

Posso ter vivido um pouco e vegetado um pouco.

Aqui novamente, descobre-se que no tempo, como no corpo, a vida está em toda parte e, no entanto, em lugar nenhum.

E agora a questão surge naturalmente: de onde, então, provém essa vida que não consigo rastrear a lugar algum? Agora — aprenderei... Mas acontece que também nessa direção, o que me parecia tão fácil a princípio agora parece impossível.

Devo ter procurado por outra coisa, não pela minha vida, certamente.

Portanto, uma vez que temos de ir em busca do paradeiro da vida — se é que temos de buscar — então não deve ser nem no espaço nem no tempo, nem como causa nem como efeito, mas como algo que cognizo dentro de mim como bastante independente do espaço, do tempo e da causalidade.

O que resta fazer agora é estudar o eu.

Mas como cognizo a vida em mim mesmo? É assim que a cognizo. Sei, para começar, que vivo; e que vivo desejando para mim tudo o que é bom, desejando isso desde que me lembro de mim mesmo, até hoje, e de manhã à noite.


Tudo o que vive fora de mim é importante aos meus olhos, mas apenas na medida em que coopera com a criação daquilo que é produtivo do meu bem-estar.

O Universo é importante aos meus olhos apenas porque pode me dar prazer. Enquanto isso, algo mais está ligado a esse conhecimento em mim de minha existência. Inseparável da vida que sinto, há outra cognição aliada a ela; a saber, que além de mim, estou cercado de todo um mundo de criaturas viventes, possuídas, como eu mesmo sou, da mesma realização instintiva de suas vidas exclusivas; que todas essas criaturas vivem para seus próprios objetivos, objetivos esses que me são estranhos; que essas criaturas não conhecem, nem se importam em conhecer, nada de minhas pretensões a uma vida exclusiva, e que todas essas criaturas, a fim de alcançar sucesso em seus objetivos, estão prontas a me aniquilar a qualquer momento.

Mas isso não é tudo.

Enquanto observo a destruição de criaturas semelhantes em tudo a mim, também sei que para mim também, para esse precioso EU em quem somente está representado, uma destruição muito rápida e inevitável está à espreita.

É como se houvesse dois “eus” no homem; é como se eles nunca pudessem viver em paz juntos; é como se estivessem eternamente em luta, sempre tentando expulsar um ao outro. Um “eu” diz: “Só eu vivo como se deve viver; todo o resto apenas parece viver. Portanto, toda a raison d’être do universo está em que eu seja feito confortável.” O outro “eu” responde: “O universo não é para ti de modo algum, mas para seus próprios fins e propósitos, e pouco lhe importa saber se és feliz ou infeliz.” A vida torna-se uma coisa terrível depois disso! Um “eu” diz: “Eu só quero a gratificação de todos os meus desejos e anseios, e é por isso que preciso do universo.” O outro “eu” responde: “Toda vida animal vive apenas para a gratificação de seus desejos e anseios. São os desejos e anseios dos animais apenas que são gratificados à custa e em detrimento de outros animais; daí a luta incessante entre as espécies animais. Tu és um animal e, portanto, tens de lutar. Contudo, por mais bem-sucedido que sejas em tua luta, o restante das criaturas em luta, mais cedo ou mais tarde, haverá de te esmagar.” Ainda pior! A vida torna-se ainda mais terrível. . . . Mas o mais terrível de tudo, aquilo que inclui em si todo o anterior, é que um “eu” diz: “Eu quero viver, viver para sempre.” E que o outro “eu” responde: “Tu certamente, talvez em poucos minutos, morrerás; assim como morrerão todos aqueles que amas, pois tu e eles estais destruindo a cada movimento vossas vidas, e assim vos aproximando cada vez mais do sofrimento, da morte, de tudo aquilo que tanto odeias e que temes acima de qualquer coisa.”

A CIÊNCIA DA VIDA

Isto é o pior de tudo. . . . Mudar esta condição é impossível. . . . Pode-se evitar mover-se, dormir, comer, até mesmo respirar, mas não se pode escapar do pensar. Pensa-se, e esse pensamento, meu pensamento, está envenenando cada passo em minha vida, como personalidade.

Assim que o homem começa uma vida consciente, essa consciência lhe repete incessantemente, sem trégua, sempre a mesma coisa: "Viver tal vida como sentes e vês em teu passado, a vida vivida pelos animais e também por muitos homens, vivida daquela maneira, que te fez tornar-te o que és agora — já não é mais possível. Se tentasses fazê-lo, jamais poderias escapar, por isso, da luta com todo o mundo de criaturas que vivem como tu — por seus objetivos pessoais; e então essas criaturas inevitavelmente te destruirão." . . . Mudar essa situação é impossível.

Resta apenas uma coisa a fazer, e isso é sempre feito por aquele que, ao começar a viver, transfere seus objetivos na vida para fora de si mesmo, e visa alcançá-los.

. . . Mas, por mais longe que os coloque fora de sua personalidade, à medida que sua mente se torna mais clara, nenhum desses objetivos o satisfará.

Bismarck, tendo unificado a Alemanha, e agora governando a Europa — se sua razão tiver lançado alguma luz sobre os resultados de sua atividade, deve perceber, tanto quanto seu próprio cozinheiro, que prepara um jantar que será devorado em uma hora, a mesma contradição não resolvida entre a vaidade e a tolice de tudo o que fez, e a eternidade e a razoabilidade daquilo que existe para sempre. Se apenas pensarem nisso, cada um verá tão claramente quanto o outro; primeiramente, que a preservação da integridade do jantar do Príncipe Bismarck, bem como a da poderosa Alemanha, se deve unicamente — à preservação do primeiro, à polícia, e a preservação da última, ao exército; e que, somente enquanto ambos mantiverem boa vigilância.

Porque há pessoas famintas que de bom grado comeriam o jantar, e nações que desejariam ser tão poderosas quanto a Alemanha.

Em segundo lugar, que nem o jantar do Príncipe Bismarck, nem o poder do Império Alemão, coincidem com os fins e propósitos da vida universal, mas que estão em flagrante contradição com eles.

E em terceiro lugar, que tanto aquele que cozinhou o jantar, quanto o poder da Alemanha, ambos muito em breve morrerão, e que assim perecerão, e tão cedo, tanto o jantar quanto a Alemanha.

Aquilo que sobreviverá sozinho é o Universo, que jamais dará um único pensamento ao jantar ou à Alemanha, muito menos àqueles que os cozinharam.

À medida que a condição intelectual do homem aumenta, ele chega à ideia de que nenhuma felicidade ligada à sua personalidade é uma conquista, mas apenas uma necessidade. A personalidade é apenas aquele estado incipiente do qual começa a vida, e o limite último da vida.

. . .       Onde, então, começa a vida, e onde termina, poderiam me perguntar? Onde termina a noite, e onde começa o dia? Onde, na costa, termina o domínio do mar, e onde começa o domínio da terra?      Há dia e há noite; há terra e há mar; há vida e há ausência de vida.


Nossa vida, desde que nos tornamos conscientes dela, é um movimento pendular entre os dois limites.

Um limite é um absoluto desinteresse pela vida do Universo infinito, uma energia dirigida apenas à gratificação da própria personalidade.

O outro limite é uma renúncia completa dessa personalidade, a maior preocupação com a vida do Universo infinito, em plena concordância com ele, a transferência de todos os nossos desejos e boa vontade de nós mesmos para esse Universo infinito e todas as criaturas fora de nós.     Quanto mais próximos do primeiro limite, menos vida e bem-aventurança; quanto mais próximos do segundo, mais vida e bem-aventurança.

Portanto, o homem está sempre se movendo de um extremo ao outro; isto é, ele vive.

ESSE MOVIMENTO É A PRÓPRIA VIDA.

E quando falo de vida, saiba que a ideia dela está indissoluvelmente ligada, em minhas concepções, à de vida consciente.

Nenhuma outra vida me é conhecida, exceto a vida consciente, nem pode ser conhecida por qualquer outro.

Chamamos de vida a vida dos animais, a vida orgânica.

Mas isso não é vida alguma, apenas um certo estado ou condição de vida que se manifesta para nós.      Mas o que é essa consciência ou mente, cujas exigências excluem a personalidade e transferem a energia do homem para fora dele e para aquele estado que concebemos como o estado beatífico de amor?     O que é a mente consciente? O que quer que estejamos definindo, temos que defini-lo com nossa mente consciente.

Portanto, com que definiremos a mente? . . .      Se temos que definir tudo com nossa mente, segue-se que a mente consciente não pode ser definida.

No entanto, todos nós não apenas a conhecemos, mas ela é a única coisa que nos é dada a conhecer de forma inegável.

. . .      É a mesma lei que a lei da vida, de tudo que é orgânico, animal ou vegetal, com a única diferença de que vemos a consumação de uma lei inteligente na vida de uma planta.

Mas a lei da mente consciente, à qual estamos sujeitos como a árvore está sujeita à sua lei, não a vemos, mas a cumprimos. . . . Estabelecemos que a vida é aquilo que não é a nossa vida.

É aqui que se esconde a raiz do erro.

Em vez de estudar essa vida da qual estamos conscientes dentro de nós mesmos, absoluta e exclusivamente

–––––––––– Isto é o que os teosofistas chamam de “viver a vida” — em poucas palavras.—H. P. B. ––––––––––

A CIÊNCIA DA VIDA

—já que não podemos conhecer mais nada—para estudá-la, observamos aquilo que é desprovido do fator e faculdade mais importantes de nossa vida, a saber, a consciência inteligente.

Ao fazê-lo, agimos como um homem que tenta estudar um objeto por sua sombra ou reflexo.

Se sabemos que partículas substanciais estão sujeitas, durante suas transformações, à atividade do organismo; não o sabemos porque o observamos ou estudamos, mas simplesmente porque possuímos um certo organismo familiar unido a nós, a saber, o organismo do nosso animal, que nos é demasiado conhecido como o material de nossa vida; isto é, aquilo sobre o qual somos chamados a trabalhar e a dominar, submetendo-o à lei da razão.

. . . Assim que o homem perde a fé na vida, assim que ele transfere essa vida para aquilo que não é vida, ele se torna miserável e vê a morte.

. . . Um homem que concebe a vida tal como a encontra em sua consciência não conhece nem miséria nem morte: pois todo o bem na vida para ele está na sujeição de seu animal à lei da razão, o que não só está em seu poder, mas ocorre inevitavelmente nele.

A morte das partículas no ser animal, nós a conhecemos.

A morte dos animais e do homem, como animal, nós a conhecemos; mas nada sabemos sobre a morte da mente consciente, nem podemos saber algo dela, justamente porque essa mente consciente é a própria vida: E a Vida nunca pode ser a Morte.

. . . O animal vive uma existência de bem-aventurança, sem ver nem conhecer a morte, e morre sem a perceber. Por que então o homem teria recebido o dom de vê-la e conhecê-la, e por que a morte seria tão terrível para ele que realmente tortura sua alma, muitas vezes forçando-o a se matar por puro medo da morte? Por que seria assim? Porque o homem que vê a morte é um homem doente, alguém que quebrou a lei de sua vida e não vive mais uma existência consciente.

Ele se tornou um animal ele mesmo, um animal que também quebrou a lei da vida.

A vida do homem é uma aspiração à bem-aventurança, e aquilo a que ele aspira lhe é dado.

A luz acesa na alma do homem é bem-aventurança e vida, e essa luz jamais pode ser trevas, pois existe — verdadeiramente existe para o homem — apenas essa luz solitária que arde dentro de sua alma.

––––––––––

Traduzimos este fragmento bastante extenso do relato da magnífica conferência do Conde Tolstói, porque ele se lê como o eco dos mais finos ensinamentos da ética universal da verdadeira teosofia.

Sua definição da vida em seu sentido abstrato, e da vida que todo teosofista sincero deveria seguir, cada um segundo e na medida de suas capacidades naturais — é o resumo e o Alfa e o Ômega da vida psíquica prática, senão espiritual.

Há frases na conferência que, para o teosofista comum, parecerão demasiado vagas e talvez incompletas.


No entanto, não encontrará ele uma única que pudesse ser objetada pelo ocultista prático mais exigente.

Pode ser chamada de um tratado sobre a Alquimia da Alma.

Pois essa luz "solitária" no homem, que arde para sempre e jamais pode ser trevas em sua natureza intrínseca, embora o "animal" fora de nós possa permanecer cego a ela — é essa "Luz" sobre a qual os neoplatônicos da escola alexandrina, e depois deles os Rosacruzes e especialmente os Alquimistas, escreveram volumes, embora até os dias de hoje seu verdadeiro significado seja um mistério obscuro para a maioria dos homens. É verdade que o Conde Tolstói não é nem alexandrino nem teosofista moderno; menos ainda é Rosacruz ou Alquimista.

Mas aquilo que estes últimos ocultaram sob a peculiar fraseologia dos Filósofos do Fogo, confundindo propositalmente as transmutações cósmicas com a Alquimia Espiritual, tudo isso é transferido pelo grande pensador russo do reino do metafísico para o campo da vida prática.

Aquilo que Schelling definiria como uma realização da identidade de sujeito e objeto no Ego interior do homem, aquilo que une e funde este último com a Alma universal, que é apenas a identidade de sujeito e objeto em um plano superior, ou a Deidade desconhecida — tudo isso o Conde Tolstói fundiu sem abandonar o plano terreno.

Ele é um desses poucos eleitos que começam com a intuição e terminam com a quase-onisciência.

São as transmutações dos metais inferiores — a massa animal — em ouro e prata, ou a pedra filosofal, o desenvolvimento e a manifestação do SER superior do homem, que o Conde realizou.

O alcahest do Alquimista inferior é o All-geist, o Espírito Divino que tudo permeia do Iniciado superior; pois a Alquimia foi, e é, como muito poucos sabem até hoje, tanto uma filosofia espiritual quanto uma ciência física.

Aquele que nada sabe de uma, nunca saberá muito da outra.

Aristóteles o disse em tantas palavras ao seu discípulo, Alexandre: "Não é uma pedra", disse ele, sobre a pedra filosofal.

"Está em todo homem e em todo lugar, e em todas as estações, e é chamado o fim de todos os filósofos", assim como o Vedanta é o fim de todas as filosofias.

PECADO CONTRA A VIDA

Para concluir este ensaio sobre a Ciência da Vida, algumas palavras podem ser ditas sobre o enigma eterno proposto aos mortais pela Esfinge.

Falhar em resolver o problema nela contido era ser condenado à morte certa, pois a Esfinge da vida devorava os não-intuitivos, que viveriam apenas em seu "animal". Aquele que vive para o Eu, e somente para o Eu, certamente morrerá, como o "Eu" superior diz ao "animal" inferior na Palestra.

O enigma tem sete chaves, e o Conde abre o mistério com uma das mais elevadas.

Pois, como o autor de Alquimia ou a Filosofia Hermética expressou belamente: "O mistério real mais familiar e, ao mesmo tempo, mais desconhecido para todo homem, no qual ele deve ser iniciado ou perecer como ateu, é ele mesmo.

Para ele está o elixir da vida, cujo gole, antes da descoberta da pedra filosofal, é beber a bebida da morte, enquanto confere ao adepto e ao epopta a verdadeira imortalidade.

Ele pode conhecer a verdade como ela realmente é — Aletheia, o sopro de Deus, ou Vida, a mente consciente no homem." Este é "o Alcahest que dissolve todas as coisas", e o Conde Tolstoi também compreendeu bem o enigma.

H.P.B.

–––––––––– Escritos Reunidos VOLUME VIII Novembro,

PECADO CONTRA A VIDA [Lucifer, Vol.

1, No. 3, Novembro, 1887, p. 211]

Um parágrafo de jornal declarou recentemente que uma certa dama americana de grande riqueza, residente em Londres, concebera o estranho desejo de possuir um manto feito da penugem macia e quente dos peitos das aves do paraíso.

Quinhentos peitos, dizia-se, eram necessários para esse propósito, e dois atiradores habilidosos, continuava a história, haviam sido enviados à Nova Guiné para abater as pobres vítimas cuja matança em massa deveria ser realizada

–––––––––– [Dr. Alexander Wilder.] –––––––––– para satisfazer esse capricho selvagem.


Alegra-nos observar que toda a declaração foi terminantemente contraditada pelo *The World*, aparentemente com a melhor autoridade possível; mas, por mais que a senhora em questão mereça pouco a reprovação que os autores da calúnia se esforçaram por evocar contra ela, o sentimento que isso possa ter suscitado merece análise em um mundo onde, se capas de ave-do-paraíso são raras, a maioria das mulheres que se vestem luxuosamente adornam-se de uma forma ou de outra às custas do reino das aves.

O princípio envolvido em um chapéu decorado com a plumagem de uma única ave, abatida por sua causa, é o mesmo que se manifestaria de forma mais grotesca em uma vestimenta que exigisse o abate de quinhentas.

Muitos ricos nesta era gananciosa esquecem que o maior privilégio daqueles que possuem meios é terem o poder de aliviar o sofrimento.

Muitos, novamente, esquecem que as simpatias daqueles que governam o mundo animado deveriam se estender além dos limites de sua própria espécie; e assim temos o doloroso espetáculo do “esporte” humano ainda associado, em países civilizados, a práticas que não deveriam mais proporcionar prazer a homens que emergiram da vida primitiva de caçadores e pescadores.

Mas como é possível, consideremos, rebaixar-se ao ponto mais baixo do orgulhoso estado da humanidade em busca de gratificação ignóbil? É mau matar qualquer criatura senciente por causa dos prazeres selvagens da caça.

É mau, talvez pior, causar sua destruição para lucrar friamente com seu abate, e é mau esbanjar dinheiro neste duro mundo de carência e privação generalizada em indulgência pessoal dispendiosa.

Mas o ápice de tudo o que é repreensível nesses vários departamentos do mal é certamente alcançado quando as mulheres — que deveriam, em virtude de seu sexo, ajudar a suavizar as ferocidades da vida — conseguem reunir o creme do mal de cada uma dessas variedades e pecar contra todo um catálogo de deveres humanos pela aquiescência cruel a uma moda indigna.

Collected Writings VOLUME VIII Novembro,

NOTAS DE RODAPÉ SOBRE A ALIANÇA DE SANGUE

NOTAS DE RODAPÉ SOBRE “A ALIANÇA DE SANGUE” [Lucifer, Vol. I, No. 3, Novembro de 1887, pp. 216-225]

[O escritor, Gerald Massey, um erudito egiptólogo, envia uma resenha acadêmica de uma obra de H. Clay Trumbull, D.D., intitulada *The Blood-Covenant; a Primitive Rite and its Bearing on Scripture*.]

Esta obra contém uma massa de dados de uma ampla gama de fontes sobre o antiquíssimo rito de aliança pela intertransfusão de sangue.

O resenhista discorda da interpretação do Dr. Trumbull de que a ideia fundamental desse pacto era uma "interunião das naturezas espirituais pela intermistura de sangue em prol de uma intercomunhão com a divindade". Ele diz: "O Dr. Trumbull reivindica os egípcios como testemunhas da verdade de sua interpretação.

Mas, longe de sua mais elevada concepção de 'uma união com a natureza Divina' ser um interfluxo e interfusão de sangue, a alma do sangue era a mais baixa, isto é, a primeira, numa série de sete almas! Seu mais elevado tipo de alma era o sol que vivificava para sempre, chamado Atmu, a Alma Pai.

. . . . Em todo o texto, o escritor tende a confundir o passado com o presente, e está ansioso por ler o presente no passado." A este parágrafo, H. P. B. acrescentou as duas notas de rodapé seguintes:]

Os teosofistas são lembrados de que as "sete almas" são o que chamamos de "sete princípios" no homem.

"Sangue" é o princípio do Corpo, o mais baixo em nosso setenário, assim como o mais alto é "Atma", que bem pode ser simbolizado pelo Sol; sendo Atma a luz e a vida no homem, assim como o sol físico é a luz e a vida de nosso sistema solar.

––––––––––     A doutrina arcana ensina que os ritos de "sangue" são tão antigos quanto a Terceira Raça-Raiz, tendo sido estabelecidos em sua forma final pela Quarta raça Parental em comemoração à separação da humanidade andrógina, seus antepassados, em machos e fêmeas.

O Sr. G. Massey é um estudioso rigoroso, que se atém apenas àquilo que lhe é evidenciado, e ignora a divisão ocultista da humanidade em Raças, e o fato de estarmos em nossa Quinta Raça-Raiz, e, naturalmente, recusaria levar a humanidade de volta aos tempos pré-terciários.


No entanto, suas pesquisas e o fruto de seu trabalho de vida corroboram, por seus inúmeros novos fatos por ele revelados, de modo mais maravilhoso, os ensinamentos das "Doutrinas Secretas". ––––––––––                        Escritos Reunidos VOLUME VIII                                            Novembro,

BUDISMO ESOTÉRICO                               [Lucifer, Vol.

I, No. 3, Novembro, 1887, pp. 229-230]

Como os Editores de Lucifer gentilmente convidam a perguntas sobre Teosofia e assuntos afins, um honesto inquiridor dessas matérias acolheria uma resposta à seguinte dificuldade:

Em seu livro sobre o Budismo Esotérico, o Sr. Sinnett afirma que almas ou espíritos passam o longo intervalo entre uma encarnação e outra em uma espécie de estado quiescente, e pelo menos semiconsciente, perdendo o suficiente de sua identidade para impedir que carreguem qualquer recordação de uma encarnação para a próxima.

Em seu romance, Karma, o Sr. Sinnett representa uma personagem, a Sra.

Lakesby, dotada de poderes mais que usuais, como sendo muito afeita, quando tem oportunidade, a permitir que seu espírito escape dos entraves do corpo e encontre os espíritos de amigos falecidos—isto é, mortos—"e outros" no plano Astral, onde mantém agradável conversação com eles.

Como essas duas afirmações são conciliáveis? N.D. 22 de outubro de 1887.

O Sr. Sinnett provavelmente responderia que a resposta só poderia ser dada plenamente reimprimindo tudo o que ele escreveu em várias obras publicadas, sobre as condições de existência em Kama-Loka e Devachan, e sobre os aspectos superiores e inferiores do Eu.

O curso normal dos acontecimentos conduzirá um ser humano que deixa o corpo material, através de Kama-Loka, ao estado devachânico, no qual a Sra.

Lakesby não poderia entrevistá-lo.

Mas, enquanto estivesse em Kama-Loka, ela poderia ao menos imaginar que o fazia e, talvez não muito sabiamente, entregar-se à prática de assim proceder.

Se nos lembramos bem, o Barão

A HISTÓRIA REAL DOS ROSACRUZES

em Karma, que é representado como sabendo muito mais do que a Sra.

Lakesby, por mais dotada que seja, lança algum descrédito sobre sua visão concernente ao plano Astral e seus habitantes.

Na melhor das hipóteses, quando uma clarividente consegue entrar em contato com uma alma em Kama-Loka, é com o eu inferior ali remanescente, embora tenha deixado o corpo, que ela lida.

E embora esse eu inferior possa ser muito reconhecível para pessoas que o conheceram na manifestação terrena, ele será inferior ao eu inferior da Terra, e não superior, por ser etéreo.

Isto é, na Terra, o homem vivo está mais ou menos sob a orientação de seu eu superior. Mas o superior não tem mais nenhum negócio a tratar com o eu inferior de Kama-Loka, e não se manifesta ali de modo algum.

Finalmente, deve-se sempre lembrar que um romance, mesmo escrito por um Ocultista, é ainda um romance, concebido para sugerir concepções amplas, e não para expor detalhes científicos e doutrinários.

–––––––––                      Escritos Reunidos VOLUME VIII                                         Novembro,

A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS ROSACRUZES                             [Lucifer, Vol.

I, No. 3, Novembro, 1887, pp. 231-236]

O novo livro do Sr. Waite será bem-vindo para aquela grande classe de leitores que encaram o ocultismo, a alquimia e todos os estudos afins com antagonismo e suspeita.

Sociedades secretas supostamente ligadas a tais assuntos são, do ponto de vista deles, melhor expostas e ridicularizadas do que tratadas com respeito ou levadas a sério.

O autor do presente volume, no entanto, não desrespeita a ciência oculta, nem discute os Rosacruzes com espírito de leviandade ou desdém.

Ele reconhece que pode haver, e provavelmente há, uma grande filosofia espiritual e moral

––––––––––      Arthur Edward Waite, A Verdadeira História dos Rosacruzes.

Baseada em seus próprios Manifestos e em Fatos e Documentos coletados dos Escritos de Irmãos Iniciados.

Com Ilustrações.

Londres: George Redway, 1887. viii, pp. –––––––––– nos aspectos mais elevados da verdadeira alquimia, mas nestas páginas ele trata o assunto da sociedade do ponto de vista histórico, e de modo algum do lado místico, e se limita a traçar sua história registrada, sua ascensão, queda e raison d'être.


O estudo consciencioso desses registros relativos à Irmandade levou o Sr. Waite à conclusão de que eles não apoiam as tradições que, até o presente, envolveram a sociedade com um véu de antiguidade desconhecida e dotaram seus membros com um halo de sabedoria maravilhosa.

São essas conclusões que encantarão os incrédulos e provavelmente os cegarão para as indicações de uma corrente subjacente de crença na realidade da ciência oculta, per se, que o autor evidentemente não desejou suprimir.

Investigar e desembaraçar a rede de fatos, teorias e tradições que necessariamente deve envolver uma sociedade que, até o início do século XVII, não era conhecida do público em geral, não é tarefa fácil, e o Sr. Waite pode ser parabenizado pelo espírito calmo e judicioso com que tratou seu assunto, bem como pela moderação com que apresenta suas próprias opiniões.

Poder extrair desses registros abertos até que ponto os membros de tal sociedade podem ter guardado alguns dos segredos internos da Natureza é, naturalmente, impossível para a humanidade comum.

O caráter e os objetivos reais de tal associação só podem ser conhecidos por Iniciados graduados.

Em seu prefácio [p. 4], o Sr. Waite declara: "Afirmo que executei minha tarefa de maneira simpática, porém imparcial, isenta do viés de qualquer teoria particular e, acima de tudo, não contaminada pela pretensão a conhecimento superior, que os reivindicantes nunca conseguiram comprovar." Esta declaração é plenamente justificada nas páginas do livro em análise.

Seu valor não reside tanto em qualquer nova apresentação dos fatos ou teorias referentes aos Rosacruzes, e que são tão frequentemente distorcidos por comentaristas ignorantes, quanto na disposição compacta e sistemática de alguns dos principais escritos disponíveis.

Ele reuniu não apenas as obras principais dos diversos escritores conhecidos, ou supostamente Rosacruzes, mas também coletou

A HISTÓRIA REAL DOS ROSACRUZES

as críticas e conjecturas sobre estas, correntes na época de seu aparecimento na Alemanha, juntamente com outras de data muito mais recente.

Consequentemente, o leitor tem diante de si quase todas as informações desse tipo que poderia necessitar, e que não poderia obter por si mesmo, exceto com o dispêndio de tempo e trabalho que muito poucos são capazes ou dispostos a dar.

Não é surpreendente que o Sr. Waite tenha se convencido de que os Rosacruzes não têm qualquer espécie de direito à reverência e admiração com que estudiosos e místicos os têm considerado até o presente.

Mas essas conclusões constituirão apenas mais uma das outras provas, para estudantes de esoterismo, de que a tarefa de escrever uma história verdadeira e real de uma sociedade oculta secreta a partir de seus registros, onde estes existam, é uma impossibilidade.

Pois mesmo quando tais sociedades deixaram informações confiáveis sobre suas buscas, aspirações e crenças — a linguagem empregada sempre foi de tal caráter que confunde inteiramente o leitor exotérico comum, seja ele historiador, literato ou cientista.

Tal literatura só pode ser interessante para o estudante no encalço do conhecimento esotérico, ou para aquele que, em grande medida, adquiriu por outros meios o significado que ela transmite.

Esse método de dar ao mundo, por assim dizer, os resultados de uma vida inteira de pesquisa nos reinos da Natureza invisível, foi adotado por alquimistas, magos, sacerdotes e hierofantes de todas as épocas.

Ninguém, exceto aqueles que eram suficientemente firmes na causa da verdade, poderia ler e compreender o que assim foi escrito.

As numerosas e minuciosas instruções para a realização de feitiços e curas, etc., deixadas por Paracelso, e que são aparentemente tão diretas e praticáveis quanto as receitas de um moderno livro de culinária, provavelmente se revelariam muito menos bem-sucedidas nas mãos de um amador, por mais altamente educado que fosse no plano físico, do que os pratos mais delicados preparados a partir de tais receitas por uma criada totalmente inexperiente.

Pois essas instruções elaboradas são dadas em termos que apelam simplesmente aos sentidos materiais daqueles que buscam poder em vez de sabedoria, enquanto o esforço real para produzir o resultado tem de ocorrer no

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS plano astral da natureza.

O lado espiritual ou anímico do homem deve ser despertado e utilizado antes que a Pedra Filosofal, ou o elixir da vida, possa ser descoberto.

A compreensão das potencialidades do corpo humano, seu cultivo e eventual utilização para fins puramente altruístas e espirituais, isto é, a verdadeira sabedoria, é, ou deveria ser, o trabalho de todas as sociedades ocultas secretas.

Mas voltemos ao livro do Sr. Waite.

A noção popular de que esta Fraternidade é de grande, quase incrível antiguidade, é totalmente condenada por ele.

Ele não encontra nenhuma evidência documental que mostre que ela existiu antes do início do século XVII, e argumenta que a conhecida antiguidade da Rosa e da Cruz no simbolismo não é prova da antiguidade de uma sociedade que as utiliza "num período posterior ao Renascimento" [p. 210]. Concedendo que o emblema da Rosa e da Cruz, como símbolos de uma ordem ou fraternidade particular, não garante sua igual antiguidade com eles, ainda assim deve-se admitir que esses símbolos, portadores que são de uma interpretação profundamente esotérica, e sendo adotados por uma sociedade de caráter distintamente oculto, constituem um argumento em apoio à teoria de que o fundador ou originador desta ordem teve alguma razão além do capricho para assim rotular sua fraternidade.

Em outro lugar ele diz: "Mostrei indiscutivelmente que não havia novidade nas pretensões rosacrucianas, nem originalidade em suas visões.

Eles aparecem diante de nós como discípulos luteranos de Paracelso" [p. 209]. O autor aqui parece não ser inteiramente lógico em suas deduções.

Quando ele afirma que não encontrou em suas pesquisas cartas, registros ou documentos que mencionem ou sugiram a existência de tal sociedade antes do século XVII, ele está, naturalmente, como historiador, seguramente resguardado de ataques.

Nessa capacidade de buscador imparcial de fatos, está fora de sua área de trabalho, na ausência de dados, teorizar sobre probabilidades.

Quando, porém, ao lidar com os manifestos do século XVII, ele encontra neles evidências que lhe mostram que a Fraternidade não possui história anterior ou ascendência, suas conclusões estão abertas a críticas.

O próprio fato da falta

A HISTÓRIA REAL DOS ROSACRUZES

de originalidade e novidade nas visões, objetivos e aspirações expostos na *Fama* e na *Confessio* certamente dá força à teoria que sustenta a antiguidade da sociedade, em vez de ser ela o resultado de um esforço espontâneo.

Todos os verdadeiros estudantes de misticismo têm boas razões para acreditar, mesmo quando não sabem absolutamente, que as várias escolas de ocultismo, consideradas em seus ensinamentos mais elevados ou mais espirituais e abstratos, conduzem ao mesmo objetivo.

Elas podem ser chamadas por nomes diferentes, e seus métodos em detalhes menores podem não ser os mesmos, mas a sabedoria, no fundo, é idêntica.

Portanto, quando o Sr. Waite lança descrédito sobre os rosacruzes por não anunciarem novidades em seu manifesto, na linha de pensamento mística, ele nos lembra um homem que, ao decidir sobre o valor de um violino, conclui que ele não pode ser de grande idade, porque emite apenas o mesmo conjunto de sons que tais instrumentos musicais estão acostumados a produzir desde tempos imemoriais.

––––––––––      [Faz-se aqui referência aos dois primeiros manifestos, emitidos anonimamente no início do século XVII na Europa Ocidental.

Um deles era a *Fama Fraternitatis* (Cassel, 1614 ou 1615), que foi precedida, na primeira edição impressa rastreável, por um tratado mais longo que ela própria, intitulado *Allgemeine und General Reformation der ganzen weiten Welt* (Reforma Universal de Todo o Vasto Mundo); o outro era a *Confessio Fraternitatis* (Cassel e Frankfurt, 1615). Eles apareceram primeiro em alemão, holandês e latim, sendo traduzidos para outras línguas posteriormente. O teólogo Johann Valentin Andreae (1586-1654) reconheceu em sua autobiografia ter sido o autor tanto da *Fama* quanto da *Confessio*, cuja aparição causou imenso alvoroço em toda a Europa.]

O nome de Francis Bacon, Lord Verulam, também tem sido associado a esses documentos.

Informações interessantes sobre o movimento rosacruciano primitivo podem ser encontradas nos dois ensaios seguintes: "The Rosicrucians," de Karl Kisewetter, The Theosophist, Vol. VII, abril de 1886, pp. 451-61; e "Christian Rosencreutz and the Rosicrucians," de W. Wynn Westcott, The Theosophist, Vol. XV, março de 1894, pp. 365-77.

Consulte também o Índice Bio-Bibliográfico, s. v. ANDREAE. — Compilador. —–––––––––– Tanto quanto se pode averiguar pelo estudo do estado do pensamento e da sociedade no período em que os Rosacruzes foram primeiramente mencionados na Europa, esta ordem particular manifestou-se como um antídoto à tendência geral para o lado material da alquimia, que corroía as classes educadas da Alemanha.


Os buscadores de maravilhas, então como agora, não compreendiam que a ética, tanto social quanto espiritual, é a base fundamental da verdadeira sabedoria; consequentemente, o grande clamor era por poder, não importa de que espécie, para a acumulação de riqueza.

O anseio pelo conhecimento arcano, tão amplamente difundido, e que se sabia verdadeiramente possuído pelos alquimistas, havia gradualmente degenerado em um desejo puramente egoísta pelo segredo de transmutar metais.

Para suprir essa demanda ávida, charlatães de toda espécie precipitaram-se à frente, professando ensinar a todos que se unissem aos seus estandartes, isto é, que pudessem pagar a taxa necessária, como transformar metal comum em ouro puro.

A mania por esse poder era tão universal, o seu motivo tão pouco espiritual, que, a fim de conter a maré da loucura e de dar xeque-mate aos impostores que estavam trazendo descrédito à Arte Sagrada, a Fama foi emitida por um corpo de pessoas que tomaram como seus símbolos a Rosa e a Cruz.

Desse ponto de vista, os Rosacruzes historicamente se apresentam ao mundo sob a luz de um grupo de Reformadores.

Diferentes pessoas interpretam de diferentes maneiras os dois manifestos — a Fama e a Confessio.

O Sr. Waite parece atribuir grande importância à adesão aos dogmas cristãos observável na redação desses documentos.

Mas, ao tomar os documentos literalmente, ele parece ignorar a necessidade sob a qual todos os escritores estavam, naqueles tempos conturbados, de condescender com as mentes estreitas e preconceituosas dos líderes da assim chamada Igreja Cristã, aparentemente aderindo ao Ritual.

Naturalmente, o autor da Fama a redigiu de tal maneira a evitar perseguição ou suspeita de heresia.

Aqueles a quem realmente se dirigia não seriam enganados por seu tom de ortodoxia, e o público em geral e a igreja o considerariam inofensivo.

Além disso, como o Sr. Waite observa mais adiante [pp. 200-01], "as opiniões e pretensões filosóficas e científicas

A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS ROSACRUZES

da Sociedade Rosacruz têm mais direito à nossa atenção" do que sua teologia.

Falando novamente da escola de pensamento corrente na época em que esta organização foi lançada, e que, segundo ele, os Rosacruzes seguiam, ele diz [p. 201]: "Místicos em uma era de materialismo científico e religioso, estavam conectados por uma cadeia ininterrupta com os teurgos dos primeiros séculos cristãos; eram alquimistas no sentido espiritual e professores de uma magia divina. Seus discípulos, os Rosacruzes, seguiram de perto seus passos, e as reivindicações da Fama e da Confessio devem ser revisadas à luz das grandes reivindicações mais antigas da alquimia e da magia." Apesar disso, o Sr. Waite julga a Sociedade, ao que parece, pelo que ele admite ser o lado menor e menos importante de seu objetivo, pois ele acaba se referindo a ela como um corpo de "homens eminentemente eruditos e uma Seita Cristã" [p. 216]. Não vamos nos deter para considerar a probabilidade ou possibilidade de um corpo de "homens eminentemente eruditos" ser ao mesmo tempo uma "Seita Cristã".

Tendo assim privado os Rosacruzes da dignidade, reverência e romance que cercam a grande antiguidade; tendo-os sobrecarregado com os princípios e dogmas do cristianismo medieval convencional, o Sr. Waite passa então a demolir seus emblemas, ou pelo menos, a negar que eles atribuíssem qualquer interpretação esotérica a eles.

Ele diz: ". . . toda a questão do significado da Rosa Crucificada, em sua conexão com a sociedade, é uma questão de pura conjectura, que nenhum manifesto rosacruz, e nenhum Irmão reconhecido jamais deu qualquer explicação sobre ela, e que nenhuma presunção é fornecida pelo fato de sua adoção para a antiguidade da sociedade ou para sua conexão com o simbolismo universal" [p. 24]. Considerando a necessidade, ao escrever uma história de uma sociedade mística, de tomar os documentos como estão, o Sr. Waite ignora o fato de que a evidência para a afirmação acima é de caráter negativo.

Que em seus manifestos e registros não apareça explicação de seus emblemas dificilmente justifica a conclusão de que eles eram incapazes de dar qualquer uma.


Seria de fato uma novidade nos anais das Sociedades Secretas se os fundadores desta ordem específica tivessem deixado para trás a explicação de seus signos e símbolos.

O estudo e a interpretação do simbolismo constituem um elemento dos mais importantes na educação dos discípulos ocultistas e, portanto, supor que os projetistas desta organização desconhecessem a leitura mística da Rosa e da Cruz é uma hipótese que nenhum estudante de misticismo poderia aceitar.

Em geral, é amplamente assumido por aqueles que se deram ao trabalho de investigar as evidências que Johann Valentin Andreae foi o autor da *Fama*, da *Confessio Fraternitatis*, e também das *Bodas Químicas* de Christian Rosencreutz, e, nessa medida, ele deve ser considerado exotericamente como o fundador da Sociedade Rosacruz, tal como primeiramente conhecida pela história.

Ele era profundamente versado em estudos místicos e alquimia, e possuía, além disso, uma reputação difundida como erudito e homem de saber.

Suas *Bodas Químicas*, para qualquer pessoa com um mínimo de familiaridade com a literatura alquímica, revelam-no como alguém que penetrara profundamente em alguns dos mistérios da natureza.

Consequentemente, ele certamente estava bem ciente de que a Rosa e a Cruz possuíam uma significação profundamente oculta.

Considerando o próprio homem, o caráter de seus estudos e sua bem conhecida devoção à alquimia e ao misticismo, é certamente mais razoável supor que ele adotou esses emblemas (presumindo que tivesse alguma escolha nesse assunto) para sua sociedade, não como alguns sugerem, porque eles por acaso faziam parte de seus próprios brasões de armas, ou porque a Rosa e a Cruz sobre um Coração foi usada por Martinho Lutero, mas porque ele reconheceu seu pleno valor e importância como símbolos da evolução cósmica.

O Sr. Waite parece, no geral, concordar com a ideia de que Andreae foi o autor da *Fama* e da *Confessio*, e considera as *Bodas Químicas* como indubitavelmente sua produção.

Ele também admite que este último panfleto só poderia ter sido obra de um homem profundamente imbuído de

––––––––     [Vide Índice Bio-Bibliográfico, s.v. ANDREAE.—Comp.] ––––––––––

A HISTÓRIA REAL DOS ROSACRUZES

especulações alquímicas, um místico e seguidor de Paracelso.

Como então pode ele pedir-nos que acreditemos que a Sociedade formada sob tais auspícios era, no fundo, nada mais que uma seita cristã baseada nos ensinamentos de Martinho Lutero! Para o público em geral, essas teorias podem talvez parecer suficientemente plausíveis diante da redação das partes dos manifestos que tocam em teologia.

Para estudantes de esoterismo, contudo, tais conclusões serão absolutamente inaceitáveis, e não podemos deixar passar sem comentário a hipótese do Sr. Waite de que a Sociedade Rosacruz, tal como se apresentou primeiramente ao mundo, era simplesmente uma sociedade para a propagação do cristianismo deteriorado da Idade Média.

Nenhum místico, quer se autodenomine Rosacruz, Cabalista, Teosofista, Cristão ou Budista, aceitaria intelectual ou espiritualmente os dogmas estreitos e as visões intolerantes da igreja cristã, mesmo quando, até certo ponto, purificados de muitos de seus abusos mais grosseiros pela energia da Reforma de Martinho Lutero.

As duas linhas de pensamento são essencialmente diferentes.

No caso do cristão, não importa de qual denominação, seus pensamentos estão aprisionados e paralisados dentro do círculo rígido traçado pela leitura materialista do nascimento, vida e morte de Cristo.

O verdadeiro ocultista toma esses episódios espiritual ou alegoricamente, encontrando suas correspondências dentro de si mesmo, bem como no universo.

Dizer que um ser humano pode, ao mesmo tempo, ser um ocultista e um cristão sectário é tão impossível quanto falar de um judeu cristão.

Um verdadeiro cristão, isto é, alguém que compreendesse e seguisse absolutamente os ensinamentos de Jesus, seria também um verdadeiro Rosacruz.

A filiação a igrejas ou sociedades particulares não dota, infelizmente, o indivíduo imediatamente com a virtude, o conhecimento ou o poder que é o objetivo teórico de sua ação inicial.

Tal filiação é, ou pode ser, um passo na direção da Sabedoria Divina, mas um passo não o leva ao cume do caminho.

Os homens não se tornam Rosacruzes, Cristãos ou Teosofistas meramente por se associarem às Sociedades que trabalham sob esses nomes particulares.

Mas certas tendências em seus temperamentos os impelem para a Sociedade especial onde o modo de pensamento parece mais adequado para ajudá-los a realizar a magnitude e a glória das possibilidades inerentes às suas próprias almas.


Entre a humanidade de hoje e o desenvolvimento de um sexto sentido, que lhe permitirá perceber o que agora é imperceptível, há apenas um tênue véu de matéria obstrutiva, metaforicamente falando.

Esse véu está, mesmo agora, sendo continuamente perfurado por psíquicos, primeiro em uma direção, depois em outra, deixando passar através dessas minúsculas aberturas vislumbres do mundo invisível ao redor.

Em pouco tempo o véu será completamente desgastado, e a humanidade desse tempo futuro, sem dúvida, se perguntará como a humanidade desta era, que consideramos tão esclarecida, pôde ter sido tão pouco intuitiva e cega ao lado mais importante de suas naturezas.

Até que a raça, no entanto, por evolução da alma, tenha alcançado esse sexto sentido, dificilmente se podem esperar histórias reais de Sociedades Místicas.

Membros de tais Sociedades, que por estudo e treinamento alcançaram algum grau de conhecimento, não podem revelar os segredos; os não membros não conseguem alcançá-los.

As classes leitoras de hoje podem, após ler o livro do Sr. Waite, pensar que aprenderam algo sobre o corpo de pessoas chamadas Rosacruzes, e até agora supostas como tendo alguma pretensão ao conhecimento arcano.

Os estudantes de ocultismo saberão que a parte vital do assunto é e deve permanecer sempre inexpugnável, exceto por seu lado esotérico.

–––––––––                    Escritos Reunidos VOLUME VIII                                       Novembro,

DO CADERNO DE NOTAS DE UM FILÓSOFO IMPOPULAR                           [Lucifer, Vol.

I, No. 3, Novembro, 1887, pp. 239-240]

Sou severamente repreendido por algumas observações feitas no último número.

Minhas reflexões a respeito do valor respectivo dos compromissos muçulmanos e cristãos trocados, como também sobre a propriedade duvidosa do simbolismo zoológico nas Igrejas — são pronunciadas como perversamente ímpias e

DE UM FILÓSOFO IMPOPULAR

calculadas para ferir os sentimentos delicados dos leitores cristãos — se houver.

A Inglaterra protestante — é solenemente instado — está cheia de homens e mulheres verdadeiramente bons, de frequentadores de igreja sinceros, que "andam nos caminhos do Senhor". Sem dúvida existem tais, e sem dúvida eles andam, ou tentam, o que é um passo à frente daqueles que não o fazem.

Mas então nenhum dos "justos" precisa reconhecer seus rostos no espelho apresentado pelo "Filósofo Impopular" apenas aos injustos.

E novamente— “OS CAMINHOS DO SENHOR . . . .” Os caminhos de qual Senhor? Refere-se ao Senhor ciumento de Moisés, o Deus que trovejou em meio aos relâmpagos do Sinai, ou ao “Senhor” manso do Monte das Oliveiras e do Calvário? É o Deus severo que diz “minha é a vingança”, e que deve ser “adorado com temor”, ou o “Deus-homem” que ordenou amar o próximo como a si mesmo, perdoar os inimigos e abençoar aqueles que nos injuriam? Pois os caminhos dos dois Senhores estão muito distantes, e jamais podem se encontrar.

Ninguém que tenha estudado a Bíblia pode negar por um único momento que uma grande proporção (se felizmente não todos) dos cristãos modernos caminha de fato “nos caminhos do Senhor”—Número I. Este é o “Senhor” que teve respeito por Abel, porque a carne do seu sacrifício exalava aroma doce em suas narinas; o “Senhor” que ordenou aos israelitas que despojassem os egípcios de suas joias de prata e ouro; também que “matassem todo homem entre os pequeninos”, como “toda mulher . . . . mas todas as meninas [virgens] . . . . . para as guardardes para vós” (Núm., xxxi, 17, et seq.); e que cometessem outras ações por demais grosseiras para serem repetidas em qualquer publicação respeitável.

Portanto, os guerreiros modernos que realizam tais façanhas (com o aperfeiçoamento moderno, ocasionalmente, de atirar seus inimigos pela boca de grandes canhões) caminham, inegavelmente, “nos caminhos” do Senhor dos judeus, mas jamais nos caminhos de Cristo.

Assim também o comerciante moderno que guarda o Sábado rigorosamente, assistindo ao Serviço Divino ––––––––––        E sem dúvida também os anglo-indianos para despojar o Rei da Birmânia do seu? –––––––––– três vezes naquele dia, após tratar durante toda a semana seus empregados contratados como a prole de Cam “que será serva deles (Sem e Jafé).”     Assim também aquele que se apropria, à maneira de Davi, de uma Bate-Seba, esposa de Urias, sem a menor preocupação se simplesmente rouba ou mata o marido heteu.


Pois ele tem todo o direito de tomar como modelo “um amigo de Deus”—o Deus da antiga aliança.

Mas algum deles ousará afirmar que trilha os caminhos de seu Senhor da nova Dispensação? No entanto, aquele que ergue a voz em protesto contra os "caminhos" do Deus Mosaico, portanto, em favor daqueles pregados pela própria antítese de Jeová—o manso e gentil "Homem de Dores"—é imediatamente colocado no pelourinho e denunciado ao opróbrio público como anticristão e ateu! Isto, diante das palavras: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

... E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia e ... grande foi a sua queda"! [Mateus, vii, 21, 26-27.] A "VONTADE DE MEU PAI"? É este "Pai" idêntico ao Deus do Monte Sinai e dos Mandamentos? Então, qual é o significado de todo o Capítulo V de Mateus, do Sermão da Montanha, no qual cada um desses Mandamentos é virtualmente criticado e destruído pelas novas emendas? "Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente: Mas eu vos digo que não resistais ao mal", etc.

[Mateus, v. 38-39.] Olhai para os grandes centros de nossas civilizações cristãs.

Vede as prisões, os tribunais e as casas de detenção, os juízos e a polícia; vede a aflição, com a fome e a prostituição como seus resultados.

Vede a multidão de homens de lei e de juízes; e então vede até que ponto as palavras de Cristo, "Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos amaldiçoam, Não julgueis, para que não sejais julgados", aplicam-se a toda

DE UM FILÓSOFO IMPOPULAR

a estrutura de nossa vida civilizada moderna, e até que ponto podemos ser chamados cristãos.

Quão bem o mandamento—"Aquele que dentre vós está sem pecado, que lhe atire a primeira pedra" [João, viii, 7]—é agora obedecido, pode ser visto seguindo dia após dia os relatos da lei por calúnia, difamação e injúria.

A obediência à injunção, e a advertência contra o pecado de ofender as crianças, "estes pequeninos", dos quais é o Reino dos Céus, encontra-se no tratamento brutal dispensado pela polícia cristã às crianças órfãs nas ruas, de outras crianças por seus pais, e, finalmente, no açoitamento impiedoso de pequenos delinquentes levados ao crime por seus próprios pais e pela fome.

E são aqueles que denunciam tal espírito anticristão na legislação, na igreja farisaica e na sociedade, que serão rotulados por dizerem a verdade? O magistrado, que jurou sobre a Bíblia — contrariando a expressa injunção de Cristo — para administrar justiça; o piedoso caloteiro, que jura falsamente sobre ela, mas não pode ser condenado; o santarrão milionário que engorda com o sangue e o suor dos pobres; e a aristocrática "Jezabel" que atira lama das rodas de sua carruagem sobre sua irmã "caída", na rua, vítima talvez de um dos homens de sua própria alta casta — todos estes se chamam cristãos.

Os anticristãos são aqueles que ousam olhar por trás desse véu de respeitabilidade. A melhor resposta a tão paradoxal denúncia pode ser encontrada em um dos admiráveis editoriais de "Saladino".

O leitor deve recorrer ao The Secular Review de 22 de outubro de 1887, e ler algumas reflexões pertinentes sobre "O Amargo Clamor da Londres Abandonada" e o açoite das "crianças ladras".

Bem pode um "chinês pagão" ou um "hindu pacato" estremecer de horror diante do quadro ali descrito daquele "extrair sangue" dos corpos infantis de pequenos ladrões.

O processo é executado por um policial cristão, agindo sob ordens e na presença de um justo magistrado cristão.

Algum dos dois já pensou, durante a "tortura infantil", nas palavras de seu Cristo: "E qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse lançado no mar"? [Marcos, ix, 42]. Sim, eles andam "nos caminhos do Deus de Israel"! Pois, como "se arrepende" o Senhor de ter feito o homem tão perverso e tão imperfeito, que esse "Senhor" afogou-o e destruiu-o "da face da terra", sem mais cerimônia.


Em verdade, “tanto o homem, como o animal, e o réptil, e as aves do céu” [Gên., vi, 7], embora estes últimos não tivessem pecado, nem fossem “maus”. E por que não fariam o mesmo os homens justos na Terra? Arrepende-se também, porventura, aos cidadãos cristãos da piedosa LUGDUNUM que criem os pobres pequeninos desgraçados, os enjeitados abandonados ao vício desde o dia do seu nascimento? E os verdadeiros e bons cristãos, que se julgariam condenados ao fogo do inferno se faltassem ao seu Culto de Sábado, proibidos por lei de afogar as suas criaturas, recorrem à melhor coisa que podem; eles “tiram sangue” daqueles pequeninos que o seu “Salvador” e Mestre tomou sob a sua especial proteção.

Que a sombra de “Saladino” nunca diminua, pelas suas palavras destemidas e honestas de verdade que escreve:—

E de quem era o sangue nas veias desses dois meninos? De quem o sangue avermelhou as varas da bétula? Porventura do próprio magistrado, ou do capelão da prisão.

Pois místicas são as moagens das rodas do moinho da miséria.

E Deus olha e tolera.

E eu sou considerado herege, e os meus escritos anticristãos são apresentados contra mim num Tribunal de Justiça para me impedir de obter justiça, porque não vejo em tudo isto como o cristianismo “eleva” a mulher e lança um “halo de sagrada inocência em volta dos tenros anos da criança”. Assim seja. Lancei a minha luva de desafio, e a força do fanatismo poderá quebrar-me até à morte, mas nunca me dobrará à submissão.

Sem salário e mal apoiado, luto tão obstinadamente como se o mundo lançasse a meus pés o seu ouro e os seus louros e vivas; pois os fracos precisam de um campeão e os injustiçados de um vingador.

É necessário que a Falsidade encontre um oponente e a Hipocrisia um inimigo: estes encontrarão em mim, sejam quais forem as consequências.

SALADINO.

––––––––––          [Pseudónimo de William Steward Ross.

Vide Índice Bio-Bibliográfico

para o Volume IX, s.v. Ross.—Compilador.] ––––––––––

JOHN WORRELL KEELY                                                  1837-                                Reproduzido de Le Lotus, Vol.

III, setembro de 1888.

H. P. B. E O MOTOR KEELY

Esta é a história epitomizada do “Filósofo Impopular”; sim, a história de todos aqueles que, nas palavras de Lara, sabem que “o cristianismo nunca salvará a humanidade, mas a humanidade pode salvar o cristianismo”, i. e, o espírito ideal do Cristo-Buda—da TEOSOFIA.

––––––––––                   Obras Completas VOLUME VIII                                       Novembro,

[H. P. BLAVATSKY E O MOTOR KEELY]     [No Volume II de Le Lotus, na edição de novembro de 1887, aparece um excerto bastante longo de A Doutrina Secreta sobre o assunto da força etérica descoberta por John Worrell Keely, da Filadélfia, Pensilvânia, e o motor que ele construiu.

Como a obra magna de H. P. B. não foi publicada até o final do outono de 1888, este excerto é obviamente retirado de seu manuscrito inacabado.

O texto é traduzido para o francês com apenas algumas observações sem importância pelo Editor de Le Lotus, F. K. Gaboriau.

Não traduzimos este longo excerto para o inglês por duas razões: primeiro, porque tal tradução seria quase certamente diferente do texto original em inglês usado pelo Editor; e, segundo, porque este mesmo texto, com ligeiras variações e ampliações, pode ser encontrado na versão final de A Doutrina Secreta, Vol.

I, pp. 554-66, na Seção X intitulada "A Força Vindoura".

Keely nasceu na Filadélfia, Pensilvânia, em 3 de setembro de 1837, e faleceu em 18 de novembro de 1898. Em seus primeiros anos, foi carpinteiro.

Interessou-se por música e afirmou que o diapasão lhe sugerira a ideia de uma nova força motriz — Compilador.]                        Obras Completas VOLUME VIII                                               Dezembro, LÚCIFER AO ARCEBISPO DE                               CANTUÁRIA, SAUDAÇÕES!                                 [Lucifer, Vol.


I, No. 4, dezembro de 1887, pp. 242-251]

MEU SENHOR PRIMAZ DE TODA A INGLATERRA,—      Utilizamo-nos de uma carta aberta a Vossa Graça como veículo para transmitir a vós, e através de vós, ao clero, aos seus rebanhos e aos cristãos em geral — que nos consideram inimigos de Cristo — uma breve declaração da posição que a Teosofia ocupa em relação ao Cristianismo, pois acreditamos que chegou o momento de fazer tal declaração.

Vossa Graça sem dúvida está ciente de que a Teosofia não é uma religião, mas uma filosofia ao mesmo tempo religiosa e científica; e que o principal trabalho, até agora, da Sociedade Teosófica tem sido reviver em cada religião o seu próprio espírito animador, encorajando e auxiliando a investigação sobre o verdadeiro significado de suas doutrinas e observâncias.

Os teósofos sabem que, quanto mais profundamente se penetra no significado dos dogmas e cerimônias de todas as religiões, maior se torna sua aparente similaridade subjacente, até que finalmente se alcança a percepção de sua unidade fundamental.

Esse terreno comum não é outro senão a Teosofia — a Doutrina Secreta dos tempos; que, diluída e

–––––––––– [Há alguma dúvida quanto à autoria desta famosa declaração.

Muitas de suas passagens, talvez a maioria delas, guardam estreita semelhança com o estilo de H. P. B. quando engajada em um intercâmbio polêmico com um oponente.

Por outro lado, há uma carta escrita por William Quan Judge a Richard Harte, datada de 3 de fevereiro de 1888, na qual ocorrem as seguintes palavras: “A ‘Mensagem ao Arcebispo de Cantuária’ é peculiarmente hábil, bem concebida e temperada, e duas pessoas aqui expressaram o desejo de que fosse impressa e circulada como panfleto.

. .” Esta carta pode ser encontrada em uma obra intitulada: Ocultismo Prático.

Das Cartas Privadas de William Q. Judge.

Pasadena, Calif.: Theos.

Univ.

Press, 1951, p. 67. É possível que Richard Harte e H. P. B. tenham colaborado neste notável Editorial.—Compilador.] ––––––––––

AO ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

disfarçada para se adequar à capacidade da multidão, e às exigências do tempo, tem formado o núcleo vivo de todas as religiões.

A Sociedade Teosófica possui ramos respectivamente compostos de budistas, hindus, maometanos, parses, cristãos e livres-pensadores, que trabalham juntos como irmãos no terreno comum da Teosofia; e é precisamente porque a Teosofia não é uma religião, nem pode para a multidão suprir o lugar de uma religião, que o sucesso da Sociedade tem sido tão grande, não apenas no que diz respeito à sua crescente membresia e influência crescente, mas também em relação ao desempenho do trabalho que empreendeu — o renascimento da espiritualidade na religião, e o cultivo do sentimento de FRATERNIDADE entre os homens.

Nós, teósofos, acreditamos que uma religião é um incidente natural na vida do homem em seu presente estágio de desenvolvimento; e que, embora, em casos raros, indivíduos possam nascer sem o sentimento religioso, uma comunidade deve ter uma religião, isto é, um vínculo unificador — sob pena de decadência social e aniquilação material.

Acreditamos que nenhuma doutrina religiosa pode ser mais do que uma tentativa de representar, aos nossos atuais entendimentos limitados, nos termos de nossas experiências terrestres, grandes verdades cósmicas e espirituais, que, em nosso estado normal de consciência, vagamente intuímos, em vez de realmente perceber e compreender; e uma revelação, se é que deve revelar algo, deve necessariamente conformar-se às mesmas exigências terrenas do intelecto humano.

Em nossa estimativa, portanto, nenhuma religião pode ser absolutamente verdadeira, e nenhuma pode ser absolutamente falsa.

Uma religião é verdadeira na proporção em que supre as necessidades espirituais, morais e intelectuais do tempo, e auxilia o desenvolvimento da humanidade nesses aspectos.

É falsa na proporção em que impede esse desenvolvimento, e ofende a porção espiritual, moral e intelectual da natureza humana.

E as ideias transcendentalmente espirituais dos poderes regentes do Universo, acalentadas por um sábio oriental, seriam uma religião tão falsa para o selvagem africano quanto o fetichismo rastejante deste último o seria para o sábio, embora ambas as visões devam necessariamente ser verdadeiras em grau, pois ambas representam as mais altas ideias alcançáveis pelos respectivos indivíduos dos mesmos fatos cósmico-espirituais, que jamais podem ser conhecidos em sua realidade pelo homem enquanto ele permanecer apenas homem.


Os teosofistas, portanto, são respeitadores de todas as religiões, e pela ética religiosa de Jesus nutrem profunda admiração.

Não poderia ser de outra forma, pois esses ensinamentos que chegaram até nós são os mesmos da Teosofia.

Assim, portanto, na medida em que o cristianismo moderno faz valer sua pretensão de ser a religião prática ensinada por Jesus, os teosofistas estão com ele de coração e mão.

Na medida em que ele contraria essa ética, pura e simples, os teosofistas são seus opositores.

Qualquer cristão pode, se quiser, comparar o Sermão da Montanha com os dogmas de sua igreja, e o espírito que nele respira, com os princípios que animam esta civilização cristã e governam sua própria vida; e então poderá julgar por si mesmo até que ponto a religião de Jesus entra em seu cristianismo, e até que ponto, portanto, ele e os teosofistas estão de acordo.

Mas os cristãos professos, especialmente o clero, recuam diante de fazer essa comparação.

Como mercadores que temem se ver falidos, parecem recear a descoberta de uma discrepância em seus registros que não pudesse ser sanada pela colocação de ativos materiais como compensação por passivos espirituais.

A comparação entre os ensinamentos de Jesus e as doutrinas das igrejas tem, no entanto, sido feita com frequência — e muitas vezes com grande erudição e perspicácia crítica — tanto por aqueles que aboliriam o cristianismo quanto por aqueles que o reformariam; e o resultado agregado dessas comparações, como Vossa Graça deve estar bem ciente, tende a provar que em quase todos os pontos as doutrinas das igrejas e as práticas dos cristãos estão em oposição direta aos ensinamentos de Jesus.

Estamos acostumados a dizer ao budista, ao maometano, ao hindu ou ao parsi: "O caminho para a Teosofia reside, para vós, em vossa própria religião." Dizemos isso porque esses credos possuem um significado profundamente filosófico e esotérico, que explica as alegorias sob as quais são apresentados ao povo; mas não podemos

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dizer o mesmo aos cristãos.

Os sucessores dos Apóstolos nunca registraram a doutrina secreta de Jesus — os "mistérios do reino dos céus" — que foi dado a eles (seus apóstolos) somente conhecer. Estes foram suprimidos, eliminados, destruídos.

O que desceu pela corrente do tempo são as máximas, as parábolas, as alegorias e as fábulas que Jesus expressamente destinou aos espiritualmente surdos e cegos, para serem reveladas mais tarde ao mundo, e que o cristianismo moderno ou toma tudo literalmente, ou interpreta segundo as fantasias dos Padres da igreja secular.

Em ambos os casos, são como flores cortadas: estão separadas da planta em que cresceram, e da raiz da qual essa planta extraiu sua vida.

Se, portanto, encorajássemos os cristãos, como fazemos com os devotos de outros credos, a estudar sua própria religião por si mesmos, a consequência seria, não um conhecimento do significado de seus mistérios, mas ou o renascimento da superstição e intolerância medievais, acompanhado por uma formidável irrupção de mera oração labial e pregação — tal como resultou na formação das 239 seitas protestantes somente na Inglaterra — ou então um grande aumento do ceticismo, pois o cristianismo não tem fundamento esotérico conhecido por aqueles que o professam. Pois até vós, meu Senhor Primaz da Inglaterra, deveis estar dolorosamente ciente de que não sabeis absolutamente mais nada daqueles "mistérios do reino dos céus" que Jesus ensinou a seus discípulos, do que sabe o mais humilde e iletrado membro de vossa igreja.

É facilmente compreensível, portanto, que os teósofos não tenham nada a dizer contra a política da Igreja Católica Romana em proibir, ou das igrejas protestantes em desencorajar, qualquer investigação privada desse tipo sobre o significado dos dogmas "cristãos" que corresponderia ao estudo esotérico de outras religiões.

Com suas atuais ideias e conhecimento, os cristãos professos não estão preparados para empreender um exame crítico de sua fé, com a promessa de bons resultados.

Seu efeito inevitável seria

––––––––––      Marcos, iv, 11; Mateus, xiii, 11; Lucas, viii, 10. –––––––––– paralisar em vez de estimular seus sentimentos religiosos adormecidos; pois a crítica bíblica e a mitologia comparada provaram conclusivamente — para aqueles, ao menos, que não têm interesses adquiridos, espirituais ou temporais, na manutenção da ortodoxia — que a religião cristã, como agora existe, é composta das cascas do judaísmo, dos fragmentos do paganismo e dos restos mal digeridos do gnosticismo e do neoplatonismo.


Esse curioso conglomerado, que gradualmente se formou em torno dos ditos registrados (?) de Jesus, após o lapso dos séculos, começou agora a se desintegrar e a desmoronar-se das puras e preciosas gemas da verdade teosófica que por tanto tempo sobrepôs e ocultou, mas não pôde desfigurar nem destruir.

A Teosofia não apenas resgata essas joias preciosas do destino que ameaça o entulho no qual estiveram por tanto tempo embutidas, mas salva o próprio entulho da condenação total; pois ela mostra que o resultado da crítica bíblica está longe de ser a análise final do Cristianismo, visto que cada uma das peças que compõem os curiosos mosaicos das Igrejas pertenceu outrora a uma religião que possuía um significado esotérico.

É somente quando essas peças são restauradas aos lugares que originalmente ocupavam que seu significado oculto pode ser percebido, e o verdadeiro sentido dos dogmas do Cristianismo compreendido.

Para fazer tudo isso, porém, é necessário um conhecimento da Doutrina Secreta tal como existe no fundamento esotérico de outras religiões; e esse conhecimento não está nas mãos do Clero, pois a Igreja escondeu, e desde então perdeu, as chaves.

Vossa Graça compreenderá agora por que a Sociedade Teosófica adotou como um de seus três "objetivos" o estudo daquelas religiões e filosofias orientais, que lançam tal torrente de luz sobre o significado interior do Cristianismo; e esperamos que perceba também que, ao assim proceder, agimos não como inimigos, mas como amigos da religião ensinada por Jesus — do verdadeiro Cristianismo, na verdade.

Pois é somente através do estudo dessas religiões e filosofias que os cristãos poderão jamais chegar a uma compreensão de suas próprias crenças, ou ver o significado oculto das parábolas e

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alegorias que o Nazareno contou aos aleijados espirituais da Judeia, e que, ao tomá-las, seja como questões de fato ou como questões de fantasia, as Igrejas trouxeram os próprios ensinamentos ao ridículo e ao desprezo, e o Cristianismo a sério perigo de colapso completo, minado como está pela crítica histórica e pela pesquisa mitológica, além de quebrado pela marreta da ciência moderna.

Deveriam então os próprios Teosofistas ser considerados pelos cristãos como seus inimigos, porque creem que o Cristianismo ortodoxo é, no todo, oposto à religião de Jesus; e porque têm a coragem de dizer às Igrejas que são traidoras do MESTRE que professam reverenciar e servir? Longe disso, de fato.

Os Teosofistas sabem que o mesmo espírito que animou as palavras de Jesus jaz latente nos corações dos cristãos, assim como naturalmente jaz no coração de todos os homens.

Seu princípio fundamental é a Irmandade do Homem, cuja realização última só é possível por meio daquilo que era conhecido muito antes dos dias de Jesus como "o espírito de Cristo". Esse espírito está, mesmo agora, potencialmente presente em todos os homens, e será desenvolvido em atividade quando os seres humanos não forem mais impedidos de compreender, apreciar e simpatizar uns com os outros pelas barreiras de contenda e ódio erguidas por sacerdotes e príncipes.

Sabemos que os cristãos, em suas vidas, frequentemente se elevam acima do nível de seu cristianismo.

Todas as Igrejas contêm muitos homens e mulheres nobres, abnegados e virtuosos, ansiosos por fazer o bem em sua geração, segundo suas luzes e oportunidades, e cheios de aspirações a coisas mais elevadas do que as da terra — seguidores de Jesus, apesar de seu cristianismo.

Por tais pessoas, os Teosofistas sentem a mais profunda simpatia; pois somente um Teosofista, ou então uma pessoa da delicada sensibilidade e grande erudição teológica de Vossa Graça, pode justamente avaliar as tremendas dificuldades com as quais a tenra planta da piedade natural tem de lutar, ao forçar suas raízes no solo inclemente de nossa civilização cristã, e ao tentar florescer na atmosfera fria e árida da teologia.

Quão difícil, por exemplo, não deve ser "amar" um Deus como aquele retratado em uma conhecida passagem de Herbert Spencer: A crueldade de um deus fijiano que, representado como devorando as almas dos mortos, pode-se supor que inflija tortura durante o processo, é pequena comparada à crueldade de um deus que condena os homens a torturas que são eternas.


. . . . . A imposição sobre os descendentes de Adão, através de centenas de gerações, de terríveis penalidades por uma pequena transgressão que eles não cometeram; a condenação de todos os homens que não se valem de um suposto modo de obter perdão, do qual a maioria dos homens nunca ouviu falar; e a efetivação de uma reconciliação pelo sacrifício de um filho perfeitamente inocente, para satisfazer a suposta necessidade de uma vítima propiciatória; são modos de ação que, atribuídos a um governante humano, provocariam expressões de abominação.

. . . Vossa Graça dirá, sem dúvida, que Jesus nunca ensinou a adoração de um deus como esse.

Assim também dizemos nós, Teosofistas.

Contudo, esse é exatamente o deus cujo culto é oficialmente conduzido na Catedral de Canterbury, por vós, meu Senhor Primaz da Inglaterra; e Vossa Graça certamente concordará conosco que deve haver, de fato, uma centelha divina de intuição religiosa nos corações dos homens, que lhes permite resistir tão bem quanto resistem à ação mortal de uma teologia tão venenosa.

Se Vossa Graça, do vosso alto pináculo, lançar os olhos ao redor, contemplareis uma civilização cristã na qual uma batalha frenética e impiedosa de homem contra homem não é apenas a característica distintiva, mas o princípio reconhecido.

É um axioma científico e econômico aceito hoje que todo progresso é alcançado através da luta pela existência e da sobrevivência do mais apto; e os mais aptos a sobreviver nesta civilização cristã não são aqueles que possuem as qualidades reconhecidas pela moralidade de todas as épocas como as melhores — não os generosos, os piedosos, os de nobre coração, os indulgentes, os humildes, os verazes, os honestos e os bondosos — mas aqueles que são mais fortes em egoísmo, em astúcia, em hipocrisia, em força bruta, em falsa pretensão, em inescrupulosidade, em crueldade e em avareza.

Os espirituais e ––––––––––       “Religion: A Retrospect and Prospect,” in the Nineteenth Century, Vol.

XV, No. 83, January 1884. ––––––––––

AO ARCEBISPO DE CANTERBURY

os altruístas são “os fracos”, a quem as “leis” que governam o universo entregam como alimento aos egoístas e materiais — “os fortes”. Que “a força é o direito” é a única conclusão legítima, a última palavra da ética do século XIX, pois o mundo tornou-se um imenso campo de batalha, no qual “os mais aptos” descem como abutres para arrancar os olhos e os corações daqueles que caíram na luta.

A religião põe fim à batalha? As igrejas afugentam os abutres, ou consolam os feridos e os moribundos? A religião não pesa uma pena no mundo atual, quando a vantagem mundana e os prazeres egoístas são colocados no outro prato da balança; e as igrejas são impotentes para revivificar o sentimento religioso entre os homens, porque suas ideias, seu conhecimento, seus métodos e seus argumentos são os da Idade das Trevas.

Meu Senhor Primaz, o vosso cristianismo está quinhentos anos atrasado em relação aos tempos.

Enquanto os homens disputavam se este ou aquele deus era o verdadeiro, ou se a alma ia para este ou aquele lugar após a morte, vós, o clero, compreendíeis a questão e tínheis argumentos à mão para influenciar a opinião — por silogismo ou tortura, conforme o caso pudesse exigir; mas agora é a existência de qualquer ser como Deus, de todo, ou de qualquer tipo de espírito imortal, que é questionada ou negada.

A ciência inventa novas teorias do Universo que, com desdém, ignoram a existência de qualquer deus; moralistas estabelecem teorias de ética e vida social nas quais a não existência de uma vida futura é dada como certa; na física, na psicologia, no direito, na medicina, a única coisa necessária para que qualquer professor tenha direito a uma audiência é que nenhuma referência seja contida em suas ideias, seja a uma Providência, seja a uma alma.

O mundo está sendo rapidamente levado à convicção de que deus é uma concepção mítica, que não tem fundamento nos fatos, nem lugar na Natureza; e que a parte imortal do homem é o sonho tolo de selvagens ignorantes, perpetuado pelas mentiras e truques dos sacerdotes, que colhem uma colheita ao cultivar os medos dos homens de que seu deus mítico torturará suas almas imaginárias por toda a eternidade, em um Inferno fabuloso.

Diante de todas essas coisas, o clero permanece nesta era mudo e impotente.


A única resposta que a Igreja soube dar a tais "objeções" como essas foram o cavalete e a fogueira; e ela não pode usar esse sistema de lógica agora.

É evidente que, se o Deus e a alma ensinados pelas igrejas são entidades imaginárias, então a salvação e a danação cristãs são meras ilusões da mente, produzidas pelo processo hipnótico de afirmação e sugestão em escala magnífica, agindo cumulativamente sobre gerações de "histéricos" brandos. Que resposta tendes a tal teoria da religião cristã, exceto uma repetição de afirmações e sugestões? Que meios tendes de trazer os homens de volta às suas antigas crenças, senão revivendo seus antigos hábitos? "Construí mais igrejas, dizei mais orações, estabelecei mais missões, e vossa fé na danação e na salvação será revivida, e uma renovada crença em Deus e na alma será o resultado necessário." Essa é a política das igrejas, e sua única resposta ao agnosticismo e ao materialismo.

Mas Vossa Graça deve saber que enfrentar os ataques da ciência e da crítica modernas com armas como a afirmação e o hábito é como avançar contra armas de repetição, armado com bumerangues e escudos de couro.

Contudo, enquanto o progresso das ideias e o aumento do conhecimento minam a teologia popular, cada descoberta da ciência, cada nova concepção do pensamento avançado europeu, aproxima a mente do século XIX das ideias do Divino e do Espiritual, conhecidas por todas as religiões esotéricas e pela Teosofia.

A Igreja afirma que o Cristianismo é a única religião verdadeira, e essa afirmação envolve duas proposições distintas, a saber: que o Cristianismo é a religião verdadeira, e que não existe religião verdadeira exceto o Cristianismo.

Nunca parece ocorrer aos cristãos que Deus e o Espírito poderiam possivelmente existir em qualquer outra forma além daquela sob a qual são apresentados nas doutrinas de sua igreja.

O selvagem chama o missionário de Ateu, porque ele não carrega um ídolo em seu baú; e o missionário, por sua vez, chama de Ateu todo aquele que não carrega um fetiche em sua mente; e nem o selvagem nem o cristão jamais

AO ARCEBISPO DE CANTERBURY

parecem suspeitar que possa haver uma ideia mais elevada do que a sua própria acerca do grande poder oculto que governa o Universo, à qual o nome de "Deus" é muito mais aplicável.

É duvidoso se as igrejas se esforçam mais para provar que o Cristianismo é "verdadeiro", ou para provar que qualquer outro tipo de religião é necessariamente "falso"; e as consequências malignas disso, do seu ensino, são terríveis.

Quando as pessoas descartam o dogma, imaginam que também descartaram o sentimento religioso, e concluem que a religião é uma superfluidade na vida humana — uma oferenda às nuvens de coisas que pertencem à terra, um desperdício de energia que poderia ser mais proveitosamente empregado na luta pela existência.

O materialismo desta era é, portanto, a consequência direta da doutrina cristã de que não há poder regente no Universo, e nenhum Espírito imortal no homem, exceto aqueles dados a conhecer nos dogmas cristãos.

O Ateu, meu Senhor Primaz, é o filho bastardo da Igreja.

Mas isto não é tudo.

As igrejas nunca ensinaram aos homens qualquer outra razão, ou mais elevada, para serem justos, bondosos e verdadeiros, senão a esperança de recompensa e o medo de punição; e quando eles abandonam sua crença na caprichosa divina e na injustiça divina, os fundamentos de sua moralidade são minados.

Eles nem sequer têm moralidade natural em que possam conscientemente se apoiar, pois o cristianismo os ensinou a considerá-la sem valor, devido à depravação natural do homem.

Portanto, o interesse próprio torna-se o único motivo para a conduta, e o medo de ser descoberto, o único freio ao vício.

E assim, tanto no que diz respeito à moralidade quanto a Deus e à alma, o cristianismo empurra os homens para fora do caminho que conduz ao conhecimento e os precipita no abismo da incredulidade, do pessimismo e do vício.

O último lugar onde os homens procurariam agora ajuda para os males e misérias da vida é a Igreja, porque sabem que a construção de igrejas e a repetição de ladainhas não influenciam nem os poderes da Natureza nem os conselhos das nações; porque sentem instintivamente que, quando as igrejas aceitaram o princípio da conveniência, perderam o poder de mover os corações dos homens, e agora só podem atuar no plano externo, como apoiadoras do policial e do político.


A função da religião é confortar e encorajar a humanidade em sua luta vitalícia contra o pecado e a dor.

Isso ela só pode fazer apresentando à humanidade nobres ideais de uma existência mais feliz após a morte e de uma vida mais digna na terra, a serem conquistados em ambos os casos por esforço consciente.

O que o mundo agora quer é uma Igreja que lhe fale da Divindade, ou do princípio imortal no homem, que esteja ao menos em um nível compatível com as ideias e o conhecimento dos tempos.

O cristianismo dogmático não é adequado para um mundo que raciocina e pensa, e somente aqueles que conseguem se lançar em um estado de espírito medieval podem apreciar uma Igreja cuja função religiosa (distinta de sua função social e política) é manter Deus de bom humor enquanto os leigos fazem o que acreditam que Ele não aprova; rezar por mudanças no clima; e, ocasionalmente, agradecer ao Todo-Poderoso por ajudar a massacrar o inimigo.

Não são "curandeiros", mas guias espirituais que o mundo procura hoje — um "clero" que lhe dará ideais tão adequados ao intelecto deste século quanto o Céu e o Inferno cristãos, Deus e o Diabo, o foram para as eras de ignorância e superstição sombrias.

Será que o clero cristão cumpre, ou pode cumprir, essa exigência? A miséria, o crime, o vício, o egoísmo, a brutalidade, a falta de respeito próprio e de autocontrole que marcam nossa civilização moderna unem suas vozes em um clamor tremendo e respondem—NÃO! Qual é o significado da reação contra o materialismo, cujos sinais enchem o ar hoje? Significa que o mundo está mortalmente cansado do dogmatismo, da arrogância, da autossuficiência e da cegueira espiritual da ciência moderna—dessa mesma Ciência Moderna que os homens, ontem ainda, saudavam como sua libertadora do fanatismo religioso e da superstição cristã, mas que, como o Diabo das lendas monásticas, exige, como preço de seus serviços, o sacrifício da alma imortal do homem.

E enquanto isso, o que estão fazendo as Igrejas? As Igrejas dormem o doce sono dos dotes, da influência social e política, enquanto o mundo, a carne e o

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diabo estão se apropriando de seus lemas, seus milagres, seus argumentos e sua fé cega.

Os Espiritualistas—ó! Igrejas de Cristo—roubaram o fogo de vossos altares para iluminar suas salas de sessão; os Exército de Salvação tomaram vosso vinho sacramental e se embriagam espiritualmente nas ruas; o Infiel roubou as armas com que outrora o vencestes e triunfantemente vos diz que "O que avançais já foi dito muitas vezes antes." Teve alguma vez o clero uma oportunidade tão esplêndida? As uvas na vinha estão maduras, necessitando apenas dos trabalhadores certos para colhê-las.

Se déssemos ao mundo alguma prova, no nível do padrão intelectual atual de probabilidade, de que a Divindade—o Espírito imortal no homem—tem existência real como fatos na Natureza, não vos saudariam os homens como seus salvadores do pessimismo e do desespero, do pensamento enlouquecedor e brutalizante de que não há outro destino para o homem senão um vazio eterno, após poucos anos curtos de amargo trabalho e tristeza?—sim; como seus salvadores da luta apavorada pela fruição material e pelo avanço mundano, que é a consequência direta de acreditar que esta vida mortal é o fim último e o propósito de toda a existência? Mas as Igrejas não têm nem o conhecimento nem a fé necessários para salvar o mundo, e talvez vossa Igreja, meu Senhor Primaz, menos que todas, com a pedra de moinho de 8.000.000 por ano pendurada em seu pescoço.

Em vão tentais aliviar o navio lançando ao mar o lastro de doutrinas que vossos antepassados consideravam vitais para o cristianismo.

O que mais pode fazer agora a vossa Igreja, senão correr diante da tempestade com os mastros desnudos, enquanto o clero se esforça fracamente para vedar com massa os vazamentos escancarados mediante a "versão revisada", e, pelo seu peso morto social e político, tenta impedir que o navio vire e que a sua carga de dogmas e dotações vá ao fundo? Quem construiu a Catedral de Canterbury, meu Senhor Primaz? Quem inventou e deu vida à grande organização eclesiástica que torna possível um Arcebispo de Canterbury? Quem lançou o fundamento do vasto sistema de tributação religiosa que vos dá 15.000 libras por ano e um palácio? Quem instituiu as formas e cerimônias, as orações e ladainhas que, ligeiramente alteradas e despojadas de arte e ornamento, constituem a liturgia da Igreja da Inglaterra? Quem arrancou do povo os orgulhosos títulos de "reverendo divino" e "Homem de Deus" que o clero da vossa Igreja tão confiantemente assume? Quem, senão a Igreja de Roma! Não falamos em espírito de inimizade.


A Teosofia tem visto a ascensão e queda de muitas fés, e estará presente no nascimento e morte de muitas outras.

Sabemos que as vidas das religiões estão sujeitas à lei.

Se herdastes legitimamente da Igreja de Roma, ou obtivestes pela violência, deixamos que resolvais com vossos inimigos e com vossa consciência; pois a atitude mental para com a vossa Igreja é determinada pelo seu valor intrínseco.

Sabemos que, se ela for incapaz de cumprir a verdadeira função espiritual de uma religião, certamente será varrida, ainda que a culpa resida antes nas suas tendências hereditárias, ou nos seus ambientes, do que em si mesma.

A Igreja da Inglaterra, para usar uma símile caseira, é como um trem que corre pelo impulso que adquiriu antes de o vapor ser cortado.

Quando deixou a via principal, entrou num desvio que não leva a lugar nenhum.

O trem quase parou, e muitos dos passageiros o deixaram por outros meios de transporte.

Os que permanecem, em sua maioria, estão cientes de que dependeram o tempo todo do pouco vapor que restava na caldeira quando os fogos de Roma foram retirados de debaixo dela. Suspeitam que talvez estejam apenas brincando de trem agora; mas o maquinista continua soprando o apito, e o guarda dá a volta para examinar as passagens, e os freios fazem barulho, e não é tão mau divertimento, afinal.

Pois as carruagens são quentes e confortáveis e o dia é frio, e enquanto recebem gorjetas, todos os criados da companhia são muito solícitos.

Mas aqueles que sabem para onde querem ir não estão tão satisfeitos.

Durante vários séculos, a Igreja da Inglaterra realizou a difícil façanha de soprar quente e frio em duas direções ao mesmo tempo—dizendo aos Católicos Romanos "Raciocinai!" e aos Céticos "Crede!" Foi ajustando a força do seu sopro de duas faces que ela conseguiu manter-se por tanto tempo sem cair da cerca.

AO ARCEBISPO DE CANTERBURY

Mas agora a própria cerca está cedendo.

Desendowment e desestabelecimento estão no ar.

E o que a vossa Igreja alega em seu próprio favor? A sua utilidade.

É útil ter um número de homens educados, morais e desapegados do mundo, espalhados por todo o país, que impedem o mundo de esquecer por completo o nome da religião, e que atuam como centros de trabalho benevolente.

Mas a questão agora não é mais a de repetir orações e dar esmolas aos pobres, como era há quinhentos anos.

O povo atingiu a maioridade e tomou em suas próprias mãos o seu pensamento e a direção dos seus assuntos sociais, privados e até espirituais, pois descobriu que o seu clero não sabe mais sobre "as coisas do Céu" do que eles próprios.

Mas a Igreja da Inglaterra, diz-se, tornou-se tão liberal que todos deveriam apoiá-la. De fato, pode-se assistir a uma excelente imitação da missa, ou sentar-se sob um virtual Unitarista, e ainda assim permanecer dentro do seu rebanho.

Essa bela tolerância, no entanto, significa apenas que a Igreja achou necessário transformar-se num campo comum e aberto, onde cada um pode montar a sua própria barraca e dar a sua performance especial, desde que se una à defesa dos bens eclesiásticos.

Tolerância e liberalidade são contrárias às leis da existência de qualquer igreja que acredite na danação divina, e o seu aparecimento na Igreja da Inglaterra não é sinal de vida renovada, mas de desintegração iminente.

Não menos enganosa é a energia demonstrada pela Igreja na construção de templos.

Se isso fosse uma medida de religião, que época piedosa esta seria! Nunca antes o dogma foi tão bem alojado, embora seres humanos possam ter de dormir aos milhares nas ruas, e literalmente morrer de fome à sombra das nossas majestosas catedrais, construídas em nome Daquele que não tinha onde reclinar a cabeça.

Mas teria Jesus vos dito, Vossa Graça, que a religião não reside nos corações dos homens, mas em templos feitos por mãos humanas? Não podeis converter vossa piedade em pedra e usá-la em vossas vidas; e a história mostra que a petrificação do sentimento religioso é uma doença tão mortal quanto a ossificação do coração.

Ainda que as igrejas fossem multiplicadas cem vezes, e que cada clérigo se tornasse um centro de filantropia, isso apenas substituiria a obra que os pobres requerem de seus semelhantes, mas não de seus mestres espirituais, por aquilo que eles pedem e não podem obter.


Isso apenas traria à maior evidência a esterilidade espiritual das doutrinas da Igreja.

Aproxima-se o tempo em que o clero será chamado a prestar contas de sua mordomia.

Estais preparado, meu Senhor Primaz, para explicar ao VOSSO SENHOR por que destes a Seus filhos pedras, quando eles clamaram a vós por pão? Sorris em vossa suposta segurança.

Os servos têm celebrado tão longamente o grande festim nas câmaras interiores da casa do Senhor, que pensam que Ele certamente jamais retornará.

Mas Ele vos disse que viria como um ladrão na noite; e eis que Ele já vem nos corações dos homens.

Ele vem para tomar posse do reino de Seu Pai ali, onde somente Seu reino está. Mas vós não O conheceis! Se as próprias Igrejas não fossem arrastadas pela inundação de negação e materialismo que engolfou a Sociedade, elas reconheceriam o germe que cresce rapidamente do espírito de Cristo nos corações de milhares, a quem agora rotulam de infiéis e loucos.

Elas reconheceriam ali o mesmo espírito de amor, de autossacrifício, de imensa piedade pela ignorância, pela loucura e pelos sofrimentos do mundo, que apareceu em sua pureza no coração de Jesus, como aparecera nos corações de outros Santos Reformadores em outras eras; e que é a luz de toda religião verdadeira, e a lâmpada pela qual os teosofistas de todos os tempos se esforçaram por guiar seus passos ao longo do caminho estreito que conduz à salvação—o caminho que é trilhado por toda encarnação do CHRISTOS ou do ESPÍRITO DA VERDADE.

E agora, meu Senhor Primaz, apresentamos-vos muito respeitosamente os principais pontos de diferença e desacordo entre a Teosofia e as Igrejas Cristãs, e vos falamos da unidade da Teosofia e dos ensinamentos de Jesus.

Ouvistes nossa profissão de fé e aprendestes as queixas e lamentos que depositamos à porta do Cristianismo dogmático.

Nós, um punhado de indivíduos humildes, despossuídos de riquezas ou influência mundana, mas fortes em nosso conhecimento, unimo-nos

AO ARCEBISPO DE CANTERBURY na esperança de realizar a obra que dizeis que vosso MESTRE vos designou, mas que é tão tristemente negligenciada por esse colosso rico e dominador — a Igreja Cristã.

Chamareis isto de presunção, perguntamos? Ousareis, nesta terra de opinião livre, palavra livre e esforço livre, conceder-nos nenhum outro reconhecimento senão o anátema habitual, que a Igreja reserva ao reformador? Ou podemos esperar que as amargas lições da experiência, que essa política tem proporcionado às Igrejas no passado, tenham alterado os corações e esclarecido os entendimentos de seus governantes; e que o próximo ano, 1888, testemunhe o estender-se a nós da mão dos cristãos em confraternização e boa vontade? Isso seria apenas um justo reconhecimento de que o corpo relativamente pequeno chamado Sociedade Teosófica não é pioneiro do Anticristo, nem prole do Maligno, mas o auxiliar prático, talvez o salvador, do Cristianismo, e que está apenas se esforçando para realizar a obra que Jesus, como Buda, e os outros "filhos de Deus" que o precederam, ordenou a todos os seus seguidores que empreendessem, mas que as Igrejas, tendo-se tornado dogmáticas, são inteiramente incapazes de realizar.

E agora, se Vossa Graça puder provar que fazemos injustiça à Igreja da qual sois o Chefe, ou à Teologia popular, prometemos reconhecer nosso erro publicamente.

Mas — "O SILÊNCIO DÁ CONSENTIMENTO."                    Escritos Reunidos VOLUME VIII                                       Dezembro, "DEUS FALA POR LEI E ORDEM"                           [Lucifer, Vol.


1, No. 4, Dezembro, 1887, pp. 292-295]

INTRODUÇÃO

Pede-se aos leitores do curioso artigo que se segue que lembrem que os autores dos artigos assinados em Lucifer, e não os editores, são responsáveis por seu conteúdo.

As opiniões do Capitão Serjeant despertam muito interesse entre um grande número de pessoas sinceras, que usam formas e fraseologia bíblicas para imaginar as coisas ocultas da natureza e do espírito — coisas que nós, os editores, e também a grande maioria dos Teosofistas, acreditamos serem mais claramente transmitidas sob o simbolismo da antiga Religião da Sabedoria do Oriente, e melhor expressas em sua terminologia.

O artigo é uma tentativa de explicar o significado de uma formação de nuvens muito curiosa, observada por muitas pessoas na Escócia, no dia 16 de setembro passado, cujo esboço apareceu no St. Stephen's Review no dia 24 do mesmo mês.

No centro do esboço aparece uma vista lateral do Leão Britânico rampante, com a pata sobre a cabeça de um homem barbado, que guarda considerável semelhança com o Sr. Parnell; à direita do Leão há uma excelente semelhança de Sua Majestade, coroada, como na moeda do Jubileu, e sorrindo de forma muito natural; e à esquerda da imagem há uma harpa irlandesa.

A aparição, pelo testemunho de muitas testemunhas, deve ter sido notavelmente perfeita e impressionante.

Formações de nuvens de tipo semelhante foram registradas muitas vezes na história, e geralmente estão ligadas, na mente do público, a algum importante evento político.

A Cruz de Constantino, sem dúvida, virá à mente dos leitores, mas a espada e o crescente invertido, que todos viram no céu quando os turcos foram expulsos de Viena, podem ser menos conhecidos; como também os cardos invertidos, com o contorno de um escocês, armado com claymore e targe, caindo para trás, que foi observado nas nuvens pelo Rei e

DEUS FALA POR LEI E ORDEM

pela Corte em Windsor, na noite anterior à batalha de Culloden. A questão de que interpretação deve ser dada a notáveis aparições nas nuvens é de pouco interesse para qualquer um que acredite que tais fenômenos são meramente arranjos acidentais dos vapores aquosos da atmosfera, impelidos por correntes de ar.

À parte, no entanto, da consideração óbvia de que essa maneira de encarar o fenômeno apenas levanta a questão adicional do que faz as correntes de ar seguirem esses caminhos particulares, pode-se dizer com segurança que as chances são de milhões de milhões de milhões para um, contra o aparecimento nas nuvens de qualquer imagem tão perfeita e completa de pessoas e emblemas conhecidos, como as que foram vistas na Escócia no dia 16 de setembro.

É claro que se pode argumentar, por outro lado, que as nuvens estão para sempre se formando e se reformando de milhões de milhões de milhões de maneiras diferentes, e que as chances matemáticas são de que uma dessas maneiras ocasionalmente representará uma cena terrestre.

Mas mesmo que se considere que o número infinito de contínuas permutações e transformações da substância das nuvens explique o aparecimento ocasional de alguma imagem gráfica de coisas humanas, isso não explica de forma alguma por que essas raras imagens, quando ocorrem, deveriam ser símbolos perfeitos e apropriados; tampouco explica seu aparecimento no momento particular em que os eventos extraordinários, aos quais são apropriadas, estão ocorrendo ou prestes a ocorrer.

O fenômeno de vapores e fumaças assumindo a forma de pessoas e coisas é um dos fatos mais antigos e bem acreditados na magia, e essas aparições nas nuvens, se forem vistas como tendo qualquer significado, são meramente instâncias de uma ação similar em grande escala produzida por alguma força consciente ou inconsciente na natureza.

Se for permitido, no entanto, que a assunção ocasional por vapores das formas e semelhanças de coisas terrestres não é um “concurso fortuito de átomos”, mas ocorre de acordo com alguma lei obscura da natureza que em si mesma é o resultado da interação mútua e interdependência de tudo no Universo, a questão importante ainda permanece — se essas aparições, quando ocorrem, são “intencionadas” como avisos ou presságios? Deve-se considerar que o leão, a harpa, Sua Majestade e o Sr. Parnell, da imagem escocesa nas nuvens, tenham mais significado nos assuntos da nação, ou do mundo em geral, do que se pode supor que fenômenos químicos pressagiem distúrbios ou regozijos no mundo da natureza? Responder a essa pergunta envolveria considerações que apenas um Ocultista avançado seria capaz de compreender; então diremos apenas que, embora existam símbolos naturais que carregam em si um significado definido para aqueles que podem ler essa linguagem secreta, os símbolos são geralmente significativos na proporção em que as próprias pessoas atribuem um significado a eles.

Um triângulo ou um cubo não é nada além de um triângulo ou um cubo para um caipira, mas para um Ocultista eles contêm a filosofia do Universo.

Mesmo assim, o Capitão Serjeant, “o Novo Dispensacionalista” e Teosofista, pode colocar o significado que quiser nesta ou em qualquer outra representação simbólica.

––––––––––      [Travada em 16 de abril de 1738, perto de Inverness, Escócia, quando os jacobitas foram totalmente derrotados pelo Duque de Cumberland. Este foi o último esforço dos Stuarts para recuperar o trono.—Compilador.] ––––––––––

Não concordamos inteiramente com seus métodos ou resultados no caso em questão, mas as conclusões que ele extrai são as mesmas a que chegam atualmente muitas mentes que seguem caminhos muito diferentes; e essas conclusões podem ser resumidas dizendo que grandes mudanças se aproximam, tanto na vida temporal quanto na espiritual da humanidade, e que essas mudanças resultarão em coisas melhores e ideias mais nobres.

Obras Completas, VOLUME VIII                                            Dezembro,

RESPOSTAS A PERGUNTAS                                [Lucifer, Vol.

I, No. 4, dezembro de 1887, pp. 325-328]

Um Correspondente de Nova York escreve:

. . . . Os Editores de Lucifer confeririam um grande benefício àqueles que são atraídos pelo movimento que defendem, se declarassem:

(1.) É exigido de um aspirante a teosofista-ocultista que abandone seus laços e deveres mundanos, tais como afeição familiar, amor aos pais, esposa, filhos, amigos, etc.?

Faço esta pergunta porque aqui se rumora que algumas publicações teosóficas assim o afirmaram, e gostaria de saber se tal condição sine qua non realmente existe em suas Regras? O mesmo, no entanto, encontra-se no Novo Testamento.

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim, etc., etc.”, diz-se em Mateus (x, 37). Os MESTRES da Teosofia exigem tanto?                                                                                     Seu na Busca da Luz.

L. M. C.

Esta é uma questão antiga, antiquíssima, e uma acusação ainda mais antiga contra a teosofia, iniciada primeiramente por seus inimigos.

Respondemos enfaticamente: NÃO; acrescentando que nenhuma publicação teosófica poderia ter-se tornado culpada de tal FALSIDADE e calúnia.

Nenhum seguidor da teosofia, menos ainda um discípulo dos “Mestres da Teosofia” (o chela de um guru), seria jamais aceito sob tais condições.

Muitos foram os candidatos, mas “poucos os escolhidos”. Dezenas foram recusados, simplesmente por serem casados

RESPOSTAS A PERGUNTAS

e tendo um dever sagrado a cumprir para com a esposa e os filhos. Nunca se pediu a ninguém que abandonasse pai ou mãe; pois aquele que, sendo necessário a seu progenitor para seu sustento, o deixa para gratificar sua própria consideração egoísta ou sede de conhecimento, por mais grande e sincera que seja, é "indigno" da Ciência das Ciências, "ou de jamais se aproximar de um santo MESTRE". Nosso correspondente deve certamente ter confundido em sua mente a Teosofia com o Catolicismo Romano, e o Ocultismo com os ensinamentos da letra morta da Bíblia.

Pois é somente na Igreja Latina que se tornou uma ação meritória, que se chama servir a Deus e a Cristo, "abandonar pai e mãe, esposa e filhos", e todo dever de um homem honesto e cidadão, para se tornar monge.

E é no Evangelho de São Lucas que se lê as terríveis palavras, postas na boca de Jesus: "Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai, e mãe, e esposa, e filhos, e irmãos, e irmãs, e até a sua própria vida, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO." (xiv, 26.) Santo (?) Jerônimo ensina, em um de seus escritos: "Se teu pai se deita através de tua soleira, se tua mãe descobre aos teus olhos o seio que te amamentou, pisa sobre o corpo sem vida de teu pai, PISA SOBRE O SEIO DE TUA MÃE, e com olhos não umedecidos e secos, foge para o Senhor, que te chama!" Certamente, então, não é de nenhuma publicação teosófica que nosso correspondente poderia ter aprendido tão infame acusação contra a teosofia e seus MESTRES—mas sim de algum jornal anticristão, ou demasiadamente dogmaticamente "cristão".

Nossa sociedade nunca foi "mais católica que o Papa". Fez o seu melhor para seguir o caminho prescrito pelos Mestres; e se falhou em mais de

––––––––––       Conhecemos apenas dois casos de "chelas" casados que foram aceitos; mas ambos eram brâmanes e tinham esposas-crianças, segundo o costume hindu, e eram mais Reformadores do que chelas, tentando abolir o casamento infantil e a escravidão.

Outros tiveram que obter o consentimento de suas esposas antes de entrar no "Caminho", como é usual na Índia desde tempos imemoriais.

–––––––––– um aspecto para cumprir sua árdua tarefa, a culpa certamente não deve ser lançada sobre a Teosofia, ou seus Mestres, mas sobre as limitações da natureza humana.


As Regras, no entanto, do chela, ou discipulado, estão lá, em muitos volumes em sânscrito e tibetano.

No Livro IV de Kiu-ti, no capítulo sobre "as Leis dos Upasans" (discípulos), as qualificações esperadas em um "chela regular" são: "(1.) Perfeita saúde física. (2.) Pureza mental e física absoluta. (3.) Desapego de propósito; caridade universal; compaixão por todos os seres animados. (4.) Veracidade e fé inabalável nas leis do Karma. (5.) Coragem intrépida no apoio à verdade, mesmo diante de perigo à vida. (6.) Percepção intuitiva de ser o veículo do Atman divino manifestado (espírito). (7.) Indiferença calma, mas justa apreciação de tudo o que constitui o mundo objetivo e transitório. (8.) Bênçãos de ambos os pais e sua permissão para se tornar um Upasana (chela); e (9.) Celibato e liberdade de qualquer dever obrigatório." As duas últimas regras são aplicadas com rigor máximo.

Nenhum homem condenado por desrespeito ao pai ou à mãe, ou abandono injusto da esposa, pode jamais ser aceito nem mesmo como chela leigo.

Isso é suficiente, espera-se.

Ouvimos falar de chelas que, tendo falhado, talvez em consequência da negligência de algum desses deveres, por uma razão ou outra, invariavelmente lançaram a culpa e a responsabilidade sobre o ensinamento dos Mestres.

Isso é natural em pobres e fracos seres humanos que não têm sequer a coragem de reconhecer os próprios erros, ou a rara nobreza de confessá-los publicamente, mas estão sempre tentando encontrar um bode expiatório.

A esses nós compadecemos e deixamos à Lei de Retribuição, ou Karma.

Não é dessas criaturas fracas que se pode esperar que obtenham o melhor do inimigo descrito pelo sábio Kirātārjunīya de Bhāravi:

–––––––––– Esta regra I se aplica apenas aos "chelas do templo", que devem ser perfeitos. Ou um, se o outro estiver morto.

––––––––––

RESPOSTAS A PERGUNTAS

"Os inimigos que surgem dentro do corpo, Difíceis de serem vencidos — as paixões malignas — Devem ser combatidos varonilmente; quem as conquista É igual ao conquistador de mundos." (xi, 32.) —ED.

Recebemos várias comunicações para publicação, versando sobre os assuntos discutidos no editorial de nosso último número, "Que cada homem prove a sua própria obra". Algumas breves observações podem ser feitas, não em resposta a quaisquer das cartas — que, sendo anônimas e não contendo cartão dos autores, não podem ser publicadas (nem são tais cartas consideradas, como regra geral) — mas às ideias e acusações contidas em uma delas, uma carta assinada "M". Seu autor assume a defesa da Igreja.

Ele objeta à afirmação de que essa instituição carece do esclarecimento necessário para levar a cabo um verdadeiro sistema de filantropia.

Ele parece, também, discordar da visão de que "as pessoas práticas ou continuam fazendo o bem sem intenção e frequentemente fazem 'mal'", e aponta para os trabalhadores em nossos bairros degradados como uma vindicação do Cristianismo — que, aliás, não foi de modo algum atacado no editorial tão criticado.

A isso, repetindo o que foi dito, sustentamos que mais dano tem sido causado pela caridade emocional do que os sentimentalistas querem enfrentar.

Qualquer estudante de economia política está familiarizado com esse fato, que passa por truísmo para todos aqueles que dedicaram atenção ao problema.

Nenhum sentimento mais nobre do que aquele que anima o filantropo altruísta é concebível; mas a questão em pauta não se resume ao reconhecimento dessa verdade.

Os resultados práticos de seus labores têm de ser examinados.

Temos de ver se ele não semeia as sementes de um mal maior — enquanto alivia um mal menor.

––––––––––      [Embora Mabel Collins fosse Coeditora de Lucifer com H. P. B., é muito provável que "ED." represente a própria H. P. B., devido à natureza desta e da seguinte resposta.—Compilador.] –––––––––– 296                             BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

O fato de que "milhares estão fazendo grandes esforços em todas as cidades de nossa terra" para suprir a necessidade reflete imenso crédito sobre o caráter de tais trabalhadores.

Isso não afeta seu credo, pois tais naturezas permaneceriam as mesmas, quaisquer que fossem os dogmas predominantes. É certamente uma ilustração muito pobre dos frutos de séculos de cristianismo dogmático o fato de a Inglaterra estar tão minada de miséria e pobreza como está — especialmente com base no fundamento bíblico de que uma árvore deve ser julgada pelos seus frutos! Poder-se-ia também argumentar que a história passada das Igrejas, manchada como é por perseguições, supressão do conhecimento, crime e brutalidade, torna necessária a virada de uma nova página.

As dificuldades no caminho são insuperáveis.

O "cristianismo eclesiástico" tem, de fato, feito o seu melhor para acompanhar a época, assimilando os ensinamentos da ciência e fazendo tréguas veladas com ela, mas é incapaz de oferecer um verdadeiro ideal espiritual ao mundo.

O mesmo cristianismo eclesiástico ataca com pertinácia infrutífera a crescente hoste de agnósticos e materialistas, mas é tão absolutamente ignorante quanto estes dos mistérios além do túmulo.

A grande necessidade para a Igreja, segundo o Professor Flint, é manter os líderes do pensamento europeu dentro do seu rebanho.

Por tais homens, no entanto, ela é considerada um anacronismo.

A Igreja está corroída pelo ceticismo dentro de seus próprios muros; clérigos de pensamento livre sendo agora muito comuns.

Esse dreno constante de vitalidade reduziu a verdadeira religião a um nível muito baixo, e é para infundir uma nova corrente de ideias e aspirações no pensamento moderno, em suma, para fornecer uma base lógica para uma moralidade elevada, uma ciência e uma filosofia adequadas ao conhecimento da época, que a Teosofia se apresenta ao mundo.

A mera filantropia física, à parte da infusão de novas influências e concepções nobilitantes da vida nas mentes das massas, é inútil.

Somente a assimilação gradual, pela humanidade, das grandes verdades espirituais revolucionará a face da civilização e, em última instância, resultará em uma panaceia para o mal muito mais eficaz do que o simples remendo da miséria superficial.

Prevenir é melhor do que curar.

Sociedade

RESPOSTAS A PERGUNTAS

cria seus próprios párias, criminosos e devassos, e então condena e pune seus próprios Frankensteins, sentenciando sua própria prole, o "osso do seu osso, e a carne da sua carne", a uma vida de danação na terra.

No entanto, essa sociedade reconhece e impõe da forma mais hipócrita o Cristianismo — isto é, o "igrejismo". Devemos então, ou não, inferir que este último é insuficiente para as exigências da humanidade? Evidentemente o primeiro, e da maneira mais dolorosa e óbvia, em sua forma dogmática atual, que faz da bela ética pregada no Monte um fruto do Mar Morto, um sepulcro caiado, e nada melhor.

Além disso, o mesmo "M.", aludindo a Jesus como alguém a respeito de quem só poderia haver duas alternativas, escreve que ele "ou era o Filho de Deus, ou o mais vil impostor que já pisou nesta terra". Respondemos: de modo algum.

Quer o Jesus do Novo Testamento tenha existido ou não, quer tenha existido como personagem histórico, ou tenha sido simplesmente uma figura simbólica em torno da qual se agruparam as alegorias bíblicas — o Jesus de Nazaré de Mateus e João é o ideal para todo aspirante a sábio e candidato ocidental a teosofista seguir.

Que um tal como ele tenha sido um "Filho de Deus" é tão inegável quanto o fato de que não foi o único "Filho de Deus", nem o primeiro, nem mesmo o último a encerrar a série dos "Filhos de Deus", ou filhos da Sabedoria Divina, nesta terra.

Tampouco é correta aquela outra afirmação de que "em sua vida ele [Jesus] sempre falou de si mesmo como coexistente com Jeová, o Supremo, o Centro do Universo", seja em sua letra morta, seja em seu sentido místico oculto.

Em nenhum lugar Jesus alude a "Jeová"; mas, ao contrário, atacando as leis mosaicas e os supostos Mandamentos dados no Monte Sinai, ele se desconecta de si mesmo e de seu "Pai", de maneira mais distinta e enfática, do Deus tribal do Sinai.

Todo o Capítulo V do Evangelho de Mateus é um protesto apaixonado do "homem de paz, amor e caridade" contra os mandamentos cruéis, severos e egoístas do "homem de guerra", o "Senhor" de Moisés (Êxodo, xv, 3). "Ouvistes que foi dito pelos antigos" — isto e aquilo — "Mas eu vos digo", exatamente o contrário.

Os cristãos que ainda se apegam ao Antigo Testamento e ao Jeová dos israelitas são, na melhor das hipóteses, judeus cismáticos.


Que eles sejam isso, por todos os meios, se assim o desejam; mas não têm o direito de se chamarem sequer de chrestãos, quanto mais de cristãos. É uma grossa injustiça e inverdade afirmar, como faz o nosso correspondente anônimo, que "os livre-pensadores são notoriamente ímpios em suas vidas". Alguns dos mais nobres caráteres, bem como dos mais profundos pensadores da atualidade, adornam as fileiras do Agnosticismo, do Positivismo e do Materialismo.

Estes últimos são os piores inimigos da Teosofia e do Misticismo; mas não é razão para que não se lhes faça estrita justiça.

O Coronel Ingersoll, um materialista declarado e líder do livre-pensamento na América, é reconhecido, mesmo por seus inimigos, como um marido, pai, amigo e cidadão ideal, um dos mais nobres caráteres que honram os Estados Unidos.

O Conde Tolstoi é um livre-pensador que há muito se separou da Igreja ortodoxa; contudo, toda a sua vida é um exemplo de altruísmo e autossacrifício semelhante ao de Cristo.

Quisera Deus que todo "cristão" tomasse esses dois "infiéis" como modelos em sua vida privada e pública.

A munificência de muitos filantropos livre-pensadores contrasta de forma impressionante com a apatia dos dignitários endinheirados da Igreja.

A investida acima contra os "inimigos da Igreja" é tão absurda quanto desprezível.

"O que podeis oferecer à mulher moribunda que teme trilhar sozinha o DESCONHECIDO SOMBRIO?" — somos perguntados.

Nosso crítico cristão aqui confessa francamente (a) que os dogmas cristãos apenas desenvolveram o medo da morte, e (b) o agnosticismo do crente ortodoxo na teologia cristã quanto ao futuro estado pós-morte.

É, de fato, difícil apreciar o tipo peculiar de bem-aventurança que a ortodoxia oferece aos seus crentes — a danação.

O moribundo — o cristão médio — com um retrospecto sombrio na vida dificilmente pode apreciar esse benefício; enquanto o calvinista ou o predestinacionista, que foi criado na –––––––––– Ver "O Caráter Esotérico dos Evangelhos", neste número.

––––––––––

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS

ideia de que Deus pode tê-lo pré-designado desde a eternidade para a miséria perpétua, sem culpa alguma daquele homem, mas simplesmente porque é Deus, está mais do que justificado em considerar este último dez vezes pior do que qualquer demônio ou diabo que a impura fantasia humana pudesse conceber. A Teosofia, ao contrário, ensina que perfeita e absoluta justiça reina na natureza, embora o homem de visão curta falhe em vê-la em seus detalhes no plano material e mesmo psíquico, e que cada homem determina o seu próprio futuro.

O verdadeiro Inferno é a vida na Terra, como efeito da punição cármica que se segue à vida precedente, durante a qual foram produzidas as causas malignas.

O Teosofista não teme inferno algum, mas confiantemente espera descanso e bem-aventurança durante o intervalo entre duas encarnações, como recompensa por todo o sofrimento imerecido que suportou numa existência na qual foi introduzido pelo Karma, e durante a qual ele é, na maioria dos casos, tão desamparado quanto uma folha arrancada e girada pelos ventos conflitantes da vida social e privada.

O suficiente já foi divulgado em várias ocasiões sobre as condições da existência pós-morte, para fornecer um sólido bloco de informações sobre este ponto.

A teologia cristã nada tem a dizer sobre esta questão candente, exceto onde velam sua ignorância por meio de mistério e dogma; mas o Ocultismo, desvelando a simbologia da Bíblia, explica-a minuciosamente.

—ED.

––––––––––                    Escritos Reunidos VOLUME VIII                                      Dezembro,

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS                           [Lucifer, Vol.

I, No. 4, Dezembro, 1887, pp. 329-334]

HILO-IDEALISMO VERSUS “LUCIFER,” E O “ADVERSÁRIO.”

“Sob o título de “Correspondência” no presente número, duas notáveis cartas são publicadas (Ver Texto). Ambas provêm de fervorosos Hilo-Idealistas — um Mestre e um Discípulo, se não nos enganamos — e ambas acusam o “Adversário,” uma, de uma “menção depreciativa,” a outra, de uma “hostil nota” sobre o Hilo-Idealismo, no número de setembro de Lucifer.


––––––––––

Tal acusação é melhor enfrentada e respondida com toda sinceridade; e, portanto, a resposta é uma negação categórica da acusação.

Nenhuma depreciação — nem hostilidade tampouco, poderia ser demonstrada ao “Hilo-Idealismo,” pois o “pequeno estranho” na feliz família das filosofias era até então tão desconhecido quanto os deuses domésticos de Lucifer.

Foi joio, se é que foi algo, mas certamente não hostilidade; e mesmo isso dizia respeito apenas a algumas terríveis palavras e frases, com referência ao novo ensinamento, e nada tinha a ver com o Hilo-Idealismo propriamente dito — uma terra incógnita para o escritor na época.

Mas agora que três panfletos da pena de nossos dois correspondentes foram recebidos em nosso escritório, para resenha, e cuidadosamente lidos, o Hilo-Idealismo começa a assumir uma forma mais tangível diante dos olhos do resenhista.

Torna-se mais fácil separar o joio do trigo, a teoria das palavras (sem dúvida) científicas, mas nem por isso menos irritantes, nas quais ela é apresentada ao leitor.

––––––––––

Isto é dito com toda a verdade e sinceridade.

As observações que nossos dois correspondentes tomaram por expressões de hostilidade eram tão justificadas então quanto o são agora.

Que mortal comum, perguntamos, antes de ter tempo (para usar as mais felizes expressões do Dr. Lewins) de "asselfar ou cognoscar" — quanto mais intercranializar (!!) — as teorias hilo-idealistas, por mais profundas e filosóficas que estas possam ser, quem, tendo até então entrado em contato direto apenas com as imagens delas "sujeitadas pela sua própria egoidade" (isto é, como palavras e frases), quem poderia evitar sentir seus cabelos arrepiados, sobre "seus órgãos de mentação", enquanto

––––––––––        Auto-Centricism; or the Brain Theory of Life and Mind [Londres, 1888], p. 41. ––––––––––

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS

soletrando palavras tão terríveis como "vesículo-neurose em conjunção com sintomatologia médico-psicológica", "autocentricismo" e afins? Tais termos compostos intermináveis, estranhos, multissilábicos e multicipitais, recém-cunhados, e frases inteiras, talvez, e sem dúvida, sejam altamente eruditos e científicos.

Eles podem ser muito expressivos do verdadeiro e real significado, para um especialista dos poderes de pensamento do Dr. Lewins; no entanto, atrevo-me a dizer que são muito mais calculados para obscurecer do que para esclarecer o leitor comum.

Em nossos dias modernos, quando novas filosofias brotam da desova do intelecto humano sobrecarregado como cogumelos de seu micélio após uma manhã chuvosa, o cérebro humano e suas capacidades deveriam ser levados em certa consideração cuidadosa, e poupados de trabalho inútil.

Não obstante os louváveis esforços do Dr. Lewins para provar que o cérebro (tanto quanto entendemos suas aspirações e ensinamentos) é a única realidade em todo o cosmos, suas limitações são dolorosamente evidentes, no todo.

Como filantropos e teosofistas, imploramos ao fundador do Hilo-Idealismo e aos seus discípulos que sejam misericordiosos com seu novo deus, o "Ego-Cérebro", e que não sobrecarreguem demasiadamente seus poderes, se quiserem vê-lo reinar feliz.

Pois, de outra forma, é certo que ele entrará em colapso antes que a nova teoria — ou, chamemo-la filosofia — seja sequer metade apreciada por esse "Ego-Cérebro".

–––––––––––

Ao falarmos como o fazemos, estamos apenas seguindo uma política de longa data.

Criticamos e nos opusemos à cunhagem de palavras eruditas gregas e latinas pelos Pantarquistas de Nova York; rimos da tendência pomposa de Haeckel de inventar termos de trinta e três sílabas, e de falar da perigênese das plastídulas, em vez de honestos átomos giratórios — ou o que quer que ele queira dizer; e zombamos dos psicistas modernos por chamarem a simples transmissão de pensamento de "impacto telepático". E agora, suplicamos em lágrimas ao Dr. Lewins, no interesse da humanidade, que tenha piedade de seus pobres leitores: pois, a menos que ele atenda ao nosso conselho, seremos compelidos, em legítima defesa, a declarar guerra aberta às suas palavras recém-cunhadas.


Lutaremos contra o usurpador "Solipsismo" em favor do legítimo rei do Universo — EGOÍSMO — até o nosso último suspiro.

––––––––––

Ao mesmo tempo, como até agora temos ignorado a mais recente filosofia, descrita pelo Sr. H. L. Courtney como "a maior mudança no pensamento humano", permitam-nos indagar se ela se escreve como o seu Fundador a escreve, ou seja, "Hilo-Idealismo", ou como o faz o seu discípulo, o Sr. Courtney, que escreve Hilo-Ideísmo? Seria este último um cisma, um aperfeiçoamento do nome original, um lapso calami, ou o quê? E agora, tendo aliviado o nosso coração de um peso pesado, podemos proceder a dar uma opinião (até agora bastante superficial) sobre os três panfletos Hilo-Idealistas (ou Ideístas).

–––––––––

Sob o extraordinário título de Auto-Centricismo e Humanismo versus Teísmo, ou "Solipsismo (Egoísmo) = Ateísmo" (W. Stewart & Co., 41, Farringdon Street, E.C.; e Freethought Publishing Co., 63, Fleet Street, E.C.) — o Dr. Lewins publica uma série de cartas sobre o assunto da filosofia da qual é o fundador.

É impossível não sentir admiração pela maneira como essas cartas são escritas.

Elas demonstram muita convicção sincera e pensamento profundo, e dão evidência de uma leitura vasta e variada.

Por mais que seus leitores possam discordar das conclusões do escritor, a pesquisa com a qual ele fortaleceu sua teoria não pode deixar de atrair sua atenção e suavizar seu caminho através do labirinto um tanto tortuoso de argumentos diante deles.

Mas — o Dr. Lewins está entre aqueles que consideram a consciência como uma função do tecido nervoso; e, nesse aspecto, ele é um materialista intransigente.

Contudo, por outro lado, ele sustenta que o Universo, Deus e o pensamento não têm realidade alguma, apartados do Ego individual.

As

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS

O Ego é novamente resolvível em processo cerebral.

Chegamos assim à doutrina de que o Cérebro é a oficina na qual todas as nossas ideias das coisas externas são originadas.

Fora do cérebro não há Ego, não há mundo externo.

O que é, então, o próprio Cérebro — esse objeto solitário em um universo vazio? O Hilo-Idealismo não o diz.

Assim, o autor não pode escapar da confusão de pensamento que sua singular união operativa de materialismo e idealismo envolve.

A oscilação entre esses dois polos é notavelmente aparente nas citações abaixo.

Em um ponto, a Matéria é discutida como se fosse uma realidade objetiva; em outro, é considerada um mero "fantasma do Ego". O Cérebro sozinho sobrevive em estado solitário.

Citamos dos dois panfletos—

MATÉRIA AFIRMADA    "Matéria, orgânica e inorgânica . . . é agora plenamente conhecida . . . . por realizar . . . todas as operações materiais."                                                                      —Auto-Centricism, p. 40.    ". . . o homem é todo corpo ou matéria.

. . ."                                                                                  —Ibid., p. 40.    "Pensamento . . . abstrato [é] neuropatia . . . doença dos centros nervosos."                                                              —Humanism versus Theism, p. 25.    "O que chamamos mente . . . é uma função de certas estruturas nervosas no organismo."                                                                  —Humanism v. Theism, p. 24.

MATÉRIA NEGADA

"Toda descoberta é . . . . um fenômeno subjetivo."                                                               —Humanism v. Theism, p. 17.    "Todas as coisas são para nós apenas modos de percepção." [Produtos mentais].    A "abóbada celeste e os adornos da Terra" são "uma mera projeção ou extensão de nossa própria consciência interior."                                                               —Humanism v. Theism, p. 17.    "Livramo-nos completamente da Matéria."                                                               —Humanism v. Theism, p. 17.


". . . . Todo o mundo objetivo . . [é] fenomenal ou ideal.

. . ."                                                                      ––Auto-Centricism, p. 9.    "Tudo é espectral" (isto é, irreal).                                                                                —Ibid., p. 13.

A matéria é por vezes creditada com um ser real, e novamente resolvida em um mero produto mental, conforme as circunstâncias exigem.

Se a Matéria é, como o autor frequentemente afirma, irreal, é pelo menos claro que o cérebro, uma de suas muitas fases, vai junto com ela!! Quanto à afirmação do douto doutor de que a percepção é relativa, uma teoria que perpassa toda a sua obra, temos apenas uma resposta.

Essa concepção não é, de modo algum, um monopólio dos Hilo-idealistas, como o Dr. Lewins parece pensar.

A natureza ilusória do mundo fenomênico—das coisas dos sentidos—não é apenas uma crença comum à antiga metafísica bramânica e à maioria dos psicólogos modernos, mas também é um princípio vital da Teosofia.

Esta última percebe distintamente a matéria como um “feixe de atributos”, em última análise resolvível nas sensações subjetivas de um “percipiente”. A conexão dessa verdade simples com a negação hilo-idealista da alma não é aparente.

Sua aceitação também não tem relação com o problema de saber se pode não existir uma dualidade—dentro dos limites do ser manifestado—ou contraste entre a Mente e a Substância da matéria.

Essa Dualidade Cósmica é simbolizada pelos Vedantinos nas relações entre o Logos e Mulaprakriti—isto é, o Espírito Universal e a base (ou raiz) “material” dos planos objetivos da natureza.

O Monismo, então, do Dr. Lewins e de outros pensadores negativos da época, está evidentemente equivocado quando aplicado para unificar o contraste dos fatos mentais e materiais no universo condicionado.

Além deste, é de fato válido, mas isso dificilmente é uma questão para a filosofia prática.

Para encerrar com uma referência, desta vez, à carta do Dr. Lewins (ver “Correspondência” no texto), na qual ele faz sua subsequente afirmação de que Deus é a “imagem funcional [sic]” do Ego, preferiríamos

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS

sugerir que todos os “eus” individuais são apenas reflexos obscuros da alma universal do Cosmos.

O conceito ortodoxo de Deus não é, como ele sustenta, um mito ou fantasma do cérebro; é antes uma expressão de uma vaga consciência do Logos universal e onipresente.

É porque o Self aprisiona o homem dentro de uma esfera estreita “além da qual a mente mortal nunca pode alcançar”, que a destruição do senso pessoal de separação é indispensável ao Ocultista.

––––––––––

O Novo Evangelho do Hilo-Idealismo ou Agnosticismo Positivo, (Freethought Publishing Co., 73, Fleet Street, E.C. Preço 3d.), é outro panfleto sobre o mesmo assunto, no qual o Sr. Herbert L. Courtney contribui com sua parcela à discussão da "Teoria Cerebral da mente e da matéria". Ele é, se não nos enganamos, um discípulo declarado do Dr. Lewins e, talvez, idêntico ao "C.N.", que velou pelo berço da "nova filosofia". Toda a essência desta última pode ser resumida como uma tentativa de estabelecer uma união prática entre o Materialismo e o Idealismo.

Esse resultado é efetuado por duas vias: (1) na aceitação do teorema idealista, de que o chamado mundo externo só existe em nossa consciência; e (2) na designação dessa consciência, por sua vez, como mera função do Cérebro.

A primeira dessas afirmações é inquestionavelmente válida, na medida em que concerne ao mundo das aparências, ou Maya; é, contudo, "tão antiga quanto as colinas", e incorporada ao argumento Hilo-Idealista a partir de fontes anteriores.

A segunda é insustentável, pela simples razão de que, nas premissas do próprio novo credo, o cérebro, como objeto de percepção, não pode possuir realidade alguma fora do Ego.

Os hegelianos poderiam responder que o Cérebro é apenas uma ideia do Ego e não pode, portanto, determinar a existência deste último—seu criador.

––––––––––     ["C.N." significa Constance Naden, pseudônimo de Caroline Woodhill (1858-89).—Compilador.] –––––––––– 306                             BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

Os metafísicos, contudo, encontrarão muito que lhes interesse no opúsculo do Sr. Courtney, representativo, como é, da nova e mais sutil fase em que o ceticismo moderno está adentrando.

A algumas expressões podemos objetar—por exemplo, "Aquilo que vemos não é Sirius, mas a onda de luz." Longe de a onda de luz ser "vista", ela é mera hipótese de trabalho da Ciência.

Tudo o que experienciamos é a sensação retiniana, cuja contraparte objetiva é uma questão de pura inferência.

Tanto quanto podemos aprender, o Hilo-Idealismo baseia-se principalmente em paradoxos gigantescos e até mesmo em contradições em termos.

Pois, no que diz respeito às especulações acerca do Númeno (p. 8), que justificativa se pode encontrar para denominá-lo "MATÉRIA", especialmente quando se diz que ele é "incognoscível"? Obviamente, ele pode ser da natureza da mente, ou—algo SUPERIOR.

Como pode o Hilo-Idealista saber?

O Mundo Judaico entra corajosamente (em sua edição de 11 de novembro de 1887) em seu novo papel de professor de simbologia e história.

Acusa, sem meias medidas, um dos editores de *Lucifer* de ignorância; e critica certas expressões usadas em nosso número de outubro, em uma nota de rodapé inserida para explicar por que o "Filho da Manhã", LUCIFER, é chamado no pequeno poema do Sr. G. Massey de "Senhora da Luz". O escritor objeta, como vemos, que Lucifer-Vênus seja chamado em um de seus aspectos de "Astoreth judaica"; ou que lhe tenham sido oferecidos bolos pelos judeus.

Como explicado em uma frase um tanto confusa: "Não havia Astoreth judaica, embora a deusa síria, Ashtoreth, ou Astarte, apareça frequentemente na literatura bíblica, a deusa da lua, o complemento de Baal, o Deus Sol." Isso, sem dúvida, é extremamente erudito e transmite informação bastante nova.

No entanto, uma afirmação tão espantosa como a de que toda a nota de rodapé em *Lucifer* é "pura imaginação e má história" é de fato muito arriscada.

Pois não requer mais do que um ou dois toques de nossa pena para fazer todo o edifício dessa negação desmoronar sobre o Mundo

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS

Judaico e mutilá-lo gravemente.

Nosso contemporâneo evidentemente esqueceu o sábio provérbio que adverte a deixar "cães dormindo deitados", e portanto, é com ares altivos de superioridade que informa seus leitores de que, embora os judeus na Palestina vivessem cercados por (sic) essa forma pagã de culto, e possam, às vezes (? !), ter-se desviado em sua direção, NÃO TINHAM NADA EM SEU CULTO EM COMUM COM AS CRENÇAS CALDAICAS OU SÍRIAS NA MULTIPLICIDADE DE DIVINDADES (! !). Isso é o que qualquer leitor imparcial poderia realmente chamar de "má história", e todo adorador da Bíblia descreveria como uma mentira direta dada ao Senhor Deus de Israel.

É mais do que *suppressio veri*, *suggestio falsi*, pois é simplesmente uma negação fria dos fatos diante da Bíblia e da História.

Aconselhamos nosso crítico do Mundo Judaico a recorrer a seus próprios profetas, a Jeremias, acima de todos.

Abrimos a "Escritura" e nela encontramos: "o Senhor Deus", ao acusar sua "Israel rebelde e a pérfida Judá" de seguir "os caminhos do Egito e da Assíria", de beber as águas de Sior, e "servir a deuses estranhos", enumerando suas queixas desta maneira:

. . . . . segundo o número de tuas cidades são os teus deuses, ó Judá.

. . . . (Jeremias, ii, 28). Eles voltaram às iniquidades de seus antepassados, que recusaram ouvir minhas palavras; e seguiram outros deuses para servi-los.

. . . . (xi, 10). . . . . . conforme o número das ruas de Jerusalém, levantastes altares a essa coisa vergonhosa, altares para queimar incenso a Baal.

(xi, 13).

Tanto para o monoteísmo judaico.

E é mais "pura imaginação" dizer que os judeus ofereciam bolos à sua Astoreth e a chamavam de "Rainha dos Céus"? Então o "Senhor Deus" deve, de fato, ser culpado de mais do que "uma delicada expansão dos fatos" ao trovejar para, e através de, Jeremias: Não vês tu o que eles fazem nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém? Os filhos ajuntam a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a massa, PARA FAZER BOLOS à rainha dos céus, e para derramar libações a outros deuses.

. . . . (Jeremias, vii, 17-18).


"Os judeus podem, ÀS VEZES", apenas (?), ter se desviado para formas pagãs de adoração, mas "não tinham nada em comum com as crenças sírias na multiplicidade de divindades." Não tinham? Então os ancestrais dos editores do Jewish World devem ter sido vítimas de "sugestão", quando, repreendendo Jeremias (e não inteiramente sem boa razão), declararam-lhe: Quanto à palavra que nos falaste em nome do Senhor, não te daremos ouvidos.

Mas certamente faremos tudo o que sair da nossa própria boca, para queimar incenso à rainha dos céus, como temos feito, nós, E NOSSOS PAIS, nossos reis e nossos príncipes, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém; pois então tínhamos fartura de alimentos, e estávamos bem, e não víamos mal algum.

Mas desde que deixamos de queimar incenso à rainha dos céus e de derramar libações a ela, temos tido falta de todas as coisas, e temos sido consumidos pela espada e pela fome.

. . . . (Jeremias, xliv, 16-18).

Assim, segundo a própria confissão deles, não é "às vezes" que os judeus faziam bolos para, e adoravam, Astoreth e os deuses estranhos, mas constantemente: fazendo, além disso, como seus antepassados, reis e príncipes faziam.

“História ruim”? E o que era o “bezerro de ouro” senão a novilha sagrada, o símbolo da “Grande Mãe”, primeiro o planeta Vênus, e depois a lua? Pois a doutrina esotérica sustenta (como sustentavam os mexicanos) que Vênus, a estrela da manhã, foi criada antes do sol e da lua; metaforicamente, é claro, não astronomicamente, sendo a suposição baseada em, e significando aquilo que somente os nazireus e os Iniciados compreendiam entre os judeus, mas que os escritores do Mundo Judaico não se supõe que saibam.

Pela mesma razão, os caldeus

––––––––––      Astoreth-Diana, Ísis, Melita, Vênus, etc., etc.

Porque as estrelas e os planetas são os símbolos e as moradas dos Anjos e Elohim, que foram, é claro, “criados”, ou evoluídos antes do sol ou da lua físicos ou cósmicos.

“Daí o deus-sol ser chamado de filho do deus-lua Sin, na Assíria, e o deus lunar, Taht, ou Tehuti, ser chamado de pai de Osíris, o deus-sol, no Egito.” (G. Massey, “As Criações Hebraicas e Outras, etc.,” pp. 15-16.) ––––––––––

ANOTAÇÕES LITERÁRIAS

sustentavam que a lua foi produzida antes do sol (ver Babilônia—Relato da Criação, por George Smith). A estrela da manhã, Lúcifer-Vênus, era dedicada àquela Grande Mãe simbolizada pela novilha ou pelo “Bezerro de Ouro”. Pois, como diz o Sr. G. Massey em sua conferência sobre “As Criações Hebraicas e Outras Fundamentalmente Explicadas” [p. 16]:

Este [o Bezerro de Ouro] sendo de ambos os sexos, fornecia um tipo gêmeo para Vênus, como Hathor ou Ishtar [Astoreth], a Estrela dupla, que era masculina ao nascer e feminina ao pôr do sol, e portanto as Estrelas Gêmeas do “Primeiro Dia”.

Ela é a “Afrodite Celestial”, Vênus Victrix,              , associada a Ares (ver Pausânias, Periegese, I, viii, 4; II, xxv, 1).     Somos informados de que “felizmente para eles [os judeus] não havia uma Astoreth judaica”. O Mundo Judaico ainda tem de aprender, vemos, que não teria havido a Vênus Afrodite grega; nem a Urânia, sua denominação anterior; nem ela teria sido confundida com a Mylitta assíria (Heródoto, História, I, 199; Pausânias, Periegese, I, xiv, 7; Hesíquio,                                       ) não fosse pelos fenícios e outros semitas.

Dizemos a “Astoreth judaica”, e sustentamos o que dizemos, com base na autoridade da Ilíada, da Odisseia, de Renan, e de muitos outros.

Vênus Afrodite é uma com a Astarte, Astoreth, etc.

dos fenícios, e ela é uma (como planeta) com "Lúcifer", a "Estrela da Manhã". Desde os dias de Homero, ela foi confundida com Kypris, uma deusa oriental trazida pelos semitas fenícios de suas viagens asiáticas (Ilíada, V, 330, 422, 458). Seu culto aparece primeiro em Citera, um entreposto ou estabelecimento comercial fenício (Odisseia, VIII, 362; F. G. Welcker, Griechische Götterlehre, I, 666). Heródoto mostra que o santuário de Ascalão, na Síria, era o mais antigo dos templos de Afrodite

––––––––––      [Este é provavelmente The Chaldean Account of Genesis, de George Smith.

Capítulo V, "Lenda Babilônica da Criação", p. 65, ed. nova e rev.

1880.—Compilador.] –––––––––– 310                              BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

Urânia (I, 105); e Decharme nos diz em sua Mythologie de la Grèce Antique, p. 195, que sempre que os gregos aludiam à origem de Afrodite, designavam-na como Urânia, um epíteto traduzido de uma palavra semítica, assim como Júpiter Epourânio das inscrições fenícias era o Samemroum de Fílon de Biblos, segundo Renan (Mission de Phénicie). Astoreth era uma deusa da geração, que presidia o nascimento humano (assim como Jeová era deus da geração, o primeiro de todos). Ela era a deusa lunar e, ao mesmo tempo, um planeta, cujo culto se originou com os fenícios e semitas.

Floresceu sobretudo nos assentamentos e colônias fenícias na Sicília, em Erice.

Lá, hostes de Hetaerae estavam ligadas aos seus templos, assim como hostes de Kadeshim, chamados por um nome mais sincero na Bíblia, estavam ligadas à casa do Senhor, "onde as mulheres teciam cortinas para o bosque" (II Reis, xxiii, 7). Tudo isso mostra bem a proveniência semítica de Astoreth-Vênus em sua capacidade de "grande Mãe". Detenhamo-nos.

Aconselhamos sinceramente ao Jewish World que se abstenha de atirar pedras nas crenças de outros povos, enquanto sua própria fé não passar de uma casa de vidro.

E embora Jeremy Taylor possa pensar que "orgulhar-se do próprio saber é a maior ignorância", ainda assim, neste caso, é mera justiça dizer que é realmente desejável para nossos amigos judeus que o escritor em Lucifer da nota criticada sobre Astoreth soubesse menos de história e da Bíblia, e que seu infeliz crítico no Jewish World aprendesse um pouco mais sobre o assunto.                                                                               "ADVERSÁRIO."

––––––––––                    Escritos Reunidos VOLUME VIII                                      Dezembro,

NOTAS DIVERSAS                           [Lucifer, Vol.

I, No. 4, Dezembro, 1887, pp. 311-318]

[J. H. Beatty escreve uma carta aos Editores criticando o artigo do Dr. Archibald Keightley sobre "Uma Lei da Vida: Karma" (Lucifer, Vol.

I, Set.

e Out., 1887). Vários dos pontos levantados nesta carta são respondidos pelo Dr. Keightley.

Uma série de notas de rodapé não assinadas, presumivelmente de H.P.B., são anexadas ao texto.]

NOTAS DIVERSAS

[J. H. Beatty escreve: "Um homem, meramente ao negar a existência de uma lei da Natureza ou do universo, transgride essa lei? Creio que não."] O significado do Sr. Keightley (e é difícil que as palavras comportem qualquer outra interpretação) era que a negação da harmonia é evidência de que, em algum tempo anterior, o homem que nega se colocou em oposição à lei, em virtude daqueles mesmos desejos e instintos de sua personalidade animal aos quais o Sr. Beatty alude mais adiante. Nesse sentido, o Sr. Beatty tem razão ao dizer que uma lei do universo não pode ser quebrada; mas seus limites podem ser transgredidos e, consequentemente, uma tentativa feita pelo homem de transformar-se em um pequeno, porém rival, universo.

É a velha história do pote de porcelana e do caldeirão de ferro, e o fato de a porcelana sair perdendo é conclusivo de que a porcelana está lutando contra a Natureza.

[". . . quem vai contestar que a lei da gravitação jamais foi 'quebrada', jamais deixou de agir.

. . ."]      O Sr. Beatty explicará o fenômeno de um cometa agitando sua cauda ao redor do sol em desafio à "lei da gravitação"?      [Sobre o assunto dos "sentidos" humanos, H.P.B. diz:]      A humanidade está apenas muito gradualmente desenvolvendo seu quinto sentido no plano intelectual.

["Verdadeiramente este Karma é um assunto desconcertante!"] "Este Karma", como o Sr. Beatty o expressa, não seria um assunto tão desconcertante se os críticos tivessem em mente o contexto e não atacassem uma expressão isolada—nem mesmo uma frase.

O "interesse pelo bem-estar da alma no céu" é concentrado por John Smith em John Smith como John Smith no céu, e para que o referido John Smith possa continuar desfrutando das coisas que amava na terra.

Como sua vida terrena terminou, John Smith mudou e é "transitório". Se ele não fosse transitório, uma inferência muito natural se seguiria: que o progresso, a evolução, etc., em qualquer plano de existência que seja, não prevalece.

[Dr. Keightley diz: “Um homem pode certamente ferir a si mesmo. . . .”] Nenhuma lei da Natureza pode ser anulada, mas um homem transgride uma lei do seu [mental] ser quando deliberadamente se coloca sob o domínio de certas forças “malignas”.


[a palavra “mental” entre colchetes é de H.P.B. —Comp.] [Dr. Keightley escreve: “A Harmonia é essencialmente a lei do Universo. Os aspectos contrastantes da Natureza . . . . . não podem ter realidade exceto na experiência dos Egos conscientes.”] O contraste fenomênico não é negado, mas não é representativo de uma falta fundamental de harmonia.

Da mesma forma, o contraste entre Sujeito e Objeto é essencial à nossa presente consciência finita, embora não tenha base de realidade além dos limites do ser condicionado.

Além disso, mesmo neste Universo fenomênico, o equilíbrio (harmonia) é certamente mantido pelo próprio conflito das forças contrastantes aludidas. [“O Universo deve, no fundo, ser uma Harmonia. Por quê? . . .”] O Sr. Beatty pergunta como o Universo chegaria a um impasse, se a lei da Harmonia fosse suspensa.

Agora suponha, por exemplo, que a lei da “gravidade” não fosse contrabalançada pela ação de outras “forças”, o que aconteceria? A ciência nos assegura que tudo há muito teria gravitado para um centro comum, e um impasse universal teria se seguido! Vice-versa, se a “gravidade” viesse a cessar.

Verbo.

Sap.

––––––––––

[Lucifer, Vol. I, Nº 4, Dezembro, 1887, p. 336]

L'Aurore, de outubro, contém um artigo sobre a chamada “Estrela de Belém”, que repete a garantia de que o mundo está entrando em uma nova e mais feliz fase de vida.

Infelizmente, parece mais do que provável que, antes que essa melhora ocorra, o mundo deva passar pelo vale da sombra da Morte e suportar calamidades muito piores do que qualquer uma que já tenha visto.

Lady Caithness continua seu erudito e interessante artigo sobre as dez tribos perdidas de Israel.

Sua tese é apresentada em linguagem admirável e apoiada por uma grande riqueza de citações bíblicas.

Infelizmente, a tarefa empreendida é impossível.

Nunca houve doze tribos de Israel

THE THEOSOPHICAL PUBLISHING COMPANY

— apenas duas — Judá e os Levitas, tendo tido existência real na carne.

As restantes são apenas euhemerizações dos signos do Zodíaco, e foram introduzidas porque eram necessárias ao esquema cabalístico sobre o qual a “História” dos judeus foi escrita.

Lady Barrogill relata a conhecida história de um bispo inglês e o fantasma de um padre católico, que assombrava sua antiga residência a fim de garantir a destruição de algumas anotações que ele havia feito (contrariando as regras da Igreja) de uma importante confissão que ouvira.

Além desses artigos, encontramos a continuação do romance em série, "L'Amour Immortel", e Lucifer deve agradecer ao editor pela nota apreciativa contida neste número.

––––––––––                         Escritos Reunidos VOLUME VIII                                               Setembro,

[LUCIFER E A THEOSOPHICAL                                 PUBLISHING COMPANY]                                 [Lucifer, Vol.

XV, No. 85, Setembro, 1894, pp. 6-7]

[Nas páginas editoriais da edição acima mencionada de Lucifer, os Editores—Annie Besant e       George R. S. Mead—ao abrirem o Décimo Quinto Volume deste Jornal, entregaram-se a algumas       reflexões sobre os acontecimentos dos anos anteriores, quando a revista estava sendo lançada. Na época, H. P. B., como       Editora-Chefe, era auxiliada por Mabel Collins. Os Editores escrevem: "Há um sabor dos velhos tempos       passados, quando Lucifer não tinha nome nem morada, em um documento manchado pelo tempo que o acaso acaba de       trazer à luz." Segue-se uma breve carta, ou talvez apenas um fragmento de uma, que é a       seguinte:]

Os editores que foram escolhidos para conduzir a nova revista desejam expressar à Theosophical Publishing Company sua convicção de que só poderão realizar seu trabalho se não forem interferidos de qualquer forma por membros da Companhia.

Interferências e expressões de opinião sobre detalhes apenas confundem os trabalhadores e atrasam o trabalho, e espera-se que a Companhia tenha eleito seus editores com plena confiança neles; qualquer membro individual que não tenha essa confiança faria bem em se retirar.


Os editores fazem esta declaração agora a fim de prevenir atrasos e dificuldades no futuro.

A partir do momento em que o trabalho começa, somente eles devem ter a responsabilidade e a autoridade.

[Afirma-se que esta carta foi assinada por ambos os editores—o que significaria H. P. B. e Mabel       Collins—e que a palavra "começa" foi alterada para "começou", evidentemente datando esta carta, pelo menos       aproximadamente, como sendo do outono de 1887, possivelmente já em setembro, quando a primeira edição de       Lucifer foi publicada.]

Os Editores declaram ainda: “A uma data um pouco posterior deve ser atribuído o seguinte, na caligrafia que levou tantos impressores ao desespero”, referindo-se, naturalmente, à caligrafia de H. P. B.

Publicam então a seguinte carta:]                                                                                    20 de dezembro de 1887.

Ao Conselho de Diretores da Theosophical               Publishing Co.     Senhores,     Em resposta à vossa carta do corrente mês, devo declarar o seguinte:     (1) Estou editando a Lucifer de acordo com as diretrizes recebidas das autoridades teosóficas, como uma revista principalmente, se não inteiramente, dedicada a assuntos teosóficos, isto é, à discussão séria de doutrinas teosóficas ou esotéricas oferecidas ao público para sua séria consideração, dando-lhes oportunidade de investigação e discussão na revista.

[Infelizmente, os Editores não consideraram apropriado fornecer o contexto completo desta comunicação, por razões próprias.

Eles apenas indicaram que neste ponto da carta seguiam-se “certas sugestões”, terminando a carta com as palavras:] Esta é a única maneira que vejo, se se acredita que eu sirva como editora.

[Considerando o fato de que estas duas comunicações dirigidas à Theosophical Publishing Company pertencem a um período não muito distante do início efetivo desta Companhia no outono de 1887, elas são inseridas neste ponto por razões cronológicas óbvias.]

Uma fotografia muito rara de H. P. B., presumivelmente em seus                           quarenta anos, publicada originalmente em The Review of Reviews,                            Nova York, Vol.

VIII, dezembro de 1893, p. 659. A                              impressão fraca nesse periódico não permite uma melhor                                            reprodução.

Obras Completas VOLUME VIII                                               setembro,

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO                                 [Lucifer, Vol.

I X, No. 49, setembro de 1891, pp. 8-20]

[Como é óbvio pela referência acima, este valioso ensaio da pena de H. P. B. foi       publicado postumamente.

O momento real em que foi escrito não pode ser determinado atualmente com       qualquer grau de precisão, especialmente porque o texto não contém pistas muito definitivas a esse respeito.]

O mesmo se aplica ao ensaio intitulado: “Psicologia, a Ciência da Alma”, que é apresentado em seguida ao presente.

Estes dois ensaios estão definitivamente inter-relacionados e têm pelo menos uma passagem em comum.

É muito provável que tenham sido escritos aproximadamente no mesmo período.

Embora não se conheça uma data definitiva, pode-se, no entanto, afirmar que o presente ensaio foi escrito depois de janeiro de 1887, pois cita a conferência de T. Subba Row sobre o Bhagavad Gîtâ, proferida na Convenção de Adyar em dezembro de 1886; é, naturalmente, bem possível que o ensaio só tenha sido escrito após o lançamento de Lucifer, em setembro de 1887. É, contudo, muito duvidoso que tenha sido escrito após a publicação de A Doutrina Secreta, no outono de 1888, porque menciona a Seção sobre os “Mônadas, Deuses e Átomos” nessa obra, e a refere como estando no Volume I, Livro II, enquanto essa Seção se encontra no Vol.

I, Livro I, Parte III, do texto final da obra.

É, portanto, muito provável que este ensaio tenha sido redigido antes de a versão final do monumental opus de H. P. B. ter sido completamente elaborada.

O mesmo raciocínio se aplica ao ensaio sobre Psicologia, que segue o presente.

Pode ser que ambos os ensaios tenham sido destinados a The Theosophist, mas tenham sido postos de lado por uma razão ou outra e não submetidos.

Parece, portanto, plausível publicar ambos os ensaios no final do ano de 1887, como um valor médio no tempo, aproximando-se razoavelmente do período provável em que foram escritos.

—Compilador.]

Materialistas que acusam os Ocultistas e Teosofistas de acreditarem que toda Força (assim chamada) na Natureza tem em sua origem um NOUMENON substancial, uma Entidade, consciente e inteligente, seja ela uma Planetária (Dhyan Chohan) ou um Elemental, são aconselhados a fixar sua atenção, antes de tudo, num corpo muito mais perigoso do que aquele chamado Sociedade Teosófica.

Referimo-nos à Sociedade nos E.U. da América cujos membros se chamam a si mesmos os Substancialistas.


Chamamo-la perigosa por esta razão: esse corpo, combinando em si o Cristianismo eclesiástico dogmático, i.e., o elemento antropomórfico da Bíblia—com a Ciência genuína, torna, no entanto, esta última subserviente em tudo à primeira.

Isto equivale a dizer que a nova organização, em seu dogmatismo fanático — se vencer a batalha — conduzirá as gerações vindouras a um antropomorfismo sem redenção.

Isto será alcançado tanto mais facilmente em nossa era de adoração à Ciência, uma vez que uma demonstração de inegável erudição deve ajudar a conferir força adicional à crença em um deus humano gigantesco, pois suas hipóteses, como as da ciência materialista moderna, podem ser facilmente construídas para atender ao seu objetivo particular.

As classes educadas e pensantes da Sociedade, uma vez libertas da servidão eclesiástica, poderiam rir dos dados científicos de um Santo Agostinho ou de um "venerável" Beda, que os levaram a sustentar, com base na autoridade e na letra morta do que consideravam Revelação, que a nossa Terra, em vez de ser uma esfera, era plana, suspensa sob um dossel cristalino cravejado de pregos de latão brilhante e um sol não maior do que aparenta ser.

Mas as mesmas classes serão sempre forçadas pela opinião pública a respeitar as hipóteses da Ciência moderna — em qualquer direção que a natureza da especulação científica possa conduzi-las.

Elas têm sido assim conduzidas durante o último século — ao Materialismo crasso; podem ser assim conduzidas novamente em direção oposta.

O ciclo se fechou, e se a Ciência algum dia cair nas mãos da Oposição — os eruditos "Reverendos" e eclesiásticos fanáticos — o mundo poderá se ver gradualmente aproximando do fosso do lado oposto e ser lançado, num futuro não distante, ao antropomorfismo crasso.

Mais uma vez as massas terão rejeitado a verdadeira filosofia — imparcial e não sectária — e serão assim apanhadas novamente em novas malhas de sua própria tecelagem, o fruto e o resultado da reação criada por uma era que tudo nega.

O ideal solene de um Númeno universal, infinito e onipresente do Espírito, de uma Divindade impessoal e absoluta, desvanecer-se-á da mente humana mais uma vez, e abrirá espaço para o DEUS-MONSTRO dos pesadelos sectários.

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

Agora, a ciência oficial moderna é composta — como atualmente — de 5 por cento.

de verdades e fatos axiomáticos inegáveis, e de 95 por cento.

de mera especulação.

Além disso, ela se expôs a ataques intermináveis, devido às suas numerosas hipóteses mutuamente contraditórias, cada uma tão científica, na aparência, quanto a outra.

Por outro lado, os Substancialistas, que se orgulham de contar entre seus números alguns dos mais eminentes homens da Ciência nos Estados Unidos, descobriram e acumularam, inegavelmente, um vasto tesouro de fatos calculados para abalar as teorias modernas sobre Força e Matéria.

E, uma vez que seus dados se mostrem corretos, neste conflito entre a Ciência (materialista) e a Religião (ainda mais materialista) — o desfecho da batalha vindoura não é difícil de prever: a Ciência moderna será derrotada.

A Substancialidade de certas Forças da Natureza não pode ser negada — pois é um fato no Kosmos.

Não há Energia ou Força sem Matéria, não há Matéria sem Força, Energia ou Vida — por mais latente que seja.

Mas essa Matéria última é — a Substância ou o Noumenon da matéria.

Assim, a cabeça do ídolo dourado da verdade científica cairá, porque se ergue sobre pés de barro.

Tal resultado não seria nada a lamentar, exceto por suas consequências imediatas: a Cabeça Dourada permanecerá a mesma, apenas seu pedestal será substituído por um tão fraco e tão de barro quanto antes.

Em vez de se apoiar no Materialismo, a ciência se apoiará na superstição antropomórfica — se os Substancialistas algum dia levarem a melhor.

Pois, em vez de se aterem apenas à filosofia, perseguida em um espírito de absoluta imparcialidade, tanto os materialistas quanto os adeptos do que é tão pomposamente chamado de "Filosofia do Substancialismo" trabalham em linhas traçadas pela preconcepção e com um objetivo prejulgado; e ambos estiram seus fatos nos leitos procrusteanos de suas respectivas obsessões.

São os fatos que devem se ajustar às suas teorias, mesmo ao risco de mutilar a imaculada natureza da Verdade.

Antes de apresentar ao leitor extratos da obra de um Substancialista — extratos esses que mostram melhor do que qualquer resenha crítica a verdadeira natureza das reivindicações da "Filosofia Substancial" — pretendemos não ir mais longe, pois estamos realmente muito pouco preocupados com eles, e não pretendemos desperdiçar palavras sobre suas falhas e pretensões.


No entanto, como suas ideias sobre a natureza das Forças e fenômenos físicos são curiosamente — em alguns aspectos apenas — semelhantes às doutrinas ocultas, nossa intenção é utilizar seus argumentos — sobre o Magnetismo, para começar.

Estes são irrespondíveis, e assim podemos derrotar a ciência exata por seus próprios métodos de observação e armas.

Até agora, só conhecemos as teorias dos Substancialistas por seus escritos.

É possível que, salvo a grande divergência entre nossas opiniões sobre a natureza das "causas produtoras de fenômenos"—como eles estranhamente chamam as forças físicas—haja pouca diferença em nossos pontos de vista quanto à natureza substancial da Luz, do Calor, da Eletricidade, do Magnetismo, etc., etc., talvez apenas uma na forma e nos termos empregados.

Nenhum Teosofista, contudo, concordaria com expressões como as usadas na Nova Doutrina: por exemplo, "Se seus princípios forem verdadeiros, então toda força ou forma de Energia conhecida pela ciência deve ser uma Entidade substancial." Pois embora as provas do Dr. Hall quanto ao fluido magnético ser algo mais do que "um modo de movimento" sejam irrefutáveis, ainda assim há outras "forças" que são de natureza bastante diferente.

Como este artigo, no entanto, é dedicado a provar a substancialidade do magnetismo—seja animal ou físico—citaremos agora da Scientific Arena (julho de 1886) os melhores argumentos que já apareceram contra a teoria materialista da Ciência moderna.

Admitir por um momento que uma única força da natureza, como o som, a luz ou o calor, seja apenas o movimento vibratório da matéria, quer esse corpo material seja altamente atenuado como no caso do suposto éter, menos atenuado como no caso do ar, ou sólido como no caso de uma barra de ferro aquecida, é entregar às pretensões grosseiras do materialismo toda a analogia da natureza e da ciência em favor de uma vida futura para a humanidade.

E bem sabem disso os cientistas materialistas deste país e da Europa. E na mesma medida temem a difusão e a aceitação geral da Filosofia Substancial, sabendo muito bem que no momento em que as forças da natureza forem reconhecidas e ensinadas pelas escolas desta terra como entidades substanciais reais, e assim que as doutrinas do modo-de-movimento do som, da luz, do calor, etc., forem abandonadas, nesse instante sua ocupação materialista terá desaparecido para sempre . . . . .

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

Portanto, é o objetivo deste presente artigo, após assim reiterar e reforçar o escopo geral do argumento apresentado no mês passado, demonstrar que a força, per se, é uma substância imaterial, e de modo algum um movimento de partículas materiais.

Desta forma, propomos mostrar a absoluta necessidade de os cientistas cristãos de toda parte adotarem os amplos princípios da Filosofia Substancial, e fazê-lo imediatamente, se esperam derrubar o ateísmo materialista nesta terra ou defender logicamente a religião por analogia científica, e assim provar a existência substancial de Deus, bem como a provável existência substancial da alma humana após a morte.

Isso eles agora têm o privilégio de fazer com sucesso, e assim reforçar triunfantemente seus argumentos bíblicos pelo testemunho concomitante da própria natureza.

Poderíamos selecionar qualquer uma das várias formas físicas de força como o teste crucial da nova filosofia, ou como a pedra de toque do Substancialismo.

Mas, para poupar circunlóquios e detalhes de explicações desnecessárias tanto quanto possível, nesta demonstração principal e primordial, selecionamos o que nenhum cientista na Terra questionará como uma força natural representativa ou suposta forma de energia — a saber, o magnetismo.

Essa força, pela manifestação muito simples e direta de seus fenômenos ao deslocar corpos ponderáveis à distância do ímã, e sem ter qualquer substância tangível conectando o ímã a eles, é selecionada para nosso propósito, uma vez que se provou bem o enigma físico campeão para os modernos filósofos do modo de movimento, tanto neste país quanto na Europa.

Mesmo para os maiores físicos vivos, como Helmholtz, Tyndall, Sir William Thomson e outros, a ação misteriosa do magnetismo, sob qualquer luz que a ciência moderna possa lançar sobre ela, reconhecidamente oferece um problema que se mostrou completamente desconcertante para seus intelectos, simplesmente porque eles infelizmente nunca vislumbraram os princípios básicos da Filosofia Substancial, que desvendam tão claramente o mistério.

À luz desses princípios, um pensador como Sir William Thomson, em vez de ensinar, como fez em seu discurso de abertura sobre os cinco sentidos diante do Midland Institute, em Birmingham, Inglaterra, que o magnetismo era apenas o movimento molecular, ou como ele expressou, apenas a "qualidade da matéria", da "rotação das moléculas" do ímã, teria visto num relance a total ausência de qualquer relação, como causa e efeito, entre tais moléculas em movimento no ímã (supondo que elas se movam) e a elevação da massa de ferro à distância.

É extraordinariamente estranho que homens tão inteligentes como Sir William Thomson e o Prof.

Tyndall não havia chegado há muito tempo à conclusão de que o magnetismo deve, por necessidade, ser uma coisa substancial, por mais invisível ou intangível que seja, quando assim estende seus dedos mecânicos, porém invisíveis, a uma distância do ímã e puxa ou empurra um pedaço inerte de metal! Que eles não tenham visto a necessidade absoluta de tal conclusão, como a única explicação concebível dos efeitos mecânicos produzidos, e a manifesta inconsistência de qualquer outra suposição, é um dos resultados surpreendentes da influência confusa e cegante das atuais falsas teorias da ciência sobre intelectos de outra forma lógicos e profundos.


E que tais homens pudessem se satisfazer em supor que as minúsculas e locais vibrações das moléculas e átomos do ímã (necessariamente limitadas às dimensões do próprio aço) pudessem, por qualquer possibilidade, estender-se a uma distância além dele e assim puxar ou empurrar uma barra de metal, vencendo sua inércia, tenta-nos a perder todo o respeito pela sagacidade e profundidade dos intelectos desses grandes nomes da ciência.

De qualquer forma, tamanha manifesta falta de perspicácia nos físicos modernos apela, em uma voz de advertência em tons de trovão, aos jovens em ascensão deste país e da Europa para que pensem por si mesmos em questões pertinentes à ciência e à filosofia, e para que não aceitem nada sob confiança simplesmente porque acontece de ser apresentado ou aprovado por algum grande nome.

Outra anomalia notável no caso dos físicos a quem aqui nos referimos é esta: enquanto falham em ver a inevitável necessidade de uma substância real de algum tipo que emane dos polos do ímã e se conecte com o pedaço de ferro, por meio da qual possa erguê-lo e assim realizar um resultado físico, que não poderia ter sido efetuado de nenhuma outra maneira, eles são rápidos em aceitar a agência de um éter onipenetrante (uma substância não necessária de forma alguma na natureza) pelo qual produzir luz sobre esta terra como mero movimento, e assim fazê-la conformar-se às supostas ondas sonoras no ar! Dessa forma, pela mera invenção de uma substância material não necessária, eles buscaram converter não apenas luz, calor e magnetismo, mas todas as outras forças da natureza em modos de movimento, e por nenhuma razão exceto que o som havia sido erroneamente tomado como um modo de movimento por cientistas anteriores.

E, por estranho que pareça, não obstante esse suposto éter seja tão intangível a qualquer um de nossos sentidos, e tão irreconhecível por qualquer processo conhecido da química ou da mecânica quanto a substância que, necessariamente, deve emanar dos polos do ímã para agarrar e erguer a barra de ferro, os físicos aceitam alegremente o primeiro, para o qual não existe necessidade científica alguma na terra ou no céu, enquanto se recusam obstinadamente a reconhecer o segundo, embora absolutamente necessário para realizar os resultados observados! Alguma vez se testemunhou tamanha inconsistência numa teoria científica?

Examinemos um pouco mais esta questão antes de deixá-la. Se a mera "rotação das moléculas" no ímã de aço pode produzir um efeito mecânico sobre um pedaço de ferro à distância, mesmo através do vácuo, como afirma Sir William Thomson, por que a rotação das moléculas do sol não poderia causar luz à distância, sem que o espaço intermediário seja preenchido com uma substância material gelatinosa de "enorme rigidez", a ser lançada em ondas? Deve impressionar toda mente capaz de pensar cientificamente que a invenção original de um "éter" onipenetrante, "rígido" e "inerte", como causa essencial da luz à distância de um corpo luminoso,

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

foi um dos mais inúteis dispêndios de engenhosidade mecânica que o cérebro humano já perpetrou — isto é, se há a menor verdade no ensinamento de Sir William Thomson de que a mera "rotação das moléculas" no ímã erguerá uma barra de ferro distante.

Por que a rotação das moléculas do sol não poderia, com igual facilidade, produzir luz à distância?

Caso se suponha, em puro desespero, pelos filósofos do modo-de-movimento, que é o éter, preenchendo o espaço entre o ímã e o pedaço de ferro, que é posto em vibração pelas moléculas rotativas do aço, e que assim ergue o ferro distante, isso apenas pioraria a situação.

Se a vibração material no ímã de aço, que é totalmente inobservável, é comunicada à barra distante através de uma substância material e seus movimentos vibratórios, que são igualmente inobserváveis, não é evidente que seus efeitos na barra distante deveriam ser do mesmo caráter mecânico, ou seja, inobserváveis? Em vez disso, o ferro é levantado fisicamente e visto claramente, e isso sem qualquer tremor observado, como se feito por uma “geleia” vibrante, como se alega ser o éter! Além disso, tal levantamento físico de uma massa ponderável é totalmente incongruente com mero tremor, por mais poderoso e observável que tal tremor ou vibração possa ser, de acordo com todos os princípios conhecidos da mecânica.

O senso comum deveria assegurar a qualquer homem que mera vibração ou tremor, por mais poderoso e sensível, não pode puxar nem empurrar nada.

É impossível conceber a realização de tal resultado exceto por algum agente substancial que se estende do ímã, agarra o ferro e o puxa à força, deslocando-o assim. Tão bem quanto falar em puxar um barco para a margem sem alguma corda ou outra coisa substancial conectando você ao barco.

Até Sir William Thomson não afirmaria que o barco poderia ser puxado por provocar uma vibração molecular da margem, ou mesmo por produzir um tremor visível na água, como o Dr. Hamlin mostrou tão logicamente em seu recente e magistral artigo sobre Força.

(Veja Microcosm, Vol. V, p. 98.)

É bem sabido que um ímã levantará um pedaço de ferro à mesma distância precisamente através de lâminas de vidro como se nenhum vidro interviesse.

O ateu convicto Sr. Smith, de Cincinnati, Ohio, a quem nos referimos em nossos artigos sobre Substancialismo, em The Microcosm (Vol. III, páginas 278, 311), ficou totalmente confundido com esta exibição da força substancial do magnetismo agindo à distância através de placas impermeáveis de vidro.

Quando colocamos uma quantidade de agulhas e tachinhas sobre a placa e passamos os polos do ímã por baixo dela, fazendo-as mover-se com o ímã, ele viu pela primeira vez em sua vida a operação de uma substância real, exercendo um efeito mecânico ao deslocar corpos ponderáveis de metal, desafiando todas as condições materiais, e sem possível conexão material ou passagem livre entre a fonte e o término de tal agência substancial.

E ele exclamou perguntando: se isto é assim, não pode haver um Deus substancial, inteligente e imaterial, e não posso eu

ter uma alma substancial, porém imaterial, que possa viver separadamente do meu corpo depois que este morre? Ele então levantou a questão, perguntando se tínhamos certeza de que não eram os poros invisíveis da placa de vidro através dos quais a força magnética encontrava seu caminho, e, portanto, se essa força não poderia ser, afinal, uma forma refinada de matéria? Ele até nos ajudou a encher a placa com água fervida, sobre a qual flutuar um cartão com agulhas colocadas nele, interpondo assim entre eles e o ímã o mais imporoso de todos os corpos conhecidos.

Mas isso não fez a menor diferença; o cartão com sua carga de agulhas movia-se para cá e para lá à medida que o ímã era movido sob a placa e a água.

Isso foi suficiente até para aquele materialista mais crítico, porém sincero, e ele confessou que havia entidades substanciais, porém imateriais, no céu e na terra, nunca sonhadas em sua filosofia ateísta.

Eis, então, o argumento conclusivo pelo qual demonstramos que o magnetismo, uma das forças da natureza e justo representante de todas as forças naturais, não é apenas uma entidade real e substancial, mas uma substância absolutamente imaterial; justificando assim nossa classificação original das entidades do universo em substâncias materiais e imateriais.

1. Se o magnetismo não fosse uma substância real, não poderia erguer fisicamente um pedaço de metal à distância do ímã, assim como nossa mão não poderia erguer um peso do chão sem alguma conexão substancial entre os dois.

É uma verdade evidente por si mesma, como axioma da mecânica, que nenhum corpo pode mover ou deslocar outro corpo à distância sem um meio real e substancial conectando os dois, através do qual o resultado é alcançado; caso contrário, seria um efeito mecânico sem causa — um absurdo evidente em filosofia.

Portanto, a força do magnetismo é uma entidade real e substancial.

2. Se o magnetismo não fosse uma substância imaterial, então qualquer corpo praticamente imporoso que se interpusesse entre o ímã e o objeto atraído impediria, ao menos em certa medida, a passagem da corrente magnética, o que não ocorre. Se o magnetismo fosse uma forma muito refinada ou atenuada de matéria, e se dependesse, portanto, para sua passagem através de outros corpos materiais, de seus poros imperceptíveis, então, manifestamente, alguma diferença na liberdade de sua passagem, e na consequente força atrativa do ímã distante, deveria resultar de uma grande diferença na porosidade dos diferentes corpos testados, como seria o caso, por exemplo, ao forçar o vento através de uma tela de arame com interstícios maiores ou menores, oferecendo consequentemente maior ou menor resistência.

Ao passo que, no caso dessa substância magnética, nenhuma diferença resulta na energia de sua tração mecânica sobre um pedaço de ferro distante, quer sejam muitas ou poucas as folhas praticamente imporosas de vidro, borracha, ou qualquer outro

–––––––––– Esta é uma palavra muito errada de se usar.

Ver texto.—H. P. B. ––––––––––

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

corpo material que se faça intervir, ou se nenhuma substância, exceto o ar, for interposta, ou se o teste for feito em vácuo perfeito.

A tração é sempre com precisamente a mesma força, e moverá o pedaço de ferro suspenso à mesma distância dele em cada e todo caso, por mais refinados e delicados que sejam os instrumentos pelos quais os testes são medidos.

As passagens citadas acima são positivamente irrespondíveis.

No que diz respeito à força ou fluido magnético, os Substancialistas inegavelmente fizeram valer o seu caso; e seu triunfo será saudado com alegria por todo Ocultista.

É impossível ver, de fato, como os fenômenos do magnetismo—seja terrestre ou animal—podem ser explicados de outra forma senão admitindo um fluido magnético material, ou substancial.

Isso, mesmo alguns dos Cientistas não negam—Helmholtz acreditando que a eletricidade deve ser tão atômica quanto a matéria—o que ela é (Helmholtz, "Faraday Lecture"). E, a menos que a Ciência esteja preparada para divorciar a força da matéria, não vemos como ela possa sustentar sua posição por muito mais tempo.

Mas não estamos de forma alguma tão certos sobre certas outras Forças—no que diz respeito aos seus efeitos—e a filosofia esotérica encontraria uma objeção fácil a toda suposição dos Substancialistas—por exemplo, com relação ao som.

Como o dia está amanhecendo em que a nova teoria certamente se alinhará

––––––––––      [Esta declaração pode ser encontrada em um discurso proferido por Hermann von Helmholtz em uma reunião memorial perante a Sociedade Química em Londres, em 1881. No decorrer desse discurso intitulado "Die Neuere Entwickelung von Faraday's Ideen über Elektricität", o palestrante disse:         ". . . . . Se admitirmos átomos dos elementos químicos, não podemos deixar de concluir, além disso, que também a eletricidade, tanto positiva quanto negativa, está dividida em quanta elementares determinados, que se comportam como átomos da eletricidade.

. . ."

Este discurso encontra-se em von Helmholtz' Vorträge und Reden, Vol.

II, pp. 252-91 (5ª ed., Braunschweig: Fr. Vieweg und Sohn, 1903), estando as palavras exatas na página 272. É uma das primeiras declarações de cientistas ocidentais sobre a então provável, ou pelo menos suspeitada, estrutura ou natureza descontínua da eletricidade, cerca de dezesseis anos antes da descoberta do elétron em 1897.—Compilador.] –––––––––– se coloca contra o Ocultismo, é bom, talvez, antecipar as objeções e eliminá-las de uma vez.


A expressão "substância imaterial" usada acima em conexão com o magnetismo é muito estranha e, além disso, é autocontraditória.

Se, em vez de dizer que "o magnetismo . . . . . . . não é apenas uma entidade real e substancial, mas uma substância absolutamente imaterial", o escritor tivesse aplicado essa definição à luz, ao som ou a qualquer outra força em seus efeitos, não teríamos nada a dizer, exceto observar que o adjetivo "supersensível" teria sido mais aplicável a qualquer força do que a palavra "imaterial". Mas dizer isso do fluido magnético é errado, pois é uma essência bastante perceptível a qualquer vidente, seja na escuridão—como no caso das emanações ódicas—ou na luz—quando o magnetismo animal é praticado.

Sendo então um fluido em estado supersensível, ainda assim matéria, não pode ser "imaterial", e a expressão torna-se imediatamente tão ilógica quanto sofística.

No que diz respeito às outras forças—se por "imaterial" se entende apenas aquilo que é objetivo, mas além do alcance de nossas percepções ou sentidos normais atuais, muito bem; mas então, seja o que for que os Substancialistas queiram dizer com isso, nós, Ocultistas e Teosofistas, discordamos da forma como o apresentam. Substância, nos dizem os dicionários e enciclopédias filosóficas, é aquilo que subjaz aos fenômenos externos; substrato; o sujeito ou causa permanente dos fenômenos, seja material ou espiritual; aquilo em que os atributos inerem; aquilo que é real em distinção daquilo que é apenas aparente—especialmente neste mundo de maya.

É, em suma—real, e a única Essência real.

Mas as ciências ocultas, embora chamem a Substância de númeno de toda forma material, explicam esse númeno como sendo ainda matéria—apenas em outro plano.

Aquilo que é númeno para nossas percepções humanas é matéria para as de

––––––––––       O uso dos termos "matéria, ou substância existente em condições supra-sensíveis" ou, "estados supra-sensíveis da matéria" evitaria uma explosão de críticas ferozes, mas justas, não apenas por parte dos homens da Ciência, mas de qualquer pessoa comum e bem-educada que conheça o valor dos termos.

––––––––––

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

um Dhyan Chohan.

Como explicado por nosso erudito Irmão Vedantino—T. Subba Row—Mulaprakriti, o primeiro aspecto universal de Parabrahma, seu Véu Cósmico, e cuja essência, para nós, é impensável, é para o LOGOS "tão material quanto qualquer objeto é material para nós" (Notas sobre o Bhag.

Gita) Portanto—nenhum Ocultista descreveria a Substância como "imaterial" in esse.

Substância é um termo confuso, em qualquer caso.

Podemos chamar nosso corpo, ou um macaco, ou uma pedra, bem como qualquer tipo de tecido—de "substancial". Portanto, chamamos antes de "Essência" o material dos corpos dessas Entidades—os Seres supra-sensíveis, nos quais acreditamos, e que de fato existem, mas que a Ciência e seus admiradores consideram como superstição absurda, chamando de ficções tanto um deus "pessoal" quanto os anjos dos cristãos, assim como fariam com nossos Dhyan Chohans, ou os Devas, "Homens Planetários", Gênios, etc., etc., dos Cabalistas e Ocultistas.

Mas estes últimos jamais sonhariam em chamar os fenômenos da Luz, do Som, do Calor, da Coesão, etc.—de “Entidades,” como fazem os Substancialistas. Eles definiriam essas Forças como efeitos puramente imateriais e perceptivos—sem causas substanciais e essenciais—dentro: no extremo final das quais, ou na origem, encontra-se uma ENTIDADE, cuja essência muda com a do Elemento a que pertence. (Ver “Mônadas, Deuses e Átomos” do Volume I, A Doutrina Secreta, Livro II.) Tampouco a Alma pode ser confundida com as FORÇAS, que estão em um plano de percepção bastante distinto.

Choca, portanto, um Teosofista encontrar os Substancialistas incluindo, de modo tão pouco filosófico, a Alma entre as Forças.

Tendo—como ele diz a seus leitores—"lançado o fundamento de nosso argumento nas analogias claramente definidas de

––––––––––       É inútil lembrar novamente ao leitor que por Elementos não se entendem o ar, a água e a terra compostos, que existem presentes às nossas percepções terrestres e sensuais—mas os Elementos nounênicos dos antigos.

 [“Deuses, Mônadas e Átomos,” Vol.

I, Livro I, Parte III, pp. 610-632, no rascunho final de A Doutrina Secreta, conforme publicado em 1888.—Compilador.] –––––––––– 326                             BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

natureza,” o editor da Scientific Arena, em um artigo chamado “Evidência Científica de uma Vida Futura,” prossegue da seguinte maneira:

. . . . Se os princípios do Substancialismo forem verdadeiros, então, como ali se mostra, toda força ou forma de energia conhecida pela ciência deve ser uma entidade substancial.

Procuramos ainda demonstrar que, se uma forma de força fosse conclusivamente provada como uma existência substancial ou objetiva, seria um claro afastamento da razão e da consistência não supor que todas as forças ou causas produtoras de fenômenos na natureza também sejam entidades substanciais.

Mas se uma forma de força física, ou uma única causa produtora de fenômenos, como calor, luz ou som, pudesse ser claramente demonstrada como mero movimento de partículas materiais, e não uma entidade ou coisa substancial, então, por analogia racional e pela uniformidade harmoniosa das leis da natureza, todas as outras forças ou causas produtoras de fenômenos, sejam físicas, vitais, mentais ou espirituais, devem cair na mesma categoria de modos não-entitativos de movimento de partículas materiais.

Daí se seguiria, em tal caso, que a alma, a vida, a mente ou o espírito, longe de ser uma entidade substancial que possa formar a base de uma esperança de existência imortal para além da vida presente, deve, segundo o materialismo, e como mero movimento de partículas cerebrais e nervosas, cessar de existir sempre que tais partículas físicas cessarem de se mover na morte.

ESPÍRITO — uma “Entidade substancial”!! Certamente o Substantialismo não pode pretender muito seriamente ao título de filosofia — em tal caso.

Mas leiamos os argumentos até o fim.

Aqui encontramos um ataque justo e reto ao Materialismo, rematado com a mesma afirmação antifilosófica! . . .

Da declaração precedente das posições salientes da ciência materialista, conforme elas se opõem à existência da alma após a morte, extraímos a conclusão lógica de que nenhum filósofo cristão que aceite as doutrinas correntes do som, da luz e do calor como meros modos de movimento molecular pode jamais responder ao raciocínio analógico do materialista contra a imortalidade do homem.

Nenhuma visão possível, como tantas vezes insistimos, pode fazer o menor progresso contra tal raciocínio materialista ou formular qualquer réplica a esse grande argumento de Haeckel e Huxley contra a alma como entidade e sua possível existência separada do corpo, exceto o ensinamento do Substantialismo, que tão consistentemente sustenta que a alma, a vida, a mente e o espírito são necessariamente forças ou entidades substanciais, pelas analogias da ciência física, a saber, a natureza substancial de todas as forças físicas, incluindo gravidade, eletricidade, magnetismo, coesão, som, luz, calor, etc.

Essa posição inexpugnável do Substantialista, por analogia lógica, baseada na uniformidade harmoniosa das leis e forças da natureza, forma o baluarte da Filosofia Substancial, e deve, na

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

natureza das coisas, constituir para sempre a torre forte desse sistema de ensinamento.

Se o edifício do Substantialismo, assim fundado e fortificado, pode ser tomado e saqueado pelas forças do materialismo, então nossos trabalhos por tantos anos manifestamente terão sido em vão.

Dizei, se quiserdes, que os exércitos do Substantialismo estão assim queimando as pontes atrás de si.

Assim seja. Preferimos a morte a render-nos ou recuar; pois se esta posição fundamental não puder ser mantida contra as forças combinadas do inimigo, então tudo está perdido, o materialismo triunfou, e a morte é uma aniquilação eterna para a raça humana.

Dentro desta cidadela central de princípios, portanto, entrincheiramo-nos para sobreviver ou perecer, e aqui, cercados por esta muralha de adamantina, armazenamos todos os nossos tesouros e munições de guerra, e se as hordas agnósticas da ciência materialista desejam possuí-los, que dirijam contra ela sua mais pesada artilharia.

. . .

Quão estranho, então, que quando os próprios materialistas reconhecem a desesperança de sua situação, e tão prontamente apreendem o verdadeiro significado deste argumento analógico baseado na natureza substancial das forças físicas, devamos ser obrigados a raciocinar com professos substancialistas, dando-lhes argumento após argumento a fim de provar-lhes que eles não são substancialistas de modo algum, no verdadeiro sentido do termo, enquanto deixarem uma única força da natureza, ou uma única causa produtora de fenômenos na natureza, fora da categoria das entidades substanciais!

Um ministro de nosso conhecimento fala com entusiasmo do sucesso final da Filosofia Substancial, e orgulhosamente se autodenomina substancialista, mas se recusa a incluir o som entre as forças e entidades substanciais, aceitando assim virtualmente a teoria ondulatória! Em nome de toda consistência lógica, o que poderia esse ministro dizer em resposta a outro "substancialista" que insistisse na beleza e verdade do Substancialismo, mas que não pudesse incluir a luz? E então outro que não pudesse incluir o calor, ou a eletricidade, ou o magnetismo, ou a gravidade? No entanto, todos eles bons "substancialistas" sob exatamente o mesmo princípio daquele que deixa o som fora da categoria substancial, enquanto ainda reivindica ser um substancialista ortodoxo! Por que não deveriam eles deixar a força vital e a força mental e a força espiritual fora da lista de entidades, tornando-as assim, como a força do som (como insistem os materialistas), meramente a vibração de partículas materiais, e ainda assim reivindicar o direito de se autodenominarem bons substancialistas? Haeckel e Huxley seriam então candidatos devidamente qualificados para o batismo na igreja do Substancialismo.

A verdade é que o ministro que pode admitir por um momento que o som consiste apenas no movimento de partículas de ar, e assim, que não é uma entidade substancial, é um materialista no fundo, embora possa não estar consciente do redemoinho lógico que o está arrastando para a destruição científica.

Todos nós já ouvimos falar da peça "Hamlet", com o Príncipe da Dinamarca deixado de fora.

Tal seria a científica

jogo do Substantialismo com a questão do som ignorada, e a teoria da acústica entregue ao materialismo.

(Veja nosso editorial sobre "O Significado da Discussão sobre o Som", The Microcosm, Vol. V, p. 197.)

Simpatizamos com o "Ministro" que se recusa a incluir o Som entre as "Entidades Substanciais". Acreditamos em FOHAT, mas dificilmente nos referiríamos à sua Voz e Emanações como "Entidades", embora sejam produzidas por um choque elétrico de átomos e repercussões que produzem tanto Som quanto Luz.

A ciência não aceitaria mais o nosso Fohat do que as Entidades de Som ou Luz da "Filosofia Substancial" (?). Mas temos esta satisfação, de qualquer forma, que, uma vez completamente explicado, Fohat se mostrará mais filosófico do que as teorias materialistas ou substanciais das forças da natureza.

Como pode alguém com pretensões a uma mente tanto científica quanto psicológica, falando de Alma e especialmente de Espírito, colocá-los no mesmo nível dos fenômenos físicos da natureza, e isso, em uma linguagem que só se pode aplicar a fatos físicos! Até o Professor Bain, "um ANIQUILACIONISTA monista", como é chamado, confessa que "estados mentais e corporais são totalmente contrastados". Assim, a conclusão direta a que os Ocultistas e os Teosofistas podem chegar, de qualquer forma, com base na evidência prima facie fornecida por escritos que nenhuma filosofia pode agora refutar, é—que a Filosofia Substancial, que foi trazida a este mundo para combater a ciência materialista e matá-la, a supera imensuravelmente em Materialismo.

Nem Bain, nem Huxley, nem mesmo Haeckel, jamais confundiram a tal ponto fenômenos mentais e físicos.

Ao mesmo tempo, os "apóstolos do Materialismo" estão em um plano mais elevado de filosofia do que seus oponentes.

Pois, a acusação feita contra eles de ensinar que a Alma é "o mero movimento de partículas cerebrais e nervosas" é inverídica, pois eles nunca ensinaram isso.

Mas, mesmo supondo que tal fosse sua teoria, seria ––––––––––       Os Substancialistas chamam, além disso, de Espírito aquilo que chamamos de mente —(Manas), e assim é a Alma que ocupa com eles o lugar de ATMA; em suma, eles confundem o veículo com o Motorista dentro.

––––––––––                                     A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

só pode estar de acordo com o Substancialismo, uma vez que este nos assegura que Alma e Espírito, tanto quanto todas as "causas produtoras de fenômenos" (?) sejam físicas, mentais ou espirituais — se não forem consideradas ENTIDADES SUBSTANCIAIS — "devem cair na mesma categoria dos modos não-entitativos [?] de movimento de partículas materiais." Tudo isso não é apenas dolorosamente vago, mas é quase desprovido de sentido.

A inferência de que a aceitação das teorias científicas recebidas sobre luz, som e calor, etc., equivaleria a aceitar o movimento da alma das moléculas — certamente dificilmente merece discussão.

É bem verdade que há uns trinta ou quarenta anos Büchner e Moleschott tentaram provar que a sensação e o pensamento são um movimento da matéria.

Mas isso foi declarado por um conhecido Aniquilacionista inglês como "indigno do nome de 'filosofia'." Nenhum homem de real reputação científica ou de qualquer eminência, nem Tyndall, Huxley, Maudsley, Clifford, Bain, Spencer nem Lewes, na Inglaterra, nem Virchow, nem Haeckel na Alemanha, jamais foi tão longe a ponto de dizer: — "O pensamento É um movimento de moléculas." Sua única disputa com os crentes na alma foi e é que, enquanto estes últimos sustentam que a alma é a causa do pensamento, eles (os Cientistas) afirmam que o pensamento é concomitante de certos processos físicos no cérebro.

Nem jamais disseram (os verdadeiros cientistas e filósofos, por mais materialistas que sejam) que o pensamento e o movimento nervoso são a mesma coisa, mas que são "os lados subjetivo e objetivo da mesma coisa." John Stuart Mill é uma boa autoridade e um exemplo a citar, e assim negar a acusação.

Pois, falando do método grosseiro e rude de tentar resolver a sensação em movimento nervoso (tomando como exemplo o caso das vibrações nervosas até o cérebro, que são o lado físico da percepção da luz), "no fim de todos esses movimentos, há algo que não é movimento — há um sentimento ou sensação de cor . . .", ele diz.

Portanto, é bem verdade dizer que "o sentimento subjetivo aqui mencionado por Mill sobreviverá até mesmo à aceitação da teoria ondulatória da luz, ou do calor, como um modo de movimento." Pois esta última se baseia em uma especulação física, e a primeira se constrói sobre a filosofia eterna — por mais imperfeita que seja, por estar tão contaminada pelo Materialismo.


Nossa disputa com os Materialistas não é tanto por suas Forças sem alma, mas por negarem a existência de qualquer "portador de Força", o Nôumeno da Luz, da Eletricidade, etc.

Acusá-los de não fazerem diferença entre fenômenos mentais e físicos equivale a proclamar-se ignorante de suas teorias.

Os mais famosos Negacionistas são hoje os primeiros a admitir que a AUTOCONSCIÊNCIA e o MOVIMENTO "estão nos polos opostos da existência". O que resta a ser resolvido entre nós e os IDEALISTAS materialistas — um paradoxo vivo, aliás, hoje personificado pelos mais eminentes escritores de filosofia idealista na Inglaterra — é a questão de saber se essa consciência é experimentada apenas em conexão com as moléculas orgânicas do cérebro ou não.

Nós dizemos que é o pensamento ou a mente que põe em movimento as moléculas do cérebro físico; eles negam qualquer existência à mente, independente do cérebro.

Mas mesmo eles não chamam a sede da mente de "tecido molecular", mas apenas de "princípio-mente" — a sede ou a base orgânica da mente manifestante.

Que essa é a real atitude da ciência materialista pode ser demonstrado lembrando ao leitor as confissões do Sr. Tyndall em seus *Fragmentos de Ciência*, pois desde os dias de suas discussões com o Dr. Martineau, a atitude dos Materialistas não mudou.

Essa atitude permanece inalterada, a menos que, de fato, coloquemos os Hilo-Idealistas no mesmo nível do Sr. Tyndall — o que seria absurdo.

Tratando do fenômeno da Consciência, o grande físico cita esta questão do Dr. Martineau: "Um homem pode dizer 'sinto, penso, amo', mas como a consciência se infunde no problema?" E ele assim responde:

A passagem da física do cérebro para os fatos correspondentes da consciência é impensável.

Concedido que um pensamento definido e uma ação molecular definida no cérebro ocorram simultaneamente; não possuímos o órgão intelectual, nem aparentemente qualquer rudimento –––––––––– [Parte II, Introd., pp. 340-41, na 6ª ed., Nova York: D. Appleton & Co., 1891.—Compilador.] ––––––––––

A NATUREZA SUBSTANCIAL DO MAGNETISMO

do órgão, que nos permitisse passar, por um processo de raciocínio, de um ao outro.

Eles aparecem juntos, mas não sabemos por quê.

Se nossas mentes e sentidos fossem tão expandidos, fortalecidos e iluminados, a ponto de nos permitirem ver e sentir as próprias moléculas do cérebro; se fôssemos capazes de acompanhar todos os seus movimentos, todos os seus agrupamentos, todas as suas descargas elétricas, se tais existirem; e se fôssemos intimamente familiarizados com os estados correspondentes de pensamento e sentimento, estaríamos tão longe quanto sempre da solução do problema: "Como estão esses processos físicos conectados com os fatos da consciência?" O abismo entre as duas classes de fenômenos permaneceria ainda intelectualmente intransponível.

Assim, parece haver muito menos desacordo entre os Ocultistas e a Ciência moderna do que entre os primeiros e os Substancialistas.

Estes últimos confundem, da maneira mais desesperadora, as fases subjetiva e objetiva de todos os fenômenos, e os Cientistas não o fazem, não obstante limitarem o subjetivo apenas aos fenômenos terrenos ou terrestres.

Nisso, eles escolheram o método cartesiano com relação a átomos e moléculas; nós nos apegamos às antigas e primitivas crenças filosóficas, tão intuitivamente percebidas por Leibnitz.

Nosso sistema pode, portanto, ser chamado, como o dele foi—"Espiritualista e Atomístico." Os Substancialistas falam com grande desdém da teoria vibratória da ciência.

Mas, até que sejam capazes de provar que seus pontos de vista explicariam igualmente os fenômenos, preenchendo, além disso, as lacunas e falhas reais nas hipóteses modernas, dificilmente têm o direito de usar tal tom.

Como todas essas teorias e especulações são apenas provisórias, podemos muito bem deixá-las de lado.

A ciência fez descobertas maravilhosas no lado objetivo de todos os fenômenos físicos.

Onde ela está realmente errada é quando percebe na matéria apenas—isto é, naquela matéria que lhe é conhecida—o alfa e o ômega de todos os fenômenos.

Rejeitar, contudo, a teoria científica das vibrações na luz e no som é cortejar tanto ridículo quanto os cientistas fazem ao rejeitar os fenômenos espiritualistas físicos e objetivos, atribuindo-os todos à fraude.

A ciência verificou e provou a rapidez exata com que as ondas sonoras viajam, e imitou artificialmente—com base nos dados da transmissão do som por essas ondas—a voz humana e outros fenômenos acústicos.

A sensação de som— a resposta do trato sensorial a um estímulo objetivo (vibrações atmosféricas) é uma questão de consciência: e chamar o som de uma "Entidade" neste plano é objetivar de modo mais ridículo um fenômeno subjetivo que é, afinal, apenas um efeito—a extremidade inferior de uma concatenação de causas.


Se o Materialismo localiza tudo na matéria objetiva e não vê a origem e as causas primárias das Forças—tanto pior para os materialistas; pois isso apenas mostra as limitações de suas próprias capacidades de ouvir e ver—limitações que Huxley, por exemplo, reconhece, pois ele é incapaz, por sua própria confissão, de definir os limites de nossos sentidos, e ainda assim afirma sua tendência materialista ao localizar os sons apenas nas células da matéria, e em nosso plano sensorial.

Eis o grande Biólogo diminuindo nossos sentidos e cerceando os poderes do homem e da natureza em sua linguagem usual ultrapoética.

Ouçam-no (como citado por Stirling, Concerning Protoplasm) falar do "maravilhoso silêncio do meio-dia de uma floresta tropical", que "é, afinal, devido apenas à obtusidade de nossa audição; e se nossos ouvidos pudessem captar os murmúrios desses minúsculos redemoinhos, enquanto giram nas inúmeras miríades de células vivas que constituem cada árvore, ficaríamos atordoados como com o rugido de uma grande cidade." O telefone e o fonógrafo, além disso, estão aí para desmentir qualquer teoria, exceto a vibratória—por mais materialisticamente expressa que seja.

Portanto, a tentativa dos Substancialistas "de mostrar a falácia da teoria ondulatória do som como universalmente ensinada, e de delinear a teoria substancial da acústica," não pode ser bem-sucedida.

Se eles mostrarem que o som não é um modo de movimento em sua origem e que as forças não são meramente as qualidades e propriedades da matéria induzidas ou geradas na, pela e através da matéria, sob certas condições—eles terão alcançado um grande triunfo.

Mas, seja como substância, matéria ou efeito, o som e a luz nunca podem ser divorciados de seus modos de manifestação através de vibrações—pois toda a

––––––––––      [Referência aqui é a James Hutchison Stirling, As Regards Protoplasm, Londres, 1872; Prefácio, p. 12.—Compilador.] ––––––––––

PSICOLOGIA, A CIÊNCIA DA ALMA

natureza subjetiva ou oculta é um movimento perpétuo eterno de vibrações VORTICAIS.

H. P. B.

––––––––––                      Escritos Reunidos VOLUME VIII                                           Outubro,

PSICOLOGIA, A CIÊNCIA DA ALMA                            [Lucifer, Vol.

XIX, No. 110, outubro de 1896, pp. 97-102]

Ética e lei estão, até agora, apenas nas fases em que ainda não há teorias, e mal existem sistemas, e mesmo estes, baseados como os encontramos em ideias a priori em vez de observações, são bastante irreconciliáveis entre si.

O que resta então fora da ciência física? Dizem-nos: "Psicologia, a Ciência da Alma, do Eu Consciente ou Ego." Ai, e três vezes ai! Alma, o Eu, ou Ego, é estudada pela psicologia moderna tão indutivamente quanto um pedaço de matéria em decomposição é estudado por um físico.

A psicologia e sua planta-mãe, a metafísica, tiveram pior sorte do que qualquer outra ciência.

Essas ciências gêmeas há muito estão tão separadas na Europa que se tornaram, em sua ignorância, inimigas mortais.

Depois de passarem mal o suficiente nas mãos da escolástica medieval, foram libertadas dela apenas para cair na sofística moderna.

A psicologia em sua roupagem atual é simplesmente uma máscara cobrindo a cabeça de um esqueleto horripilante e esgaravatado, uma flor upas mortal e bela crescendo em um solo do mais desesperançado materialismo.

"Pensamento é, para o psicólogo, sensação metamorfoseada, e o homem um autômato indefeso, manipulado por fios pela hereditariedade e pelo ambiente" — escreve um hilo-idealista meio enojado, agora felizmente um teosofista.

"E ainda assim homens como Huxley pregam esse automatismo humano e a moralidade no mesmo ––––––––––     [Vide Nota do Compilador que introduz o ensaio precedente sobre a "Natureza Substancial do Magnetismo."—Compilador.] –––––––––– fôlego.


. . . . Monistas até o último homem, aniquilacionistas que esmagariam a intuição com calcanhar de ferro, se pudessem.

. . . ." Esses são os nossos psicólogos ocidentais modernos!     Todos veem que a metafísica, em vez de ser uma ciência dos primeiros princípios, agora se fragmentou em um número de escolas mais ou menos materialistas de todos os matizes e cores, do pessimismo de Schopenhauer ao agnosticismo, monismo, idealismo, hilo-idealismo, e todo "ismo", com exceção do psiquismo — para não falar da verdadeira psicologia.

O que o Sr. Huxley disse do Positivismo, a saber, que era o Catolicismo Romano menos o Cristianismo, deveria ser parafraseado e aplicado à nossa filosofia psicológica moderna.

É psicologia, menos a alma; a psique sendo rebaixada à mera sensação; um sistema solar menos o sol; Hamlet com o Príncipe da Dinamarca não inteiramente expulso da peça, mas de alguma forma vaga suspeito de estar provavelmente em algum lugar atrás dos bastidores.

Quando um humilde Davi busca conquistar o inimigo, não é contra os peixes pequenos do exército que ele ataca, mas contra Golias, seu grande líder.

Assim, é uma das afirmações do Sr. Herbert Spencer que, ao risco de repetição, deve ser analisada para provar a acusação aqui apresentada.

É assim que "o maior filósofo do século XIX" fala:

––––––––––       Monismo é uma palavra que admite mais de uma interpretação.

O "monismo" de Lewes, Bain e outros, que se esforça tão vãmente para comprimir todos os fenômenos mentais e materiais na unidade de Uma Substância, não é de modo algum o monismo transcendental da filosofia esotérica.

A atual "Teoria da Substância Única" da mente e da matéria envolve necessariamente a doutrina da aniquilação e é, portanto, falsa.

O ocultismo, por outro lado, reconhece que, na análise última, até mesmo o Logos e Mûlaprakriti são um; e que há apenas Uma Realidade por trás da Mâyâ do universo.

Mas no circuito manvântrico, no reino do ser manifestado, o Logos (espírito) e Mûlaprakriti (matéria ou seu númeno) são os polos ou bases duais contrastados de todos os fenômenos—subjetivos e objetivos.

A dualidade de espírito e matéria é um fato, enquanto durar o Grande Manvantara.

Além disso, avulta a escuridão do "Grande Desconhecido", o único Parabrahman.

––––––––––

PSICOLOGIA, A CIÊNCIA DA ALMA

O ato mental no qual o eu é conhecido implica, como todo outro ato mental, um sujeito que percebe e um objeto percebido.

Se, então, o objeto percebido é o eu, qual é o sujeito que percebe? Ou se é o verdadeiro eu que pensa, que outro eu pode ser aquele que é pensado? Claramente, uma verdadeira cognição do eu implica um eu no qual o conhecer e o conhecido são um—no qual sujeito e objeto são identificados; e isso o Sr. Mansel corretamente sustenta ser a aniquilação de ambos! De modo que a personalidade da qual cada um é consciente, e cuja existência é para cada um um fato mais certo do que todos os outros, é, contudo, uma coisa que não pode ser verdadeiramente conhecida de forma alguma; o conhecimento dela é proibido pela própria natureza do pensamento.

Os itálicos são nossos para mostrar o ponto em discussão.

Isso não nos lembra um argumento em favor da teoria ondulatória, a saber, que "o encontro de dois raios cujas ondas se entrelaçam produz escuridão"? Pois a afirmação do Sr. Mansel de que quando o eu pensa sobre o eu, sendo simultaneamente sujeito e objeto, é "a aniquilação de ambos" — significa exatamente isso, e o argumento psicológico é, portanto, colocado na mesma base do fenômeno físico das ondas de luz.

Além disso, o Sr. Herbert Spencer, confessando que o Sr. Mansel está certo e baseando nisso sua conclusão de que o conhecimento do eu ou da alma é assim "proibido pela própria natureza do pensamento", é uma prova de que o "pai da psicologia moderna" (na Inglaterra) procede com princípios psicológicos não melhores do que os dos Srs.

Huxley! e Tyndall. Não contemplamos de modo algum a impertinência de criticar um gigante do pensamento como o Sr. H. Spencer é justamente considerado por seus amigos e admiradores.

–––––––––– O Eu Superior ou Buddhi-Manas, que no ato da autoanálise ou do mais elevado pensamento abstrato, revela parcialmente sua presença e mantém em revisão a consciência cerebral subserviente.

[H. P. B.] Primeiros Princípios, pp. 65-66. [p. 55 na 6ª ed., Nova York e Londres: D. Appleton & Co., 1927.—(Comp.)] Nem mesmo notamos algumas críticas muito pontuais nas quais se mostra que o postulado do Sr. Spencer de que "a consciência não pode estar em dois estados distintos ao mesmo tempo" é flagrantemente contradito por ele mesmo quando afirma que é possível estarmos conscientes de mais de um estado.

"Para serem conhecidos como dessemelhantes", diz ele, "os estados conscientes devem ser conhecidos em sucessão" (ver A Filosofia do Sr. H. Spencer Examinada, pelo Rev.

James Iverach, M.A., pp. 15-16). –––––––––– Mencionamos isso simplesmente para provar nosso ponto e mostrar que a psicologia moderna é um equívoco, mesmo que se afirme que o Sr. Spencer "alcançou conclusões de grande generalidade e verdade, a respeito de tudo o que pode ser conhecido pelo homem". Temos um objetivo determinado em vista, e não nos desviaremos da linha reta, e nosso objetivo é mostrar que o ocultismo e sua filosofia não têm a menor chance de serem sequer compreendidos, muito menos aceitos neste século, e pela presente geração de homens de ciência.


Desejaríamos gravar nas mentes de nossos teosofistas e místicos que buscar simpatia e reconhecimento na região da "ciência" é cortejar a derrota.

A psicologia parecia uma aliada natural a princípio, e agora, tendo-a examinado, chegamos à conclusão de que é uma *suggestio falsi* e nada mais.

É um termo tão enganoso, tal como é ensinado atualmente, quanto o do Polo Antártico, com sua zona frígida sempre árida e estéril, chamada de meridional meramente por considerações geográficas.

Pois o psicólogo moderno, lidando como o faz apenas com a consciência cerebral superficial, é na verdade mais desesperançosamente materialista do que o próprio materialismo que tudo nega; este último, de qualquer forma, sendo mais honesto e sincero.

O materialismo não mostra pretensões de sondar o pensamento humano, muito menos o espírito-alma humano, que ele deliberada e friamente, mas sinceramente, nega e exclui por completo de seu catálogo.

Mas o psicólogo dedica à alma todo o seu tempo e lazer.

Ele está sempre perfurando poços artesianos nas próprias profundezas da consciência humana.

O materialista ou o ateu franco contenta-se em fazer de si mesmo, como diz Jeremy Collier, "uma criatura mortal muito desprezível... nada melhor do que um monte de poeira organizada, uma máquina ambulante, uma cabeça que fala sem alma dentro dela... cujos pensamentos são limitados pela lei do movimento." Mas o psicólogo não é sequer um mortal, ou mesmo um homem; ele é um mero agregado de sensações. O universo e

–––––––––– Segundo John Stuart Mill, nem o chamado universo objetivo nem o domínio da mente — objeto, sujeito — correspondem a qualquer realidade absoluta além da "sensação". Os objetos, todo o aparato dos sentidos, são "sensação vista objetivamente", e o mental ––––––––––

PSICOLOGIA, A CIÊNCIA DA ALMA tudo nele é apenas um agregado de sensações agrupadas, ou "uma integração de sensações". São todas relações de sujeito e objeto, relações do universal e do individual, do absoluto e do finito.

Mas quando se trata de lidar com os problemas da origem do espaço e do tempo, e de resumir todas essas inter e correlações de ideias e matéria, do ego e do não-eu, então toda a prova concedida a um oponente é o epíteto desdenhoso de "ontologista". Após o que, a psicologia moderna, tendo demolido o objeto de sua sensação na pessoa do contraditor, volta-se contra si mesma e comete *harakiri*, mostrando que a própria sensação não é nada melhor do que alucinação.

Isso é ainda mais desesperançoso para a causa da verdade do que os paradoxos inofensivos dos automatistas materialistas.

A afirmação de que "os processos físicos no cérebro são completos em si mesmos" diz respeito, afinal, apenas à função registradora do cérebro material; e, por não conseguirem explicar satisfatoriamente os processos psíquicos, os automatistas são inofensivos para causar danos permanentes.

Mas os psicólogos, em cujas mãos a ciência da alma tão infelizmente caiu agora, podem causar grande dano, na medida em que fingem ser sinceros buscadores da verdade e, no entanto, contentam-se em representar a "Corujinha" de Coleridge, que—

Navegando em asas obscenas através do meio-dia,       Deixa cair suas pálpebras de franjas azuis e as mantém fechadas,       E, piaando ao glorioso sol no céu,       Grita: "Onde está ele?"

—e quem é mais cego do que aquele que não quer ver?

–––––––––– afirma "sensação vista subjetivamente". O "Ego" é uma ilusão tão completa quanto a matéria; a Única Realidade, grupos de sentimentos unidos pelas rígidas leis da associação.

 [Estas linhas são de um poema intitulado *Fears in Solitude*.

As duas linhas imediatamente anteriores às citadas acima são:          Para fora de seu esconderijo escuro e solitário,          (Presságio portentoso!) a corujinha Ateísmo,                                                                                                 —Compilador.] –––––––––– Buscamos longe e amplamente por corroboração científica quanto à questão do espírito, e somente do espírito (em seu aspecto setenário) ser a causa da consciência e do pensamento, como ensinado na filosofia esotérica.


Encontramos tanto as ciências físicas quanto as psíquicas negando o fato categoricamente, e mantendo suas duas teorias contraditórias e conflitantes.

A primeira, além disso, em seu desenvolvimento mais recente, está quase inclinada a acreditar-se bastante transcendental devido ao último afastamento dos ensinamentos demasiado brutais dos Büchners e Moleschotts.

Mas quando se chega a analisar a diferença entre as duas, ela parece tão imperceptível que quase se fundem em uma só.

De fato, os campeões da ciência agora dizem que a crença de que sensações e pensamentos são meros movimentos da matéria — a teoria de Büchner e Moleschott — é, como observa um conhecido aniquilacionista inglês, "indigna do nome de filosofia". Nenhum homem de ciência de qualquer eminência, somos indignadamente informados, nem Tyndall, Huxley, Maudsley, Bain, Clifford, Spencer, Lewes, Virchow, Haeckel nem Du Bois-Reymond jamais foi tão longe a ponto de dizer que "o pensamento é um movimento molecular, mas que é o concomitante [não a causa, como sustentam os crentes em uma alma] de certos processos físicos no cérebro.

. . ." Eles nunca — os verdadeiros cientistas, em oposição aos falsos, os cientalistas — os monistas, em oposição aos materialistas — dizem que o pensamento e o movimento nervoso são a mesma coisa, mas que são as "faces subjetiva e objetiva da mesma coisa". Agora, pode ser devido a um treinamento defeituoso que não nos habilitou a formular ideias de um assunto além daquelas que correspondem às palavras nas quais ele é expresso, mas confessamos não ver diferença tão marcante entre a teoria de Büchner e as novas teorias monistas.

"O pensamento não é um movimento de moléculas, mas é o concomitante de certos processos físicos no cérebro." Ora, o que é um concomitante, e o que é um processo? Um concomitante, segundo as melhores definições, é uma coisa que acompanha, ou está colateralmente conectada a outra — um companheiro concorrente e simultâneo.

PSICOLOGIA, A CIÊNCIA DA ALMA

Um processo é um ato de proceder, um avanço ou movimento, seja temporário ou contínuo, ou uma série de movimentos.

Assim, o concomitante dos processos físicos, sendo naturalmente uma ave da mesma pena, seja subjetivo ou objetivo, e sendo devido ao movimento, que tanto monistas quanto materialistas dizem ser físico — que diferença há entre sua definição e a de Büchner, exceto talvez que é em palavras um pouco mais cientificamente expressa? Três visões científicas são apresentadas diante de nós com relação às mudanças no pensamento pelos filósofos contemporâneos: Postulado: "Toda mudança mental é sinalizada por uma mudança molecular na substância cerebral." A isto: 1. O materialismo diz: as mudanças mentais são causadas pelas mudanças moleculares.

2. O espiritualismo (crentes em uma alma): as mudanças moleculares são causadas pelas mudanças mentais.

[O pensamento atua sobre a matéria cerebral por meio do Fohat, focalizado através de um dos princípios.] 3. Monismo: não há relação causal entre os dois conjuntos de fenômenos; o mental e o físico sendo os dois lados da mesma coisa [uma evasiva verbal]. A isso o ocultismo responde que a primeira visão está totalmente fora de questão.

Perguntaria ao nº 2: E o que é que preside tão judiciosamente sobre as mudanças mentais? Qual é o nôumeno desses fenômenos mentais que constituem a consciência externa do homem físico? O que é que reconhecemos como o "eu" terreno e que — não obstante monistas e materialistas — de fato controla e regula o fluxo de seus próprios estados mentais? Nenhum ocultista negaria por um momento que a teoria materialista quanto às relações entre mente e cérebro é, à sua maneira, expressiva da verdade de que a consciência cerebral superficial, ou "eu fenomênico", está ligada, para todos os fins práticos, à integridade da matéria cerebral.

Essa consciência cerebral ou personalidade é mortal, sendo apenas um reflexo distorcido, através de uma base física, do eu manásico.

É um instrumento para colher experiência para o Buddhi-Manas ou mônada, e saturá-lo com o aroma da experiência conscientemente adquirida.


Mas, apesar disso, o "eu cerebral" é real enquanto dura, e tece seu Karma como uma entidade responsável.

Esotericamente explicado, é a consciência inerente àquela porção inferior do Manas que está correlacionada com o cérebro físico.

H. P. BLAVATSKY.

Collected Writings VOLUME VIII Dezembro,

CONTROVÉRSIA COM O ABBÉ ROCA

[CONTROVÉRSIA ENTRE H. P. BLAVATSKY E O ABBÉ ROCA] [Esta série polêmica de artigos foi iniciada com uma contribuição notavelmente tolerante da pena brilhante de um Cônego francês, o Abbé Roca, nas páginas de Le Lotus, o Jornal mensal de "Ísis", o Ramo Francês da Sociedade Teosófica.

Esta revista foi descrita na página de rosto como uma "Revue de Hautes Études Théosophiques, tendant à favoriser le rapprochement entre l'Orient et l'Occident" (Revista de Altos Estudos Teosóficos, destinada a promover a aproximação entre o Oriente e o Ocidente). O Jornal afirmava estar "sob a inspiração de H. P. Blavatsky". Era editado por F. K. Gaboriau, e foi iniciado em março de 1887, em Paris.]

O artigo de abertura do Abade Roca apareceu no Volume II, nº 9, dezembro de 1887. Foi seguido na mesma edição pela Resposta de H. P. B.

A réplica do Abade Roca apareceu em fevereiro de 1888. A segunda Resposta de H. P. B. foi publicada em abril de 1888. O Abade retomou o fio da controvérsia mais uma vez na edição de junho de 1888, e H. P. B. acrescentou ao seu artigo um grande número de notas de rodapé esclarecedoras que encerraram a série.

Na edição de janeiro de 1888 de Lucifer (Vol. I), H. P. B. publicou sua própria tradução inglesa, algo abreviada, do ensaio inaugural do Abade Roca, acrescentando-lhe algumas breves notas de rodapé.

Publicamos abaixo a tradução de H. P. B., acrescentando-lhe, entre colchetes, nossa própria tradução das passagens omitidas por H. P. B.

O ensaio do Abade Roca é imediatamente seguido pela resposta de H. P. B., tanto em seu francês original quanto em sua versão inglesa.

No que diz respeito ao Abade Roca, muito pouco se sabe sobre ele.

Não há dúvida de que era um eclesiástico de mente muito aberta, que pretendia combater vários abusos da Igreja Romana e foi destituído do sacerdócio, a seu tempo, por assim proceder. Estudara em seus primeiros anos na Escola Carmelita de Estudos Superiores e, eventualmente, tornou-se Cônego na diocese de Perpignan, na província dos Pireneus Orientais, na França.

Publicou três obras antes de incorrer na ira de seus superiores: Le Christ, le Pape et la Démocratie (Paris, 1884), La Crise fatale et le salut de l'Europe e La Fin de l'ancien monde (Paris, 1886). A Congregação do Index, em comunicação datada de 19 de setembro de 1888, apressou-se em aconselhar os fiéis de que, ao lerem esses livros, corriam o risco de danação eterna, e foi dada ao Abade a oportunidade de retratar suas visões heréticas.

Ele recusou-se a fazê-lo. Consequentemente, o Bispo de Perpignan, agindo com a autoridade do Papa Leão XIII, impôs-lhe a "suspensão", privando-o do exercício de todas as suas funções nas Ordens Sagradas, bem como de seu benefício eclesiástico, por recusar-se a submeter-se ao decreto pelo qual suas obras foram colocadas no Index.


Intrépido, o Abade anunciou o próximo aparecimento de sua obra seguinte, intitulada Glorieux Centenaire—1889.—Monde nouveau.

Nouveaux Cieux.

Nouvelle Terre, que foi publicado em Paris em 1889. Ele parece ter ficado muito entusiasmado com os ensinamentos e escritos de Saint-Yves d’Alveydre, com quem H. P. B. parece discordar em muitos pontos, e escreveu em algum momento uma obra intitulada Étude critique sur les Missions de St.-Yves.

Nenhuma informação veio à luz sobre os últimos anos da vida do Abade Roca, apesar das repetidas tentativas de obter tais informações de várias fontes.

Na edição de dezembro de 1887 de Le Lotus, o Editor publicou a seguinte Nota Editorial, introduzindo a primeira parte da controvérsia: “É com o maior prazer que o Editor de Le Lotus abre hoje suas páginas a um eminente Cônego [chanoine] da Igreja Católica Romana.

Confessemos que, apesar da qualidade e da ampla natureza de nosso programa de intercâmbio universal e fraternal, dificilmente esperávamos recrutar nossos adeptos entre os membros de uma Igreja que representa neste globo precisamente o oposto da civilização.

Nosso prazer será compartilhado, sem dúvida, por nossos assinantes e nossos irmãos de ‘Ísis’, pois esperamos que o Senhor Roca queira marchar em nossas fileiras conosco. Com seus irmãos brâmanes, parses, budistas, espiritualistas e materialistas, cristãos ou pagãos, publicaremos de tempos em tempos seus artigos, tão bem pensados e escritos, que não hesitamos em dar-lhe um lugar excepcional entre os poucos homens distintos que ainda se encontram entre o clero romano na França.

As notas que seguem o “Esoterismo do Dogma Cristão” mostrarão a nossos leitores que nossa reverenciada Sra.

Blavatsky colocou a questão com vigor masculino, sem ambiguidade e sem partidarismo.

Quem nos ama, que nos siga!” —Compilador.]

–––––––––– Cf. Le Voltaire, Paris, 9 de fevereiro de 1889; Le Peuple, Paris, 6 de fevereiro de 1889; l'Indépendant des Pyrénées-Orientales, 8 de fevereiro de 1889, e os comentários da própria H. P. B. sobre este evento em seu artigo “Sobre a Pseudo-Teosofia” (Lucifer, Vol. IV, março de 1889). –––––––––– Collected Writings VOLUME VIII Dezembro,

CONTROVÉRSIA COM O ABADE ROCA

ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO

A CRIAÇÃO COMO ENSINADA POR MOISÉS E OS MAHÂTMANS

ABADE ROCA, Cônego Honorário

[Le Lotus, Paris, Vol.

II, No. 9, dezembro de 1887, pp. 149-160. [Traduzido do francês original]

I.—Graças à luz que agora nos chega do Extremo Oriente através dos órgãos teosóficos publicados no Ocidente, é fácil prever que o ensino católico está prestes a sofrer uma transformação tão profunda quanto gloriosa.

Todos os nossos dogmas passarão da "letra que mata" ao "espírito que vivifica", da forma mística e sacramental à forma científica e racional, talvez até ao estágio dos métodos experimentais.

O reinado da fé, ou do mistério e dos milagres, aproxima-se do seu fim; isso é evidente e, além disso, foi predito pelo próprio Cristo.

A fé desaparece dos cérebros dos homens de ciência, para dar lugar à percepção clara das verdades essenciais que tiveram de ser veladas na origem do cristianismo, sob símbolos e figuras, a fim de adaptá-las, tanto quanto possível, às necessidades e fraquezas da infância da nossa fé.

Estranho! É precisamente na hora em que a Europa atinge a idade da razão, e quando visivelmente entra na plena posse de seus poderes, que a Índia se prepara para nos transmitir aquelas ideias mais elevadas que exatamente atendem às nossas novas necessidades, tanto do ponto de vista intelectual quanto moral, religioso, social e outros.

Poder-se-ia acreditar que os "IRMÃOS" mantinham um olhar de longe sobre os movimentos da cristandade, e que, dos cumes de suas torres de vigia himalaias, esperaram ansiosamente pela hora em que pudessem fazer-se ouvir por nós com alguma chance de serem compreendidos.

[Minha admiração aumenta quando considero que nossas ciências naturais alcançaram, no plano puramente físico, um desenvolvimento que ameaça tornar-se excessivo e desastroso, se já não o é, e que por essa razão exige assistência eficaz para contornar, sem perigos demasiados, o Cabo das Tempestades Sociais, no qual o

–––––––––– [A maior parte desta tradução é de H. P. B., que a publicou em Lucifer, Vol. I, janeiro de 1888, pp. 368-74, acrescentando-lhe algumas breves notas de rodapé. As partes do texto do Abade Roca que ela omitiu aparecem em seu devido lugar entre colchetes e foram traduzidas pelo Compilador.] –––––––––– Escritos Reunidos VOLUME VIII ímpeto descontrolado do progresso material e mental pode muito bem naufragar nossa civilização bárbara.]


É certo que a situação no Ocidente está se tornando cada vez mais grave.

Todos sabem de onde vem a iminência da catástrofe que nos ameaça; até agora, os homens apenas evocaram as necessidades animais, apenas despertaram e desencadearam as forças brutas da natureza, os instintos passionais, as energias selvagens do Kosmos inferior.

O Cristianismo, de fato, oculta sob o profundo esoterismo de suas Parábolas aquelas verdades, científicas, religiosas e sociais, que esta situação deplorável imperiosamente exige; mas, é triste dizê-lo, triste deveras para um sacerdote, duro, duro deveras para os ouvidos cristãos ouvir, todos os nossos sacerdócios, o da Igreja Católica Romana igualmente aos das Igrejas Ortodoxa Russa, Anglicana, Protestante e Anglo-Americana, parecem atingidos por cegueira e impotência diante da gloriosa tarefa que teriam de cumprir nestas terríveis circunstâncias.

Eles nada veem; seus olhos estão emplastrados e seus ouvidos tapados. Não descobrem; sente-se a tentação de dizer, nem sequer suspeitam que verdades inefáveis estão ocultas sob a letra morta de seus ensinamentos.

[Que espetáculo oferecem ao mundo! Exatamente o que Cristo apontou antecipadamente para a consideração das gerações futuras: "Deixai-os; são cegos guiando cegos.

E se um cego guia outro cego, ambos cairão na cova."]

Assim, por um lado, temos os colégios oficiais e remunerados, para os quais o lado transcendental dos fenômenos, forças e leis da natureza permanece oculto; e, por outro, temos os estabelecimentos clericais, também oficiais e remunerados, para os quais o lado não menos transcendental dos símbolos, dogmas e parábolas da religião permanece igualmente velado.

Dizei, não é nessa escuridão que todos nós tropeçamos, no Estado e na Igreja, na política como na religião? Uma dupla calamidade que forma uma só para os povos, que sofrem horrivelmente sob ela, e para a nossa civilização, que pode naufragar nela a qualquer momento.

Que Deus nos livre de uma guerra neste momento! Seria um cataclismo no qual a Europa se despedaçaria em sangue e fogo, como Montesquieu previu: "A Europa perecerá pelos soldados, se não for salva a tempo."

Devemos escapar deste empirismo e desta confusão temível.

Mas quem nos salvará? O Cristo, o verdadeiro Cristo, o Cristo de

––––––––––        [Mat., xv, 14-15; Lucas, vi, 39]. ––––––––––

CONTROVÉRSIA COM O ABADE ROCA ciência esotérica. E como? Assim: a mesma chave que, sob os olhos dos corpos científicos, abrirá os segredos da Natureza, abrirá seus próprios intelectos aos segredos da verdadeira Sociologia; a mesma chave que, sob os olhos dos sacerdócios, abrirá os Arcanos dos mistérios e das parábolas evangélicas, abrirá seus intelectos a esses mesmos segredos da Sociologia.

Sacerdotes e sábios desenvolver-se-ão então no esplendor de uma mesma e única luz.

E esta chave — posso afirmá-lo, pois a provei em aplicação a todos os nossos dogmas — ESTA CHAVE É A MESMA QUE OS MAHÂTMANS OFERECEM E NOS ENTREGAM NESTE MOMENTO.

Há aqui uma interposição da Providência, diante da qual todos nós deveríamos oferecer nossas próprias ações de graças.

Da minha parte, estou profundamente tocado por ela; sinto não sei que sagrado arrepio! Minha gratidão é tanto mais viva quanto, se confronto a tradição hindu com as tradições teosóficas ocultas do judaico-cristianismo, desde sua origem até nossos dias, através da Santa Cabala, posso reconhecer claramente a concordância do ensinamento dos "Irmãos" com o ensinamento esotérico de Moisés, Jesus e São Paulo.

Certamente dirão: "Vós rebaixais o Ocidente diante do Oriente, a Europa diante da Ásia, a França diante da Índia, o Cristianismo diante do Budismo.

Vós traís ao mesmo tempo vossa Pátria e vossa Igreja, vossa qualidade de francês e vosso caráter de Sacerdote." Perdoai-me, senhores! Eu não rebaixo coisa alguma; não traio nada! Membro da Humanidade, trabalho pela felicidade da Humanidade; filho da França, trabalho pela glória da França; Sacerdote de Jesus Cristo, trabalho pelo triunfo de Jesus Cristo.

Sereis forçados a confessá-lo; suspendei, portanto, vossos anátemas, e escutai, se vos apraz!

Atravessamos uma crise pavorosa.

Há cem anos tentamos dobrar o Cabo das Tempestades Sociais, do qual falei antes; temos suportado, sem intermissão, os fogos, os relâmpagos, os trovões e os terremotos de um furacão sem paralelo, e sentimos, claramente o bastante, que tudo cede ao nosso redor; sob nossos pés e sobre nossas cabeças! Nem pontífices, nem sábios, nem políticos, nem estadistas mostram-se capazes de arrancar-nos dos abismos para os quais estamos, somos tentados a dizer, impelidos por uma fatalidade! Se, então, descubro, no

––––––––––      “O Cristo da ciência esotérica” é o Christos do Espírito — um princípio impessoal inteiramente distinto de qualquer Cristo ou Jesus carnalizado.

É este Christos que o erudito Cônego Roca quer dizer?— H. P. B.      As maiúsculas são nossas; pois estes “Mahâtmans” são os verdadeiros Fundadores e “Mestres” da Sociedade Teosófica.—H. P. B. –––––––––– distante Oriente, através da escuridão desta tempestade, a bendita estrela que sozinha pode nos guiar, em meio a tantos baixios, sãos e salvos ao tão almejado porto de segurança, estou eu faltando com patriotismo e religião porque anuncio a meus irmãos o surgimento desta estrela benéfica?


[O que sabemos positivamente? Quem pode dizer se o ponto da história em que agora estamos não é aquele em que a grande sentença de Jesus Cristo se cumprirá: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregá-las, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só aprisco e um só Pastor” (João, x, 16). Vamos fazer uma “pedra de tropeço” daquilo que no plano de Cristo é talvez uma “pedra angular” da construção social, “uma aliança” e um caminho para a concórdia universal?] Sei tão bem quanto você que foi dito a Pedro: “Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus, para que abras as suas portas na terra”; sim, sem dúvida, mas note o tempo deste verbo: dar-te-ei: no futuro.

O Pontífice cristão já as recebeu — essas chaves mágicas? Antes de responder, olhe e veja o que Roma fez da Cristandade; veja o lamentável estado da Europa; não apenas engajada em guerra aberta com nacionalidades estrangeiras, mas também exaurindo-se em guerras fratricidas e preparativos para consumar a própria destruição; eis por toda parte cristão contra cristão, igreja contra igreja, sacerdócio contra sacerdócio, classe contra classe, escola contra escola e, frequentemente na mesma família, irmão contra irmão, filhos contra o pai, o pai contra os filhos! Que espetáculo! E um Papa preside a tudo isso! E enquanto, ao redor, os homens se preparam para uma matança geral, ele, o Papa, pensa apenas em uma coisa — em seu domínio temporal, em suas posses materiais! Pensais que este estado de coisas forma o Reino dos Céus, e dizeis ainda que o Pontífice de Roma já recebeu as suas chaves?

Está escrito, porventura, nos decretos da Providência, que estas misteriosas chaves serão trazidas aos irmãos do Ocidente pelos “Irmãos” do Oriente.

Portanto, seria o próprio Cristo quem dirigiria este movimento oculto para realizar a sua própria palavra: — "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus" [Mateus, xvi, 19], fazendo-as passar das mãos dos Mahâtmans para as tuas mãos, ó Pedro, e o fenômeno original será assim visto reencenado: os Magos do Oriente virão uma segunda vez adorar a Cristo, não desta vez na manjedoura entre os animais, no trono da humilhação e do sofrimento, mas no Tabor da sua transfiguração, na luz de todas as ciências e no trono da sua glória.

Tal é, de fato, a expectativa de todas as nações; o Oriente profético suspira pela décima encarnação de Vishnu, que será a coroa de todos os Avatares que a precederam, e o Apocalipse, por seu lado, anuncia o aparecimento do Cavalo Branco, que é o símbolo do Cristo ressurreto, glorioso e triunfante diante dos olhos de todos os povos da terra.

CONTROVÉRSIA COM O ABADE ROCA

É assim que eu, sacerdote de Jesus Cristo, traio Jesus Cristo, quando aclamo a sabedoria dos Mahâtmans e a sua missão no Ocidente!

Falei da oportunidade da hora por eles escolhida para virem em nosso auxílio.

Devo insistir neste ponto.

[Notai bem: não deveríamos dizer que eles estiveram presentes entre nós como testemunhas invisíveis, nos esforços do pensamento moderno, no trabalho que tem sido feito e que é seguido com entusiasmo nos nossos laboratórios científicos, nas mentes dos nossos melhores físicos, dos nossos mais experientes fisiologistas, dos nossos mais hábeis químicos? Os Srs.

Berthelot, Claude Bernard, Dumas, Flammarion, Figuier, Charcot, Pasteur — poderia citar muitos mais — todos tocam, cada um à sua maneira, nos confins do mundo perceptível pelos sentidos, nessa linha que separa as regiões físicas das hiperfísicas da natureza, da mesma natureza afinal, porque o "Universo é uno", sendo ao mesmo tempo dual, como Henry de May o expressa extremamente bem no seu admirável livro sobre o Universo Visível e Invisível.

O que o Sr. Berthelot escreveu na sua última obra sobre Química é bem conhecido do público:

“Os fluidos elétrico, magnético, calorífico e luminoso, que foram aceitos no início do presente século como estando na base da eletricidade, do magnetismo, do calor e da luz, não têm, de fato, mais realidade para os físicos de hoje do que os quatro elementos — Água, Terra, Ar e Fogo — inventados, no tempo dos Jônios e de Platão, para corresponder à liquidez, à solidez, à volatilidade e à combustão.

Esses fluidos imaginários tiveram, na história da ciência, uma existência ainda mais curta do que os quatro elementos; desapareceram em menos de um século e foram reduzidos a um só, a saber, o éter.

O átomo dos químicos e o éter dos físicos, por sua vez, parecem já se desvanecer, devido a novas concepções que tendem a explicar tudo apenas por fenômenos de movimento.” Isso é, sem dúvida, um grande avanço, e o Sr. Berthelot merece bem da ciência oculta.

Mas não nos deixemos enganar; essas descobertas não são definitivas.

Elas marcam um passo adiante, mais uma descoberta, mas não é o fim.

O Sr. Berthelot ainda não alcançou a meta.

Ele sabe disso, no entanto.

Algo mais importante do que isso foi recentemente descoberto na América, onde, na Filadélfia, a força interatômica foi encontrada, e assim nomeada por seu descobridor, o Sr. Keely, que poderia igualmente tê-la chamado de força interplanetária ou interestelar, pelos próprios princípios de Newton e Kepler, cujas leis se aplicam

––––––––––        M. P. E. Berthelot, Les Origines de l’Alchimie, p. 320. –––––––––– tanto aos átomos quanto aos grandes corpos celestes, no microcosmo assim como no Macrocosmo. Mesmo a descoberta dessa nova força, por mais superior que seja a todas as outras forças, não fornece a solução para o grande problema da dinâmica do Cosmos.


“Os fenômenos do movimento,” por meio dos quais os homens de ciência pretendem explicar tudo, não explicam nada, porque a própria causa desse movimento é desconhecida de nossos físicos, como eles mesmos admitem.

“Considerai,” dizem-nos os Mahâtmans pela boca de seus Adeptos, “que por trás de cada energia física está oculta outra energia, que serve ela mesma de envelope a uma força espiritual, que é a alma viva de toda força manifestada.”

E assim a Natureza nos oferece uma série infinita de forças umas dentro das outras, servindo mutuamente como invólucros, que, como d'Alembert suspeitava, produzem todos os fenômenos sensíveis e alcançam todos os pontos da circunferência a partir de um ponto central, que é Deus.

[Os materialistas procuram o foco do qual o movimento irradia — onde ele não existe, isto é, em seus efeitos.

Os chamados "Cristãos Espirituais", por outro lado, buscam-no onde também não se encontra, fora da Natureza, e, em suas especulações abstratas, perdem-se em metafísica absolutamente oca, na qual suas vãs ideias desaparecem.

A Causa Primeira do mundo e de todos os seres que o habitam não é extrínseca à criação; ela é imanente a ela, tão intrínseca quanto o espírito o é à matéria que ele anima e ativa, permanecendo, no entanto, perfeitamente distinta dela.

As distâncias não são medidas no mental como o são no físico, onde são estimadas pelo compasso e pela régua; elas são determinadas no mental por separações como aquelas que distinguem os reinos naturais entre si, o mineral do vegetal, o vegetal do animal, e assim por diante.]

––––––––––

II.—Posso agora, após esses preliminares, dar um exemplo da transformação que, graças aos Mahâtmans, em breve ocorrerá no ensino da Igreja Cristã.

Tomarei particularmente o dogma da Criação, informando meus leitores de que encontrarão em um livro que estou preparando, *Novos Céus e Nova Terra*, um trabalho análogo sobre todos os dogmas da fé católica.

A matéria existe em estados de variedade infinita e, às vezes, até de aparência oposta.

O mundo está constituído em dois polos, o ––––––––––      *Le Lotus* falou dessa descoberta (out.

1887) em termos que concordam perfeitamente com as informações que recebi de outra fonte.

––––––––––

CONTROVÉRSIA COM O ABADE ROCA

Polo Norte ou Espiritual, e o Polo Sul ou Material; esses dois polos correspondem perfeitamente e diferem apenas na forma, isto é, na aparência.

Visto de cima, como os orientais o veem, a substância universal apresenta o aspecto de uma emanação espiritual ou divina; olhado de baixo, como os ocidentais estão habituados a vê-lo, oferece, ao contrário, o aspecto de uma criação material.

Vê-se imediatamente a diferença que deve existir entre as duas intelectualidades e, consequentemente, entre as duas civilizações do Oriente e do Ocidente. Contudo, não há mais erro na Gênese de Moisés, que é a do ensinamento cristão, do que na Gênese dos Mahâtmans, que é a da doutrina budista.

Uma e outra dessas Gêneses estão absolutamente fundadas sobre uma mesma e única realidade.

Quer se desça ou se suba a escala do ser, atravessa-se apenas, no Oriente de cima para baixo, no Ocidente de baixo para cima, a mesma escada de essências, mais ou menos espiritualizadas, mais ou menos materializadas, conforme nos aproximamos ou nos afastamos do Espírito Puro, que é Deus.

Não valia, portanto, a pena fulminar tanto de um lado ou de outro, aqui, contra a teoria da emanação, ali, contra a teoria da Criação.

Sempre se volta ao princípio de Hermes Trismegisto: o universo é dual, embora formado de uma única substância.

Os Cabalistas bem o sabiam, e isso foi ensinado há muito tempo nos santuários egípcios, como os ocultistas nunca cessaram de repetir nos templos da Índia.

Em breve será demonstrado, espero, por experimentos científicos como os do Sr. William Crookes, o Acadêmico, que em toda parte, através de toda a natureza, espírito e matéria não são dois, mas um, e que em nenhum lugar oferecem uma divisão real na vida.

Sob toda força física há uma força espiritual ou psíquica: no coração do mais minúsculo átomo está oculta uma alma vital, cuja presença foi perfeitamente determinada por Claude Bernard em germes imperceptíveis a olho nu.

“Essa alma, humana, animal, vegetal ou mineral, é apenas um raio emprestado pela alma universal a todo objeto manifestado no Kosmos.”

“O homem corpóreo e o universo sensível, diz a doutrina teosófica, são apenas a aparência que lhes é conferida pela coesão das forças interatômicas ou interestelares que os constituem exteriormente.

O lado visível de um ser é uma Mâyâ sempre cambiante.” A linguagem de São Paulo não é de modo algum diferente: “O aspecto do mundo,” diz ele, “é uma visão que passa, uma imagem que passa e se renova continuamente—transit figura hujus mundi.”

––––––––––      [A Vulgata, I Cor., vii, 31 tem: Praeterit enim figura hujus mundi —Compilador.] –––––––––– 350                                    BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

“O homem real, ou o microcosmo—e o mesmo se pode dizer do macrocosmo—é uma força astral que se revela através desta aparência física, e que, tendo existido antes do nascimento desta forma, não compartilha do seu destino na hora da morte: sobrevive à sua destruição.

A forma material não pode subsistir sem a força espiritual que a sustenta; mas esta é independente daquela, pois a forma é criada pelo espírito, e não o espírito pela forma.”    Esta teoria é, palavra por palavra, a dos “Irmãos” e dos Adeptos, e ao mesmo tempo é a dos Cabalistas e dos Cristãos da Escola de Orígenes, e da Igreja Joanina.

Não poderia haver um acordo mais perfeito.

Transfira este ensinamento para a gênese do Cosmos e você terá o segredo da formação do Mundo; ao mesmo tempo, descobrirá o sentido profundo da frase de São Paulo: “As coisas invisíveis de Deus são tornadas visíveis aos olhos do homem através das coisas visíveis da criação,” frase tão bem traduzida por Joseph de Maistre da seguinte forma: “O mundo é um vasto sistema de coisas invisíveis, visivelmente organizadas.”     Todo o Cosmos é como uma medalha de duas faces, em que ambas as faces são semelhantes.

Os materialistas conhecem apenas o lado inferior, enquanto os ocultistas o veem por ambos os lados ao mesmo tempo; pela frente e pelo verso.

É sempre a natureza, e a mesma natureza, mas *natura naturata* por baixo, *natura naturans* por cima; aqui, causa inteligente; ali, efeito bruto; espiritual acima, corpóreo abaixo, etéreo no Norte, concretizado no Polo Sul.

A distinção aceita em todo o Ocidente até os nossos dias, como essencial e radical, entre espírito, por um lado, e matéria, por outro, não é mais sustentável.

O progresso da ciência, impulsionado como será pelas ideias hindus, em breve forçará os últimos seguidores dessa crença infantil a abandoná-la como ridícula.

[Fora de Deus, há no universo uma única e mesma substância (talvez o Yliaster de Paracelso ou o Sat dos Hermetistas) constituída, repito, com dois polos opostos, o Polo Norte ou Espiritual, e o Polo Sul ou Material.

Nem a antiga escola materialista nem a antiga escola espiritual, no sentido limitado ainda atribuído a esses termos segundo nossas antigas categorias mentais, podem defender-se por mais tempo contra os assaltos vitoriosos que lhes serão incessantemente desferidos pelos verdadeiros Teosofistas, ou mais corretamente, verdadeiros Cristãos.]

––––––––––       [Mais corretamente, em Rom., i, 20, assim: ”Porque as coisas invisíveis dele, desde a criação do mundo, se veem claramente, sendo entendidas pelas coisas que estão criadas.

. . .”—Compilador.

] ––––––––––

CONTROVÉRSIA COM O ABADE ROCA

Diante de nossa visão não há nada positivo e real senão a vida, em toda parte a vida, nada além da vida; pois a vida está no Verbo, segundo São João, e o Verbo é, como Deus, presente em todos os seres, que não existem senão por ele.

No entanto—e é aqui que o ensinamento cristão parece ser superior, em sua expressão ao menos, ao ensinamento hindu—no entanto, digo, a vida que os seres contingentes vivem não é a vida de Deus.

Em outras palavras, que são as de São Paulo, Deus não é o movimento, o ser, a vida, dentro de nós; mas, antes, “nós temos o movimento, o ser, a vida, em Deus: in ipso enim vivimus, et movemur, et sumus” (Atos, xvii, 28). Esta expressão, absolutamente exata e clara, põe fim a todos os silogismos falaciosos de Plotino, Bruno, Spinoza e os estoicos de todos os tempos.]

Sim, tudo, absolutamente tudo no mundo é vida, mas vida diferentemente organizada e variadamente manifestada através de fenômenos que variam infinitamente, desde os seres mais espiritualizados, tais como os Anjos, tão bem conhecidos dos budistas quanto dos cristãos, embora chamados por outros nomes, até os seres mais solidificados, tais como pedras e metais.

No seio destes últimos, dormem, em condição cataléptica, bilhões de espíritos elementais vitais.

Estes últimos apenas aguardam, para vibrar em atividade, o golpe da picareta ou do martelo aos quais deverão sua libertação e sua fuga do limbo, do qual a doutrina hindu fala tanto quanto a católica.

Aqui reside, para essas almas de vida, o ponto de partida da Ressurreição e da Ascensão, ensinadas igualmente pelas tradições tanto oriental quanto ocidental, mas não compreendidas entre nós.

[A picareta do canteiro, o arado do agricultor, o machado do lenhador, a ferradura, a roda da carruagem, a cada momento estão provocando esses despertamentos, em massa; e os fogos de nossas fornalhas, ao reduzir minérios, decompondo carvão e madeira, lançam ao ar nuvens turbilhonantes de espíritos elementais.

Prisioneiros de madeira, de pedra e de ferro, acorrentados, algemados ali como Lázaro em seu túmulo, aguardam a hora em que os laços de seu cativeiro serão rompidos, e é assim que, segundo São Paulo, toda a Natureza, prenhe de vida e força seminal, geme e suspira por sua libertação e soltura final das dores do parto; *omnis creatura ingemiscit, et parturit usque adhuc* (Rom., viii, 22). É nas dores de um parto perpétuo.

Como foram essas energias vitais atingidas por catalepsia e reduzidas a um estado que não é nem o de um cadáver no sepulcro, nem o de um embrião no ventre, nem mesmo o das larvas enredadas nos grossos laços da matéria? Antigamente era um mistério, como dizíamos em nossos seminários e do alto de nossos púlpitos cristãos; em nossos dias é um novo capítulo da biologia, como se verá na explicação que darei do Dogma da Queda Original, segundo

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

os princípios dos ensinamentos hindus e dos ensinamentos cabalísticos do judaico-cristianismo.

Não preciso me alongar nisso aqui.

A questão a ser plenamente compreendida é como uma única substância (o Yliaster ou Sat, o nome é imaterial) pode ser suficiente para a constituição de todos os seres que povoam o Universo visível e invisível.

Mais ou menos sutilizada no Polo Norte, naquilo que chamamos Céu, mais ou menos condensada no Polo Sul, no que chamamos Terra, ou melhor, Inferno, essa substância sofre infinitas modificações devido ao seu passar e repassar através dos milhares de alambiques, retortas, cadinhos e copelas, dos quais se compõe o laboratório daquele químico incomparável, chamado Natureza “naturante”.

Aqui, os metais, sublimados pelo fogo, transformam-se em vapor; ali, os mesmos vapores, condensados pelo frio, tornam-se novamente corpos duros.

O aparato orgânico, por meio do qual o espírito atua, difere de um reino para outro; por isso sua ação e seus efeitos também diferem; verdadeiramente, o espírito se agrega no mineral, cresce com as plantas, rasteja, anda e corre com os animais, nada com os peixes, voa com as aves; é o instinto maravilhoso na abelha, na formiga, no castor, em todas as espécies hábeis e engenhosas.

Ele passa das profundezas às alturas de toda a região da vida animal até alcançar pleno desdobramento na inteligência e no gênio do homem, de onde brota, radiante, para as esferas angélicas.

Uma nova carreira se abre então diante dele; ele ascende pelas ordens que formam os nove coros de anjos, e assim adentra o harmonioso Nirvâna dos Mahâtmans, que nada mais é, creio eu, que o seio de Abraão da Lei antiga e, desde o Evangelho, o seio do glorioso Cristo, "esse corpo social-divino" do qual somos chamados a constituir as mônadas vivas, as células orgânicas.] Mas assim como ascendem, os espíritos também podem descer, pois são sempre livres para se transfigurarem na luz divina, ou para se sepultarem na sombra satânica do erro e do mal.

Por isso, enquanto o tempo é tempo, "essas lágrimas incessantes e ranger de dentes" de que falam as Parábolas evangélicas metaforicamente, e que durarão enquanto durar a elaboração dos átomos sociais destinados à composição coletiva do Nirvâna beatífico.

A Natureza está sempre colocando sob nossos olhos exemplos de transformações orgânicas, análogas àquelas de que falo, como se para nos ajudar a compreender nosso próprio destino.

Mas parece que muitos homens "têm olhos para não ver", como disse Jesus.

Vede como, para remover essas cataratas, a ciência, mesmo no Ocidente, aproximando-se cada vez mais da do Oriente, trabalha produzindo por sua vez fenômenos que corroboram ao mesmo tempo as Parábolas dos Evangelhos e os ensinamentos da natureza.

Não falarei da Salptrière e das maravilhas do hipnotismo nas mãos do Senhor Charcot e de seus numerosos discípulos em todo o mundo.

Há coisas que me impressionam ainda mais.

CONTROVÉRSIA COM O ABADE ROCA

O Senhor Pictet, em Genebra, está criando diamantes com ar e luz.

Isso não deveria espantar aqueles que sabem que nossas minas de carvão nada mais são que "luz solar armazenada". Com uma indústria ainda mais maravilhosa, não extraem as flores da atmosfera a substância luminosa com a qual tecem suas finas e alegres vestimentas? E "tudo o que é semeado na terra sob forma material não ressuscita sob forma espiritual", como diz São Paulo?

As gloriosas entidades, que chamamos de espíritos celestes, têm elas mesmas uma forma orgânica.

Isso está definido nos cânones de nosso dogma, o que quer que pretendam os mercadores de ignorância do ultramontanismo.

Só Deus não tem corpo; só Deus é Espírito puro — e mesmo para falar assim, devemos considerar a Divindade à parte da pessoa de Jesus Cristo, pois no "Verbo feito carne" Deus habita corporalmente, segundo a verdadeira e bela palavra de São Paulo.

E é porque Deus não tem corpo que ele está presente em toda parte no infinito, sob os véus da luz cósmica e do éter, que lhe servem de vestimenta, e sob os fluidos elétricos, magnéticos, interatômicos, interplanetários, interestelares e sonoros, que lhe servem de veículos.

E é também porque Deus não tem forma criada que a Cabala pôde, sem erro, chamá-lo de Não-Ser.

Hegel provavelmente sentiu essa verdade esotérica quando falou, em sua linguagem pesada e carregada, da equivalência entre Ser e Não-Ser.

Todas as formas visíveis são, portanto, o produto, ao mesmo tempo em que são a vestimenta e a manifestação, de forças espirituais.

Toda ordem sensível é, na realidade, uma concreção orgânica, uma espécie de cristalização viva de poderes inteligentes que caíram do estado de espiritualidade para o estado de materialidade; em outras palavras, caíram do polo Norte para o polo Sul da natureza, em consequência de uma catástrofe chamada pela Sagrada Escritura de Queda do Éden.

Esse cataclismo foi o castigo de um crime terrível, de uma revolta audaciosa mencionada nas tradições de todos os Templos e chamada em nosso dogma de pecado original.

O sacerdócio primário da igreja cristã até agora careceu da luz necessária para explicar esse fenômeno biológico, que é um fato comprovado da fisiologia e da sociologia, como espero provar.

Questionados sobre esse ponto, os sacerdotes sempre responderam: É um mistério.

Ora, não há mistérios senão para a ignorância, e o Cristo anunciou que "toda coisa oculta deveria ser trazida à luz e proclamada sobre os telhados".

É por isso que tantas novas luzes, vindas do Oriente e de outros lugares, entram cientificamente, em nossos dias, na mente cristã.

––––––––––        [Paráfrase de I Cor., xv, 53-54.]        [Paráfrase de Lucas, xii, 13.] –––––––––– Glória aos Teosofistas, glória aos Adeptos, glória aos Cabalistas, glória sobretudo aos Hermetistas de toda parte, glória a esses novos missionários cuja vinda o senhor de Maistre previu, e a quem o senhor de Saint-Yves d'Alveydre saudou recentemente como os eleitos de Deus, por ele encarregados de estabelecer uma comunhão de conhecimento e de amor entre todos os centros religiosos da terra!


Sacerdotes da Igreja Católica Romana, entraremos por nossa vez nesta sábia comunhão dos santos, no dia em que consentirmos em reler nossos textos sagrados, não mais na “letra morta” de seu exoterismo, mas no “espírito vivo” de seu esoterismo, e no tríplice sentido que a tradição cristã sempre reconheceu canonicamente neles.

L’ABBÉ ROCA (Cônego). Castelo de Pollestres, França.

––––––––––

Esta é uma maneira muito otimista de colocar a questão, e se realizada seria como derramar o elixir da vida no corpo decrépito da Igreja Latina.

Mas o que dirá Sua Santidade o Papa a isso?—H. P. B.

Collected Writings VOLUME VIII Dezembro,

«L’ÉSOTÉRISME DU DOGME CHRÉTIEN»

NOTAS

SOBRE «L’ÉSOTÉRISME DU DOGME CHRÉTIEN»

do Sr. Abade Roca

[Le Lotus, Paris, Vol. II, No. 9, dezembro, 1887, pp. 160-73]

Desde o início deste ensaio, tão notável por sua sinceridade e ousadia, o autor coloca e resolve esta questão: “Quem pode dizer se não é no ponto da história em que estamos que deve se cumprir esta grande palavra de Jesus Cristo: ‘Tenho ainda outras ovelhas, etc. . . . . . e todos os povos do universo formarão no fim um só rebanho sob um só Pastor’!” (p. 151.) Vários fatos da história passada ou presente se erguem contra essa esperança otimista.

São primeiramente os ensinamentos e o dogma do esoterismo oriental, que nos mostram o Kalki Avatar no fim do Kali Yuga, quando estamos apenas no começo. É em seguida a interpretação esotérica dos textos cristãos que, lidos e traduzidos “na língua dos Mistérios”, nos mostram a identidade das verdades fundamentais e, certamente, universais; por ela, os quatro Evangelhos, como a Bíblia de Moisés e o resto, aparecem claramente, da primeira à última palavra, como uma alegoria simbólica dos mesmos mistérios primitivos e do Ciclo da Iniciação.

Ao carnalizar a figura central do Novo Testamento, impondo o dogma do Verbo feito carne, a Igreja Latina opõe ao dogma do Esoterismo budista e hindu, e da Gnose grega, um dogma diametralmente

–––––––––– [Paráfrase do seguinte texto da Bíblia francesa, João, x, 16: “Tenho também outras ovelhas que não são deste aprisco.”

Essas também, é necessário que eu as conduza, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho, um só pastor». — Compilador.] O Kali Yug deve durar 432.000 anos, e os primeiros 5.000 anos só se completarão em 1897. ––––––––––

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS contrário.

Haverá, portanto, sempre um abismo entre o Oriente e o Ocidente, enquanto um ou outro dos dois dogmas não ceder.

Quase 2.000 anos de perseguições sangrentas pela Igreja contra os Hereges e os Infiéis se erguem diante das nações orientais para proibir-lhes de renunciar ao seu dogma filosófico em favor daquele que degrada o princípio Christos. E, além disso, a estatística está aí para provar que dois terços da população do globo estão ainda longe de consentir em gravitar em torno de «um só Pastor». Exércitos de missionários são enviados a todos os cantos da terra; milhões são sacrificados anualmente por Roma, e dezenas de milhões por 350 a 360 seitas de protestantes; qual é o resultado de tantos esforços? A confissão de um bispo célebre (Bispo Temple) nos dirá, com estatísticas em mãos.

Desde o começo do nosso século, onde as missões cristãs não fizeram senão três milhões de conversões, os Maometanos fizeram duzentos milhões de prosélitos sem que isso lhes custasse um centavo! A África, sozinha, pertence quase inteiramente ao Islamismo! — Sinal dos tempos! Disse que o Novo Testamento não era senão a alegoria ocidental fundada sobre os Mistérios universais, cujos primeiros vestígios históricos, somente no Egito, remontam a pelo menos 6.000 anos antes da era cristã.

Insisto em prová-lo.

Essa alegoria é a do Ciclo de Iniciação, uma versão nova dos mistérios, ao mesmo tempo psíquica e astronômica.

O Sabeísmo e a Heliolatria estão aí intimamente ligados a esse outro mistério, a Encarnação do Verbo ou a descida do Fiat divino na raça humana, simbolizada na fábula de Elohim-Jehová e do Adão de argila.

Assim, a psicologia e a astrolatria (de onde a astronomia) não podem ser separadas.

Esses mesmos mistérios fundamentais se encontram nos textos sagrados de cada nação, de cada povo, desde o começo da vida consciente da humanidade; –––––––––– Esta palavra encontrará sua explicação um pouco mais adiante (N. da D.). ––––––––––

«O ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO»

mas quando uma lenda fundada nesses mistérios pretende arrogar-se direitos exclusivos acima de todas as outras, quando se erige em dogma infalível para condenar a fé popular à sua letra morta, em detrimento de seu verdadeiro sentido metafísico, é preciso que tal lenda seja denunciada; é preciso arrancar-lhe o véu e reduzi-la diante de todos à sua nudez! Pois bem! é inútil vir falar da identidade esotérica das crenças universais enquanto não se tiver bem estudado e compreendido o verdadeiro sentido esotérico desses dois termos primitivos: Chrestos ( ) e Christos ( ): dois polos opostos em sua significação como a noite e o dia, o sofrimento e a humildade, a alegria e a glorificação, etc.

. . . Os verdadeiros cristãos morreram com os últimos gnósticos, e os cristãos de nossos dias não passam de usurpadores de um nome que já não compreendem.

Ora, enquanto assim for, os orientais não poderão entender-se com os ocidentais: nenhuma fusão de ideias religiosas será possível entre eles.

Diz-se que após o Kalki Avatar ("Aquele que se espera" no cavalo branco — no Apocalipse), a idade de ouro começará e que cada homem se tornará seu próprio guru (mestre espiritual ou "Pastor") porque o Logos divino, qualquer que seja o nome que se lhe dê, reinará em cada mortal regenerado.

Não pode, portanto, tratar-se de um "Pastor" comum, a menos que esse Pastor seja inteiramente metafórico.

Aliás, os cristãos, ao mesmo tempo que isolam e localizam esse grande Princípio, recusando-o a todo homem que não seja Jesus de Nazaré (ou o Nazar), carnalizam o Christos dos gnósticos; por isso mesmo, não podem ter nenhum ponto comum com os discípulos da Sabedoria arcaica.

Os teosofistas do Ocidente aceitam o Christos como o faziam os gnósticos dos séculos que antecederam o Cristianismo, como o fazem os vedantinos para seu Krishna: eles separam o homem corpóreo do

––––––––––     Seja Krishna, Buda, Sosiosh, Horus ou Christos, é um princípio universal; os "homens-deuses" são de todas as épocas e sem número.

–––––––––– Princípio divino que o anima nos casos avatáricos.


Seu Krishna, o herói histórico, é mortal, mas o Princípio divino que o anima (Vishnou) é imortal e eterno; na sua morte, Krishna — o homem e seu nome — permanece terreno, não se torna Vishnou; Vishnou não absorve senão aquela parte de si mesmo que animou o Avatar, como anima tantos outros.

Agora, a palavra Christos não é, no fundo, senão uma tradução da palavra Kris, e esse nome é certamente anterior a muitos milhares de anos ao ano 1 da nossa era.

A prova disso está neste fragmento da sibila Eritreia, onde se encontram estas palavras: . — Esta frase, tornada tão famosa entre os cristãos, não é, na realidade, senão uma série de nominativos dos quais se pode fazer tudo o que se quiser.

A Igreja apressou-se em extrair dela uma profecia da vinda de Jesus; no entanto, ela nada tinha a ver com a nossa era, como o provam tanto a história, de primeiro de janeiro do ano 1 a primeiro de janeiro de 1888 depois de Cristo, quanto o próprio texto do fragmento sibilino.

Com efeito, essa profecia universal, datando dos começos da nossa raça e perfeitamente pagã, promete-nos o retorno da idade de ouro tão logo nasça a "Criança" anunciada, cujo nascimento é tão alegórico quanto metafísico.

Ela nada tem a ver com nenhum homem em particular, nenhuma mulher imaculada; é toda mitológica na sua forma; astronômica e teogônica no seu sentido oculto.

De todos os tempos e

–––––––––– Termo esotérico para a palavra ungido.

Georg Curtius vê a origem de todos esses termos, , na palavra sânscrita gharsh (grego ). — (Principles of Greek Etymology, Vol.

I, p. 236.) [Vide a explicação de H. P. B. sobre esse oráculo sibilino na segunda parte de seu ensaio sobre "O Caráter Esotérico dos Evangelhos", e os dados adicionais contidos na Nota do Compilador nº 31, anexada ao referido ensaio.

Esta série de palavras, escrita da maneira comum e com os acentos adequados, lê-se assim: [ —Compilador.] ––––––––––

«O ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO»

entre todos os povos, o Messias-mito nasceu de uma Virgem-mãe.

Vede Krishna e Dévaki; a lenda búdica enxertada no Gautama Buda histórico e sua mãe Maia; vede aquela que foi acrescentada à biografia do Faraó Amen-hotep III, nascido de uma mãe-Virgem, a rainha Maut-em-oua, durante a 17ª dinastia.

Examine também as paredes internas do Sanctum Sanctorum no templo de Luxor, construído por esse mesmo Faraó, e você verá ali quatro cenas fortemente significativas: primeiramente, o Deus Thot (o Mercúrio lunar, o Mensageiro da Anunciação dos deuses egípcios, o Gabriel do Livro dos Mortos) saudando a Rainha Virgem e anunciando-lhe o nascimento de um filho; em seguida, o Deus Kneph, auxiliado por Hathor (o Espírito Santo em seus dois aspectos, masculino e feminino, como a Sofia dos Gnósticos, da qual o Espírito Santo é a transformação), preparando e dispondo o germe da criança que virá; depois, a mãe em trabalho de parto, sentada no tamborete da parteira que recebe o recém-nascido, numa gruta; e, por último, a cena da adoração.

O egiptólogo inglês Gerald Massey descreve assim esta última cena: . . . . a criança, sentada no trono, é representada recebendo a homenagem dos Deuses e os presentes dos homens: atrás dela, o Deus Kneph; à sua direita, três espíritos (os três magos, os Reis da lenda) ajoelhados diante do recém-nascido, oferecendo-lhe presentes com a mão direita e a vida com a mão esquerda.

A criança assim anunciada, encarnada, depois nascida e adorada, era a representação faraônica de Áten, no Egito, o Sol, copiado no Deus Adon da Síria, e no Adon-Ai dos judeus, o menino Jesus do culto solar de Áten, fruto da concepção milagrosa da eterna Virgem-Mãe, personificada, desta vez, por Maut-em-oua, a mãe do unigênito, a divina Mãe do jovem Deus-Sol.

    Desnecessário falar ainda da lenda de Krishna e de Dévaki, de seu nascimento milagroso, dos pastores que

––––––––––      [As citações selecionadas por H. P. B. de algumas das Conferências de Gerald Massey foram por ela traduzidas para o francês.

Na maioria dos casos, a tradução é bastante livre.

Ela é fiel na transmissão da ideia expressa por Massey, mas não pode ser considerada uma tradução literal.

A tradução inglesa do Ensaio de H. P. B., que segue imediatamente o texto francês, incorpora o texto original em inglês das passagens de Gerald Massey e fornece em cada caso sua fonte exata.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS cuidam deles, dos Rishis que o saúdam, ou do Herodes das Índias, o rei Kamsa, que mandou massacrar 40.000 recém-nascidos do sexo masculino, na esperança de matar entre eles Krishna, que deveria destroná-lo.

E agora, terá chegado essa idade de ouro cantada por Virgílio e pela Sibila? Onde procurá-la? Será nos primeiros séculos do cristianismo, quando os pagãos, para defender seus Deuses, massacravam os nazarenos? Será quando estes, transformados abertamente em Cristãos, começaram a afogar os deuses dos gentios em torrentes de sangue humano, em nome Daquele que lhes havia pregado, diziam eles, o amor fraternal e universal até mesmo dos inimigos, a caridade até o perdão, até o esquecimento das injúrias? Será ainda nesses poucos séculos em que reinou a Santa Inquisição que a humanidade gozou de sua Idade de Ouro, de sua paz universal, material ou moral? Ou será quando os exércitos da Europa se preparam para saltar uns sobre os outros para se exterminarem, enquanto legiões de infelizes morrem de fome e de frio sob as bênçãos do vigário de Cristo, dotado de 20 milhões para seu Jubileu, e que a moralidade nos países civilizados e cristãos está abaixo da das feras? É que o verdadeiro sentido das palavras da Sibila só é bem conhecido dos Adeptos; e não é pela Cruz do Calvário que podem ser interpretadas.

Longe de mim a menor intenção de ferir aqueles que creem em Jesus, o Cristo carnalizado, mas sinto-me forçada a sublinhar, explicando-a, a nossa crença, porque o Sr. abade Roca gostaria de identificá-la com a da Igreja Romana; jamais essas duas crenças poderão se unir, a menos que o Catolicismo da Igreja latina volte aos seus primeiros dogmas, os dos Gnósticos.

Pois gnóstica era a Igreja de Roma, tanto quanto os marcionitas, até o começo e mesmo até a metade do segundo século; Marcião, o célebre gnóstico, só se separa dela no ano 136, e Taciano a deixa ainda mais tarde.

E por que a deixam? Porque se haviam tornado heréticos, pretende a Igreja, mas a história dos cultos fornecida pelos manuscritos

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esotéricos nos dá uma versão totalmente diferente.

Esses gnósticos célebres, nos dizem, separaram-se da Igreja, porque não podiam consentir em aceitar um Cristo feito carne, e é assim que começa o processo de carnalização do Cristo-princípio; é então também que a alegoria metafísica sofre sua primeira transformação, essa alegoria que era a doutrina fundamental de todas as fraternidades de gnósticos. Um fato basta para provar que a Igreja Romana abandonou até mesmo a tradição conservada pela Igreja grega.

É que ela adotou a tonsura solar própria dos sacerdotes egípcios dos templos públicos, dos lamas e dos bonzos do culto popular dos Budistas; isso é suficiente para demonstrar que a Igreja de Roma é a que mais se desviou da verdadeira religião do Cristo místico.

Assim, pois, estão ainda longe os tempos em que «todos os povos do universo formarão, no fim, um só rebanho sob um só Pastor»; antes que cheguem, é preciso que a natureza humana se modifique completamente; é preciso que alcancemos, segundo a profecia do livro de Dzyan, a sétima raça; pois é então que o «Christos» — designado por seus diversos nomes pagãos, como pelo dos gnósticos «heréticos» — reinará na alma de cada um, na alma de todos aqueles que tiverem

––––––––––       Os gnósticos estavam de fato divididos em diferentes fraternidades, tais como: Essênios, Terapeutas, Nazarenos ou Nazars (donde Jesus de Nazaré); «Tiago», o irmão do Senhor, chefe da Igreja de Jerusalém, era gnóstico até a medula; era um asceta do velho tipo bíblico, isto é, um Nazar consagrado ao ascetismo desde o nascimento; a navalha nunca havia tocado seus cabelos nem sua barba.

Ele era tal como se representa Jesus nas lendas ou nos quadros, e tal como são todos os «Irmãos-Adeptos» de todos os países; desde o iogue-faquir da Índia, até o maior Mahatma dos Iniciados do Himalaia.

A força magnética e psíquica está nos cabelos; daí o mito de Sansão e outros semelhantes da antiguidade.

Palavra tibetana, do sânscrito djnyana: sabedoria oculta, conhecimento.

–––––––––– primeiro aceitado o Chrest — não digo simplesmente daqueles que se tornaram Cristãos, o que é uma coisa totalmente diferente.


Pois, proclamemo-lo de uma vez por todas, a palavra Cristo, que significa glorificado, triunfante, e também «ungido» (do termo [grego], ungir), não pode ser aplicada a Jesus.

Segundo os próprios Evangelhos, Jesus nunca foi ungido, nem como Sumo Sacerdote, nem como Rei, nem como Profeta.

«Como mortal», observa Nork, «ele só foi ungido uma única vez, por uma mulher, e não porque se apresentasse como rei ou Sumo Sacerdote, mas, como ele mesmo diz, para o seu sepultamento». Jesus foi um Chrstos: (bom é o Senhor), como diz São Pedro (1ª Epístola, ii, 3), quer tenha vivido realmente durante a era cristã, ou um século antes, sob o reinado de Alexandre Janeu e de sua esposa Salomé, em Lud, como indica o Sepher Toldoth Jeshu. E houve outros ascetas na condição de Chrstos, mesmo em seu tempo: todos aqueles que, entrando no árduo caminho do ascetismo, trilhavam a via que conduz ao Christos — a luz divina —, todos esses eram Chrstos, ascetas pertencentes aos templos oraculares (, pertencente a um oráculo; e , veículo do oráculo, sacrifício e vítima). Tudo isso entrava no ciclo da iniciação; quem quiser certificar-se disso, basta que faça suas pesquisas.

Nenhum

––––––––––       Palavra que não é nem a Krest (cruz) dos Eslavos, nem o «Cristo» crucificado dos Latinos.

O raio tornado manifesto desse Foco da Vida que está oculto aos olhos da Humanidade para e na Eternidade, o Christos, crucificado como um corpo de carne e osso!!! Tendo feito observar à Sra.

Blavatsky que, segundo alguns sábios, essa afirmação seria errônea, eis o que ela nos responde: «Digo que os sábios mentem ou desvaneiam.

São os nossos mestres que o afirmam.

Se a história de Jehoshua ou Jesus Ben Pandira é falsa, então todo o Talmude, todo o Cânon judaico é falso.

Foi o discípulo de Jehoshua Ben Perachia, o quinto presidente do Sinédrio desde Esdras, que reescreveu a Bíblia. Comprometido na revolta dos fariseus contra Janeu em 105 antes da era cristã, ele fugiu para o Egito levando o jovem Jesus consigo.

Bem mais verdadeiro é esse relato do que o do N. Testamento, cuja história não diz palavra». [Vide Nota do Compilador anexada a esta nota de rodapé na tradução inglesa deste texto.—Comp.] ––––––––––

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«vítima sacrificial», não podia unir-se ao Cristo triunfante antes de passar por essa condição preliminar de Chrstos sofredor e morto.

Astronomicamente, era a morte do sol, mas a morte precursora do Novo sol; a morte gerando a vida no seio das trevas.

Psicologicamente, era a morte dos sentidos e da carne, a ressurreição do Ego espiritual, Christos, em cada um de nós.

Sim, é o próprio Christos que dirige esse movimento oculto; mas se assim é, não é para que São Pedro, que negou três vezes o seu Christos, receba as chaves dos mistérios das mãos dos Mahatmas, nem para que estes repitam a cena dos três Reis Magos.

Não é necessário repetir ainda o que outros Mahatmas, os Hierofantes do Egito, repetiam a cada 19 anos, segundo o ciclo metônico, 5 ou 6 mil anos antes, pelo menos, do século XIX.

O Christos astronômico não pode ter um dia de nascimento e ressurreição senão uma vez a cada 19 anos, como provou o Sr. G. Massey; porque seus pais são o Sol e a Lua, os astros que acompanham o "Homem crucificado no espaço", imagens que precederam até a figura descrita por Platão.

Esse dia, consagrado por uma cerimônia, era fixado segundo a lua cheia da Páscoa, no Egito. Assim como diz o sábio egiptólogo e conferencista de Londres, citado acima:

. . . . o lugar do nascimento do Messias Egípcio [Hórus] na época do equinócio vernal era fixado na Apta (o canto).

Mas, Apta também quer dizer a Manjedoura e a Mangeira; desde então, a criança nascida na Apta era considerada nascida numa

–––––––––– Sobre a cruz do Equinócio de outono, ponto onde a eclíptica cruza o equador e onde o sol desce neste último círculo, anunciando o inverno, a morte.

 Natal, quando o sol sobe de volta ao Equador, depois de passar o solstício de inverno, anunciando a primavera, o renascimento, a Páscoa.

 Entre os Cristãos também o dia da Natividade é determinado pela lua cheia da Páscoa: estranha coincidência! ––––––––––

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS manjedoura, e essa Apta, como manjedoura, é o signo hieroglífico do lugar de nascimento do Sol. Esse lugar era indicado pela interseção do coluro dos equinócios com o equador e, como passava de signo em signo, a estrela do Oriente (ou do Leste) correspondente servia para marcar o seu lugar.

Quando o lugar do nascimento solar se encontrava no signo do Touro, Órion era o astro que se levantava no Oriente para anunciar o dia em que o Deus-solar acabava de renascer; daí o nome desse astro, a Estrela de Hórus; era a Estrela dos três reis magos, que saudava a criança; ainda hoje, na constelação de Órion, o cinturão leva o nome popular de: os Três Reis.

E o nosso autor acrescenta:

Plutarco nos conta como o culto mitraico foi estabelecido em Roma por volta do ano 70 antes da era cristã.

Mitra, segundo se relata, nasceu numa caverna.

Onde quer que seu culto fosse aceito, uma caverna era consagrada para a cerimônia de sua natividade.

Sabe-se o que significa essa caverna, e a data precisa das épocas em que o nascimento dos diversos Messias ou Christos ocorria é fixada definitiva e matematicamente.

Era o lugar onde nascia o sol, durante o solstício de inverno, quando esse ponto coincidia, em 25 de dezembro, com o signo de Capricórnio, estando o equinócio da primavera no signo de Áries.

O nome que os acádios davam ao décimo mês, o de Capricórnio, . . . . era Abba Uddu, ou "a caverna da luz", isto é, o lugar de nascimento do sol nas profundezas do solstício.

. . . Essa caverna tornou-se assim o lugar da Natividade do Cristo; vós a encontrareis em todos os "Evangelhos da infância"; Justino Mártir diz que "o Cristo nasceu numa estrebaria e encontrou refúgio numa caverna". Ele certifica também o fato de que o Cristo nasceu no próprio dia em que o Sol renascia nas estrebarias de Áugias (Stabula Augiae). Ora, a limpeza dessas estrebarias era o sexto trabalho de Hércules, sendo o seu primeiro no signo de Leão.

E Justino tinha razão; a estrebaria e a caverna estão figuradas ambas no mesmo signo celeste.

Mas notai bem isto: essa caverna era o lugar de nascimento do Messias-Solar desde o ano 2.410 até o ano antes da era cristã, época em que o solstício passava do signo de Capricórnio para o de Sagitário, e nenhum Messias, quer o chamemos Mitra, Adon, Tamuz, Hórus ou o Cristo, podia mais nascer na caverna de Abba Uddu, ou nas Estrebarias de Áugias, em 25 de dezembro após o ano 255 que precede a nossa era.

–––––––––– Os egípcios levavam o recém-nascido em sua manjedoura pelas ruas de Alexandria.

––––––––––

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Portanto.

. . . . Com matemática e astronomia em mãos, está demonstrado que Jesus não pôde nascer em dezembro, 255 anos mais tarde; a precessão dos equinócios, ou a auxis sideral, a isso se opõe.

É a essa sabedoria antiga, e ao Christos dos gnósticos, sob seus diversos nomes, que creem os teosofistas, discípulos dos Mahatmas; o Sr. abade Roca está pronto a fazer aceitar essa crença ao Papa, e a aceitá-la ele mesmo? — Duvido.

Como fazer então? O Sr. abade Roca nos cita passagens de Paulo falando do "Verbo feito carne" e de um deus residindo corporalmente; mas o Sr. abade Roca é erudito demais para negar que as Epístolas de São Paulo não nos chegaram inteiramente imaculadas.

Durante vários séculos, a Igreja lhes recusou um lugar entre as escrituras ortodoxas,

––––––––––       [H. P. B. usa aqui uma palavra muito incomum, a saber, *auxis*, que não pode ser encontrada nessa forma em nenhum dicionário francês atual.

Ela deve ter caído em desuso há um século ou mais.

No entanto, em uma antiga obra francesa escrita pelo célebre astrônomo Joseph Jérôme Le Français de Lalande (1732-1807) e intitulada *Astronomie* (Paris, 1764, 2 vols.; ed. ampliada, Paris, 1771-81, 4 vols.; 3ª ed., Paris, P. Didot, 1792, 3 vols.), há um índice analítico no qual ocorre, sob o termo *apside*, a rara palavra *aux*, significando, segundo o autor, "aproximadamente a mesma coisa" que a palavra *apside*.

Em astronomia, o termo *apsis* é usado para denotar, em uma órbita, o ponto em que a distância do corpo ao centro de atração é ou a maior (apside superior) ou a menor (apside inferior), como o apogeu ou perigeu da Lua, ou o afélio ou periélio de um planeta, como a Terra, por exemplo.

A linha que une as duas apsides é chamada de linha das apsides.

Não há dúvida de que os termos *auxis* e *aux* estão intimamente relacionados entre si, sendo ambos derivados do grego *auxsis*, crescimento, aumento, incremento; *auxin*, crescer, aumentar; e *Auxsia*, a deusa do crescimento.

O termo usado em grego para a lua crescente era *auxo-selnon*.

Nossa própria palavra *auxiliar* é derivada da mesma raiz.

Embora as apsides ou a linha que as une não desempenhem qualquer papel direto no que é conhecido como precessão dos equinócios, é no entanto bastante claro que H. P. B. usa o antigo termo *auxis* no sentido de alteração progressiva, aumento, incremento, progressão, e assim o aplica ao fato do movimento precessional.—Compilador.] assim como à Revelação de São João, e quando esses dois livros foram aceitos, foi, como está definitivamente provado, sob uma forma mutilada.


Sem isso, o grande inimigo de São Pedro não teria feito senão uma garfada do apóstolo da Circuncisão.

Eis por que, a essa frase alegada do «Verbo feito carne», os Teosofistas—Gnósticos e Budistas—poderiam opor esta outra sentença de Paulo, perguntando aos Gálatas se são suficientemente loucos, depois de terem começado pela fé no Espírito, para caírem novamente na crença em um deus corpóreo; pois tal é o sentido esotérico do que ele diz em sua Epístola aos Gálatas, iii, 3, etc.

Outra coisa extraordinária, e que o Sr. abade Roca deveria bem nos explicar.

Pareceria, segundo todos os cálculos, que Paulo foi convertido ao Cristo três ou quatro anos antes da crucificação de Jesus! Assim, segundo os Atos, sua visão dataria do ano 30 ou 31; mas, segundo o que ele diz ainda aos Gálatas, ela teria ocorrido no ano 27. Ele diz, de fato, não ter ido a Jerusalém durante os três anos que se seguiram à sua conversão (cap. i, 18 e seguintes); depois disso, ele diz (cap. ii, 1 e seguintes) ter ido lá novamente catorze anos mais tarde, com Barnabé e Tito.

Ora, «a data dessa segunda visita, pelo menos, senão da primeira, pode ser fixada historicamente, pois ela se deu durante a grande fome que se sabe ter ocorrido no ano 44, quando Paulo e Barnabé enviaram socorros aos pobres». Se, portanto, deduzirmos 17 dessa data de 44, segue-se que são Paulo foi convertido no ano 27, ou seja, quando Jesus ainda vivia! E isso só se explica se, como prova o Sr. Gerald Massey (corroborando assim os fatos ensinados nos livros secretos da gnose — Ver Ísis sem Véu, Vol. II), Paulo foi convertido, não a Jesus de Nazaré, mas ao Christos dos Gnósticos.

Em suas epístolas, fizeram-no fulminar contra os hereges, mas esses hereges eram precisamente Pedro, Tiago e outros apóstolos.

Ignoro o que o erudito abade Roca pretende revelar ao mundo em seu próximo volume a respeito da «Queda do Éden», que ele nos mostra como um cataclismo, «castigo de um crime terrível, de uma revolta audaciosa»; mas o que posso assegurar-lhe é que a opinião dos «teosofistas-chelas» já está formada de antemão sobre esse assunto.

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Esse crime horrível não era senão o resultado natural da lei da evolução; são as raças, a princípio mal consolidadas, de nossos protótipos andróginos e semi-etéreos, materializando-se pouco a pouco, tomando um corpo físico, e então se dividindo em machos e fêmeas distintos e, finalmente, procriando carnalmente, depois de outrora terem criado seus semelhantes por processos inteiramente diversos que serão explicados um dia (se é que se pode exprimir pela palavra criar a ideia toda contrária à de gerar). Essa "revolta audaciosa" é ainda uma alegoria antropomórfica e personificadora devida à Igreja, que materializou, para melhor disfarçá-las, todas as ideias antigas — velhas como o mundo.

Esta era um dogma filosófico fixado no significado esotérico da lenda de Prometeu.

O fogo sagrado que ele rouba aos Deuses é, primeiramente, a chama do intelecto consciente, a centelha que anima o quinto princípio, ou Manas; é ainda a chama geradora e sexual; essa centelha é o reflexo — senão a própria essência — dos Arcanjos, ou Mônadas, forçados por seu karma do manvantara precedente a se encarnarem nas formas astrais da terceira grande raça pré-adâmica antes de sua "queda" — a queda do Espírito na Matéria.

Essa pretensa "revolta", esse "roubo" do fogo criativo, são eles mesmos um resultado da Evolução — (da qual a teoria darwiniana é apenas o invólucro grosseiro, no plano físico ou material). Uma vez dotados do fogo criador, os homens plenamente evoluídos não precisaram mais da ajuda das Potências ou Deuses criadores, tais como os Elohim do cap. ii do Gênesis.

Tornaram-se Deuses criadores por sua vez, capazes de dar vida a seres como eles; daí a alegoria grega de Urano mutilado por Saturno-Cronos, que, por sua vez, se vê mutilado por seu filho Júpiter; a alusão é bem transparente: já que os homens haviam surpreendido, graças a Prometeu, o segredo dos diversos modos de criação e criavam por sua vez, para que serviam os deuses criadores?

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS. Esse suposto roubo do fogo criativo é, segundo Enoque, o crime do qual se tornaram culpados esses anjos caídos, dos quais a Igreja fez Satanás e seu exército.

O Sr. abade Roca nos fala ainda do "Sat dos Hermetistas", mas comete um duplo erro ao atribuir esse "Sat" aos Hermetistas, que nunca ouviram falar dele, e ao chamá-lo de "Substância", tal como o Yliaster de Paracelso.

Sat é uma palavra sânscrita, usada na filosofia do védanta; é um adjetivo, intraduzível em qualquer língua; nem substância, nem puro Espírito, nem mesmo alguma coisa, Sat é o Todo infinito, a VIDA ou antes a Existência ABSOLUTA que não se poderia traduzir nem pelo verbo "ser" (Eheieh), nem pelo verbo "viver", dos quais os Cabalistas fizeram um glifo da existência, transmutando-o em doze maneiras diferentes sem que o sentido fosse alterado, e aplicando-o ao seu Javé.

Sat é o Absoluto, ou Parabrahm—e qual seria o védantin que jamais se permitiria chamar de "espírito" Parabrahm, ou o Brahm neutro!—enquanto o Yliaster de Paracelso não é senão a Anima mundi; não é nem mesmo Mulaprakriti, que é o "véu de Parabrahm" (literalmente, a raiz da Natureza), mas simplesmente o Akasa, o númeno da luz astral, o véu entre a terra e as primeiras águas.

Para a religião eclesiástica do Cristianismo, que tudo materializou, que carnalizou o Logos, ou Verbo, que, do Deus desconhecido de São Paulo, fez um ser antropomórfico, o nosso SAT nunca será nem compreensível, nem aceitável; o nosso Sat, do qual o Ain-Soph, a divindade negativa dos Cabalistas, não é senão uma pálida cópia metafísica.

Católico romano, o Sr. abade Roca nos diz "que fora de Deus, não há no mundo senão uma única e mesma substância", seja uma coisa ou outra.

Discípulos dos Mahatmas, os teosofistas lhe respondem: rejeitamos um Deus condicionado e limitado, não deixasse ele fora de si senão um ponto matemático! Não queremos um Deus anão, um Deus dotado de atributos humanos,

––––––––––     [Ver nota do Compilador, p. 387.] ––––––––––

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feito à imagem do homem; não queremos, sobretudo, um Deus moldado pelos arquitetos mortais de uma Igreja que teve a audácia de se proclamar infalível! A Divindade que reconhecemos, nós que ousamos apenas formular a sombra de sua concepção, é o Deus TODO, absoluto, infinito, sem começo nem fim; divindade onipresente, cujo único VERBO que pode "fazer-se carne" é a Humanidade! E esse Verbo, que o homem corpóreo — sobretudo o homem que se encontra sob a égide das Igrejas — crucifica sem trégua nem descanso, esse Verbo só ressuscita no homem suficientemente liberto dos laços atados por mãos mortais para não mais se fazer um ídolo terrestre, nem numa Igreja — a estátua de pés de barro —, nem no mundo — o Satã que jamais renuncia às suas pompas e às suas obras! O Christos que os teosofistas assim libertos reconhecem desde os séculos dos séculos é o Ego espiritual, glorioso e triunfante sobre a carne.

Mas, como mostra a alegoria dos quatro Evangelistas, o Filho, desde que ressuscita, sobe ao céu para não mais fazer senão um com o Pai.

Quer isso dizer que se deva aceitar o "milagre" da Ascensão aplicado ao corpo ressuscitado de um homem de quem se fez um Deus? Quer isso dizer que um fato tão sobrenatural tenha alguma vez ocorrido na história da humanidade? Não! Rejeitamos absolutamente semelhante interpretação, rejeitamos esse dogma que degrada o grande mistério da Unidade universal, pois, para nós, explicamo-lo de modo inteiramente diverso: Uma vez unido ao seu Atma-Christos, o Ego, por isso mesmo, perde a grande ilusão que se chama ego-ísmo e percebe enfim a verdade inteira; esse Ego sabe que jamais viveu fora do grande Todo, e que dele é inseparável.

Tal é o Nirvana, que não é, para ele, senão o retorno ao seu estado, à sua condição primitiva.

Aprisionado em seus esquecimentos de carne e matéria, ele

–––––––––– Essa lenda da Ascensão não é senão uma alegoria tão antiga quanto o mundo; para crer nela, seria preciso admitir também a autenticidade do arrebatamento de Elias, levado vivo ao espaço cósmico, ele, seus cavalos e seu carro.

–––––––––– tinha perdido até a ideia, até a lembrança dessa condição, mas uma vez que a luz do Espírito lhe revelou as ilusões dos sentidos, ele não acredita mais nas coisas terrenas, aprendeu a desprezá-las; agora o Filho está reunido ao Pai; a alma doravante não faz mais que um com o Espírito!—E quando um homem chegou a esse ponto da Gnose, ou teosofia, o que ainda tem a ver com os dogmas de qualquer Igreja que seja? A Igreja, ela, sempre fez mistérios, e como bem diz o abade Roca, «não há mistérios senão para a ignorância!»; não é, aliás, ao próprio Cristo que a Igreja católica faz dizer: «toda coisa oculta será posta em plena luz, desdobrada ao sol e divulgada por cima dos telhados»! E o que é isso, senão uma repetição desse mandamento de Gautama o Buda? «Ide proclamar sobre os telhados dos párias, e em pleno dia, os mistérios dos Brâmanes que eles mantiveram secretos em seus templos.


Eles o fizeram por amor ao poder, a fim de reinar sobre os cegos, a fim de usurpar as prerrogativas dos Dévas (Deuses)». O que faziam os Brâmanes quando Siddhartha Buda veio libertar os povos do jugo dessa casta, a Igreja de Roma o fez até o presente no Ocidente; os teósofos porão em plena luz os mistérios da Igreja católica, que são de fato os dos Brâmanes, ainda que sob outros nomes; e seguirão nisso os mandamentos dos dois grandes Mahatmas: Gautama de Kapilavastu, e Jesus da Judeia.

Ambos encontraram seu «Christos», a Verdade eterna, e ambos, tendo sido Sábios e Iniciados, declararam as mesmas verdades.

Agradeceremos todos ao Sr. abade Roca por suas bravas e generosas palavras: não duvidamos que padres como ele, que tiveram a coragem de traduzir «a letra morta» dos textos simbólicos e de proclamar as verdades

–––––––––– [A versão de Ostervald desta passagem de Lucas, xii, 3 é a seguinte: “As coisas, portanto, que tereis dito nas trevas serão ouvidas na luz; e o que tiverdes dito ao ouvido nos aposentos será pregado sobre as casas.”—Compilador.] ––––––––––

«O ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO»

esotéricas «sobre os telhados» estejam prontos a seguir o caminho da Verdade, a Luz que encontram em sua senda.

Honra àqueles! Mas não somos, no entanto, tão otimistas quanto ele próprio o é.

A Igreja pode muito bem ver os seus maiores “mistérios” desmascarados e proclamados pelos sábios de todos os países versados em orientalismo e simbologia, ou pelos teosofistas; não podemos crer que ela aceite jamais as nossas verdades; cremos ainda menos que ela confesse algum dia os seus erros.

E, como por seu lado, os verdadeiros teosofistas jamais aceitarão, nem um Cristo feito carne, segundo o dogma de Roma, nem um Deus antropomórfico, nem muito menos um “Pastor” na pessoa de um Papa, não serão eles que irão até “a Montanha da Salvação”; esperarão que o Maomé de Roma se incomode para tomar o caminho que conduz a Meru. Ora, isso acontecerá alguma vez? Deixo ao leitor o cuidado de julgar!      Uma última palavra! O Sr. Abade Roca fala ainda do tríplice sentido atribuído e reconhecido canonicamente pela sua Igreja aos textos bíblicos.

Mas a gnose, como a Gupta Vidya (a ciência secreta), tem sete chaves que abrem os sete mistérios.

Quando a Igreja de Roma ou os seus adeptos tiverem reconhecido e estudado as quatro chaves (ou sentidos) que lhes faltam, poder-se-á começar a profetizar.

Até lá, esforcemo-nos ao menos por não nos matarmos uns aos outros, se não nos é realmente possível amar-nos uns aos outros.

O futuro é o maior de todos os mistérios, e aqueles que, como Prometeu, têm o dom de perceber no Futuro não revelam os mistérios vindouros senão a uma pequena minoria.—Esperemos que a sabedoria venha a um número maior.

H. P. BLAVATSKY.

–––––––––––      A montanha santa, morada dos devas (N. da D.). ––––––––––                         Collected Writings VOLUME VIII                                             Dezembro, NOTAS SOBRE O “ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO” DO ABADE ROCA                            [Le Lotus, Paris, Vol.


II, No. 9, Dezembro de 1887, pp. 160-173]                                 [Tradução do texto original francês acima]

Nas páginas iniciais deste ensaio — tão notável pela sua sinceridade e pela sua ousadia — o autor [Abade Roca] levanta e resolve esta questão: “Quem pode dizer se o tempo da história em que nos encontramos não é aquele em que a grande sentença de Jesus Cristo se cumprirá: ‘Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor’.” [João, x, 16.] Vários fatos da história passada e presente militam contra essa esperança otimista.

Para começar, há os ensinamentos e as doutrinas do Esoterismo Oriental, que antecipam o Kalki-Avatâra no fim do Kali-Yuga, enquanto nós estamos apenas no seu início agora. Depois, há a interpretação esotérica dos textos cristãos que, lidos à luz de, e traduzidos para, "a linguagem dos Mistérios", nos mostram a identidade das verdades fundamentais e definitivamente universais; por esse meio, os quatro Evangelhos, bem como a Bíblia de Moisés e tudo o mais, do primeiro ao último, claramente aparecem como uma alegoria simbólica dos mesmos mistérios primitivos e do Ciclo de Iniciação.

Ao carnalizar a figura central do Novo Testamento, ao impor o dogma do Verbo feito carne, a Igreja Latina estabelece uma doutrina diametralmente oposta aos princípios do Esoterismo Budista e Hindu e da Gnose Grega.

Portanto, haverá sempre um abismo entre o Oriente e o Ocidente, enquanto nenhum desses dogmas ceder.

Quase 2.000 anos de perseguição sangrenta contra Hereges e Infiéis pela Igreja se avolumam diante das

––––––––––        O Kali-Yuga dura 432.000 anos, e os primeiros 5.000 anos não terão expirado até 1897. ––––––––––

“ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO”

nações orientais para impedi-las de renunciar às suas doutrinas filosóficas em favor daquilo que degrada o princípio do Christos. Além disso, estatísticas estão disponíveis para provar que dois terços da população do globo ainda estão longe de concordar em gravitar para "um único Pastor". Exércitos de missionários são enviados a todos os cantos da terra; milhões de dinheiro são sacrificados por Roma todos os anos e dezenas de milhões pelas 350 a 360 seitas protestantes, e qual é o resultado de tanto esforço? A revelação de um célebre Bispo (Bispo Temple), baseada em estatísticas, nos diz! Desde o início do nosso século, onde os missionários cristãos fizeram apenas três milhões de convertidos, os maometanos adquiriram duzentos milhões de prosélitos sem o custo de um centavo! A África sozinha pertence quase inteiramente ao Islã.

Um sinal dos tempos!     Afirmei que o Novo Testamento é apenas uma alegoria ocidental fundada nos Mistérios universais, cujos primeiros vestígios históricos, somente no Egito, remontam a pelo menos 6.000 anos antes da era cristã.

Estou prestes a provar isso.

A alegoria é a do Ciclo de Iniciação, uma nova versão dos mistérios, ao mesmo tempo psíquica e astronômica.

O Sabismo e a Heliolatria estão aí intimamente ligados a esse outro mistério, a Encarnação do Verbo ou a descida à raça humana do Fiat divino, simbolizada na história de Elohim-Jehová e do Adão de barro.

Portanto, a psicologia e a astrolatria (donde a astronomia) não podem ser separadas aí.

Esses mesmos mistérios fundamentais são encontrados nos textos sagrados de toda nação, de todo povo, desde o início da vida consciente da humanidade; mas quando uma lenda baseada nesses mistérios tenta arrogar-se direitos exclusivos acima de todos os demais; quando se declara um dogma infalível para forçar a fé popular a uma crença de letra morta, em detrimento do verdadeiro significado metafísico, tal lenda deve ser denunciada, seu véu rasgado, e ela mesma exibida em sua nudez ao mundo!

––––––––––        Uma explicação desta palavra será encontrada mais adiante.—Editor, Le Lotus.

–––––––––– Assim, é inútil falar da identidade esotérica das crenças universais até que se tenha estudado e compreendido a fundo o verdadeiro sentido esotérico desses dois termos originais: Chrstos e Christos: dois polos tão opostos em seu significado quanto a noite e o dia, o sofrimento e a humildade, a alegria e a glorificação, etc.


Os verdadeiros cristãos morreram com os últimos gnósticos, e os cristãos de nossos dias são apenas usurpadores de um nome que já não compreendem.

Enquanto assim for, os orientais não podem concordar com os ocidentais; nenhuma fusão de ideias religiosas seria possível entre eles.

Diz-se que após o Kalki-Avatâra (“Aquele que é esperado” no Cavalo Branco, no Apocalipse) a Idade de Ouro começará e cada homem se tornará seu próprio guru (mestre espiritual ou “Pastor”), porque o Logos divino, qualquer que seja o nome que lhe seja dado, reinará em cada mortal regenerado.

Não pode haver, então, questão de um “Pastor” comum, a menos que esse Pastor seja inteiramente metafórico.

Além disso, os cristãos, ao localizarem e isolarem esse grande Princípio, e negando-o a qualquer outro homem exceto Jesus de Nazaré (ou o Nazar), carnalizam o Christos dos gnósticos; isso sozinho impede que tenham qualquer ponto em comum com os discípulos da Sabedoria Arcaica.

Os teosofistas ocidentais aceitam o Christos como faziam os gnósticos dos séculos que precederam o cristianismo, assim como os vedantinos aceitam seu Krishna: eles distinguem o homem corpóreo do Princípio divino que, no caso do Avatâra, o anima.

Seu Krishna, o herói histórico, é mortal, mas o Princípio divino (Vishnu) que o anima é imortal e eterno; Krishna — o homem e seu nome — permanece terreno em sua morte;

––––––––––      Seja Krishna, Buda, Sosiosh, Hórus ou Christos, é um princípio universal; os “Deuses-Homens” são de todos os períodos e inumeráveis.

––––––––––

ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO

ele não se torna Vishnu; Vishnu absorve apenas aquela parte de si mesmo que havia animado o Avatâra, assim como anima tantos outros.

Ora, a palavra Christos é, na realidade, apenas uma tradução da palavra Kris, e esse nome é certamente anterior ao ano 1 da nossa era por milhares de anos.

A prova disso está naquele fragmento da Sibila Eritreia onde encontramos as palavras:                                  . Essa frase, que se tornou tão famosa entre os cristãos, é na realidade apenas uma série de nominativos dos quais se pode fazer o que se quiser.

A Igreja apressou-se em extrair dela uma profecia da vinda de Jesus.

A frase, no entanto, nada tinha a ver com a nossa era, como é provado tanto pela história — de 1º de janeiro do ano 1 a 1º de janeiro de 1888 d.C. — quanto pelo texto real do fragmento sibilino.

De fato, essa profecia universal e inteiramente pagã, que data do início da nossa raça, promete-nos o retorno da idade de ouro assim que “a Criança”, que foi predita, nascer, e cujo nascimento é tão alegórico quanto metafísico.

Ela nada tem a ver com qualquer homem particular, qualquer mulher imaculada; é inteiramente mitológica em sua forma; astronômica e teogônica em sua

––––––––––       Um termo esotérico para a palavra ungido.

Georg Curtius vê a origem de todos esses termos no sânscrito gharsh (grego      ).––Princípios de Etimologia Grega, Vol. I, p. 236.      [Referência aqui à obra de Georg Curtius intitulada Grundzüge der griechischen Etymologie (Leipzig: B. G. Teubner, 1858-62). Na 5ª ed., 1879, esse assunto é discutido na página 204. A única tradução inglesa conhecida é a de A. T. Wilkins e E. B. England (Londres: J. Murray, 1886), em dois volumes.]

No entanto, o volume e a referência de página, conforme indicados por H. P. B., não parecem corresponder a esta tradução.—Compilador.] [Vide a explicação de H. P. B. sobre este oráculo sibilino na segunda parte de seu ensaio sobre "O Caráter Esotérico dos Evangelhos", e os dados adicionais contidos na Nota nº 31 do Compilador, anexada ao referido ensaio.

Esta série de palavras, escrita de maneira comum e com os acentos adequados, é lida da seguinte forma:

—Compilador.] –––––––––– significado oculto.


Em todas as épocas e entre todos os povos, o Messias-Mito nasce de uma Virgem-Mãe.

Testemunhem Krishna e Devakî; vejam a lenda budista enxertada no Gautama histórico, o Buda, e em sua Mãe Maya; notem o que foi acrescentado à biografia do Faraó Amenhotep III, nascido de uma Virgem-Mãe, a Rainha Mut-em-ua, durante a XVIIª Dinastia.

Examinem também as paredes internas do Sanctum Sanctorum no templo de Luxor, construído pelo mesmo Faraó, e vereis quatro cenas muito significativas: primeiro, ali está o deus Thoth

–––––––––– [Vejam as ilustrações anexas que representam as cenas de nascimento mencionadas por H. P. B. Elas se encontram na Parede Oeste de uma das salas do Templo de Luxor, no Egito.

Esta sala está situada no lado leste, em direção à extremidade sul, e é melhor acessada por uma porta na Parede Leste do Salão Hipostilo, e então passando ao longo da parede externa do Templo em direção ao sul, até a primeira entrada à direita.

A sala é aberta ao céu, e devido à orientação, a extremidade esquerda da Parede Oeste nunca recebe os raios plenos do sol, sendo portanto difícil de fotografar.

As paredes foram bastante danificadas durante a revolução religiosa de Amarna, e embora restaurações tenham sido feitas sob Seti I, elas ainda estão em condição extremamente precária.

A história na Parede Oeste consiste em três fileiras de imagens.

Começa no canto inferior direito e prossegue para a esquerda até o fim da parede; é então continuada na fileira do meio, imediatamente acima da última cena—a modelagem da Criança e de seu Ka pelo oleiro ou deus criador Khnum—e prossegue para a direita; finalmente, é retomada à esquerda da fileira superior, e termina na extremidade direita.

Esta é a ordem correta dos eventos descritos, se considerarmos que o artista copiou a história do nascimento divino da Rainha Hatshepsut, como mostrado em seu Templo em Deir-el-Bahari, onde não há possibilidade de confundir a ordem dos eventos, pois eles estão esculpidos em uma longa fileira.

Para complementar as fotografias reais tiradas pelo Levantamento Epigráfico do Instituto Oriental, Universidade de Chicago, acrescentamos também duas Pranchas de Desenhos da obra de Albert Gayet intitulada *Le Temple de Luxor*.

As Figuras 197, 198 e 199 correspondem às três fotografias reproduzidas.

Os comentários de H. P. B. seguem muito de perto o texto da própria explicação de Gerald Massey.

Isso é um tanto infeliz, pois este último contém vários erros.

Fig.

representa o deus Thoth anunciando à Rainha Mut-em-ua que ela dará à luz o “Grande Hereditário ––––––––––                THOTH          MUT-EM-UA          KHNUM MUT-EM-UA            HATHOR       CENAS DA ANUNCIAÇÃO E DA RAINHA CONDUZIDA À SALA DE PARTO.

PAREDE OESTE DE UM DOS SALÕES NO TEMPLO DE LUXOR.

(Cortesia do Instituto Oriental, Universidade de Chicago)

“ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO”

(o Mercúrio lunar, o Mensageiro dos Deuses Egípcios da anunciação, o Gabriel do Livro dos Mortos) saudando a Rainha Virgem e anunciando-lhe o nascimento de um filho; então, há o deus Kneph ajudado por Hathor (o Espírito Santo sob seus dois aspectos, masculino e feminino, como a Sophia dos Gnósticos que foi transformada no Espírito Santo), preparando e aprontando o germe da criança vindoura; então, a mãe em trabalho de parto, sentada no banquinho da parteira, que recebe o recém-nascido em uma caverna; e, por fim, a cena da Adoração.

Gerald Massey, o egiptólogo inglês, descreve esta última cena da seguinte forma:

. . . . . Aqui a criança está entronizada, recebendo homenagem dos Deuses e presentes dos homens.

Atrás da divindade Kneph, à direita, três espíritos—os Três Magos, ou Reis da Lenda, estão ajoelhados e oferecendo presentes com a mão direita, e vida com a esquerda.

A criança assim anunciada, encarnada, nascida e adorada, era o representante faraônico do Sol Aten no Egito, o Deus Adon da Síria, e o Adonai hebraico; o deus-menino do Culto de Aten; a concepção milagrosa da mãe sempre-virgem, personificada por

–––––––––– Príncipe,” como é afirmado na inscrição hieroglífica que acompanha.

Fig.

representa o deus Khnum (não Kneph) e a deusa Hathor conduzindo a Rainha ao seu leito, e estendendo-lhe o sinal de vida.

A Figura tripla.

representa o nascimento do Rei.

A Rainha está sentada em uma cadeira de parteira, colocada sobre uma cama, que por sua vez repousa sobre outra cama.

Duas deusas estão a serviço dela, enquanto o bebê e seu Ka são recebidos por outras deusas, provavelmente algumas das sete formas de Hathor.

No registro do meio, o centro é ocupado pelas duas formas do deus de "Milhões de Anos". De cada lado estão os membros da Ogdoad de Hermópolis, deuses primordiais que, segundo os ensinamentos hermopolitas, surgiram no alvorecer da criação.

No registro inferior está um grande amuleto de proteção, e as "Almas de Heliópolis e de Mekhen". As Figuras 200 e 201 têm a ver com a apresentação do bebê a Amon-Ra. Ver-se-á, portanto, ao comparar esses fatos com a descrição de Massey, que certos erros foram permitidos infiltrar-se nesta última.

Há também considerável diversidade de opiniões entre os egiptólogos com relação às chamadas cenas de "Nascimento Divino".

É contestado por alguns deles que nenhuma versão egípcia retrate a futura mãe como virgem, e que a ideia de "concepção imaculada" é estranha à mitologia egípcia.—Compilador.] –––––––––– Mut-em-ua, como mãe do "único", e representante da divina mãe do jovem Deus-Sol.


É desnecessário repetir a lenda de Krishna e Devakî, de seu nascimento milagroso, dos pastores que cuidaram dele, dos rishis que o saudaram, ou do Herodes indiano, o Rei Kamsa, que ordenou o massacre de 40.000 recém-nascidos do sexo masculino, na esperança de matar Krishna, aquele que o destronaria, entre eles.

E terá chegado, enfim, a idade de ouro cantada por Virgílio e pela Sibila? Onde devemos procurá-la? Está nos primeiros séculos do Cristianismo, quando os pagãos, para proteger seus deuses, massacravam os nazarenos? Está quando estes últimos, declarando-se abertamente cristãos, começaram a afogar os deuses dos pagãos em torrentes de sangue humano, em nome d'Aquele que lhes havia pregado, como diziam, o amor fraternal e universal, até mesmo para com seus inimigos, a caridade até o perdão e o esquecimento das injúrias? Ou está naqueles séculos em que a Santa Inquisição reinava, que a humanidade desfrutou de sua idade de ouro, de sua paz universal, material ou moral? Ou ainda, está quando os exércitos da Europa se preparam para se lançarem uns sobre os outros e se exterminarem, enquanto legiões de infelizes perecem de fome e frio sob a bênção do Vigário de Cristo (dotado de 20 milhões para seu jubileu) e a moralidade nos países cristãos e civilizados afunda abaixo da das feras selvagens? O fato é que o verdadeiro significado das palavras da Sibila só é realmente conhecido pelos Adeptos; e não é pela Cruz do Calvário que elas podem ser interpretadas.

Não tenho a menor intenção de ferir os sentimentos daqueles que creem em Jesus, o Cristo carnalizado, mas sinto-me compelido a enfatizar nossa própria crença ao explicá-la, porque o Abade Roca deseja identificá-la com a da Igreja Romana; jamais poderão essas duas crenças se unir, a menos que o Catolicismo da Latina

––––––––––      [Conferência sobre "O Jesus Histórico e o Cristo Mítico," p. 5, 2º parágrafo.

Vide Índice Bio-Bibliográfico, s.v. MASSEY.— Compilador.] ––––––––––                                      CENA DO NASCIMENTO DIVINO   NA MESMA PAREDE OESTE, IMEDIATAMENTE À DIREITA DAS CENAS ANTERIORES.

(Cortesia do Instituto Oriental, Universidade de Chicago)

"ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO"

Igreja retorne aos seus primeiros princípios, os dos Gnósticos.

Pois a Igreja de Roma era Gnóstica—tanto quanto os marcionitas o eram—até o início e mesmo meados do segundo século; Marcião, o famoso Gnóstico, não se separou dela até o ano 136, e Taciano a deixou ainda mais tarde.

E por que a deixaram? Porque se tornaram hereges, pretende a Igreja; mas a história desses cultos, contribuída por manuscritos esotéricos, nos dá uma versão inteiramente diferente.

Esses famosos gnósticos, nos dizem, separaram-se da Igreja porque não podiam concordar em aceitar um Cristo feito carne, e assim começaram o processo de carnalizar o princípio crístico.

Foi também então que a alegoria metafísica experimentou sua primeira transformação — aquela alegoria que era a doutrina fundamental de todas as fraternidades gnósticas. Um fato é suficiente para provar que a Igreja Romana abandonou até mesmo a tradição preservada pela Igreja Grega, na medida em que adotou a tonsura solar própria dos sacerdotes egípcios dos templos públicos, e dos lamas e bonzos do culto budista popular: isso é suficiente para demonstrar que a Igreja de Roma é a que mais se desviou da religião real do Cristo místico.

Portanto, o tempo ainda está muito distante em que “todos os povos do universo formarão um só rebanho sob um só pastor”. A natureza humana terá de ser completamente modificada antes que isso ocorra.

Teremos de alcançar a Sétima Raça, segundo a profecia do Livro de

–––––––––– Os gnósticos estavam, na verdade, divididos em várias fraternidades, tais como: Essênios, Terapeutas, Nazarenos ou Nazireus (dos quais Jesus de Nazaré); “Tiago”, o irmão do Senhor, chefe da Igreja de Jerusalém, era um gnóstico até a medula, um asceta do antigo tipo bíblico, isto é, um nazireu dedicado ao ascetismo desde o nascimento.

A navalha nunca havia tocado sua cabeça ou barba.

Ele era tal como Jesus é representado nas lendas ou pinturas, e tais como são todos os “Irmãos-Adeptos” de todos os países; do iogue-faquire da Índia aos maiores Mahâtmans entre os Iniciados do Himalaia.

A força magnética e psíquica reside nos cabelos; daí o mito de Sansão e de outros como ele na antiguidade.

––––––––––

CENA DO NASCIMENTO DIVINO (cont.). EXTENSÃO ADICIONAL DA CENA À DIREITA DA IMAGEM ANTERIOR.

(Cortesia do Instituto Oriental, Universidade de Chicago)

CENAS DO NASCIMENTO DIVINO DO TEMPLO DE LUXOR.

(De Le Temple de Luxor, por Albert Gayet) CENA DO NASCIMENTO DIVINO DO TEMPLO DE LUXOR.

(De Le Temple de Luxor, por Albert Gayet) Escritos Reunidos VOLUME VIII Dzyan, porque é então que o “Christos” — designado por seus vários nomes pagãos, bem como pelos dos gnósticos “hereges” — reinará na alma de cada indivíduo, na alma de todos aqueles que tiverem primeiro aceitado o Chrest — não digo simplesmente aqueles que se tornaram cristãos, o que é coisa bem diferente.


Pois, proclamemo-lo de uma vez por todas, a palavra Cristo, que significa o glorificado, o triunfante, e também o “ungido” (da palavra , ungir) não pode ser aplicada a Jesus.

Mesmo segundo os Evangelhos, Jesus nunca foi ungido, nem como Sumo Sacerdote, nem como Rei, nem como Profeta.

“Como mortal”, observa Nork, “ele foi ungido apenas uma vez, por uma mulher, e não porque se oferecesse como rei ou Sumo Sacerdote, mas, como ele mesmo disse, para o seu sepultamento.” Jesus era um Chrestos: (o Senhor é bom), como disse São Pedro (1ª Epístola, ii, 3), quer ele tenha realmente vivido durante a era cristã, quer um século antes, no reinado de Alexandre Janeu e sua esposa Salomé, em Lüd, como afirma o Sepher Toldoth Jeshu.

––––––––––       Uma palavra tibetana, o sânscrito Jñâna, sabedoria oculta, conhecimento.

 Uma palavra que não é nem o Krest (cruz) dos eslavos, nem o “Cristo” crucificado dos latinos.

O Raio manifestado daquele Centro de Vida que está oculto aos olhos da Humanidade por e na Eternidade, o Christos, crucificado como um corpo de carne e ossos! ! !       Tendo chamado a atenção de Madame Blavatsky para o fato de que, segundo certos eruditos, essa afirmação é errônea, ela respondeu o seguinte: “Digo que os eruditos estão mentindo ou falando tolices.

Nossos Mestres afirmam a declaração.

Se a história de Jehoshua ou Jesus Ben-Pandira é falsa, então todo o Talmude, todo o Cânon judaico é falso.

Ele foi o discípulo de Jehoshua Ben Perahiah, o quinto Presidente do Sinédrio depois de Esdras, que reescreveu a Bíblia.

Comprometido na revolta dos fariseus contra Janeu em 105 a.C., ele fugiu para o Egito, levando consigo o jovem Jesus.

Este relato é muito mais verdadeiro do que o do Novo Testamento, que não tem registro na história.”      [Faz-se aqui referência à tradição preservada na Guemará do Talmude Babilônico, nomeadamente nos tratados conhecidos como Sotá (cap.

ix, 47a) e Sinédrio (cap.

xi, 107b). Consultar a este respeito o artigo de H. P. B., “Uma Palavra com os Teosofistas” (The Theosophist, Vol.

IV, março de 1883, pp. 143-145; republicado no Vol.

IV, da presente Série); uma nota de rodapé incorporada na 2ª parte de seu ensaio, “O Caráter Esotérico dos ––––––––––

“ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO”

E havia outros ascetas na condição de Chrstos, mesmo em sua época: todos aqueles que, adentrando o árduo caminho do ascetismo, percorriam a estrada que conduz a Christos,—a luz divina—todos esses estavam no estado de Chrstos, ascetas pertencentes aos templos oraculares                            pertencentes a um oráculo; e veículo de um oráculo, sacrifício e vítima). Isso tudo fazia parte

––––––––––      Evangelhos”; e a valiosa obra de G. R. S. Mead, Did Jesus Live 100 B.C.? (Londres e Benares: Sociedade Teosófica de Publicações, 1903), que examinou todas as evidências exotéricas disponíveis sobre este assunto.

A recente descoberta de certos “Pergaminhos” numa caverna ao redor do Mar Morto contribui em grande medida para confirmar a tradição contida no Talmude.

Deve-se mencionar aqui o fato de que a frase original em francês de H. P. B. é um tanto ambígua; uma tradução literal dela a faz parecer igualmente ambígua em inglês.

Portanto, para eliminar qualquer possibilidade de confusão, deve-se salientar que foi Jehoshua (ou Joshua) Ben Perahiah quem foi comprometido na revolta contra Jannaeus, e fugiu para o Egito com o jovem Jehoshua Ben Pandira.

Gerald Massey, numa carta ao Medium and Daybreak, um semanário londrino, dá um relato de suas pesquisas históricas sobre este importante assunto, do qual os seguintes parágrafos são citados em The Theosophist, Vol.

V, Supl.

a junho de 1884, pp. 84-85:      “O culto cristão não começou com nossos Evangelhos canônicos, nem com um fundador pessoal supostamente retratado neles.

“O Jehoshua do Talmude foi, sem dúvida, um personagem histórico.

Segundo uma tradição preservada no Toledoth Jehoshua, ele era parente da Rainha Salomé, esposa e depois viúva do Rei Jannaeus, que reinou do ano 106 a 79 a.C. Diz-se que ela tentou proteger Jehoshua de seus inimigos sacerdotais, porque havia sido testemunha de suas obras maravilhosas.

Um relato judaico afirma que este homem, cujo nome não deve ser mencionado, foi discípulo de Jehoshua ben-Perachia.

Também diz que ele nasceu no quarto ano do reinado de Alexandre Jannaeus, não obstante as afirmações de seus seguidores de que ele nasceu no reinado de Herodes.

Isso é cerca de um século antes da era cristã, que se supõe ter sido datada do nascimento de Cristo.

Jehoshua é descrito como sendo filho de Pandira e de Stada, a Desgarrada.

“O Rabi ben-Perachia é igualmente um personagem histórico.

Ele começara a ensinar no ano 154 a.C.; portanto, não nasceu depois de 180 a 170 a.C. Mas também se relata que este Rabi fugiu para o Egito durante a Guerra Civil em que os Fariseus –––––––––– do ciclo de iniciação; quem quiser convencer-se disso basta investigar.


Nenhuma “vítima sacrificial” poderia unir-se ao Cristo triunfante antes de passar pelo estágio preliminar do Cristo sofredor que foi morto.

Astronomicamente, era a morte do Sol, mas morte precursora do Novo Sol, morte que engendra a vida no seio das trevas.

–––––––––– se revoltaram contra o Rei Alexandre Janeu.

Isso ocorreu por volta do ano 105 a.C.; e como Jehoshua ben-Pandira acompanhava o Rabi como seu discípulo, ele pode ter nascido já em 120 a.C. Aprendemos do Tratado Shabbath, da Guemará Babilônica à Mishná, que Jehoshua ben-Pandira foi apedrejado até a morte como feiticeiro na cidade de Lud ou Lida, e depois foi crucificado, sendo pendurado na árvore na véspera da Páscoa.

Outra tradição registra que Jehoshua foi morto durante o reinado de Salomé, que terminou no ano 71 a.C. “Jehoshua é o único Jesus histórico conhecido tanto pelos judeus quanto pelos cristãos.

Pois Epifânio, no século IV, traça efetivamente a linhagem de seu Jesus, o Cristo, até Pandira, que foi o pai daquele Jehoshua que viveu e morreu pelo menos um século cedo demais para ser o Cristo de nossos Evangelhos Canônicos.

Isso desloca inteiramente a base histórica; antecede a história humana em um século e destrói o caráter histórico dos Evangelhos, juntamente com o de qualquer outro Jesus que não seja Jehoshua ben-Pandira, a quem judeus e cristãos concordam em identificar como a única personalidade humana.

As tradições mostram ainda que Jehoshua era um Nazareno na realidade, e não porque nasceu em Nazaré, o que jamais poderia ter constituído alguém como Nazareno! “Agora, o Livro Abodazura contém um comentário sobre o Apóstolo Tiago, no qual o descreve como ‘um seguidor de Jehoshua, o Nazareno’, a quem demonstrei ser aquele ‘outro Jesus’, que não era o Jesus ou Cristo de Paulo.”

Aqui então se abre a grande fenda entre um Jehoshua histórico, o mago, pregador, e o Jesus mitológico dos Evangelhos Canônicos; uma fenda que nunca foi sondada, e sobre a qual tentei lançar uma ponte.”      Consulte o Índice Bio-Bibliográfico, s.v. JOSHUA BEN PERAHIAH.—Compilador.]       Sobre a cruz do equinócio de outono, o ponto onde a eclíptica cruza o equador, e onde o sol desce para este último círculo, anunciando o inverno, a morte       Natal, quando o sol reascende em direção ao Equador após ter passado o Solstício de Inverno, anunciando a Primavera, a renovação, a Páscoa.

––––––––––

“ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO”

Psicologicamente, era a morte dos sentidos e da carne, a ressurreição do Ego espiritual, o Christos em cada um de nós.      Sim, é de fato o próprio Christos quem dirige este movimento oculto; mas se assim é, não é com a ideia de que São Pedro, que negou seu Cristo três vezes, deva receber as chaves dos mistérios das mãos dos Mahâtmans, nem que estes últimos devam reencenar a cena dos três Reis Magos.

É desnecessário repetir novamente aquilo que outros Mahâtmans, os Hierofantes do Egito, repetiam a cada 19 anos, segundo o Ciclo Metônico, cinco ou seis mil anos, pelo menos, antes do século XIX.

O Christos astronômico só pode ter um aniversário de nascimento e de ressurreição em 19 anos, como mostrado por Gerald Massey, porque seus pais são o Sol e a Lua, os corpos celestes que acompanham “o Homem crucificado no Espaço,” cujas imagens precederam até a figura descrita por Platão.

Aquele dia, consagrado por uma cerimônia, foi fixado no Egito de acordo com a lua cheia da Páscoa.      Como afirmado pelo egiptólogo e conferencista londrino citado acima:     O local de nascimento do Messias egípcio [Hórus] no Equinócio Vernal foi figurado em Apt, ou Apta, o canto.

. . .     Mas Apta também significa a Manjedoura e o Estábulo, portanto a criança nascida na Apta era suposta ter nascido na Manjedoura, e esta Apta, como Manjedoura, é o sinal hieroglífico do local de nascimento do Sol.     Este ponto era indicado pela interseção do Coluro do Equinócio com o Equador, e como passava de signo a signo, a estrela correspondente do Oriente (ou do Leste) servia para marcar sua posição.

. . . . . Quando o local de nascimento estava no signo do Touro, Órion era a estrela que se erguia no Leste para dizer onde estava o jovem Deus-Sol.

Entre os cristãos também, o dia da Natividade é determinado pela lua cheia da Páscoa, uma estranha coincidência! [“The Historical Jesus and Mythical Christ,” p. 7.] Os egípcios carregavam o recém-nascido em seu berço pelas ruas de Alexandria.

–––––––––– renascido.


Por isso é chamada a “Estrela de Hórus”. Essa era então a estrela dos “Três Reis” que saudaram o Menino; pois “Três Reis” ainda é um nome para as três estrelas do Cinturão de Órion . . .

E nosso autor acrescenta:

Plutarco também nos conta como o Culto Mitraico havia sido particularmente estabelecido em Roma por volta do ano A.C. E Mitras era lendário por ter nascido em uma caverna.

Onde quer que Mitras fosse adorado, a caverna era consagrada como seu local de nascimento.

A caverna pode ser identificada, e o nascimento do Messias naquela caverna, não importa sob que nome ele tenha nascido, pode ser definitivamente datado.

A “Caverna de Mitras” era o local de nascimento do Sol no Solstício de Inverno, quando isso ocorria em 25 de dezembro no signo da Cabra-Marinha, com o Equinócio Vernal no signo do Carneiro.

Agora, o nome acadiano do décimo mês, o da Cabra-Marinha, que corresponde aproximadamente ao nosso dezembro, o décimo por nome, é Abba Uddu, isto é, a “Caverna da Luz”; a caverna do renascimento do Sol na profundidade mais baixa no Solstício, figurada como a Caverna da Luz.

. . . .

Esta caverna foi continuada como o local de nascimento do Cristo.

Você a encontrará em todos os Evangelhos da Infância, e Justino Mártir diz: “Cristo nasceu no Estábulo e depois se refugiou na Caverna”. Ele também atesta o fato de que Cristo nasceu no mesmo dia em que o Sol renasceu em Stabula Augiae, ou seja, nos Estábulos de Áugias.

Agora, a limpeza deste Estábulo foi o sexto trabalho de Héracles, sendo o primeiro no signo do Leão; e Justino estava certo; o Estábulo e a Caverna estão ambos figurados no mesmo Signo Celeste.

Mas observe isto! A caverna foi o local de nascimento do Messias Solar do ano 2410 ao ano 255 A.C.; nessa data posterior, o Solstício passou da Cabra-Marinha para o signo do Arqueiro; e nenhum Messias, fosse chamado Mitras, Adon, Tamuz, Hórus ou Cristo, poderia ter nascido na Caverna de Abba Uddu ou no Estábulo de Áugias em 25 de dezembro após o ano 255 A.C.; portanto, Justino não tinha nada além da tradição mitraica do aniversário passado para provar o nascimento do Cristo Histórico 255 anos depois!

Assim, com o auxílio da matemática e da astronomia, foi demonstrado que Jesus não poderia ter nascido em 25 de dezembro, 255 anos depois; a Precessão dos Equinócios, ou o incremento sideral, o proíbe.

––––––––––        [Op. cit., p. 7.]        [Vidas: Vida de Pompeu, cap. 24.]        [Massey, op. cit., pp. 6-7.]        [Vide nota de rodapé do Compilador na página 365 deste Volume.] ––––––––––

“ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO”      É nesta sabedoria antiga, e no Christos dos Gnósticos sob seus vários nomes, que os Teosofistas, discípulos dos Mahâtmans, creem.

Estará o Abade Roca pronto a fazer o Papa aceitar essa crença, e a aceitá-la ele mesmo?—Duvido. O que, então, podemos fazer?      O Abade Roca cita-nos passagens de Paulo falando do “Verbo feito carne” e de um Deus existindo corporalmente; mas o Abade Roca é demasiado erudito para negar que as Epístolas de São Paulo não chegaram até nós inteiramente imaculadas.

Durante vários séculos a Igreja recusou-lhes um lugar entre as escrituras ortodoxas, como também fez com o Apocalipse de São João, e quando esses dois livros foram aceitos, foram, como está definitivamente provado, de forma mutilada.

Mas, sem isso, o grande inimigo de São Pedro teria feito um só bocado do apóstolo da circuncisão.

É por isso que, à expressão avançada, “o Verbo feito carne,” os Teosofistas—Gnósticos e Budistas—poderiam opor estas outras palavras de Paulo, perguntando se os Gálatas são suficientemente tolos—após começarem com fé no Espírito—para recaírem numa crença em um deus corpóreo; pois esse é o significado esotérico do que ele diz em sua Epístola aos Gálatas, iii, 3, etc.

Há outra coisa extraordinária que o Abade Roca realmente deveria nos explicar. Pareceria, por todo cálculo, que Paulo havia se convertido a Cristo três ou quatro anos antes da crucificação de Jesus! Assim, segundo os Atos, sua visão datava do ano 30 ou 31, mas segundo o que ele também disse aos Gálatas, deve ter ocorrido no ano 27. Ele disse, de fato, que não havia ido a Jerusalém por três anos após sua conversão (Gál., i, 18 et seq.), e depois disso falou (Ibid., ii, 1 et seq.) de retornar lá catorze anos mais tarde, com Barnabé e Tito.

Agora, “a data dessa segunda visita pelo menos, se não da primeira, pode ser fixada historicamente, porque foi feita durante a grande fome que se sabe ter ocorrido no ano 44, quando Paulo e Barnabé enviaram socorro aos pobres.” Se então subtrairmos 17 da data de 44, segue-se que São Paulo foi convertido no ano 27, isto é, enquanto Jesus ainda vivia! E isso dificilmente pode ser explicado a menos que, como Gerald Massey prova (corroborando assim os fatos ensinados nos livros secretos da Gnose—ver Ísis sem Véu, Vol. II), Paulo tenha sido convertido, não a Jesus de Nazaré, mas ao Christos dos Gnósticos.


Em suas Epístolas, ele foi feito para fulminar contra os hereges, mas esses hereges eram na verdade Pedro, Tiago e os outros Apóstolos.

Ignoro o que o erudito Abade Roca pretende revelar ao mundo em seu próximo volume sobre o assunto da “Queda do Éden”, que ele considera um cataclismo, “punição de um crime medonho, de uma revolta audaciosa”; mas posso assegurar-lhe que a opinião dos “Teosofistas-Chelas” sobre o assunto já está formada de antemão.

O crime terrível foi meramente o resultado natural da lei da evolução: isto é, as raças—dificilmente solidificadas no início—de nossos protótipos andróginos e semi-etéreos, materializando-se pouco a pouco, assumindo um corpo físico, então separando-se em machos e fêmeas distintos, finalmente procriando carnalmente depois de terem anteriormente criado suas semelhanças por métodos inteiramente diferentes que serão explicados algum dia (se, no entanto, pode-se expressar pela palavra criar uma ideia bastante contrária à de gerar). Essa “revolta audaciosa” é novamente uma alegoria antropomórfica e personificadora que devemos à Igreja, que materializou, para melhor disfarçá-las, todas as ideias antigas—velhas como o mundo.

Era uma doutrina filosófica embutida no significado esotérico da lenda prometeica.

O fogo sagrado que ele roubou dos Deuses é a chama do intelecto consciente, a centelha que anima o quinto princípio, ou Manas; é também a chama geradora e sexual; essa centelha é o reflexo—se não a própria essência—dos Arcanjos ou Mônadas, forçados por seu carma do manvantara precedente a encarnar nas formas astrais da terceira grande raça pré-adâmica antes de sua “queda”—a queda do Espírito na Matéria. Isso

––––––––––     [Os trechos mais prováveis são os das pp. 89-91, 137 e nota de rodapé da p. 162.—Compilador.] ––––––––––

“ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO”

a suposta “revolta”, esse “roubo” do fogo criador, é um resultado da Evolução (da qual a teoria darwiniana é apenas a casca exterior e grosseira no plano físico ou material). Uma vez dotada do fogo criador, a humanidade completamente evoluída não tinha mais necessidade da ajuda dos Poderes ou deuses criadores, tais como os Elohim do capítulo ii do Gênesis.

Os homens tornaram-se deuses criadores, por sua vez, capazes de dar vida a seres semelhantes a si mesmos; daí a alegoria grega de Urano mutilado por Saturno-Kronos, que por sua vez se vê mutilado por seu filho Júpiter; a alusão é perfeitamente transparente; já que os homens haviam descoberto, graças a Prometeu, o segredo dos diversos métodos de criação, e estavam criando por sua vez, de que serviam os deuses-criadores? O chamado roubo do fogo criador é, segundo Enoque, o crime que causou a culpa dos anjos caídos, dos quais a Igreja fez Satanás e sua Hoste.

O Abade Roca nos fala novamente do “Sat dos Hermetistas”, mas comete um duplo erro ao atribuir esse “Sat” aos Hermetistas, que nunca ouviram falar dele, e ao chamá-lo de “Substância”, como o Yliaster de Paracelso.

Sat é um termo sânscrito, usado na filosofia do Vedânta; é um adjetivo intraduzível em qualquer língua; nem substância, nem Espírito puro, nem mesmo qualquer coisa, Sat é o Todo infinito, a VIDA, ou antes a EXISTÊNCIA ABSOLUTA, que não pode ser traduzida nem pelo verbo “ser”         (Eheieh), nem pelo verbo “viver”        , dos quais os Cabalistas fizeram um glifo de existência, transmutando-o de uma dúzia de maneiras diferentes sem que o significado

––––––––––       [Segundo o Léxico Hebraico-Inglês de Wm. Gesenius do Antigo Testamento (1836),               significa “ser, acontecer, suceder, tornar-se, ser feito ou realizado, vir a existir”, enquanto           é uma forma mais rara em hebraico, significando também “ser” ou “existir”. Eheieh,        , é a primeira pessoa do singular, “Eu sou”, como na conhecida expressão “Eu sou o que sou”,                        , eheieh asher eheieh.

Ambos os verbos têm sua origem na ideia de “respirar”.—Compilador.] –––––––––– sendo alterado, e aplicando-o ao seu Jeová.


Sat é o Absoluto, ou Parabrahm—e onde está o Vedantin que jamais permitiria a si mesmo chamar Parabrahm de "espírito", ou o Brahma neutro!—enquanto o Yliaster de Paracelso é apenas a Anima Mundi; não é sequer Mûlaprakriti, que é o "véu de Parabrahm" (literalmente, a raiz da Natureza), mas simplesmente o Âkâśa, o númeno da Luz Astral, o véu entre a Terra e as primeiras águas.

Para a religião eclesiástica do Cristianismo, que materializou tudo, que carnalizou o Logos ou Verbo, que, a partir do Deus desconhecido de São Paulo, fez um ser antropomórfico, nosso SAT jamais seria compreensível ou aceitável; nosso Sat, do qual Ain-Soph, a divindade negativa dos Cabalistas, é meramente uma pálida cópia metafísica.

Como católico romano, o Abade Roca nos diz que, "fora de Deus, não existe no universo senão uma e a mesma substância", seja ela o que for. Discípulos dos Mahâtmans, os Teosofistas lhe respondem: rejeitamos um Deus condicionado e limitado, ainda que ele tivesse fora de si apenas um ponto matemático! Não buscamos um Deus-anão, um Deus dotado de atributos humanos, feito à imagem do homem; acima de tudo, não queremos um Deus moldado pelos arquitetos mortais de uma Igreja que teve a audácia de proclamar-se infalível! A Divindade que reconhecemos, nós que dificilmente ousamos formular uma esboço de sua concepção, é Deus-o-TUDO, absoluto, infinito, sem começo nem fim; a divindade onipresente, da qual a única PALAVRA que pode "fazer-se carne" é a Humanidade! E essa Palavra, que a humanidade corpórea—especialmente aquela humanidade sob a égide das Igrejas—crucifica constantemente e sem intermissão, essa Palavra só ressuscita naquele homem que está suficientemente liberto dos laços atados por mãos mortais, para não mais fazer para si um ídolo terreno, seja da Igreja—a estátua com pés de barro—seja do mundo—o Satã que jamais renuncia à sua pompa e às suas obras!      O Christos que os Teosofistas, assim libertos, reconheceram, desde os secula seculorum, é o Ego espiritual,

"ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO"

glorioso e triunfante sobre a carne.

Mas, como mostra a alegoria dos Quatro Evangelistas, o Filho, desde a sua ressurreição, ascende ao céu para ser para sempre um com o Pai.

Isso significa que devemos aceitar o "milagre" da Ascensão como aplicado ao corpo ressuscitado de um homem que foi transformado em um Deus? Significa que um fato tão sobrenatural jamais ocorreu na história da humanidade? Não! Rejeitamos absolutamente tal interpretação, rejeitamos esse dogma que degrada o grande mistério da Unidade universal, porque, no que nos diz respeito, explicamo-lo de maneira bem diferente: Uma vez unido ao seu Âtman-Cristo, o Ego, por esse próprio ato, perde a grande ilusão chamada ego-ísmo, e percebe enfim a plenitude da verdade; esse Ego sabe que nunca viveu fora do grande Todo, e que é inseparável dele. Tal é o Nirvâna, que, para ele, é apenas o retorno à sua condição ou estado primitivo.

Aprisionado em sua masmorra de carne e matéria, havia perdido até a concepção ou memória dessa condição, mas uma vez que a luz do Espírito lhe revelou a ilusão dos sentidos, ele não deposita mais confiança nas coisas terrenas, pois aprendeu a desprezá-las; o Filho está agora unido ao Pai; doravante, a alma é una com o Espírito! E quando um homem alcançou esse ponto na Gnose, ou Teosofia, o que tem ele então a ver com os dogmas de qualquer Igreja? Quanto à Igreja, ela sempre fez mistérios, e como o Abade diz muito corretamente, "os mistérios existem apenas para os ignorantes"; além disso, não é o próprio Cristo que a Igreja Católica faz dizer: "... o que falastes ao ouvido nas câmaras será proclamado sobre os telhados" [Lucas, xii, 3]. E o que é isso, senão uma repetição do mandamento de Gautama Buda: "Ide e proclamai sobre os telhados dos

–––––––––– A lenda da Ascensão é meramente uma alegoria tão antiga quanto o mundo; para crer nela, seria necessário também admitir a autenticidade da ascensão de Elias, levado vivo ao espaço cósmico, ele mesmo, seus cavalos e sua carruagem.

[Masmorra subterrânea ou cela onde o prisioneiro era deliberadamente esquecido.—Compilador.] –––––––––– párias, e em plena luz do dia, os mistérios dos Brâmanes, que eles mantiveram em segredo em seus templos.


Eles o fizeram por amor ao poder, para controlar os cegos e usurpar as prerrogativas dos Devas (Deuses).” O que os Brâmanes estavam fazendo quando Siddhârtha Buddha veio libertar o povo do jugo daquela casta, a Igreja Romana tem feito até hoje no Ocidente; os Teosofistas trarão à luz os mistérios da Igreja Católica, que são realmente os dos Brâmanes, embora sob outros nomes; ao fazê-lo, eles meramente seguirão os mandamentos dos dois grandes Mahatmas: Gautama de Kapilavastu e Jesus da Judeia.

Ambos haviam encontrado seu “Cristo”, a Verdade eterna, e ambos, sendo Sábios e Iniciados, proclamaram as mesmas verdades.

Todos agradecemos ao Abade Roca por suas palavras corajosas e generosas; não duvidamos que sacerdotes como ele, que têm a coragem de traduzir a “letra morta” dos textos simbólicos e proclamar as verdades esotéricas “sobre os telhados”, possam estar prontos para seguir o caminho da Verdade, a Luz que encontram em seu caminho.

Honra a tais! Mas não somos tão otimistas, no entanto, quanto ele. Embora a Igreja veja seus maiores “mistérios” desmascarados e proclamados por estudiosos de todos os países versados em Orientalismo e Simbologia, ou por Teosofistas, não podemos acreditar que ela aceitará nossas verdades; acreditamos ainda menos que ela confessará seus erros.

E, por sua vez, os verdadeiros Teosofistas nunca aceitarão nem um Cristo feito Carne, segundo o dogma romano, nem um Deus antropomórfico, muito menos um “Pastor” na pessoa de um Papa; não são eles que se moverão em direção ao “Monte da Salvação”; eles esperarão até que o Maomé Romano se dê ao trabalho de iniciar o caminho que leva a Meru. Isso algum dia acontecerá? Deixo isso ao leitor para julgar por si mesmo.

Uma última palavra! O Abade Roca também fala do tríplice sentido canonicamente atribuído e reconhecido nos

––––––––––      A montanha sagrada, morada dos Devas.—Editor, Le Lotus.

––––––––––

“ESOTERISMO DO DOGMA CRISTÃO”

textos bíblicos por sua Igreja.

Mas a Gnose, como a Gupta-Vidyâ (a ciência secreta), tem sete chaves que abrem os sete mistérios.

Quando a Igreja Romana, ou seus adeptos, tiverem reconhecido e estudado as quatro chaves (ou sentidos) que lhes faltam, será possível começar a profetizar.

Até então, tentemos, ao menos, não nos matarmos uns aos outros, se não nos for realmente possível amar uns aos outros.

O futuro é o maior dos mistérios, e aqueles que têm, como Prometeu, o dom de ver o Futuro revelam os mistérios vindouros apenas a uma pequena minoria.

Esperemos que a sabedoria chegue a um número maior.

H. P. BLAVATSKY.

Escritos Reunidos VOLUME VIII                                         Maio, Junho, Julho, HELENA PETROVNA BLAVATSKY                          [The Theosophical Forum, Nova York, Vol.


V, No. 12, Abril, 1900;                                    Vol.

VI, Nos.

1, 2, 3, Maio, Junho, Julho, 1900]

[Este é um relato escrito por Charles Johnston sobre sua conversa com H. P. B. quando ele a conheceu pela primeira vez em Londres, na primavera de 1887, logo após sua chegada de Ostende.

Embora este texto não seja da própria pena de H. P. B., é publicado aqui por conter muitos pontos de ensinamento e apresentar marcas óbvias de autenticidade.—Compilador.]

“Compreendo, Sócrates.

É porque você diz que sempre tem um sinal divino.

Então ele está processando você por introduzir novidades na religião.

E ele vai ao tribunal sabendo que tais assuntos são facilmente deturpados para a multidão e, consequentemente, pretendendo caluniá-lo lá.”                                                                                                       —PLATÃO.

Conheci a querida e velha “H. P. B.”, como ela fazia todos os amigos a chamarem, na primavera de 1887. Alguns de seus discípulos haviam alugado uma linda casa em Norwood, onde a enorme nave de vidro e as torres gêmeas do Palácio de Cristal brilham acima de um labirinto de ruas e terraços.

Londres estava em seu melhor aspecto sombrio.

As praças e jardins estavam perfumados com cachos de lilases e chuva amarela de laburnos sob folhas verdes suaves.

O eterno manto de fumaça se adelgaçava em um véu cinzento brilhando ao sol da tarde, com as grandes Torres de Westminster e milhares de agulhas e chaminés perfurando-o.

Cada casa tinha seu novelo de fumaça, arrastando-se para o leste.

H. P. B. estava terminando seu trabalho do dia, então passei meia hora no andar de cima com seu secretário voluntário, um discípulo que a servia com devoção ilimitada, sacrificando tudo por sua causa e lutando bravamente suas batalhas, para ser repreendido em troca, incessantemente por sete anos.

Eu o conhecera dois anos antes, nos dias de Mohini Chatterji, o brâmane de vestes de veludo, com cabelos brilhantes, rosto moreno e grandes olhos luminosos.

Então conversamos sobre

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tempos antigos, e do grande livro de H. P. B., A Doutrina Secreta, e ele me leu estrofes ressonantes sobre a Noite Cósmica Universal, quando o Tempo não existia; sobre os Filhos Luminosos da Aurora Manvântara; e os Exércitos da Voz; sobre os Homens Aquáticos Terríveis e Maus, e os Magos Negros da Atlântida Perdida; sobre os Filhos da Vontade e do Yoga e o Anel que Não se Atravessa; sobre o Grande Dia Conosco, quando tudo será aperfeiçoado em um, reunindo “a ti e aos outros, a mim e a ti”. Assim passou a meia hora, e desci as escadas para ver a Velha Senhora.

Ela estava em sua sala de escrita, acabando de se levantar da escrivaninha, e vestida com um daqueles roupões azul-escuros que amava.

Minha primeira impressão foi de seus cabelos ondulados enquanto ela se virava, depois seus olhos maravilhosamente potentes, ao me receber: “Meu caro! Estou tão feliz em vê-lo! Entre e converse! Você chegou bem a tempo de tomar um chá!” E um apertar de mãos cordial.

Então um chamado penetrante por “Louise”, e sua criada suíça apareceu, para receber uma torrente de instruções em francês, e H. P. B. acomodou-se confortavelmente numa poltrona, perto de sua caixa de tabaco, e começou a me fazer um cigarro.

Os punhos de um terno Jaeger apareciam em torno de seus pulsos, apenas realçando a forma perfeita e a delicadeza de suas mãos, enquanto seus dedos ágeis, profundamente manchados de nicotina, enrolavam o papel de arroz branco em volta do tabaco turco.

Quando estávamos confortavelmente acesos, ela me contou uma história encantadora sobre a devoção de Louise.

Ela havia se afastado de sua base de suprimentos em algum lugar, na Bélgica, creio, e as coisas estavam um tanto difíceis por um tempo.

Um cavalheiro rico veio visitar a famosa bruxa russa e deu uma gorjeta generosa à sua criada.

Assim que ele saiu, Louise apareceu, corando e se desculpando: “Talvez madame não se ofenda”, gaguejou, “mas eu não preciso de dinheiro; enfin—madame consentira...” e ela tentou transferir a douceur para sua patroa.

A entrada de Louise interrompeu a história, e H. P. B. voltou-se com um sorriso zombeteiramente humorístico para outro tema: “Claro que você leu o Relatório da S.P.R.?—A Sociedade de Pesquisas Espirituais—e sabe que sou uma espiã russa e a maior impostora da época?” “Sim, li o Relatório.


Mas já conhecia seu conteúdo.

Estive na reunião quando ele foi lido pela primeira vez, há dois anos.” “Bem,” disse H. P. B., sorrindo novamente com infinito humor, “e que impressão o cordeirinho brincalhão da Austrália causou em seu coração suscetível?” “Uma muito profunda.”

Decidi que ele devia ser um jovem muito bom, que sempre voltava para casa para o chá; e que o Senhor lhe havia dado uma opinião muito boa de si mesmo.

Se ele metia uma opinião na cabeça, seguia em frente placidamente, e os fatos contrários ficavam totalmente invisíveis.

Mas o seu caso não era o primeiro da lista.

Eles apresentaram um artigo sobre bruxaria moderna, no qual outro dos seus acusadores provou que beliscões e queimaduras podiam ser enviados por transmissão de pensamento a uma pessoa a quilômetros de distância.

Era bastante horripilante, e sugeria cadeiras de mergulho.

Então você entrou. Mas até onde pude ver, o jovem colonial nunca havia realmente investigado fenômeno oculto algum; ele simplesmente investigava memórias vagas e confusas sobre eles nas mentes de testemunhas indiferentes.

E tudo o que o Sr. Sinnett diz no Mundo Oculto me parece absolutamente inabalado por todo o Relatório.

O Poeta, o terceiro dos seus acusadores, desceu entre nós depois da reunião e, sorrindo, perguntou-me o que eu achava daquilo. Respondi que era a coisa mais injusta e unilateral que eu já ouvira, e que, se eu já não fosse membro da sua Sociedade, teria me filiado com base naquele ataque.

Ele esboçou um sorriso meio doentio e seguiu adiante." — "Alegro-me que você pense assim, minha querida", respondeu ela à sua maneira cortês, "pois agora posso lhe oferecer um chá com a consciência tranquila." Louise havia estendido uma toalha branca sobre a mesa de canto, trazido uma bandeja e aceso uma lâmpada.

O secretário logo se juntou a nós, recebendo um pequeno sermão sobre falta de pontualidade, ele que era pontual.

Depois voltamos a falar de seus amigos, os Pesquisadores Psíquicos.

"Eles nunca farão muito", disse H. P. B. "Eles seguem demais as linhas materiais, e são tímidos demais.

Esse foi o motivo secreto que os voltou contra mim. O jovem colonial se desviou, e então os

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carneiros-guia do rebanho seguiram-no em sua esteira, porque temiam levantar uma tempestade se dissessem que nossos fenômenos eram verdadeiros.

Imagine o que isso teria significado! Porque teria praticamente comprometido a Ciência Moderna com nossos Mahatmas e tudo o que ensinei sobre os habitantes do mundo oculto e seus poderes tremendos.

Eles recuaram diante desse pensamento, e por isso fizeram de mim, pobre órfã e exilada, um bode expiatório." E seus olhos estavam cheios de uma piedade bem-humorada por si mesma.

"Deve ter sido algo assim", respondi, "pois simplesmente não há espinha dorsal no próprio Relatório.

É a coisa mais fraca do gênero que já li."

Não há um fragmento sequer de evidência real nisso, do começo ao fim." "Você realmente acha isso? Exatamente!" exclamou H. P. B.; e então ela se voltou para seu secretário e despejou uma saraivada de censuras, dizendo-lhe que ele era ganancioso, preguiçoso, desleixado, desorganizado e, no geral, imprestável.

Quando ele se aventurou a uma defesa inquieta, ela se inflamou e declarou que ele "nascera um boboca, vivera um boboca e morreria um boboca." Ele perdeu o controle e, não surpreendentemente, fez um rastro amarelo de ovo sobre a toalha de mesa branca dela.

"Pronto!" exclamou H. P. B., fulminando-o com um olhar de desprezo aniquilador, e então se voltando para mim em busca de solidariedade em suas aflições.

Esse era o seu jeito, repreender seus discípulos na presença de completos estranhos.

Isso diz muito a seu favor: eles ainda a amavam.

Tentei desviar o assunto com uma pista falsa — não que houvesse alguma na mesa.

Estávamos limitados a chá, torradas e ovos.

"O engraçado sobre os Pesquisadores Psíquicos," eu disse, "é que eles provaram para si mesmos que a maioria desses poderes mágicos é exatamente o que você diz que são, e parece que eles adotaram corporalmente, para não dizer roubaram, o seu ensinamento da Luz Astral.

Considere a coisa que mais foi ridicularizada: as viagens de adeptos e seus discípulos no corpo astral; você sabe como eles são severos em relação ao pobre Damodar e suas viagens em seu corpo astral de uma parte da Índia a outra, e até mesmo da Índia para Londres.

Bem, eles próprios têm evidências perfeitamente sólidas da mesma coisa.

Conheço um dos membros do comitê deles, um professor de física, que realmente descobriu a transmissão de pensamento e fez todos os primeiros experimentos nisso. Ele me mostrou vários de seus artigos não publicados, e entre eles estava um relato de exatamente tais viagens astrais, feitas de forma bastante consciente.

Acho que o viajante astral era um jovem médico, mas isso é um detalhe.

O ponto é que ele mantinha um diário de suas visitas, e uma anotação delas também era feita pela pessoa que ele visitava, e os dois coincidem perfeitamente.

Eles têm tudo autenticado e impresso, e ainda assim, quando vocês fazem exatamente a mesma afirmação, eles os chamam de fraudadores.

Pergunto-me por quê?" "Em parte, preconceito britânico," ela respondeu; "nenhum inglês jamais acredita em algo bom vindo de um russo.

Eles acham que somos todos mentirosos."

Você sabe que eles me vigiaram por meses na Índia, como espiã russa? Não entendo,” continuou ela meditativamente, mas com um olhar severo para sua secretária, “não entendo como esses ingleses podem estar tão certos de sua superioridade e, ao mesmo tempo, em tamanho terror de nossa invasão à Índia.” “Poderíamos facilmente nos defender se você invadisse, H. P. B.,” aventurou-se a secretária patriota, recompondo-se, mas evidentemente ainda trêmula, e evitando seu olhar.

Ela o esmagou num instante: “O quê!” exclamou ela, “o que vocês poderiam fazer com seu pobre exército? Eu lhe digo, minha cara, quando os russos de fato encontrarem os ingleses na fronteira afegã, nós os esmagaremos como pulgas!” Nunca vi nada tão avassalador.

Ela se ergueu em sua ira como todo o exército russo de cinco milhões em pé de guerra e desceu sobre a cabeça devotada do pobre britânico, com peso terrificante.

Quando ela se exaltava, H. P. B. era como uma torrente; ela simplesmente dominava todos que se aproximavam dela; e sua imensa força pessoal se fazia sentir sempre, mesmo quando estava doente e sofrendo, e com todas as razões para estar abatida.

Nunca vi nada igual ao seu tremendo poder individual.

Ela era a justificação de seu próprio ensinamento sobre a

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divindade da vontade.

“Mas H. P. B.”—hesitou a secretária.

Mas ela o esmagou com um olhar, e ele desesperadamente serviu-se de mais torrada com manteiga, apenas para ser acusado de gula.

Novamente tentei um desvio: “Há uma coisa sobre o Relatório da S. P. R. que quero que você explique.

E quanto à escrita nas cartas ocultas?” “Bem, e quanto a isso?” perguntou H. P. B., imediatamente interessada.

“Eles dizem que você mesma as escreveu, e que elas trazem marcas evidentes de sua caligrafia e estilo.

O que você diz a isso?” “Deixe-me explicar desta maneira,” respondeu ela, após um longo olhar para a ponta de seu cigarro.

“Você já fez experimentos em transferência de pensamento? Se já, deve ter notado que a pessoa que recebe a imagem mental muitas vezes a colora, ou até mesmo a altera ligeiramente, com seu próprio pensamento, e isso quando ocorre uma transferência de pensamento perfeitamente genuína.

Bem, é algo assim com as cartas precipitadas.

Um de nossos Mestres, que talvez não saiba inglês, e é claro que não tem caligrafia inglesa, deseja precipitar uma carta em resposta a uma pergunta enviada mentalmente a ele.

Digamos que ele esteja no Tibete, enquanto eu estou em Madras ou Londres.

Ele tem o pensamento-resposta em sua mente, mas não em palavras inglesas.

Ele precisa primeiro imprimir esse pensamento em meu cérebro, ou no cérebro de outra pessoa que conheça inglês, e então tomar as formas-palavras que surgem nesse outro cérebro para responder ao pensamento.

Então ele deve formar uma imagem mental clara das palavras por escrito, também recorrendo ao meu cérebro, ou ao cérebro de quem quer que seja, para as formas.

Então, seja através de mim ou de algum Chela com quem esteja magneticamente conectado, ele tem de precipitar essas formas-palavras no papel, primeiro enviando as formas à mente do Chela, e depois impelindo-as para o papel, usando a força magnética do Chela para fazer a impressão, e recolhendo o material, preto, azul ou vermelho, conforme o caso, da luz astral.

Como todas as coisas se dissolvem na luz astral, a vontade do mago pode fazê-las emergir novamente.

Assim, ele pode extrair cores de pigmentos para marcar a figura na carta, usando a força magnética do Chela para gravá-las, e guiando o todo por sua própria força magnética muito maior, uma corrente de vontade poderosa." — "Isso parece bastante razoável", respondi.


"Não quer me mostrar como se faz?" — "Você teria de ser clarividente", ela respondeu, de maneira perfeitamente direta e prática, "para ver e guiar as correntes.

Mas este é o ponto: suponha que a carta seja precipitada através de mim; ela naturalmente mostraria alguns traços de minhas expressões, e até mesmo de minha caligrafia; mas, ainda assim, seria um fenômeno oculto perfeitamente genuíno, e uma mensagem real daquele Mahatma.

Além disso, quando tudo é dito e feito, eles exageram a semelhança das escritas.

E peritos não são infalíveis.

Tivemos peritos que eram igualmente categóricos em afirmar que eu não poderia de modo algum ter escrito aquelas cartas, e peritos igualmente bons também.

Mas o Relatório nada diz sobre eles.

E há cartas, com exatamente a mesma caligrafia, precipitadas quando eu estava a milhares de quilômetros de distância.

O Dr. Hartmann recebeu mais de uma em Adyar, Madras, quando eu estava em Londres; dificilmente eu poderia tê-las escrito." — "Eles simplesmente diriam que o Dr. Hartmann era o fraudador, nesse caso." — "Certamente", exclamou H. P. B., ficando agora irritada; "somos todos fraudes e mentirosos, e o cordeirinho da Austrália é o único homem verdadeiro.

Minha querida, isso é demais."

— É insolente! — E então ela riu de seu próprio ardor, uma risada homérica, ampla e bem-humorada, como sempre era a dela, e por fim disse: — Mas você viu algumas das cartas ocultas? O que me diz?

— Sim — respondi; — o Sr. Sinnett me mostrou cerca de uma resma delas; a série inteira em que se baseiam *O Mundo Oculto* e *Budismo Esotérico*. Algumas estão em vermelho, seja tinta ou lápis, mas muitas mais estão em azul. A princípio pensei que fosse lápis, e tentei borrá-las com o polegar; mas não borravam.

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— Naturalmente que não! — sorriu ela; — a cor é impregnada na superfície do papel. Mas e os escritos?

— Estou chegando a isso. Havia dois: a escrita azul e a vermelha; eram totalmente diferentes entre si, e ambas bastante distintas da sua. Passei bastante tempo estudando a relação da caligrafia com o caráter, e os dois caracteres estavam claramente marcados. O azul era evidentemente de um homem de caráter muito gentil e equilibrado, mas de vontade extremamente forte; lógico, tranquilo, e que se dava a um trabalho infinito para tornar seu significado claro. Era, sobretudo, a caligrafia de um homem culto e muito simpático.

— O que eu não sou — disse H. P. B., com um sorriso; — esse é o Mahatma Koothoomi; ele é um brâmane da Caxemira de nascimento, você sabe, e viajou bastante pela Europa. Ele é o autor das cartas de *O Mundo Oculto*, e deu ao Sr. Sinnett a maior parte do material de *Budismo Esotérico*. Mas você já leu tudo sobre isso.

— Sim, lembro que ele diz que você grita através do espaço com uma voz como a do pavão de Sarasvati. Não é bem o tipo de coisa que você diria de si mesma.

— Naturalmente que não — disse ela; — eu sei que sou um rouxinol. Mas e a outra escrita?

— A vermelha? Oh, essa é totalmente diferente. É feroz, impetuosa, dominadora, forte; vem em erupções vulcânicas, enquanto a outra é como as Cataratas do Niágara. Uma é fogo, e a outra é o oceano. São totalmente diferentes, e ambas bastante distintas da sua. Mas a segunda tem mais semelhança com a sua do que a primeira.

— Este é meu Mestre — disse ela, — a quem chamamos de Mahatma Morya. Tenho o retrato dele aqui. — E mostrou-me um pequeno painel a óleo. Se alguma vez vi genuíno temor e reverência num rosto humano, foi no dela, quando falou de seu Mestre. Ele é um Rajput de nascimento, disse ela, uma das antigas raças guerreiras do deserto indiano, a nação mais distinta e bela do mundo.

Seu Mestre era um gigante, com um metro e oitenta e cinco, e esplendidamente constituído; um tipo soberbo de beleza viril.

Mesmo na fotografia, há um poder e uma fascinação maravilhosos; a força, a ferocidade até, do rosto; os olhos escuros e flamejantes, que vos fitam com descaramento; os traços bem definidos de bronze, o cabelo e a barba negros como a asa da graúna—tudo falava de uma individualidade tremenda, um verdadeiro Zeus no auge da virilidade e da força.


Perguntei-lhe algo sobre a idade dele.

Ela respondeu: “Minha querida, não posso dizer-lhe exatamente, pois não sei.

Mas isto lhe direi.

Encontrei-o pela primeira vez quando tinha vinte anos,—em 1851. Ele estava então no pleno vigor da virilidade.

Agora sou uma velha senhora, mas ele não envelheceu um dia sequer.

Ele ainda está no pleno vigor da virilidade.

Isso é tudo o que posso dizer.

Pode tirar suas próprias conclusões.” “Teriam os Mahatmas descoberto o elixir da vida?” “Isso não é fábula,” disse H. P. B. seriamente.

“É apenas o véu que oculta um processo oculto real, afastando a velhice e a dissolução por períodos que pareceriam fabulosos” — portanto não os mencionarei.

O segredo é este: para todo homem, há um período crítico, quando ele deve se aproximar da morte; se ele dissipou suas forças vitais, não há escape para ele; mas se ele viveu de acordo com a lei, pode atravessá-lo e assim continuar no mesmo corpo quase indefinidamente.” Então ela me contou algo sobre outros Mestres e adeptos que conhecera,—pois ela fazia uma distinção, como se os adeptos fossem os capitães do mundo oculto, e os Mestres, os generais.

Ela conhecera adeptos de muitas raças, do Norte e do Sul da Índia, do Tibete, da Pérsia, da China, do Egito; de várias nações europeias, gregos, húngaros, italianos, ingleses; de certas raças na América do Sul, onde ela disse haver uma Loja de adeptos.

“É a tradição disto que os Conquistadores espanhóis encontraram,” disse ela, “a cidade dourada de Manoah ou El Dorado.

A raça é aparentada aos antigos egípcios, e os adeptos ainda preservaram inviolável o segredo de sua morada.

Há certos membros das Lojas que passam de centro a centro, mantendo ininterruptas as linhas de conexão entre eles.

Mas eles estão sempre conectados de outras maneiras.” “Em seus corpos astrais?”

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“Sim,” respondeu ela, “e de outras maneiras ainda mais elevadas.

Eles têm uma vida e um poder comuns.

À medida que ascendem em espiritualidade, elevam-se acima das diferenças de raça, para a nossa humanidade comum.”

A série é ininterrupta.” “Os adeptos são uma necessidade na natureza e na supernatureza.

Eles são os elos entre os homens e os deuses; esses ‘deuses’ sendo as almas de grandes adeptos e Mestres de raças e eras passadas, e assim por diante, até o limiar do Nirvana.

A continuidade é ininterrupta.” “O que eles fazem?” “Você dificilmente entenderia, a menos que fosse um adepto.

Mas eles mantêm viva a vida espiritual da humanidade.” “Como é a sensação de sair viajando em seu corpo astral? Às vezes sonho que estou voando, e estou sempre na mesma posição; quase deitado de costas, e indo com os pés para a frente.

É algo parecido com isso?” “Não é isso que eu sinto,” ela disse; “eu me sinto exatamente como uma rolha subindo à superfície da água, você entende.

O alívio é imenso.

Eu só estou viva então.

E então eu vou ao Mestre.” “Volte ao que você estava dizendo.

Eu não deveria ter interrompido você.

Como os adeptos guiam as almas dos homens? “De muitas maneiras, mas principalmente ensinando suas almas diretamente, no mundo espiritual.

Mas isso é difícil para você entender.

Isto, porém, é bem inteligível.

Em certos períodos regulares, eles tentam dar ao mundo em geral um entendimento correto das coisas espirituais.

Um de seu número vem ensinar as massas, e é transmitido à tradição como o Fundador de uma religião.

Krishna foi um desses Mestres; assim também Zoroastro; assim também Buda e Shankara Acharya, o grande sábio do sul da Índia.

Assim também foi o Nazareno.

Ele saiu contra o conselho dos demais, para dar às massas antes do tempo, movido por uma grande compaixão e entusiasmo pela humanidade; ele foi avisado de que o tempo era desfavorável, mas mesmo assim ele escolheu ir, e assim foi morto por instigação dos sacerdotes.” “Os adeptos têm algum registro secreto da vida dele?” “Eles devem ter,” ela respondeu; “pois eles têm registros das vidas de todos os Iniciados.


Uma vez eu estive em um grande templo-caverna nas montanhas do Himalaia, com meu Mestre,” e ela olhou para o retrato do esplêndido Rajput; “havia muitas estátuas de adeptos ali; apontando para uma delas, ele disse: ‘Este é aquele a quem vocês chamam Jesus.

Nós o consideramos um dos maiores entre nós.’ “Mas esse não é o único trabalho dos adeptos.

Em períodos muito mais curtos, eles enviam um mensageiro para tentar ensinar o mundo.

Tal período chega no último quarto de cada século, e a Sociedade Teosófica representa o trabalho deles para esta época.” “Como isso beneficia a humanidade?” “Como isso te beneficia conhecer as leis da vida? Não te ajuda a escapar da doença e da morte? Pois bem, há uma doença da alma, e uma morte da alma.

Somente o verdadeiro ensinamento da Vida pode curá-las.

As igrejas dogmáticas, com seu inferno e danação, seu céu de metal e seu fogo e enxofre, tornaram quase impossível para pessoas pensantes acreditar na imortalidade da alma.

E se elas não acreditam em uma vida após a morte, então elas não têm vida após a morte.

Essa é a lei.” “Como pode o que as pessoas acreditam afetá-las? Ou é ou não é, independentemente do que acreditem.” “A crença delas as afeta desta maneira.

A vida delas após a morte é feita por suas aspirações e desenvolvimento espiritual que se desdobram no mundo espiritual.

De acordo com o crescimento de cada uma, assim é sua vida após a morte.

É o complemento de sua vida aqui.

Todos os anseios espirituais não satisfeitos, todos os desejos por uma vida superior, todas as aspirações e sonhos de coisas nobres, florescem na vida espiritual, e a alma tem seu dia, pois a vida na terra é sua noite.

Mas se você não tem aspirações, nem anseios superiores, nem crenças em qualquer vida após a morte, então não há nada do que sua vida espiritual possa ser feita; sua alma é um vazio.” “O que acontece com você então?” “Você reencarna imediatamente, quase sem intervalo, e sem recuperar a consciência no outro mundo.” HELENA PETROVNA BLAVATSKY

“Suponha, por outro lado, que você acredite no céu, digamos o El Dorado ortodoxo?” “Seu destino após a morte é este.

Você tem primeiro que passar pelo que chamamos de Kama Loka, o mundo do desejo, a terra fronteiriça, na qual a alma é purgada da escória da vida animal; de todas as suas paixões e desejos malignos.

Estes gradualmente se exaurem, e não tendo combustível novo para mantê-los acesos, lentamente se extinguem.

Então a alma ascende ao que chamamos de Devachan, o estado que é distorcido no ensinamento ortodoxo do céu.

Cada alma cria seu próprio Devachan, e vê ao seu redor aqueles que mais amou na terra, desfrutando de felicidade em sua companhia.

Se você acreditasse no céu ortodoxo, veria a cidade dourada e os portões de pérola; se acreditasse no paraíso de Shiva, encontrar-se-ia no meio de deuses de muitos braços; o Homem Vermelho vê os campos de caça felizes, e o filósofo adentra a vida livre da alma.

Em todos os casos, seu espírito reúne novas forças para uma nova encarnação.” “Você precisa voltar? Não há escapatória?” “Se seus desejos materiais não estiverem exauridos na morte, você deve.

Desejos são forças, e acreditamos na conservação da força.

Você deve colher a semente do que plantou, e colhê-la onde foi plantada.

Sua nova vida será o resultado exato de suas ações na vida precedente.

Ninguém pode escapar da punição de seus pecados, assim como não pode escapar da recompensa de suas virtudes.

Essa é a lei do Carma.

Você deve continuar renascendo até alcançar o Nirvana.” “Bem, parece-me que tudo isso está mais ou menos contido nas crenças ortodoxas, apenas bastante distorcido.” “Sim,” respondeu ela; “é exatamente isso. As ortodoxias contêm a verdade, mas seus seguidores não a compreendem; eles apresentam ensinamentos que nenhum homem inteligente pode aceitar, e assim estamos todos derivando para o ateísmo e o materialismo.

Mas quando nós, teosofistas, lhes mostramos como interpretar seus ensinamentos, será bem diferente.

Então eles verão quanta verdade tinham, sem saber. As histórias do Gênesis, por exemplo, são todas símbolos de verdades reais; e o relato da Criação ali, e de Adão e Eva, tem muito mais verdade real do que o Darwinismo, uma vez que você o compreenda. Mas isso só pode ser feito pela Teosofia.” “Como você, como teosofista, abordaria isso?” “Bem,” respondeu ela, “de duas maneiras: primeiro, divulgando a verdade, como é ensinada hoje nas escolas ocultas, e depois pelo método comparativo; levando as pessoas a estudar as escrituras arianas e outras orientais, onde encontrarão as outras metades de tantas coisas que têm sido pedras de tropeço na Bíblia.” “Por exemplo?” “Tome esse próprio ensinamento sobre céu, inferno e purgatório.


Os livros sagrados da Índia iluminam tudo isso e o tornam um ensinamento completamente filosófico e crível.

Mas você deve estudar as religiões orientais antes de compreender plenamente o que digo.”

Lembre-se de que no Antigo Testamento não há absolutamente nenhum ensinamento sobre a imortalidade da alma, enquanto no Novo Testamento ela está inextricavelmente confundida com a ressurreição do corpo.

Mas os Upanishads contêm a verdadeira doutrina oculta e espiritual." "Bem, posso compreender e simpatizar plenamente com isso; e apresentar tal ensinamento numa época como esta, quando todos estamos derivando para o materialismo, pareceria um trabalho suficientemente grande para qualquer escola de adeptos e Mestres.

Posso ver como o ensinamento do renascimento tornaria a vida muito mais altruísta e humana e, portanto, muito mais feliz.

O que mais vocês ensinam, como Teosofistas?" "Bem, senhor! Parece que estou sendo interrogada esta noite", respondeu ela com um sorriso, e enrolou-me outro cigarro, fazendo um para si também, e acendendo-o com evidente deleite.

"Ensinamos algo muito antigo e que, no entanto, precisa ser ensinado.

Ensinamos a fraternidade universal." "Não vamos nos tornar vagos e genéricos.

Diga-me exatamente o que você quer dizer com isso." "Deixe-me dar um caso concreto", disse ela; e olhou meditativamente para seu secretário, que estivera ouvindo calmamente e com sério e sincero interesse tudo o que ela

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vinha dizendo, embora já tivesse ouvido muito disso dela, repetidas vezes.

Ele começou a ficar um pouco inquieto sob seu olhar, e ela percebeu e imediatamente se fixou nele.

"Pegue os ingleses", disse ela, e olhou para ele com aqueles olhos azuis potentes, como se ele, em sua própria pessoa, devesse responder pelos pecados de sua raça.

"H. P. B.", disse ele, levantando-se com um suspiro da mesa; "Acho que é melhor eu subir e continuar copiando o manuscrito de A Doutrina Secreta"; e desapareceu.

"Você acha que ele vai?", disse H. P. B. com um sorriso de infinita boa-humor.

"Não vai, não; ele vai se aconchegar na poltrona, fumar cigarros sem fim e ler um romance de sangue e trovão." Ela estava enganada, no entanto.

Quando subi para me despedir, ele estava na poltrona, fumando serenamente, é verdade; mas era um romance policial.

Ele sentou-se sobre ele e disse algo sobre voltar ao trabalho.

"Pegue os ingleses", repetiu ela.

"Como são cruéis! Como tratam mal meus pobres hindus!" "Sempre entendi que eles fizeram muito pela Índia de maneira material", objetei.

"A Índia é uma prisão bem ventilada", disse ela; "é verdade que eles fazem algo de maneira material, mas é sempre três para eles e um para os nativos."

Mas de que adiantam os benefícios materiais, se você é desprezado e pisoteado moralmente o tempo todo? Se os seus ideais de honra e glória nacional são esmagados na lama, e você é feito a sentir o tempo todo que é uma raça inferior — uma ordem inferior de mortais — porcos, os ingleses os chamam, e sinceramente acreditam nisso. Pois bem, exatamente o oposto disso seria a fraternidade universal.

Façam-lhes menos bem materialmente — não que eles façam muito, além de coletar os impostos regularmente — e respeitem um pouco mais os seus sentimentos.

Os ingleses acreditam que as "raças inferiores" existem apenas para servir aos fins dos ingleses; mas nós acreditamos que elas existem para si mesmas e têm todo o direito de serem felizes à sua própria maneira.

Nenhuma quantidade de benefício material pode compensar por ferir suas almas e esmagar seus ideais.

Além disso, há outro lado de tudo isso, que nós, como teosofistas, sempre apontamos.


Realmente não existem "raças inferiores", pois todos somos um em nossa humanidade comum; e como todos nós tivemos encarnações em cada uma dessas raças, deveríamos ser mais fraternos com elas.

Elas são nossos tutelados, confiados a nós; e o que fazemos? Invadimos suas terras e os metralhamos à vista de seus próprios lares; ultrajamos suas mulheres e roubamos seus bens, e então, com hipocrisia de rosto liso, nos viramos e dizemos que estamos fazendo isso para o bem delas.

Há duas coisas más: a hipocrisia e a crueldade; mas creio que, se tivesse que escolher, preferiria a crueldade.

Mas há uma lei justa," continuou ela; e seu rosto estava tão severo quanto Nêmesis; "a língua falsa condena a sua mentira; o espoliador rouba para restituir.

'Não saireis dali até que pagueis o último ceitil'." "Então é isso que os adeptos enviaram você para ensinar?" "Sim," respondeu ela; "isso e outras coisas; — coisas que são muito importantes e em breve serão ainda mais importantes."

Existe o perigo da magia negra, para a qual todo o mundo, e especialmente a América, está correndo o mais rápido que pode. Apenas um amplo conhecimento da verdadeira natureza psíquica e espiritual do homem pode salvar a humanidade de graves perigos.”     “Histórias de feitiçaria neste chamado século XIX, nesta era esclarecida?”     “Sim, Senhor! Histórias de feitiçaria, e nesta era esclarecida! Como você chama isso senão uma história de feitiçaria, esse próprio experimento que você me contou, feito pelo meu amigo Pesquisador Espírita? Não é feitiçaria transferir beliscões e queimaduras, dor e sofrimento, de fato, embora apenas leves neste caso, a outra pessoa à distância? Suponha que não fosse como um experimento, mas a sério, e com maldade direta e intenção maligna? E então? A vítima não sentiria? Poderia ela se proteger? E isso não seria feitiçaria exatamente no sentido que enviou pessoas à fogueira e à estaca durante toda a Idade Média? Você leu o famoso julgamento de feitiçaria de Salem? Sim, Senhor! Feitiçaria nesta era muito esclarecida,— a mais sombria, mais material e menos espiritual que o mundo já viu.”

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“Oh, mas enviar beliscões por transferência de pensamento não pode causar grande dano?”       “Você acha que não? Bem, você não sabe do que está falando.

Esse é o privilégio dos jovens! Uma vez que a porta é aberta para esse tipo de coisa, onde você acha que ela será fechada? É a velha história; dê ao diabo um dedo, e ele tomará o braço inteiro; dê a ele seu dedo, e ele logo tomará todo o seu braço.

Sim, e seu corpo também! Você não vê os tremendos males que estão ocultos no hipnotismo? Olhe para os experimentos de Charcot na Salpêtrière! Ele mostrou que uma pessoa completamente inocente pode ser levada a realizar ações bastante contrárias à sua vontade; pode ser levada a cometer crimes, até mesmo, pelo que ele chama de Sugestão.

E o sonâmbulo esquecerá tudo sobre isso, enquanto a vítima nunca poderá identificar o verdadeiro criminoso.

Charcot é um homem benevolente e nunca usará seu poder para fazer o mal.

Mas nem todos os homens são benevolentes.

O mundo está cheio de pessoas cruéis, gananciosas e lascivas, que estarão ansiosas para agarrar uma nova arma para seus fins, e que desafiarão a detecção e passarão por entre todos nós impunes.

“Sim, Senhor! Contos de bruxas nesta era esclarecida! E marque minhas palavras! Você terá contos de bruxas como a Idade Média jamais sonhou. Nações inteiras derivarão insensivelmente para a magia negra, com boas intenções, sem dúvida, mas pavimentando o caminho para o inferno nem por isso menos! O hipnotismo e a sugestão são grandes e perigosos poderes, precisamente porque a vítima nunca sabe quando está sendo submetida a eles; sua vontade lhe é roubada, e marque minhas palavras: essas coisas podem ser iniciadas com bons motivos e para propósitos corretos.

Mas sou uma velha senhora e vi muito da vida humana em muitos países.

E desejo com todo o meu coração poder acreditar que esses poderes serão usados apenas para o bem! Quem quer que se deixe hipnotizar, por qualquer pessoa, boa ou má, está abrindo uma porta que será impotente para fechar; e não pode saber quem será o próximo a entrar! Se você pudesse prever o que eu prevejo, começaria de corpo e alma a difundir o ensinamento da fraternidade universal.

É a única salvaguarda!” “Como isso vai proteger as pessoas contra o hipnotismo?” “Purificando os corações daqueles que o usariam mal. E a fraternidade universal repousa sobre a alma comum.


É porque existe uma alma comum a todos os homens que a fraternidade, ou mesmo o entendimento comum, é possível.

Levai os homens a se apoiarem nisso, e eles estarão seguros.

Há um poder divino em cada homem que deve governar sua vida, e que ninguém pode influenciar para o mal, nem mesmo o maior dos magos.

Deixai os homens colocarem suas vidas sob sua orientação, e não terão nada a temer do homem ou do diabo.

E agora, minha querida, está ficando tarde, e estou ficando sonolenta.

Então devo lhe desejar boa noite!” E a Velha Senhora despediu-se de mim com aquele seu ar grandioso que nunca a abandonava, porque era parte dela mesma.

Ela era a aristocrata mais perfeita que já conheci.

Foi muito depois disso que voltamos à questão dos poderes mágicos.

Em agosto de 1888, H. P. B. recebeu a visita de seu velho camarada, o Coronel H. S. Olcott.

Ele escrevia numa mesa lateral.

H. P. B. jogava Paciência, como fazia quase todas as noites, e eu estava sentada diante dela, observando e, de vez em quando, conversando sobre o Oriente, de onde o Coronel Olcott acabara de chegar.

Então H. P. B. cansou-se de seu jogo de cartas, que não saía, e tamborilou os dedos lentamente sobre a mesa, meio inconscientemente.

Então seus olhos se focaram e, afastando a mão cerca de um pé da mesa, ela continuou o movimento de batidas no ar.

As batidas, no entanto, ainda eram perfeitamente audíveis — na mesa, a um pé de sua mão.

Observei, com decidido interesse.

Em seguida, teve uma nova ideia e, voltando-se em minha direção, começou a enviar suas batidas astrais contra as costas da minha mão.

Eu podia senti-las e ouvi-las.

Era algo como tirar faíscas do condutor principal de uma máquina elétrica; ou, melhor ainda, talvez, era como esguichar mercúrio entre os dedos.

Essa era a sensação.

O ruído era uma pequena explosão.

Então mudou novamente de direção e começou a dirigir suas batidas ao topo da minha cabeça.

Eram bem audíveis e, desnecessário dizer, eu as sentia distintamente.

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Eu estava no lado oposto da mesa, a uns cinco ou seis pés de distância, durante todo esse pequeno experimento sobre as leis inexplicáveis da natureza e os poderes psíquicos latentes no homem.

Nenhum experimento poderia ter sido mais conclusivo e convincente; sua própria simplicidade o destacava como uma nova revelação.

Aqui estava um milagre absolutamente indubitável, como os milagres são geralmente entendidos, e, no entanto, um milagre que se concretizava.

Mas em nosso primeiro encontro, a Sra. Blavatsky sequer abordou o assunto; não obstante, ela transmitia a sensação do miraculoso.

É difícil dizer exatamente como, mas o fato permanece.

Havia algo em sua personalidade, em seu porte, na luz e no poder de seus olhos, que falava de uma vida mais ampla e profunda, que não precisava de milagres menores para testemunhá-la, porque em si mesma era miraculosa.

Essa era a maior qualidade nela, e estava sempre presente; esse senso de um mundo maior, de poderes mais profundos, de força invisível; para aqueles em harmonia com seu gênio potente, isso vinha como uma revelação e incentivo para seguir o caminho que ela apontava.

Para aqueles que não podiam ver com seus olhos, que não podiam elevar-se de alguma forma à sua visão, essa qualidade vinha como um desafio, um irritante, uma força discordante e subversiva, levando-os por fim a uma atitude de feroz hostilidade e denúncia.

Quando se diz a última palavra, ela era maior do que qualquer de suas obras, mais plena de poder vivo do que até mesmo seus maravilhosos escritos.

Era o senso íntimo e direto de seu gênio, o forte raio e vibração desse próprio gênio, que realizava suas maiores conquistas e obtinha seus maiores triunfos.

Obra mais perfeita de todas, sua vontade carregava consigo um sentido e uma convicção de imortalidade.

Sua mera presença testemunhava o vigor da alma.

[O “encontro” que Charles Johnston menciona na página 394 foi um realizado pela S.P.R. em Londres, em 24 de junho de 1885, no qual Richard Hodgson leu parte de seu Relatório.

Johnston, em seu Discurso na Convenção da S.T. na América, abril de 1907 (ver o Theosophical Quarterly, Nova York, Vol. V, julho de 1907), o chama de um “encontro terrível.”—Compilador.]

FIM DO VOLUME VIII

Escritos Reunidos VOLUME VIII

LEVANTAMENTO CRONOLÓGICO

DOS PRINCIPAIS EVENTOS NA VIDA DE H. P. BLAVATSKY E DO CORONEL

HENRY S. OLCOTT, DE SETEMBRO DE 1887 A DEZEMBRO DE 1887, INCLUSIVE

(o período ao qual pertence o material do presente volume)

15 de setembro—Data da primeira edição da revista Lucifer, descrita na página de rosto como: Uma Revista Teosófica, destinada a “trazer à luz as coisas ocultas das trevas.” Os nomes de H. P. Blavatsky e Mabel Collins aparecem como Editoras.

O editor é George Redway, York Street, Covent Garden, Londres.

9–16 de setembro—H. S. Olcott em Vizianagaram e Vizâgapatâm; navega no dia 16 para Cocanada no SS. Ethiopia; escapa por pouco ao embarcar no navio (ODL., IV, 15, 17, 18; Theos., IX, Supl., out.-nov., 1887, p. ii).

Setembro—Mohini M. Chatterji navega de Boston para a Índia; visita amigos em Roma a caminho (Path, II, out., 1887, p. 223).

21–30 de setembro—H. S. Olcott em Rajahmundry, Ellore e Bezvâda (ODL., IV, 18; Theos., IX, Supl., out.-nov., 1887, p. ii).

Setembro—A Companhia Editora Teosófica é organizada em Londres, com um capital de £1.500 (Ransom, 239; ODL., IV, 24; Theos., IX, Supl., jan., 1888, p. xxxiv; Path, II, março, 1888, p. 387).

2–8 de outubro—H. S. Olcott em Guntûr e Masûlipatâm; toma o vapor para Madras no dia 8 (ODL., IV, 18-20; Theos., IX, Supl., out.-nov., 1887, p. ii).

10 de outubro—H. S. Olcott desembarca em Madras, após 262 dias de viagem, desde sua partida para o Ceilão no início do ano (ibid.).

13 de outubro—Alexander Fullerton deixa Adyar para Bombaim e os EUA, após uma estadia de apenas nove dias (ODL., IV, 27).

Outubro—Atrito na Sede de Adyar devido principalmente à atitude peculiar e às queixas imaginárias do Sr. A. J. Cooper-Oakley (ODL., IV, 28).

Outubro—G. B. Finch renuncia ao cargo de Presidente da Loja Blavatsky em Londres, bem como à membresia na Sociedade; outras renúncias se seguem.

A principal razão para a ruptura parece ser a determinação por parte da Loja de levar adiante a propaganda pública da Teosofia, como H. P. B. foi instruída a fazer (Ransom, 241).

LEVANTAMENTO CRONOLÓGICO                                       xiii 1º de novembro—H. S. Olcott assume a responsabilidade legal e editorial por *The Theosophist* (ODL., IV, 29-30; Ransom, 244; Theos., IX, nov., 1887, p. 132).

Novembro—Alugado escritório para a Theosophical Publishing Company na Duke Street, Londres (Rem., 93).

21 de novembro—H. S. Olcott entrevista o Governador de Madras, Lorde Connemara, e estabelece relações muito cordiais com ele (Diaries; também ODL., IV, 29, onde outubro é mencionado erroneamente).

24 de novembro—H. S. Olcott parte em uma turnê de palestras para Bangalore, acompanhado por Pandit Bhâshyâchârya; retorna em 2 de dezembro (ODL., IV, 31).

Novembro—H. S. Olcott publica suas *Regras de Ouro do Budismo*; também o *Catecismo Viśishtâdvaita* de Bhâshyâchârya (ODL., IV, 31).

15 de dezembro—*Lucifer* publica a famosa Carta Aberta intitulada: "‘Lucifer’ ao Arcebispo de Cantuária, Saudação!" Pouco depois, este Editorial é republicado em forma de panfleto (15.000 cópias impressas) (Ransom, 240).

21 de dezembro—Sra.

H. Isabel Cooper-Oakley deixa Adyar, após uma breve visita com seu marido, e retorna a Londres (ODL., IV, 32).

23 de dezembro—A nova Biblioteca de Adyar está pronta no que diz respeito às estantes, e H. S. O. começa a transferir livros para lá, sendo o primeiro *Ísis sem Véu* (ODL., IV, 32).

27-29 de dezembro—Décima Segunda Convenção e Aniversário da Sociedade Teosófica realizados na Sede, Adyar.

O Congresso Nacional Indiano reúne-se em Madras ao mesmo tempo, afetando seriamente a força numérica da Convenção de Adyar (ODL., IV, 34).

Outono—As edições de setembro, outubro e novembro de 1887 de *Lucifer*, bem como a edição de janeiro de 1888, publicam os famosos "Comentários sobre *Luz no Caminho*" assinados por um triângulo.

Outono (tardio) ou Inverno—William Quan Judge vem a Londres, a pedido de H. P. B., em conexão com planos relativos à formação da Seção Esotérica (Alice Leighton Cleather, em *Theosophy*, Vol.

XI, junho, 1896, p. 83).

LEGENDA DAS ABREVIAÇÕES

ODL—*Old Diary Leaves*, Henry Steel Olcott, Quarta Série, 1887-1892. Londres: Theos.

Publ.

Society; Adyar: Office of The Theosophist, 1910.

Path—*The Path*.

Uma Revista dedicada à Fraternidade da Humanidade, à Teosofia na América e ao Estudo da Ciência Oculta, Filosofia e Literatura Ariana.

Publicada e Editada em Nova York por William Quan Judge.

Volume II, Abril de 1887—Março de 1888.

Ransom—Uma Breve História da Sociedade Teosófica. Compilado por Josephine Ransom. Com um Prefácio de G. S. Arundale. Adyar, Madras: Theos. Publ. House, 1938. xii, 591 pp.

Rem—Reminiscências de H. P. Blavatsky e "A Doutrina Secreta". Condessa Constance Wachtmeister e Outros. Londres: Theos. Publ. Society, 1893. 162 pp.

Theos—O Teosofista, publicado em Madras, Índia, começando em Outubro de 1879. Em andamento.

Obras Completas VOLUME VIII

H.P. BLAVATSKY SOBRE Reproduzido do trabalho de Dr. Franz Hartmann Unter den Adepten und Rosenkreuzern, frente à p. Obras Completas VOLUME VIII

SENHORITA FRANCESCA ARUNDALE 18- - Obras Completas VOLUME VIII

RUÍNAS DO TEMPLO DA SIBILA Tivoli (antiga Tibur), Itália. Obras Completas VOLUME VIII

CONDE LEV NIKOLAYEVICH TOLSTÓI 1828- (De uma Fotografia tirada em 1896) Obras Completas VOLUME VIII

JOHN WORRELL KEELY 1837- Reproduzido de Le Lotus, Vol. III, Setembro de 1888. Obras Completas VOLUME VIII

Uma fotografia muito rara de H.P.B., presumivelmente em seus quarenta anos, originalmente publicada em The Review of Reviews, Nova York, Vol. VIII, Dezembro de 1893, p. 659. A impressão fraca nesse periódico não permite que uma melhor reprodução seja feita. Obras Completas VOLUME VIII

THOTH MUT-EM-UA KHNUM MUT-EM-UA HATHOR CENAS DA ANUNCIAÇÃO E DA RAINHA CONDUZIDA À SALA DE NASCIMENTO. PAREDE OESTE DE UM DOS SALÕES NO TEMPLO DE LUXOR. (Cortesia do Instituto Oriental, Universidade de Chicago) Obras Completas VOLUME VIII

CENA DO NASCIMENTO DIVINO NA MESMA PAREDE OESTE, IMEDIATAMENTE À DIREITA DAS CENAS ANTERIORES. (Cortesia do Instituto Oriental, Universidade de Chicago) Obras Completas VOLUME VIII

CENA DO NASCIMENTO DIVINO (cont.). EXTENSÃO ADICIONAL DA CENA À DIREITA DA IMAGEM ANTERIOR. (Cortesia do Instituto Oriental, Universidade de Chicago) Obras Completas VOLUME VIII

DR. FRANZ HARTMANN 1838- Reproduzido de seu próprio relato intitulado "A Autobiografia do Dr. Franz Hartmann", em The Occult Review, Londres, janeiro de 1908, p. 9. Obras Completas, Volume VIII

GERALD MASSEY 1828- Reproduzido da obra de Benjamin O. Flower, Gerald Massey: Poeta, Profeta e Místico (Boston: Arena Publ. Co., 1895) Obras Completas, Volume VIII Obras Completas, Volume VIII

CENAS DE NASCIMENTO DIVINO DO TEMPLO DE LUXOR. (De Le Temple de Luxor, de Albert Gayet) Obras Completas, Volume VIII

CENA DE NASCIMENTO DIVINO DO TEMPLO DE LUXOR. (De Le Temple de Luxor, de Albert Gayet) Obras Completas, Volume VIII

Inscrições de MABEL COLLINS em A Luz no Caminho Obras Completas, Volume VIII

Parte de uma Carta do Mestre M. Dr. F. HARTMAN